Tons claros de verde de longe não eram a minha preferência, mas mesmo assim, eu não insisti. O maior problema sem dúvida era arrumar uma forma de esconder minha barriga.

–Estou me sentindo um bombom embrulhado. – Sibilei para Eylem que estava usando um vestido idêntico ao meu, mas como diferença, a cor dela não era tão chamativa assim. Mais uma vez quis enforcar Raisha pela escolha.

–Esta linda Rose. – Eylem ajeitou meu cabelo que estava solto em ondas pelas minhas costas. – Parecendo uma princesa.

Sorri encarando meu reflexo no espelho. Realmente eu não estava mal, apesar da má escolha de cores e corte do vestido de madrinha. Mas minha barriga estava incomodando e para quem olhasse de mais perto ou com um pouco mais de atenção, ela realmente era chamativa.

Para minha sorte momentânea, os olhos de Eylem estava pousados com interesse nas ondas no meu cabelo agora coberto por pedras brilhantes da mesma cor que o vestido.

–Eu queria saber como você faz para mantê-los assim tão suaves.

Dei de ombros: — Eu compro cremes bons. Falando nisso, se quiser posso te mandar alguns pelo correio. – Sugeri e Eylem se alegrou, mas não o suficiente. Ela tinha maiores intenções do que cremes enviados pelo correio.

–Está bem. Eu aceito. – Ela concluiu.

Assim que finalmente eu me vi pronta para sair, me juntei as outras madrinhas no corredor do segundo andar e esperei pelas ordens da mãe de Raisha, que estava organizando tudo. Ela havia chegado bem cedo no sábado, mas não havíamos ainda nos trombado graças a sua agenda cheia. Ela me lançou um breve olhar e sorriu.

–Rosemarie, você pode vir aqui à frente sim?

Ciente de que era comigo, caminhei em sua direção.

–Onde está seu noivo? – Como Eylem, ela tocou meu cabelo, mas antes que eu pudesse responder, ela chamou sua outra filha. –Eylem! Venha já aqui e não fique conversando.

A menina rapidamente se aproximou para a inspeção da mãe, que pareceu satisfeita.

–Mude essa cara que já vamos descer. Os pais de Samuel estão aqui hoje e você não deverá fazer feio na frente do seu noivo.

Foi ai que realmente entendi tudo. Eylem estava desesperada para ir embora porque estava comprometida. Notavelmente isso era um espanto dada a idade da menina, mas para a crença esquisita das irmãs de Abe, eu não duvidei em nada. Pobre garota.

–Estou pronta, mãe – Ela quase resmungou, parecendo derrotada.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, sua mãe se voltou a mim.

–Rose você vai primeiro. – Ela voltou a me empurrar para frente.

–Por que eu preciso ir primeiro? – Tentei protestar, mesmo sabendo que era em vão.

–Você é a prima de sangue mulher de Raisha, que será a próxima a casar. Tem que ir primeiro. – ela voltou a me empurrar, mas enfinquei meus pés no chão. Se eu fosse à primeira da fila com certeza absoluta eu seria o centro das atenções. Ainda mais com aquele vestido em forma de embrulho.

–Eylem também pretende se casar um dia e é irmã – Protestei tentando esconder meu pânico. – Não seria justo com ela se eu fosse à primeira.

Minha tia me encarou durante um longo tempo, até que pareceu decidir.

–Eylem ainda não tem um casamento certo. Você o tem, mesmo que seja com o homem americano. – E com essas palavras, ela me jogou para o começo da fila.

Demorou cerca de mais ou menos meia hora, até que todo mundo estivesse pronto para descer. Como parte da tradição, as madrinhas desceriam primeiramente pela escadaria carregando cada uma, um buquê de rosas brancas. No andar debaixo, nos encontraríamos com os padrinhos que também estavam alinhados de acordo com as ordens de minha tia e Ermem e carregavam um pote de uma substância parecendo incenso. Juntos, seguiríamos até o altar improvisado para o inicio da cerimonia.

Assim que desci a fileira de escadas encontrei Dimitri me esperando e temporariamente toda a minha aflição de medo se evaporou. Ele estava lindo em seu smoking perfeitamente passado e alinhado. Sua gravata e lenço eram da cor do meu vestido. Em sua cabeça, tinha uma espécie de turbante feito à mão para cerimônias de casamento. Eu quis rir do seu desconforto, mas ele estava radiante demais em sua postura própria.

Dimitri pegou minha mão gentilmente, assim que transferi o peso do meu buque para a outra e começamos a caminhar em direção ao altar. Durante toda a cerimônia seus olhos não se desgrudaram de mim e ao invés de sentir certo receio, eu estava bem.

–Você já pode se livrar desse buquê. – Dimitri apontou, enquanto bebia de uma taça.

–Eu não posso. – Forcei um sorriso olhando ao redor. – Minha barriga está enorme.

–As pessoas podem achar que você está um pouco gorda. – Ele brincou.

–Vou te mostrar quem é a gorda. – Espumando de raiva ergui meu buquê para bater nele, quando Abe se aproximou com minha mãe.

–Rose, você está linda com este modelo. – Janine tocou o tecido e me beijou a bochecha.

–Obrigada mãe. – Tentando ao máximo tampar minha barriga, me movi para perto de Dimitri.

–Seu buquê é realmente lindo. – Janine tocou uma das rosas brancas. – Mas acho que já pode deixa-lo na mesa, assim como os das outras madrinhas. – Ela se impulsionou para pega-lo, mas eu desviei.

–Na verdade, eu estava o mostrando para Dimitri.

Janine ergueu uma sobrancelha desconfiada, como se se questionando sobre o que exatamente queria saber sobre um buque.

–Eu já o vi amor e já disse que é lindo. – Ele piscou para mim e eu cerrei meus lábios. Dimitri estava cruzando uma linha perigosa.

–Ah sim. – Janine voltou a se impulsionar para frente e eu voltei a me desviar.

–Mas o que está havendo? – Ela se irritou, achando que possivelmente eu estava querendo brincar com ela. Ela voltou a se impulsionar e eu ergui minhas mãos para trás bem a tempo de atingir um garçom com as flores.

–Oh me desculpe. – Corei violentamente quando ele cuspiu uma pétala.

–Esta tudo bem senhora. – O homem calvo respondeu sem realmente me olhar.

–Satisfeita? – Janine perguntou. Abe e Dimitri pareciam divertidos. Antes de conseguir me recompor por quase nocautear um garçom, entreguei minhas flores para Janine.

–Viu como não precisava de.... – Ela parou horrorizada no instante em que seus olhos encontraram o meu ventre.

Engoli em seco e antes que eu pudesse me conter, minhas mãos foram para meu ventre.

Abe ao seu lado momentaneamente ficou confuso, mas logo entendeu o olhar de Janine. Ao contrário dela, ele pareceu aliviado.

–Você está... Oh não. – Janine começou, mas logo fomos interrompidos pelos noivos que passavam por ali.

–Rose e Dimitri vocês precisam se juntar a nós por que.... Oh! – Raisha como era de se esperar, rapidamente se deu conta da grande novidade.

–Você está grávida. – Ela completou por Janine.

Abe e Janine me ignoraram durante a festa. Na verdade, eu suspeitava que a distância de Abe tivesse mais haver com minha mãe do que consigo mesmo. Janine estava parecendo paranoica enquanto ingeria mais e mais taças de água a cada hora que se passava, cercada por minhas tias fofoqueiras e suas expressões de puro horror sobre um filho fora do casamento. Eu por sua vez, me senti miserável, enquanto me obrigava a ir para o jardim em busca de um pouco de ar. Como era de se esperar, a notícia vazou como um rojão e todos os meus primos inclusive Eylem, me olhavam de uma forma estranha. Dimitri ficou durante todo tempo ao meu lado em silêncio, como se me dando a opção da escolha de eu querer ou não que ele se intrometesse.

No final da festa segui para meu quarto e comecei a arrumar minhas malas. Foi quando alguém bateu na porta.

–Posso entrar? – Dimitri sussurrou suavemente na porta.

–Você já está aqui mesmo. – Resmunguei, lançando uma blusa azul dentro da mala. Eu já havia tirado o vestido e estava usando shorts jeans e camiseta branca.

–Rose, eu sinto muito. – Ele começou, mas eu logo o interrompi.

–Sente? Você sente muito. – resmunguei ironicamente. –Só que você se esqueceu de que essa maldita ideia era sua! – Perdendo a paciência e precisando malditamente descontar em alguém, eu soltei de uma vez.

–Rose. – Ele começou, mas eu o interrompi apontando uma camisa em seu peito.

–Você sente muito não é? Eu disse pra você que as coisas não funcionam assim!

Não percebi estar berrando, até que ele recuou um pouco graças a minha explosão.

–Você nem deu tempo para eles falarem alguma coisa. Você simplesmente está indo embora.

Lágrimas começaram a brotar em meus olhos. Rapidamente passei as mãos negando-me a deixa-las cair.

–Você não viu a cara deles? Não viu a cara da Raisha ou da minha tia? – A essa altura, não consegui mais conter meu desespero. Dimitri assistiu em silêncio. —Você viu a cara da minha mãe? – Fechei a mala e sentei na cama, me sentindo cansada.

–Entende agora por que fui embora? Eu não poderia lidar com esse tipo de situação pelo resto da minha vida! – Voltei e me levantar e dessa vez, uma dor aguda me atingiu. Tocando minha barriga eu arfei quando vi as gotas carmesim no tapete branco.

Para quem está curioso, segue +/- o modelo que me inspirei para o vestido da Rose :)

http://www.portaisdamoda.com.br/noticiaInt_detalhes~id~22492~fot~11~n~vestido+de+festa+sereia+bandage+suely+caliman+verao+2011.htm

Notas finais
Sim eu sei, mas nao me matem U_U rs

O que voces acham que vai acontecer?

Quero comentarios heim, ou nao tem post amanha! :)

Beijos