The Plan

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Placar: Sasuke 1 x 5 Itachi (votos no ff.net e Nyah!)
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N/A: Antes que alguém venha brigar comigo (ou comemorar): Não escrevo SasuSaku. Não se preocupem quanto a isso. Sakura é uma amiga, daquelas amigas realmente importantes e apesar de ter tido um sentimento por Sasuke no passado, está completamente superado.
A Sakura é OOC, pois eu não gosto da Sakura do mangá, e seria impossível não colocar ela como rival do Naruto se utilizasse a Sakura IC. Ela é baseada em mim. (sim, eu sou louca desse jeito hahaha)
Quanto à personalidade do Sasuke... Não, ele não é o vingador nessa fanfic. Em alguns momentos deixarei claro que ele possuía um grande orgulho Uchiha no passado, mas que superou boa parte desse orgulho ao perder Naruto e os pais. Estamos falando de um Sasuke que perdeu absolutamente tudo na vida, mas que não tinha de quem se vingar, nem um proposito maior em sua existência, e que sabia que boa parte do que perdeu foi devido ao seu orgulho. Então, a mudança quando ele reencontrou Naruto foi inevitável. Não o considero OOC, pois ainda tenho a fé de que Sasuke vai cair na real antes do fim do mangá. Tudo que fiz foi fazê-lo cair na real antes que o meu querido Masashi Kishimoto.
Se vocês querem ler um Sasuke vingador, todas as minhas outras fanfics tratam desse tema. Não o relatei dessa forma nessa fic não porque não consigo fazer o Sasuke vingador, mas sim porque quis variar, e espero que gostem.

THE PLAN


Sasuke encontrava-se deitado lateralmente em sua cama, encarando seu aparelho celular nos últimos dois minutos. Estava ansioso desde o momento que se levantou aquela manhã. Acreditava que Naruto ligaria, ele tinha que ligar, afinal, não era possível que tudo que ele sentia não tivesse reciprocidade!

No entanto, já era quase de tarde e nada do loiro telefonar. Xingou baixo seu telefone, jogando-o para o outro lado da cama ao mesmo tempo que ouviu a campainha de seu quarto de hotel soar de maneira estridente.

Levantou-se, passando as mãos pelos cabelos na tentativa de torná-los mais apresentáveis e abriu a porta, crente de que se tratava do serviço de quarto. Seus olhos se arregalaram com quem ele observava sorrindo de maneira comedida à sua frente.

_ Sakura? – a rosada sorriu mais largamente em resposta, empurrando o corpo surpreso de Sasuke para o lado enquanto entrava no flat, abriu o frigobar e soltou uma exclamação de puro prazer quando achou um pote de sorvete em seu interior, pegando com água na boca e tomando duas colheres da gaveta – O que você... O que você está fazendo aqui???

Sakura não havia mudado muito. Ainda possuía a baixa estatura de sempre, mas seus cabelos estavam curtos, emoldurando um rosto mais maduro. Havia se tornado uma mulher, não exibia mais os traços infantis de antigamente, e nem mesmo seus cabelos rosados poderiam tornar sua expressão mais juvenil: seus belos olhos exibiam o mesmo brilho de sempre, seu sorriso igualmente doce, mas algo no conjunto geral a tornava mais mulher e menos menina. Talvez o terno feminino que utilizava fosse o grande responsável por essa mudança de postura.

_ Não é óbvio? Eu vim aqui para conversarmos sobre o Naruto! – respondeu e caminhou até a cama, abrindo o pote de sorvete e colocando as duas colheres no seu interior, se deliciando ao saborear uma delas.

_ E por que o sorvete? – Sasuke questionou, fechando a porta atrás de si e cruzando os braços com leve desconforto pela presença da mulher. Sakura era o tipo de amiga que tomava as dores de seus amigos, ela estar em seu quarto de hotel sem uma serra-elétrica para matá-lo era algo extremamente... desnorteador.

_ Oras, porque você vai chorar e vai precisar de açúcar para te consolar! – respondeu, girando as mãos como se estivesse explicando algo óbvio. Sasuke suspirou cansado, andando até a cama da garota e sentando-se ao seu lado, e ela, instantaneamente, depositou o pote de sorvete no colo do Uchiha.

_ Sakura, eu não sou uma mulher. Eu não vou chorar nem me consolar com sorvete.

_ Bom... Neste caso, deixa o sorvete comigo. – dito isso, ela colocou uma colher na boca, depositou o pote de sorvete no criado mudo e, sorrindo docemente ainda com a colher entre os lábios, deu um soco digno de briga de rua no estomago de Sasuke, fazendo-o expirar todo oxigênio de seu pulmão e seus olhos lacrimejarem pela dor. Sakura tirou a colher da boca, lambendo-a e ainda sorrindo de maneira cruel – Pode chorar a vontade!

Sasuke gemeu, sentindo a primeira leva de oxigênio adentrar seus pulmões como se fosse ácido sulfúrico, mas não deixou as lágrimas de dor escorrerem pelo seu rosto. E antes que pudesse responder à altura, a voz de Sakura, extremamente furiosa, ecoava em seus ouvidos.

_ Como você pode fazer isso com ele!?! COMO!?! Esse soco não tem metade do tamanho da raiva que eu senti quando vi o olhar ferido do Naruto naquele maldito cartório!! Ele ainda tentou explicar a sua ausência para os convidados!! E o pior foram os meses que se seguiram! Uchiha, estou com uma vontade enorme de te estrangular! – antes que se rendesse aos seus impulsos e realmente estrangulasse Sasuke, Sakura se levantou da cama, puxando os cabelos enquanto andava de um lado para o outro. O moreno se havia se recomposto, mas ainda respirava com dificuldade enquanto observava com receio a movimentação da rosada – E o pior de tudo isso é que eu ainda vim aqui ouvir o que você tem a dizer!

_ Sakura, eu amo o Naruto. – Sasuke falou baixo, tentando se justificar. A rosada virou-se para espancá-lo novamente, mas dessa vez Sasuke estava preparado e a imobilizou sem dificuldade, segurando seus dois pulsos com mãos firmes.

Sakura sempre foi uma amiga muito especial, mas muito pavio curto. Naruto e Sasuke constantemente apanhavam de Sakura, não por serem fracos, mas porque eles realmente mereciam se levassem em consideração a quantidade de besteiras em que se metiam. Sakura agia com eles como eles sempre agiram um com o outro: como homens, brigas eram constantes.

Mas a rosada era apenas uma mulher (das complicadas), o que os impedia de revidar. Obviamente, nenhum dos tapas que ele recebeu nos anos de amizade se comparava a este soco que acabara de receber, o que indicava que Sakura estava realmente furiosa. Afinal, ela tinha toda a razão para estar.

Fora a rosada quem juntara o casal, quem sempre fingia não perceber a relação dos dois, aguardando pacientemente o dia no qual eles decidissem ficar juntos pra valer. Foi ela que aguentava cada lamento, cada estresse do casal, sem nunca reclamar (bom, pelo menos não com as palavras). O pior de tudo: foi ela a única que os apoiou.

Quando os dois admitiram o namoro, boa parte da faculdade deu-lhes as costas os chamando de bichas e xingamentos extremamente mais chulos do que este. Sem contar a reação do casal Uchiha, que também não foi uma das melhores. Apenas Sakura apoiava, e Naruto, principalmente, precisou muito desse apoio.

Para Sasuke pouco importava se os colegas de faculdade não dirigissem mais a palavra ou denigrissem sua imagem pelas costas, afinal, ele nunca prezou muito a companhia daqueles que julgava se tratar de um bando de interesseiros, suportando-os a pedido de Naruto. Sakura, assim como Sasuke, considerava esse pessoal um monte de gente sem vida e sem valor. Mas o loiro sofreu bastante com a perda daqueles que julgava se tratar de seu grupo de amigos, e demorou um grande período até começasse a compartilhar a opinião dos seus amigos verdadeiros.

Naruto só conseguiu superar esse problema devido à Sakura, por ela sempre enfatizava que o casal havia feito a coisa certa em se assumir para todos. O moreno pode imaginar a raiva que a rosada sentia de si mesma ao encorajar Naruto desta forma quando o próprio não aparecera no cartório.

Ela respirava furiosamente, seus olhos cor de esmeralda cintilando em pura ira.

_ Você consegue imaginar a raiva que eu senti de mim mesma por ter encorajado Naruto a jogar tudo pra cima para ficar ao seu lado? Você consegue perceber o quão traída eu me senti? Eu juro Uchiha, que se você aparecesse novamente algumas semanas depois daquela tentativa frustrada de casamento, eu te matava. E eu estou falando sério.

Bem... Quem era Sasuke para duvidar.

_ Eu quero uma segunda chance, de vocês dois. Vocês são as únicas pessoas no mundo que me restaram. – Sasuke sussurrou baixo, evitando olhar para Sakura enquanto segurava os pulsos da rosada. Se havia algo que envergonhava o Uchiha constantemente, era o fato de ter abandonado aqueles que tanto o amavam e prezavam pelo seu bem.

Sentiu seu corpo relaxar e a soltou de sua imobilização. Ergueu a cabeça, encarando o olhar brilhante de Sakura. Pronto, havia chegado o ponto que Sakura iria chorar. E assim o fez, antes de se agarrar no pescoço do moreno a sua frente.

_ Eu sinto muito pelos seus pais! Imagino que deva ter sido difícil perdê-los! – ela soluçava.

Era em momentos como este que Sasuke tinha a certeza que Sakura possuía algum problema de fabricação, pois ele não conseguia entender nunca o que ela pensava quando havia essas mudanças bruscas de comportamentos. Tsk, mulheres. Mulheres não, uma única mulher era assim, e ela estava agarrada ao seu pescoço, molhando sua camisa com lágrimas salgadas naquele exato momento.

_ E foi. Mas tive dias piores. – o moreno envolveu os braços no tronco superior da rosada, retribuindo o abraço fraternal. Esperou que ela diminuísse o choro, antes de continuar – Eu me arrependi alguns meses depois... Na verdade me arrependi assim que sai do velório dos meus pais, mas demorei a admitir isso pra mim. Repetia constantemente que estava fazendo a coisa certa, que meus pais estavam orgulhosos de mim, seja lá onde estivessem. Mas uma noite em específico eu senti tanta falta dele que resolvi ligar, e você sabe muito bem que eu nunca corria atrás do Naruto, sempre era o contrário. Por eu ter feito isso, realmente estava desesperado.

_ Você quer dizer: Eu sei muito bem o quão babaca você era.

_ Exatamente. – ele respondeu, abrindo um sorriso ao mesmo tempo em que ela também sorria – De qualquer forma, eu liguei. Primeiro para ele, mas fui atendido pela caixa postal; depois pra você, mas havia uma gravação dizendo que tinha mudado de número e que ele não podia ser informado. Entrei em pânico, sabia que o havia perdido. Naruto nunca, nunca mesmo, deixava de me atender quando eu eventualmente ligava, nem nas nossas piores brigas, e sabia que você podia muito bem ter mudado de telefone a pedido dele. Sai com a roupa do corpo e fui para o aeroporto, madruguei lá até conseguir um voo pra nossa antiga cidade, mas cheguei tarde demais. Vocês não estavam mais nos respectivos apartamentos... Sem contar o meu apartamento, que estava destruído.

_ Eu queria entrar lá com um lança-chamas, mas Naruto preferiu fazer o trabalho sozinho.

Sasuke a reprovou com o olhar, ela apenas deu de ombros. Respirou fundo, não pretendia discutir sobre esse assunto, já era passado.

_ Então eu fiquei lá, esperando pra ver se vocês voltavam e me ocupei com a minha especialização para me distrair. Mas vocês nunca voltaram. Quando eu abri minha clínica consegui uma equipe pra me ajudar a tocar o negócio, e passei a viajar bastante, fazer cursos fora, etc. Eu procurava vocês sempre, em cada cidade que eu ia. Agora estou fazendo um curso aqui, e ver o Naruto na televisão foi uma sorte tremenda.

Sakura enxugou as lágrimas de seus olhos, agarrando novamente o pote do sorvete e voltando a saboreá-lo, entregando uma colher para Sasuke, que olhou com desprezo para o objeto.

_ Já disse, não sou uma garota.

_ Ok, ok... Mas então, o que pretende fazer agora que achou o Naruto? – perguntou, curiosa, comendo ferozmente o sorvete enquanto Sasuke se levantava.

_ Já conversei com ele, agora vou esperar.

_ De novo?? – ela perguntou, seguindo-o pelo quarto – Não acha que já esperou demais?

_ Por quê? Esta querendo que a gente volte?

_ Mas é lógico! – ela enfatizou, pulando na frente de Sasuke e impedindo-o de fazer qualquer coisa que pretendia fazer naquele quarto, segurando seu rosto com as duas mãos enquanto falava energicamente – Estou exausta de ver o Naruto tendo devaneios ao pensar em você. Por mais que ele jamais admita, ele sempre sofre com a sua ausência. Todas as viagens que temos juntos, ou qualquer ocasião que eu o veja adormecer, Naruto sussurra seu nome de uma maneira que parte o meu coração. Por mais que finja estar tudo bem e muita gente acredite nessa farsa, eu sei o quanto ele sofre por você. Afinal, ele nunca mais teve alguém depois de sua partida.

Sasuke sorriu de canto de boca, o sorriso confiante que o Uchiha sempre desprendia quando a situação estava ao seu favor. As feições de Sakura, por sua vez, adotaram uma postura irritada, e ela começou a dar de dedo no peito do moreno mais alto que ela.

_ Isso não significa que eu não ache que você o mereça. Mas acho que certas coisas na vida não tem como evitar, destino é uma delas.

_ Destino? – Sasuke pegou a mão de Sakura e forçou seu dedo para baixo, sem machucá-la. Odiava quando a rosada tentava lecioná-lo dessa forma; se fosse antigamente, provavelmente já teriam brigado – Não acredito nisso. Naruto e eu gostamos um do outro porque o tempo nos fez adquirir esse sentimento, não foi o destino que nos uniu e sim nossas escolhas.

_ Que seja Sasuke, chame como for conveniente para você. Mas não espere que Naruto venha até você de braços abertos.

Sakura virou-se, procurando sua bolsa. Sasuke a olhava com uma das sobrancelhas arqueada, enquanto a rosada procurava alguma coisa no interior do compartimento. Depois de uma eternidade, ela entregou-lhe um papel.

_ O que é isso?

_ O endereço e o horário para nosso jantar.

_ Jantar?

_ Conversei com Naruto pela manhã. Como a entrevista dele foi um sucesso, eu o convidei para comemorarmos. Ele aceitou o convite. – Sakura, pegando novamente a bolsa, se direcionou para a porta e, despedindo-se do Uchiha com uma piscadela, falando em voz baixa como se proferisse um segredo antes de se retirar – Mas eu posso convidar quem eu quiser pra me acompanhar, não posso?

O moreno observou a rosada retirar-se do seu quarto, observando o papel manuscrito antes de deixar um riso curto escapar de seus lábios. Balançando a cabeça sem compreender a mente de Sakura, guardou com cuidado o endereço eu sua carteira, agora extremamente disposto para continuar sua rotina do dia e se preparar para a noite.


(***)


_ O que está fazendo aqui?? – Naruto perguntou, sorrindo de orelha a orelha e esquecendo completamente a existência de Shikamaru, que já dobrava a esquina, desaparecendo de vista. Itachi pigarreou, recompondo sua aparência, antes de responder de maneira neutra.

_ Eu moro aqui perto, estou saindo do café. – Bom, não era uma mentira. E mesmo se fosse, ele sabia muito bem que não podia falar com almas de primeiro grau sobre assuntos envolvendo o plano superior.

Os olhos de Naruto brilharam em deleite.

_ Eu trabalho aqui perto, a sede do meu partido é três quadras para lá. – ele disse, apontando em sua diagonal. Itachi registrou o endereço mentalmente, se sentindo extremamente grato pela informação gratuita.

Ambos permaneceram em silêncio por uns instantes sem saber o que falar. Itachi foi o primeiro a fazer alguma coisa, voltando a caminhar em silêncio enquanto Naruto andava atrás de si.

_ Para onde está indo?? – perguntou, curioso como sempre.

_ Acompanhando você ao partido. Você se incomoda com minha companhia? – Respondeu, sorrindo de canto de boca para Naruto enquanto este ruborizava de leve, agora lado a lado com o moreno.

_ Não, mas você podia ter dito, achei que estava indo embora. – Respondeu, sem jeito, olhando para suas próprias mãos enquanto caminhava.

_ Preferi não pontuar o óbvio.

Naruto gargalhou, recordando-se da conversa que tiveram na cafeteria no dia anterior.

_ Então é uma coisa obvia você desejar me acompanhar para o trabalho? – perguntou, tentando fazer o moreno se perder nas palavras que sempre pareciam tão bem selecionadas. No entanto, a expressão do moreno não se modificou em nada ao responder, nem sequer gaguejou.

_ É claro que é obvio.

Sentindo o tiro sair pela culatra, Naruto corou ainda mais, olhando para frente ao quebrar o contato visual com Itachi, tentando fazer o sangue desacumular em suas bochechas. Itachi não pode evitar considerar adorável o comportamento de Naruto, e se sentir feliz ao saber que fora ele quem propiciou essa bela vista aos seus olhos.

_ Sobre ontem... – Naruto recomeçou a falar – Eu gostaria de agradecer. Tudo aquilo que você falou de tarde me inspirou para o meu discurso na TV e eu acho que me sai melhor do que sairia se seguisse o programado. Então, muito obrigado.

Itachi suspirou contente. Óbvio que já sabia dessa situação, afinal, era sua missão anterior. Mas ouvir isso diretamente da boca de Naruto o deixou mais contente do que ele poderia ter imaginado.

_ Não há de quê, Naruto. Você merece fazer um bom discurso para ser eleito, estou pensando seriamente em transferir meu titulo de eleitor para essa cidade. – Respondeu, sorrindo suave.

Naruto retribuiu o sorriso, conseguindo finalmente deixar de corar.

Andaram mais algum tempo em silêncio, até que finalmente chegaram até porta do partido. Naruto girou o corpo para encarar Itachi, notando que ele era uns bons dez centímetros maiores do que si. Reparou mais uma vez nas características físicas misteriosas do moreno à frente, constando que ele ficava deveras mais bonito sem os óculos.

Corou novamente com o pensamento idiota de sua mente.

_ Eu não estou com seu guarda-chuva agora para devolver. – falou sem quebrar o olhar com o de Itachi. O moreno piscou, parecendo surpreso com a frase do loiro, se perguntando mentalmente do que ele estava falando. Demorou uns instantes até ele compreender e responder.

_ Não precisa devolver eu...

_ Eu gostaria que fosse ao meu jantar de comemoração essa noite, assim vou ter a oportunidade de devolver.

Itachi foi pego de surpresa. Sentiu, finalmente, seu próprio rosto corar. Estaria Naruto chamando-o para sair? Mesmo depois de ter reencontrado Sasuke? Certamente havia muito mais do que o acaso ajudando-o naquela situação, talvez a alma de Naruto tivesse sentindo a ligação que possuía com a alma de Itachi, por mais que o seu portador não fosse ciente de tal fato.

_ Devolver meu guarda-chuva... Num jantar...? – perguntou incerto, imaginando estar fantasiando coisas.

_ Isso.

_ Quer dizer que você esta me convidando para um jantar apenas para devolver meu guarda-chuva? – Itachi questionou, não contendo o sorriso de satisfação que emoldurara seus lábios. Naruto corou novamente, e o moreno constatou: Adorava ver aquela expressão, e tinha que se controlar para não fazer o loiro corar de mais ao ponto de se irritar com a constante provocação do moreno. Mas que era lindo, ah se era.

_ Pare de repetir minhas palavras. Se não quiser ir simplesmente não vá. – Naruto disse, girando os calcanhares se sentindo um tolo por fazer tal convite.

O que estava acontecendo com ele? Passara a noite toda em claro pensando no Sasuke, e agora estava chamando Itachi parar sair sem mais nem menos? Seu cérebro deveria estar com algum problema, estava parecendo a Sakura-chan com essas mudanças bizarras de comportamento e desejos.

Itachi o impediu de adentrar a sede do partido, segurando-o pelo pulso. Novamente ambos sentiram aquela sensação estranha de estarem conectados por meio de uma descarga elétrica, e Itachi soltou o pulso de Naruto ao perceber que ele não iria mais se mover.

_ Eu vou. Diga-me onde.

Girou os calcanhares novamente, pegando um papel e uma caneta no bolso do paletó e rabiscando o endereço do restaurante e o horário do jantar. Entregou-o em seguida para Itachi, que guardou bem guardado no bolso da camisa. Encararam-se por mais alguns instantes, até Naruto se senti novamente desconfortável, despedindo-se com um movimento de cabeça antes de virar-se para adentrar o estabelecimento.

_ Até mais tarde. – Itachi sussurrou, sorrindo. Naruto, irritado com a reação do seu corpo, que corara novamente, nada respondeu, adentrando ao partido ainda quieto.

O moreno se sentia nos céus. Não conseguia acreditar com a sorte que o acaso lhe propiciara. Sabia que a reação de duvida e incertezas de Naruto era devido ao prévio encontro com Sasuke, mas jamais imaginara que uma tentativa de aproximação seria tão bem sucedida logo na primeira tentativa. Caminhava sonhadoramente pela estrada em direção a sua casa, pensando em como tratar o seu loiro aquela noite para que tivesse mais algum sucesso em seu relacionamento.

Ao abrir a porta, seu planejamento foi brutalmente interrompido.

Kakashi o imobilizara contra a parede, colocando um braço firme abaixo de seu pescoço e impedindo-o de se mover. O olhar do grisalho encontrava-se fulminante, e Itachi sabia que estava encrencado, mas não podia se obrigar a sentir acuado quando se tratava de Kakashi. Já fazia tempos que não se sentia inferior ao seu... bem... superior hierárquico. Por mais irônico que isso soasse.

_ O que diabos você pensa que está fazendo? – Kakashi rosnou, estreitando o olhar ao encarar o semblante neutro de Itachi que tanto detestava. O moreno parecia jamais expressar suas fraquezas, mas isso nada interferiria na bronca que iria levar, afinal, o grisalho sabia muito bem quais eram as fraquezas do Uchiha.

_ Não fiz nada que uma pessoa educada não faria. – respondeu com a voz profunda de sempre, irritando ainda mais aquele que o imobilizava.

_ Não fale asneiras! Você sabe muito bem que está prejudicando a minha missão! Céus Itachi, será que não percebe que está no plano de vida de Naruto que Sasuke e ele se reúnam? Intervir no plano de vida só causará atraso na evolução de ambos! É isso que você quer? Atrasar ainda mais a evolução do seu irmão e de seu amor, mais do que eles já atrasaram na vida anterior?

Itachi, com um movimento ágil de corpo, conseguiu sair da prisão imposta por Kakashi, mas não se retirou da companhia do grisalho, muito pelo contrario, o encarou com determinação.

Itachi sabia que Sasuke e Naruto eram almas retrógradas, e não apenas por estar escrito em suas fichas de missões. Afinal, se Itachi e Naruto eram almas gêmeas significa que vieram à Terra no mesmo momento, pois foi ao adentrar a Terra que a alma una se separara e se transformara na alma de Itachi e Naruto. Era de conhecimento leigo que a almas gemas nada mais são do que uma alma separada em dois corpos ao encarnar, e por mais que houvessem diversos detalhes nesse simples acontecimento, em síntese era isso mesmo.

Tendo em vista que Itachi estava no segundo nível de evolução e Naruto encontrava-se ainda no primeiro, era de se supor que em alguma de suas encarnações Naruto tivesse retroagido. Era provável, inclusive, que eles houvessem retroagidos juntos algumas vezes, mas que nessa ultima ocasião a alma de Itachi não retroagira enquanto a de Naruto tivesse feito algo que gerasse o carma, fazendo-a retroagir ao invés de acompanhar sua alma gêmea para a próxima etapa.

E quanto ao Sasuke, ele sabia muito bem que era alma retrógrada pela boca do próprio Kakashi.

Mas Itachi sabia muito mais além do que Kakashi imaginava, sabia interpretar as informações dadas e utilizá-las de maneira conveniente.

_ A sua missão era fazer Sasuke encontrar Naruto, enquanto a minha era inspirá-lo para o seu discurso. Não há missão nenhuma envolvendo Sasuke e Naruto reatarem a relação amorosa. Afinal, nós dois sabemos muito bem que almas gêmeas de primeiro grau nem sempre se tornam amantes até o fim da vida, chegando apenas a serem amigos em muitas ocasiões.

_ Que seja! – Kakashi respondeu, contrariado – Mas você não sabe qual é o plano inteiro para os dois. Está interferindo sem saber o que o destino reserva a eles e pode estar atrapalhando!

_ Ou posso estar ajudando Kakashi. Quem sabe meu livre arbítrio não é necessário para direcionar o plano deles para sua corrente natural? Afinal, eu posso apostar o aluguel desse mês que você não recebeu uma missão nova no notebook, e sim me seguiu e soube que conversamos. Alias, se realmente fez isso, sabe muito bem que quem deu o primeiro passo e me convidou foi Naruto, e não eu.

Touché.

Kakashi não pode deixar de pensar, deixando as feições raivosas amolecerem enquanto se afastava de Itachi, ainda encarando-o nos olhos com um olhar extremamente preocupado.

_ Entenda: eu só não quero seu mal. Estamos a trabalho nessa vida, eu sei, mas esses anos de convivência com você me fizeram adquirir afeição pela sua pessoa. E eu não quero ter que interferir e ferir suas emoções caso receba uma missão envolvendo Sasuke que atrapalhe qualquer interesse que você tenha no Naruto. Você sabe muito bem que eu não poderei dizer “não” se esse dia chegar, eu sou uma alma de terceiro grau e não posso rejeitar missões como as almas de segundo grau podem fazer. Alias, você já esta infringindo uma regra ao tentar se relacionar com sua alma gêmea.

_ A regra é não encostar-se a uma alma de mesmo nível, não infringi regra nenhuma ao encostar em Naruto e relembrar nossas vidas. Quanto às missões das almas de terceiro grau não poderem ser negadas: eu sei disso, não se preocupe. E se um dia isso acontecer, eu não guardarei mágoa. Apenas tenha um pouco de fé em mim, e me deixe usufruir desse livre arbítrio que até agora nunca tive a oportunidade de usar.

_ Claro que teve! Nós últimos três anos você está somente sobre a força do livre arbítrio... – Kakashi respondeu, sentando-se no sofá e ainda encarando o moreno, que mantinha as feições frias e indecifráveis de costume.

_ Essas missões... O fato de nos colocarem nessa casa sem qualquer chance de dizer “não”... Você acha que isso é livre arbítrio? Isso é a mesma coisa que viver como as almas de primeiro grau, a única diferença é que temos conhecimento do que acontece no mundo celeste, ainda que mínimo. Mas ainda sim, somos obrigados a seguir a vontade Dele e esta é a primeira ocasião em que eu vou poder agir de acordo com a minha vontade.

_ Não fale besteira. Você agiu com livre arbítrio desde... – o grisalho, subitamente, calou-se, sentindo que falara demais. Mas Itachi era um bom entendedor, e seus olhos faiscavam a dura compreensão.

_ Desde eu seguir o Plano e matei os meus pais? É isso que você ia dizer Kakashi? – falou, sua voz soando ríspida pela primeira vez aquele dia. – Eu daria tudo, tudo, para não ter um pingo de livre arbítrio agora e ter usufruído o poder de escolha apenas naquele dia.

_ Não é assim que as coisas funcionam.

Itachi respirava ofegante, as lembranças envolvendo sua mente como uma nevoa tenebrosa de tristeza e raiva. Kakashi havia ido longe demais, era de entendimento tácito que jamais tocariam no assunto da iniciação e na dor que esta causara à Itachi. Mas o grisalho estava ali, neste exato momento, rompendo o combinado.

O moreno piscou, se recompôs e subiu as escadas lentamente, discursando em voz alta a cada passo.

_ Então siga as regras e a maneira como as coisas funcionam. Eu tenho livre arbítrio para agir, e eu vou agir. Ponto. E você que se dane com toda essa sua preocupação. Enquanto não houver nada na sua tela de computador a respeito, fique bem longe das minhas ações.

Aguardou uma resposta que jamais veio do seu superior, antes de adentrar o seu quarto com um ranger ao abrir a porta e um suave baque ao fechá-la.


(***)


_ Saaakuraaa-chaaan!! – Naruto exclamava contente, andando rapidamente ao encontro da rosada que já estava sentada na mesa reservada no restaurante.

Ela estava belíssima, utilizando um lindo vestido esmeralda que intensificava a cor de seus olhos, seus cabelos amarrados em um comportadíssimo coque sobre sua cabeça. Sorria contente, acenando para Naruto e chamando-o para mais perto.

Naruto sentou-se ao seu lado, cumprimentando-a com um beijo na face. A rosada riu com a animação do loiro, sentindo-se extremamente contente por ver uma genuína felicidade no olhar de Naruto, e não o fingimento de sempre.

_ Está radiante hoje. A pesquisa de opinião foi tão boa assim?

_ Sim! – respondeu animado, enquanto o garçom se aproximava e enchia uma das taças a sua frente com o vinho branco que Sakura havia pedido enquanto aguardava sua companhia – Cresci quatro por cento na pontuação, e o número de indecisos também aumentou, mas saiu da porcentagem da concorrência.

Sakura o congratulou, sorrindo em felicidade. Como assessora direta de Naruto, já sabia desta informação antes mesmo do loiro ser informado, mas adorava ouvir esse tipo de boa notícia da boca do amigo. Afinal, o sucesso de Naruto era, sobretudo, reflexo de seu próprio sucesso como assessora. Eram uma equipe, todos eles, e cada conquista era dividida entre todos.

_ Quem você chamou para o jantar? – Sakura perguntou amigavelmente, afagando os cachos bagunçados de Naruto, tentando colocá-los no lugar.

_ Shikamaru, Jiraya e Tsunade. Também chamei outro amigo que você não conhece. – Sakura sabia que esta seria sua resposta. Shikamaru era o outro assessor de Naruto, enquanto Sakura cuidava da comunicação social e da apresentação de Naruto, Shikamaru fazia seu planejamento de campanha. Jiraya e Tsunade, por sua vez, eram os administradores do dinheiro de Naruto quando este se encontrava órfão na adolescência, e por isso adquiriram uma espécie de laço fraternal com o tempo. Não tão forte quanto o laço que este possuía com os pais de Sasuke, mas ainda assim um bom relacionamento. Quanto ao outro amigo... Quê?? Outro amigo??

_ Que amigo Naruto? – Sakura perguntou, extremamente surpresa. O olhar de Naruto brilhar mais do que costume ao pensar no tal “amigo”. Oh não... Será que...

Mas antes que o loiro pudesse vocalizar sua resposta, ouviu uma voz sussurrar de maneira suave em seu ouvido.

_ Usuratonkachi...

Naruto girou o corpo com velocidade, quase caindo da cadeira no processo. Sakura observava o espanto de Naruto horrorizada.

Será que Naruto tinha um novo companheiro e ela não estava ciente disso? Será que havia feito errado ao chamar Sasuke para o jantar? Irritada consigo mesma, depositou a cabeça sobre as mãos, na tentativa inútil de pensar no que fazer para sair desta confusão.


... Continua...