The Perfection Of Paradise
24 Capítulo 24 - Dezessete Anos
Distanciamo-nos em um puxão, como se repelidos por uma invisível corrente elétrica. Dimitri se colocou de pé e desviou o olhar enquanto passava uma mão despreocupadamente pelo cabelo castanho, notavelmente dando a mim, a chance de maiores esclarecimentos. Ótimo.
–Oh me desculpe. – Eylem corou violentamente e tão logo, começou a fechar a porta, para nos dar privacidade. Foi quando a chamei.
–Hey Eylem, entre aqui está bem? – Disse, enquanto ajeitava mais de uma vez, meu vestido no lugar certo.
Minha prima se aproximou calada e com cuidado. Seus olhos mirando o carpete do chão. Vendo-a assim de perfil, me recordei da época que tinha sua idade.
–Rose, eu vou me trocar e passo aqui em seguida, certo? – Dimitri sussurrou e eu assinalei rapidamente com um gesto de cabeça. Ele por sua vez, me lançou um sorriso cúmplice, fazendo minha pele esquentar instantaneamente. Deus, o que diabos estava acontecendo comigo?
Assim que a porta se fechou, me forcei a voltar ao assunto inicial com Eylem, mesmo não sabendo ao certo como proceder.
–Eylem, o que acaba de presenciar é... – Comecei, mas ela me interrompeu, erguendo a cabeça para me encarar.
– Não se preocupe comigo Rose. Vocês são noivos e não precisam me dar explicação alguma, sobre o que eu acabei de ver. Deve ser bastante normal isso na América.
Mentalmente me estapeei. Nada disso parecia normal, até mesmo na América.
–Estávamos apenas tendo um momento a sós. – dei de ombros, pegando meu óculos de sol de cima da cama. – Não é nada de mais. – Conclui sem necessidade.
Ela então soltou uma risada baixa e abafada, tomando toda a minha atenção para si.
–O que foi? – Perguntei, ajeitando meu óculos no topo da cabeça.
–Não é nada demais. – Ela desviou o olhar. – É só que, a forma como ele olha você, me faz pensar que realmente te gosta. – Eylem adquiriu em suas bochechas pardas, uma leve tonalidade avermelhada. Minha respiração se descompassou um pouco pela surpresa.
Precisei de um momento para me recompor. Piscando algumas vezes, resolvi responder a sua curiosidade.
–De acordo. – Disse pausadamente. – Então se está tudo bem, eu acho que vou dar uma volta. – Forçando um sorriso, caminhei em direção a porta, mas Eylem me chamou antes mesmo que cruzasse o cômodo.
–Rose?
–Sim? – Me voltei, rezando para que ela fosse prudente com as palavras, ou eu não iria poder responder a aquilo.
–Como é? – Ela perguntou com nítida curiosidade. Franzi o cenho.
–Como é o que? – Mais uma vez, ajeitei meu óculos na cabeça.
–Como é morar na América, com seu noivo? – Seu rosto agora estava ruborizado por completo.
–Oh – Tocando meus lábios, dei-me conta do que ela queria dizer. Com essa política estranha a qual se submetia a família toda de meu pai, não era difícil concluir a razão por trás de seu questionamento. Eylem assim como as mulheres da família, eram submetidas a costumes e crenças bizarras muitas vezes. Dentre elas, além é claro das escolas serem separadas por sexo, os casamentos em pleno século vinte e um, eram na maioria arranjados. É claro que não era exatamente da mesmo forma que de anos atrás, onde o noivo só conheceria a noiva no dia do casamento, mas ainda assim a meu ver, era algo completamente esquisito, uma vez que as mulheres somente se casavam com noivos, cuja família era de inteira confiança de seu pai. Nunca e em hipótese alguma, com um estrangeiro como era meu caso, ou melhor, quase isso.
Estranhamente me recordei do dia em que havia declarado guerra contra minha família, e graças a um tio meu por parte de mãe que morava nos EUA, consegui me estabilizar de verdade e cursar uma faculdade de medicina. A guerra foi travada entre eu e meus pais por muito tempo, até que finalmente eles acabaram cedendo, após saberem da morte de meu tio em um acidente de carro. Mesmo assim, não éramos e nem chegávamos perto, de sermos uma família. Eu os via em situações esporádicas, e uma vez a cada um ou dois anos, dependendo do meu humor.
–Rose? – Eylem me encarava com expectativa. Pisquei algumas vezes.
–Ah, é diferente. – Disse pausadamente, esperando ser o suficiente para sanar a curiosidade dela. Percebi ser um grande erro, quando Eylem não se moveu e apenas aguardou, que eu continuasse.
–Ah é, diferente de tudo isso aqui. – Gesticulei ao redor e ela enrugou a testa, como se demonstrando que ela sabia que estava sendo enrolada. – Bom, é que eu não sei como explicar isso pra você. – Cocei minha cabeça. –É apenas diferente. Eu trabalho agora e moro sozinha...tenho as minhas coisas, meu cachorro....
Eylem mecheu a cabeça sinalizando bem devagar.
–E como é ter um....namorado? – Sua voz baixou um tom, graças à vergonha em suas feições.
Oh doce Jesus, como eu iria responder isso a ela?
–É também diferente. – Virei os olhos. Merda, eu estava soando irritantemente repetitiva. –Vamos dizer que a vida que você leva aqui, não se compara a minha. – Forçando um sorriso, esperei alguma iniciativa de sua parte.
Eylem abriu a boca para protestar, quando senti um movimento as minhas costas. Dimitri havia voltado.
–Eu atrapalho? – ele perguntou gentilmente, colocando a cabeça para dentro do quarto. Lancei um breve olhar pra Eylem, que havia desviado sua atenção novamente para o chão. Era claro agora, que ela se sentia bastante constrangida na presença de Dimitri. Pobre garota.
–Está tudo bem. – Sorri para ele, que ainda aguardava na porta. –Já podemos ir. – Dimitri assinalou e foi para o corredor.
–Eylem, eu realmente gostaria de te explicar melhor as coisas, mas eu acho que seus pais não iriam apreciar meu estilo de vida. – Mordi o lábio.
–Eu sei. – Quando ela voltou a me olhar, seus olhos estavam brilhando e ela estava terrivelmente abatida.
–Jesus não me olhe assim. – Me aproximei dela e ajoelhei na sua frente. –Quantos anos tem? – Peguei suas mãos nas minhas.
–Dezessete. – Ela sussurrou devagar.
–Foi à idade em que sai de casa. – Comentei pensativamente. Quando seus olhos brilharam em expectativa, eu a cortei. – E nem em sonho pense em fazer isso. – Me levantei em um puxão.
–Mas eu. – Ela não teve a chance de continuar.
–Não. – Meu tom era firme. – Você não vai sair daqui. Isso seria injusto com seus pais.
–Mas você foi injusta com o seu. – Oh meu Deus, então era sobre tudo isso?
–Eylem me escute – Voltei a segurar suas mãos. – Isso é muito perigoso. Eu fui, mas por que tive suporte do irmão da minha mãe. Não é bem o seu caso.
–Mas você mora na América. – Ela então sorriu e meu sangue congelou.
–Não. Eu não posso lidar com isso, ainda mais agora que — Bruscamente freei meu argumento. –vou ter um bebê – adicionei mentalmente.
–Ainda mais agora que o que Rose? – Eylem deu um passo à frente, com curiosidade.
–Ainda mais agora que eu vou me casar. – Improvisei e logo comecei a arrastar para fora do quarto. – Falando nisso, esta um dia quente. Vamos nadar?
–Ah é verdade. Eu poderia ser sua dama de honra. – Ela completou de repente maravilhada, me fazendo virar os olhos.
–Vamos ver isso. Vamos ver.
Deixei Eylem na porta de seu quarto e segui com Dimitri em silêncio, para a área externa. Eu sabia que ele estava curioso sobre o que conversamos, mas que também respeitaria, caso eu não quisesse falar nada com ele.
Abe havia providenciado um par de guarda-sóis bem perto de algumas cadeiras de praia e foi exatamente embaixo de um, que deitei para descansar, ao lado de meu acompanhante.
–Merda mil vezes. – Toquei minha testa, sentindo a temperatura alta me invadir.
–Presumo que seu mal humor, tenha a ver com a visita de sua prima. – Dimitri constatou, sem tirar seus olhos do volume que estava lendo.
–Você é um gênio – ironizei, rindo em seguida. – Falando nisso, ainda esta com esses livros velhos?
Ele virou os olhos e também riu.
–Eu sou um apreciador incurável da leitura.
–Eu vejo. – Ajeitando meus óculos no nariz com a ponta dos dedos, olhei ao redor. Um homem caminhava para nós, com uma bandeja redonda em mãos. Meu estômago se ascendeu, enquanto o via depositar o prateado utensílio carregado de comida entre eu e Dimitri. – Ela quer ir para os EUA.
Dimitri baixou seu livro e me encarou com surpresa.
–Está falando sério?
–Senhora, seu pai antes de sair, pediu que trouxesse algo para comer. Aqui tem bolo de amêndoas com chocolate e um pouco de suco de carambola.
–Oh obrigada – Aplaudi uma única vez, sentando-me para comer. Assim que ele se afastou, voltei a falar. – Dimitri, você não gosta de bolo não é?
Ele ergueu uma de suas sobrancelhas perfeitas para mim. Sorri maliciosamente.
–Como não falou nada, vou pegar seu pedaço. – Rindo, comecei a puxar com um garfo, o generoso pedaço de bolo do prato de Dimitri, mas no meio do processo, ele colocou o seu próprio no meu caminho.
–Hey camarada. Você não pode negar comida para as grávidas. Sua mãe nunca te contou isso? – Com falsa indignação, o questionei comendo um pedaço de meu próprio prato.
Dimitri riu audivelmente, me fazendo quase engasgar quando também comecei a rir de boca cheia.
–Não vou te deixar com fome. – Ele sussurrou, ao observar que eu havia terminado de comer de meu prato. Graciosamente, Dimitri cortou um pedaço de seu próprio bolo e ergueu em minha direção o garfo. Franzindo o cenho, tomei um gole de suco.
–Está me oferecendo seu bolo? – Perguntei desconfiada. Dimitri sorria com expressão descontraída.
–Pegue. Apenas vou cortar pra você enquanto sua mãe nos observa. – Ele piscou e lentamente girei minha cabeça na direção exata. Janine estava fofocando com alguma criada e assinalou sorrindo, quando me viu.
–Janine ainda vai me levar à loucura – Virei os olhos, mas logo me inclinei e mordi o pedaço em uma só bocada. – Só aceito isso camarada, por que estou prestes a comer o prato.
O sorriso de Dimitri permaneceu intacto, enquanto me observava comer e comer novamente de seu próprio garfo. Nas duas primeiras mordidas eu havia sido cautelosa, mas agora, prestes e terminar com o segundo pedaço, não havia espaços para cerimônia.
–Sabe que ainda estou com fome. – Toquei minha barriga pensativamente, observando Dimitri beber seu suco. Só então me veio a cabeça que somente eu estava comendo e que ele, estava há bastante tempo sem comer nada – Camarada, acho que vou pedir um lanche para nós dois. – Não esperando uma resposta, chamei a criada perto de minha mãe – Hey senhora, pode me trazer três lanches de queijo?
Janine virou os olhos, e logo me deu as costas, caminhando em direção à mansão, possivelmente pensando que eu estava louca por comer daquela forma. Mal sabia ela.
–Três? – Dimitri poi-se de pé e logo tirou a camiseta branca por cima da cabeça. Minha respiração vacilou diante da visão a minha frente. Dimitri exibia uma forma física invejável por debaixo das roupas. Desviei o olhar ao sentir minha pele ainda mais quente, do que já estava.
Para a minha sorte, ele pareceu estar bastante ciente de meu olhar e então sorriu. Um longo sorriso de lábios cerrados.
–Vê algo que gosta? – Dimitri baixou suas calças e foi então, que senti meu rosto de cobrir de vermelho.
Ele então soltou o elástico que prendia seu cabelo castanho e o chacoalhou, fazendo com que todas as mechas se soltassem.
–Não sei do que está falando. – Respondi vagamente, tentando não olhar mais de uma vez para sua sunga preta. Eu definitivamente estava perdendo a cabeça.
–Vejo – Ele pigarreou – Bom, eu vou nadar um pouco. Quer me acompanhar antes de comer de novo?
Voltei a encara-lo, ciente em manter o controle sobre minha expressão. Olhei para ambos os lados, antes de tirar meu vestido.
–Na verdade seria uma boa ideia – Levantando do lugar, o segui para a borda da piscina e parei ao seu lado. Dimitri mantinha os olhos na água transparente.
–Sabe que me lembrei do dia em que caímos na piscina para salvar meu gato e minha sobrinha– Ele sorriu.
–Oh nem me lembre disso. – Toquei seu braço e prontamente me arrependi. Sua pele estava ainda mais quente que a minha, e seus olhos se encontraram com os meus. – Aqueles dias no Caribe, eu gostei bastante.
Wow, que rumo aquilo tudo estava tomando? Meu estomago voltou a se contorcer e dessa vez, não era de fome.
–Eu também.... gostei. – Negando-me a me intimidar continuei buscando seus olhos.
Dimitri deu um passo à frente e mais um, cortando de vez nossa distância. Quando sua mão tocou meu rosto, uma sensação de calor simultaneamente me invadiu. Ele acariciou meu queixo e logo, seu polegar tocou meus lábios com extremo cuidado, como se a qualquer devaneio de sua parte, pudesse me quebrar.
–Senti falta principalmente dos momentos que passamos juntos. -Sua voz era não mais que um sussurro em meu ouvido, quando me deixei levar por seu abraço. Suas mãos estavam firmes ao redor da minha cintura e com a pouca roupa que estávamos usando, se tornava cada vez mais complicado ignorar o calor crescente.
Agradeci mentalmente pela piscina estar deserta e ser razoavelmente distante da casa. Seria embaçado demais explicar para meus pais, o que eu estava fazendo ali. — Abe esta fora de casa – Repetia para mim mesma, enquanto deslizava meus dedos distraidamente pelas costas de Dimitri e o puxava mais para perto.
Fechei meus olhos ansiando por seu toque. Dimitri se inclinou e beijou meu pescoço.
–Se lembra da noite na cozinha? — Ele continuou sussurrando contra minha pele. Sua risada me fez cócegas.
–Me lembro sim. — Abri meus olhos recordando do dia na casa de sua irmã, quando havíamos perdido a cabeça enquanto limpávamos os pratos.
Dimitri se distanciou o suficiente para me encarar e logo, começou a distribuir beijos pela minha face, me forçando a fechar os olhos novamente.
–Camarada, se seu plano for me esquivar da comida, já digo que não está funcionando. — Ri, fingindo indignação. Dimitri gargalhou e me puxou para mais perto de si, para mordiscar minha orelha.
–Não vou matar meu filho de fome. — Ele continuou em tom brincalhão. Encostei meu rosto em seu ombro e encarei a água da piscina. Estava realmente muito calor.
Nos mantivemos assim por um tempo indeterminado, até que finalmente Dimitri se distanciou e quando estava prestes a selar nossos lábios, ouvi alguém me chamar. Sem saber ao certo o que fazer com aquilo, me distanciei bruscamente e foi ai que tudo aconteceu.
Dimitri tentou se adiantar a tempo, mas foi em vão. Meu braço se esbarrou na bandeja da criada e todo o conteúdo que ela havia trazido para nós, caiu na piscina. Por muito pouco, ela mesma também não caiu.
–Me deixe te ajudar. — Agachei para segurar a mão da pobre mulher e quando levantei, sem perceber acertei meu meu cotovelo no queixo de Dimitri, que também havia se agachado sem que eu percebesse.
–Ah me desculpe. — Virei para ele sem saber o que fazer. Eu havia acertado duas pessoas de uma única vez. Ou melhor, quase.
–Esta tudo bem. — Dimitri se levantou e me ajudou, já que a empregava já estava de pé e chamando a alguém para retirar a comida da piscina.
–Como eu sou desastrada. — Toquei meu lábios para conter uma risada afogada, mas quando meus olhos focaram em alguém ali próximo, engoli seco. — Ai. Que merda. – Praguejei quando percebi de quem se tratava. Abe Mazur.
Para a minha surpresa, ele estava rindo.
Notas finais
Mereço reviews? quem sabe uma recomendação? Postei super rápidoooo heimmm
LEMBRANDO QUE a fic está oficialmente em contagem regressiva. Estou estimando mais 4 capítulos :(
Beijosss ♥ ♥ ♥
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