The Prince Of My Ballerina

10 Capítulo 9 - Pizzas e Reciprocidade


Notas iniciais
Como prometido, postei HIPER cedo, com tantos reviews eu fiquei maluca e deixei uma surpresinha no fim do cap *u* PS: Leitoras curiosas, nada de pular tudo pra ir pro final e ler o que é!



–-- Acho que você ainda não captou a mensagem, Bella — ele disse enquanto eu tentava parar de rir de seus passinhos. Ensaiamos por quatro horas seguidas, e se eu não me distraísse um pouco teria um derrame de tantos pés pra lá e pra cá. Mas com Edward era bom, sentir ele passar as mãos por minha cintura era melhor ainda.



Ele deu alguns passos pra esquerda enquanto se empinava e erguia os braços, tentando girar como uma bailarina.



–-- É isso, você precisa sentir, Bella.



–-- A única coisa que eu sinto agora é fome. Se não comermos alguma coisa acho que vou passar a ter alucinações. Sua cabeça me lembra um pouco um queijo suíço.



–-- Queijo suíço? Não sabia que existia um nome específico pra cada queijo — ele falou indo até o som enquanto colocava uma outra música.



–-- Pois é, esse povo é estranho. Pra mim comer é comer, não precisa dessa babaquice toda de nomes.



Ele riu.



–-- Já fui em um jantar Francês que o prato principal se chamava saucisson — falei fazendo um biquinho para pronunciar corretamente. Edward/Mozart estremeceu e virou-se para mim.



–-- Que palavra esquisita, parece mais um pato miando — franziu o rosto — o que é?



–-- Salame — falei e ele quase estourou de rir na minha frente.



–-- Rico inventa cada coisa… Só falta você dizer que nomeia aqueles caras velhos que aparecem nas notas de dinheiro.



–-- Meu pai chama as verdinhas de Mary e os roxos de Xainú.



–-- LOL — ele riu enquanto caminhava em minha direção, pegando minha mão enquanto me ajudava a levantar.



–-- Ah, Mozart! Eu já disse que estou com fome — ele me soltou para mexer no som.



–-- Só uma, vou ficar te devendo essa — revirei os olhos para a cara pidona dele.



–-- O que eu não faço por você — suspirei e ele pareceu pensar em algo e sorriu. Pisquei algumas vezes, tentando encontrar a malícia em minhas palavras, mas ainda sou nova no ramo das duas linguagens indiretas.



–-- Você vai gostar dessa, quero só ver se você é melhor dançarina que eu.



–-- Apostado — pisquei e ele riu, dando play na música.



September – Earth, Wind & Fire



Ele começou a mexer os ombros e andar pro lado com um rebolado, como se estivesse chegando em algum lugar, Começou a estralar os dedos e dar mais passos enquanto começava a balançar a cabeça. Então reconheci a música que meu pai ouvia quando eu tinha dez anos.



Quando a voz do homem soou, girei e comecei a rebolar como se estivesse com um bambolê na cintura, e Edward a dar pulos leves rodando em mim e a estralar os dedos, como um perfeito malandro dos anos 80. Ri assim como ele, que deu um deslize e tomou minha cintura nas mãos. Apoiei meus braços em seus ombros enquanto fazia um rebolado conduzido pelos pés, mexendo meus quadris. Ele manteve as mãos em minha cintura enquanto observava os círculos que eu fazia. Ele me lançou para frente enquanto eu ia para um lado e para o outro, mexendo as mãos em volta do corpo como se perguntasse “hey, satisfeito?” e ele veio sapateando até mim, tomando novamente minha cintura enquanto fazíamos os mesmos movimentos de rebolado. Ele apertava levemente meus quadris, me estimulando a continuar.



No primeiro grito do cantor, ele fez como se me lançasse pra frente, deslizando pra trás com os braços pra cima enquanto eu desfilava pra frente, apoiando o peso do corpo em um pé e depois no outro, movendo os quadris conforme mexia as mãos em forma de punho na altura da cintura. Ele riu enquanto me seguia, atrás de mim com os meus mesmos movimentos. Balancei a cabeça pra baixo e para cima, e no gritinho seguinte ele cantou o refrão junto comigo. Dançamos toda a música, até que no final ele se abaixou aos meus pés e quando levantou, sustentou meus quadris com as mãos fortes enquanto me levantava e me girava no ar. Não senti medo, apenas ri e abri os braços em uma pose de estrela.



Me senti subitamente feliz por estar ali, como se a dança fosse o meio de eu enxergar o que sentia por ele. Eu me sentia feliz, isso eu posso afirmar.



A música acabou e ele me colocou no chão e eu me joguei pra trás ao seu lado, ofegando.



–-- Você… É… Incrível — ele disse entre suspiros.



–-- E… Você… É… Um bom… Professor — joguei o corpo pro lado e apoiei a cabeça em seu braço, deixando-o surpreso. Sorrimos e fitamos um ao outro, naquele magnetismo costumeiro fulminando em nossos olhos.



Ele fez uma careta erguendo as sobrancelhas, me fazendo rir.



–-- Então isso quer dizer que eu danço melhor?



–-- De jeito nenhum — dei língua pra ele, que sorriu enquanto se erguia pelos cotovelos, ficando por cima de mim sem tirar o braço de trás de minha cabeça. Nossa proximidade estava ficando um tanto perigosa.



–-- Estou brincando. Não tem chances de um cara durão como eu ser uma bailarina como você — deu um beijo em minha testa enquanto se levantava. Controlei um gritinho de emoção pelo meu “primeiro beijo”.



–-- Será que eu posso tomar um banho antes de irmos à pizzaria? — perguntou tirando a blusa, me fazendo engolir em seco enquanto fitava sua barriga pela primeira vez.



Era completamente lisa e cromada por músculos e gomos que o deixavam ainda mais sensual do que já era, não haviam músculos exagerados, no fim dos gominhos fixos haviam a marca das suas costelas que estavam marcadas de um modo suave, não do tipo anoréxico, mas sim por músculos esforçados, como se ele passasse horas levantando peso. Seu quadril era marcado e a inclinação abaixo de seu umbigo não deixou de ser notada por mim.



–-- Bella?



–-- Hã? O que? — falei, mole mas logo me assustei e desatei a falar — Ah sim, vá tomar um banho, está mesmo todo suado e eu também e não faz bem comer nesse estado, então sendo assim acho melhor você ir tomar mesmo um bom banho — falei e ele sorriu pra mim enquanto desaparecia pela casa.



–-- Ótimo. Mas que ótimo, Bella! “Vá tomar um banho, está mesmo todo suado e blábláblá nhenhenhe” — resmunguei enquanto chutava minha bolsa pela sala.



Isabella, foco, pelo amor de Deus! Tenta parecer menos boba na frente dele, qual é, é só um cara!



Não, definitivamente não. Pensa bem: ele é lindo, faz questão de sair com você e tem ciúmes. Vamos, não é tão difícil adivinhar o que ele sente por você!



Minha mente disputavam opiniões como dois leões famintos, enquanto eu desabava no sofá e me abanava com um CD, tentando parecer menos sedenta. Peguei um perfume dentro da bolsa e o passei no pescoço e no pulso, enquanto tentava desembaraçar os cabelos com os dedos. Os arrumei pra trás enquanto suspirava, me sentindo uma completa inútil por não conseguir deduzir uma coisa que está na minha frente.



Enquanto dançávamos eu senti seu hálito quente batendo contra a minha pele. Nossa, acho que nunca senti um vento tão maravilhoso que me deixasse tão à deriva como fiquei naquele momento. Não sei se ele notou, mas a partir daquele momento, fiquei mole como uma geléia em seus braços. Eu estava descobrindo-o através da dança, o que era uma forma bastante contraditória e agradável.



Sorri, sozinha enquanto avaliava seus porta-retratos acima da lareira. Edward mostrava os polegares em uma das fotos em que estava com o pai, onde parecia ter uns cinco ou seis anos. Na outra ele estava dando um beijo no rosto de uma mulher com os cabelos na mesma tonalidade do dele, e ela parecia feliz. Ela lembrava bastante a fisionomia dele, então deduzi ser sua mãe. Na última, ele estava adolescente e abraçado com uma menina baixinha, que usava uma maquiagem muito pesada para a idade que aparentava ter. Ele sorria, mas ainda sim seus olhos não sorriam com ele.



–-- Pronta? — surgiu com uma blusa cinza de gola V e uma calça jeans, me deixando ainda mais desnorteada.



–-- Sim, vamos — falei enquanto colocava meu casaco no braço e pegava minha bolsa.



(...)



Ele abriu a porta da pizzaria para mim, me deixando ainda mais surpresa.



O local que estávamos era requintado; piso e paredes de madeira envernizada, janelas do teto até o chão com vidros que davam uma vista privilegiada para a ponte do Brooklyn, alguns quadros simbólicos de grandes nomes da América e lâmpadas de luz negra na entrada, o que dava um belo contraste com os degraus de mármore que desciam para a saída. As mesas eram bem divididas no espaço e os forros eram com a bandeira dos EUA com um efeito envelhecido mas retrô. Edward me levou até a mesa mais afastada, a que tinha a vista para a ponte do Brooklyn. Sentei e fiquei um bom tempo fascinando a formosura do ponto turístico.



–-- É linda, né? — ele sorriu, fitando o mesmo que eu — sempre passo por lá quando vou pra Califórnia.



–-- Você vai para a Califórnia? — perguntei com os olhos brilhando. Ele fez um gesto pra chamar o garçom.



–-- Vou todos os sábados, fico por lá surfando. É incrível.



–-- Deve ser — sorri — mas você fica dentro de um carro por 43 horas só pra surfar?



–-- E para trabalhar — falou.



–-- Achei que fosse só pianista, mas o que você faz? — ele pareceu se sentir incomodado com a minha pergunta, mas eu desisti dela quando o garçom chegou. Pedimos uma pizza grande de camarão e calabresa.



–-- E você? Dança há quanto tempo?



–-- Basicamente desde que eu nasci. Meu pai diz que mesmo antes de eu aprender a falar, eu já andava na ponta dos pés — ele sorriu pra mim.



–-- Seus pais moram juntos?



–-- Sim, mas ultimamente venho notado que eles estão bem distantes um do outro. Sei lá, acho que os anos de casamento estão se desgastando.



–-- Ou o seu pai está querendo pular a cerca — o garçom chegou com o nosso vinho. Desatei a rir.

–-- Céus, olha só pra você!



–-- O que? É a verdade — deu de ombros — você nunca percebeu nada estranho na casa que envolvesse uma mulher?



Pensei alguns instantes mas não me recordei de nada, mas não deixei o clima agradável da mesa desaparecer por uma bobagem. Continuamos conversando bobagens até a pizza chegar, e quando tirei o primeiro pedaço fiquei encantada.



–-- Isso é tão… Nossa! Não sabia que a pizza era tão boa assim — falei tirando mais uma gafada enquanto ele sorria docemente.



–-- Nunca comeu pizza antes? — franziu o cenho, intrigado.



–-- Piz de Ruelles serve? — fiz uma expressão como se pedisse “desculpa”.



–-- Você precisa mesmo de mim — ele balançou a cabeça enquanto continuava a comer.



Brinquei com o copo de vinho nos lábios enquanto as suas palavras me marcavam como brasa quente. Senti um duplo significado, mas nada pelo lado malicioso, e sim no vital. Por isso, não queria me afastar dele.



Ele levantou os olhos pra mim e eu imediatamente sorri, sendo retribuída. Mordi os lábios, tirando o resto de vinho que tinha em meus lábios enquanto ele observava cada movimento meu. Peguei a taça de vinho novamente e o deixei escorregar por meus dentes, e sem querer, deixei uma gota escapar pelo canto da boca. Droga.



–-- Eu… Acho que preciso… preciso… Vou fumar, pode pedir a conta — ele dizia, vidrado em meus lábios enquanto se afastava. Se bateu em um garçom, que imediatamente lhe disse impropérios.



Levantei a mão para pedir a conta, embora quisesse ficar aqui com ele. Nunca fiquei tão convicta sobre um lugar em toda a minha vida. Imaginei-o andando pelas praias serenas e comedidas da Califórnia, com uma jaqueta de couro e com seu habitual cigarro nos lábios. Suspirei tristemente ao me imaginar ao seu lado, com os cabelos ao vento, óculos escuros e com um vestido branco a’la Marilyn Monroe. Sorri.



Ele entrou novamente para pagar a conta e eu o abracei enquanto ele me levava pra casa.



Edward parou em frente aos portões altos e largos que davam para a entrada do imenso jardim da frente, e eu saí da moto sob a vigilância dos seguranças que encaravam Edward com asco.



Sorri enquanto andava até a frente da moto, devolvendo-lhe o capacete. Arrumei toda a coragem que possuía dentro de mim para me permitir a fazer que há tanto tempo ansiava realizar.

–-- Então… — ele tentou falar mas eu o calei com um beijo. Não tipicamente, apenas um lábio pressionando o outro. Não consegui fazer mais por conta da ideia de que não sou nem um pouco experiente nessa área, mas eu nunca me senti tão segura do que fazer com ele. Eu desejava aquilo; era isso que me fazia pensar nele o tempo todo. Sempre foi isso.



Ficamos muito tempo ali, parados, em um selinho apenas apreciando a maciez dos lábios um do outro. Me afastei com um sorriso bobo brincando em meu rosto, enquanto ele ficava parado e surpreso com meu ato. Mas em nenhum momento manifestou sinal de desaprovação, o que fora um alívio.

–-- Obrigada pela noite, Edward — falei e toquei sua mão antes se me aproximar dos portões vestindo meu casaco enquanto andava, deixando um Edward confuso e feliz pra trás.

Notas finais
Reviews? Nunca se sabe se eu posso postar amanhã mesmo, hihihi