The Plan

21 Capítulo 21


Notas iniciais
N/A: Existe alguém lá em cima que não quer que eu escreva pra vocês, mas eu sou persistente! o/
Estou escrevendo à luz de velas, acreditem se quiser. A única tomada da minha casa que está funcionando fica no lavabo (consequentemente estou sentada no vaso sanitário) e eu estou utilizando-a para ligar o notebook. Motivo? Caiu um raio no meu prédio (oi?) e destruiu tudo.
Quase morri gente! Caiu um raio onde eu estava!! Vocês quase ficaram sem o final da fanfic hahaha! (quem é de Curitiba sabe o desastre que ocorreu, então sabe que não estou mentindo)
Capítulo não betado, perdoem-me pelos erros.
Um beijão! Espero que gostem!

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE!

Essa atualização é DUPLA! Ou seja, postei o Capítulo 21 e o Epílogo no mesmo dia! Sim amigos, dessa vez não termina no “continua” haha!

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THE PLAN

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_ Pai!? – repetiu, incrédulo, tentando se sentar na cama mas sendo gentilmente impedido com um toque suave em seu corpo.

_ Não faça esforços físicos, você não está na sua melhor forma. – Minato respondeu, acariciando o rosto do filho e mantendo-o deitado no colchão, ainda empurrando-o de leve em seu ombro esquerdo.

Naruto teve a completa certeza de que aquilo era um sonho. Se em seu mais completo delírio pudesse imaginar a volta de seu pai, ele certamente não voltaria com a mesma aparência de tantos anos atrás, como se não tivesse envelhecido um ano sequer. Seu sorriso jovial ainda estava a postos, nenhuma uma ruga de expressão se formara em seu rosto e os cabelos, completamente dourados, não possuíam um único fio branco entre a cabeleira espetada e vasta. O Minato à sua frente nada mais era do que uma lembrança de seu desaparecido pai, uma alucinação de sua mente ao estar próximo da morte... Ou talvez, apenas talvez, seu pai tivesse vindo...

... Buscá-lo.

_ Estou morrendo? – perguntou com a voz fraca, tossindo forte logo em seguida e quase não ouvindo a risada divertida de seu progenitor.

_ Mas que diabos Naruto! Não me vê há décadas e essa é a primeira coisa que tem a dizer? – respondeu com animação, bagunçando mais uma vez os cabelos completamente cheios de nós do Uzumaki (fazia tempo que eles não eram penteados adequadamente).

_ Se eu tiver morrendo a gente pode conversar no caminho, não pode? Quero me livrar logo dessa dor.

Minato parou de gargalhar, olhando a expressão séria de Naruto com o coração partido. Seu filho realmente parecia estar sentindo muita dor: ele estava magro, abatido, seus cabelos não tinham o mesmo brilho de antes, seus olhos pareciam mais claros e levemente embaçados; sua pele, anteriormente bronzeada e com aparência saudável, estava pálida, quase acinzentada; sua voz estava rouca e fraca...

_ Eu sinto por você ter que passar por tudo isso, filho.

_ Então me tira daqui logo. Por favor... – Naruto sussurrou em resposta, mantendo o olhar firme em seu pai, suplicando pela morte. Minato simplesmente suspirou, acariciando mais uma vez o rosto do mais novo – Por que você não me leva logo? Por que está procrastinando a minha dor?

_ Naruto... Você não vai morrer. Não agora.

O Uzumaki permaneceu-se calado por alguns instantes, simplesmente apreciando o carinho e mantendo o olhar penetrante focado nos olhos azuis de seu pai, tão parecidos com seus quando ele ainda era saudável, há uns meses atrás. Estranho, parecia que fazia uma eternidade, e não apenas poucos meses; a leucemia que o abateu realmente era avassaladora.

_ Você é apenas um sonho então. – constatou, por fim, suspirando com tristeza.

Era bom sonhar com seu pai, mas ele realmente preferia morrer e acabar logo com a dor que sentia e causava aos demais a sua volta. Afinal, não era nada fácil cuidar de alguém tão dependente quanto ele, e ele sabia que estava sendo um estorvo na vida de todas essas pessoas.

_ O que você quer que eu seja meu filho? – Minato questionou, ainda mantendo a faceta de pena e irritando Naruto profundamente. Estava sofrendo sim, mas não queria a pena dos outros!

_ Eu queria que você fosse um mágico, um gênio da lâmpada! E que mudasse todo o meu presente para que nada disso tivesse acontecido! Eu queria ser feliz com Itachi, queria que Sasuke reaparecesse seja lá de onde ele está agora, queria ser saudável, queria ter a prefeitura de volta pra que eu pudesse fazer aquilo que é o meu dever! Eu só desejaria não ser um inútil, um problema!

Naruto falava com a voz firme, gargalhando de maneira extremamente falsa a cada frase. Chorava, um choro suave e cheio de lágrimas, e ao fim de seu discurso soltou um soluço sentido. Minato voltou a acariciar seus cabelos, encorajando que continuasse a falar e expor toda aquela dor que o incomodava tanto. Às vezes o simples gesto de desabafar pode melhorar bastante o pesar de alguém.

_ Mas como o senhor não é um mágico nem um gênio, eu gostaria que fosse um ceifador de almas... Pra me tirar daqui.

_ Itachi e Sasuke ficariam tristes se você se fosse...

_ Eu causo mais dor ao Itachi dando o trabalho que estou dando. Sasuke sumiu no mundo, não deve se importar tanto assim. – resmungou o loiro mais novo.

Minato lembrou-se prontamente dos momentos de birra de Naruto criança, sorrindo com o déjà vu momentâneo. Mesmo que fosse o lado infantil de seu filho, a personalidade dele ainda existia, ainda que de maneira extremamente velada, e isso era reconfortante.

_ Os dois estão fazendo de tudo para poder te ajudar e fazem isso com o maior gosto. Só querem ter o privilégio de um dia ver você sorrir, nem que seja um pouco antes da morte. Itachi, mesmo sendo contra você sair do hospital, está feliz em te ter ao lado dele e faria qualquer sacrifício para deixá-lo o mais confortável possível. E Sasuke...

Minato sorriu ao recordar-se de seu ultimo encontro com o caçula Uchiha.


(***)

O corpo de Shikamaru Nara parecia extremamente relaxado, e qualquer leigo poderia acreditar que ele estava dormindo em um sono profundo. A alma de quinto grau aguardou, circulando pela sala até encontrar uma cadeira desocupada, a qual foi colocada do outro lado da mesa central. Sentou-se e aguardou pacientemente o suposto despertar de Shikamaru.

Ele abriu os olhos com suavidade, piscando algumas vezes e movendo os ombros para relaxar. Subitamente, seu olhar foi alterado: mais duro, menos analítico. Não era mais Shikamaru Nara a sua frente, e sim Sasuke Uchiha, que o observava com descrença total estampada em sua face. Como era uma nova alma, o comando de “não se mova” não estava mais ativado, mas nem por isso o loiro se preocupou com a liberdade do outro.

_ Naruto? – Sasuke falou, levando as mãos instintivamente para sua própria garganta ao ouvir sua voz completamente diferente do que estava acostumado.

_ Não Sasuke. Mas fico feliz com você me confundir com Naruto, significa que ele herdou algo de minha aparência mesmo depois de mais velho. – a alma de quinto grau respondeu, sorrindo com suavidade – Você não deve se lembrar de mim, era muito pequeno a última vez que nos vimos...

Os pensamentos de Sasuke foram rápidos, e dentro de poucos segundos compreendeu o que acontecia. Estava sendo acessado por Shikamaru, tal qual fizeram com Naruto utilizando-se de seu corpo há algum tempo atrás. A experiência fora assustadora demais para ser esquecida.

Contudo, o suposto ‘fantasma’ a sua frente era algo ainda mais assustador do que a perspectiva de estar no corpo de sua alma gêmea.

_ Minato? Minato Namikaze? – questionou com a voz trêmula devido a uma mistura de medo e curiosidade.

_ Seus pais me pediram para dizer que sentem orgulho de você, Sasuke. – o loiro respondeu com suavidade, ainda tão novo fisicamente quanto Sasuke se recordava vagamente. Vendo desta perspectiva, Sasuke até parecia mais velho que o próprio Namikaze.

_ Meus pais?

_ Seus pais já encarnaram novamente Sasuke, estão em ano de trabalho no planeta Vento, mas constantemente buscam informações suas e de Itachi. Não sei se sabe, mas almas familiares tendem a se encontrar na maioria de suas vidas, e eles aguardam a ida de vocês dois para lá o quanto antes.

_ N-não fale coisas absurdas!

Minato sorriu mais largamente, mostrando os dentes da mesma maneira que Naruto costumava sorrir quando estava extremamente satisfeito. Não havia como negar o parentesco dos dois. Sasuke suspirou e passou as mãos no rosto, sentindo a suavidade da pele de Shikamaru, percebendo que ela era menos áspera do que a sua.

Que ironia! Estava conhecendo finalmente o corpo de sua alma gêmea, mas de uma maneira extremamente incomoda e nada natural.

_ Não fale sobre eles. Apenas... não. – ele se recusava a ouvir essa ladainha, preferia deixar os mortos onde eles estavam: enterrados. Já era difícil demais lidar com a dor, e a melhor forma de superá-la era tentar esquecê-la... Não é?

_ Ok. Mas não sofra mais pelo passado Sasuke. Eles estão bem, estão felizes... Fazia parte da evolução dos dois passar pelo que passaram.

O mais novo não respondeu, olhando para as mãos de Shikamaru e deslizando os dedos sobre a palma de cada uma delas. Minato achava extremamente interessante a interação que Sasuke estava tendo com o corpo de Shikamaru, mas preferiu não proferir em voz alta a sua curiosidade, se perguntando minimamente se Nara estaria agindo da mesma maneira seja lá onde estivesse.

_ Você não estava em meio a um procedimento hospitalar, estava?

_ Eu estava em casa... – o Uchiha caçula respondeu, estremecendo de leve em imaginar a possibilidade de ter sido retirado de seu corpo em meio a uma “atividade no laboratório”. Shikamaru certamente não saberia o que deveria fazer e provavelmente seria preso...

_ Isso é bom... Como vão as pesquisas?

_ Que diabos Namikaze! Para de enrolar! O que você quer comigo, porra!? – Sasuke questionou, elevando o tom de voz e esquecendo-se momentaneamente que estava diante de uma alma superior.

_ Você não parece assustado por estar no corpo de Shikamaru, e por isso posso concluir que isto já deve ter ocorrido outra vez. – Minato respondeu, ignorando o rompante de Sasuke – Quem foi?

_ Eu lá vou saber! Era um idiota maldito que se autodenominava Deus, que acessou Naruto utilizando o meu corpo.

_ Hummm...

O loiro permaneceu pensativo por alguns instantes, avaliando a informação dada por Sasuke. Por fim, suspirou, juntou as mãos e abriu um novo sorriso.

_ Isso não importa por hora! – o mais velho respondeu, ficando em pé e circundando a mesa, abaixando-se para ficar da mesma altura que Sasuke se encontrava, ainda sentado naquela cadeira – Você não está aqui por acaso. Há um motivo, e o motivo sou eu.

_ Isso é óbvio, já que você fez todo mundo de trouxa, agiu como se estivesse morrido e... – Sasuke parou de falar, observando os olhos azuis de Minato fora de foco, antes de arregalá-los em compreensão – Seu DNA.

_ Bom, isso é pra “doutores” como você. Não entendo direito. Mas sim... Eu estou aqui para te ajudar nas experiências, já que Naruto tem 50% do meu DNA e minha família tem um histórico categórico de câncer, sendo eu a única exceção, é provável que Naruto tenha herdado a doença do meu sangue. Mas como eu nunca desenvolvi, pode ter algo no meu código genético que impeça o desenvolvimento desta doença hereditária e...

_ Apenas... Argh! Cale-se! Você está atrapalhando meu raciocínio falando essas tolices leigas! – Sasuke exclamou, processando a informação que acabara de receber. Não era exatamente da forma como Minato falava, mas isso não significava que a presença de Minato fosse algo inútil. Muito pelo contrário, ele poderia progredir categoricamente na pesquisa se utilizasse tal DNA e...

_ Isso é jeito de falar com seu sogro? Saiba que ex-marido existe, mas sogro é pra sempre.(1)

Sasuke corou minimamente, se sentindo acuado pela frase de Minato. Este, todavia, apenas sorriu, rindo da própria piada com uma grande dose de bom humor.

_ Estava brincando, não se sinta acuado. Do que precisa?

_ Um laboratório, amostras, um leito, os exames de Naruto que estão na pasta do pensionato e...

_ O que, exatamente, você estava fazendo Sasuke Uchiha?

Sasuke desviou o olhar, novamente corado, voltando a apreciar as mãos de Shikamaru.

_ Isso não é importante agora... – respondeu depois de uma pausa extremamente desconfortável, dando a entender para Minato que seja lá o que Sasuke estivesse fazendo para tentar encontrar a cura para Naruto, não deveria ser algo muito digno.

_ Certo. Vou trazer Shikamaru de volta e conseguir o que você precisa aqui na capital. Dê um jeito de memorizar os exames de Naruto, pois eu não confiaria em remetê-los por e-mail, fax ou correio nas condições precárias em que estamos agindo agora e na quantidade absurdas de almas despertas que estão atrás de você. Terei que acessá-lo por meio de Shikamaru, então ele deve ficar em minha companhia pelo tempo que a pesquisa durar.

_ Faça isso todos os dias às dez da manhã. Estarei em casa, para não gerar grandes complicações para Shikamaru.

_ Ok. – O loiro se aproximou do outro presente mais uma vez, levantando as mãos para tocar novamente as têmporas do moreno. Sasuke mordeu o lábio e ameaçou falar, mas no fim optou por permanecer calado – Quer pedir alguma coisa Sasuke?

_ Eu posso...Eu posso deixar um bilhete?

A alma de quinto grau piscou, sorrindo em compreensão logo em seguida. Buscou um papel qualquer de suas vestes, encontrando uma nota fiscal surrada e uma caneta pequena, entregando os dois objetos para o moreno, que rabiscou algo antes de voltar à posição anterior, com os olhos fechados.

Sem trocarem palavras, Minato novamente fez Sasuke relaxar para que pudesse ocorrer a troca de almas da maneira menos traumática possível, e enquanto isso espionou o conteúdo do bilhete, preso firmemente entre os dedos de Shikamaru.

“Desculpe por tudo. Obrigado por existir.”

O loiro soltou um riso satisfeito, voltando a se concentrar em auxiliar na transição. Shikamaru certamente iria gostar do bilhete, e talvez fosse até bom se isso se tornasse um hábito entre os dois. Sasuke definitivamente precisava de um pouco de luz em sua vida.

(***)


_ ... Sasuke também está fazendo o seu melhor.

_ Pai... Se você é apenas um sonho, poderia ao menos parar de me dar lição de moral? Faz anos que sonhei a última vez com você...

O loiro mais velho sorriu, inclinando-se para frente e beijando a testa de Naruto.

_ Eu também, meu filho. Senti muito sua falta.

_ Não fale como se você existisse... – ele respondeu, deixando mais algumas lágrimas escorrerem de suas pálpebras ao fechar os olhos e suspirar de maneira dolorida – Não fale... Apenas fique comigo.

E Minato realizou o seu desejo, acariciando novamente os cabelos de seu garoto (que já não era tão garoto assim) e seu rosto em um gesto paternal de completa devoção, apreciando aquele momento da mesma forma que seu filho apreciava.

Naruto, por sua vez, não se importava em estar em um sonho consciente. Tudo que ele queria era aproveitar aquele toque conhecido pelo maior tempo que conseguia até sucumbir à sua própria fraqueza e dormir novamente. Sentia-se extremamente inútil por, até mesmo em seus próprios sonhos, acabar dormindo e deixando de desfrutar algo tão raro.

E estava tão exausto que sequer passou por sua mente o quão absurdo era dormir em meio a um sonho.

Quando o loiro mais novo passou a ressonar com suavidade, Minato parou de acariciá-lo. Sabia que seu filho acreditava que aquilo não passava de uma alucinação de sua mente e que talvez não recordasse do reencontro ao despertar. Contudo, talvez fosse melhor poupá-lo de maiores emoções naquele momento de sua vida.

Ouviu um suave barulho de porta sendo aberta e virou-se. Sorriu para o homem que o observava com o olhar totalmente amedrontado e descrente.

_ M-minato?

_ Finalmente o encontrei. Nós precisamos conversar, Itachi Uchiha.


(***)

Naruto acordou um pouco grogue, ainda com o rosto de seu pai em sua memória. Foi um sonho bom, ele não tinha como negar... Bocejou, piscando as pálpebras em seguida numa tentativa de focalizar Itachi que estava agindo como um ‘enfermeiro-stalker’ novamente: debruçando-se sobre seu corpo e observando-o acordar.

Mas quando finalmente retomou seus sentidos despertos, se deu conta que não era Itachi que o observava. Era Sasuke.

_ Eu estou sonhando de novo?

Sasuke sorriu de maneira prepotente.

_ Sonha comigo todas as noites Dobe?

_ Mas será possível que você não consegue deixar de ser um bastardo nem quando eu sonho com... e-ei... T-teme!

Sasuke ignorou o protesto de Naruto, abraçando-o com vontade e fazendo-o resmungar de dor. O corpo do Uzumaki estava realmente debilitado, mas as emoções que sentia no momento eram fortes demais para que ele pudesse se controlar.

_ Eu descobri Dobe... Eu descobri a cura. – falou baixinho no ouvido do ex-marido, apertando-o ainda mais em seu abraço desajeitado.

Naruto empurrou Sasuke de cima de si, levantando com dificuldade uma de suas mãos e tocando o rosto do moreno com uma quantidade de força um pouco desnecessária.

_ Não brinca comigo Uchiha. – falou com seriedade.

_ “Brincar” e “Uchiha” são duas coisas que não coexistem na mesma frase! – apesar da aparente rispidez em sua voz, Sasuke sorriu.

Fazia muito tempo que Naruto teve o privilégio de ver o Uchiha caçula sorrir daquela forma que, instintivamente, sorriu da mesma forma, puxando-o novamente para um abraço.

_ Sasuke?

A voz de Itachi fez com que Naruto soltasse o Uchiha mais novo e voltasse sua atenção para a porta, olhando com certa apreensão para Itachi e temendo a reação dos irmãos ao se reencontrarem.

O médico respirou fundo algumas vezes, e voltou a posição ereta. Girou os calcanhares e encarou Itachi, que se aproximava lentamente para participar da reunião. Os três permaneceram calados por um longo período de tempo, até Naruto ceder à pressão momentânea, não conseguindo mais controlar sua ansiedade.

_ Olha... Vocês dois...

_ Não Naruto. Quem tem que falar dessa vez sou eu. – Sasuke o interrompeu, o olhar aparentemente determinado em suas convicções – Primeiramente, eu quero pedir desculpas a você pelo tiro...

_ Ahm... Não se preocupe com isso, foi até algo bom, de certa forma... Se não, nós não teríamos descoberto... – Naruto tentou, sem jeito, demonstrar que não era necessário um pedido de desculpas. Mas Itachi o interrompeu.

_ Não Naruto. Sasuke tem que pedir desculpas sim.

A frase soou como uma provocação aos ouvidos de Naruto, mas quando fitou o primogênito Uchiha com o intuito de censurá-lo, percebeu que ele sorria, encarando com certa doçura o outro presente naquele quarto. Curioso, Naruto voltou a sua atenção novamente para o moreno mais novo, percebendo que ele corava de vergonha.

O que estava acontecendo?

_ É... eu preciso pedir desculpas disso Naruto. Isso vem me corroendo há meses. – respondeu com a voz falha, evitando o olhar do loiro como se não fosse digno de observar seus olhos cor de topázio.

_ Eu sei que é difícil, mas não seja idiota Sasuke! É logico que eu desculpo você!

Mais um período de silêncio se estendeu. Sasuke sentou-se na cama do loiro, buscando sua mão e ainda evitando o olhar dos outros dois presentes naquele local.

_ Quando eu vi o seu sangue escorrer daquela forma, quando vi você não conseguir respirar por causa de mim... Foi como se algo dentro de mim morresse naquele instante. Doía tanto que eu me perguntava qual de nós dois sentia mais dor: eu ou você. O arrependimento foi instantâneo, eu daria tudo para voltar no tempo apenas quinze minutos e não fazer aquilo. – ele corava cada vez mais, evidentemente envergonhado por suas ações passadas – Durante algum tempo eu tentei abafar esse sentimento de arrependimento, colocando a culpa desse desastre em outras pessoa. Eu repetia para mim mesmo ‘Isso é culpa do Itachi, ele que permitiu que o Naruto se enfiasse na frente dele’. E, durante muito tempo, foi nisso que eu prendi minha sanidade mental, em um sentimento de vingança ainda maior do que antes. Eu pretendia achar a maldita cura, porque eu sabia que você estava com câncer, e depois, mais uma vez, tentar acabar com Itachi. (2)

_ Sasuke... Itachi não...

_ Espere, me deixe falar. – o Uchiha pediu, tentando lutar contra algumas lágrimas que se formavam em suas pálpebras. Era um Uchiha! Não podia chorar desse jeito! – Eu passei por algumas situações nesses últimos meses que me fizeram perceber o quão errado eu estava. Itachi não tem culpa se sentir o que sente por você, e nem você de retribuir esses sentimentos. Não foi fácil compreender isso, mas hoje tomo ciência das minhas falhas e me envergonho do que fiz.

_ Errar faz parte da evolução, Otouto. – Itachi falou, aproximando-se de Sasuke com cautela, com medo da reação que ele teria a esse pronome de tratamento que não utilizava há tantos anos.

_ Se não evoluímos pelo amor, evoluímos pela dor...(3) Não é Nii-san?

Quando Itachi ouviu o tratamento carinhoso de Sasuke direcionado para si, toda a dor que passaram juntos pareceu algo completamente ínfimo. Toda rivalidade e sentimentos de angústia foram substituídos pela gratificação de ter de volta, finalmente, o seu irmãozinho. Não se conteve, abaixando-se do lado de Sasuke e forçando-o a olhar em seus olhos com as duas mãos em seu rosto.

_ Mas você não precisa seguir mais o caminho da dor Sasuke. Nenhum de nós precisa...

O Uchiha sorriu de maneira comedida, fechando os olhos e deixando duas lágrimas escorrerem até seu queixo, se odiando por apresentar o momento de fraqueza, justamente na frente de Itachi.

_ Homem fortes também choram. – Naruto disse, levando seu indicador até o rosto de Sasuke e limpando as lágrimas, sorrindo com orgulho pela atitude de seu ex-marido e compreendendo o quão difícil era para ele agir da forma como estava agindo àquele momento – E um amor distante não significa um amor não vivido.(4)

Sasuke parou de chorar, olhando para os demais presentes antes de responder com suavidade.

_ É... Eu acho que finalmente estou começando a entender...

Naruto sorriu de maneira radiante, fazendo Itachi suspirar em deleite. Quem diria que depois de meses vendo Naruto se lamentar e sofrer, seria Sasuke quem causaria essa reação tão única e especial em seu amado? Contudo, ele não se importava, porque ele sabia, e compreendia, o vinculo que os dois tinham para toda eternidade.

_ Antes tarde do que nunca, Teme maldito. – Naruto falou em tom de brincadeira, ganhando um olhar irritado por parte do caçula pelo xingamento.

Itachi riu com vontade, surpreendendo os outros dois presentes, que o acompanharam logo depois, trocando risadas comedidas e um pouco envergonhadas.

E por mais estranho que tudo pudesse parecer naquele instante uma coisa era certa: finalmente os três estavam começando a se entender.

(***)

Sasuke saiu do quarto de Naruto e Itachi, sentindo-se imensamente mais leve depois de tudo que conseguira finalmente dizer aos dois. O sentimento de dever cumprido invadia o seu corpo e não foi difícil constatar que a sensação de paz daquele instante era algo impagável. Jamais acreditou que um dia pudesse se sentir assim, e se alguém falasse para ele há um ano que poderia ter este sentimento, ele simplesmente faria força para não debochar da “pessoa inocente que vive em um mundo de conto de fadas”.

A vida, certamente, muda bastante. E as pessoas mudam ainda mais... ainda mais quando são auxiliadas por outras para crescerem ainda mais.

_ Sasuke? – ouviu a voz que escutava todos os dias nos últimos meses, mas que costumava ser comandada por si.

Girou os calcanhares, finalmente observando Shikamaru da maneira que deveria ser visto: de frente, e não através de um espelho. Ele estava, enfim, de corpo e alma em sua presença. A paz precisou ser deixada de lado momentaneamente pela grande euforia que seu coração sentiu.

Caminhou com uma calma que não condizia a sua sensação de espirito naquele momento, enquanto Shikamaru o observava com um sorriso nos lábios. O Uchiha constatou que a maneira como o outro sorria combinava muito mais com o seu rosto do que quando ele próprio o fazia estando sob sua pele.

Era tudo tão familiar, mas ao mesmo tempo tão novo.

_ Mas você escreve hein Uchiha... – Shikamaru falou em tom de deboche, andando para perto de Sasuke com a mesma calma, enfiando a mão em seus bolsos.

_ Vamos ter que contar tudo pra ver quem escreve mais, Nara. – o Uchiha respondeu em tom de falso desafio, compreendendo prontamente o que o outro queria dizer com aquelas palavras.

Começaram com singelos bilhetes, o primeiro foi escrito por ele na primeira ocasião em que estivera com Minato, aquele garrancho mal feito na nota fiscal do loiro. Shikamaru respondeu, tão breve quanto a pequena nota de Sasuke, e ele teve a oportunidade de lê-lo quando voltou ao corpo de Shikamaru. No mesmo dia, realizou a coleta de todo o material genético de Minato necessário para o procedimento, familiarizou-se com o laboratório cedido à ele ali mesmo no Lobby, e começou a trabalhar, ainda tentando pegar o jeito de como movimentar o corpo de Shikamaru, que era muito diferente do seu.

Naquela noite os dois “trocaram de lugar” mais uma vez, e Sasuke escreveu um bilhete um pouco maior, na escuridão de seu quarto, deixando ao lado da cabeceira comida por cupins. Shikamaru, obviamente, o leu quando foi novamente transferido ao corpo de Sasuke, e a bagunça que deixou em seu quarto indicava que estivera a procura de papel e caneta para respondê-lo.

As respostas foram multiplicando de tamanho, os bilhetes cada vez mais pareciam cartas; e as cartas, com o tempo, pareciam tratados internacionais de tão longos que se tornavam.

O conteúdo das cartas era diverso e em nenhum dia os dois ficaram sem assunto. Falavam de tudo: de suas vidas, de Naruto, do trabalho, das pesquisas de Sasuke, de Minato, de missões engraçadas que um dia realizaram, das missões terríveis, de como a vida de foragido não era muito confortável, de como Sasuke deveria reaver seus atos e traumas e... Bem... O esforço de Shikamaru não foi jogado fora, porque Sasuke passou a dormir cada vez menos, preso aos seus próprios pensamentos e reavendo suas condutas.

Independente disso, essa forma de comunicação foi a alternativa que os dois adquiriram para conhecer um ao outro de verdade, porque por mais que o insight houvesse acontecido, não sabiam muito a respeito um do outro na vida atual, já que na época de faculdade não passavam de meros conhecidos por causa de Naruto. Às vezes comentavam sobre as vidas passadas, mas ambos ficavam envergonhados ao tocar no assunto, pois jamais se tratavam como potenciais amantes, apesar de terem a completa certeza de que o que possuíam era longe de ser uma simples amizade.

Sasuke organizava as cartas toda vez que voltava para seu corpo, separando as escritas por Shikamaru na pilha direita de sua mesinha de cabeceira, enquanto as escritas por ele eram colocadas na pilha esquerda. Logo as cartas começaram a cair, e então ele achou melhor separá-las em gavetas.

Mas... Bem... Ele não tinha gavetas. Por isso, decidiu transferir tudo para sua única porta de armário, que ficou lotada em três meses. Por fim, decidiu simplesmente juntá-las no canto do quarto, sorrindo feito um imbecil e olhando para as pilhas de papel como se fossem montes de barras de ouro.

Não... Em seu coração, valia muito mais do que ouro.

Finalmente chegaram próximo o suficiente para apreciarem os detalhes na íris um do outro, bem como as maçãs do rosto coradas de vergonha e ansiedade. Sasuke pensou, por um breve instante, se era assim que namorados de internet se sentiam quando se encontravam pessoalmente.

O pensamento absurdo saiu de sua mente quase no mesmo momento, pois era impossível que um simples casal de internet sentisse tudo que os dois sentiam. Não era uma ligação de uma vida só, era um amor eterno. As cartas trocadas só serviram para demonstrar o quanto combinavam, mesmo que essa certeza sempre esteve presente desde o momento em que tocaram cada qual na pele um do outro pela primeira vez.

_ Sabe, eu acho que você vai ter que parar de me chamar de Nara. – o moreno de cabelos castanhos falou, retirando um bilhete de dentro de suas vestes e esticando-o para Sasuke, que o tomou em suas mãos, mantendo o olhar fixo nos olhos de Shikamaru e aguardando mais explicações – Quer dizer, acho que o efeito não é o mesmo quando escrito, mas não creio que o resultado vai ser diferente do que seria se fosse dito em voz alta.

Sasuke, curioso, abriu o bilhete, lendo a pequena linha escrita e soltando uma risada logo em seguida, antes de deixar o bilhete cair de encontro ao chão e abraçar Shikamaru com força, interromper o contato físico por poucos segundos antes de beijá-lo pela primeira vez, surpreendendo-se ao se dar conta que a sensação era melhor que um dia imaginara.

Era diferente de beijar Naruto, mas ainda sim tão especial e único quanto. Estar próximo de Shikamaru era diferente do que acontecia com as outras almas gêmeas: Sasuke sempre soube que almas gêmeas, antes do despertar, compartilham emoções à distância. Era fato que ele compartilhava muito mais suas emoções estando próximo de Shikamaru, não necessariamente tocando em sua pele ou olhando em seus olhos. A mera proximidade física já fez seu humor mudar para algo que não condizia muito com sua personalidade. E o beijo, por si só, aumentou ainda mais esse sentimento.

A paz voltou e a euforia foi, aos poucos, se convertendo naquela carícia nova, extremamente particular. Os dois ficaram tão perdidos no ósculo, explorando cada qual o corpo um do outro (e desta vez como a coisa deveria ser feita, e não como era feito nos momentos de troca espiritual) que sequer perceberam Minato atravessar o corredor, aparentemente voltando do quarto onde conversara com Itachi.

O loiro olhou para o chão, sorrindo mais uma vez ao conseguir identificar a frase escrita no bilhete que, ao que tudo indicava, fora respondido fisicamente e não através de papel e caneta.


“Case-se comigo Sasuke Uchiha, isso é uma ordem superior!

P.s.: Prometo que adoto seu sobrenome, só pra não ferir seu orgulho Uchiha problemático.”


Acho que os bilhetinhos realmente se tornaram um hábito. – Foi tudo que Minato pensou antes de, mais uma vez, sumir da vida de todos os presentes naquela casa. Mas dessa vez, ele podia dizer que trouxe mais alegrias do que tristezas com a sua partida.


(***)

_ Está nervoso?

_ Não Neko-chan, estou calmo. Por que alguém teria nervosismo em saber que vai dormir daqui a pouco e pode nunca mais acordar?

Itachi beliscou o braço de Naruto, sem se importar em estar judiando de uma pessoa doente. Seu namorado aparentava estar realmente ‘nas últimas’, mas ele sabia que era uma questão de tempo. Ele sentia que era uma questão de tempo. E o pessimismo do loiro estava dando em seus nervos.

_ Ai! Porra Itachi, isso dói! – o Uzumaki protestou, fazendo bico e recebendo um olhar severo de Itachi em resposta.

_ Tenha um pouquinho mais de fé em Sasuke. Até parece que você não sabe o quanto ele é brilhante!

_ Eu sei que o bastardo é capaz de fazer milagres! Mas não é nele que não confio! – Naruto virou o rosto, procurando evitar o olhar de Itachi – Eu sinto meu corpo exausto, não sei se essa suposta cura chegará a tempo... Talvez Sasuke tenha realmente descoberto a cura do câncer, mas talvez seja tarde demais pra mim.

_ Talvez você devesse aprender a falar menos e calar a boca de vez em quando, Raposa irritante. – Itachi respondeu, apertando o nariz de Naruto com o polegar e indicador.

_ Você é irritante! – O loiro respondeu com a voz fanha, girando o rosto e se soltando da brincadeira de Itachi.

_ E você realmente quer ir pra mesa de cirurgia brigado comigo, né?

Naruto manteve a birra por alguns instantes, mas por fim suspirou com impaciência, buscando a mão de Itachi com a sua. O moreno sorriu, se sentindo vitorioso em seu pequeno desafio, inclinando-se para frente para beijar a testa do loiro.

_ Você não deixa de ser um idiota, mas não quero brigar. – murmurou, sentindo sonolência.

_ Melhor assim. Deixe pra fazer isso quando você acordar da cirurgia, porque assim brigo com você sem me sentir culpado por judiar de um doente.

_ Há, há, muito engraçado. – Naruto ficou quieto, apenas apalpando a mão quente de Itachi e trocando olhares sentimentais com o namorado. Depois de alguns minutos em silêncio, e ao se dar conta de que o calmante que Sasuke o entregara passou a surtir efeito em seu organismo, ele se pronunciou mais uma vez, temendo perder sua única chance – Eu não me esqueci da sua promessa Itachi.

O primogênito Uchiha não precisou pensar muito para recordar-se do que Naruto falava, lembrando prontamente da promessa de escrever um livro para o namorado. Achou adorável o outro recordar daquele momento, e por isso se inclinou mais uma vez, beijando a ponta do nariz de Naruto. Sentia falta dos beijos mais fervorosos, mas tinha consciência da condição física em que o loiro se encontrava, então gestos carinhosos como aquele eram o suficiente para si.

_ Então volte daquela mesa de cirurgia são e salvo.

_ Ok... – o Uzumaki respondeu, fechando os olhos logo em seguida.

_ Eu te amo. – Itachi falou, sem ganhar uma resposta – Naruto?

Mas o loiro não respondeu e Itachi constatou, com certo pesar no coração, que o loiro havia sucumbido ao efeito do ‘tarja preta’, adormecendo sem ouvir sua declaração final.

Sentiu vontade de chorar. E se Naruto realmente morresse? E se eles não tivessem se despedido da maneira correta? E se...

_ Nii-san, pare de sofrer. – Sasuke interrompeu os pensamentos de seu irmão, fazendo-o piscar as lágrimas para que não escorressem. O Uchiha mais novo sorriu, caminhou até Itachi e botou uma das mãos acima de seu ombro, também apreciando o adormecido Naruto enquanto falava – O Usuratonkachi não seria tão idiota ao ponto de nos deixar sem dizer tchau... Naruto é teimoso como uma mula.

Itachi riu um pouco, apreciando as palavras de Sasuke e se sentindo um pouco mais reconfortado. Levou seus dedos até a mão de seu irmão, segurando-a e também transparecendo um conforto para ele. Itachi sabia que, nem de longe, era o único preocupado daquele quarto. O caçula aceitou o gesto sem reclamar, apertando um pouco mais o ombro de Itachi.

_ Naruto vai ser anestesiado daqui a pouco, o calmante serviu apenas para que ele não estivesse consciente no momento da anestesia, porque dói pra caramba. – Sasuke explicou, e Itachi virou o corpo para encarar seu irmão. Era extremamente peculiar ver seu irmão bebê vestido de médico, com todo aquele ar profissional, quando parecia que foi ontem que viu Sasuke caindo pela primeira vez ao tentar tirar as rodinhas da bicicleta – A cirurgia não será muito longa, e os resultados serão progressivos. Se o organismo de Naruto reagir bem, dentro de quatro meses estará saudável novamente.

_ Ele vai sobreviver...

_ Claro que vai.

Os dois confirmaram com a cabeça, apesar de o medo estar evidente no tom de voz de ambos.

_ Eu preciso ir Itachi. Eticamente, não posso fazer uma cirurgia em alguém importante pra mim, pois estarei tomado pela emoção e tudo poderia ser um desastre. Mas vou supervisionar, e preciso checar minha equipe. – Sasuke aguardou alguma declaração de Itachi, mas ele não se pronunciou – Aniki... Eu juro que vou fazer o possível.

_ Eu sei Sasuke. Você realmente é superior a mim e é quem Naruto precisa agora.(5)

_ Não Aniki, cada um de nós é uma peça do tabuleiro de xadrez. Agora é a minha vez de agir... E logo virá a sua. – Itachi levantou o olhar e encarou seu irmão nos olhos, sorrindo em agradecimento. Sasuke imitou seu gesto comedido, esticando a mão para Itachi se levantar.

O primogênito aceitou o gesto, e assim que estava de pé, abraçou o caçula com força, demonstrando todo o seu amor fraternal ao menor.

_ Não quero me arrepender de novo por ter deixado de falar o que precisava ser dito... Então... Eu te amo Otouto. Muito. – murmurou com a voz regada de emoção, surpreendendo o moreno mais novo pela atitude que nada condizia com a personalidade de um Uchiha.

E já que seu herói estava colocando o orgulho Uchiha de lado, talvez não doesse tanto fazer o mesmo. Retribuiu o abraço na mesma intensidade, descansando o rosto no ombro de seu irmão e sorrindo, num misto de amor e ansiedade pela cirurgia que viria a seguir.

_ Mas não mais do que eu Nii-san... Não mais do que eu.


(***)

.

48horas antes

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_ Nós precisamos conversar, Itachi Uchiha.

Era Minato Namikaze, não havia como se confundir com aquela aparência! Céus, era uma réplica do seu namorado! Não tinha como afirmar que os dois não eram pai e filho!

_ Acho melhor conversarmos em outro lugar para não acordarmos Naruto. Ele parece muito cansado. – o loiro sussurrou de maneira gentil, levantando-se da borda da cama e caminhando até o primogênito Uchiha.

Itachi, ainda estupefato com a situação peculiar, concordou com a cabeça e caminhou com as pernas trêmulas para outro canto do corredor, onde ficava o escritório improvisado para a produção de seus livros. Shikamaru estava sentado em uma das cadeiras, lendo um exemplar original de “Orgulho e Preconceito”(6) e folheando como se tivesse um jornal velho em mãos.

E o idiota agia com certa naturalidade, como se não houvesse desaparecido nos últimos meses.

_ Shikamaru, esse livro deve valer mais do que os seus dois rins juntos, tenha cuidado! – a primeira reação de Itachi foi salvar o seu tesouro da mão daquele desajeitado, para depois indagar o sumiço do colega – Onde você se meteu!?

_ Oi pra você também Uchiha! – respondeu, levantando o olhar e bocejando preguiçosamente.

_ Minato desaparece por quase vinte anos e somente agora reapareceu. Vai me dizer que você simplesmente achou a ideia interessante e quis repetir o ato? – Itachi falava com a voz desprovida de emoções e mantendo a compostura séria, mas estava ficando irritado com o pouco caso que os outros presentes do quarto faziam da sua necessidade de respostas.

_ Sabe Itachi, uma das habilidades que se recebe ao evoluir pro terceiro grau é a capacidade de poder identificar o grau hierárquico de cada pessoa ao visualizá-la, é bem problemático mas tem sua parcela de utilidade. Há uma áurea acima da cabeça de todos vocês, sendo esta uma capacidade criada para que possamos ajudar as almas de segundo grau, que tem a áurea de cor azul. Como uma alma de terceiro grau, possuo a cor verde. As de quarto, como Shizune, possuem a coloração prateada. E... bem, almas como o Minato aqui têm uma cor dourada bem gay.(7)

Itachi parou de respirar, assimilando aos poucos a informação passada. Minato... Minato era uma alma de quinto grau?

_ Não é possível... – sussurrou, sendo ignorado pelos outros dois.

_ Auto lá Nara! Só porque você ficou os últimos meses em minha companhia não significa que eu te dei esse tipo de intimidade.

_ Tsk, quem vê pensa que você é durão, Namikaze.

Os dois discutiam de maneira amigável, ou melhor, brincavam, cada qual com sorrisos largos a postos. Estava óbvio para Itachi que estavam escondendo mais coisas do que ele imaginava.

_ Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?

Minato e Shikamaru pararam de sorrir e olharam para Itachi. O primeiro a se movimentar foi o moreno mais novo, que se levantou da cadeira, pronto para se retirar daquele local.

_ Escute o que o ‘vovô do formol’ tem a dizer, nós conversamos mais tarde. – o moreno mais jovem respondeu, caminhando até a porta e tocando na maçaneta para fechá-la atrás de si.

_ Shikamaru. – Minato o chamou, trazendo para si a atenção dos outros presentes – Sasuke está aqui.

_ Sasuke? – Itachi e Shikamaru responderam com o mesmo tom de ansiedade.

Minato não pôde deixar de sorrir.

_ Sim. Mas Sasuke precisa falar com Naruto primeiro, então não o chame ainda. Espere para conversar com ele depois ok?

_ Ok...

As últimas instruções foram passadas, e por isso Shikamaru saiu do quarto sem se despedir, ansioso para que a conversa de Sasuke com seu chefe não demandasse muito tempo.

Assim que a porta foi devidamente fechada, Minato voltou sua atenção para Itachi, que havia deixado de usar a máscara da frieza e o encarava com completa impaciência.

_ Prefere se sentar antes de começar a ouvir?

_ Não. Agora fale.

_ Você certamente herdou o gênio do pai. – Minato murmurou, sorrindo e não se fazendo de rogado em se sentar na cadeira mais próxima. Itachi ficou em silêncio, mas o loiro sabia que não teria uma grande quantidade de paciência Uchiha para usufruir naquele momento – Como pode ver, eu não morri.

_ Não diga!

_ E certamente é irmão de Sasuke... – Minato constatou, rindo da ausência de humor do mais novo – De qualquer forma, eu não sumi de férias para alguma ilha paradisíaca do mundo. Minha missão no planeta Terra era criar Naruto, que é meu filho de sangue, para que ele pudesse realizar a missão dele, a qual você já tem a consciência de qual é. Contudo, eu não sou uma alma qualquer, e nem foi alguém superior a mim que me deu esta missão. Fui eu quem decidiu fazê-la. Pois é aquilo que dizem: Se quer algo bem feito, faça você mesmo.

_ Claro, tão bem feito que eu e meus pais precisamos criar Naruto no fim da infância e início da adolescência, não é? – Itachi desafiou, não se importando com a irritação que Naruto sentiria ao vê-lo tratar seu pai desta maneira. Era muito fácil tomar os méritos da criação do Uzumaki para si quando o trabalho duro acabou ficando para outras pessoas.

Minato mais uma vez preferiu ignorar a hostilidade.

_ Naruto precisava ter um contato mais forte com vocês. Caso eu permanecesse na vida dele, vocês, os irmãos Uchiha, não teriam o mesmo peso que tiveram na vida de Naruto e as coisas não ocorreriam da forma que aconteceram. Foi preciso que eu saísse de circulação, por mais que doesse imensamente deixar o meu filho para trás.

Esperou alguma resposta do moreno, mas este apenas cruzou os braços, erguendo o queixo numa espécie de indicação para que prosseguisse em sua explicação. Pigarreou, e continuou seu discurso naturalmente.

_ De qualquer forma, Kushina, logo após cumprir sua missão de dar a luz à Naruto, encarnou novamente e já me aguardava no planeta Fogo; as encarnações de lá acontecem de uma maneira diferente. Nós, as almas de quinto grau, como pode perceber, não envelhecemos. Nascemos, crescemos em questão de meses e permanecemos na juventude até nossa evolução. Nossa missão é eterna, circulamos pelos demais planetas e aguardamos a chegada de todas as demais almas em nosso planeta, para que possamos retornar ao corpo celeste em conjunto. É por isso que eu pareço alguém jovem fisicamente perante os seus olhos terrenos, mas sou muito mais velho do que você imagina. Na verdade, eu não sou uma alma de quinto grau qualquer. Eu sou um dos Senhores.

_ O... O quê?!

É, aparentemente isso conseguiu fazer Itachi perder a posse totalmente estoica de sempre. Minato sorriu satisfeito.

_ Os Senhores são almas de quinto grau que comandam cada planeta, Kakashi deve ter comentado no despertar que...

_ Não, não é isso! Como você pode ser um Senhor, estar aqui na Terra e ser pai do Naruto?! Não faz o mínimo sentido!

_ Cada senhor age da maneira que achar pertinente. Eu sou o Senhor que comanda o planeta Trovão. Como todos os demais Senhores eu vivo no planeta Fogo, mas tenho a total liberdade de circulação e ação. Eu optei por trabalhar em conjunto com as almas de graus inferiores, observando suas dificuldades, auxiliando em suas missões, constatando cada problema evolutivo. Não sou onipresente, isso é impossível, não sou Deus. Mas faço o possível para que tudo ocorra dentro do parâmetro de normalidade, para que haja uma evolução.

_ Essas informações não eram sigilosas?

_ Você precisa saber, de qualquer forma. – o loiro respondeu, dando de ombros. Itachi não questionou mais a fundo, evidentemente curioso para saber a continuação daquela história – Em conjunto com a alma coordenadora do planeta Terra, resolvi criar a missão de vida de Naruto e passei a viver neste planeta para iniciá-la. Naruto nasceu, e correlacionada à missão de Naruto estava a sua e a de Sasuke. Dei os pontos necessários para que ela ocorresse de maneira correta e me retirei, mantendo a distância e deixando as coisas fluírem normalmente.

_ Meus pais... – o Uchiha primogênito ia questionar, mas Minato antecipou sua pergunta, interrompendo-o para responder.

_ Seus pais encarnam como qualquer alma. Eles não sabiam de nada.

Itachi calou-se, concordando com um aceno de cabeça.

_ Acontece que alguém começou a interferir. A princípio eu não sabia quem era, mas sabia que algo estava errado. Aquela missão coletiva não foi enviada por mim, sendo que eu era o cabeça desse destino feito para o tão conhecido “trio problemático”. E se alguém estava interferindo com a mesma intensidade, mandando missões de grau tão poderoso que sobressaiam as minhas por meio de missões coletivas, não era uma simples alma missionária de quinto grau que as enviavam. Era um Senhor.

_ Shikamaru e Kakashi chegaram à mesma conclusão. Só podia ser um senhor. Almas missionarias possuem poder, mas não um poder tão grande para sobressair a missões de grande porte como aquelas dadas inicialmente. – Itachi respondeu, aparentando mais calma por finalmente compreender algo na conversa.

_ Shikamaru foi um ponto importante para a minha descoberta. Ele requisitou uma reunião com uma alma de quinto grau, e eu mais do que rapidamente me prontifiquei a atendê-lo, visto que ele tinha ligação direta com a jurisdição que envolvia a missão de Naruto. Naquela época, Shikamaru não sabia quem era a alma que o atendeu, eu preferi não revelar minha identidade e optei por concedê-lo uma evolução. Ele já estava apto a progredir de nível, iria evoluir novamente na próxima encarnação, então apenas utilizei a Regra de Ouro pela conveniência. Assim ele poderia continuar a auxiliar que você e Naruto continuassem juntos.

_ Mas o plano não era esse, o plano dizia que...

Novamente, o loiro antecipou a indagação do Uchiha.

_ Deus escreve certo por linhas tortas Itachi. Eu tenho certeza que Ele saberia avaliar a força do amor e optar pela soberania deste sentimento. Tudo na vida é alcançado quando se tem amor. Você e Naruto exalam amor: um para com o outro, os dois para com Sasuke... Conseguiram até unir casais devido à própria união de vocês, como Kakashi e Shizune... Não há como deixar de afirmar que o amor é o mandamento maior!

Itachi havia optado por ficar em silêncio, mas ao fim do discurso não conseguiu controlar mais e tentou questionar mais uma vez.

_ Mas Sasuke precisava encontrar a cura do câncer, para que Naruto pudesse ser o presidente da ONU e...

_ E isso ainda pode acontecer Itachi.

O Uchiha calou-se, sem saber exatamente o que deveria falar naquele instante.

_ Sasuke esteve pesquisando nos últimos meses. Eu e Shikamaru estávamos, de certo modo, auxiliando em sua pesquisa, e os resultados que ele atingiu foram recompensadores. Naruto, muito provavelmente, entrara na sala de cirurgia dentro de pouco tempo. – o outro ameaçou sair da sala, mas Minato o impediu, segurando seu braço – Não se exalte, você vai ter tempo de se despedir.

Itachi relaxou visivelmente.

_ Então... Sasuke...

_ As coisas também não dariam certo se Sasuke não agisse com amor no coração. Como eu disse, de nada importa o conhecimento técnico sem ter a paz de espirito para guiá-lo nas boas escolhas. Se Sasuke não tivesse adquirido essa paz de alguma forma, jamais conseguiria encontrar a cura. A ciência esteve ao seu lado, os laboratórios foram uma grande ferramenta, o acaso operou em seu favor... Mas sabia que Sasuke viveu durante meses de uma maneira degradante, em uma pensionato de quinta categoria, uma pocilga onde jamais um Uchiha pensou em pisar??

_ O QUÊ?!

_ A partir do momento que Sasuke fugiu daquele hospital, toda horda de almas despertas passaram a caçá-lo. Sasuke era ainda mais valioso de ser encontrado do que você e Naruto, porque o destino de vocês dois dependia da ação que ele tomaria naquele instante. Por isso ele não conseguiu meios para ter uma moradia segura e assim esconder-se de eventuais perseguições. Tentou, algumas vezes, invadir laboratórios clandestinos para que pudesse, ao menos, fazer uma pesquisa rápida. Não teve muito sucesso. Era mais seguro se tornar membro da mais baixa sociedade do que arriscar uma documentação falsa... Afinal, ‘pobres’ são tratados como invisíveis pela sociedade, e para muitas almas despertas essa condição ainda se mantém. Acredite: hierarquia não significa nada em evolução espiritual ou sequer em outro exemplo de evolução da humanidade, muita gente que não tem os requisitos mínimos para estar no patamar que se encontra, assim como tem alguns de mero primeiro grau que são imensamente mais poderosos espiritualmente. Consegue pensar em um exemplo?

_ Naruto... – Itachi murmurou. Minato sorriu com orgulho.

_ Exatamente. Eu acessei Sasuke através do corpo de Shikamaru e forneci tudo que foi necessário para as suas pesquisas. Ele trabalhava utilizando-se do corpo de sua alma gêmea, mas voltava, eventualmente, para a sua condição precária de moradia durante a noite. Também era onde, como deve perceber, Shikamaru passava o dia aguardando a volta de Sasuke.

_ Mas... Mas por que queriam impedir Sasuke de conseguir a cura?! Por quê? Se todos no mundo só teriam a ganhar com essa descoberta! Por que o outro Senhor, que enviava essas missões coletivas, não queria a ascensão de Sasuke.

_ Porque a descoberta de Sasuke, com o consequente cumprimento da missão de vida de Sasuke ferramentas para impulsionar ainda mais a missão de Naruto, acarretaria em uma maior evolução espiritual das almas terrenas.

Itachi mantinha novamente as feições neutras, mas Minato conseguiu identificar a dúvida em seu olhar.

_ O planeta Terra é o mais populoso, você já deve ter ouvido falar nisso. Pois então: em um mundo sem guerras, com uma das doenças mais terríveis da humanidade eliminadas... Você consegue ver como seria mais fácil a concretização da evolução da humanidade? Os problemas seriam menores. Além disso, outras almas viriam com missões igualmente nobres, seguindo o exemplo do experimento feito com você, Naruto e Sasuke que acabaria dando certo. Não tenha dúvidas, se essas missões se concretizarem, dentro de cem ou duzentos anos no máximo, o planeta Terra não seria mais habitado por almas de primeiro grau. E se não há almas de primeiro grau...

_ Não há porque haver um Senhor.

_ Exato.

Itachi voltou a ficar irritado, mas desta vez Minato sabia que a raiva não era direcionada a sua pessoa.

_ Quer dizer que aquele que trabalhou ao seu lado para criar nossa missão o apunhalou pelas costas? – sua voz soou indignada até mesmo para o seus ouvidos, mas ele estava muito nervoso para se preocupar com a falta de estoicismo de suas ações.

_ Acho que essa era a intenção dele desde o inicio, mas confesso que não desconfiei. Acreditei que todos os Senhores trabalhavam para um bem comum, visto que foi rebeldia de nós cinco que fez com que todas as almas nos seguissem e, assim, todos encarnamos nos planetas. Fomos nós, os Senhores que vocês tanto idolatram, que comemos o fruto proibido. Acredite, não somos grande coisa... Então o mínimo que podemos fazer por vocês é trabalhar para ajudá-los na evolução. Eu acreditei que todos os Senhores haviam aprendido a lição de que é impossível ser Deus. Eu aprendi, mas aparentemente Madara não.

_ Madara? Pera aí... Você quer dizer o tio Madara? (8)

_ Sim, Madara Uchiha, o irmão de seu pai, tio de vocês e aquele que comunicou à Sasuke a morte de seus pais horas antes da primeira tentativa de casamento com Naruto. Este é o Senhor do planeta Terra. Nunca se perguntou porquê ele “sumia” constantemente da vida de vocês?

Itachi estava sem palavras, completamente sem reação diante da revelação. Contudo, Minato não tinha tempo a perder e, enquanto falava, ficou de pé, colocando uma de suas mãos sobre o ombro de Itachi em um gesto de conforto.

_ Ele tentou sabotar minha missão, realizando aquela “reunião” com Naruto por meio do canal cármico possuído com Sasuke, apenas para implantar o ódio no coração de seu irmão. Como eu já disse, Sasuke precisa estar com amor guiando-o para fazer as escolhas certas, e revestido pelo ódio ele fez ações mais impertinentes como, por exemplo, atirar acidentalmente em Naruto (mesmo que isso tenha acontecido para um bem maior, pois o câncer foi descoberto devido a esse tiro). Orochimaru não passou de um bode expiatório, um escudeiro para auxiliar a missão de Madara, que, se bem o conheço, ofereceu recompensas gordas para isso. Orochimaru é um grande exemplo de que o fato de uma alma ser de quarto grau não significa muita coisa.

O primogênito Uchiha parecia pensativo, e optou por deixar a ira de lado. Minato estava certo, um coração repleto de ódio não toma as melhores decisões. Raciocinou com paciência antes de fazer outra pergunta.

_ Madara pretendia manter o poder, manter a integridade do planeta Terra dificultando a evolução das almas... Mas a troco de quê?

_ Pelo poder, como você mesmo disse. Mas Madara não é de todo mal, ele possui uma ideia absurda de que a humanidade ainda vai evoluir cientificamente o suficiente para colocar todas as pessoas sobre o efeito de uma espécie de “máquina de hipnose”, fazendo assim com que essas pessoas “sonhem” durante as suas vidas com um mundo perfeito. Ele já deu até nome para esse projeto absurdo, intitulando-o de “Tsuki no Me”(9). Madara acredita que isso minimizaria a dor das pessoas em ter que encarnar várias vezes para evoluir, assim todas seriam colocadas na máquina e viveriam felizes até sua morte. Quando encarnassem novamente, iriam mais uma vez para a máquina, gerando assim uma “felicidade eterna”.

_ Isso é... uma mentira!

_ Às vezes mentimos para não magoarmos os outros.

Itachi sabia muito bem o que aquilo queria dizer...

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Itachi pretendia prolongar a mentira, incrementá-la ainda mais, declarar o quanto era apaixonado pela herdeira Hyuuga (quem, bem verdade, não via há mais de dez anos) quando sua mãe, ignorando qualquer outra informação que seu filho pudesse proferir, levantou-se de sua cabeça e jogou-se de encontro ao do moreno, abraçando-o com força e beijando seu rosto sem parar.

_ Okaasan! – Itachi exclamou, sentindo um aperto no peito descomunal diante da reação desmensurada de sua mãe. Realmente esperava vê-los felizes com a mentira, mas não achava que tal informação fosse deixá-la tão eufórica. (10)

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Deixou de lado as lembranças, voltando a prestar atenção na explicação da alma superior, que parecia compreender o que se passava em sua mente naquele instante de devaneio.

_ Madara quer exatamente isso ao “mentir” para a humanidade: diminuir a dor de todos. Não da para dizer que não é uma ideia nobre... Mas, ainda sim, ele fere quem se opõe ao seu plano, ele age com sede de poder, ele quer ser Deus no fim das contas. Ele se autodenominou “Deus” para Sasuke, inclusive.

Foi a primeira vez que Itachi viu Minato perder um pouco a compostura, fazendo uma careta em repugnância pelo que acabara de dizer.

_ Madara deveria encarnar como alma de primeiro grau... Enfim, se todas as demais almas regredissem por achar que “a máquina é um meio mais fácil para atingir a felicidade do que o retorno ao corpo celeste” ele tomaria o poder de todos os outros mundos para si. No fundo, ele quer algo que, a primeira vista, pode ser aceitável. Mas não passa de um plano criado pela sede de poder, e não pelo amor. Por não haver amor na criação desse plano... Bom... Madara não fez uma boa escolha, e Deus não está contente com isso.

_ Então... Então você parou Madara?

Minato pareceu mais animado, aproveitando para segurar o outro ombro de Itachi e continuar com energia.

_ Não! Vocês pararam Madara! Você deu forças para Naruto, esteve ao seu lado mantendo-o vivo, encorajando-o a ter fé em Sasuke. Shikamaru, por sua vez, foi, pouco a pouco, retirando o rancor do coração de Sasuke. Acredite, seu irmão é outra pessoa hoje. Shizune, Kakashi e Sakura fizeram de tudo para auxiliar nos planos de vocês, por confiarem, também, no amor e não nas ordens impostas. Vocês, todos vocês, tiveram o peso essencial para derrotar o que, a primeira vista, parecia invencível!

Itachi piscou atordoado, Minato sorriu com vontade, puxando o homem mais novo, mas aparentemente mais velho do que si, para um abraço.

_ M-minato!

_ Madara vai tentar impedir a glória de Naruto se ele sobreviver à cirurgia, o que eu tenho fé que acontecerá. – ele murmurou ao ouvido de Itachi, deixando-o extremamente desconfortável com esse contato – Ele falhou tentando evitar a promulgação do plano de Sasuke, mas vocês não podem deixar que ele tenha sucesso...

O soltou, finalmente, e desta vez exibia um olhar sério e compenetrado, jamais desviando a troca de olhar com Itachi. Sua voz soava centrada e impactante. Itachi sabia que algo extremamente importante estava prestes a acontecer por causa da autoridade daquele olhar.

_ E é por isso, Itachi Uchiha, que você possui a missão mais importante dos três...


... Continua ...


Notas finais
(1) - Hum... É verdade gente. Lamento informá-los disso auhauhau. Pelo menos é assim no ordenamento jurídico brasileiro, você não pode romper o laço com sogro e sogra (consequentemente você pode ter mais de um sogro ou uma sogra se casar novamente com outra pessoa). É pra sempreeeee! Mais durador do que o próprio casamento hahaha!
Leitores portugueses: não faço ideia se isso se aplica no país de vocês também.
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(2) - Nesse trecho da fanfic eu quis fazer uma analogia ao Sasuke que culpa Konoha pela morte de Itachi. Ou seja, quis mostrar que o Sasuke, inicialmente, passou a culpar terceiros pelo ferimento que causara em Naruto, mas depois percebeu que a culpa era dele. Como eu disse em alguma nota no começo da fanfic, eu ainda tenho esperanças de que o Sasuke vai assumir seu erros na trama original.
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(3) - Para os que não sabem, esse é um dos princípios básicos do Kardecismo.
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(4) - Capítulo 17
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(5) - Não é uma citação propriamente dita, mas é uma referência a cena de flashback do Capítulo 13.
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(6) - Orgulho e Preconceito é uma obra da autora Jane Austen publicada no século XIX. Apesar de antigo, é um livro crítico com uma temática bastante atual e tem várias adaptações, sendo que é comum lermos essa obra em qualquer faculdade de humanas. Mas sabe-se que a versão original é muito rara de ser encontrada, deve ter apenas alguns poucos milhões de exemplares pelo mundo (e se for pensar no número de pessoas do mundo, é pouco).
Atualmente tem um best seller chamado Orgulho, Preconceito e Zumbis que é uma adaptação dessa obra... Só que com zumbis (oi?). É uma bosta (minha opinião, se você leu e gostou, me perdoe pela sinceridade). Morri de rir quando vi pra vender numa livraria e conversei sobre isso com o vendedor, apenas para ficar chocada pelo fato de que ele não sabia da existência da obra original. Por isso, me senti obrigada a citar o livro original em algum ponto dessa fanfic.
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(7) - Capítulo 12.
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(8) - Capítulo 2.
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(9) - Tsuki no Me era o objetivo da Akatsuki, relevado por Tobi há algum tempo no anime (e há uma eternidade no mangá). Não quero entrar no mérito do Madara envolvido com isso, pois seria spoiler demais... Acredito que os que estão em dia com o mangá compreenderam, mas caso não estejam e não se importem com spoilers, procurem no Narutopedia. Minha interpretação pessoal do Tsuki no Me na fanfic: uma grande Matrix.
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(10) - Capítulo 15.
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N/A: UFA! Quanta nota! Ok, essa é uma atualização dupla, então não tenho mais o que dizer nesse capítulo.