The Phantom Rider
3 Capítulo III – Realidade
Notas iniciais
PandinhaKaulitz, obg por estar acompanhando [aa]' KOAKSOKASOAKSOSA ~le vergonha~ q
Os dias foram se passando e o menino foi acordando aos poucos. Em três dias já havia conseguido acordar por completo. Já falava, pouco, mas falava. Mexia algumas partes de seu corpo e até já brincava. As perguntas sobre o pai, que ainda permaneciam constantes, tiveram de ser respondidas. Num dia não programado, mas no dia em que achariam que seria o certo, fizeram questão de começarem com a conversa. Estavam presentes o doutor James, Oliver e a enfermeira. Preocupados com a estabilidade emocional do garoto, os três ficaram em pontos da cama, para que, caso ele pensasse em fugir (ou fazer alguma loucura), pudessem impedir.
- Bill, viemos conversar com você. – Disse Oliver num tom nem um pouco animador.
- Sobre meu pai? – Perguntou Bill levantando-se para sentar-se na cama.
- Sim. – Respondeu.
- Onde está ele? Ele veio me ver? – O menino ficou espreitando por trás de Oliver que estava na sua frente sobre a cama. Seu tom de voz era tão doce e contente, com um ar de alívio, que seus corações ficaram partidos em pensar em ter que desanimá-lo daquela forma.
- Não. – Respondeu o médico.
- Por quê? Ele não veio me ver um diazinho, sequer... Ele está bravo comigo? Eu juro que não fui eu quem colocou fogo na casa... Eu juro. Eu não quero o meu pai bravo comigo. Pede pra ele vir me ver, tio! – Sua voz estava chorosa e, sobre todas aquelas ataduras em seu rosto, dava-se para ver as lágrimas descendo de seus olhos tristes agora. – Pede pra ele vir aqui... Eu converso com ele.
- Não é isso, Bill. – Respondeu Oliver, tentando confortá-lo, mas já sentindo seus olhos encherem de água e, sucessivamente, seu nariz arder, por conta do choro que estava por vir. – Seu pai não está bravo com você, de maneira alguma. Muito pelo contrário.
- Então por que ele não veio me ver? Ele também está machucado?
Os três se entreolharam tensos e respirando pesadamente sobre toda aquela inocência. Por incrível que pareça, os três pensamentos eram o mesmo naquele momento: qual seria o futuro daquele menino, a partir daquela hora?
- Me respondam... Por favor.
- O seu pai, meu anjo... – Iniciou a enfermeira. – Ele foi até você naquele dia... Lembra-se?
- Não me lembro disso muito bem... Mas eu tenho a voz dele me chamando na cabeça, até hoje... Não sei se foi sonho, ou se ele foi mesmo até lá.
- Então, ele foi. Ele foi quem te tirou de lá e te trouxe até a gente! – Respondeu a enfermeira, tentando animá-lo, em um tom confortador.
- Foi? – Disse o menino agora, escancarando o sorriso. Seus olhos brilhavam e isso se via, por trás de todos aqueles panos tapando seu rostinho frágil. Agora, dirigindo-se ao tio e ao médico, exclamou emocionado: — Você viu, tio? Meu pai me salvou! Ele é meu herói, sempre foi!
Não puderam conter um sorriso e algumas lágrimas.
- Mas aonde ele foi?
- Então, meu anjinho... – Repetiu a enfermeira, agora levando a mão até a cabeça dele, envolvida por ataduras, e continuou. – Depois de ter te salvado, ele virou um anjo. Ele agora está mais perto de você do que imagina.
Como se tivesse caído à ficha naquele instante, o menino paralisou, fixando seu olhar na enfermeira. O silêncio pairou e a reflexão também. Os três adultos engoliram a saliva que descia abaixo pela garganta seca, tentando molhar os nós que apareciam aos montes nela, e seus corações batiam lentamente. Foi então que a voz rouca e mimosa se transformou num sussurro frio e que, como numa afirmativa, saiu a resposta, quase que sem quebrar o silêncio:
- Meu pai... Morreu?
Todos ficaram calados.
- Um dia depois do meu aniversário? – Completou.
Novamente o silêncio pairou no ar. Ninguém sabia como concordar e nem como dizer. Eles estavam convictos quando chegaram lá de que era o certo a fazer, mas a realidade era muito mais dura de enfrentar.
- Sim, Bill. Mas foi para que você sobrevivesse. – Respondeu o médico. – O seu maior presente foi a sua vida. E essa vida foi seu pai quem te deu.
Bill ficou paralisado. Em verdade, nem chorar conseguiu. Olhou para baixo e viu sua mão esquerda enfaixada, tentando movê-la. Seus pensamentos estavam longe e a única coisa que conseguia pensar era em seu pai. Lembranças e mais lembranças e seu coração passou a apertar-se com tanta força que as lágrimas desciam sem sequer esforçar-se. Seu único pensamento era nele, seu pai tão querido... Seu herói havia feito seu último trabalho e ele, sequer, pôde ver. Será que vai ser assim pra sempre? Nunca mais poderá vê-lo? E tudo o que ele tinha dado a ele? Será que realmente teria de esquecer? Doía, doía e doía...
Depois de algumas semanas, o menino já recebeu a sua alta. Sua vida agora seria completamente diferente. Teria de viver com seu tio, em uma casa em Nova Jersey. Ele fazia de tudo para agradar o garoto e o menino retribuía... Mas a expressão triste de seu rosto não saía nem tão cedo. O tratamento para as queimaduras do menino eram diários e a hora mais dolorida era a do banho. Imagine como esse menino sofreu! Ele jamais mostrava seu rosto, nem mesmo para seu próprio tio que era com quem vivia todos os dias. Não mostrava o rosto, nem seus hematomas. Aprendeu no próprio hospital como se fazia os curativos para que ninguém precisasse ver. Chorava sozinho pela dor dos machucados e a dor também da saudade deu seu pai. Misturava-se tudo na hora de passar aquelas pomadas, aqueles curativos. Colocava um pano na boca para não gritar, não via a hora de se livrar de todas aquelas dores. Durante quanto tempo teria de ser assim? Até quando teria de viver aquele pesadelo horroroso que não passava? E por que não conseguia mais sonhar como antes? Aonde foram parar os sonhos de ser um grande motociclista, disputar campeonatos por todo mundo, segurar uma taça pelo seu país? Não se sabe... Porque, de todos esses sonhos, sempre quem estava à sua frente, presenciando e comemorando suas vitórias, não podia mais aplaudi-lo de pé como sonhava, não podia mais segurar a taça com ele e dividir toda aquela alegria de um sonho que ele mesmo ajudou a construir... Estava tudo acabado agora. Inclusive sua própria infância.
“Se você estiver me ouvindo, peço que retire a dor que sinto... Não a do corpo, mas a da alma. Se você estivesse aqui, tenho certeza de que todas essas dores, que todos esses machucados seriam nada, porque você me ajudaria a superar. Por que me deixou sobreviver pra ir você? Por que não me deixou ali? Tenho certeza de que está sendo mais difícil viver sem você do que seria você sem mim. Você poderia ter outros filhos e logo me esquecer... Mas eu não posso ter outro pai. Seja onde estiver, peço que me ajude, peço que me faça ter fé. Não consigo acreditar, eu queria voltar a sorrir de novo! Tio Oliver é muito legal comigo, faz de tudo pra me ver bem, feliz. Eu gosto dele, mas preferia você aqui, pai. Meu herói... Por que permitiu me deixar assim? Onde você quer que eu vá? Pra onde? Não sei se consigo sozinho...”
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