The Perks Of Living Together
11 There's always something new to see.
Notas iniciais
Se havia algo para ser dito quando Kuroko Tetsuya abriu a porta de casa, esse algo fora silenciado por sua incredulidade. Não, ele não estava surpreso, ele estava incrédulo. Agora vocês devem estar se perguntando o porquê, certo?
Na verdade, é muito simples: O azulado passou uma semana fora de casa em um congresso sobre psicopedagogia com seu orientador de mestrado, e quando ele volta, o apartamento está exatamente do mesmo jeito que ele havia deixado.
Ele simplesmente não esperava por isso.
O que Tetsuya achou que veria assim abrisse a porta de sua casa seriam móveis queimados, roupas sujas espalhadas por todo lado, lama e talvez sangue nas paredes, pratos quebrados, comida estragada e corpos não identificados no chão. Ele até imaginou que veria um Nigou semi-morto pendurado no ventilador. Mas, para sua quase-decepção, tudo estava no lugar e seu cachorro dormia confortável e profundamente no sofá da sala.
Kuroko não podia deixar de pensar, com altos níveis de incredulidade e irritabilidade, “O que raios aconteceu por aqui?!”. Afinal, ele deixara Aomine e Kagami sozinhos por ali! Ele simplesmente não acreditava que aqueles dois conseguiram se virar tão bem sem ele.
Com aquele pensamento o consumindo, o azulado ficou parado por um tempo na entrada do apartamento, boquiaberto; e ele apenas moveu-se para entrar quando percebeu que o enorme Alaskan Malamute mordia seus sapatos, como se ainda fosse um filhote, tentando chamar sua atenção. Assim que adentrou o local, Tetsuya tentou procurar algum detalhe ou qualquer coisa que denunciasse anormalidade para confirmar sua teoria que seus namorados não podiam ficar sem ele.
E ele procurou por praticamente uma hora. Revirou gavetas, escancarou armários, checou mais de uma vez o banheiro, revistou a geladeira, olhou uma, duas, três, cinco, dez vezes de baixo da cama, do sofá, da escrivaninha, da mesa... Nada estava fora do lugar e tudo estava limpo. Nem um pouco de poeira acumulada para se queixar. Até as roupas foram lavadas com o sabão correto, e ele tinha certeza que Aomine já dissera que não sabia qual era a diferença entre o de roupa colorida e o de roupa branca! Todas as louças estavam limpas e guardadas, e Kuroko sabia o quanto Kagami odiava aquela parte da rotina.
“Não é possível que eles fizeram tudo isso sozinhos.” foi a conclusão que o menor chegou quando largou todo o seu peso no sofá, afundando a cabeça em uma almofada logo em seguida. Nigou, que o seguiu por todo o apartamento desde que chegou, o encarava com confusão.
— Nigou... Como eu queria saber o que você viu nos últimos dias... – Comentou enquanto acariciava suavemente o pêlo do cachorro.
Desistindo de tentar entender o que aconteceu, Kuroko levantou-se do sofá, pegou sua mala que ainda estava no Genkan junto com seus sapatos, e caminhou até seu quarto, sentindo-se a pessoa mais inútil do mundo. “Talvez eles não precisem tanto assim de mim...” foi o que o rapaz concluiu quando se jogou na cama enorme. Ele realmente esperava que tudo estive um caos porque seria a representação da vida dos namorados sem ele. Ou algo nessa linha.
— Eu até cheguei mais cedo arrumar tudo antes que eles chegassem do trabalho e fazer uma surpresa... – Murmurou para si mesmo, sentindo-se um idiota.
A verdade é que ele havia mentido para Taiga e Daiki, já que dissera que chegaria às 21h e agora eram exatamente 18:37h. Os rapazes chegariam a qualquer momento do trabalho e Kuroko não fizera nada. A sensação de inutilidade começava a corroe-lo.
Foi aí que ouviu um barulho de porta se abrindo, seguida pelas vozes de Kagami e Aomine. Os rapazes já estavam em casa. Se ele queria preparar alguma surpresa para os dois, aquilo não mais poderia ser realizado.
E por alguma razão além de sua compreensão, ele resolver se esconder no armário. Ele realmente não entendeu o porquê de ter feito isso, mas o que se passava naquele momento era que ele estava encolhido no armário, até evitando respirar muito alto com o intuito de fazer o mínimo barulho possível. Não que ele precisasse muito, afinal ele sabia esconder sua presença quando desejava.
— Argh, eu estou exausto. – Kuroko escutou a voz de Aomine do lado de fora seguido por um barulho de porta sendo escancarada. Também ouviu o ranger da cama assim que o moreno se jogou nela.
— Oe... Eu não arrumei essa cama para você bagunçar no momento que chega! – Taiga esbravejou.
— Ah, não se preocupe... Eu arrumo antes do Tetsu chegar. Prometo que tudo vai continuar impecável. – Falou com desdém – Agora me deixe descansar.
— Ei, me dê um pouco de espaço. Essa cama também é minha, bastardo.
“Esses dois sobreviveram mesmo uma semana sem mim? Eles só sabem brigar...” foi o que o azulado pensou, nada surpreso com aquele tipo de situação tão rotineira. Como ele não sabia como sair do armário naquele momento sem matar os namorados do coração, ele preferiu espiar os dois pela fresta da porta e esperar que os dois saíssem do quarto alguma hora.
Por incrível que pareça, Aomine e Kagami estavam deitados na cama, lado a lado, pacificamente. Kuroko tinha certeza que nunca tinha visto algo assim acontecer. Eles ficaram ali por um tempo, ambos quietos, olhando para o teto. Demorou um pouco para que suas luzes iniciassem uma conversa, e por mais incrível que possa parecer, esta foi iniciado pelo moreno.
— Ei... Que horas o Tetsu volta? – Ele soou um pouco desanimado.
— Daqui há umas três horas, se contarmos com o fato de que o aeroporto é bem longe. – O tom de Kagami era tão melancólico que o menor, escondido no armário, sentiu vontade de sair de seu esconderijo e correr para abraçá-lo.
— Argh... Eu quero que ele chegue logo. – Disse o moreno cruzando os braços e inflando as bochechas, parecendo uma criança mimada.
Assim que Daiki proferiu essas palavras, Tetsuya observou um fenômeno da natureza tão raro que ele teve que lutar para não fazer qualquer barulho de surpresa: Kagami começou a fazer carinho na cabeça do maior. O azulado nunca vira nenhum ato de afeto vindo de Taiga para o moreno. Aquilo era quase impensável! O pior é que ainda veio seguido com uma frase de tocar o coração.
— Eu sei... Eu também sinto a falta dele... Essa semana sem o Kuroko não foi nada fácil, huh?
— Nem me fale... Pelo menos você já tinha morado sozinho, então não foi um completo desastre. – Ele deu os ombros – Mas sem o Tetsu não é a mesma coisa.
— É... Você até chorou por que sentia falta dele. – Kagami tentou segurar o riso, enquanto ainda fazia carinho nos cabelos escuros de Aomine.
— Oe! A-Aquilo não era choro e você sabe! Eu só estava com a respiração ruim por causa de um resfriado!
— Sei, sei... – Agora Kagami ria abertamente do maior, sem pudor algum. Aquilo fez com que a face de Aomine adquirisse tons cada vez mais fortes de vermelho – Pelo menos você não usou a desculpa que tinha cortado cebola.
Aomine bufou, mostrando toda sua indignação e virou-se para o outro lado, não conseguindo rebater o comentário do ruivo. Quando ambos começavam a mergulhar em silêncio, o moreno finalmente resolver falar.
— ...Só não conte isso para o Tetsu, bastardo. – Murmurou envergonhado. A resposta de Kagami foi uma risada leve e um suave carinho na cabeça do rapaz, em sinal de compreensão.
Enquanto isso, no armário, Kuroko Tetsuya estava em choque. Ele nunca pensou que veria uma cena como aquela nem eu seus mais obscuros sonhos. Ele até se beliscou várias vezes para constatar se aquilo realmente estava acontecendo.
Depois de ver o que viu, não conseguiu mais conter o sorriso que abria em sua face. Teve de se segurar para não abrir o armário e pular em cima de seus amantes. Infelizmente, Tetsuya não se segurou o suficiente e fez um movimento brusco para frente, escancarando a porta do armário e caindo de cara no chão. Aquele cena foi seguida por gritos altos e agudos vindos da cama, similares ao dia que Kuroko assustou seus namorados com um filme de terror.
— T-Te-T-Tetsu?! – Aomine gritou ao identificar o corpo caído ao chão
— Olá, Aomine-kun. – Respondeu com certeza dificuldade, sentindo que acabara de adquirir um mais novo galo em sua cabeça.
— Kuroko! O que raios estava fazendo no armário?! – Kagami prontamente se levantou da cama para ajudar seu namorado espatifado no chão.
— Não me diga que você estava ali o tempo inteiro...? – O moreno perguntou um pouco confuso.
— Ahomine, você abre aquele armário todos os dias! Como é que ele estaria escondido ali por todo esse tempo sem perceber? – Rebateu o ruivo.
— O Tetsu tem esse poder para sumir! Não o subestime, Bakagami!
— Você deve ser muito idiota para pensar que isso realmente poderia acontecer!
— Do que você me chamou, bastardo?!
Já de pé, Kuroko observou seus namorados começarem uma pequena discussão naquele momento. Aquela paz que ele vira há minutos atrás obviamente era boa demais para ser verdade. Pelo menos ele viu algo que pensou que jamais aconteceria. Talvez seus olhos tivessem o enganado, mas ele estava feliz.
— Nada melhor do que voltar para casa.
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