The Perks Of Living Together

4 We always get to see a movie on Friday night.


Notas iniciais
Alo, alo, muito boa madrugada para as minhas queridas leitoras e meus queridos leitores caso eles existam. Eu estou aqui (de novo) postando mais uma one-shot (de novo) e espero não estar enchendo a paciência de vocês. Apenas estou criativa para essas one-shots, então tenho que aproveitar os momentos de insight. Mas enfim, uma boa leitura~!

Sexta-feira. Este sim era um dia sagrado. Não só porque ele é a porta para o fim de semana, o que era algo maravilhoso, mas também porque naquela casa, este dia tinha um significado em especial, que era “dia de filme”.

Desde a primeira semana dos três morando juntos, eles alugavam ou baixavam algum filme para ver na televisão da sala nas sextas-feiras, e olha que durante muito tempo eles não tiveram nem sofá na por ali. Mas agora era meio que uma tradição inquebrável no lar de Aomine, Kuroko e Kagami. A cada semana, um rapaz escolhia um filme para ser assistido, até para não ficar injusto, já que os três nunca chegavam a um acordo.

Naquele sexta-feira em especial era a vez de Tetsuya e ele não podia ter escolhido filme pior.

– “O chamado”?! – Kagami quase gritou, sentindo um calafrio passar por suas costas – T-Tem certeza, Kuroko? P-Podemos ver outro, eu baixo qualquer um agora mesmo! Que tal uma comédia?

– Kagami-kun, eu não aguento mais aquelas comédias americanas que você sempre coloca para a gente assistir. – O menor fez um bico enorme, lembrando-se que quase não aguentou assistir “American Pie” – Preciso de algo mais emocionante.

– Existem vários filmes de ação muito emocionantes! Eu te dou até um catálogo para escolher!

– O que é, Kagami? – Aomine, que até agora estava quieto em seu canto apenas observando a situação, finalmente resolveu se pronunciar usando um tom bastante provocativo – Não me diga que o tigre virou um gatinho e agora está morrendo de medo de um filme?

– Q-Quem está com medo?! – Gritou em resposta o ruivo, completamente corado – E-Eu só acho que esse filme é muito velho, então podemos assistir outros mais interessantes...!

– Mas Kagami-kun! Hoje é a minha vez de escolher o filme! – Kuroko se aproximou do tigre e usou seu olhar contra o maior, como uma carta escondida na manga.

O olhar. Não era qualquer olhar, era o olhar. Parecia que os orbes grandes e azuis de Tetsuya triplicavam de tamanho e eles brilhavam com uma intensidade quase hipnotizante. Ninguém, simplesmente ninguém, dizia não àquele olhar. Então obviamente Kagami se deu por vencido.

– C-Certo... Mas se não conseguir dormir, não fique me acordando durante a noite!

.

Kagami naquele momento tinha certeza que ficaria sem dormir direito por, no mínimo, uma semana por causa da maldita imagem de Samara Morgan saindo do poço em sua cabeça. Por que raios ele estava assistindo aquilo mesmo?

Desde pequeno, ele nunca gostara de nada que desse susto desde que assistira sem querer “Chucky, o boneco assassino” com Tatsuya, já ambos acharam a capa engraçada e o nome interessante, então alugaram para assistir*. Ele não achava emocionante, apenas aterrorizante, e ainda hoje tinha pesadelos com o boneco.

A cada cena que o suspense começava, seu estômago embrulhava. Ele sentia vontade de enterrar sua cabeça em uma almofada e esperar que a cena de susto passasse, como se fosse uma criança pequena. Naqueles momentos, Kagami olhava para os dois rapazes sentados ao seu lado, estranhamente seus namorados, para verificar a reação de cada um deles.

Ambos pareciam completamente indiferentes a cena de terror na frente deles. Não esboçavam nenhuma emoção! Isso até era esperado de Kuroko, mas Aomine também? “Argh, agora eu estou frustrado!” o ruivo pensou quando viu o moreno soltar um bocejo na cena que Rachel recebe a ligação da maldição “sete dias” após ver a fita.

A partir daquele momento, Kagami vestiu uma máscara de indiferença e continuou assistindo ao filme. Por dentro ele estava tentando pensar em qualquer coisa se distrair, como por exemplo “qual eram os nomes de todos os jogadores da NBA no ano de 2008 por ordem alfabética”.

Ele até estava aguentando bem até a cena que a televisão se liga sozinha, mostrando Samara saindo do poço, logo em seguida matando Noah. Aquilo quase fez com que a máscara de indiferença de Kagami caísse e ele começasse a chorar que nem uma criança pequena, mas então...

– Eu vou no banheiro. Não precisam pausar. – Aomine disse, levantando-se e saindo da sala normalmente.

Ouvir a voz do moreno tirou Kagami de seu pânico absoluto, mas ele ainda estava assustado. Então pensou que aquela seria a deixa perfeita para sair da sala e tomar um pouco de ar.

– Também preciso ir ao banheiro, Kuroko. Pode continuar sem mim, eu já volto.

Livre. Estava finalmente livre. Ou pelo menos temporariamente. Correu para o quarto e pulou em sua cama, tentando se acalmar (obviamente com as luzes acesas). 'É só um filme... É só um filme...!' Repetia para si mesmo.

Foi naquele momento que ele ouviu um choro baixo vindo do banheiro que ficava ao lado do quarto. 'Mas... O Ahomine não disse que estaria ali...?' Com certo receio, o rapaz se dirigiu até a porta e ficou tentando escutar mais alguma coisa. Definitivamente tinha alguém chorando.

Empurrou a porta, que não estava trancada, e se deparou com um Aomine sentado no chão, abraçado às pernas, chorando e tremendo como uma criança pequena. Aquela era definitivamente a cena mais bizarra que o tigre já tinha visto em toda a sua vida, simplesmente porque aquilo não parecia em nada com o Aomine Daiki que ele estava acostumado a ver.

Ele com certeza pensou em rebater a frase que o moreno dissera mais cena falando agora “Olhe, só... Parece que a pantera na verdade era um gatinho amedrontado esse tempo todo!”, mas a frase ficou entalada na garganta. E a razão era simples: empatia. Ele sabia exatamente o que o moreno estava sentindo naquele momento, e rir da cara dele naquele momento de fraqueza era também rir da sua própria desgraça. Então ele simplesmente pousou uma mão na cabeça do maior, fazendo com que ele levasse um susto.

– O-O que você quer, Bakagami?! Veio rir da minha cara? Vá em frente! – O moreno disse escondendo o rosto entre as pernas, sentindo-se completamente impotente diante daquela situação.

– Cara, está tudo bem. Eu também estou assustado, então sei como você está se sentindo. – Disse afagando os cabelos escuros do outros – Eu detesto filmes de terror.

– Mas você parecia tão indiferente ali! Eu achei que era o único! – Aomine respondeu irritadiço, ainda sem mostrar o rosto para o ruivo.

– Eu só estava tentando parecer corajoso. – Admitiu o ruivo com um meio sorriso, coçando as bochechas que agora adquiriam uma tonalidade avermelhada – Então, o que você acha de nós dois voltarmos ali para a sala, como homens maduros, terminarmos aquele filme e combinar com o Kuroko para não vermos terror nas sextas?

O moreno finalmente levantou o rosto para o outro rapaz, fazendo um bico pouco característico.

– Só se você prometer esquecer o que viu. – Retrucou na hora.

Após concordar com a “condição” que Aomine dera, os dois voltaram com cara e coragem para a sala de estar, onde o filme ainda estava rolando, agora numa cena menos assustadora. O único problema era que o sofá estava vazio e não havia nenhum sinal nem de Kuroko ou de Nigou.

– T-Tetsu? – Aomine chamou pelo namorado, mas não obteve resposta.

E naquele momento, tudo ficou escuro. Todas as luzes do apartamento se apagaram e a televisão instantaneamente desligou. Os rapazes grudaram um no outro, começando a temer por suas vidas. Definitivamente, aquilo não era algo bom para se acontecer depois de se assistir um filme de terror.

– Ca-Cade o K-Ku-Kuroko?! P-Por que está tudo t-tão escuro?! – Kagami gemeu em frustração, abraçando forte Aomine.

– E-Eu sei lá! O mais importe é encontrar o interruptor!

Dizendo isso, os dois saíram tateando as paredes, procurando algum sinal do maldito interruptor, sem largar um do outro. Começaram a ficar até um pouco paranóicos, ouvindo barulhos estranhos como um pisoteado no piso de madeira quebrado, vozes ao longe... “Taiga...” a voz dizia.

– V-Você ouviu isso?! – O ruivo sussurrou desesperadamente.

– B-Bakagami, você está me deixando cada vez mais assustado! – O maior retrucou em outro sussurro, mas logo engoliu seco quando ouviu uma voz chamando por seu nome. “Daiki...” era o que dizia suavemente. Sentiu um calafrio passar por sua espinha.

Assim que finalmente acharam o interruptor, os rapazes sentiram mãos frias tocarem em seus ombros. Quando se viraram para ver o que era, havia um rosto iluminado flutuando no escuro, com olhos gigantes que os encaravam como predadores encaram suas presas. De repente, o rosto falou.

– Sete dias...

.

– Não, não. Eu juro que ninguém estava morrendo aqui dentro, senhora síndica. – Kuroko falava com seu usual tom inexpressivo ao telefone – Aomine-kun e Kagami-kun só levaram um susto com o filme de terror. Sinto muito, isso não vai voltar a acontecer.

Encerrando a ligação, o azulado suspirou pesadamente sentindo-se um pouco culpado. Não devia ter assustado seus namorados daquele jeito, mas ainda foi muito divertido ver os dois gritando com vozes extremamente agudas e histéricas enquanto tudo que o menor fez foi desligar as luzes e apontar uma lanterna para seu rosto.

Infelizmente, depois daquele episódio, Tetsuya teve que prometer que nunca mais iria alugar filmes de terror para as sextas-feiras. Não só pelo fato de que seus namorados não iriam conseguiam dormir direito por mais de um mês, mas também pelo fato que eles causaram tanto barulho que a vizinhança ameaçou chamar a polícia.

Pelo menos Kuroko Tetsuya teria a doce lembrança de ver seus namorados ajudando um ao outro e finalmente começando a se dar bem verdadeiramente. E também a doce lembrança de vê-los gritando como criancinhas. Aquela era com certeza a melhor parte.

Notas finais
*O título americano é "Child's Play" que significa "brincadeira de criança". Está aí o motivo dos rapazes terem gostado do título. Quando o negócio é susto, temos que admitir que o Taiga e o Daiki são mestres... HUE Espero que tenham gostado do momento bromance "AoKaga". Por sério, eu não vi realmente romance, mas um entendimento tipo, "bro, eu te entendo" ou algo assim. Se quer me mandar críticas (construtivas ou não), comentários, dúvidas, ideias novas, erros de português que eu cometi, mensagens inspiradoras, recadinhos amorosos, dicas de beleza (das quais estou necessitada), me mandar pro inferno, falar que está com vontade de morrer, de chorar, de cantar uma bela canção, ou simplesmente falar que gostou ou detestou a história, a minha caixinha de comentários estará sempre a disposição de vocês, leitoras e leitores. Espero os remanescentes para a próxima one-shot! RAWR~! Com carinho, -MC