The Prince Wolf and the Desert Rose
4 Rainha do Amor e Beleza
Notas iniciais
Mais um capítulo postado, agora a história vai começar a andar de verdade.
Agradeço muito à todos àqueles que mandaram reviews e estão acompanhando a história! E só para reforçar: dúvidas, críticas, sugestões, elogios e etc. são sempre muito bem-vindos! Também gostaria de agradecer a recomendação! =]
Espero que gostem!
Beijos e abraços!
Samyrah POV
[Flash-Back]
A Princesa se concentrou na carta que Ser Arturius Dayne viera pessoalmente entregar a ela. Samyrah não era ingênua a ponto de cogitar a ideia de o pai ter mandado seus 50 melhores homens, as 50 melhores espadas de Dorne, de volta à Sunspear somente para que eles se certificassem que uma mensagem seria entregue a ela. Se fosse algo banal, certamente, seria um mensageiro comum ou um corvo, mas se fosse importante, um grupo de 25 soldados e cavaleiros medianos e leais já seria mais do que o suficiente para fazer a mensagem chegar às mãos da Princesa.
Estava sentada no trono de Dorne ouvindo os pedidos do povo, seus problemas, os problemas dos Lords jurados à sua casa quando Ser Arturius chegou, havia pedido que Mareen, uma de suas servas vinda das Ilhas do Verão, se certificasse que todos os caveleiros de seu pai fossem devidamente alojados e que tivesse comida e vinho à vontade, assim como água quente e roupas para um banho. Iria oferecer um modesto jantar à eles àquela noite.
Agora estava com suas duas mães e irmãos em sua sala lendo e relendo a carta, assim que terminou de ler pela décima vez, soltou um longo e pesado suspiro, desanimado, olhou para seus irmãos e irmãs, bastardos ou não, e antes que eles dissessem qualquer coisa sobre o assunto, revelou a fonte de suas preocupações:
— Meu pai disse que o Rei deseja que eu vá para Porto Real, ele deseja me ver na Corte, próxima de meu pai, além de acreditar que o ambiente de Porto Real seja mais propício para eu encontrar um marido apropriado para mim. – falou séria. – Ele deseja que mamãe vá para a corte também, mas acho que não seria uma boa ideia por conta da gravides...
- Arlessa poderia ir para cuidar de seu pai. – respondeu a mãe biológica da jovem. – Talvez as senhoras da corte se ofendessem, mas não vejo mal nenhum.
Princesa Mina Martell, antes Lady Mina Tyrell, era uma senhora de 35 anos de pele alva e macia, já com os primeiros sinais de rugas ainda pouco aparentes, ainda era bela, mas quando jovem deveria ser mais ainda, os olhos verdes eram carregados de sabedoria e tranquilidade. Tinha os cabelos castanhos claros que caiam soltos em grandes cachos por suas costas, pois desde que Samyrah, sua segunda filha, mas a primeira que sobreviveu aos primeiros meses de vida, nasceu, decidira adotar os costumes de Dorne e parar de prender os cabelos em elaboradas tranças. Tão diferente de Arlessa, amante oficial do Príncipe de Dorne e considerada como segunda mãe pela Princesa, pois tinha a pele bem escura, mais escura que a de Samyrah, olhos castanhos sagazes e, também, as primeiras rugas com seus já 40 anos.
- Sabe qual a verdade, mãe? – Samyrah olhava para sua progenitora e para Arlessa com um sorriso misterioso nos lábios.
- Não, Samy, me diga. – respondeu Mina com sua voz tenra, a jovem sabia que a mãe esperava um comentário ácido.
- A verdade é que as senhoras de Porto Real tem inveja de nós. – respondeu enigmática.
- E por que você acha isso? – Arlessa replicou em um tom curioso.
- Porque elas desejam adotar nossos costumes, mas temem que sejam alvos de chacota do restante da corte. – riu a Princesa. – Tive sorte por ter uma mãe carinhosa e uma segunda mãe que me tem como sua própria filha para me criarem e me educarem.
As duas apenas riram, porque Mina já havia se acostumado com Arlessa. As duas haviam criado os filhos juntas, eram amigas e a filha sabia disso. A Princesa Samyrah sabia que de inicio sua mãe havia odiado a amante de seu pai e lutado para coloca-la pra fora de Sunspear, porém, Arlessa já era amante de Oberyn antes deste tomar Mina como esposa, já até tinha alguns filhos com Oberyn, seria mais fácil Arlessa colocar Mina, uma Tyrell, para fora do que o contrário. E os anos passaram e Mina encontrou uma amiga na outra mulher do Príncipe de Dorne.
[Fim do Flash-Back]
- Você está linda, minha Princesa. – a voz alegre de Mareen despertou Samyrah de seus devaneios, a serva lhe escovava os cabelos negros. – Deve ser muito emocionante ser a Rainha do Amor e Beleza de Lord Serrett. Você poderia usar os cabelos soltos ou baixos como uma Rhoynar.
- Obrigada, Mareen... Mas estou pensando em prendê-los para o jantar de hoje à noite, para cima. – respondeu com naturalidade, ignorando o comentário. – Poderia procurar aquela tiara de rubis e ouro, por favor? Devem estar no meio da bagagem de minha mãe, claro que se referia à Arlessa.
- Claro, Vossa Alteza. – respondeu a criada saindo do aposento logo em seguida.
Assim que a porta se fechou, deixou o sorriso desmoronar, “linda”, “bela”, era tudo o que ouvia, sempre. Ninguém realmente se importava com o que ela dizia ou com o que pensava, como se sua beleza bastasse para qualquer coisa, às vezes, pensava que havia sido amaldiçoada, pois só sua família parecia ver a Samyrah que habitava atrás do belo rosto. Levantou-se e foi até a janela, olhava as ruas da cidade, aquele cheiro de cachorro molhado e sujeira... Não gostava dali e não queria estar ali, estaria melhor se estivesse em Sunspear exercendo seu papel de Princesa e Senhora de Dorne no lugar de seu pai, ao invés de brincar de donzela na corte por conta de um capricho real. Mas já que estava lá, tinha de dançar conforme a música, sua rebeldia seria como condenar seu pai e ajudar os ratos que habitavam aquela cidade maldita.
Voltou-se para seu armário e escolheu o vestido que usaria nas festividades, queria estar digna de uma princesa e, ao mesmo tempo, parecer intocável aos Lords e cavaleiros que ali festejariam. Tinha vontade de ir até o estábulo, selar Nymerios, seu garanhão negro, e fugir de volta para Dorne à galope, mas tinha ciência de que não poderia fazer isso com seu pai.
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Robb POV
A luz forte cegou Robb por alguns momentos, não estava no chão de terra e areia, estava deitado em sua cama, em sua tenda e o sol brilhava forte o suficiente para supor que o horário do desjejum já havia passava há algumas horas. Os barulhos produzidos pela movimentação externa invadiam a tenda, ferreiros, escudeiros correndo, Lords gritando com seus servos, trombetas e a excitação do povo assistindo ao torneio mais longe. A questão central agora era: como havia chegado até lá? Não se lembrava de muita coisa, exceto que havia sido arrancado com brutalidade da sela e caído no chão encoberto por areia com força, durante seu confornto com Lorien Tyrell, depois disso se lembra de Edmyn e Dianne olhando de ciam para ele e só, mais nada.
Levantou-se vagarosamente, lavou o rosto e viu que havia frutas sobre sua mesa e um prato, vestiu-se com o primeiro gibão que encontrou e serviu-se de água e de algumas uvas, não havia nenhum servo por perto e não faria alarde por conta disso. Por isso, sentou a mesa com um livro e ficou saboreando as uvas enquanto lia, não estava com humor para sair ainda, mas sabia que mais tarde teria de comparecer ao festim em homenagem ao grande vencedor.
Não soube dizer quanto tempo ficou ali, apenas que acabou com as uvas e duas maças e havia avançado bastante no livro quando uma serva entrou na tenda carregando uma jarra d’água, mas Robb poderia jurar que ele a assustou por qualquer motivo, porque ela fez uma reverência exagerada e saiu correndo com a jarra em mãos. Minutos mais tarde Edmyn Tully e entrou na tenda com seus cachos vermelhos emaranhados pelo vento.
- Que bom que se levantou, meu Príncipe. – falou reverenciando-o. – O Grand Maester está vindo pessoalmente verificar sua saúde.
- Já me sinto bem, Edmyn, não acho que haja necessidade. – respondeu o Príncipe Lobo, colocando seu livro fechado sobre a mesa.
- Afirmei que não seria necessário, mas Príncipe Oberyn insiste. – Edmyn parecia meio incomodado com sua incapacidade de contornar a situação.
- Tudo bem, então. – Robb ficou em silêncio por alguns minutos. Edmyn costumava ser escudeiro de seu pai e se esforçava para cumprir com seus deveres junto de Robb, mais do que o necessário, até. O jovem lobo respirou fundo para tomar coragem de ferir seu próprio orgulho e perguntou:
- Quem ganhou as justas?
- Bom... O jovem Lord Steffon Serrett ganhou as justas. – o escudeiro respondeu.
Robb continuava a encará-lo em uma pergunta implícita que não teria coragem de fazer, percebeu que o escudeiro engolia seco, ainda assim sustentou o olhar até que ele fez menção de responder:
- Ele nomeou Princesa Samyrah Martell, a Rosa do Deserto, como sua Rainha do Amor e da Beleza... Mas quem não nomearia, meu príncipe?
Robb se via colocado em uma situação perigosa, pois dependendo de sua resposta poderia estar rejeitando claramente a irmã de seu escudeiro como uma possível Rainha do Norte, o que certamente minaria as relações com os Lords das Terras Fluviais. Mas logo Robb se lembrou do comentário feito por Dyonne na tarde do dia anterior e sorriu internamente.
- A beleza é efêmera. Isso passa como tantas outras coisas. Uma verdadeira Rainha precisa de mais do que beleza para se valer do título. – respondeu com naturalidade e viu um brilho passar pelos olhos de Edmyn de forma breve e rápida e isso fez Robb compreender que havia se saído muito bem daquela situação. – Que horas são?
- Já tem mais duas horas que o Sol desceu do ponto mais alto. – respondeu o escudeiro. – O baile começará ao cair da noite.
- Então, acredito que devo começar a me preparar... – o Príncipe de Winterfell esticou os braços e costas. – Edmyn, peça para os servos prepararem um banho.
- Claro, meu príncipe. – o escudeiro respondeu indo atender a demanda do príncipe.
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Quando Robb entrou no salão com seu gibão branco com o lobo dos stark bordado em prata e calções chumbo, os Lords e suas casas, cavaleiros, mercenários e todos os participantes das festividades abarrotavam o local. Alguns homens já estavam quase caindo de tão bêbados, antes mesmo do banquete começar e começavam a tentar colocar a mão por baixo das saias das servas que passavam com jarras de água e vinho. O intendente anunciou sua entrada e o escudeiro do Rei imediatamente indicou seu assento na mesa do Rei que tinha sua esposa sentada a sua esquerda, Príncipe Oberyn Martell a sua esquerda e, agora, Robb a sua frente, junto do Príncipe Viserys a frente da rainha, mas o outro assento estava vazio, assim como o próximo.
- Fico feliz que esteja conosco, Príncipe Robb. – o rei falou com alegria. – Posso te chamar apenas de Robb?
- Não deixe meu marido te incomodar, milord. – a rainha disse gentilmente.
Gerrick Targaryen sorria com alegria. Suas bochechas estavam vermelhas, mas o Príncipe Lobo não saberia dizer se era por conta do calor do verão ou pelo vinho, mas pela alegria exagerada do monarca, a segunda opção parecia mais provável.
- Claro, Vossa Graça. – o nortenho deu um pequeno sorriso para o rei e contemplava a festa.
A Mão do Rei conversava com Arlessa Sand que, para desespero das Ladys da corte, sentava-se ao lado de seu amante, como se fosse a esposa legítima, a senhora de Dorne. Talvez, desespero maior de Lady Ollivia Tyrell, esposa do Senhor de Highgarden e irmão de Mina Martell.
Os sons do salão enchiam os ouvidos do nortenho que olhava perdido a movimentação de todos os convidados, mas de repente o intendente anunciou algo que era abafado pelos barulhos, mas após o anúncio o salão ficou em silêncio, exceto pelos barulhos de taças e copos e todos olhavam para a porta de entrada. Robb voltou o olhar para a mesma direção enquanto tomava um gole de um vinho de Dorne, uma péssima ideia, pois quase engasgou com o vinho, cuspindo-o de volta na taça:
- Pelos deuses! – falou consigo mesmo, observando a Princesa entrar no Salão.
Descendo às escadas, guiada por Lord Serrett vinha Ela, a filha da Mão do Rei, Princesa Samyrah Martell, era a absoluta Rainha do Amor e da Beleza. Usava um vestido de seda vermelho, vermelho dos Martell, sem mangas, deixando a pele morena de seus braços à mostra e preso por um pesado e largo colar dourado, um cinturão também de ouro, com sóis de rubis ligados e trespassados por lanças douradas que se ligavam umas as outras. Na testa, usava uma tiara simples de ouro e rubis, fininha que desaparecia em meio aos cabelos negros presos em um coque displicente fazendo com que alguns fios propositalmente caíssem sobre sua face. Ela sorria para todos enquanto era conduzida para o meio do salão por seu cavaleiro, ela sorria enquanto ele lhe guiava durante a dança e sorria até no momento em que ele lhe conduziu a mesa do rei e ela se sentou ao lado de Robb Stark, Príncipe do Norte.
Robb se perguntava se deveria ou não falar com ela, tentar falar qualquer coisa para atrair a atenção dela que conversava com Lord Serrett e este a enchia de elogios sobre sua beleza, sobre seus olhos que na manhã do Torneio pareciam verdes, mas agora brilhavam castanhos, sobre os lábios avermelhados ou as sedosas madeixas negras que cheiravam a rosas do deserto. Conversavam com Oberyn Martell, de vez em quando, ele era tudo o que seu pai havia dito: um homem honrado, sábio e com grandes habilidades de governo. Viu que a Princesa ficou em silêncio por algum tempo, olhando para o próprio prato e teria dito algo a ela não fosse ouvir a voz doce e suave se dirigindo ao Príncipe de Dorne:
- Meu pai, receio que eu não esteja me sentindo muito bem... Posso retornar mais cedo para a Torre da Mão?
- Claro, Samy. – ele sorriu.
- Uma pena, Princesa Samyrah, sua presença certamente iluminou nossa pequena festa. – riu o Rei, já bêbado. – Mas devo dizer que todas as vezes que eu olho para você eu me arrependo profundamente de ter me casado. – ele riu.
- Obrigada, Vossa Graça. – ela sorriu polidamente não apresentando sinais de constrangimento, apesar de que uma possível vermelhidão nas bochechas e maçãs-do-rosto dificilmente seria percebida em sua pele morena.
- Quer companhia, minha querida? – perguntou Arlessa.
- Não é necessário, minha querida mãe. – respondeu balançando a cabeça negativamente. – Não quero estragar a festa de vocês.
Mãe? Robb estava confuso, porque até onde sabia, a Príncesa era filha de Mina Martell e não de Arlessa Sand, até porque isso faria dela uma bastarda e a desqualificaria como herdeira de Sunspear e de Dorne. A viu se levantando e cumprimentando a todos, pedindo desculpas e licença para se retirar e a única coisa que foi capaz de fazer foi um pequeno aceno com a cabeça e um “boa noite” murmurado que a fez sorrir para ele, quer dizer, o príncipe lobo acreditou que era dirigido à ele. Talvez não fosse, mas Robb sentia o coração acelerado e, na mente, só tinha uma certeza naquele momento: teria de fazer um esforço gigantesco para voltar ao Norte quando chegasse a hora.
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