Notas iniciais
Boa leitura!

Era uma manhã fria e cinzenta em Londres, a grande e famosa capital da Inglaterra. Mais um dia comum para a maioria dos habitantes britânicos, que acordavam com o raiar do Sol para evitarem trânsito no caminho ao trabalho. Porém, para um grupo especial de pessoas, era uma data diferente. Os bruxos, principalmente as crianças e adolescentes, aguardavam ansiosamente pelo 1 de setembro, que marca o início das aulas em Hogwarts.

Eu, aos meus 11 anos, com cabelos ruivos enferrujados, olhos azuis cansados e rosto cheio de sardas, estaria ingressando na escola de feitiçaria — e não poderia ter maiores expectativas:

— Mãe, eu tenho mesmo que ir? Eu gosto de ficar em casa, mesmo proibida de usar magia. — Resmunguei, enquanto era acordada pela quinta vez por Hermione Jean Granger-Weasley, candidata ao cargo de Ministra da Magia e também minha progenitora, como era chamada por mim e por meu irmão de pirraça.

— Não me faça perder minha paciência, Elizabeth. Você tem cinco minutos. — E esse é o incrível senso de humor da matriarca dessa família.

Reclamei do uso de meu nome do meio, que ela insistia em utilizar, enquanto levantava contrariada e me preparava para fazer minha higiene pessoal, vestir algo decente e comer uma panqueca caramelizada.

Discorrido um café da manhã rápido, apressado pela minha mãe, eu e o restante dos Weasley que moram nessa casa colocávamos meus pertences dentro do carro trouxa que meus pais haviam comprado há dois anos.

— Eu não vou andar pelas ruas perigosas dessa cidade com meu pai sendo motorista. — Teimava Hugo, o caçula, que não acreditava na habilidade de Ronald na direção.

— Meu Merlim, nem meu próprio filho confia em mim, sangue do meu próprio sangue, carne da minha própria carne...

— Nossa, pai, que drama. — Revirei os olhos com o teatro do ruivo, que me olhou ofendido. — A solução é simples: mamãe assume o volante, porque é muito mais preparada que você.

Meu pai tentou reclamar, mas obedeceu a chefe da casa, também conhecida como Hermione, que decidiu seguir minha ideia.

— Papai, apenas aceite que eu sou a pessoa mais sensata dessa família. — Finalizei, com um sorriso.

Após uma viagem tranquila pelas ruas bonitas dessa metrópole que eu amo muito, chegamos na Estação de King Cross.

— Vamos andando, Eliza, você vai chegar atrasada. — Eu ignorei, de novo, o apelido usado por minha mãe, que agilizava nós três, que caminhávamos tranquilamente.

— Mione, nós estamos meia hora adiantados, mantenha a calma. — Meu pai tentou tranquiliza-la, que nem deu ouvidos, exatamente como acontece nos últimos 15 anos que eles estão casados.

Ao chegarmos na divisa da Plataforma 9 ¾, todos atravessamos (sem colisões, vale ressaltar), e paralisamos ao vermos o trem-bala vermelho, que era incrível, belo e imponente, sendo o meio de transporte oficial (você pode ir de carros voadores, se é que me entendem) até Hogwarts.

— Puxa, que saudades desse lugar. — Meu pai comentou, com um olhar sonhador e nostálgico, recebendo um aceno de concordância de sua esposa.

— Realmente, foram os melhores anos de nossas vidas. — Harry Potter, Chefe dos Aurores e meu tio, surgiu na estação, acompanhado de Gina (ou Ginevra, mas ela não gosta muito desse nome — eu te entendo, dinha), sua mulher e maior jogadora de Quadribol de todos os tempos, além de meus primos James Sirius (chato), Albus Sirius (meu melhor — e único — amigo) e Lily Luna (minha irmã de coração).

— PADRINHO! MADRINHA! — Abracei os dois adultos e meus dois primos que eu considero, desprezando James — que nem ligou, argh. Fiquei animada pela primeira vez no dia, mas lembrei de uma coisa que me fez soar ressentida. — Eu achei que vocês iriam jantar lá em casa ontem.

— Problemas no meu trabalho, Rosie, nós sentimos muitos. — Explicou-me tia Gina. — Enfim, está se remoendo de nervosismo? — Vou fingir que não notei essa tentativa de mudar de assunto e entrei na onda.

— Meh. — Fui sincera, realmente não estava tão animada. — Vocês sabiam que no mundo trouxa não tem essa coisa de comemorar o dia de ir ou voltar para as aulas? Eles são sensatos. — Recebi uma risada de todos, menos de minha mãe, que fez cara de indignada, apaixonada como sempre por estudos. — Mas tenho certeza que vou amar Hogwarts, uhul, mal posso esperar, sei que vou ficar bem. — Dei um sorriso amarelo, tentando evitar um confronto.

— Essa é minha filha, herdou minha confiança. — Meu pai comemorou feliz. — Uma grifinória nata!

— Tenho minhas dúvidas quanto a isso. — James respondeu baixinho, venenoso, mas foi desprezado por todos.

— Mamãe, por que eu não posso ir para Howarts como Rose? — Hugo choramingou, enquanto eu revirava os olhos para sua inveja e minha mãe explicava novamente que ele era muito novo.

— Você é muito criança, Hugo, enquanto eu sou quase adulta. — Fui direta, empinando o nariz para parecer maior.

Meu comentário gerou sorrisos dos mais velhos e de James, o que eu não entendi, já que são só verdades.

— Pense bem, Hugo, você vai ficar com a casa só para você. — Mione tentou animá-lo, ganhando um olhar indignado por minha parte.

— Que absurdo, vendendo o espaço da sua filha desse jeito, tsc, tsc. — Albus debochou, levando um soco no braço por minha parte. Idiota.

— É, Rosie é uma boba, pode ir. — Hugo me mandou a língua.

Desprezei seu surto de criancice e continuei.

— Tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas Albus e eu temos que ir, né? — Falei, já puxando meu primo querido.

— Sim, Rosie, temos que pegar bons lugares no trem. — Diferente de mim, Sev, como é chamado pelos íntimos, parecia realmente animado com essa nova jornada.

Após muitas despedidas, abraços, choro (por parte de Ronald — "minha princesinha", ele repetia, enquanto eu ficava indignada com o show que ele estava fazendo), lições (por parte de Hermione — sim, a sabe-tudo irritante versão adulta), entrei na locomotiva, junto a Albus e Sirius.

— Bom, crianças, não quebrem nenhuma regra ou sei lá, eu realmente não me importo. — James saiu, piscando para nós, provavelmente indo procurar alguns de seus amigos infantis.

— Ignore ele, Al, é um imaturo. — Continue puxando-o para dentro do corredor. — Vamos procurar uma cabine.

Mal tinha saído do lugar quando tive que parar (na verdade, fui impedida de continuar) ao trombar com outra garota, aparentemente da nossa idade, que tinha os cabelos na cor azul, pele negra, olhos pretos (eram realmente muito escuros) e com um estilo meio punk ao mesmo tempo que moderno. Fui interrompida, agora de meus devaneios e análises de visual, pela menina.

— Olhe por onde anda, sua idiota. — A Smurfete (por causa de sua crina celeste) versão emo me acusou, irritada.

— Me desculpa, “querida”, não precisa ser estúpida. — Respondi, indignada com a falta de educação dessa mocinha abusada.

— Perdão, tá legal? — Torci o nariz, não é tão fácil ganhar absolvição por seus delitos, fofinha. — É que uns alunos mais velhos estavam zombando dele, que só procurava um lugar para ficar. — Falou, enquanto apontava para um garoto magricela, platinado (o cabelo era quase branco, sendo honesta) e com olhos cinzas, vestido de maneira mais formal do que deveria. — E isso realmente me estressou, odeio grosserias. — Oh, que irônico. — Vocês conseguem acreditar em como as pessoas de nossa idade possam ser tão ignorantes? — Continuou, afobada. — Bom, de qualquer forma, meu nome é Laurie Metcalf, e o de vocês? — Fez uma cara verdadeira de curiosidade, parecendo ter esquecido de nossa pequena briga há um minuto (eu não, só para informar).

Eu dei uma olhada para Al, que retribuiu, e acredito que pensamos a mesma coisa: quem é essa louca?

Depois de conseguir assimilar o tanto de informação, formulei uma resposta coerente.

— É.. Meu nome é Rose, Rose Weasley e este aqui é meu primo, Albus Potter, mas pode chamar ele de Al. — Tentei não demonstrar rispidez em minha voz, mesmo após essa abordagem estranha. — E você é? — Questionei o loiro, intrigada pelo seu silêncio.

— Verdade, qual é mesmo seu nome? Não me lembro. — Laurie perguntou, ignorando meu olhar de choque, afinal, quem é que esquece o nome de uma pessoa que acabou de conhecer?

— Você ainda não tinha perguntado. — Ele não pareceu chateado, fazendo a situação ter um pouco de sentido. — Mas é Scorpius Malfoy. — Nos olhou, parecendo esperar uma reação negativa, então logo emendou. — Acho que vou indo. Obrigado pela ajuda, Metcalf, tenham um bom dia, Weasley e Potter. — Ia se esquivar pelo corredor, que nesse horário se encontrava praticamente vazio, quando eu ouvi a voz do meu primo pela primeira vez nessa conversa.

— Ei, espera aí! — Malfoy não parou de caminhar, mas diminuiu o passo. — Acho que nós quatro podemos encontrar juntos uma cabine. — Al ofereceu, sorrindo convidativo.

Scorpius parou, deu meia-volta e soou duvidoso.

— Vocês têm certeza? — Ele parecia realmente nervoso.

— É claro, por que não? — Laurie pareceu constatar o óbvio, enquanto recebia meu aceno de concordância.

— Mas é que... você sabe, a relação entre nossos pais é complicada. — Ele pareceu escolher bem suas palavras. Eu estava abrindo a boca para responder que isso era ridículo, quando fui interrompida (pela terceira vez, apenas avisando) por Metcalf.

— Na verdade, eu não tenho a mínima ideia. — Deu de ombros. — Sou nascida-trouxa. — Explicou, não reparando o ambiente de tensão que se formou.

Tentei não lançar uma pequena olhada para Malfoy, mas foi inevitável (maldita herança de meu pai, que me faz duvidar de todos os membros de famílias puro-sangues). Reparei que Albus também olhava para Scorpius, que revirou os olhos.

— Eu não vou atacar Laurie por causa de sua descendência; nem eu nem meus pais são preconceituosos. — Discorreu, soando calmo, mas dava para sentir a fúria em suas palavras. — Porém ficou bem claro que a gente não pode ficar juntos, adeus. — O menino ia seguir, mas dei um puxão em seu braço (é uma mania, acostumem-se).

— Nos desculpe por termos agido com desconfiança. — Eu quis demonstrar todo meu arrependimento, foi realmente rude de minha parte. — Podemos começar tudo de novo?

Enquanto o loiro ponderava, Laurie ficou impaciente.

— Olha, eu não estou entendendo o que está acontecendo aqui, mas vou procurar um lugar para ficar, porque cansei de ficar em pé. — Ela saiu decidida e com toda sua atitude, sendo seguida por mim e pelos meninos (parece que a decisão de Malfoy foi feita).

Ao encontrarmos uma cabine vazia quase no final da locomotiva, eu e Albus sentamos em um dos bancos, enquanto Scorpius e Laurie se acomodaram no outro. Após um tempo insuportável no silêncio, tentei quebrar o clima ruim.

— Então, Laurie, tem algo que você queira saber sobre Hogwarts? — Perguntei, com um pedido de socorro no olhar.

— Ah, eu já sei o básico por causa daquele livro sobre a escola, que eu encontrei no Beco Diagonal quando fui comprar meus materiais. — Ela não percebeu meu sinal, então tive que forçar a progressão da conversa.

— Hogwarts, Uma História? É o preferido de minha mãe, e eu gosto muito também, apesar de preferir literatura trouxa. — Sorri ao constatar que a Smurfete (estou usando como um apelido carinhoso, ok, mesmo que só na minha mente no momento) aparentemente gostava de ler.

— Sim, esse mesmo! — Laurie ficou animada com o rumo do papo. — Eu me apaixonei oficialmente por magia após essa leitura. — Declarou, recebendo mais um sorriso por minha parte. Era tão bonito ver bruxos nascidos-trouxas descobrirem esse mundo incrível (exagerei, mas eu amo) de feitiços, poções e encantamentos. — Aproveitando o assunto, em qual das casas vocês querem cair? — Perguntou para o grupo todo, criando um clima desagradável novamente, sem perceber.

— Bom, nossa família possui uma tradição de sermos sorteados para a Grifinória. — Disse, dando de ombros. — Mas isso não quer dizer nada, porque tenho certeza que a pessoa que designa qual é sua moradia em Hogwarts leva apenas suas características pessoais em consideração. — Respondi politicamente, parece uma professora ensinando a seus alunos, ou minha mãe quando ia dar uma bronca.

— É, com certeza seria um choque para todos caso Scorpius acabasse sendo um lufano. — Albus fez piada, recebendo uma gargalhada do loiro, que assustou a todos porque até então ele esteve bem retraído, um leve (bem leve) levantar dos lábios por minha parte e uma expressão de dúvida de Laurie.

— Assim como um Potter sonserino. O mundo bruxo entraria em colapso! — Scorpious continuou na palhaçada, deixando os dois rindo. Ignorei a loucura, e tentei auxiliar a outra garota, que parecia perdida.

— Meninos.... Depois te falo sobre tudo que sei do mundo bruxo. — Pisquei para ela, enquanto meu primo agora se contorcia de rir no chão após mais algumas piadas do quase albino.

A tarde transcorreu calma, com mais brincadeiras, momentos constrangedores e muitos doces, principalmente por parte de Laurie. ‘’O que foi? Eu não almocei!” foi o seu comentário quando percebeu que tinha comido demais. Chegamos na maior escola de magia da Europa no início da noite, e descemos juntos da comitiva.

— Primeiro ano, aqui! Alunos do primeiro ano, comigo! — Hagrid, o Guardião das Chaves e das Terras de Hogwarts e meu tio de consideração, gritava sobre a algazarra que permeava a pequena estação de Hogsmeade, sendo surpreendido pelo abraço duplo dado por mim e Albus.

— Hagrid, que saudades. — Comentei, ainda agarrada ao meio-gigante. — Você sumiu depois do Natal na Toca. — Fiz biquinho de tristeza.

— Oh, Rosita, estive ocupado com as coisas em Hogwarts, você sabe como é. — Tentou me apaziguar, enquanto batia em minhas costas com sua mão enorme. — Mas, então, quem são os seus novos amigos? — Direcionou o olhar para os outros dois integrantes do grupo, que permanecerem em silêncio, meio abobados com o tamanho do funcionário da escola.

— Ah, que falta de educação a nossa. — Albus puxou-os para mais pertos. — Este é Scorpius Malfoy e está é Laurie Metcalf.

— Prazer em conhece-lo, senhor gigante. — Hagrid riu do comentário da menina de cabelos azuis, enquanto nos guiava até um dos barquinhos sob o Lago Negro. Ele acabou se separando de nossa caminhada para ajudar outros primeiranistas.

— Hagrid parece ser uma boa pessoa.

— Rúbeo tem um coração enorme, Scorp. — Albus comentou, soando sábio. — Eu posso te chamar assim, né?

Após um dar de ombros do loiro, começamos a nos mover em direção ao castelo. O lago era misterioso, cheio dos mais incríveis animais mágicos existentes, como sereianos, Grindylows e da mundialmente conhecida Lula-Gigante. A passagem era uma experiência tão calma, ao mesmo tempo que instigante, que demoramos para reparar que Hogwarts já podia ser vista no horizonte.

— Uau! Que incrível! — Todas as crianças estavam atônitas com a grandiosidade da majestosa construção, inclusive eu mesma, dando meu braço a torcer.

Continuamos a travessia em silêncio, tomados pela paz da ocasião, e só voltamos a conversar quando tivemos que aguardar por instruções na escadaria.

— Espero que nós fiquemos na mesma casa. — Laurie disse, tentando soar otimista. — Para mim, qualquer uma das quatro seria ótimo! — Continuou empolgada, recebendo uma risada minha.

Os burburinhos cessaram com a chegada da Diretora Minerva McGonagall, um dos maiores símbolos do instituto e um ícone em minha vida, que explicou um pouco sobre as Casas da escola e conduziu os alunos ao Grande Salão.

Todos os meus colegas ficaram sem palavras ao adentrarem o lugar, com seu incrível teto que foi feito para representar o céu de fora, suas grandes mesas e a presença de todos os alunos mais velhos.

Sob o pequeno altar onde ficava os professores, estava um chapéu velho e esfarrapado em cima de um banco pequeno, que começou a cantar:

Oh Hogwarts

A escola do milênio

Oh Hogwarts

O lar de talento

Oh Hogwarts

Viver sua magia

Oh Hogwarts

É a mais pura alegria

E eu? Apenas um acessório

Me chamam de Chapéu Seletor

Um chapéu ancião

Mas não se engane pelas aparências

Porque faço meu trabalho com perfeição

E decido qual casa é sua moradia

Seria a Grifinória?

Onde os destemidos e bravos encontrarão seus iguais

E o sangue-frio é valorizado acima de tudo

Ou talvez a subestimada Lufa-Lufa?

Onde bondade é a palavra-chave

Aliada a lealdade, entrelaçada com generosidade

Vocês aceitariam a Corvinal, se esse for meu desejo?

Onde apenas os mais sábios poderão viver

Que prezam pela precaução de seus atos

E por último, a lendária Sonserina

Onde os ambiciosos, espertos e justos bruxos

Conhecerão muitos irmãos

Porém, ouça o que eu digo

Para onde você for

Não se limite

E viva o amor!

A música terminou ao som de uma grande salva de palmas. A Diretora McGonagal, após pedir (ou exigir, você vê da forma que quiser) silêncio, prosseguiu com a cerimônia.

— Nos próximos minutos eu estarei dizendo o nome dos senhores e senhoritas, que deverão se digerir até o banco, onde colocarei o chapéu sob suas cabeças. Tudo bem? — Ao ver que havia sido compreendida, Minerva, ou Minnie para os mais próximos, começou a chamar os alunos.

— David Archie!

Me desliguei da seleção por um instante, pensando sobre como essa pequena decisão moldaria minha estadia na escola. Torci profundamente para cair na mesma casa que meu primo, não gosto de começar amizades. Parei de sonhar acordada ao ouvir um nome conhecido.

— Laurie Metcalf!

A garota chamou a atenção por seu estilo nada convencional e muito trouxa, caminhando confiante até o altar, recebendo comentários dos outros. Todos aguardaram quietos enquanto a Smurfete parecia enfrentar uma discussão ávida com o chapéu. Após cerca de cinco minutos, foi anunciado:

— LUFA-LUFA!

Os integrantes da casa do texugo aplaudiram animados, e a menina correu até a sua nova mesa.

McGonagall cortou a comemoração ao anunciar mais um nome, que causou uma tensão entre os estudantes:

— Scorpius Malfoy!

O menino magricela andou nervosamente até sentar-se, e fez uma cara de choque quando sua casa foi anunciada em menos de dois segundos.

— CORVINAL!

Dessa vez, não houve aplausos. Todos pareciam surpresos demais para tomarem qualquer atitude. Laurie foi a primeira a bater palmas, sendo acompanhado por mim e Albus. Posteriormente, pela casa da água. Dei um sorriso fraco para Scorpius, que ia temeroso até seus colegas.

Depois de mais nomes que não são relevantes para minha pessoa, outra pessoa que me interessava foi chamada:

— Albus Potter!

O mini-Harry Potter subiu devagar até o lugar, sendo acompanhado por todos os olhares de alunos e professores. Eu era uma das poucas que via como, mesmo que aparentasse ser uma pessoa muito feliz, divertida e de bem com a vida por fora, meu primo sofria ao carregar o imenso fardo de ser filho de um herói da guerra. Pelos três minutos seguintes, fiquei apreensiva, com o Salão mergulhando em uma quietude absurda, com apenas o som das respirações dos presentes.

Porém, a casa dos leões estremeceu ao ouvir ser anunciado seu mais recente integrante.

— GRIFINÓRIA!

Aplaudi animada, contente que esse seria um problema a menos na vida de Al — pelo menos, eu acredito que sim. Estava tão distraída que me assustei ao ouvir meu próprio nome sendo pronunciado pela Diretora. Tentei seguir meu caminho com a cabeça erguida, mesmo quase falhando ao tropeçar nos degraus da pequena escada. Ao sentar no banquinho de três pernas e receber o Chapéu Seletor em minha cabeça, ouvi sua voz dentro de minha mente.

"Ora, ora... Veja o que temos aqui. Uma garotinha destemida, leal e inteligente, com uma incrível vontade de se provar e crescer. Extremamente madura para sua idade e consciente de seu potencial."

Concordei com tudo, o que foi captado pelo acessório.

"Meu bem, isso pode ser um choque para você, mas a senhorita sabe muito bem, lá no fundo do seu coração, que esse sempre foi o seu destino..."

Mordi meus lábios e estremeci, tinha certeza de qual seria a próxima palavra dita pelo dito-cujo.

— SONSERINA!

E o único pensamento que passou por mim foi: merda!

Notas finais
Por enquanto, só esse capítulo foi escrito, espero que tenham gostado.