The Power of Imagination
3 A chegada no mundo dos malucos
Depressão, eu realmente estaria conformada com esse nome depois dos vários anos, anos preto e branco em minha vida, esses anos que uma grande questão tomava conta de minha cabeça: Será que a vida realmente era algo para se aproveitar? Será que eu realmente merecia estar aqui com pessoas que sempre me viram como um fantasma, um ninguém, algo substituível. Depois de vários anos com Luke ao meu lado, logo soube que sim, a vida é realmente algo belo, mesmo nos momentos tristes meu querido Luke foi à única coisa que se preocupava comigo… Engraçado como os animais se preocupam mais que os humanos. Eu concordo quando dizem que os animais não raciocinam, eles não raciocinam, pois, tem algo melhor do que pensamentos que enchem a cabeça de problemas, eles utilizam dos sentimentos, algo que o homem parou de utilizar por considerar inútil.
Abaixei minha cabeça deixando uma lágrima escorrer de um de meus olhos caindo na cabeça do soltador de tinta.
— Realmente não desejo mais lágrimas caindo em mim. — Luke abaixava lentamente suas orelhas mantendo os olhos fixos em meu rosto, mesmo com a cabeça baixa eu conseguia perceber isso, aquele com certeza ele não seria o meu antigo amigo, aquela coisa exalava algo… Algo mágico. — Dona, para que manter essa sua tristeza? Eu sei que ele é um inimigo de potencial contra você, e para ver isso, o simples falar do nome dele já te arranca lágrimas.
— Você não é o Luke que eu conheci, certo?
—…
— Me responda o que você é?
— Eu sou o que você criou aquele desenho de manhã, especificamente me alimento de suas memórias com Luke, você me criou a partir dele, você me deu os sentimentos que teve por ele, e assim vi o laço que teve com aquele gato, eu poderia ter fugido como muitos do outro mundo e nunca voltar para ter uma chance de vida, por isso eu estou aqui dona, estou aqui para te salvar e salvar aqueles que eu fui amigo por muito tempo.
— Muito tempo? Eu te criei hoje cedo ainda.
— Não, você me criou já faz mais de dez anos, esse desenho aí? Ele apenas altera minha aparência, a primeira vez que você desenhou Luke, foram aos seus quatro anos, eu era um rabisco sorridente naquela época, e eu agia com infantilidade, pois você era assim, aos poucos enquanto seu dom crescia a sua melancolia também crescia, e com esses sentimentos, eu fui tomado por eles. Eu sou um dos mais velhos do outro mundo, um dos primeiros que você criou se fosse usar essa sua ideia de ser por criação, aquele mundo poderia se chamar Lukelândia.
Não pude segura pela frase engraçada daquele gato logo soltando uma risada acompanhada com um suspiro tristonho. Levantei-me andando até meu armário rapidamente jogando todas minhas roupas em cima de minha cama e mínimas vezes errando e jogando-as no chão. Finalmente achei o que tanto desejava. Uma caixa mediana e branca escrita Meus desenhos em sua lateral. Rapidamente puxei ao jogar na frente de Luke ao arrancar a tampa com certa pressa como se vidas dependessem daquilo, mas… E se realmente dependessem? Eu sinceramente já não sabia realmente do que tudo aquilo se tratava, porém, eu sabia que se tratava de algo grande.
— Eu criei tudo isso, desde meus seis anos até atualmente todos os meus desenhos estão aqui, então tudo isso está vivo?
— Sim, todas essas vidas estão lá, vidas que não podem acabar tão rápido, não concorda? Espera. Você tem o desenho de um cara de armadura negra com uma espada ai?! — Os olhos de Luke brilhavam com certo ar de alegria e felicidade ao mesmo tempo.
— Eu... Não sei, devo ter, deixe-me ver. — Passei de desenho em desenho até chegar à metade parando em um desenho, no desenho praticamente tinha as mesmas coisas citadas pelo gato de tinta. — Sim, tem um cara de armadura aqui, eu o desenhei na época da depressão, ou tentei desenhar... Pedi para ele.
— Te proteger! Realmente, eu cuidei dele e mostrei o novo mundo, sou praticamente um grande amigo dele, ele me chama de pai.
Certo, um gato sendo chamado de pai por uma criatura de armadura sendo também o dobro de tamanho do pulguento que pingava tinta, ótimo, estou caindo aos poucos na minha sanidade.
— Ele desejou vir em meu lugar, pois ele sabia que eu poderia correr perigo, mas casos a parte, ele vai amar me ver e ver a sua criadora em nosso mundo.
— Como assim “em nosso mundo”? Eu nunca disse que ia para seja lá onde for isso.
— Você tem que vir, para o bem de todos, por favor, quando tudo acabar, nunca mais iremos lhe perturbar Allyssa. Por favor, faça isso por nós, precisamos de você, é a nossa salvadora, foi difícil me colocar no mundo físico dos seres humanos, imagine ainda se tudo fosse em vão?
— Eu... Tá... Tudo bem, eu irei, eu vou ajudar vocês, mas quando tudo acabar, me deixe viver fora dessa loucura. Certo, como iremos?
— Sabe aquele desenho que você fez sobre o mundo dos seus sonhos? Aquele ali na moldura. Quebre ele e depois me dê.
E assim fiz, tirei da moldura delicadamente logo jogando na frente do Luke falso o desenho ao ver os pingos caindo e manchando todo o desenho.
— Do que vale uma esperança sem ao menos ter um sonho? Do que vale um sonho se não está feliz? Do que vale viver, se você não está se aventurando... Com essas palavras proferidas da nossa criadora em sua época de crise, abro a fenda entre a imaginação e a realidade, uma fenda que vai levar aqueles que desejam para os lugares onde a realidade se tornar ilusão. — Luke falava lentamente cada palavra, com cada palavra dita uma espiral tomava conta do desenho e movimentava-se de forma surreal. — Pronto! Agora, basta pular.
— Está maluco?
— Pule logo, para o nosso bem!
Respirei fundo olhando aquela coisa minúscula, como eu passaria por aquilo? Esse gato realmente vai pagar depois que toda essa loucura acabar e estivermos bem no outro lado. Pulei ao ver que mal saí do lugar e logo vi Luke se jogando em meu ombro.
— Não aconteceu nada, que maravil. — Rapidamente um flash tomava conta de meus olhos onde estávamos em um buraco luminoso com diversas cores, retratos de meu passado tomavam conta das laterais desse buraco. Eu não sentia meus pés tocando em algo sólido, o que provavelmente significaria que estaríamos flutuando, algo um tanto que surreal.
Depois de segundos finalmente fomos jogados — De uma forma nada sútil. — Para o mundo que eu deveria salvar.
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