The Perfection Of Paradise
26 Capítulo 26 - Algumas Situações São Inevitáveis
Os dias se arrastaram como um verdadeiro borrão, sem que eu realmente tivesse uma chance de pegar Abe sozinho. Era incrível a capacidade de Janine em se intrometer em toda e qualquer conversa, que eu insistia em ter com ele. Felizmente ou não, Abe não tocou no assunto da piscina e muito menos, sugeriu algo relacionado a mim ou Dimitri em nossas breves conversas.
Desistindo temporariamente do meu plano, resolvi aproveitar um pouco da Turquia e visitei alguns lugares com Dimitri durante nossa curta estadia. Dimitri pareceu realmente inclinado a visitar museus e algumas feiras de artes, resultando na maior parte das vezes, em nosso retorno no final do dia para dormir. Quando chegávamos a casa, eu mal tinha animo para descer para o jantar ou acompanhar os detalhes da festa com a irmã de Raisha. Esse era outro problema que ocasionalmente também me preocupava. Raisha não gostava de mim e seria um prêmio para ela, tentar jogar algo na minha cara como um namorado sem religião ou até mesmo, uma criança.
Gemi com o pensamento.
-Você vai jogar ou não? – Dimitri ergueu uma de suas perfeitas sobrancelhas pra mim.
-Oh me desculpe. – Rapidamente, movi minha rainha no tabuleiro de xadrez.
-Xeque-mate – Ele suspirou depois de fazer sua última jogada.
-Perdi de novo – Virei os olhos, encarnado meus pés descalços sobre a mesinha do escritório de Abe. Já era noite lá fora e possivelmente, não tardariam a nos chamar para o jantar.
-Seus pés estão doendo? – Dimitri perguntou enquanto ajeitava novamente as peças de xadrez.
-Está tudo Okay. – Respondi, mexendo meus pés lentamente por baixo das meias. Havíamos chegado há um pouco mais de uma hora, de mais uma de nossas excursões no centro da cidade. Dimitri havia comprado algumas coisas para enviar para sua mãe na Rússia. – Estou apenas pensando demais.
-Eu percebi. – Ele ergueu seus olhos pra mim e uma mecha de seu cabelo preso de desprendeu do coque. – Perdeu todas as partidas até agora.
Sem saber o que dizer, apenas ri e logo me coloquei de pé. Foi quando meu mundo girou. Sem conseguir me manter em pé, me segurei à cadeira que estava sentada.
-Rose? Roza? Você está bem? – Dimitri alarmado soltou as peças e veio em minha direção.
-Minha pressão deve ter caído. – Fechei meus olhos, respirando fundo. – Me ajude a sentar.
Assim que ele o fez, voltou a falar. Sua voz era tensa.
-Vou chamar seu pai. – Ele sugeriu.
-Não. Estou bem. – Segurando o mais firme que pude sua mão, o mantive no lugar. – Eu só preciso de um momento.
Respirei fundo mais uma vez e voltei a abrir os olhos. Finalmente a vertigem havia sumido. Dimitri estava ajoelhado na minha frente. Sua expressão tensa, como se ele estivesse preparado para tudo. Então sorri.
-Eddie disse que isso é natural nos primeiros meses. Ele é meu ginecologista. – Dimitri piscou algumas vezes, antes de voltar a falar.
-E eu acho que mesmo sabendo disso, todas às vezes vou me assustar. – Ele esboçou um sorriso tenso.
-Está tudo bem. – Instintivamente toquei minha barriga. – Acho que não vou ficar para o jantar novamente. – Franzindo o cenho, olhei em direção a porta.
-Quer que eu te leve até lá em cima? – Dimitri ficou de pé e me ofereceu sua mão.
-De forma alguma. – Protestei quando a peguei para levantar do lugar.
Quase que no mesmo instante a porta do escritório foi aberta e Eylem entrou.
-Rose? – Rapidamente ela se aproximou de mim. – O que houve?
Dimitri tentou ficar entre nós, mas Eylem era esperta e logo se aproximou.
-Estou bem. Apenas me senti um pouco indisposta. – Sorri, tentando parecer sincera. Eylem me analisou durante uma batida de coração e pareceu satisfeita.
-Está bem, mas seu pai veio pedir para que eu viesse te chamar para jantar.
Dimitri e eu trocamos olhares.
-Eu já estou indo.
Não foi difícil chegar a sala de jantar uma vez que a vertigem já havia passado mas mesmo assim, eu me senti um pouco insegura com seu possível retorno. Abe e Janine estavam sentados a mesa nos aguardando, com mais dois convidados que eu não conhecida. Eram um homem e uma mulher, vestidos como no antigo costume. Batas longas e a mulher com cabelos amarrados.
-Rose minha filha, venha conhecer Ermem e Savas. – Abe se levantou e gesticulou para seus dois visitantes. – Ermem é a responsável pelo buffet de casamento de Raisha e seu marido Savas, veio acompanha-la para a cerimônia de domingo.
-Oh sim. – Me aproximando com cautela os cumprimentei como no antigo costume. – Muito prazer, sou Rose.
-Você me disse que sua filha era bonita Abe, mas estou impressionada em como ela se parece com você. – A mulher sugeriu em tom agradável, apertando suas mãos nas minhas. Isso fez com que Janine se mexesse desconfortavelmente em seu próprio lugar.
-Rose é minha princesa e mesmo trabalhando como um americano ou prestes a constituir uma família, continua sendo minha filha pequena. – O sorriso de Abe era contagiante, me permitindo sorrir.
O sorriso de Ermem então vacilou um pouco. Criada em uma família puramente turca, ela com toda a certeza enrugava o nariz para certas coisas ainda.
-De acordo, de acordo. – Ainda sorrindo ela se afastou para alguém atrás de mim. –E esse deve ser seu marido?
Ela sugeriu e antes que eu pudesse corrigi-la, Janine se levantou do lugar.
-Este é o noivo de Rosemarie. Dimitri é seu nome. – Os olhos de Ermem eram astutos, mas claramente ela aprovou minha suposta decisão. Eu não era idiota a ponto de acreditar que Dimitri não chamava a atenção de quem quer que fosse por onde passava.
-Muito prazer Dimitri. – Sem tocar-lhe as mãos, ela apenas gesticulou com um breve aceno de cabeça.
-O prazer é todo meu. – Dimitri repetiu o gesto de forma educada.
Um silêncio pairou sobre nós e então logo me sentei para evitar mais perguntas.
-Senhor, podemos servir o jantar? – Uma empregada de baixa estatura perguntou a Abe, enquanto eu brincava com meus talheres de prata.
-Vamos só aguardar Raisha descer. – Ele sorriu gentilmente para a criada e meu sangue congelou.
-Raisha? – Perguntei tentando disfarçar meu som estrangulado? Ela não iria vir só amanhã?
Janine pareceu realmente entretida com meu breve discurso enquanto sorria de uma forma cúmplice. Ela sabia tão bem quanto eu, que isso acarretaria em um monte de perguntas desnecessárias, as quais eu estava declinando sem pestanejar.
-Sua prima veio mais cedo, quando descobriu que você estava aqui com seu noivo. – Abe respondeu indiferente, analisando seu copo de cristal. Antes que ele continuasse, a porta da sala de estar foi aberta e Raisha entrou.
Com um brilhoso cabelo castanho quase na altura dos quadris e trajando um vestido até os pés de seda colorida, Raisha parecia deslumbrante ao seu modo. Sua pele era uma tonalidade mais escura que a minha, mas nossas semelhanças ainda sim eram nítidas.
-Boa noite. – Ela saudou a todos e quando seus olhos passaram por mim, seu sorriso se fez maior. – Olá prima. Quanto tempo.
-Olá – Com uma falsidade que eu não tinha, me forcei a sorrir.
-...e ele é alto, tem os cabelos castanhos e toda vez que aparece para me ensinar, meu coração começa a palpitar – Raisha gargalhou mais uma vez, fazendo meu sangue fervilhar.
Tentei alcançar o diário, mas Raisha o tirou de minha mão em um único puxão.
-Eu ganhei do meu pai. – Protestando, me ajoelhei e comecei a puxa-lo de volta. – Você não tem o direito de ficar lendo as minhas coisas!
-Você é uma idiota. Por que fica escrevendo coisas sem sentido aqui? Não vê que está perdendo seu tempo, e que nunca vai namorar seu professor de piano? – Raisha vociferou me empurrando para trás. Bati as costas no chão frio e ao encarar minhas mãos, eu vi sangue.
-Você que é uma idiota. – Sentindo minha fúria queimar em mim, a acertei no rosto com força. Ela começou a gritar e foi quando Abe chegou e nos separou.
-O que está acontecendo aqui? – Ele se colocou entre nós. – Por que estão brigando?
-Rose começou tio. Ela me bateu. – Com a maior cara de pau do mundo, Raisha choramingou, me fazendo avançar mais uma vez em direção a ela.
-Rose, pare! – Abe me puxou para trás. – O que acha que está fazendo?
-Ela está lendo as minhas coisas! – Vociferei.
Cerrando um pouco seus olhos enquanto sorria, Raisha continuou:
-Tio ela está mentindo. Eu só peguei o diário por que ela se sentiu culpada sobre uma coisa. – Com falsa ingenuidade, Raisha tomou toda a atenção de Abe.
-O que você está falando? – Ele perguntou.
-Sabe tio...eu não ia te contar... – Seu teatro era tão claro, que até lágrimas começaram a brotar de seus olhos.
-Merda de atriz! – Gritei e Abe dessa vez se voltou aborrecido.
-Chega de tentar bater nela Rose. – Com um olhar extremamente zangado, eu dei um passo atrás.
-Então, prossiga. – Ele a instigou, me fazendo prender a respiração.
-Rose está namorando o professor de piano.
As palavras dela ainda ecoavam em algum lugar sombrio de minha mente. Mesmo assim, eu sorri enquanto a vi sentar bem na minha frente.
-Rose. Fico tão feliz que tenha vindo para o meu casamento.
Sua voz irritante quase me fez virar os olhos.
-Imagine só que eu iria perder. – Continuei em meu tom neutro, enquanto aguardava que me servissem o jantar.
-Oh e vejo que trouxe seu namorado americano para a cerimônia. – Ela aplaudiu uma vez com entusiasmo, enquanto analisava minuciosamente as feições de Dimitri. Ele por sua vez, parecia bastante tranquilo e ausente a tudo aquilo. Às vezes eu realmente o invejava. – Sua mãe me avisou a tempo. Eu estava quase tendo que providenciar um amigo de minha família, para substituir o lugar do marido em sua família.
A forma como ela pronunciou aquilo, realmente me incomodou e de forma alguma, eu iria ceder.
-Dimitri não é meu namorado americano. Ele é meu noivo russo e vamos nos casar – As palavras saíram mais rápido do que eu esperava e para minha total sorte, Janine sorriu abertamente, como se ela mesmo estivesse esperando por aquele tipo de show.
Abe por sua vez se mecheu um pouco no lugar, assim como seus convidados e Eylem.
-Bom, já que todos foram apresentados, podemos começar o jantar. – Ele falou depois de uma longa pausa desconfortável. Durante todo o jantar senti os olhos meticulosos de Raisha em mim, mas tentei ao máximo não me importar. Sim, eu havia contado um mentira tremenda, mas eu poderia lidar com ela depois.
Notas finais
Queria dizer um obrigada a todos os comentários e recomendações :)
Eu estou demorando para responder eu sei, mas eu leio todos sem exceção. É que estou me empenhando ao máximo para finalizar a fic da melhor forma possível.
Agora sobre o capítulo: Finalmente a irmã da Eylem apareceu U_U. O que será que vai acontecer?
Beijos e por favor, continuem comentando e recomendando heim! Faltam só mais 2!!!
Se vocês comentarem bastantão, amanhã já tem outro post pois a fic está basicamente finalizada.
Beijos ♥
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