Notas iniciais
Segue mais um post.

*LEIAM AS NOTAS FINAIS*

O cheiro forte de comida, me guiou até a cozinha. Chacoalhei meus cabelos molhados e preferi deixar o chinelo no quarto de Sônia, enquanto caminhava até a cozinha.

-Está preparando o almoço? – Perguntei, ao notar Dimitri de costas sob o fogão, parecendo cozinhar alguma coisa. Ele não se virou.

-Estou preparando macarrão para as meninas. – Sua voz era controlada.

-Essa meninas, inclui eu? – Arrisquei e automaticamente me arrependi de fazê-lo. Mas afinal, eu estava com fome também. Ou será que Dimitri achou que eu ficaria ali a pão e água?

Ele então soltou uma risada irônica.

-Isso inclui você também. – Ele se virou um pouco, e eu pude ver o vislumbre de seu rosto perfeito. Seus cabelos ainda estavam molhados para trás das orelhas, e ele vestia uma camiseta verde musgo e calças de moletom cinza escura. Seus pés como os meus, estavam descalços sobre o piso de madeira. Mais uma vez me vi perguntando, por que não me lembrava da noite em que havíamos passado juntos.

Ele então me chamou e eu senti o sangue em minhas bochechas. Desviei o olhar.

-Onde ficam os pratos? – Ignorei sua pergunta, que eu não havia entendido.

-Foi exatamente isso que acabei de falar para você. – Ele suspirou pesadamente, dando a volta na bancada, para depositar uma panela em cima. – Estão no armário atrás de você.

Ignorei o sarcasmo e a risada também, virando-me de costas.

-Onde estão as meninas? – Tentei mudar de assunto para o meu bem.

-Vendo televisão. – Ele deu de ombros, e logo começou a despejar um pouco de macarrão em cada prato.

-E seu gato? – Insisti, erguendo uma sobrancelha desconfiada para ele.

-Está trancado no meu quarto. – Ele levantou seu olhar para o meu de forma significativa. – E espero que seu cachorro, não entre lá.

A forma como ele disse seu cachorro, fez meu sangue ferver.

-Hey camarada. Você fala como se a culpa fosse minha. – Toquei meu peito em minha defensiva. De forma alguma, eu iria ficar ouvindo aquelas porcarias.

-E não foi? – Ele bateu a colher na mesa com tanta força, que eu me mexi no lugar. –Você poderia ter prendido melhor o Sr. Ozzy.

-Se eu soubesse que tinha um gato aqui, teria me preparado melhor. – Me justifiquei, sentando em uma das quatro cadeiras disponíveis.

Dimitri virou os olhos.

-Okay. Deixa pra lá. – Ele concluiu com voz controlada.

-Hey camarada, tem suco aqui? – Perguntei olhando ao redor. – Quer dizer, se é que posso mecher nessas coisas. Você sabe.

-Sônia adorou você. Acho que tem carta branca aqui, já que ela lhe deu inclusive seu próprio quarto, para que se hospedasse. – Dimitri abriu a geladeira e retirou uma grande jarra de suco de laranja.

-Ela é bem legal – Refleti indo ao armário de copos e pegando quatro.

-Sônia é única. – Ele sorriu de forma sonhadora e eu percebi o quão apegado ele era com sua família.

-Tem mais irmãos? – Me vi perguntando, enquanto ajeitava os guardanapos que ele havia pegado embaixo da bancada.

-Tenho mais três irmãs. – Ele me deu um olhar satisfeito.

-É o único homem da família? Que legal – Comentei vagamente.

-E você? Tem irmãos, Rose? – Ele me pegou desprevenida.

-Sou filha única. – Respondi depressa. – Vou lá chamar as meninas.

Dimitri apenas gesticulou com a cabeça, voltando sua atenção aos copos de suco, parcialmente cheios.

O almoço foi bastante tranquilo devo adicionar. As meninas estavam estranhamente silenciosas, depois do ocorrido mais cedo e não demoraram a cair no sono. Ozzy depois de um tempo, resolveu abandonar a porta do quarto de Dimitri e eu, me vi na sala assistindo a um filme bobo de futebol americano com Dimitri ao meu lado, lendo um livro pequeno e surrado, em russo.

-Só tem filmes idiotas. – Mudei mais uma vez de canal, enquanto me ajeitava melhor no sofá.

Dimitri não respondeu, como não havia feito nos outros comentários que eu havia feito, sobre os outros dois filmes anteriores.

-Hey camarada. – Sentei no sofá, me sentindo insatisfeita. – Estou invejando sua leitura. – Ergui mais minha cabeça, para tentar enxergar ao menos o título do livro que ele lia, mas estava quase impossível. Além de Dimitri estar sentado no outro sofá de frente ao meu, sua mão grande cobria boa parte da capa.

Ele então ergueu seus olhos sem muita vontade do livro, para me fitar.

-Você não vai entender o que está escrito. – Ele murmurou indiferente. Virei os olhos.

-Ah é. Está em russo. – Fingi surpresa. A verdade era que eu estava entediada e sua diversão parecia mil vezes melhor que a minha.

Sem outra opção, levantei de sofá.

-Aonde vai? – Dimitri perguntou, voltando a olhar por cima do livro.

-Beber água, você quer? – Fiz uma careta pra ele, que bufou audivelmente. Se eu não tomasse cuidado, iria lhe lançar algo na cara, antes mesmo de completar os longos cinco dias.

Quando voltei para sala, Dimitri já não estava mais lá. Ergui minha cabeça em busca dele, mas nada encontrei. Sem muitas opções, voltei para meu lugar no sofá e continuei mudando de canais aleatoriamente, até que senti uma presença na porta. Ergui um pouco minha cabeça e percebi que se tratava de Dimitri.

-Hey camarada. O que tem na mão? – Perguntei automaticamente, notando uma caixa verde que ele segurava.

-Cartas Rose. Cartas – Ele disse sem cerimônia, caminhando em direção à sala de estar de Sônia, onde tinha uma grande mesa marfim. Dimitri não disse nada, mas presumi que ele talvez quisesse companhia no jogo. Então o segui.

Ele sentou em uma das cadeiras e logo abriu sua caixa, retirando de lá dois jogos de baralho. Um azul e um vermelho.

-Vai ficar só olhando? – Ele ergueu uma sobrancelha pra mim.

-Você não me convidou para jogar, convidou? – Respondi no mesmo tom.

-Presumi que você não precisaria de um incentivo extra, para estar aqui. – Eu vi achei ter visto um esboço de sorriso dele, mas foi logo mudado para algo indiferente.

Respirando fundo, sentei a sua frente na mesa, o aguardando embaralhar as cartas.

-O que vamos jogar? – Perguntei.

-Canastra – Ele respondeu sem me olhar.

-Ah, eu sou boa nesse. – Arregacei as mangas de minha camiseta e aguardei. Eu iria detonar aquele russo no jogo.

-Vamos ver – Dimitri dessa vez sorriu. Um meio sorriso.

Ele então terminou de embaralhar as cartas, eu cortei e em seguida ele distribuiu dois montes, para que começássemos a jogar.

Duas horas depois, eu estava exausta de perder.

-Okay camarada. Você manda muito melhor nas cartas do que eu. Satisfeito? – Lancei o restante de cartas que eu tinha na mão a mesa, cruzando meus braços no peito de forma defensiva. Aquilo pareceu finalmente arrancar alguma expressão de Dimitri. Ele riu.

-Eu não discordo de você. – Ele deu de ombros.

-Há quanto tempo você joga? – Perguntei, enquanto o ajudava a juntar as cartas por cor, para que pudéssemos guarda-las.

-Eu basicamente joguei cartas a minha vida toda. – Ele assumiu sorrindo de lado, parecendo um pouco mais confortável.

-Então está explicado – Bufei e ele soltou uma risada nasal. – De qualquer forma está tarde. Enquanto você termina ai, vou começar o jantar.

-Eu posso fazer isso. – Ele se apressou em levantar, mas o interrompi.

-De forma alguma. Você cozinhou no almoço. Eu posso fazer agora. – Sorri, tentando lhe passar confiança – Afinal, o que de mal, pode acontecer?

Notas finais
E ai, o que acharam?

Parece que a relação entre a Rose e o Dimitri não está sendo das piores.

Bom, eu vou seguir os posts uma semana cada. Só que acho que o próximo, vou postar na sexta agora ou só na outra quarta-feira :´(

Aguardo os comentários de vocês.

Beijos ♥ ♥ ♥