The Plan
22 Epílogo
Notas iniciais
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE!
Essa atualização é DUPLA! Ou seja, postei o Capítulo 21 e o Epílogo no mesmo dia! Confira se você realmente leu o capítulo 21 antes de ler o epílogo, pois pode ser que o acompanhamento do site tenha direcionado você direto para a última postagem.
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THE PLAN
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Epílogo
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“Você irá se lembrar.”
“A vida não é uma receita de bolo, um manual de instruções, um projeto pré-determinado. As expectativas em nossas ações são grandes, os olhares e reprovação e a cobrança são ainda maiores. Mesmo assim, ainda que minimamente, todos nós temos a capacidade de nos tornarmos senhores dos nossos próprios destinos.
Um pai sempre quer o melhor para seu filho, indica-lhe o caminho, traça seus planos e metas. Mas, no fim, tudo que ele deseja é que seu filho tenha a capacidade de fazer boas escolhas, de julgar com seriedade e ser uma pessoa honesta e sábia. Conforme o filho demonstra tomar as decisões corretas, a liberdade aumenta – progressivamente – até que o pai percebe que seu trabalho como criador está completo e não necessita mais intervir nas decisões de seus herdeiros.
Eventualmente ele irá erguê-lo em um momento de queda, ajudá-lo numa situação de dor emocional, financeira ou profissional. Ou, às vezes, apenas gastará um pouco de seu tempo a fim de lhe proporcionar diversão e alegria.
Deus não é diferente.
Os filhos de Deus mais evoluídos, capazes de agirem por conta própria, adquirem maiores liberdades, maior livre-arbítrio. Mas nada impede os rebeldes de mudarem, e adquirirem também esta liberdade. Todos são passíveis de erros e acertos.
O livre-arbítrio é algo metafórico, significaria a sua liberdade espiritual para tomar as decisões, e não ser condicionado a agir como todos da humanidade. Seria a verdadeira independência, que só pode ser adquirida com a compreensão verdadeira do sentimento de amor.
Porque, no fim, eu acho – ou melhor, eu sei – que tudo é resolvido com o amor.
‘Amor não põe à mesa’ muitos já devem ter ouvido essa expressão por aí. Amor não dá dinheiro, não gera sucesso, não faz milagres. Concordo, mas o amor aqui descrito não é o mesmo amor ao qual me refiro.
Explico: O amor não é tudo, mas nos guia a fazer boas escolhas e assim adquirir tudo que necessitamos para viver. O amor de verdade, e não a possessividade; dois sentimentos completamente diferentes muitas vezes tratados como sinônimos.
Os três personagens erraram muito quando novos, se prendendo ao sentimento destrutivo da possessividade que, apesar de possuir amor, sobressaia à pureza daquela força mesquinha interior. Os atos possessivos podem parecer extremamente intensos e fortes, mas são terríveis. Mexem com o ego, o orgulho, a força física e psicológica, de modo que tudo, até diminuir o seu amante, torna-se válido no jogo de possessividade. Ela preza a completude ao possuir, enquanto o amor se completa com o doar.
Para uma pessoa possessiva, tudo vale no amor e na guerra. Para uma pessoa amável, nada se sobrepõe à paz interior. Por fim, a sensação final que advém do amor e da possessividade é completamente diferente.
Tantas pessoas no mundo tem um cargo profissional poderoso e de renome e que paga extremamente bem, acham o companheiro de sua vida, têm filhos maravilhosos e fazem viagens estonteantes... E por que, ainda sim, elas são infelizes?
Respondo: Isso decorre de elas não há um propósito maior em suas ações, o vazio e tristeza se sobrepõe em seus corações. O que os possessivos buscam? Possuir tudo? E quando tudo já foi possuído, que mais deve ser buscado?
Já o amor não busca a reciprocidade, nem mesmo ter alguém para si, seu verdadeiro fim é apenas um: a paz. Sexo, paixões, prazer, loucura, luxúria... Por melhor que tudo isso seja, nada supera a sensação de completude da paz de espírito. E só quem vive em paz entende o que quero dizer.
De fato, esses sentimentos não completam as lacunas da vida, mas uma pessoa com paz e amor consegue tomar as melhores decisões na vida e agir com prudência. Podem reclamar da calmaria do mar: mas ninguém consegue navegar num oceano tempestuoso.”
_ Itachi! Eles já chegaram! Desça! – ouviu chamá-lo do andar de baixo, mas continuou com sua concentração focada no telefone.
“É uma visão especial. Acredita que o mundo um dia virá a pensar como o senhor?”
“Sonho com o dia em que mais pessoas percebam isso... Heh, estou parecendo John Lennon falando utopias como essa, mas é verdade.
Se as pessoas percebessem a simplicidade disso, tudo no mundo seria tão mais simples! É tão puro, tão pleno, tão único que gostaria realmente que mais pessoas adquirissem esse sentimento.
Minha obra é uma maneira de tentar fazê-los compreender que um mundo como esse é possível.”
“Você ira espalhar a palavra, demonstrar a verdade, deixar no subconsciente de Sasuke e Naruto que eles são a salvação desse mundo, para que nada os deixe abater.”
“Senhor Tsukuyomi, muita crítica foi feita pela maneira como você escreveu ‘The Plan’, criando um universo paralelo e espiritual, debochando de muitas religiões de uma única vez ao trabalhar com cenas explícitas de sexo, palavrões e relações homossexuais em um universo nada propício a esse tipo de visão analítica. O que tem a falar a respeito disso?”
“Transmute o universo de ‘The Plan’, você acha que o que está escrito ali é impossível? Que nunca poderia haver três pessoas como estes três personagens, sofrendo as mesmas emoções? Você realmente acredita em perfeição? Num mundo sem sexo, sem xingamentos, sem homossexuais? Acho que se assemelha mais à realidade humana do que um mero conto de fadas perfeito.”
“Contudo, ao mesmo tempo em que as críticas partem deste enfoque, muitos consideram isso um bom chamariz para leitura, assim como a existência de duas celebridades envolvidas. É de se surpreender que o Presidente da ONU Naruto Uzumaki e o Professor de Harvard Sasuke Uchiha não tenham processado o senhor por utilizá-lo de suas pessoas nessa história; os dois até declararam que tiveram acesso à versão extraoficial e recomendam a leitura! Muitos se perguntam se há um complô para tornar tudo isso mais real, por mais surreal e fantasiosa a história seja. Sem sequer nos darmos conta de nossos atos, acabamos, por muitas vezes, esquecendo que se trata de um mero livro de ficção – personagens reais, sim – mas ainda sim ficção. Há uma intenção de tornar a obra uma especulação de realidade? Há algo no livro que tenha fundo fático? Sendo mais direto: Sasuke Uchiha e Naruto Uzumaki tiveram uma relação amorosa?”
“E se tudo for real, inclusive a subdivisão cármica, cara repórter?”
“Haha! Me avisaram que o senhor costuma ser um humorista!”
“Piadas à parte, se os dois não se incomodaram com a utilização dos nomes, acho que ninguém mais tem algo a ver com isso, não acha?”
“Certamente que sim. Quando teremos a honra de descobrir quem é o senhor Tsukuyomi? Seria você o misterioso Itachi Uchiha? Apesar da inexistência de tal pessoa na arvore genealógica da família Uchiha.”
“Não acha que às vezes as pessoas se preocupam com coisas tão mínimas que sequer assimilam o que realmente podem aprender de uma lição? De que adianta ler a Bíblia e ficar tentando descobrir como o Universo foi criado, sendo que lá há regras de conduta muito mais empregáveis na prática do que uma mera indagação sem aplicação prática que resulta de uma singela curiosidade?”
“O senhor quer dizer que sua identidade não é relevante?”
“Estou querendo dizer que nada do que está escrito em qualquer obra minha é relevante. Em quem me inspirei para cada personagem? Por que retratar uma relação homossexual com triangulo envolvendo irmãos? Estou tentando ser polêmico? Escondo minha identidade para causar curiosidade e lucrar mais? Como é o processo de produção de cada livro? Minha literatura é classificada como ficção ou autoajuda? Vendi minha alma ao demônio pelo sucesso? Nada disso é relevante...”
“E o que é relevante?”
“O que os leitores interpretam disso tudo, e não o que a tola critica jornalística especula. Nós veremos, dentro de algumas semanas, se houve alguma relevância dentre a vida dessas pessoas. Quando o livro for lançado e as opiniões surgirem... Aí sim eu vou saber se meu trabalho valeu a pena.”
“Outch, esqueceram-se de mencionar que o senhor era ácido!”
“Sou apenas sincero.”
_ Itachi! – o tom de voz indicava que não iriam esperar mais. E, convenhamos, aquela entrevista já deu o que tinha para dar.
“Se me permite, vou dar por encerrada o bate papo de hoje.”
“Oh, claro! Desculpe pela indelicadeza, passamos um pouco além do horário!”
“Não se preocupe.”
“A matéria está quase finalizada, será publicada conjuntamente com a crítica de ‘The Plan’ na semana que vem, junto com o lançamento do livro, conforme combinado.”
“Perfeito.”
“Estou doida pra comprar um exemplar! Acho estupidez nos obrigarem a fazer uma entrevista com base apenas na resenha, gostaria de ler a obra completa para fazer perguntas mais pertinentes.”
Itachi riu, e a repórter riu em conjunto do outro lado da linha de telefone.
“Há tantas coisas nessa vida que não possuem a menor lógica, não é?”
“De fato! Até mais senhor Tsukuyomi, ligo com mais perguntas em breve.”
“Até.”
O moreno desligou o celular, observando o visor do aparelho por alguns instantes, antes de se levantar e esticar os braços para alongá-los. Ficou tanto tempo sentado naquela cadeira que sentia todo seu corpo doer e estalar.
_ Até que enfim! – Naruto gritava do corredor, entrando no quarto com agilidade e puxando Itachi para que fosse até a sala, mal permitindo que o moreno tivesse um tempo para si – Achei que você ia ficar com a imprensa pendurada no seu pé o dia todo! É meu dia de folga Itachi, há quantos anos não podemos desfrutar um dia como esse em família?
“Vocês ganharão, como direito, a liberdade.”
_ Já terminei por hoje Raposa, relaxe.
_ Aliás, já que tocamos no assunto da imprensa, quero deixar uma coisa clara: se chover ligações no meu gabinete quando o livro for publicado, vou transferir tudo pro seu editor, certo Tsukuyomi? – o loiro alertou, ainda puxando Itachi enquanto caminhava.
Mas o Uchiha não permitiu que fossem muito longe, puxando Naruto com mais força, fazendo-o perder o equilíbrio e cair nos seus braços. Seu corpo foi girado, seu queixo levantado, e seus lábios estavam novamente impregnados pelo gosto do amante, enquanto este saboreava sua pele com ternura.
Desde que Itachi conseguira o contrato para publicar o mais novo projeto, estava especialmente romântico e terno, e Naruto adorava imensamente esse comportamento... Afinal, tinha certeza que era impossível enjoar dos beijos de Itachi.
_ Obrigado. – o mais velho falou aos desprender os lábios da boca de Naruto com um estalo singelo. Procurou os olhos safira em seu campo de visão, se perdendo no meio da imensidão cristalina das orbes – Significa muito pra mim publicar esse livro, obrigado por permitir e por aguentar o assédio.
_ Não seja estupido Itachi, por que eu não permitiria? – ele respondeu, abraçando o outro e escondendo o rosto na dobra de seu pescoço, mordiscando a pele alva com carinho – A única coisa que me deixa furioso nisso é o uso de pseudônimo, acho que você deveria revelar a sua verdadeira identidade à todos eles. E eu ainda não te perdoei por nunca ter me revelado que você era o Tsukuyomi.
_ Tolice, que diferença faria?
_ “Itachi Uzumaki”! O nome tem poder, não tem? Fala sério, com esse sobrenome nem precisa escrever algo bom pra ter sucesso! – o político respondeu com energia, ganhando um peteleco na ponta do nariz em resposta e fechando a cara logo em seguida.
Itachi riu, lembrando o orgulho que Naruto possuía de si mesmo por ter conseguido fazer com que o marido adotasse seu sobrenome no casamento.
Tonto.
_ Você é um idiota, fica aí falando essas coisas, mas sempre diz que o melhor seria manter minha identidade no anonimato para evitar problemas políticos.
_ Eu nunca disse que sou uma pessoa coerente.
_ É, você é um idiota.
Naruto emburrou-se ainda mais; consequentemente Itachi sorriu ainda mais largamente.
_ Vocês vão ficar de ‘mimimi’ ai em cima ou vão descer? – os dois ouviram a voz que conheciam desde a infância chamar do andar de baixo, o tom alto e impaciente.
Depois de um breve selinho de trégua, Naruto e Itachi continuaram a caminhada, descendo as escadas com as mãos dadas e visualizando Sasuke e Shikamaru, jogados de qualquer jeito no sofá de visitas.
Sasuke, apesar de estar sentado, estava esparramado e tinha retirado os sapatos. Shikamaru deitava-se com a cabeça sobre seu colo, e analisava algo na mão direita do esposo, como se estivesse tentando se distrair. Ambos ergueram o olhar para o novo casal que se aproximava, mas não saíram de suas posições confortáveis.
_ A preguiça é contagiante? – Naruto perguntou à Sasuke, sorrindo enquanto esticava a mão para cumprimentar Shikamaru que, por incrível que pareça, aceitou o gesto, levantando-se logo em seguida e ignorando a chacota implícita.
_ Não é isso, vocês é que demoram demais!
Sasuke parecia estar contrariado, cruzou os braços e evitou olhar para o cunhado e irmão. Itachi foi o primeiro a se mover, abaixando o corpo para abraçar Sasuke e forçando-o a se levantar em seguida, fingindo não ouvir os protestos do caçula.
_ Nii-san! Pare com isso!
_ Estava com saudades! Há três meses vocês não vêm pra casa! Estava preocupado com você! Tem comido certinho? Você está muito magro... – Itachi falou, apertando mais ainda o abraço e sorrindo de forma marota para Naruto e Shikamaru.
Esta era a maneira que Itachi havia adotado para irritar seu irmãozinho perante os parentes, e sempre conseguia arrancar sorrisos dos demais presentes, às vezes até gargalhadas – quando o medo do olhar de Sasuke não era grande demais, obviamente. O caçula sempre corava com as brincadeiras de Itachi (principalmente por Shikamaru estar presente em tais situações), envergonhado pelo tratamento de criança.
Irmãos mais velhos só servem pra irritar mesmo!
_ Aniki! Eu tenho quase quarenta anos!
_ Pra mim ainda cheira a leite.
_ Vamos, vamos, Itachi! Largue o Sasuke. – Naruto falou entre um riso escandaloso, soltando os braços de seu marido e retirando-o de perto do outro Uchiha – Agora é minha vez de irritar o Teme!
_ Sua presença já me irrita o suficiente Usuratonkachi! – Sasuke respondeu com um tom de desdém, apesar do sorriso desafiador de canto de boca. Naruto avermelhou-se e pareceu emburrado, esticando um dedo e batendo com força a ponta no peito do outro homem.
_ Você é um bastardo arrogante, prepotente e maldito!! Sabia disso?
Tudo continuou como de costume: Sasuke e Naruto discutindo até se cansarem, Shikamaru extremamente entediado com a briga e Itachi sorrindo como um imbecil.
Afinal de contas, ele tinha a certeza de que paraíso melhor do que este não existia... Era, enfim, a sua paz particular.
(***)
“Eles não se lembraram da dor...”
_ Então o fervo já ‘tá grande antes mesmo da publicação? – Sasuke questionou, colocando o garfo na boca em seguida.
_ Sim, e é por isso que agradeço a presença de vocês essa noite. Os chamei justamente para agradecer pela cooperação de utilização de seus nomes.
A casa já estava cheia: o casal Uchiha, o casal Hatake e Sakura Haruno (que dentro de meses se casaria e adotaria outro sobrenome) estavam presentes, saboreando o ramen costumeiro de Naruto sem reclamar pela falta de variedade do cardápio, se divertindo apenas com a singela presença dos amigos. Fazia mais de cinco anos que não se reuniam todos juntos daquela maneira, então o reencontro, por si só, já era motivo de comemoração.
_ Meu nome nem é conhecido. Duvido que alguém vá me reconhecer. – Kakashi respondeu, ganhando um soquinho no canto esquerdo da costela por Shizune e uma censura no olhar da esposa. – Que foi mulher?
_ Não seja mal agradecido com as pessoas Kakashi!
_ Não há de que Itachi! – Sakura falou, radiante, interrompendo uma provável briga do casal – Me sinto famosa, isso é ótimo!
_ Você é Superintendente da World Health Organization, Sakura! Já é famosa só por isso! – Naruto falou, balançando a cabeça de um lado para o outro em descrença.
_ Ahm, mas eu sempre quis ser heroína de um romance! Acho lindo!
_ De qualquer forma, preciso pontuar umas coisas: – Shikamaru interrompeu a discussão sem sentido, entrelaçando os dedos com a de Sasuke por debaixo da mesa e recebendo um carinho suave nas costas de sua mão – Itachi, alguém mais dramático que você ainda está pra nascer!
_ É verdade Neko-chan! – Naruto falou, debruçando-se sobre o ombro do marido e ignorando as risadas dos amigos, bem como o olhar mortífero do primogênito Uchiha – A parte do câncer foi real e eu realmente entendo, mas de onde você tirou toda essa história de almas, missões e perseguição? Aliás, de onde tirou que eu e Sasuke poderíamos ser um casal? Isso sim é surreal!
_ Eu quase morri de nojo ao ler as cenas de sexo. – o Uchiha mais novo respondeu com o rosto contraído em uma careta.
_ E eu de ciúmes... – Shikamaru comentou baixinho, cruzando os braços, mas sendo ignorando perante a fúria de Naruto.
_ Bastardo!! Não fale assim de mim!
_ O que Naruto quer dizer é que você conseguiu dramatizar bastante nossa história. Eu consigo ver o propósito disso, mas devo frisar que foi surpreendente ver Sasuke e Naruto juntos. Como você conseguiu abstrair tudo para escrever todos nós com tanta intimidade e com uma personalidade certa? – Shizune constatou, puxando Naruto para que não brigasse com Sasuke e sorrindo de leve ao iniciar uma conversa com Itachi – Acho que se eu fosse a Shizune de seu romance, teria feito as mesmas escolhas... E Kakashi, do jeito que é cabeça dura, também teria feito o mesmo que o seu personagem Kakashi! É incrível como você manteve a nossa personalidade intacta na sua ficção!
Itachi sorriu, agradecendo Shizune por ter interrompido a briga. Todos já estavam completamente acostumados aos rompantes dos dois “eternos adolescentes”, então sempre havia alguém que cuidava para que a briga não chegasse ao estado físico propriamente dito. Não pegava nada bem para um oncologista de renome e o Presidente da ONU aparecerem em seus locais de trabalho com hematomas dignos de confusões de bar.
A estrela da noite cruzou os braços e fechou os olhos em seguida. Penso por alguns segundos, ignorando toda a barulheira do ambiente. Por fim, os abriu e fitou Shizune novamente, o sorriso ainda visível em seus lábios, agora mais desafiadores do que antes.
_ E se eu dissesse que é tudo verdade?
“Mas você manterá a memória, pois algum de vocês precisa continuar na vigilância. E sei que, para você, nada disso será um trauma incorrigível. Você terá fé na sua missão.”
Todos os ruídos do ambiente cessaram instantaneamente, até Naruto se aquietou em seu assento e parou de tentar alcançar Sasuke. Itachi prosseguiu, divertindo-se imensamente com o silêncio desconfortável de espanto.
_ E se ao final, quando Minato conversa com Itachi, propõe a ele a mutação da memória para que todos os maus momentos fossem esquecidos: ninguém mais se lembrará das dificuldades, apesar do aprendizado permanecer intacto. Assim, todos os envolvidos na ‘revolta’ poderiam continuar sobre a Terra sem serem caçados e haveria a manutenção da harmonia do grupo. E se a ausência de dor e sofrimento por ter feito a coisa certa contasse como uma recompensa? Alias, não veja como recompensa e sim como pagamento. A possibilidade de finalmente atingir a paz não pode ser vista como um verdadeiro direito adquirido perante tanto sofrimento?
Provavelmente todos estavam pensando que ele havia verdadeiramente enlouquecido, mas Itachi não se sentiu acuado em continuar:
_ E se na próxima vida nós já estivermos automaticamente transferidos para um nível ainda superior? E se eu fui o único que se lembra de tudo, porque caberia à mim tentar passar a mensagem de nossa história para as demais pessoas do mundo, impulsionando outras evoluções e diminuição de preconceitos e pré-julgamentos do mundo? E para isso eu houvesse escrito, Ipsis litteris¹, o nosso verdadeiro passado?
O moreno virou-se para Sakura, observando seus olhos cor de esmeralda completamente assustados enquanto continuava a falar.
_ Você realmente ajudou nas missões, trabalhou ao lado de Kakashi almejando o bem de seus dois melhores amigos.
Virou-se, então, para Shizune.
_ E você e Kakashi realmente demoraram a usufruir o amor que sentem um pelo outro, por causa de injustiças e covardias.
Moveu-se pouco, e agora Shikamaru estava em seu campo de visão.
_ Todas as missões realmente o atingiram em cheio, desafiando sua inteligência e a força de sua amizade, tanto quando queria ajudar Naruto, quando descobriu sua ligação com Sasuke e o medo de que isso fosse destruir a amizade que possuía com seu amigo de faculdade.
Por fim, os olhos acinzentados de seu irmão e os azuis de seu marido se prendiam aos seus de maneira tão intensa que chegava a ser cômica.
_ Quanto a vocês: realmente se amaram, se casaram e tiveram uma vida juntos. E ainda se amam tão imensamente que não conseguem ficar separados, só que agora o fazem por meio dessa amizade completamente bizarra que só vocês dois entendem. Vão me dizer que não conseguem se comunicar apenas com o olhar? Vão me dizer que as brigas físicas não são uma forma de suprir o anseio pelo contato físico que possuíam anteriormente?
“Porque você precisa da experiência para gerar a melhor produção literária possível. Sasuke e Naruto são técnicos, você é um artista. A missão de um artista é dar asas ao seu pensamento. Esta é a sua missão Itachi, dê asas a história desses três heróis. Multiplique o amor.”
_ I-itachi... – Sasuke sussurrou, mas seu irmão continuou a falar.
_ E não há nada de errado nisso! Porque, do nosso jeito, todos nós estamos felizes! Quem disse que precisamos seguir um padrão imposto de felicidade, um conto de fadas babacas com “início, meio e final feliz” completamente repetitivo e entediante? Nós passamos por poucas e boas, lutamos contra a conveniência e a facilidade, nos revoltamos e falamos “NÃO!” para um destino imposto, a fim de poder alcançar a nossa paz particular. Nossa paz! Que não precisa de prestação de contas a ninguém! E, por isso, nosso exemplo tem que ser passado à diante. Não esqueçam jamais do papel essencial que cada um de vocês teve nessa história, pois não é apenas um romance, uma ficção: é a mais pura realidade!
“Madara não vai ter sucesso, porque vocês serão guiados pelo amor até o fim de suas vidas, quando encarnarão ao meu lado, sobre a minha jurisdição.”
Itachi fechou os olhos mais uma vez, ainda sorrindo e tendo certeza que dentro de trinta segundos seria levado ao manicômio. Quando percebeu que ninguém ao seu redor respirava, achou melhor falar mais uma vez.
_ É brincadeira!
_ SEU IMBECIL!!!! – ouviu todos gritarem em uníssono, sentido objetos não cortantes serem jogados em sua direção. Sentia tanta vontade de rir que não sabia ao certo como estava se controlando até então: cedeu, deixando o som de sua risada ecoar entre os xingamentos e censuras.
_ Eu achei que era sério!
_ Achei que você tinha pirado na batatinha de vez!
_ Nunca mais faça uma dessa comigo Itachi-bastardo! Não te perdoarei!
_ Eu e o Naruto?! Puta que pariu Itachi, que NOJO!
_ Hey!!
Itachi se levantou da mesa e, dando um último sorriso sacana, acenou um ‘até logo’ com a mão e correu para quarto e fugindo do rompante de seus amigos. Encostou-se a porta do guarda-roupa, escorregando até o chão e sentando-se de qualquer jeito com o sorriso besta ainda em seus lábios.
Foi mais recompensador do que imaginara!
Ouviu passos e não se moveu, provavelmente Naruto estava a caminho para tirar sua temperatura e verificar se não estaria delirando de febre, porque certamente nenhum deles esperava esse tipo de comportamento da sua pessoa. Mas não foi sua culpa! Isso foi mais forte do que ele, realmente não conseguiu controlar sua empolgação. Estava muito feliz!
_ Itachi? – não foi a voz de Naruto que o chamou, e sim a de Kakashi.
O moreno, um pouco confuso pela presença pouco aguardada, abriu os olhos, encarando o grisalho com os braços cruzados, apoiando seu ombro na porta de seu quarto.
_ Sim?
Kakashi não mais utilizava máscaras, não desde... Bem.... De qualquer forma, por isso Itachi pode ver o sorriso genuíno em seu rosto.
_ Eu não disse que era algo grandioso?
“E, todos juntos, cada qual a sua maneira, ajudaremos as próximas missões cruciais que surgirão na Terra, as novas vidas essências ao planeta que ainda irão nascer, para que assim a evolução propriamente dita aconteça.”
Itachi ficou estático por alguns instantes tentando assimilar tais palavras, até finalmente recordar suas origens e arregalar o olhar em súbita compreensão:
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_ Então por quê? — Itachi gritou em um tom de voz de dar pena. O Uchiha raramente perdia a compostura, mas parece que acabara de chegar ao seu limite. Deixou seu corpo escorregar ao chão, abraçando seus joelhos encharcados e mantendo a cabeça baixa, de modo que Kakashi não conseguia visualizar seu rosto no momento de fúria e desespero – Por quê? Por que eu não posso simplesmente ser feliz? Por que nós três não conseguirmos ser felizes NUNCA?
_ Porque está no destino dos três essa infelicidade em nome de um bem coletivo maior... Essas são as regras, não são? Siga as missões, não toque na alma gêmea, não revele a verdade às almas de primeiro grau... Você quebrou todas elas, e sabe muito bem qual é a punição pra isso.
_ Deus não pode ser tão injusto! Regras, leis, padrões, não são sinônimo de justiça! – Itachi gritou mais uma vez, e Kakashi riu baixinho, se agachando diante do Uchiha e acariciando seu rosto com o polegar, fazendo-o se mover minimamente para encará-lo.
_ Essa é a questão Itachi, ai que está todo o problema. Como um Deus perfeito poderia fazer tudo isso com três pessoas tão importantes para o destino da Terra?
_ Três? Mas Naruto e Sasuke... Só eles...
_ Não Itachi, você não sabe a sua missão de vida. Posso te garantir que é algo grandioso.²
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_ De fato. – Itachi respondeu retribuindo o olhar de Kakashi.
O grisalho apontou o indicador e dedo médio para os próprios olhos, em seguida o indicador para Itachi, como se dissesse “estou de olho em você”. Sorriu mais uma vez, desta vez rindo de leve enquanto girava os calcanhares e continuava o seu caminho até o banheiro de visitas.
“2012 não é o fim do mundo, é o começo do fim – vocês três são o começo desse fim. A Terra será inabitada, pouco a pouco, porque todas as almas desse mundo irão evoluir.”
Mais passos foram ouvidos, e desta vez foi Naruto quem entrou no quarto, levemente irritado.
_ Que momento imbecil foi aquele?
Naruto o censurava com o olhar, mas Itachi não respondeu. Ele caminhou alguns passos, até ficar de pé em frente do Uchiha, cruzou os braços e bateu ritmicamente o pé em seguida, esperando algum tipo de reação do outro.
Itachi se levantou lentamente, apreciou o olhar irritado do Uzumaki por alguns segundos até perder a compostura e agarrá-lo com velocidade, jogando-o de encontro à cama antes que esse se desse conta do que seu esposo fazia.
_ Ita-Humph...! – nem sequer permitiu que o marido reclamasse, calando-o com um beijo ardente e demandador, acariciando sua barriga por debaixo da camiseta, sentindo a euforia do contato de pele contra pele que sempre o deixava fora de si. Quando desprendeu seus lábios dos de Naruto e passou a beijar seu pescoço, o loiro pôde respirar e recomeçar a falar – O que deu em você?
_ Acho que depois de vinte e um capítulos de sofrimento, nós merecemos ser felizes né Naruto?
_ Pare de falar como se nossa vida fosse o seu romance Itachi! Você está me deixando preocupado!
Assim que se satisfez ao saborear o gosto da pele de seu amado, Itachi novamente o encarou. Deu uma mordida leve no queixo do outro e um selinho em seus lábios. Naruto corou instantaneamente e Itachi uniu as testas dos dois em um gesto carinhoso de admiração e ternura.
_ Ok, parei. Não vou mais brincar, tudo bem?
_ Sim... Não me assuste mais, tá? Eu vou ficar com ciúmes se tiver que te mandar pra um hospício cheio de médicos bonitos.
Itachi riu, apreciando imensamente a volta do bom humor característico daquele por quem se apaixonara.
_ Ok, prometo!
“Nós vamos conseguir, porque nós amamos. Amamos de verdade.”
Naruto puxou sua camisa para aproximar Itachi ainda mais de seu corpo, elevando o rosto para reiniciar o beijo. Nenhum dos dois estava preocupado com os convidados na sala de jantar, eles já estavam mais do que acostumados com as pequenas escapulidas dos dois.
Dentre as carícias cada vez mais ousadas, o loiro gemeu em desconforto, empurrando Itachi de leve e se contorcendo em cima da cama.
_ Tem algo nas minhas costas, pera aí. – pediu, enfiando uma de suas mãos abaixo de seu corpo e tirando um caderno de capa escura e extremamente surrado. Olhou para Itachi com uma expressão de questionamento – O que é isso?
O Uchiha arrancou o caderno das mãos do marido, utilizando-o para dar um toquinho na ponta do nariz arrebitado que tanto adorava provocar. Naruto emburrou-se mais uma vez, odiando ser tratado como criança e ficando ainda mais charmoso do que em seu estado normal.
Será que um dia Itachi conseguiria achar isso menos adorável?
_ Isso é a razão de toda a história... – falou pensativamente, olhando para a capa extremamente gasta.
_ Itachi... – Naruto alertou, já sem paciência para brincadeirinhas insanas e jurando mentalmente que se o moreno falasse que é seu ‘receptor’, ele iria à caça do hospício que tivesse os médicos mais feios do país.
_ É o meu rascunho de ‘The Plan’, seu besta.
Devolveu o caderno para Naruto, que o abriu e percebeu que havia quebrado uma caneta de tinta dentro do objeto quando caíra por cima deste, manchando assim varias páginas cuidadosamente preenchidas pela escrita refinada de Itachi.
_ Desculpa, eu acho que fiz uma tragédia... – ele falou com a voz fraca, culpa evidente em seu tom de voz.
O moreno mais uma vez arrancou o caderno de suas mãos, olhando o estrago em suas páginas e, em seguida, jogando-o para o outro lado do quarto, voltando toda sua atenção para aquele por quem era completamente apaixonado.
_ É passado, não se preocupe.
_ Mas Neko-chan... Você não queria guardar de recordação?
Itachi ficou quieto por um momento, antes de acariciar os lábios de Naruto com o polegar, apreciando cada centímetro de sua pele. O loiro suspirou e fechou os olhos, aproveitando o carinho suave e gostando do leve formigar em sua pele. Uma das coisas que quase o fez acreditar naquela palhaçada de Itachi na mesa do jantar era a forma como ele descreveu aquela sensação: ele realmente sentia seu corpo envolto em uma corrente elétrica toda vez que se encostava à pele de seu esposo, e também conseguia compreender Sasuke muito bem com uma simples troca de olhar.
Mas era tudo completamente impossível, então neste momento apenas limitou-se a apreciar o gesto. Itachi era simplesmente uma pessoa muito observadora, apenas isso.
_ Não, passado deve ficar no passado. O presente é o que deve ser vivido... Você é meu presente Naruto, em todos os sentidos do dicionário atribuídos a esta palavra!
O loiro sorriu, finalmente sem preocupação alguma, e novamente puxou o marido pela gola da camisa para mais perto, sugando a pele de sua clavícula com devoção. Itachi gemeu, agarrando os cabelos loiros enquanto saboreava as sensações de prazer que se espalhavam por todo seu corpo.
“E só o amor salva, Itachi Uchiha.”
E os dois, imersos cada qual em sua paixão e seu amor, jamais perceberam que o caderno jazia com a última pagina aberta. A tinta do incidente da caneta quebrada havia desaparecido, mas apenas pequenas três manchinhas provenientes do desastre permaneciam intactas na borda inferior da página. E se você olhasse bem, perceberia que elas formavam uma simples, mas significativa, palavra:
“FIM.”
Notas finais
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² Capítulo 15.
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* Todas as citações em negrito correspondem às últimas palavras de Minato na conversa que ele teve com Itachi no capítulo passado.
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Nota final: E ai, o que acham? Itachi estava brincando mesmo ou era verdade? xD
É um final em aberto mesmo. Vocês mesmos devem chegar a sua conclusão... Porque é o que o próprio Itachi disse: não importa nada que eu escrevi, e sim um possível impacto que isso venha a ter em vocês.
Um grande beijo a todos os leitores! Peço que aqueles que até então nunca deixaram uma review me deixem apenas uma nesse capitulo final, para eu saber o que acharam da fanfic. De nada adianta escrever sem ter o feedback para saber onde devo melhorar... Com o feedback de vocês posso escrever fanfics cada vez melhores!
Espero que tenham gostado. E até a próxima!
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