Notas iniciais
E ela levanta das cinzas como uma fênix! Ciao! Olha quem voltou por aqui! I'm back, readers. Gostaria de agradecer a paciência de todas comigo e com os projetos que foram abandonados, eu nem vou negar porque essa foi a realidade durante esses meses, e também agradecer quem comentou nos últimos capítulos e continua acompanhando a fic mesmo depois de tanto tempo sem atualizações! Vocês são maravilhosas, mas acho que vocês já sabia disso, não é mesmo? Boa Leitura!

Eu precisava dar um jeito nisso. E logo.

Eu sabia que os hormônios de grávida seriam difíceis de administrar, mas eu até pensava que era só na parte emocional da coisa, e não na física também. Eu havia acabado de completar um mês e os enjoos por mais que ainda fossem constante, não me pegavam de surpresa mais. Eu conseguia me manter longe de tudo que me enjoava e até dei fim nos perfumes estranhos de Moira sem ela saber.

A única coisa que eu sabia que eu precisava agora era de sexo. E nem precisava ser do tipo selvagem, alucinante, eu não me sentia exigente no momento em questão. Eu havia pesquisado os pequenos sintomas que estava sentindo, porque por mais que eu não tivesse filtro em minha boca, não tinha coragem de mencionar isso com a Dra. Spivot. A minha pesquisa foi muito educativa e apenas se provou esclarecedora ao me mostrar que a minha oscilação hormonal era normal e que este era só o meu corpo tentando ajeitar os meus níveis de... bem, tudo, para acomodar o bebê que estava crescendo dentro de mim. E isso incluía a libido.

Mesmo com as caminhadas que se tornaram corridas, e as seção de yoga com Shado e até mesmo rotina de exercícios leves com Kiera, nada diminuía o desejo dentro de mim. Não era por uma pessoa em si, e sim pelo ato da coisa. Estar próxima de alguém e do calor humano. Era isso que eu queria. E eu sabia que tinha chegado no meu limite rígido quando me vi encarando Slade por tempo demais o que deixou nós dois mais do que constrangidos e agora eu não conseguia olhar ele nos olhos.

— Okay. Estou prontíssima. — disse Thea aparecendo pronta para o nosso programa.

Ela estava vestindo o que parecia ser um vestido em formato de paletó com aplicações de paetês nos lugares certos. Saltos altos e a maquiagem marcante de sempre.

— O que você acha? — perguntei dando uma voltinha e ela assoviou.

— Nada vai superar você naquele conjunto La Perla, Lis, mas você está linda. — ela disse piscando maliciosa e eu apenas ri.

Havia escolhido um vestido preto bem simples em formato de tubo com um zíper acessível que era fácil de colocar e mais fácil ainda de tirar. Não tinha exagerado na maquiagem, e não tinha feito nada elaborado no cabelo. Optei por usar as lentes de contato hoje e deixar os óculos em casa. Os saltos combinavam com o resto do visual.

Segui Thea para fora do quarto e pelo corredor. Hoje era minha folga e eu havia chamado tanto ela como Caitlin para um noite de garotas, mas desta vez todas as partes estavam cientes que envolveria álcool e uma noite na Verdant. Cailtin topou com a única desculpa de ficar de olho em mim, você sabe, a amiga grávida que está indo para um bar e não pode beber. Era a desculpa dela para se permitir uma noite mais agitada, o que era bem possível com Thea Queen na equação.

— Estamos prontas, Cait! — cantarolou Thea assim que chegamos no hall de entrada.

Caitlin estava embaixo do arco que separava o hall da sala de estar principal onde estavam Oliver, Tommy, Walter, Kellan e Moira discutindo algum assunto e bebendo uísque como se tivessem em um filme mafioso sinistro. E Tommy não estava sendo discreto ao secar minha amiga da cabeça aos pés, dando uma atenção especial para a bunda dela.

Ela ficava linda de vermelho.

— Oh! Vamos! — ela exclamou aliviada e eu quis rir da cara dela.

Tommy a deixava nervosa. E por mais que ela tenha negado interesse nele desde o acidente, eu sabia que ela era curiosa em relação á ele e Tommy era paciente quando queria ser.

Quem sabe...

— Aonde vocês vão? — perguntou Tommy virando seu copo.

— Noite de meninas. Eu estou noiva, mas minhas amigas não e hoje minha missão pessoal é fazer elas mais do que satisfeitas. Deus sabe que elas merecem por me aguentar. — disse Thea abraçando eu e Caitlin pelos ombros e eu ri. — Doc, você precisa transar.

— Thea! — exclamei e ela se virou para mim.

— Você também, Lis. Eu sei que o rolo com Bruce não deu certo, mas vamos seguir em frente. — ela disse e eu quis morrer ali mesmo. Cait olhou para mim com os olhos arregalados e mordeu o lábio para não rir. — Nós vamos nos divertir hoje, meninas.

— Espera... — disse Kellan e nós olhamos para ele, ele olhou para Oliver e depois para mim e depois para o teto. — Eu acho que não quero saber como isso vai terminar. Boa noite, pessoal.

— Mãe, não me olhe assim. Eu vou cuidar delas direitinho e não vou deixar Felicity beber demais, eu sei que ela ainda está tomando os remédios pós-cirurgia. — disse Thea e nos arrastou para trás junto com ela. Eu não consegui ler a expressão de Oliver á tempo, porque Thea já estava me arrastando para garagem. — Byeeee!

—-

— O que estamos fazendo exatamente aqui?

— Eu preciso relaxar um pouco. Esse foi a única ideia que eu tive, eu preciso gastar... Energia. Ou eu vou enlouquecer. — eu disse tomando um pouco do meu suco de laranja. — E você precisa transar, Cait.

Caitlin não negou, apenas virou o restante de seu Sex On The Beach para dentro.

— Vamos dançar? — perguntei observando a multidão se balançar ao som de uma música coreana eletrônica.

Não deixei Caitlin responder, apenas a puxei pelo braço e saímos da área VIP e fomos para a pista de dança. Eu havia aprendido essa manobra com Thea. Não espere uma resposta, apenas faça e se desculpe depois. Era um jeito alternativo de viver a vida e funcionava muito bem com Caitlin.

Logo estávamos no meio dos corpos quentes e começamos a dançar de acordo com o ritmo da dança e eu comecei a me sentir mais relaxada. Como se conseguisse respirar livremente, o que era muito contraditório pelo ambiente abafado em que estava. Entre giros entre mim e Caitlin, nós caímos na risada sem motivo algum em particular. Quando a música acabou voltamos para o bar, e Thea logo se juntou a nós com taças de drinks coloridos, ela me entregou um azul, um amarelo para Cait e ficou com um laranja.

— O seu não tem álcool, pode ficar tranquila. — ela me avisou e eu logo coloquei o canudo entre os lábios e suguei.

Uma explosão de sabores aconteceu e eu senti todos os meus sentidos afetados de uma vez só. Tinha gosto de laranja com blueberry e morango. Eu não sabia o que era exatamente, mas meu estômago não estava rejeitando, muito menos meu M&M, e isso era bom suficiente para mim.

— Deus, eu sou muito boa nisso! — exclamou Thea de repente e eu fiquei confusa.

Ela apenas riu e deu ombros entregando nossas taças vazias para o barmen.

— Ahm, eu vou chamar Roy antes que ele decida passar a noite no estoque fazendo contagem e eu já volto! Não saiam daqui, meninas! — ela disse e nós assentimos.

— Estou morrendo de calor. — exclamou Caitlin se abanando e enrolando o cabelo em um coque frouxo.

Ela estava, literalmente, brilhando.

Merda.

Agora estou secando até Caitlin!

Eu assenti levemente e decidi sentar na banqueta atrás de mim.

— Madame? Um cavalheiro lhe enviou isso... — disse o mesmo barmen de antes e colocou um drink na frente de Caitlin. Parecia um martíni, mas era roxo e azul com um blueberry espetado ao invés de uma azeitona.

Caitlin encarou a taça e comeu o blueberry, mas em seus olhos algo tinha se ascendido e eu realmente fiquei com medo. Aquilo significava alguma coisa e ela sabia de quem havia vindo a bebida grátis. Cait não parecia preocupada em olhar ao redor e tentar reconhecer alguém, então eu fiz isso por ela para dar de cara com Oliver e Tommy na área VIP onde estávamos no começo da noite.

Tommy estava bebendo um drink roxo igual ao de Caitlin.

— Cait? — chamei e ela levantou o indicador e virou a taça como se fosse um shot de tequila. — Posso perguntar uma coisa?

— Claro. — disse limpando a boca com um guardanapo verde com o logo da Verdant.

— Quando, exatamente, você foi para cama com Tommy?

Apreciei cada segundo de seu choque, medo, receio e resignação enquanto terminava o meu drink. Ela suspirou e se sentou na banqueta ao meu lado como se estivesse pronta para admitir um crime.

— Foi logo depois do Natal. Ele apareceu com Oliver no hospital para pegar seus remédios mensais e me passou outra cantada e colocou seu telefone no bolso do meu jaleco. — ela confessou e eu brinquei com meu canudo tentando não sorrir. — Depois disso, meu ex-marido apareceu no hospital para pegar os papéis do divórcio.

— O que? Você nunca me disse que era casada! — eu exclamei largando o canudo.

— Acho que isso é conversa para outra noite de meninas, mas em resumo eu fiquei muito estressada e carente e quando vi já estava indo encontrar com ele em um restaurante. — ela disse e coçou levemente uma das sobrancelhas. — Nós fomos para cama e depois cada um seguiu com a vida. Ou melhor, eu segui com a minha, porque ele está em todos os lugares que eu olho aparentemente.

Eu peguei sua mão em cima do balcão e apertei levemente.

— Você já chegou a dizer "Não"? Tenho certeza que ela vai parar de te importunar se você deixar claro que não quer nada com ele. — eu disse e ela suspirou.

— Aí é que está, eu não sei se quero dizer "Não". Tommy é um cara legal, engraçado, bom de cama e irritante ás vezes, mas ele é aquele fôlego que eu precisei depois anos me afogando. — ela disse e colocou a mão em cima da minha. — Eu pedi para ele me dar um tempo para eu tentar entender tudo que está acontecendo agora que o divórcio está sendo finalmente finalizado com Ronnie, mas ele continua fazendo coisas assim...

Ela fez um gesto para a taça vazia e eu ri.

— Talvez ele só queira te lembrar que ele está esperando. — eu disse e coloquei minha taça de lado.

— Talvez. — ela disse e respirou fundo.

— Eu sei o que eu vou fazer agora. Você vai ir dançar e se por algum acaso Tommy descer e pedir para dançar com você, você vai aceitar e vai se permitir viver porque a vida é curta demais para não apreciarmos os bons momentos. — eu disse me levantando da banqueta e ela riu.

Usando a manobra favorita de Thea, caminhei rapidamente para longe de onde ela estava em direção a área VIP. O segurança já me conhecia, então liberou minha entrada sem que eu ao menos mostrasse meu carimbo. Assim que terminei de subir as escadas, Tommy veio até mim.

— Ela está bem? O que ela te disse?

Ele parecia uma colegial assim.

— Ela está bem e está precisando de um parceiro para dançar. — eu disse e ele não precisou de incentivo maior, apenas passou por mim deixando um beijo em minha têmpora e desceu as escadas quase que correndo até a pista de dança.

Me virei para Oliver e o encontrei me observando com um copo vazio em mãos.

— Se nós não sermos padrinhos deles, eu vou ficar terrivelmente ofendida e com sede de vingança. — eu disse e ele sorriu.

Fui até o seu lado e me apoiei na grade de proteção á tempo de ver Tommy cortar caminho entre os corpos dançantes até onde Caitlin estava. Eles começaram a dançar juntos e sussurrar palavras um no ouvido do outro e boom! Estavam se beijando em questão de segundos.

— Eu sou muito boa nesse negócio de cupido... — disse e ouvi Oliver rir ao meu lado.

— Acho que tenho que concordar com você. — ele disse e colocou o copo vazio em uma das mesinhas ao lado da grade.

Me virei para ele e vi que ele estava usando roupas casuais hoje. Sem jaqueta de couro, no entanto. Apenas o bom e velho jeans com um suéter. Continuava gostoso como um inferno, no entanto.

— Você está bem? — perguntei e ele assentiu levemente.

— Bem, mas levemente bêbado. Walter abriu um uísque mais velho do que eu e era muito forte. — ele disse e eu notei suas bochechas rosadas e a leveza de seu olhar. Ele estava mais do que levemente bêbado. — E Tommy não gosta de beber sozinho, por isso ele me fez vir com ele.

— E quem ia levar os dois para casa se estavam planejando beber? — perguntei usando minha voz autoritária e ele riu e me puxou pelos ombros em um abraço desajeitado.

— Damien está á postos lá fora. — ele disse em meu cabelo e eu o abracei pela cintura levemente.

Seu cheiro invadiu minhas narinas como uma onda tsunami e eu quis enfiar meu nariz em seu peito, mas me contentei em ficar realmente perto dele. Seus braços me rodearam e eu senti seu rosto se enfiar em meu cabelo. Eu acho que ele também estava me cheirando, então não me senti nenhum pouco culpada porque eu fiz o mesmo.

— Vamos para casa Oliver. — eu disse o puxando pela cintura e ele veio de bom grado.

— Ahm, claro, mas antes... — ele disse se afastando levemente para puxar meu rosto para perto do seu e depositar um selinho demorado em meus lábios. — Eu queria fazer isso há muito tempo.

— E por que não fez?

— Combinamos de ir devagar não foi? — perguntou de volta e eu sorri.

Peguei uma de suas mãos e coloquei em minha barriga. Ele sorriu levemente e apertou o local levemente. Uma bolha se fechou ao nosso redor deixando todas as pessoas, a música e todo resto para fora.

— Acho que precisamos reconfigurar nossa logística, Oliver. — eu disse e ele assentiu sorrindo e desta vez beijou minha bochecha.

—-

Minha nova terapia era estar dentro da biblioteca da mansão. Quase ninguém vinha aqui mais e era um lugar quieto para pensar. Eu tinha começado a transformar todo o acervo da Família Queen físico em digital e isso tomou grande parte do meu tempo e energia. Me distraía suficiente. E quando esbarrava em um livro que era edição única ou limitada e tinha que escanear página por página, era melhor ainda. Também limpava as estantes, as espinhas dos livros e se as páginas estivessem amareladas demais, cuidava delas também. Era como uma forma de terapia.

Fazia três dias que eu não via Oliver. Ele passou boa parte da ressaca dele enfiado no quarto e nem mesmo Kylie e seu beicinho o tiraram de lá. Ao que Dinah falou fazia tempo que ele não tomava um porre, até mesmo Thea ficou orgulhosa. As pestes seguiram com a rotina deles e Kylie dormiu no quarto de Oliver na primeira noite.

No segundo e terceiro dia ele havia vestido a farda de executivo dele e ido para empresa, eu fiquei sabendo por Bruce que eles estavam na reta final de algum contrato grande e isso requeria grande parte da atenção dos três milionários que eu conhecia.

Eu não levei para o pessoal, nope, porque estava ocupada demais com a biblioteca.

Meu subconsciente me olhou por cima de seus óculos meia-lua e eu revirei os olhos.

Okay. Eu estava irritada.

Eu já estava com meu prato cheio tendo que cuidar das pestes, do M&M, de hormônios em fúria e agora tinha que lidar com a ausência de Oliver também? Eu estava irritada e frustrada, e realmente não me importava que o último tópico não era intencional. Apenas queria jogar ele contra a primeira superfície e fazer coisas que eu nem ousava pensar direito até que eu relaxasse e conseguisse pensar com mais coesão, mas não podemos ter tudo que queremos e a merda da bolsa de valores era a culpada disso. Suspirei irritada. Abaixei o tablet e devolvi "Tess dos D'Urbervilles" para a prateleira de romances clássicos e super caros depois de limpar ele com um paninho úmido.

— Está tudo bem?

Me virei e encontrei Oliver encostado na parede ao lado da porta com os braços cruzados e um expressão preocupada. Ele estava com roupas normais o que era estranho. Olhei pela janela e vi que já havia anoitecido. O tempo passou voando.

— Sim. Só estou indignada com a organização destes livros, nem em ordem alfabética estão! — eu disse e ele riu levemente.

— Faz muito tempo que eu não entro aqui. — ele disse e colocou a mãos nos bolsos da calça e veio andando até mim olhando ao redor. — Aqui era o antigo escritório do meu pai.

Oh. Robert Queen gostava de romances obscuros? Uau.

— Eu vim perguntar se você quer ir comigo na consulta de quarta-feira ou prefere que eu te encontre no consultório? — ele disse se apoiando na estante ao lado de onde eu deixei meu tablet.

— Podemos ir juntos.

— Já ouviu alguma notícia de Tommy?

— Oh, ele foi para cama com a Dra. Snow de novo e não quer calar a boca sobre isso. Eu tive que bloquear as ligações dele. — ele respondeu revirando os olhos e eu ri. — E Caitlin?

— Ela só resumiu dizendo que eu estava certa e eu aceitei essa resposta. — eu disse dando ombros rindo de novo. — Onde estão as crianças?

— Kylie e Kellan estão assistindo Mako Mermaids no quarto dela juntos e Kiera saiu com Nathan e Damien. — ele disse. Quando eu ia abrir a boca, ele me cortou. — Antes que você fale, eu pedi para ele deixar eles terem um senso de privacidade, mas ainda assim acompanhar os dois.

Seu tom mal-humorado me fez querer beijá-lo.

Ele ficava terrivelmente fofo assim.

— Oliver? — chamei pegando uma de suas mãos e apertando levemente, e ele olhou para mim. — Você é um ótimo pai.

— Graças á você. — ele disse apertando a minha de volta. — Posso te perguntar uma coisa?

— Claro. — disse e ele se distanciou da estante e agachou na minha frente.

Seu olhar focou inteiramente em mim.

— Você se arrepende de algo desde que chegou aqui? — perguntou com tom de voz curioso mas em seus olhos eu conseguia ver uma sombra de vulnerabilidade que eu nunca tinha visto antes.

— Muitas coisas. A começar de ter levado as crianças para comer hambúrgueres logo depois de Kellan ter tido alta no hospital e estar tomando três comprimidos diferentes. — eu disse sincera e ele sorriu um pouco. — Mas você está perguntando em relação a você, não é?

Ele assentiu e piscou levemente.

— Talvez ter gritado com você naquela mesma noite? Você sabia que Slade veio falar para mim segurar a língua perto de você depois? — perguntei e ele riu de novo. — E em questão de o que? Três dias lá estava eu, gritando com você de novo só que ao vivo e em cores.

— Eu fiquei sem palavras, eu admito. Você foi surpreendente. — ele disse e eu sorri apertando suas mãos um pouco. — Ainda é. Sempre que acho que comecei a entender como você pensa, você apenas me mostra que ou estou na direção errada ou você já está voltando e eu estou muito atrás.

— Não se sinta assim, ninguém entende. Nem mesmo eu mesma. — eu disse dando ombros. — Mas obrigada por tentar, isso já é mais do que qualquer pessoa já fez por mim.

Colei nossas testas e esfreguei meu nariz no dele em um beijo esquimó.

— Eu mereço uma estrela rosa. — ele disse erguendo uma sobrancelha e eu gargalhei.

Kylie e eu tínhamos um sistema de estrelas para as tarefas de escola e de casa. A cada tarefa cumprida ela recebia uma estrela dourada em formato de adesivo para colar onde ela quisesse, se ela fizesse sem eu precisar lembrar ela, uma estrela azul e se ela adiantasse alguma tarefa em seu tempo livre ou recebesse elogios na reunião de pais e professora, era uma estrela cor-de-rosa. E advinha qual estrela ela mais gostava de ganhar? Isso mesmo, a cor-de-rosa. Oliver foi integrado nesse sistema, mas Kylie sempre ganhava as azuis com ele de forma fácil, era ela só bater os cílios para ele algumas vezes.

— Talvez. Você tem se provado um aluno muito aplicado realmente. — eu disse e ele revirou os olhos. — Não faça isso, você leu três livros sobre gravidez em dois dias Oliver.

— Eu estava entediado entre as reuniões e tinha os arquivos no celular. Foi apenas para refrescar a memória. — ele disse tentando desconversar, mas Bruce me contou que até mesmo durante as reuniões ele estava lendo e fazendo anotações inclusive. — Eu não consegui acompanhar como deveria as gravidez dos meninos, sempre tinha uma reunião ou um evento ou qualquer coisa... Agora eu consigo e eu não conto a primeira consulta porque nem você sabia que deveria estar lá.

Eu ri e maneei a cabeça.

— Por que não conseguiu antes?

— Sara e eu vivíamos ocupados, então tínhamos que remarcar consultas para entrar na agenda. Acho que dos gêmeos eu fui em umas quatro apenas. E a gravidez de Kylie, três. — ele admitiu e eu assenti.

— O que mudou agora?

— Eu sou o dono. — disse erguendo a sobrancelha daquele jeito malicioso e completamente egocêntrico. Ele se levantou do chão e sentou ao meu lado no divã de couro preto. — Na gravidez dos gêmeos eu tinha acabado de me formar e estava tentando provar meu valor dentro da empresa, meu pai fez questão que todos soubessem que eu estava ali por causa do meu valor e não sobrenome. Eu comecei como todos começaram, eu era o garoto das cópias.

— Que dirigia uma Ferrari para ir trabalhar. — eu disse e ele revirou os olhos.

— Fiz muitos amigos e inimigos no começo. Trabalhei em todos os departamentos do zero até entender como tudo funcionava e a importância de tudo funcionar bem. Incluindo T.I. — ele disse e eu fiquei boquiaberta. — E você achou que ninguém notou o que você fez com o sistema de segurança quando foi ensinar Kellan a fazer baliza?

Foi a minha vez de ficar sem palavras.

Eu fui pega. Digitalmente. Por Oliver Queen.

— Então foi muito consumidor de tempo, mal ficava em casa e quando ficava eu me concentrava em Sara e nos bebês. Quando eles nasceram eu estava no financeiro e Kiera vomitou em um relatório sobre os valores das ações anual que eu tive que refazer. Levei dois dias inteiros. — ele disse sorrindo levemente com a memória.

— Por que dois dias?

— Oh, era desde a fundação até o ano corrente. Mais de 70 anos de variações da bolsa para copilar e transcrever. — ele disse e riu consigo mesmo. — Deus, eu fiquei traumatizado depois daquilo. Nunca mais levei nenhum deles para o escritório depois disso.

Eu ri e ele puxou minhas pernas para cima de seu colo.

— E a gravidez de Kylie? — perguntei adorando nossa linha de conversa.

— Foi quando eu comecei a viajar para outras filiais. Meu pai estava pronto para se aposentar e eu tinha que fazer a tour e conhecer o restante da empresa e nossos investidores, parceiros e conseguir mais dos mesmos em outras partes do mundo. — ele disse e começou a acariciar minha perna inconscientemente, pois seus olhos pareciam mergulhados em memórias antigas. — Eu voltei no mesmo dia em que ela nasceu e Sara morreu.

— Você chegou a culpar ela?

— Sim. — ele nem mesmo hesitou. — Mas quando a segurei pela primeira vez na UTI neonatal, naquele instante... Ela era o meu mundo inteiro.

— Estou ansiosa para sentir isso. — eu sussurrei colocando as mãos em minha barriga. — Eu nunca quis ser mãe, para ser complemente sincera com você. Nunca me passou pela cabeça essa ideia de construir uma família. Quem sabe um cachorro, mas filhos... Nunca.

— Por que?

— Meu pai me abandonou quando eu era pequena e minha mãe definhou com isso. Me tornei muito autossuficiente, e os papéis se inverteram. A criança de oito anos era a mãe e a mulher adulta de 29 anos era a criança a ser cuidada. — eu dei de ombros. — Eu respeito crianças, acho que é por isso que me dou bem com elas. Eu acho que crianças devem ter pais que as querem por perto, porque eu sempre soube qual era o lado oposto a isso já que era a minha realidade.

— Você me odiou.

— Sim. — eu admiti. — Eu te chamava de pai de merda na minha cabeça no começo, mas depois fui descobrindo alguns fatos e circunstâncias e comecei a sentir empatia por você. Ninguém é perfeito, Oliver. Minha mãe é... Bem, a minha mãe, mas sempre que eu precisei, ela estava lá. Donna Smoak nunca foi a mais inteligente, a mais elegante ou a mãe perfeita, mas ela sempre esteve lá quando eu precisei. Eu só era orgulhosa demais para pedir ajuda para ela.

— Ela se orgulha muito de você. Todos conseguem ver nos olhos dela. — ele disse e eu sorri.

— Toda vez que eu ligava para ela dizendo estar num emprego novo e diferente ela ficava animada e queria saber de todos os detalhes. Acho que me abrir para outras oportunidades foi o que nos reaproximou, eu estava vivendo mais. E quando eu pintei meu cabelo de loiro, então? Ela pirou completamente. — eu disse rindo e ele encarou a minha raiz. — Eu sei segredos seus, Queen. Nem ouse.

Ele apenas sorriu.

— Acho que no final das contas não existe pais e mães perfeitos, mas existem aqueles tentam e existem aqueles que são presentes. — eu disse erguendo dois dedos no ar. — Eu não precisava que minha fosse a mais inteligente ou que soubesse tudo sobre computadores ou como a nossa torradeira elétrica funcionava ao contrário, eu só precisava saber que ela estaria lá no final do dia. Eu espero ser este tipo de mãe.

— Você já é. Eu vejo isso com os meninos, eles se abriram muito mais comigo e sou eternamente grato por isso, mas vejo que quando as situações ficam mais sérias... Eles correm para você. — ele disse sorrindo e deu de ombros. — E não acho que com mais um no time será diferente.

— Você está me elogiando demais hoje, Sr. Queen. — eu disse e dei um beijo em sua bochecha. — Mas obrigada. Você também está fazendo um trabalho excelente.

— Então eu mereço duas estrelas rosas? — perguntou e eu ri alto.

— Quem sabe...

— Fique com as estrelas e me dê um beijo. — ele disse e eu me inclinei para frente e encontrei seus lábios com os meus antes mesmo dele terminar a palavra "beijo". Eu estava esperando uma brecha como essa por dias, não iria desperdiçar uma oportunidade assim.

Seus lábios ainda eram macios como eu me lembrava.

Deus, parece que foi a 84 anos atrás deste jeito...

Eu sinto como se fosse, okay? Me processe.

Ele se inclinou em minha direção e eu tomei como uma iniciativa para aprofundar o nosso beijo e... Eu senti falta disso. Mais do que eu estava confortável em admitir, porque não era o beijo ou toque... Era simplesmente ele. Oliver. O pai do meu bebê. E esse último fato já adicionava 100% ao fator sexy, e ele não precisava de ajuda neste quesito.

— Isso não é ir devagar. — ele sussurrou contra os meus lábios.

— Nós vamos ter um filho, Oliver. Já pulamos muitas fases para ir devagar. — eu sussurrei de volta e ele riu, eu também e logo voltou a me beijar.

Senti suas mãos puxaram minhas pernas para si ainda mais e eu deslizei pelo divã levemente e o puxei pelos ombros para mim. Seu corpo cobriu o meu quase que por completo e eu comecei a puxar a barra do seu suéter para cima. Entendendo minhas intenções, ele voltou a se sentar e arrancou a peça de seu corpo com agilidade. Eu puxei a barra do meu próprio e o tirei também, bendita foi esta manhã que eu decidi vestir camadas.

— Daisy, senta!

O grito de Kylie ecoou pelo corredor e seguido logo depois algo espatifando no chão. Eu e Oliver congelamos, eu voltei a me sentar e os latidos tomaram a mansão por completo.

— Devemos... — começou Oliver e logo ouvimos a voz de Kellan.

— Kellan consegue dar conta, não consegue? — perguntei olhando para a porta incerta. Me virei para Oliver e logo o silêncio reinou. — Ele dá conta sim.

Oliver me puxou pela mão e eu fui de bom grado. Montei em seu quadris e voltei a beijá-lo sentindo suas mãos passearem pelas minhas costas até a minha bunda. Ele deixou um apertão ali e eu suspirei. Puxei seu cabelos em sua nuca e o trouxe para ainda mais perto.

— Papai! A Daisy está descendo as escadas sozinha! Vem ver!

Paramos com tudo ao grito animado de Kylie.

— Estou me arrependendo tanto de ter trazido aquela filhote agora... — Oliver sussurrou contra o meio de meus seios e sua voz saiu abafada.

— Eu que dei a ideia, então acho que podemos dividir essa. — eu reclamei respirando fundo e saindo de cima de seu colo. — Sem mais pets para essa casa e não importa o quão fofo nosso bebê for, a resposta sempre será um "Não", combinado?

Ele fechou os olhos e assentiu. Respirou fundo algumas vezes e Kylie voltou a gritar, o chamando-o. Ele levantou do divã e fomos juntos até a porta.

— Estou indo... — respondeu ele alto suficiente para ela ouvir do hall de entrada. — Vamos sair? Só você e eu?

— Como um encontro? — perguntei arrumando meus óculos e ele assentiu. — Okay, mas esse encontro incluí sobremesa, o outro tipo de sobremesa, certo?

— Dependendo de como for o seu jogo... Quem sabe. — ele disse piscando e eu fiquei chocada e ligeiramente ofendida.

— Eu tenho jogo. Eu tenho o melhor jogo e a prova estava sendo gerada em meu ventre enquanto falamos sobre isso. — eu apontei e ele riu deliciado com essa troca.

— Sorte de principiante. — ele disse e eu ergui uma sobrancelha. — Amanhã a noite, vou falar com Dinah e Joe para eles ficarem com os meninos e iremos tirar a prova. Combinado?

— Okay. — eu disse sorrindo.

Ele me puxou para mais um beijo desentupidor de pia que tira o fôlego de dentro dos seus pulmões a força e depois saiu pela porta completamente desafetado, como se fosse algo completamente rotineiro para ele. Respirei fundo algumas vezes ouvindo latidos e gritos de celebração ao longe e ignorei a minha atual situação a baixo da cintura.

— Papai realmente acha que pode ganhar da mamãe, bebê... É bom você aprender desde já que isso nunca vai acontecer, então é melhor você ser sempre time mamãe, ouviu? — perguntei apontando para minha própria barriga e depois sorri. — Que os jogos comecem.

Notas finais
Comentem! Indiquem! Recomendem! Favoritem! Qualquer coisa, sério... Só para essa autora aqui saber e analisar se ainda tenho leitores hahaha Fantasminhas se sintam a vontade para sair do além e dizer um "Olá"! ♥ L.W PS: Venham conversar comigo no Twitter! Meu nome por lá é @jubs_schild! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! PS²: Vamos bater #460 comentários? Ou mais uma recomendação?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.