The Plan

18 Capítulo 18


Notas iniciais
AVISO IMPORTANTE: A FANFIC NÃO ESTÁ FINALIZADA!
Estou deixando esse aviso aqui porque algumas pessoas estão achando que o capítulo passado foi o final da fanfic, pois o site marca The Plan como finalizada.
No entanto, aquele não é o fim da fanfic! Ainda faltam mais ou menos uns capítulos para o final! Quando chegar o último capítulo eu vou avisar nas notas finais ok?
Por que está marcada como finalizada então? Porque meu perfil tem um BUG no sistema do site do Nyah! Tanto é que no fanficton.net ela não está marcada como finalizada.
Olhem no meu perfil, no último aviso, para entender melhor o que está acontecendo...
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N/A: Quanto ao capítulo, sei que demorei, não gosto de demorar, mas isso anda acontecendo com The Plan. Por mais que eu esteja meio ocupada com a prova da OAB, essa não é uma desculpa para o atraso.
O fato é que The Plan, apesar de ser uma fanfic que já me causou muitas alegrias, ultimamente vem me dando problemas com alguns leitores excessivamente moralistas e falta de feedback, o que realmente acaba com o pique de escrever. Quem acompanha minha outra longfic sabe que eu estou atualizando mais naquela do que nesta, e por isso peço sinceras desculpas!
Sei que quem acompanha, quem deixa review e quem se importa com a fic merece retorno, e apenas por causa de VOCÊS que estou escrevendo ainda The Plan. Por vocês vou terminar, falta pouco e vai da tudo certo.
Espero que me acompanhem até o final, por favor.
Obrigada a minha beta Nyulan por me ajudar e ser sempre uma fofa. *-*
Muitos beijos a todos os leitores e mais uma vez peço, com muita vergonha, o perdão de vocês.
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Música: Cold (But I'm still here)
Banda: Evans Blue

THE PLAN


_ Bom dia! – Itachi o cumprimentou com animação, abaixando um pouco seus lábios e plantando um selinho suave nos de Naruto assim que ele abrira os olhos pela primeira vez àquela manhã.

Já estava acordado há mais de uma hora, pensativo, esperando o despertar do Uzumaki com extrema paciência. Não havia porque levantar sozinho ou forçar o fim do sono do parceiro, por isso dedicou seus últimos minutos em carícias suaves que provavelmente proporcionaram sonhos agradáveis ao menor, visto que ele praticamente ronronava enquanto dormia.

_ Bom dia Neko-chan. – Naruto respondeu entre um bocejo, ganhando um soquinho no ombro esquerdo e finalizando deixando uma risada provocadora escapar.

_ Achei que tínhamos um trato. – Itachi o censurou, sentando-se na cama e cruzando os braços. Odiava mesmo aquele maldito apelido.

se também e coçando a nuca, tentando esconder a mentirinha que acabara de dizer. Tal movimentação fez sua cabeça latejar instantaneamente, e não conseguiu impedir o gemido de dor que escapuliu de seus lábios.

_ O que foi?

_ Estou com dor de cabeça. – trincou os dentes, pois a dor aumentava cada vez mais e mais.

Itachi tinha a plena consciência de que Naruto nunca fora uma pessoa que ficava doente com facilidade e as poucas vezes em que isso acontecia, ele acabava por se automedicar, o que geralmente dava conta do recado. Apenas uma vez precisou de auxílio, em meio a uma febre extremamente intensa, à idade de treze anos. Mikoto o trouxe para casa dos Uchiha naquela ocasião, e demorou quase dois dias pra febre diminuir para uma temperatura fora de risco.

Às vezes o primogênito Uchiha desconfiava que fora por causa daquela ocasião que Sasuke decidira cursar medicina, pois ele estava sempre na porta do quarto de hóspedes, apreciando com admiração as ministrações de sua mãe, exibindo um pouco de medo e impotência por não poder fazer nada.

Mas é logico que seu irmãozinho nunca admitira nada, e tudo não passava de meras suposições.

_ É muito forte? Está sentindo mais alguma coisa?

_ Tsk, Itachi, não vai dar uma de Teme agora... – Naruto resmungou, passando a mão pela testa como se tal gesto desnecessário fosse diminuir sua dor. Itachi tentou retirar sua mão de sua testa, provavelmente para que pudesse sentir sua temperatura, mas ele impediu tal gesto, levantando-se rapidamente da cama e caindo instantaneamente de encontro ao chão.

_ Naruto! — Itachi exclamou em preocupação, caminhando até seu encontro e ajudando-o a se levantar.

_ Acho que estou com gripe, ou você exagerou muito ontem. – murmurou levemente, aceitando o auxílio e se arrastando novamente para a cama.

_ Fique aqui, eu vou pegar algo pra você comer. – o mais velho ordenou, a preocupação evidente no seu olhar.

Naruto não pode deixar de sentir seu coração aquecer com o cuidado de Itachi, que agora procurava desesperadamente uma camisa para vestir e descer até a cozinha. Todavia, achava que ele estava exagerando demais, pois não havia motivos para tanta preocupação. Se estivesse apenas com fadiga pelo sexo da noite anterior, amanhã estaria bem; se fosse um caso de gripe, alguns remédios bastariam...

Itachi sempre foi um dramático de marca maior mesmo. Existem coisas que nunca mudam. Pensou com um sorriso nos lábios, aconchegando-se melhor na cama e tentando conter o impulso de voltar a dormir.


(***)


_ Sasuke e Orochimaru vão voltar da última missão essa semana.

_ Humm... – Kakashi respondeu, não prestando muita atenção no que Shizune falava. Segurava sua caneca de café como se sua alma estivesse dentro daquele recipiente, pois sua namorada possuía a maldita mania de acordá-lo todas as manhãs assim que o sol nascia, afirmando que ele deveria estar pronto para agir a qualquer momento. Ela era cautelosa e estava fazendo o certo, mas isso não impedia o Hatake de xingá-la mentalmente todas as manhãs.

_ Falo sério, não parece alarme falso dessa vez. E como das últimas vezes partiram logo em seguida para realizar novas missões, acho que desta vez darão uma folga de alguns dias e missões na cidade.

_ Isso significa que eu e Shikamaru precisamos conversar. – respondeu um pouco mais atento depois de dois goles de seu café amargo.

A morena sorriu, aproximando-se do grisalho e sentando em uma cadeira ao seu lado, abraçando-o com carinho e beijando seu pescoço. Kakashi sorriu.

_ Isso não vai me fazer eu te perdoar por me acordar de madrugada.

_ Exagerado... Já são sete e meia da manhã!

Antes que a discussão pudesse prosseguir, Itachi adentrou a cozinha sem cumprimentá-los, correndo de um lado para o outro, enchendo copo d’água, xicara de café e demais alimentos para um desjejum balanceado em uma bandeja que Kakashi sequer sabia existir naquela casa.

_ Olha o Itachi, vai levar café da manhã na cama pro Naruto! E você só sabe dormir e nunca faz nada disso! – Shizune falou para o companheiro, emburrando-se e cruzando os braços.

No entanto, o grisalho via além do que a morena conseguia observar. Itachi estava quieto demais, bem mais que o normal, e sua expressão completamente neutra denunciava que algo de ruim estava acontecendo.

_ O que foi Itachi? – perguntou, ignorando a birra de sua namorada.

_ Naruto está doente, acho melhor ficar de cama hoje. – respondeu com uma voz sem emoção, quase robótica, enquanto continuava a preparar a refeição do seu enamorado.

_ Vocês exageraram ontem, eu e Kakashi ouvimos a noite toda. – Shizune interrompeu o diálogo, rindo e deixando o rosado atingir as maçãs de seu rosto ao recordar dos barulhos da madrugada anterior. Itachi também corou levemente, mas nada além disso indicou que ouvira a brincadeira da colega.

Kakashi, todavia, continuava a ignorar Shizune. Sequer havia concordado com ela, e não aproveitou a deixa para tirar sarro de seu pupilo, o que por si só já era um ato extremamente peculiar.

_ Sasuke estará na cidade em breve. – falou com seriedade, acompanhando a movimentação agitada de Itachi com os olhos – Ajude Naruto a sarar logo, vamos precisar da presença dele se desejamos atrair o seu irmão para que consigamos criar juízo em sua cabeça.

Assim que terminara de falar, Itachi deixou a bandeja escorregar um pouco de suas mãos, derrubando o copo d’água, que se espatifou com força no chão.

_ Jesus, Itachi, hoje você está muito estabanado! – Shizune se levantou e caminhou até o Uchiha, pegando a bandeja com as duas mãos e dando-lhe as costas – Vou levar isso pro Naruto antes que você derrube mais alguma coisa, ok?

Saiu sem esperar uma resposta, e assim que Shizune estava longe o suficiente, Kakashi se levantou e andou em direção a Itachi, colocando uma mão em seu ombro, gesto que o fez levantar o olhar para encará-lo.

_ Está com medo? – perguntou Kakashi com o tom de voz regado em compaixão. Mas o moreno não respondeu, retirando a mão de seu ombro e seguindo Shizune, de volta ao mesmo lugar onde estava há minutos atrás.

Estou apavorado Kakashi, apavorado! Pensou, jamais se permitindo desabafar em voz alta.


(***)


_ Pare de se preocupar tanto, eu estou bem! – o loiro exclamava, odiando o fato de que Itachi estava tentando vesti-lo.

Vestir! Como se ele fosse um bebê! Pelo amor de Deus!

Nas últimas horas o moreno havia se transformado em um completo idiota. Depois que Naruto tomara seu café da manhã, sua dor de cabeça passou e a fadiga diminuiu. Provavelmente se sentira mal ao despertar devido a sua fome matutina, mas quem disse que Itachi ouvira sua explicação?

Naruto anunciou que iria tomar banho, e Itachi se ofereceu para ajudá-lo. Por isso, o Uzumaki acreditou que teria alguma “ação” no banheiro, só que Itachi realmente o ajudou no banho e não quis fazer nada sexual. Mesmo quando o ele se esfregou no moreno reiteradamente, demonstrando sua necessidade carnal, Itachi manteve-se imparcial, fazendo-se de ignorante e continuando a tratá-lo como um paciente.

Tsk, poxa vida... Se Itachi pelo menos estivesse usando roupa de enfermeira, eu até aceitaria essa palhaçada.

No presente momento, o moreno estava vestindo Naruto como se ele fosse um inválido, e isso o irritava profundamente.

_ É só por garantia, não se mexa tanto! – pediu, finalmente enfiando a camiseta nos braços protestantes de Naruto.

_ Urgh, Itachi, puta que pariu viu!! – o loiro, agora vestido, saiu de perto do Uchiha, caminhando com passadas pesadas até a porta e pretendendo ficar o mais longe possível deste Itachi superprotetor, enquanto esse comportamento absurdo perdurasse.

Ao escancarar a porta do quarto, se deu de cara com Shikamaru, que mantinha a mão fechada em um punho e erguida no ar, provavelmente há segundos de bater na porta e anunciar sua presença.

_ Hum... Oi Shika. – Naruto cumprimentou, tentando retomar ao seu bom humor habitual.

Shikamaru piscou algumas vezes, e no fim compreendeu que os dois provavelmente estavam em meio à discussão, a julgar pelos olhos irritados de Naruto e o ar melancólico de Itachi. Será que ambos não possuem o mínimo senso de horário? Tinham que brigar justamente agora?

_ Sasuke está na cidade. Orochimaru foi mandado pra Bélgica e nós temos que agir agora. — anunciou, observando o olhar de Naruto arregalar-se ao mesmo tempo em que Itachi pulava da cama, se juntando aos outros dois.

_ Como sabe que Sasuke está aqui? – questionou Naruto.

_ Shizune informou. Sasuke saiu pela entrada do Dennis e não retornou até então, sendo que nas últimas semanas ele não costumava sair Lobby, já emendava a missão para outro local. Shizune disse também que Orochimaru não usou a saída, e teve acesso as informações oficiais que indicavam que ele utilizara a passagem que dava acesso à Bélgica. Ele está longe de circulação, ao menos por enquanto.

Kakashi apareceu atrás de Shikamaru, completando seu discurso.

_ Sasuke está de volta por algum motivo, e tenho a completa certeza que este motivo é relacionado a vocês dois, tendo em vista que ele sequer voltara para sua própria casa... Isso é ótimo, pois assim conseguiremos encontrá-lo com mais facilidade. Devemos aproveitar para agir agora, porque no momento em que Orochimaru estiver por perto teremos o empecilho do ordenamento superior; ele é superior a todos nós hierarquicamente falando. – falou rapidamente, chamando todos para o seguissem com um gesto de mãos.

Quando o político deu o primeiro passo à frente, Itachi segurou seu pulso, o impedindo de se movimentar.

_ Naruto está doente. É arriscado levá-lo. – falou com a voz firme, olhando com certo ar de autoridade para Shikamaru e Kakashi.

_ Itachi eu vou te bater se você continuar com essa ladainha! – o loiro rosnou, começando a perder o restante de paciência que ainda possuía. Que palhaçada era aquela? Este era o momento que estavam esperando há tanto tempo! Itachi só podia estar louco se achava que ele não o acompanharia.

_ Naruto precisa ir. – Shikamaru falou, olhando com seriedade nos olhos de Itachi – Precisamos que ele tente conversar pacificamente com Sasuke; algo que você não conseguiria fazer, pois ele provavelmente não daria ouvidos a você.

_ Mas...

_ Não nos obrigue a ordenar superiormente. – Kakashi alertou, acompanhando o olhar severo que Shikamaru direcionava ao seu pupilo.

Itachi ainda encarou os dois com severidade no olhar, mas por fim cedeu, soltando o pulso de Naruto e cruzando os braços em seguida. Maldita hierarquia espiritual...

_ Certo. – ambos retornaram sua movimentação, andando com velocidade pela casa. Shikamaru falou por cima do ombro, procurando Naruto em seu campo de visão – Há algum lugar que vocês dois acreditem que Sasuke possa aguardar vocês? Algum lugar especial para os três?

Naruto parou de andar, assim como Itachi, e os dois cruzaram o olhar com um sentimento de déjà vu extremamente palpável.

_ Sim... – responderam em uníssono, enquanto a memória de tantos anos atrás retornavam.


(***)


Naruto olhava para o horizonte com os olhos distantes e expressões pensativas, Itachi tentava inutilmente decifrá-lo, ato este que resultava em uma sensação familiar de estar completamente perdido.

Desde que os dois garotos mais novos chegaram logo mais cedo, o clima dentro da casa da família Uchiha não estava muito agradável, e por isso Itachi propôs que fossem até tal local esfriar a cabeça. Sasuke pediu um momento a sós, alegando que logo estaria a caminho; Naruto e Itachi partiram e permaneceram, até então, em completo silêncio.

Quando Itachi fez quinze anos de idade, Shisui o trouxera pela primeira vez para esse local. Tratava-se de uma clareira um pouco afastada da cidade onde haviam crescido na infância, com uma vista privilegiada de todos os prédios iluminados, assim como o céu extremamente estrelado por estar um pouco distante da civilização e consequentemente da poluição, permitindo assim uma melhor visualização dos pontos de luz. Itachi se apaixonara completamente por aquele lugar tão especial, o qual se tornou seu refugio particular, onde costumava passar horas e horas com o primo mais velho.

Shisui havia adoecido há dois anos, e infelizmente não vivera muito além depois disso. Itachi costumava considerá-lo como uma das pessoas mais importantes de sua vida, tratando-o como irmão mais velho e usando-o como exemplo de conduta. Sua perda veio seguida de dor, e consequentemente uma maior aproximação com Naruto.

Como Sasuke parecia extremamente insatisfeito com essa aproximação ainda maior, Itachi resolveu trazê-los para o seu refúgio particular e apresentar a eles tal paraíso. E, desde então, o local se transformara no único onde jamais discutiam ou brigavam. Mesmo depois, com toda confusão e triangulo afetivo que se formara entre os três, aquele local ainda era o lugar neutro, onde a paz, geralmente prevalecia perante os problemas.

Geralmente...

_ Naruto, o que está acontecendo com você hoje? – o primogênito Uchiha questionou, arrancando umas folhas da grama e passando a picotá-las enquanto aguardava uma resposta, apreciando sem muita concentração o sol desaparecer em meio ao céu alaranjado e cor-de-rosa. A visão era bela, mas a melancolia que acompanhava o crepúsculo era palpável.

Ele costumava definir Naruto e Sasuke como seus próprios “sóis particulares”, cada qual com a devida e significativa importância em sua vida: afinal de contas, sem o Sol não haveria vida na Terra. No entanto, os dois garotos mais novos possuíam uma analogia extremamente única em sua vida.

Funcionava da mesma maneira como o Sol e a Terra se portavam no contexto universal: para leigos, parecia que Naruto e Sasuke viviam de acordo com Itachi, discutindo por causa de sua companhia, brigando devido ao ciúmes, orbitando ao redor de sua existência. Mas quem sabia a verdadeira relação dos três se dava conta de que era exatamente o contrário: quem verdadeiramente necessitava da companhia dos dois era Itachi, sendo assim era ele quem orbitava ao redor dos dois.

Afinal, por mais que parecesse o contrário, é o Planeta Terra que enaltece o Sol...

Naruto era o nascer do sol, o alvorecer. Era a luz que iluminava suas manhãs, era belo e duradouro em sua vida. Quando o loiro adentrava um local, era como se o as trevas ou qualquer sentimento de impotência fosse mandado para longe. Só que o dia não dura para sempre, pois a noite sempre retorna precedida do crepúsculo.

O pôr-do-sol particular de Itachi era Sasuke: Era tão belo quanto o nascer do sol, precioso e especial na mesma medida, um espetáculo à parte. Itachi, inclusive, preferia apreciar o crepúsculo à aurora; afinal de contas, enquanto Naruto o causava sentimento de devoção, Sasuke o proporcionava orgulho.

Mas quando o sol adormecia, as trevas acordavam. Sasuke também iluminava sua existência e lhe proporcionava sentimentos de completude, mas ao se retirar sempre levava consigo Naruto... E Itachi permanecia só, na penumbra, na solidão. Numa tentativa de afastar a melancolia, “ascendia” todas as “lâmpadas” que podia para tentar iluminar novamente sua existência, dando-lhe um sentido para existir. Suas luzes artificiais eram os seus livros e seus estudos, mas elas jamais chegavam a iluminar e esquentar o seu corpo como apenas um sol natural era capaz de fazer.

O mais estranho era que mesmo o Uzumaki sendo a aurora, no momento estava tão melancólico e belo quanto aquele poente especialmente particular.

_ "O medo cego, que tem como guia a razão que vê, tem pé mais firme que a razão cega que tropeça sem medo." – o mais novo falou, depois de um tempo de silêncio desconfortável.

Itachi parou instantaneamente de brincar com o verde em suas mãos e fazer tolas comparações metafóricas em sua mente, não conseguindo expressar outra reação ao ouvir as palavras que saíam da boca de seu melhor amigo e secreto amor.

_Tróilo e Créssida? Você leu? – Questionou ao Uzumaki com a voz fraca, sem ousar girar sua cabeça para fitá-lo cara a cara.

_ Estou lendo ainda. É uma leitura difícil.

_ Por que fez essa citação?

_ Porque se encaixa com esse momento.

Será? Será que Naruto havia compreendido o que ele pretendia dizer metaforicamente ao emprestá-lo aquele livro de Shakespeare? Será que havia se dado conta de que aquela era sua maneira de declarar seu amor e sua posição de guerra, de conflito, entre os dois personagens principais?

Antes que continuasse a se questionar sobre os significados da citação tão aberta e vaga, Naruto suspirou, redirecionando novamente à atenção de Itachi para si. Deitou de encontro à grama e passou um de seus braços acima da sua cabeça, tampando seus olhos e respirando fundo para começar a falar.

_ O Teme eu estamos namorando, e o bastardo resolveu que era a hora de dar as “boas novas” aos velhos... Achei que Fugaku fosse enfartar.

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COLD!

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FRIO!

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Itachi praticamente ouviu seu coração se despedaçar em milhões de pedacinhos, soltando a respiração que sequer se recordava de ter prendido. Deus só podia estar brincando consigo...

Naruto estava citando justamente o livro que usava como sua maneira particular de expressar os sentimentos para se referir ao problema relacionado com Sasuke? Justo com o seu Otouto? E mais: utilizando-se dessa citação, finalmente revelava que os dois deram um passo mais importante e sério naquela relação?

É irmãozinho tolo, mesmo não estando presente, consegue fazer o meu sol se pôr abruptamente.

_Talvez fosse melhor termos ficado quieto, mantido a relação em segredo. – o loiro recomeçou a falar, acreditando que o silêncio do primogênito se dava pelo fato de não ter compreendido suas palavras – A ignorância ou mera suspeita dos seus pais talvez fosse melhor do que a completa certeza, porque eles só vão enxergar o que querem ver, e não o que realmente ocorre entre nós dois. Vai que nós não chegamos a ter nada além de...

_ Naruto, por favor, cale-se. – Itachi suplicou, puxando suas pernas e apoiando o queixo nos joelhos, observando o desaparecer do sol com melancolia e um nó apertado na garganta.

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But I’m still here...

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Mas eu ainda estou aqui...

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O loiro ergueu-se, sentando e apoiando-se com as palmas da mão na terra úmida pela chuva do dia anterior, e tentou olhar o rosto escondido de Itachi. Esticou um braço, almejando tocar seu ombro e fazê-lo encarar seus olhos, mas antes que realizasse tal gesto, Sasuke chegou ao local de moto, fazendo um barulho absurdo e tomando toda atenção dos dois para si.

O primogênito ergueu sua cabeça e observou Naruto correr de encontro a Sasuke com feições preocupadas. Seu Otouto jogou a moto de qualquer jeito no chão, levantou apenas a tampa do capacete e entregou um segundo capacete para Naruto.

_ Vamos embora. – disse com uma voz rouca e mascarada.

_ O que esta fazendo bastardo? – Naruto exclamou enquanto Sasuke tentava obrigá-lo vestir o equipamento de segurança.

Itachi, todavia, voltou a sua sensação de impotência e miséria, abaixando novamente o rosto e escondendo-o do casal, mesmo que julgasse tal movimentação completamente desnecessária.

Nenhum dos dois parecia prestar atenção na sua presença.

_ Tentei conversar com eles, foi um desastre, vamos voltar para o campus.

_ Teme!! Como você ousou cutucar a ferida tão fresca? Não te disse pra esperar uns dias?

_ Cale a boca Usuratonkachi, você não entende nada!

E assim a briga prosseguiu. Por quantos minutos? Ou seriam horas? O primogênito era incapaz de dizer, tentando controlar furiosamente as lágrimas que começavam a se formar em seus olhos, mas que ele valentemente as impedia de rolar por sua face.

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BLIND!

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CEGO!

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_ Ei... Itachi... Aconteceu alguma coisa? – ouviu a voz de Naruto próxima de si depois de algum tempo, sentindo sua mão quente sobre seus cabelos, tentando transmitir segurança e fazer com que este levantasse o olhar.

_ Naruto, deixe-o. – ouviu a voz ríspida de Sasuke, e os dedos do loiro foram arrancados do contato consigo, deixando para trás uma sensação de frio extremamente desconfortável sobre sua cabeça, antes aquecida por seu sol (mesmo que em um dia tão nublado...) – Itachi precisa ficar sozinho.

_ Por quê? O que esta acontecendo?

_ Faça o que ele diz Naruto. – Itachi suplicou, sua voz soando miserável até para o seus ouvidos.

_ Mas por quê?

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'Cause I'm so blind...

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Porque eu sou tão cego...

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_ Anda Dobe, vai por o capacete.

Sasuke, de alguma maneira, conseguiu convencer o Uzumaki cabeça dura, que se dirigiu para onde o capacete permanecia jogado no chão ao lado da moto.

_ Nii-san. – Sasuke murmurou ajoelhando-se na frente de Itachi e impedindo que Naruto pudesse ver, ou sequer ouvir, o que os dois conversavam. O mais velho suspirou, e ergueu os olhos brilhantes e com cílios molhados pelo líquido salgado. Sasuke havia retirado o capacete, e por isso Itachi percebeu quando ele mordeu o lábio e transpareceu culpa nos olhos negros e expressivos que possuía.

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SAY NEVER!

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DIGA QUE NUNCA!

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_ Eu nunca... Eu... Eu não quis te magoar. – sussurrou o mais baixo que conseguiu, enquanto o Uzumaki ainda brigava com o equipamento, tentando fechá-lo abaixo de seu queixo e não prestando atenção na interação dos dois irmãos.

Olhava para seu irmão com a esperança de que este desse um peteleco em sua testa e falasse “Não seja tolo, Otouto. Não estou magoado”, ou que no mínimo sorrisse um pouco. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu.

_ Eu sei. – Itachi respondeu apenas com o movimentar de lábios, deixando uma lágrima solitária escorrer e apressando-se em limpá-la com os dedos, como se tal gesto apagasse da memória de Sasuke o que acabara de presenciar.

_ Perdão. Eu o amo Nii-san! Eu não consigo...

_ Eu sei. – Itachi repetiu com a voz rouca, colocando um sorriso amarelo em seus lábios – Eu abri mão, a culpa não é sua. Apenas me de algum tempo pra acostumar. Acho melhor vocês realmente voltarem para o campus.

_ Hai... – o outro respondeu, levantando-se, mas ainda mantendo o contato visual – Tem... ahn... Alguma coisa que eu possa fazer, sei lá...?

_ Esse lugar, neste lugar especificadamente, não gostaria que vocês se portassem como um casal. – pediu, mantendo o olhar firme.

_ Aqui? Na clareira? – o mais novo questionou, parecendo um pouco perdido com a requisição estranha e sem aparente sentido.

_ Isso, gostaria que não fossemos separados em “vocês” e “eu”. Que fossemos “nós”... Como um local neutro, um refúgio, como costumava ser. Aqui sempre foi nosso abrigo dos problemas, não quero transformá-lo em meu pesadelo. Em memória a Shisui, não quero manchar seu legado com momentos ruins...

_ C-claro... – o caçula se sentiu acuado com tais palavras, corando de leve e percebendo o quão cruel era ter aparecido para buscar Naruto justamente naquele instante. Ao que tudo indicava, o Dobe idiota havia aberto a boca e contado a novidade antes que ele pudesse preparar o terreno para dar essa informação à Itachi, completamente ignorante em relação aos sentimentos de seu Nii-san por ele.

E, aparentemente, Itachi não reagira nada bem. Os cílios molhados pelas gotículas de água eram a prova, assim como o rosto ainda mais pálido que o normal.

_ Aniki, eu prometo! Aqui é o nosso santuário e continuará sendo, ok? – aguardou por alguns instantes uma resposta que jamais veio, e desistiu de esperar quando Naruto começou a gritar seu nome. Deu as costas para Itachi, controlando o impulso de girar os calcanhares e novamente pedir desculpas.

Só que, bem no fundo, os dois sabiam que maior mentira do que esta jamais havia sido proferida pelos lábios de Sasuke.

Naruto encarava os dois irmãos completamente perdido, não sabendo o que havia deixado Itachi naquele estado depressivo e Sasuke com aquele olhar completamente destruído. Aproximou-se do namorado, tentando envolvê-lo em um abraço. Contudo, Sasuke o segurou, impedindo-o de circundar sua cintura.

_ Agora não. – pediu com olhos expressivos, demonstrando a necessidade de compreensão sem maiores questionamentos. Naruto concordou com a cabeça, e ambos subiram na moto.

O Uzumaki ainda se permitiu olhar para trás uma última vez e observar o primogênito Uchiha, numa tentativa de compreender o que acontecia. No entanto, apenas teve certeza de uma única coisa ao se dar conta de que Itachi não se movera sequer um centímetro:

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We're far from comfortable this time...

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Nós estamos longe do confortável desta vez…

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(***)


_ Sasuke meu amor, nunca se esqueça de uma coisa: quando eu e seu pai morrermos, é Itachi quem viverá por você, e você quem viverá por ele. Vocês são irmãos, e esse é um laço muito forte e para vida toda. Tenho certeza que ele não se esquece de você nem por um minuto, assim como você nunca vai esquecer-se dele, não é mesmo?¹


Sasuke riu ironicamente, deixando o corpo escorregar para trás e encarando o sol forte do meio dia sem se preocupar com os perigos que os raios ofereciam, destruindo sua retina pouco a pouco.

_ É Okaasan, eu nunca vou me esquecer do Itachi. Nem depois da lavagem cerebral isso foi possível. – respondeu para o céu azul, como se sua mãe estivesse próxima o suficiente para ouvir – Mas isso não significa que apenas as coisas boas são lembradas para sempre.

As semanas de treinamento e missões ao lado de Orochimaru resultaram em muitos momentos de reflexão. Sasuke agora tinha consciência de que Naruto não podia escolher, e seu ódio pelo loiro diminuiu consideravelmente, apesar do seu lado possessivo continuar indignado. Ele o perdoara, o que era algo que nunca achou que pudesse fazer, e estava disposto a aceitá-lo novamente.

Quanto à Itachi, o caçula algumas vezes tentou compreender o seu lado, algo que também sempre julgara incapaz de sequer tentar realizar. Afinal de contas, quantas vezes Itachi sofreu quando Sasuke e Naruto estavam juntos? Se seu irmão, de alguma maneira, conseguia suportar isso, talvez não fosse tanta injustiça ele desejar Naruto agora e lutar pelo seu coração. No entanto Itachi matara seus pais, e isso era algo que ele nunca, jamais, em hipótese alguma, iria perdoar.

Orochimaru o ensinara a não agir por impulso, a planejar, a conversar e usar a diplomacia. Ensinara que os melhores ataques eram os revestidos de falsa trégua, que o elemento surpresa era um forte aliado. As missões que realizaram juntos foram sucessos estonteantes, isso devido ao planejamento de ataque impecável que seu tutor possuía. Orochimaru era um homem forte e inteligente, mas nem por isso Sasuke gostava de sua companhia... Bem real que ele, às vezes, o causava um sentimento de nojo e repulsa praticamente extremamente intenso, e por isso este momento de distância veio a calhar.

Ele podia muito bem utilizar-se do artifício do ordenamento superior para condicionar Naruto, apesar de não ter tanta certeza se a força dessa ordem conseguiria suprir o sentimento dele por Itachi. Ok, na verdade ele tinha quase certeza que não: afinal de contas, se fosse assim não estaria acontecendo tanta confusão.

Hoje em dia, Sasuke sabia que quase havia pedido Naruto em casamento pela segunda vez devido ao ordenamento superior de Sakura. A rosada o havia chamado para conversar após sair de uma discussão com Naruto, o qual deixara claro sua confusão de sentimentos com relação à Itachi. Para tentar manter os dois amigos juntos, Sakura o convidou para jantar, conversaram sobre assuntos mundanos, até que ela lançou o ordenamento superior.

Na época ele não entendia o que isso significava, mas agora ele se perguntara como não havia acontecido efeito algum... A ordem falhara. A rosada provavelmente percebeu a falha do uso de seu poder, e continuou a tentar convencê-lo a se casar com Naruto por meio do método convencional: argumentação.

A argumentação funcionou melhor do que o ordenamento superior, mas é claro que o casamento era algo que já estava dentro os planos de Sasuke. Apenas utilizou as palavras de Sakura como incentivo, e fez seu pedido ao Naruto de pileque daquela madrugada. Romantismo zero, mas resultou em um casamento de quase dois anos.

Em meio a essas semanas de pensamento, Sasuke chegou à conclusão que a falha do ordenamento superior de Sakura se dava ao fato de o ordenamento superior não ser absoluto – o que fazia completo sentido, afinal de contas, se tudo funcionasse com a utilização deste artifício, não haveria porque se esforçar tanto para realizar as missões e transparecer um falso acaso as almas de primeiro grau. E, por isso, de nada adiantaria condicionar Naruto.

Pedir para que deixasse de amar Itachi, com toda certeza, era um pedido maior do que um “case-se com Naruto”, pois iria contra sua natureza. Se a tentativa de Sakura havia falhado, provavelmente um condicionamento nesta magnitude seria um desastre da mesma maneira.

Alguns minutos se passaram enquanto Sasuke pensava em seus planos e no que iria fazer quando Itachi e Naruto viessem até a clareira; tinha certeza de eu eles iriam comparecer. O tempo foi ficando cada vez mais nublado, ao ponto de que agora o Sol não mais irritava os seus olhos, e o vento gelado esfriava sua pele previamente aquecida pelo calor da manhã.

Depois do que pareceu mais ou menos uma hora, a movimentação dos “convidados” se fez presente. Sasuke sabia que deveriam estar planejando alguma forma de abordagem, e aguardou em silêncio, fingindo não ter se dado conta de nada. Ao julgar pelo barulho das passadas e o cochichar frenético, no mínimo quatro pessoas estavam presentes.

De nada importava, que viessem vinte, trinta... Para ele não fazia a mínima diferença.

_ Teme. – ouviu a voz de Naruto chamá-lo, e sentou-se na grama em seguida, encarando o loiro tão importante para sua vida com um olhar critico.

Naruto estava mais magro e levemente pálido. Parecia doente, ou talvez estivesse muito tempo confinado em casa, sem acesso à luz solar que gerava aquele bronzeado tão excitante naquele corpo único. Era um caso de deficiência de Vitamina D, com toda certeza. Realmente esperava que o Dobe estivesse escondido sem acesso ao lado exterior de algum confinamento específico, tendo em vista a movimentação intensa que ocorria no Lobby para a busca dele, Itachi e Kakashi Hatake.

_ Aproxime-se.

Naruto fez o ordenado, caminhando com passos firmes até onde Sasuke estava sentado no chão, contornando seu corpo e ficando frente a frente com ele, ajoelhando-se no chão. Sasuke instantaneamente elevou uma de suas mãos, tocando a mandíbula do ex-marido com certa devoção.

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COLD!

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FRIO!

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A pele de Sasuke estava gelada, Naruto estremeceu de leve com o contato frio sobre seu corpo. Sasuke parecia mais forte fisicamente, menos pálido. Talvez houvesse realizado muitas missões físicas, em partes do mundo onde o verão prevalecia e bronzeava um pouco sua pele branquinha. Mas não era a alteração na aparência do Uchiha que causava à Naruto a sensação de estar diante de um completo estranho: os olhos de Sasuke estavam frios, e ele não conseguia compreender sequer um único sentimento que se passava pela sua mente naquele instante.

A lembrança de que o laço fora quebrado, e de que agora ele era tão incapaz de decifrar Sasuke quanto as outras pessoas no planeta, fez seu coração doer intensamente... Seu corpo esfriou consideravelmente, chegando à temperatura desconfortável da mão de Sasuke.

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Now we're so cold…

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Agora nós estamos tão frios…

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O Uchiha, por também não conseguir mais interpretar as emoções sentidas pelo loiro, não se deu conta da grande dor que ele o atingia por não poder mais decifrá-lo. Devido a sua ignorância sorriu, contente por estar novamente próximo de seu amor.

_ Não estamos a sós, não é?

_ Não. – Naruto respondeu com a voz rouca – Mas eles me permitiram um momento a sós com você para que conversássemos. Preciso que você crie juízo na sua cabeça Teme...

Mas o Uchiha caçula não queria ouvir qualquer asneira que Naruto fosse falar. Ele já sabia o que iria fazer, já tinha consciência de como resolver aquele impasse, e seu amor não precisava se preocupar mais com tolices.

O toque de sua mão no rosto do outro se intensificou, e Sasuke o puxou para frente, pretendendo beijá-lo.

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MINE!

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MEU!

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Mas quanto seus lábios estavam a poucos centímetros de se tocarem, Naruto virou o rosto, olhando para o horizonte e tentando controlar sua respiração, que havia acelerado consideravelmente. Sasuke, um pouco irritado, tentou mais uma vez capturar os lábios do Uzumaki com os seus, mas desta vez ele o impediu, segurando seus ombros com firmeza.

_ Não, Sasuke! Não faça isso! – pediu, os olhos brilhando e ameaçando a formação de lágrimas.

_ Por quê? – estava perdido! Por que Naruto não se permitia ser beijado? Ele queria também, e não precisava ser capaz de contemplar suas emoções para dar-se conta disso. A pupila dilatada, respiração ofegante, batimentos cardíacos acelerados e coloração rósea nas maças de seu rosto...

O que diabos o impedia?

O único que sabia do trato de “área neutra” era Itachi, Naruto não poderia usar isso como desculpa. Mas então, o que?

_ Eu estou com Itachi agora... Eu sinto muito Teme, mas eu decidi fazer o melhor para nos três...

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And you’re not mine…

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E você não é meu…

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_ O que quer dizer Usuratonkachi? Eu sei que você está fodendo o Itachi, não sou idiota em acreditar que...

_ Eu não estou “fodendo o Itachi” Sasuke, eu estou com o Itachi. Estou em um relacionamento sério com ele, assim como já estive com você! – Naruto respondeu com a voz firme, não gostando da escolha de palavras de seu ex-marido.

Desta vez, naquele mesmo local, os papéis se inverteram: Quem sentiu o coração despedaçar-se em milhões de pedacinhos foi Sasuke, em face de uma declaração cruel de Naruto. Sentiu a formação de lágrimas em seus olhos, mas não iria ceder dessa maneira! Não ia chorar na frente de todas aquelas pessoas que os observavam a distância, não iria dar esse gosto para Itachi.

Com fúria palpável, resolveu continuar seu plano de qualquer jeito, isso nada mais era do que um empecilho a ser resolvido brevemente. Pegou a gola de Naruto com força, puxando-o para perto de si e capturando seus lábios em um beijo intenso e ríspido. Naruto tentou se soltar, empurrando-o, não correspondendo ao seu beijo, mas cedeu depois de alguns instantes, envolvendo-se na união de lábios de uma maneira que comprovava ser impossível lutar contra aquele sentimento.

_ Sasuke. – ouviu seu nome novamente, mas não advindo da boca de Naruto. Sorriu de canto de boca dentre o beijo ao reconhecer a voz ríspida, aprofundando-o ainda mais, buscando o corpo de Naruto para mais próximo do seu.

No entanto, aquele que falara o nome de Sasuke também havia feito Naruto despertar de seu transe, e agora ele lutava contra a pegada do moreno, tentando se afastar novamente. Ele parecia mais fraco que o normal, pois demorou a conseguir se desprender de seu toque, caindo para trás e se arrastando de costas em direção aos pés daquele que o chamava.

Itachi encarava seu Otouto de pé, os olhos exibindo aquela máscara da frieza que Sasuke decifrava muito bem até hoje. O mais novo manteve o sorriso de canto de boca, e sentia o cheiro de sangue.

Passou a mão sobre os lábios, percebendo pela primeira vez que Naruto havia mordido sua boca numa tentativa de escape, causando um ferimento que não deveria estar muito bonito.

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SAY NEVER!

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DIGA QUE NUNCA!

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_ Dessa vez eu não vou dizer que não queria te magoar, Nii-san. – Sasuke exibia um olhar desafiador, o sorriso cínico ainda presente em seus lábios. Naruto arrastou-se ate bater nas pernas de Itachi, e olhou para cima, se dando conta de que o mais velho não estava nem um pouco pacífico dessa vez.

_ Itachi... – tentou acalmá-lo, mas foi interrompido pelo próprio primogênito Uchiha, que sequer parecia prestar atenção no que ele tentava falar.

_ Eu engoli meu orgulho e meus desejos enquanto Naruto queria esse tipo de gesto advindo de você. Você o forçou!

_ E dai? — colocou-se de pé, encarando Itachi frente a frente, os poucos centímetros de diferença de altura sequer pareciam relevantes naquele instante.

Itachi não se conteve mais, odiando completamente o olhar prepotente de Sasuke. Levantou seu punho, pronto para acertar um soco merecido na face de seu irmão mimado, mas Naruto ficou de pé no mesmo instante, protegendo o corpo de Sasuke como se fosse um escudo, abrindo os braços.

_ Não! – ordenou selvagemente para Itachi, não permitindo que os dois brigassem fisicamente por sua causa. O que eles pensavam que estavam fazendo? Brigando pelo coração de uma donzela? Tenha santa paciência! – Se você encostar no Sasuke, eu sumo da vida dos dois! Eu não estou brincando!

Naruto sentiu o braço de Sasuke se mover ao seu lado, achando que ele iria abraçá-lo por trás. Todavia, o olhar de Itachi arregalou-se, demonstrando que não era exatamente isso que acontecia.

_ Tenho um plano melhor Usuratonkachi, porque o Itachi não some de nossas vidas? Que tal?

O loiro engoliu em seco e criou coragem para olhar pra baixo, visualizando pela primeira vez um revolver Colt Python .357 Magnum, daqueles que se via em filmes de ação da década de 80, preso com precisão dentre os dedos de Sasuke. Estava engatilhado, praticamente colado ao corpo de Naruto, mas apontava para Itachi.

_ Sasuke, não faça isso! – suplicou com a voz fraca, começando a tremer dos pés a cabeça e não sabendo como agir. Sasuke não podia atirar!

_ Desculpe Dobe, mas é minha missão. – respondeu, não parecendo nem um pouco sentido por ter adquirido tal missão. Na verdade seu tom de voz chegava a ser lúdico e divertido.

Naruto girou o corpo, desesperado para se por entre o revolver e Itachi. Ele não podia morrer! Ele não ia morrer!

Ao mesmo tempo, o barulho de tiro ecoou pela clareira, e Sasuke foi atirado contra o chão por Shikamaru, que se jogara acima de sua pessoa numa tentativa de impedir que o tiro acertasse o alvo.

Itachi amparou o corpo de Naruto com as duas mãos, aliviado por não ter sido atingido pela munição fatal. Shikamaru fora rápido, o projétil provavelmente havia desviado sua trajetória e acetado algo no horizonte, mas ele estava intacto.

_ Está tudo bem raposinha. – sussurrou no ouvido de Naruto, ganhando um choramingar baixinho em resposta. Olhou para seu enamorado, se dando conta de que Naruto estava ainda mais pálido do que o normal, com a boca aberta e as feições contorcidas em uma sensação de dor dilacerante.

E, pela primeira vez, Itachi se deu conta da quantidade fenomenal de sangue que banhava os dois corpos.

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We're far from obvious this time…

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Nós estamos longe do óbvio desta vez...

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...Continua...

Notas finais
¹ Citação do capítulo 16.