The Queen
28 O primeiro anjo caído
Notas iniciais
Uzumaki Naruto
Acordei deitado numa grama cinza e neve ao redor. As árvores retorcidas, sem folhas e o céu pintado de violeta. Esfreguei minha cabeça e olhei ao redor, abrindo lentamente os olhos.
Sakura estava deitada no chão, um pouco mais longe. Os olhos vermelhos vívidos e perigosos. Hinata e Sasuke estavam na frente dela, sentados de costas para mim.
Nenhum sinal do cabeça de fosforo.
_Você não irá encontra-lo, Naruto-kun– falou Hinata -, ele está morto.
Minha mente deu um vazio e minha boca secou. Mexi-me desconfortavelmente no chão, o clima de tensão, raiva e perda tomando posse do meu corpo e do local.
Sasuke parecia meio desleixado, com uma perna levemente flexionada enquanto a outra estava estendida. Não vi seu rosto, mas mesmo se eu tivesse o visto, provavelmente seria um enigma, uma máscara sem nenhum sentimento.
Hinata levantou, esfregando sua roupa, ainda de costas para mim.
_Nós temos que ir, Sasuke–kun.
Sasuke–kun? Naruto–kun? Espera!
_Hinata...?
Enfim ela me encarou e eu tive um raio de esperança nos seus olhos pálidos. Eram perolados, como a cor da lua nova em seu ápice. Os longos cabelos azuis voando junto ao vento, e lábios trancados e justapostos, duros.
A minha antiga Hinata, a guerreira. A formidável Feiticeira das Selvas.
Rapidamente eu levantei, ficando meio sem jeito e sem ação. Ela sorriu, simples e contidamente. Um sorriso carinho. Então não tive como resistir, meus olhos talvez me entregaram. Corri para seus braços, na qual me seguraram, e levantei seu corpo junto ao meu.
Quando a desci, fiquei com a minha cabeça apoiada em seu pescoço, sentindo seu cheiro. Um cheiro cítrico de terra úmida e de gotas de chuva numa mata virgem.
_Senti tanto sua falta... — sussurrei, apertando seu corpo ao meu, mergulhando-me naquele cheiro e em seus longos cabelos, que sempre havia resquícios de pétalas e folhas. — Eu senti muito a sua falta, Hinata!
Ela cariosamente esfregou meus cabelos, entrelaçando os fios em seus dedos, enquanto sorria ao meu ouvido.
_Não me lembrava desse seu cheiro de cachorro de rua, Naruto...
Separei-nos, encarando-a.
_Não importa o século, nunca perde a graça né? — Ela sorriu timidamente e a beijei profundamente.
Nossos lábios se encontraram como era antes, quando eu era um caçador e ela era uma feiticeira. Simples e apaixonado, cheio de emoção.
Então vem o Sasuke e acaba tudo.
_Ta bom né? Tô sendo bonzinho demais, não acham não?
_Na minha opinião — Hinata falou — você só está sendo um grande estraga prazeres, em todo sentido possível — e ela me deu um olhar sacana, examinando-me de cima a baixo. Eita... — e ... chato. Naruto vamos bem ali na moita... quero conferir uma coisa...
Fiquei todo happy e happy lá também, mas Sasuke me segurou pelo pulso.
_Vocês não vão a lugar nenhum. Seus maníacos sexuais!
Eu encarei ele, ele virou a cara. Ah, o moleque tá com invejazinha... e agora tá me sacaneando.
_Pois eu confiro aqui mesmo, não tem problema. — Hinata falou, e me encarou. — Abaixa as calças garoto-cão!
Eu lati por puro impulso e Sasuke começou a rir.
_Creio que isso vai ser bem estilo animal...- falou e Hinata ficou vermelha.
_Isso não foi eu... foi a outra... — Ela falou e no exato momento minha cueca já tava no chão. — Na-Na-Naruto!! — então caiu.
Outra? Ah droga...
_E o que eu maço agora com isso? — Perguntei pro Sasuke apontando pro Happy.
Ele deu de ombros e eu sorri.
_Se responsabilize senhor Uchiha...
Ele ficou com vergonha.
_Oh, claro senhor Uzumaki, — e fez um sinal obsceno com o dedo do meio. — Vá se foder. Use a mão como faz antes, idiota.
Eu sorri e me vesti. Sentei do lado dele, de frente pra rosada.
_Então ele realmente morreu? — Perguntei, sobre o ruivo.
Sasuke passou um tempo encarando a rosada. Seus olhos vermelhos escuros nublosos.
_É o que parece...
_Hm... e o que você vai fazer? — Ele soltou um sorriso frio.
_Tava pensando em estuprá-la e obrigar ela a me amar novamente. Ou somente transar com força. — Sakura fechou a cara. — Mas não é dessa Sakura aí que tenho medo, e algo me diz que se eu fizer isso, essa outra me capa.
Eu sorri.
_Só ouço verdades.
Ele continuou sério. Os olhos perdendo-se no vento.
_Hinata disse também que Lucian está morto.
Eu engoli um mosquito.
_O quê? Isso é sério?
_Não sei... Hinata é forte, mas aquele garoto — ele engoliu a seco — ... ele é muito mais.
_Acha que ele ainda está vivo?
_Acho e pior, Hinata disse que há alguém por trás de Lucian. Que somente está o usando. Uma informação direta de Sakura. Alguém ainda mais forte que ele.
Senti minha cor esvair.
_Você tem ideia de quem seja.
Ele afirmou.
_A Igreja tinha medo de Drácula, mas um ser era ainda pior que ele. Um ser que participara de todas as religiões com diferentes nomes, mas sendo o pior que todos os outros seres malignos. Descende de um sangue puro e bom, ainda sim fora capaz de realizar o caos e o horror. O nome indevido lhe foi dado, Diabo. Mas este é somente o nome do agente que ordena o inferno. Seu verdadeiro nome, é o seu de anjo: Lúcifer.
_Achei que ele fosse um mito, uma lenda.
Ele sorriu com amargura.
_Nós também somos.
_E por que você acha que é ele?
Sasuke remexeu na terra branca, jogando a neve ao vento.
_É o único ser que imagino ter o poder suficiente para distribuir tanto caos e horror no mundo. Nenhum demônio seria capaz de ser tão astuto em pensar num plano tão grande e forte como este que foi realizado. Uma invasão aos céus, a destruição dos Anjos, o desaparecimento da Morte, de Deus e do Diabo, a destruição completa dos caçadores e das feiticeiras. A libertação do inferno e das criaturas do Submundo. Essa astúcia, o poder de manipulação e do caos... só ele poderia ter esse poder.
Meus lábios secaram.
_E como poderia Lucian ter caído nas mãos de Lúcifer?
_Porque no meu filho corre o mesmo sangue que o meu e o de Sakura e o dele. O sangue angelical. É a criatura que todo ser existente deve temer e que desde criança, foi ensinado a odiá-lo.
Exasperei.
_Tomara que não seja, porque se for, estamos ferrados. Liquidados. Nos fodemos completamente.
Sasuke sorriu de canto.
_Com toda a certeza... Para derrota-lo, precisaríamos dos anjos e de todos nós, inclusive da Morte, que está desaparecida.
_É por isso que precisamos ir. — Hinata acordou, já estava em pé. — Tomara que sua tese esteja errada, Uchiha, porque se não estaremos correndo contra o tempo.
Sasuke encarou Hinata que tinha os olhos enigmáticos.
_Vamos para onde?
_Buscar a chave que está na Besta, no profundo Inferno. — Ela respondeu.
_Besta? — Perguntei.
_O outro nome que se dá a Sinner, o Demônio Maior do Medo e do Pecado. — Respondeu Hinata.
_Ah sim, e vamos até ele por pura boa vontade, certo? — Perguntei com irônico.
_A chave está lá, junto com a alma de Sakura.
_Chave, chave, chave... De que chave você está falando? — Perguntei ignorando a parte da alma da rosada.
Hinata me fitou com os olhos profundos e perigosos, como se estivesse pensando na possibilidade de matar-me assim que respondesse a minha pergunta.
_A chave para o Vácuo, onde estão todas as almas e espíritos do Submundo. É o único meio de trazê-los.
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