The Power of Imagination

1 A criação de um novo mundo


Notas iniciais
Oi pessoas, espero que gostem da estória. Bem, ela trás assuntos um tanto que comuns para criadores de conteúdos como o famoso bloqueio de criatividade e para algumas pessoas a falta de contato com as pessoas ao seu redor e mais contato com o papel, desenhando e pintando enquanto transmite seus pensamentos pro papel ♥

"A imaginação tem todos os poderes: ela faz a beleza, a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo."

— Blaise Pascal

Sempre levei essa frase comigo, pois ela retrata a verdade sobre nós, humanos — mesmo sendo esse pensamento um tanto que "antiquado" para jovens de minha idade, visto que a maioria apenas pensa em sair para beber ou ir para festas, nunca apreciei coisas desse gênero e dei prioridade para a arte, filosofia e contos que fazia. Nas provas de redação, somente eu tirava nota máxima e já sabia o que desejaria ser em minha futura carreira profissional: Trabalhar com letras. Um trabalho honrado e belo ao meu ver.

[...]

Tudo começaria em um dos múltiplos dias entediantes e calmos de minha vida, inúmeros pingos de chuva entravam em meu ouvido como uma música dada pela natureza, sendo uma bela melodia. A janela entreaberta permitia que a corrente fria entrasse e deixasse o clima dentro daquele quartinho mais agradável. Como em um dia de inverno, eu me resumi em uma forma clichê de diversão, um copo com chocolate quente acompanhado de dois marshmallows boiando no líquido adocicado, e para acompanhar um suéter dado por minha mãe com a frase "Mamãe ❤ Você" com as palavras um pouco desbotadas pelos anos que esse suéter me aqueceu nos dias frios de inverno.

— Tudo bem Allyssa, um dia como esse é bom para fazer o que você consegue fazer de melhor, vamos... pense, pense. — Era louco falar consigo mesma? Talvez. Com um problema como a timidez, esse era um dos maiores recursos que eu praticava para um simples diálogo, muitos me chamariam de louca, mas... E se eu fosse? Não sou igual os jovens de minha idade, aparentemente sou dita como a maluca das estórias.

O lápis em minha mão aos poucos começava a esquentar pelo calor que eu transmitia, mesmo que as pontas dos meus dedos já estivessem parcialmente frias pelo lápis. Lembrei-me de Luke, meu antigo gatinho e meu único companheiro nessa longa estrada que tive que enfrentar. Qual seria o problema de relembrar do passado pelo menos uma vez e desenhar meu antigo amigo doméstico?

Aos poucos fui tomando desenvoltura no ritmo para fazer meu amiguinho. Comecei de cima para baixo, uma técnica que eu adorava em minhas artes, começar pela cabeça e terminar nas patinhas, concentrando toda a fofura nos grandes olhos de Luke. Depois de horas consegui terminar, realmente um desenho não tão voltado para a realidade, mas focando na fofura que os gatos transmitem para nós, humanos.

— Às vezes eu sinto sua falta. Seus miados eram bons de ouvir e me acalmavam. Enfim, vida que segue, visto que você odiaria ver-me cair outra vez no abismo da depressão. Um camaradinha como você com toda certeza sofreria com o meu sofrer, então por você e por mim, não voltarei a ter essa dita depressão.

Falei de forma calma enquanto olhava para o desenho, o que pode ter sido em vão já que estava atualmente molhado pelas minhas múltiplas lágrimas. Pessoas nesse horário da manhã estariam reunidas com a família em um bom café aconchegante, outros ainda estariam na cama em um prazeroso descanso. Enquanto isso, estou aqui, desenhando um colega que se foi e a única coisa que conseguiu deixar para mim foi a lembrança de algo que infelizmente não voltará. É realmente vergonhoso se remoer tanto ao passado.

— Espero que no céu dos gatos, você não esteja vendo sua dona chorando. Não sei se você iria rir de mim agora, ou tentar me aconchegar com o encostar de sua cabeça em meu braço. — Ri de uma forma um tanto que desanimada, todavia, mesmo que a falta pelo Luke fosse algo notável, eu teria que me recompor uma hora ou outra, e essa hora seria agora!

Levantei-me da cadeira atualmente quente pelo tempo que fiquei e fui até meu armário, trocar de roupa para uma menos brega e mais adequada para uma saída pela cidade. Pronto! Uma touca bege e um sobretudo da mesma cor com uma calça jeans que provavelmente não seria algo útil naquele frio, mas quem liga para isso? Ainda era algo bonito de se usar com aquele sobretudo quente e a touca que aquecia minhas orelhas e escondia uma parte de meu cabelo. Segui pegando minha bolsa com tudo que era necessário para esse passeio matutino e andei até o criado-mudo tomando minhas chaves e logo em seguida destrancando a porta deixando tudo para depois, inclusive o desenho.

O frio conseguia fazer com que meus dedos congelassem, mesmo eu tentando esconder eles em meus casacos, algo sem sucesso, já que aquele grande frio acompanhado agora de uma garoa que uma vez já foi uma tempestade de madrugada e uma chuva de manhã. Meus passos eram lentos, para que pressa? Meu curso apenas começaria depois das 4:00 da tarde e logo após esse passeio, eu voltaria para minha casinha e provavelmente assistiria TV ou leria algumas revistas. Finalmente cheguei até o meu local favorito, a praça, um lugar calmo com um rio atualmente congelado e árvores com uma coberta de neve em cima delas, algo que com certeza ajudaria a me acalmar depois de relembrar de Luke e suas peripécias. A serenidade duraria por um curto tempo até que eu notasse a presença de mais alguém comigo, e não, obviamente não seria uma presença humana: essa coisa exalava algo que me deixava um tanto que ressentida. Notei aos poucos um gato preto se aproximando e pulando em meu colo, uma coisinha realmente fofa e como eu amava gatos, logo acariciei sua cabeça.

— Qual seu nome, coisa fofinha? — Perguntei já esperando o óbvio que seria uma troca de olhares minha com o gato.

— Você esqueceu-se de mim depois de tudo que passou? Mestra, é realmente triste saber que não se lembra de mim... — O gato falava normalmente, e sim, eu já estava começando a acreditar que era uma doida, como todos diziam. O gato pulava ao se pendurar em meu ombro mostrando algumas partes do corpo... pingando?

— V-você... está... pingando? Eu estou louca, mas não quero ir para um hospício! O que vou falar para minha mãe? E meu pai? Eles vão ter um ataque se descobrir! Céus, o que eu faço? Estou falando com um gat...

— Primeiramente, não sou um gato qualquer. Prazer mestra, sou o seu bom e velho amigo Luke. Pingando? É, estou as suas lágrimas caíram em mim enquanto você desenhava, e agora estou fadado a derramar minha tinta até o fim. Entretanto, ouça antes o que eu tenho a dizer-lhe: você tem uma missão. Dependemos de você para que ainda tenhamos uma vida calma e duradoura, se não Ele vai destruir tudo, inclusive nós dois.

— Ele? Ele quem? Espera, por que ainda estou querendo saber algo de um gato falante? Céus, céus, minha mãe não vai acreditar nisso e vai me internar.

— Você realmente fala tanto, estou até achando que é mais chata que um cachorro, mestra, e sabe... aquelas coisas pulguentas correm atrás da própria cauda! Quanto falatório, pare com isso ou eu farei o gato comer sua língua! Apenas me ouça, não se tem muito tempo, principalmente em circunstâncias de risco, venha comigo se quiser saber as coisas que você é capaz Allyssa, ou fique e permaneça com sua vidinha apática até o fim de sua vida humana e de apenas uma vida, e não sete.

O que eu faria? Sinceramente, já não sabia a definição de fantasia e realidade, agora elas andavam juntas, onde gatos falam e existem coisas mais afundo... coisas que... podem acabar comigo.

Notas finais
Bem, espero que gostem do primeiro capítulo e que nenhuma dúvida tenha ficado em questão do decorrer desse capítulo, logo farei o segundo provavelmente com a mesma forma extensa e detalhada. Ps. Agradecimentos para Karina por ajudar com a ortografia e afins :3