The Queen
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Notas iniciais
Uchiha Sasuke
Eu não sei se ela fez de propósito, mas a pergunta dela colocou todos os meus pensamentos para fora. A questão começou logo após a morte de Itachi. Minha raiva e meu desespero, creio eu que fora isto que senti de acordo com o que Naruto me disse, explodiram no meu corpo com tal violência que liberei algo.
Estes relâmpagos rodeiam-me, como moscas. Não consigo controla-los e muitas vezes mato um ser humano ou eletrocuto outra coisa. Não é agradável sentir o cheiro de carne queimada.
E como se isso não fosse o suficiente, meu corpo e minha mente estão embaralhados. Antes a maldade era algo natural, hoje parece mais ser minha segunda natureza. Ocorre mudanças em tudo o que faço, não há brutalidade nos meus atos.
Sinto-me humano as vezes.
Ver Sakura fugir de mim com pressa e medo, não ajudou muita coisa. Na verdade, minha mente perguntou-se o porquê daqueles atos, apesar de ser um absurdo. É natural ela fugir de mim, certo, afinal quero mata-la. Porém meu corpo não corresponde a minha mente.
Entro em conflito novamente por causa desta. Há algo realmente entre nós? Se fosse humano, poderia até sentir meu coração bater rápido, minhas mãos suarem ou coisas assim.
Quando a vi fugir, achei melhor. Pelo menos não teria de mata-la ou deixa-la escapar. As duas seriam uma forma de traição com o meu ser. Antes saberia dizer que ela é um brinquedo usado e quebrado, mas agora nem mesmo sei se ela alguma vez já o fora ou eu somente enganava minha própria mente.
O fato de eu pensar em tudo isto por causa de uma única pergunta não ajuda. E todos esses pensamentos vinham na noite eterna que nos suga. Parece algo teatral porém não é. Não consigo querer mata-la realmente. Talvez o quisesse em milésimos de segundo, mas não em todo o sempre. Ela sempre seria a minha fraqueza.
E isso tudo despertou junto aos relâmpagos e o pior é que minhas conversas com Naruto não ajudaram em nada.
*-Flashback-*
Andava apressadamente pelos corredores da mansão, a procura de um certo loiro de olhos azuis. Parei subitamente em frente a uma porta fechada, abrindo-a lentamente.
Naruto estava deitado na cama, com Hinata apoiada no seu braço direito. Ele mexia lentamente em seus cabelos e ela fazia círculos com a ponta do dedo indicador no peito do loiro.
Olhavam um ao outro com uma mistura de emoções tão intensas que possivelmente ficaria constrangido se fosse um humano. Até eu sendo um vampiro tive que revirar os olhos com tal cena. Encarei o chão, torcendo para que eles me notassem.
_Eu te amo... — Ela sussurrou e não tive como não encara-los. Aquelas palavras talvez fosse as mais doces e verdadeiras que eu tinha ouvido. A pureza do local chegava a ser uma coisa exagerada, algo que merecesse de fato uma careta.
_Nossa, vocês são tão insuportáveis... — Resmunguei, adentrando o quarto de vez e os interrompendo.
Ela sorriu e sentou-se calmamente sobre as perna. Percebi só então que ela usava uma blusa grande demais para ser dela, estava sem sutiã e provavelmente sem calcinha.
_Eu não acredito que vocês fizeram isso na minha cama. — Falei com misto de raiva e espanto. Vou decapitá-los.
Naruto sentou-se enfrente a Hinata, soprando os olhos desta que ria com ternura.
_Você nem a usa mesmo... -Falou o loiro, encarando-me com uma sobrancelha erguida — senhor lâmpada.
Esse apelido derivou-se pelo fato dos relâmpagos tomarem de conta do meu corpo e emitir luz. Deidara certa vez disse que eu era a nova chance da humanidade, uma luz para todos. Idiotas me rodeiam.
_Posso falar com você? — Perguntei ao loiro que sorriu levemente, tampando o sorriso com os dedos da Hyuuga que parecia perplexa.
_Uchiha Sasuke pedindo permissão? Cara, você está com sérios problemas... — Ele balbuciou, colocando as pernas pra fora da cama e encarando a garota. — posso? — perguntou e ela assentiu, levantando-se e saindo do quarto.
_Não o roube de mim, Sasuke. — Ela brigou, cutucando-me.
Eu sorri.
_Para sua sorte sou um marido muito liberal. — Respondi e ela riu ao sair do aposento e fechar a porta.
Eu e Naruto nos encaramos, então suspirei.
_Parece que a conversa vai ser longa... — Ele concluiu. — Por que não senta? — Ofereceu.
_Não, obrigado, posso sentar no seu sêmen. — Respondi, e ele me arremessou um travesseiro.
_Idiota... — Murmurou, deitando-se e eu me dirigi a cama ao lado. — Iai, o que tem a me dizer?
Apoiei meu cotovelo no meu joelho, esfregando fatigante meu rosto com minha mão.
_Tem algo errado comigo... — Murmurei.
Ele suspirou.
_Antes foi aquela história de "amor" e "sentimento", nada pode piorar, certo? — Perguntou realmente interessado, colocando-se para frente.
_Não sei... Parece que estou me tornando... humano. — Murmurei com nojo dessas palavras.
Naruto caiu para trás, arregalando os olhos.
_Como é?!? — Questionou.
Eu esfreguei meu cabelo.
_Eu não sei dizer. — Respondi nervoso. Naruto, você não está ajudando com seu histerismo.
Ele sentou-se, esfregando o queixo.
_Hum... por que acha isso?
_Não faço as coisas como antes. Não quero matar todo mundo que vejo, as vezes parece que sinto algo que não sei o que é mas sei que sinto, há coisas que me desagradam e, puta que pariu, aquela desgraçada não sai da minha cabeça! — Explodi.
Ele pôs-se a rir.
_Ah Sasuke-kun xonou... mas que coisa gayzinha... — Murmurou e eu o encarei.
_Maldito... — Murmurei, o eletrocutando.
Ele bufão uma fumaça.
_Mal aí ,cara, mas é tenso tu apaixonado.
_Eu não estou apaixonado! — Respondi.
_Ah, você tá sim!
_Naruto, você não está ajudando.
_Quer ver como tá? — Ele desafiou e eu aceitei. — Fecha os olhos.
_Por que diabos faria isso? — Reclamei.
_Fecha, caralho.
Fechei.
_Agora imagine seu querido irmão Gaara.
Ok.
_Imagine agora Sakura. — Ele continuou e eu grunhi. Por que os dois?
_Hm.
_Agora imagine os dois se beijando.
_O quê?! Por que diabos faria isso? Idiota! — Reclamei, eletrocutando todo o quarto. Ele não vai ficar com Sakura. Nunca! Mesmo que eu tenha que mata-la!
_Viu? Isso se chama ciúmes.
_Eu não tenho ciúmes... -Murmurei, cruzando os braços e encarando o teto. Por que estou fazendo isso?
_É, meu caro. Você realmente a ama.
_Runf! Nunca. — Ele não ligou para minha fala.
_E voltando a parte de você está virando um humano, isso provavelmente vem vindo por causa desses sentimentos que você está sentindo... Isso realmente pode tornar-se um problema. — Ele analisou. — Um vampiro não deve ter sentimentos, porém algo em você o faz possui-los e também não há uma opção de escolha da natureza, se houvesse você rapidamente tornar-se-ia uma fada...
_E então?
_Talvez sua natureza vampiresca atrapalhe você em algumas ações. Você pode estar desenvolvendo uma síndrome bipolar.
_Ótimo, mais isso agora... — Resmunguei.
_E não é só isso, você pode em alguma hora perder a noção dos seus poderes e agir por instinto. Ou seja...
Ele não precisou terminar a fala.
_Posso me tornar uma besta.
*-Fim do Flashback-*
Na verdade só pioraram.
_O que eu sou? Ora, sou um Lord. Sou o príncipe dos Vampiros, Sakura.
Ela sorriu. Como odeio esse sorriso sarcástico na cara dela.
_Sério? Você não parece acreditar nisso...
Eu nada falei, só investi. Não queria conversar.
Encarei o céu fazendo descer uma chuva de raios. Ela desviava de todos com uma agilidade notável, em zigue zague no céu, arremessando bolas de fogo contra mim.
Eu inclinava-me, interrompendo sua mira, voltava a encara-la e arranquei em sua direção, teletranspordando-me logo após a bola de fogo arremessada. Puxei minha katana das costas, sacando-a. Ela criou rapidamente dois punhais de terra, logo queimados em fogo. Nossas lâminas se encontraram junto aos nossos olhos.
Os olhos verdes dela brilhavam pela luta e pelo perigo. A boca tremia em um sorriso sagaz e violento. E o corpo respondia em um instinto animalesco como uma amazona.
Rápida e inconstante, Sakura acertou um chute nas minhas costelas, fazendo-me soltar a espada. Eu estava distraído com aquela visão do perigo. Despenquei do céu e ela apareceu abaixo de mim, acertando um soco direto no meu estômago que me fez cuspir e ter uma rápida dormência por todo o meu corpo, algo equivalente a falta de ar em um humano.
Voltei ao céu, abrindo minhas asas, parando outro chute da rosada sobre minha cabeça. Segurei seu calcanhar, rodando-a e arremessando contra um companheiro seu.
Ele chocaram-se criando uma cratera, mas assim que a poeira baixou, vi ela tomar impulso do braço do amigo em um super pulo. Ele a arremessou com tal força que eu nem consegui desviar.
_SHANNAROH! — Ela gritou, me dando um soco tão forte na cara, que voei pro lado oposto desta, atravessando uma montanha.
Abri os olhos, passando minha mão na cara e sentindo meu sangue cair.
_É assim? — Perguntei a mim mesmo, vendo que ela lutaria pra valer.
Sumi e reaparecia atrás desta, acertando um murro com metade dos dedos na cara dela, quebrando seu nariz. Ela grunhiu e eu a puxei pelo cos da blusa erguendo-a do chão e colocando-a sobre meus ombros. Novamente levantei e ia quebrar a coluna desta, se ela não tivesse mordido minha mão.
Soltei-a por reflexo e ela acertou-me com um chute lateral, virando-se rapidamente e acertando-me mais dois seguidos, um na cabeça e outro no abdômen.
Percebi que lutávamos no chão.
Fiquei caído no chão, enquanto esta tentou um outro chute no rosto, seria frontal. Porém antecipei sua ação, protegendo meu rosto com ambas as mãos e segurando seu pé. Rodando-o, levantei-a do chão e joguei no chão com tal força que fez outra cratera e seu rosto sangrar.
Ela encarou-me com um olho, pois o outro não abria por causa do sangue. Cruzou as duas pernas sobre meu braço e rodou seu corpo, derrubando-me no chão.
Involuntariamente ri daquela situação.
_A gente podia parar de lutar e transar, não acha? — Falei, meio sem querer. Na verdade, nem eu no que eu tinha dito.
Ela ficou levemente vermelha, porém a dúvida veio em minha mente se esse rubor era por raiva ou por constrangimento.
A resposta veio quando seu joelho bateu com força no meio do meu antebraço, quebrando o osso. Mordi meu lábio pela dor e nada fiz além de agonizar. Ainda não terminando o golpe, ela colocou os dois pés abaixo da minha axila e puxou meu braço, ao mesmo tempo que empurrava meu corpo, deslocando todo o braço direito.
Eu gritei de raiva e dor. Levantei-me com ela ainda pendurada no meu braço. Joguei-o contra tudo que via: árvore, pedra, rocha, chão. Enfim ela caiu, e eu pisei em sua barriga umas 5 vezes.
Na sexta, ela segurou o meu pé, levantou-o e com as falanges próximas do dedo indicador e médio acertou no meio da parte de baixo do meu pé. Grunhi novamente e ela me puxou pro lado, acertando a lateral da sua palma no meu joelho, fazendo-me cair.
Deitei-me de costas para baixo. Ela tentou levantar-se, mas puxei sua perna e ela não conseguiu.
_Você é um ordinário, sabia? — Ela me bateu no abdômen com mão fechada, o que deveria ter doído mas só me fez rir. Continuei a segurar com a mão esquerda, sentindo meu corpo curar-se. Logo meus ossos já estavam perfeitos.
Sorri.
_Eu sei. — Enfim respondi-a e ela me encarou, meio chocada e raivosa. Puxei-a junto a mim, e imobilizei seus braços, colocando-os sobre sua cabeça. Rodei-nos, logo ela estava por baixo de mim. Eu estava entre suas pernas, logo não tinha jeito dela me chutar. — Você melhorou na luta... — Conclui e ela me cuspiu na cara.
O engraçado disto é que eu gostava destas ações. Ela mais parecia um animal selvagem, que fica louco quando tentam controla-lo, porém é o desejo de todos ter um. Inclusive o meu.
Eu passei meus olhos por seu rosto, examinando cada detalhe. As bochechas levemente redondas, os lábios torneados e rosados, não volumosos e sexy, porém infantis. O cabelo rosa claro, ondulado e rebelde. E os olhos. Olhos não tão estreitos e meio redondos, perigosos e perdidos. Profundos verdes esmeraldas. Os cílios longos, porém claros, que pareciam pequenos se não prestassem muita atenção. O nariz quase perfeito, se não fosse um pouco redondo na ponta.
Ela ofegava e nesse momento, esqueci de tudo a minha volta. Minha mente praticamente deu branco.
_Eu acho... — murmurei sem medir minhas palavras — que senti sua falta...
Ela abriu lentamente a boca, em um gesto de surpresa. Arregalando os olhos como se aquilo provavelmente não fosse real. Então, lentamente a beijei.
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