Notas iniciais
Ciao! Olá de novo! ♥ Obrigada pelos comentários do capítulo passado meninassss, agora vamos á mais um capítulo! Boa Leitura!

— Srta. Smoak? — chamaram e eu me levantei em um pulo, olhando ao redor.

Encontrei uma mulher de cabelos escuros que combinavam com seus olhos castanhos vestindo um jaleco branco e um estetoscópio no pescoço com uma expressão gentil me encarando, acho que deveríamos ter a mesma idade.

Ela não parecia ser muito velha.

— Sou eu. Como ele está? Kellan.

— Eu sou a Dra. Caitlin Snow. Kellan é seu filho? — perguntou me olhando com um olhar divertido como se já tivesse presenciado essa mesma situação várias vezes.

— Hoje ele é. — eu disse e ela assentiu e voltou a ficar séria.

— Bom, ele está estável, a febre baixou e os vômitos cessaram. Ele tem um caso de Labirintite Viral. — ela disse e eu assenti deixando o alívio inundar meu corpo ao saber que os sintomas de Kellan estavam melhorando. — Os antibióticos já estão fazendo efeito, você pode entrar para vê-lo, mas ele vai estar um pouquinho grogue. Ele ficará em observação hoje e amanhã, se tudo correr bem, ele terá alta sexta-feira.

Eu assenti entendendo.

A Dra. Snow pediu licença e foi checar os outros pacientes que tinha. Deixei meu corpo cair na cadeira novamente e respirei fundo. Bom, ele estava vivo e estava melhorando.

— Srta. Smoak?

Era a voz de Slade. Fechei os olhos e suspirei.

Me virei lentamente e vi ele carregando uma pasta vermelha.

— É agora que eu sou demitida? — perguntei e ele sorriu levemente e negou com a cabeça.

— Ainda não, guria. — ele disse e me entregou a pasta. — Como está Kellan?

— Ele tem Labirintite, provavelmente, por causa daquele terreno baldio que ele chama de quarto. Precisamos de um quarto limpinho para quando ele voltar. — eu disse e ele assentiu compreendendo. — Vou passar a noite com ele aqui, mas volto para casa para levar as meninas para a aula amanhã...

— Não se preocupe com elas. O Sr. Queen quer que fique a disposição de Kellan até que ele se recupere por completo, Damien vai acompanhar a meninas amanhã e peço para Dinah arrumar um quarto para o garoto. Ela está uma bagunça em casa por causa disso tudo. — ele disse calmamente e eu assenti sorrindo levemente.

AINDA ESTOU EMPREGADA! YES!

— O Sr. Queen ficou bravo? Eu vou ser punida de alguma forma? Pode falar, eu aguento. Eu acho? — perguntei abraçando a pasta que ele me entregou. Slade fez o que eu menos esperava. Começou a rir. — Não é engraçado Sr. Wilson.

— Pode me chamar de Slade, guria. Fique tranquila que nada irá lhe acontecer enquanto continuar cuidando das crianças tão bem assim. E o Sr. Queen já está acostumado com mulheres gritando com ele o tempo inteiro. — ele disse e eu consegui respirar melhor. — Eu trouxe roupas para vocês dois também, está na mini-van.

— Obrigada. — eu disse e ele assentiu.

— Mande lembranças para o garoto e quando chegar na mansão, pegue o número de todos. Aquele número é para emergências realmente sérias, do tipo eles foram sequestrados, e me previne de ter um ataque cardíaco. — ele disse e eu ri assentindo. — Eu vou levar o outro carro para casa, okay?

Assenti e trocamos as chaves. Ele se despediu mais uma vez e disse que tudo estaria pronto para quando chegássemos em casa. Eu troquei de roupa e vesti uma calça de moleton minha com um moleton antigo da faculdade. Sra. Lance deveria ter mandado as roupas, eu preferia acreditar do que Slade vasculhando por minhas gavetas.

Com os documentos que Slade havia trazido, eu preenchi a ficha de Kellan por completo, mas não alterei seu sobrenome ainda pensando sobre aquele contrato de não exposição. Eu não sabia se aplicava nessa situação, mas o seguro de Kellan era caro suficiente para ele ter um upgrade. Seus exames foram classificados como prioridade e ele havia sido transferido para um quarto privativo em um andar com toda uma equipe diferente. Apenas a Dra. Caitlin permaneceu desde o atendimento inicial.

Fui oferecida água, chá, comida e café várias vezes pelas enfermeiras, mas eu neguei tudo. A imagem de Kellan vomitando sangue não permitia que nada permanecesse no meu estômago por muito tempo. Quando o garoto havia voltado para o quarto depois de mais um exame, eu tive vontade bater em Kellan por ter feito eu passar tanto nervoso assim.

Um lado meu acreditava que nem ele mesmo sabia que estava doente. E outro lado acreditava que ele notou algo errado, mas não disse nada porque, talvez, ninguém fosse se importar. Não sabia em qual lado dar mais razão, estava em um impasse. Eu, finalmente, entendi um pouco quando mamãe disse que eu era o caos em pessoa, me senti tão culpada por todas as vezes que fiz ela passar algum nervoso ou preocupação depois disso.

Arrastei a poltrona para mais perto da cama e sentei ao lado da cama.

Kellan havia ganhado um banho e seu cabelo estava penteado para trás, deixando seu rosto em exposição e ele parecia sereno em seu sono. Não parecia estar com dor, mas talvez isso seja devido ás duas agulhas perfurando seu braço com acessos que ligavam sacos de soro e remédios á sua veia.

Talvez tivesse morfina ali no meio.

Suspirei e abracei meus joelhos em cima da poltrona.

Eu conhecia estas crianças á menos de 12 horas e elas já moravam dentro do meu coração. Sempre pedi ao cara lá de cima por um coração mais frio ou um coração de pedra, porque eu sempre me apegava rápido demais e acabava me dando mal no final, mas não hoje.

Kellan e Kylie já eram meus protegidos, eu não sabia nada quanto Kiera porque ela não tentou me pregar uma peça ou começou a vomitar sangue, mas sabia que com ela não deveria ser muito diferente.

Diggle estava certo, como sempre.

Eu tenho um coração gigante e ele já tinha moradores novos. A prova disso foi eu não conseguir pregar o olho, sempre que Kellan se remexia ou resmungava alguma coisa eu já estava pronta para apertar o botão ao lado da cama que chamava as enfermeiras ou também estava pronta para gritar.

Quando deu seis horas da manhã, o Sol começou a nascer e a luz entrar no quarto, Kellan acordou bem na hora de ver os primeiros raios de Sol banharem Starling City inteira.

— Ahm... Não é um pesadelo. — Kellan resmungou enquanto estava acordando. Eu quis rir, de verdade, mas não consegui. — E aí Nanny?

— Você me chamou de quê, garoto? — perguntei saindo do meu estupor de adulto preocupado e encarei ele com uma sobrancelha erguida e braços cruzados.

Ele sorriu, pelo menos.

— Desculpe, Felicia.

— Felicity. — corrigi e ele revirou os olhos. — É muita arrogância para um garoto que estava vomitando as tripas fora horas atrás.

Ele me ignorou e eu apertei o botão ao lado da cama. A Dra. Snow apareceu depois de alguns minutos com uma das enfermeiras que eu não havia conseguido gravar o nome e sorriu ao ver a nossa interação.

— Olha quem acordou, você deu um baita susto nela ontem. — disse a Dra. Snow para Kellan enquanto apontava para mim e se aproximou da cama para checar os sinais vitais de Kellan.

Ontem? Oh sim, já era amanhã.

— Ela é paga para se preocupar comigo, Dra. — Kellan disse e não me surpreendi tanto como a Dra. Snow. Já esperava este tipo de comportamento de criança mimada. Kellan me provou o contrário do que havia achado antes. — Ela é a babá da minha irmã.

— Entendi, mas onde estão os seus pais? — perguntou Dra. Snow e Kellan suspirou.

— Bem, não estão aqui, certo? — perguntou irônico e desviou o olhar.

Merda.

Me assustava o quanto mamãe estava certa. Eu reconhecia alguns traços de personalidade de Kellan em mim mesma quando mais nova. Rebelde sem causa a procura de um bode expiatório para as auto-frustrações. Não me orgulhava em admitir isso, mas foi uma fase que eu demorei á passar. Acho que eu até mandaria uma foto para mamãe perguntando se por acaso eu não tinha um irmão perdido por aí. Não era apenas o visual alá Família Adams que Kellan tinha ou sua personalidade que me lembrava a mim mesma, mas também seu comportamento. Ele também tinha tiques e tendia a ter pequenos lapsos de arrogância. Eu fiquei exatamente assim quando entendi que meu pai não havia saído em uma viagem de negócios bem longa, mas logo voltaria para casa.

Deus, eu sabia que era insuportável naquela época.

Acho que Kellan vai dar mais trabalho do que Kylie no final das contas.

— Eu sou babá dele também e a responsável aqui, Dra. Ignore esta versão mal-educada de Kellan, acho que os remédios ainda estão o afetando um pouco. — eu disse antes que Kellan dissesse mais alguma coisa e deixasse a Dra. Snow sem graça.

— Vamos ver como você está. — ela disse e continuou a checar os sinais vitais de Kellan e depois desconectou alguns fios de seu corpo, deixando apenas o do soro e um outro que era meio verde. — Você está bem melhor que ontem. Acho que poderá sair hoje mesmo.

— Yay. — disse Kellan com sorriso cínico que não abalou em nada a doutora.

— Vou pedir para alguma das meninas trazerem algo para você comer. — disse a Dra.

— Obrigada Dra. Snow. — eu disse e ela foi embora. — Estou com saudades da sua versão doente, ela é bem mais educada do que esta daqui.

Kellan fez um voto de silêncio e não disse mais nada. Só teve um lapso de boa educação e agradeceu a senhora que trouxe um lanche natural e suco. Ele comeu em silêncio e depois se aconchegou nos travesseiros e ficou olhando para o teto de modo pensativo.

— Ah, eu vou dedetizar o seu quarto. Por enquanto, você ficará em dos quartos de hóspedes. Qualquer espécie de fungo novo que você tenha criado ali é a causa da sua doença, e nós vamos exterminá-la. — eu disse e ele nem reclamou, como eu pensei que faria, apenas assentiu e nem se deu ao trabalho de olhar para mim. — O que você está construindo com aquelas placas de cobre afinal de contas?

— Um robô para minha irmã. — ele disse.

— Que fofo.

— Não vai ser quando ele disparar nitrogênio líquido enquanto ela estiver tomando banho. Tenho certeza que Kiera irá amar. — ele acrescentou e eu ergui uma sobrancelha, poderia até ser perigoso, mas seria engraçado. — Estou brincando. É para Kylie.

— Aniversário? O dela é este mês, não é? — perguntei e ele assentiu.

— Domingo.

— Você vai perder muita coisa hoje nas suas aulas de hoje? — perguntei e ele negou.

— Não vai ser muita coisa, eu consigo me recuperar depois. — ele disse e olhei para o ponto fixo do teto que ele olhava. O que tinha de tão interessante ali? — Me desculpe, Felicity.

— Pelo que?

— Por ser mal-educado com a Dra. Snow e com você mais cedo. — ele disse e parecia estar arrependido. — É que eu não sou fã de hospitais.

— Nem eu. Da última vez que estive aqui, foi quando eu quebrei minha perna e desloquei meu ombro. Doeu muito quando ele voltou para o lugar. — eu disse massageando o ombro esquerdo e ele sorriu fracamente.

— Como você conseguiu quebrar a perna e deslocar o ombro ao mesmo tempo?

— Trabalhava limpando janelas de prédios em um andaime enorme, caí no terceiro andar. Dei sorte de ter quebrado apenas a perna e não o pescoço. — eu disse e me arrepiei ao lembrar de como eu fiquei pendurada pelo pé durante três horas batendo as costas na janela que havia demorado horas para limpar.

— Então você não tem experiência nenhuma em ser babá?

— Eu já fui babá antes... De um gato. — eu disse e ri. — Mas não tem ninguém neste país que tenha mais experiência que eu. Meu currículo tem sete páginas. Eu chequei.

— Cacete. — ele disse boquiaberto e eu assenti, ignorando o palavrão.

Contei algumas histórias dos empregos anteriores e ele riu de todas elas.

O clima ficou bem mais leve, ele contou algumas histórias engraçadas de Kiera e ele quando menores. O tempo voou e a nossa conversa foi interrompida pela senhora que serviu café da manhã para Kellan. Omelete de claras com salada de frutas e um mingau meio cinza.

Parecia tãoo apetitoso.

— Quando eu te vi ontem, pensei que não conseguiria gostar de você. — ele disse entre colheradas de seu mingau de aveia. Acho que a fome era, de fato, o melhor tempero, porque nem amarrada eu comeria aquilo. — Pelo menos, você não é entediante como as outras.

— Por que você não gostaria de mim? Eu sou um amor de pessoa. — eu disse ligando a TV e colocando na minha conta do Netflix para assistirmos "Stranger Things" juntos. Eu estava querendo fazer uma maratona para assistir os episódios novos na íntegra.

— Você parece com a minha mãe. — ele disse e eu congelei no lugar. — Os olhos, o cabelo e até este seu jeito louco. Me lembra como ela era.

— Isso é bom? — arrisquei a pergunta e vi ele coeçar a comer a salada de fruta.

— Não sei, mas não é ruim como eu pensei que seria.

Eu coloquei o episódio para rodar e não falamos mais nada.

—-

— Aquela professora que tem as pernas tortas apareceu hoje.— contou uma voz infantil aos sussurros para Kellan, o mesmo que riu baixinho.

Era Kylie? Mas não era ela que não era fã de se comunicar?

— Você está horrível, Kel. Isso é o que dá não limpar seu quarto direito.

Quis rir da observação dela, mas para os dois eu estava dormindo então ri internamente e continuei inexpressiva por fora para não arruinar o momento que eles estavam tendo.

— O que ela está fazendo aqui?— perguntou Kylie.

— Ela é a minha babá também, não é só sua. Ela está cuidando de mim e me fazendo companhia.— disse Kellan em um tom de voz brando e carinhoso.

— Ontem eu quis fazer um bigode de chantily nela, mas ela trancou a porta de algum jeito. Eu esperei e depois ela me levou para minha cama.— ela contou como se fosse um segredo de Estado. — Puxou o cobertor e deu um beijo.

— Você não ativou a catapulta de presunto nela, né?— perguntou Kellan de volta.

Ela tinha uma o que?!

— Não.

— Você gosta dela?

— Não sei. Ela tem um nome estranho.— disse Kylie e eu quis rir novamente, mas me controlei. — Ela parece aquela mulher das fotos.

— A mamãe?— perguntou Kellan e acho que Kylie assentiu. — Também acho. E Kiera?

— Continua sendo a chata de sempre, ela não sai do quarto e na última aula de ballet, eu caí e as meninas riram... Ela não fez nada Kel.— contou Kylie tristonha.

— Estou mais preocupado com o que você fez.

— Eu soquei cada uma e elas pararam de rir.— disse Kylie e eles riram juntos.

Ela é uma mini-terrorista, mas no fundo só quer atenção também.

— Ganhei uma advertência.

Okay. Está na hora de me fazer presente. Me remexi e eles pararam de rir. Me espreguicei completamente e cocei os olhos. Bocejei e abri os olhos. Kylie estava deitada ao lado de Kellan na cama, dividindo fones de ouvido enquanto assistiam um episódio de alguma série de sereias em um celular.

— Kylie? — chamei e ela me encarou. — Quem te trouxe?

— Slade. — respondeu Kellan.

— Kiera veio também? — pela virada de olho que ganhei, acho que a resposta é um sonoro "Não". — Okay. Vocês querem alguma coisa para comer? Estou faminta.

Eles negaram e eu assenti.

— Okay.

— Felicia?

— Felicity. — corrigi Kylie carinhosamente. — Sim?

— Me desculpe e obrigada por ontem. — ela disse e pareceu sincera. Okay.

— Eu não tenho nem ideia do que você está falando. — eu disse e pisquei para ela.

Antes de sair vi o olhar que os dois trocaram na cama que foi do tipo "Viu? Ela não é tão ruim". E Kylie era tão carinhosinha com o irmão, e ele com ela, tão próximos que nem pareciam... Espera. Ah meu Deus, ela falou comigo! Comigo! Euzinha aqui! Felicity Meghan Smoak! Ela realmente falou comigo! Sorri. Uma vitória em meio ao caos. Vi Slade lendo um jornal e bebendo café da sala de espera particular e ele parecia cômico deste jeito.

— Hey Slade.

— Guria. — cumprimentou e eu ri. — Como estão os pequenos?

— Fofocando. — eu disse e ele riu. — Eles parecem fazer isso com muita frequência.

Kellan conseguiu sua alta no fim da noite e levou a farmácia inteira do hospital junto com ele, eu ajudei ele a trocar de roupa e Slade deixou eu levar os dois e nos seguiu com outro carro. As pestinhas não falaram nada o caminho inteiro só quando Kylie apontava para alguma coisa na rua que não sabia o que era e Kellan explicava.

— Estou morrendo de fome, vocês querem um Big Belly? — perguntei assim que virei no drive-thru. Kellan e Kylie olharam para mim como se tivesse nascido outra cabeça e um terceiro peito em mim. — O que?

— Nós temos que seguir a dieta que a Dra. Wells passou. — disse Kellan, enquanto Kylie olhava os anúncios de lanches na frente com olhinhos brilhantes.

— Você nunca comeram um lanche do Big Belly Burguer? — perguntei como se tivesse nascido outra cabeça neles.

Eles negaram com a cabeça.

— Até você, Kellan?

Ele negou mais uma vez e eu apenas dirigi até a janela para fazer o pedido.

— Eu quero três números completos Max Belly, com batatas grandes e Coca-Cola. Quero um Belly Kids... Escolhe um bichinho ali. — eu disse para Kylie que olhou a tabela dos bichinhos e apontou para o roxo. — O bichinho roxo.

— Mais alguma coisa? — perguntou a atendente com uma cara de cansada.

— Vocês querem sorvete? Vocês já comeram sorvete né? — perguntei para eles e eles assentiram. — Quatro Ice Belly Cream com calda extra.

— Pode se dirigir á próxima janela. Obrigada e volte sempre!

E assim eu fiz, outra atendente com cara de sono.

— Forma de pagamento?

— Cartão de débito. — eu disse e entreguei o cartão para ela, depois de um tempo coloquei a senha e guardei o cartão assim que tudo foi pago.

Fui até a próxima janela e esperei pacientemente. Liguei o rádio e coloquei em uma das minhas rádios preferidas e estavam tocando Katy Perry. Deixei baixinho enquanto batucava os dedos no volante acompanhando a música.

— Eu dançei esta música ano passado no ballet. — disse Kylie e eu me virei para o banco de trás. Ah meu Deus! Ela ainda estava falando comigo de novo! Kellan também pareceu notar isso, mas não comentou nada. — Foi bem legal.

Depois de "Firework" começou "California Girls" e eu não pude resistir e comecei a cantar, mas quando vi os dois me encarando, eu parei. Os lanches ficaram prontos rapidamente e a atendente foi me passando os sacos. Eu dei para Kylie e Kellan segurar enquanto os sorvetes estavam em meu colo.

Slade estava nos esperando no final do drive-thru e eu dirigi até a praça mais famosa da cidade. Parei no meio fio e saímos todos no carro. As pestes não entenderam muito bem o meu plano, mas vieram sem reclamar. Slade foi outro que estava confuso, mas não comentou nada. Sentamos ao pé da maior fonte de água de Starling City, havia algumas pessoas ali, alguns casais e turistas tirando fotos. Tinha um grande fluxo de pessoas. Tantos rostos que passavam tão rápido por ali que não dava tempo nem de se apegar e classificar os mais bonitos. Acho que era porque estávamos perto do centro comercial e do Stanley Park, mas esse horário deveria estar cheio de gente problema por lá.

Separei os lanches e coloquei guardanapos nas golas de cada um.

Dei o lanche de Slade que aceitou e sentou na fonte e começou a comer.

— Isso merece uma foto. — eu disse e peguei o meu celular e dei para Kellan, que suspirando, ergueu o braço e enquadrou todos nós em uma foto. Eu e Kylie éramos as únicas sorrindo, mas não importava porque estava registrado. — Okay, mordam e depois descrevam em apenas uma palavra.

Eles fizeram o que eu pedi e deram uma pequena mordida com medo de ser ruim.

— Oh meu Deus... — disse Kylie e Slade riu de sua cara.

Ela deu uma mordida maior em seu Belly Kids.

— É muito bom.

Olhei para Kellan e ele levantou o polegar enquanto comia. Não falamos mais nada, apenas comemos e eles observaram ao redor. As crianças eram completamente reclusas! Kellan tinha 17 anos e nunca tinha comido um Big Belly Burguer! Ele foi completamente privado de algumas das melhores experiências da adolescência que era basicamente sair com os amigos e comer besteiras.

Será que ele tinha algum amigo?

Bem pensado, subconsciente.

Fiz uma nota mental para tentar descobrir isso depois.

Caminhamos um pouco e Kylie deu o que restou da comida para um morador de rua que ficou extremamente grato. Kylie quis ser a turista e tirou algumas fotos com o celular de Kellan. Slade nos acompanhava e não parecia ser mais aquele esquisitão de tapa-olho, vulgo projeto de pirata, que eu achei que era ontem. Era tudo questão de convivência, eu acho.

Quando Kylie começou a coçar os olhos e o horário da primeira remessa de remédios de Kellan chegaram, foram os sinais que já deveríamos estar em casa, então foi para lá que fomos em seguida.

Kylie desmaiou no banco traseiro assim que o motor foi ligado e Kellan ficou acordado, mas quando os remédios fizeram efeito, ele encostou a cabela no vidro e dormiu também. Sem música para mim. Segui as instruções do GPS e comecei a decorar o caminho por mim mesma e vi a escola deles, e as outras duas escolas que eles iam. O bom era que tudo ficava no centro de Starling e eu até conseguiria ficar em uma Starbucks trabalhando em alguma coisa nova.

Dei graças ao bom Deus que minha mãe não foi deste tipo de mãe que entupia o filho de coisas, Donna Smoak só me fez fazer aulas de piano e francês (na expectativa de eu me tornar uma miss-não-sei-o-que), mas em troca ela pagou meu curso de informática e mecânica. Além destas coisas, eu comia terra e roubava a geladeira á noite, como qualquer outra criança do bairro.

O asfalto virou a estrada de cascalho seco, dirigi com extra cuidado e fiquei mais tranquila quando comecei a andar em asfalto novamente e o portão com um "Q" dourado apareceu na minha frente.

O portão abriu depois de um tempo e eu entrei, olhei as árvores ao redor e sorri.

Eu amava árvores.

Estacionei na frente da casa e acordei Kellan com cutucões. Quando saí do carro, uma onda de cansaço me inundou por inteiro como um tsunami enorme. Era a fadiga cobrando seu preço. Peguei Kylie no colo e seu brinquedo e Slade estava ajudando Kellan a subir os degraus da frente.

— Oh! Vocês chegaram! Temos um problema. — disse Dinah assim que passamos da porta da frente. Ela estava usando roupão e pantufas, parecia estar apenas esperando a gente chegar para ir dormir. — Os quartos de hóspedes da ala oeste estão muitos sujos e os da casa de hóspedes estão com aquelas tranqueiras que eu já disse para você dar fim, Slade Wilson.

Slade corou levemente.

— Leve Kellan para o meu então, eu durmo no sofá. — eu disse e Slade assentiu e rebocou Kellan escadas á cima, enquanto eu e Kylie íamos mais devagar atrás deles.

A menina era... Robusta.

Com esforço consegui trocar a roupa de Kylie e colocar seu pijama, a cobri e dei um beijo em sua testa. Coloquei seu brinquedinho novo ao lado do despertador e deixei para procurar a tal catapulta de presunto depois. Eu precisava, na verdade, passar um pente fino neste quarto mais tarde.

Assim que saí do quarto de Kylie, entrei no meu quarto, fechei a porta por causa da luz do corredor e peguei meu pijama extra na mala. Corri até o banheiro rapidamente, me troquei e inundei meus olhos de colírio e voltei para o quarto atrás de uma manta limpa para eu me cobrir. Fui até o closet vazio, por hora, e achei uma e me abracei á ela.

Me certifiquei que Kellan estava seguro e confortável na minha cama e fiz um leve carinho em seus cabelos também. Olhei para a porta e vi que ela porta estava aberta. Hm. Voltei para o corredor e no final dele vi uma sombra entrando em um dos quartos da ala proibida. O cansaço falou mais alto que a curiosidade e eu fui até a sala de estar e morri no sofá em hesitar.

Que dia.

Notas finais
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