Notas iniciais
Ciao! Estou de volta para surpresa de vocês, mas estou com zero inspiração para terminar Coaching Daddy. Eu parei em um ponto de capitulo longo e não consigo ir em diante, é horrível, porémmmmm eu consegui adiantar TPN bastante e até mesmo a minha beta ficou surpresa com o tanto de capítulos que eu mandei para ela hoje mais cedo hahaha Espero que gostem e saibam que eu sou grata por todo apoio e os comentários até aqui! ♥ Boa Leitura!

Quem eu estava querendo enganar? Eu estava me borrando de medo! E ao mesmo tempo nunca me senti tão feliz. Eu estava de volta. Eu estava em casa novamente. Eu estava com a minha família.

— Você quer dançar comigo? — convidou Oliver e eu me surpreendi.

Assenti levemente e nós voltamos para a loucura que estava sendo a festa de Kiera. Parecia um baile de contos de fadas misturado com uma balada. Bem Kiera mesmo.

Chegamos a tempo de ver o final da homenagem que todos nós fizemos, agora estávamos mandando beijos para câmera e eu consegui ver Kiera rindo e chorando ao mesmo tempo enquanto abraçava Kylie. Ela abraçou todos e depois foi trocar de roupa, acho. Eu já estava esperando vários vestidos em apenas uma noite, mas Kiera sempre ia além do esperado.

Uma melodia suave começou a ser tocada e a maioria dos convidados voltaram para suas mesas e dois casais começaram a rodopiar na pista de dança como verdadeiros profissionais. Oliver estendeu a mão e eu aceitei. Outra música começou. Eu a conhecia, mas não sabia de onde. Senti as mãos quentes de Oliver me tocando em minha cintura e apertando levemente a minha mão. Era bom.

— Por que eu sinto que você quer me contar alguma coisa? — perguntou ele depois de um tempo me observando. Comecei a suar feito um porco correndo maratona. Puta que pariu. Como é que ele sabia? — Felicity?

— Impressão sua, acho. — eu desconversei e ele me girou.

Ah merda. Por que eu tinha que ser tão transparente assim?

Kiera retornou com um vestido curto que quase fez Oliver subir pelas paredes, mas ela estava brilhando. Era a noite dela. E de Kellan, mas este não parecia nenhum pouco incomodado com o holofote longe de sua direção. Ele parecia agradecido e ainda tinha mais privacidade para dar uns amassos com Alannah.

A balada começou e a lugar virou um inferno completo. Alguns convidados foram embora, outros ficaram e outros foram embora e depois voltaram com mais convidados. Kiera parecia conhecer todo mundo, então não me preocupei. Apenas peguei Kylie que adormeceu dentro do pula-pula, mesmo com o som alto e a levei escada á cima.

Eu já tinha virado profissional nesse negócio para lá de complicado de tirar roupas dos Queen adormecidos/bêbados/doentes, então foi mais um dia tranquilo em meu escritório. Também tirei a leve camada de maquiagem do rosto dela e ela capotou por completo.

Antes de descer a escadaria vi Moira se recolhendo e no final da escadaria, bem na curvinha para o corredor, Thea e Roy se amassavam. Sorri com aquilo. Mais uma coisa que faria Oliver subir pelas paredes.

Você também pode fazer ele subir pelas paredes, em vários sentidos!

Ignorei a vozinha maldita como de praxe e marchei de volta para a festa. A música ainda estava alta, mas o salão estava bem mais vazio. Kellan passou por mim com Alannah, mas antes que eu pensasse qualquer coisa, ele disse que iria levar ela para casa com o carro novo dele. Slade e Shado se recolheram também, mas eu vi o pirata grisalho dar um olhar super assustador para o segundo no comando em uma advertência explícita. Faça merda e está na rua. Me senti solidária por ele, eu já estive naquele lugar... Ainda estou?

Suspirei. Não vou ir por essa linha. Não agora.

— Hey, Kiera! — eu chamei e ela me puxou para a pista de dança. Eu não sabia dançar música eletrônica, então apenas balancei os quadris. — Quero esse povo todo indo embora antes das 3h!

— Okay! — ela disse e eu saí da pista e fui para nos braços de Thomas Merlyn.

Ele me girou diversas vezes e nós rimos juntos. Depois fui para nos braços de Bruce que continuou dançando de jeito bem animado comigo e entre giros, me olhou sério e ergueu uma sobrancelha.

— Eu não posso fazer isso aqui. Vou fazer amanhã. — prometi cruzando os indicadores fora de sua vista e ele assentiu.

Me beijou na testa, e puxou Laurel para dançar. Eles faziam um casal bem estranho, mas... Que casal, não é? Aprendi a não julgar. Especialmente se este alguém era Bruce Wayne. Eu estava cansada. A viagem de trem de Gotham até aqui foi tediosa e cansativa, meus dedinhos estavam espremidos dentro dos saltos e o corpete do vestido estavam judiando as minhas costelas.

Sinais e presságios que eu deveria ir dormir.

Sim, deveria.

E sim, irei.

Escapei para o meu quarto que estava bem mais limpo do que eu o deixei... Sra. Lance. Ela deveria ter limpado tudo, mas também não tirou nada do lugar. Desci o zíper lateral e puxei os cordões do corpete. Já liberta, saí do bolo de tule e renda. Os grampos do cabelo tiveram o mesmo destino. Massageei minha cabeça e caí na cama.

Estava muito cansada e com muito sono.

—-

— Loirinha, por que está com cara de quem vai aprontar? — perguntou Slade quando eu apareci no corredor.

Ele tinha acabado de sair do escritório de Oliver, onde era o meu destino. Nós tínhamos que conversar sério, e de preferência antes que eu fosse buscar as crianças na escola hoje.

— Porque achou que vou! — eu respondi e bati na porta duas vezes depois de receber um olhar preocupado de Slade.

Entre.

Respirei fundo duas vezes, alisei o vestido simples de botões e abri a porta com o queixo erguido. Oliver tinha trabalhado muitos dias no seu escritório em casa, e eu sempre o pegava ajudando Kylie com o dever antes do jantar. Ele quase não ia para empresa direito esses dias. E agora ele estava usando roupas básicas, enquanto digitava algo em seu notebook.

Franzi os lábios para a maçãzinha luminosa. Eu já disse que odeio a Ap...

Foco!

Sim, sim.

— Hey... — eu disse e seu olhar se encontrou com o meu. — Podemos conversar?

— Claro. — ele respondeu sem hesitar, e abaixou a tela do notebook.

— Então... Quando estava em Gotham, eu descobri coisas interessantes e minha mãe me perseguiu junto com a Dra. Snow para continuar o acompanhamento médico depois de tantas cirurgias. Eu tenho duas cicatrizes para provar isso... — eu disse deixando minha pequena sacolinha em uma das poltronas na frente de sua mesa e ele se levantou da mesa. — E a médica disse que...

— Tem algo errado?

Fechei os olhos com força e respirei fundo. Não muito depois disso senti suas mãos em meus ombros. Deus. Como é que eu vou falar isso para ele? Senti um aperto carinhoso.

— Felicity, o que a médica disse? Tem algo errado?

— Não há nada de errado comigo. — sussurrei e suas deslizaram até elas tomarem as minhas que estavam tremendo, por sinal.

— Então, o que é?

— Você sabe quando um monte de coisa acontece na sua vida ao mesmo tempo e você não sabe nem por onde começar a focar em uma coisa de cada vez? — perguntei e ele assentiu ainda confuso. — Eu consegui fazer isso no tempo em que fiquei em Gotham, todo o meu tempo aqui com vocês, todo o meu fora daqui longe de vocês, o acidente, a recuperação... Foi tudo uma questão de compartimentalizar cada coisa como um estante de livros enorme...

— Felicity, foco. — ele disse apertando minhas mãos levemente.

— Sim, sim. Claro. — eu disse e alcancei a sacolinha que havia trago comigo de Gotham até aqui para Oliver. — Abra.

Ele soltou minhas mãos e abriu a sacolinha. Tirou de lá um body minúsculo branco que dizia "Jogador N°3 Entrou em Jogo" em preto com um controle de Atari bem vintage embaixo. Eu respirei fundo e voltei a falar.

— Então eu fui em uma das consultas de acompanhamento e eu descobri que... — eu disse e respirei fundo e encarei os olhos azuis de Oliver com medo e receio agora.

Não. Não ia conseguir. Fechei os meus próprios e decidi cuspir logo para fora.

— Estou grávida.

Tranquei minha respiração esperando por gritos. Nada veio. Na verdade nenhum tipo de reação dele veio em resposta. Eu esperei mais alguns minutos. E nada veio novamente. Espiei pelas pálpebras e eu que fiquei surpresa ao ver seu olhar em meu rosto, congelado. Ah meu Deus. O que foi que eu fiz?

Você acabou de contar pro homem que ele vai ser pai de novo! Dê um crédito por ele não estar fugindo para as montanhas!

Okay, você tem razão, subconsciente.

Voltei a respirar normalmente, ou tentando pelo menos, e lambi os lábios secos.

— Oliver, eu estou grávida. — repeti e vi suas mãos se fecharem ao redor do pequeno body.

Eu engoli seco e esperei um pouco mais.

Eu acho que eu devia ter ficado com a ideia de Bruce e ter mandado um cartão dando a notícia por mim. Cartões não tinham hiperatividade ou ansiedade como eu e muito menos o embrulho no estômago por todo este suspense. E cartões não vomitam ou muito menos sentem ânsia ou azia. Não sabia o que era pior no momento presente, mas sabia que talvez eu conseguisse chegar até a lata de lixo ao lado da mesa de Oliver rápido o suficiente se fosse preciso.

— Eu sei que é surpreendentemente, e que você precisa de um tempinho para dirigir por mais que não seja pai de primeira viagem. Deus, eu precisei de três potes de Ben & Jerry's até que minha ficha realmente caísse... — eu balbuciei e vi ele suspirando levemente e voltando a encarar o pedacinho de pano em suas mãos que tinha um significado enorme agora.

Assenti para mim mesma. Ele precisa de um tempinho para se acostumar com a ideia. Eu não iria julgá-lo de jeito nenhum. O que eu fazer? Vou embora e caçar mais sorvete.

Dei um passo para trás e seus braços me enlaçaram e se estreitaram ao meu redor com força.

Okay. Caça á sorvete cancelada.

— Como é?

Franzi o cenho e quis rir da cara de confuso dele. Era a mesma cara de Kylie fazia quando ficava presa em uma continha de matemática por muito tempo ou quando tinha dificuldade de ler palavras longas. Eles eram muitos parecidos assim.

— Estou grávida de quatro semanas, possivelmente aconteceu no Natal.. Você sabe quando nós fizemos... Você sabe. — eu disse mordendo minha bochecha levemente e sentindo o rubor subir por meu pescoço e rosto.

Ele parecia confuso.

O que? Vai falar que ele não sabe como aconteceu?

Ele, definitivamente, sabe como aconteceu, subconsciente.

— Eu acho que nós deveríamos sentar... Estou... Não sei... — ele disse ainda com a expressão confusa e eu o acompanhei até o sofá de couro preto que ficava encostado na parede mais afastada do escritório.

Suas mãos finalmente e lentamente me soltaram.

Meu coração estava trovejando dentro do meu peito, mas parte de mim estava aliviada por Oliver estar começando a processar tudo. Talvez precisasse de um upgrade de velocidade, mas já era um bom começo. Sentamos um de frente para o outro e Oliver ainda segurava o pequeno body com força em suas mãos.

Fiquei quieta.

— Eu quero que você saiba que eu nunca iria te sabotar assim, Oliver. Mesmo que nós não tenhamos usado camisinha daquela vez, eu estava tomando a minha pílula, mas de acordo com a Dra. Spivot, os remédios que eu estava tomando depois da cirurgia cortaram o efeito do anticoncepcional. — eu disse rápido assim que vi um flash de dúvida passar pelo seu rosto. — E sim, eu estou disposta a fazer um teste de paternidade se você quiser, afinal eu fiquei fora por um mês...

— Felicity, não. Eu confio em você, é só que.. — ele começou.

— O que?

— Isso significa o que para nós? — perguntou e abriu o body por completo em uma de suas coxas. — Você e Bruce não eram um casal?

Ahm, ele realmente quer falar sobre isso agora?

Aparentemente, sim.

— Nós saímos algumas vezes, sim. Também nos beijamos algumas vezes, sim, mas nunca rotulamos nada porque nunca fomos além disso. — eu decidi ser sincera com ele. — Ele ainda estava se recuperando de um término bem conturbado e eu estava apenas querendo tempo para me recuperar do acidente, somos bons amigos agora.

Ele assentiu levemente.

— E você e Helena?

— Nós terminamos o noivado antes do Natal, eu te contei isso. — ele disse delineando as palavras do body com o dedo indicador. — Depois do seu acidente, eu rompi laços com Frank e Helena. Foi um grande golpe para ele, porque ele declarou falência publicamente. Claro que isso repercutiu em mim, mas nada que o tempo não ajustasse.

— Oh...

— Helena não gostou nada. O casamento já estava pronto, convites enviados e tudo mais... Acho que você foi a mais sortuda de não ter que presenciar o escândalo que ela fez aqui. — ele disse e depois bufou uma risada. — Mamãe a expulsou daqui e Kiera errou o vaso por questão de centímetros.

Okay. Esse tipo de fofoca ninguém me conta!

— Olha, eu não sei o que nós temos aqui, mas sei que nós dois seremos pais e nós dois queremos isso, certo? — eu comecei me virando completamente para ele agora e vendo ele assentir sem hesitar. — E eu também sei que isso vai afetar todo mundo, mas não acho certo você e eu ficarmos discutindo por coisas que já ficaram no passado. Você terminou com Helena, e eu com Bruce. Ponto. Eu prefiro lembrar como ele sendo o cara que jogou na minha cara que eu estava grávida.

— O que?

— Quando estive em Gotham, nós trabalhamos em alguns projetos juntos e isso fazia a gente passar horas e horas dentro de um laboratório. Depois do Ano Novo, nós saímos para jantar em um restaurante árabe e eu fiquei enjoada. Culpei os anticoagulantes e segui com a vida, mas Bruce começou a suspeitar. — eu contei levemente lembrando da enorme empanada que me fez ficar verde que nem desenho animado. — Quando fomos comer tacos foi a mesma coisa, então ele comprou um teste para mim e eu fiz por desencargo de consciência, imagine a minha surpresa quando o palitinho apontou positivo de mais ou menos duas á três semanas. Eu pirei legal depois disso.

Oliver riu levemente.

— Então eu marquei uma consulta com a Dra. Spivot que foi uma indicação da minha primeira ginecologista. — disse brincando com a barra do meu vestido. — E ela confirmou a gravidez, depois eu me afoguei em sorvete Bruce e voltei para Starling para te contar.

Dobrei meus joelhos embaixo de mim mesma e encarei Oliver.

Era a vez dele de falar alguma coisa.

— Felicity, eu sei que não estou soltando fogos de artifícios agora, mas eu estou feliz com isso. Com esse bebê. — ele disse ainda encarando o body. — Eu sei que não foi planejado, mas eu não me arrependo daquela noite. Eu não me arrependo de nada em relação á você.

Meu coração perdeu uma batida ali mesmo.

— Naquele mês que você ficou em coma, eu revivi todas as memórias ruins que eu levei anos para tentar esquecer. Sara morreu naquele hospital, ver você ali deitada imóvel e pálida me fez lembrar de todas as noites em claro que eu passei ao lado dela. — ele disse baixinho e suspirou levemente. — Mas você acordou.

— Oliver... Eu não sou ela.

— Eu não quero que seja. Confie em mim quando eu digo que sei que você não é ela, porque o que eu sofri com a morte dela não chegou nem aos pés do que eu sofri com você quando estava em coma. — ele admitiu e olhou em meus olhos pela primeira vez desde que sentamos aqui. — Felicity, você é a mulher mais inteligente que eu conheço e você sabe que eu tenho sentimentos por você, se não eu não teria... Bem, traído Helena, por mais que ela tenha feito o mesmo comigo.

Ouch. Eu realmente não sabia como me sentir agora.

— Quando você disse que queria ir para Gotham, eu fiquei arrasado, mas nunca iria te prender aqui dentro. Eu sei como minha família consegue ser difícil e sufocante quando quer. Você precisava de um tempo, eu entendo isso. — ele continuou a dizer. — Mas agora com esse bebê eu preciso que você me dê uma resposta, porque assim eu vou conseguir entender o que está acontecendo entre mim e você e tentar planejar o que está por vir.

— Oliver... — eu chamei e congelei.

Okay. Eu realmente não sabia o que dizer agora.

— Eu te amo, Felicity e eu quero ter esse filho com você. Eu quero criar esse bebê junto com os outros três, mas eu preciso saber se você sente algo por mim ou se planeja ir embora de novo. — ele disse e eu vi em seus olhos algo que eu nunca tinha visto antes. Era um mix de determinação e medo em três tons de azul que tinham em sua íris. — Eu sempre pensei que colocar meus filhos em primeiro lugar era simplesmente comprar tudo que meus filhos precisavam e queriam, minha ausência então não seria tão ruim, mas você me ensinou que para fazer isso, priorizar eles, ia muito mais além de... Prover.

Ele delineou o pequeno controle de Atari com o dedo.

— Confie em mim quando digo que não quero que se sinta culpada, mas durante o acidente e a suas férias, meus filhos ficaram miseráveis. Kiera, talvez, tenha sido a menos afetada por causa do planejamento da festa, mas a verdade é que sua ausência não pode ser compensada de qualquer forma, Felicity. — ele disse e respirou fundo discretamente. — Eles sentiram a sua falta, eu senti a sua falta.

— Eu senti a falta de todos vocês também. — eu disse sentindo minha garganta começar a se fechar e os olhos pinicarem.

— Eu preciso saber como iremos agir daqui pra frente, eu preciso desenhar limites, não quero que você se afaste deles por minha causa ou que me afaste agora desse bebê... — ele disse e parou. — O que estou pedindo é que antes de decidir qualquer coisa, eu quero pensar neles. Eles são terrivelmente apegados á você e eu não acho que á suporte emocional no mundo que eu possa dar aos três caso você queira ir embora de vez.

— Oliver...

Ele esperou, mas eu não disse nada além do seu nome.

— Não sou ingênuo ao pensar que agora com esse bebê, irei correr até o final do arco-íris com você e viver feliz para sempre. — ele disse e eu quis rir do tom ranzinza em sua voz. — A verdade é que eu mal te conheço, Felicity. Sei que você é ótima e sem comparações com as crianças, sei que você fez minha mãe se apaixonar por você, sei que é a melhor amiga de Thea... Mas nada além disso.

Então a ficha caiu para mim também. Eu não conhecia Oliver Queen. Claro, eu tinha ouvido as histórias que circulavam na casa, as histórias que as revistas estampavam nas capas de revistas, mas nunca tive mais do que uma mão cheia de momentos com Oliver para que eu tivesse minha própria opinião.

Eu nem sabia qual era a cor favorita dele, oras!

— Oliver, eu não vou embora.

— Ótimo. — ele disse com um sorriso pequeno e se virou para mim. — Minha proposta é: Continuamos um ritmo simples com as crianças e o bebê, você quem vai decidir se quer contar para eles agora ou não. Vamos nos conhecer mais e aí vemos aonde iremos chegar...

Era um plano razoável e lógico.

— Okay. Estou dentro. — eu disse sorrindo um pouco também. — Qual vai ser o nome dessa Operação?

— Não tenho ideia. Você é quem tem os melhores nomes. — ele disse apoiando o braço no sofá e eu ri deitando minha cabeça no encosto bem perto de onde sua mão estava.

— Vou pensar em alguma coisa.

—-

— É uma menina. — Oliver disse baixo ao meu lado.

Olhei bem para cara dele e o vi observando Kylie nadando sozinha na piscina.

— Você sabe que o nosso bebê está do tamanho de um M&M agora, né? — perguntei em voz baixa também.

— É uma menina. — voltou afirmar e eu sorri.

— Tomara que ela não puxe seus genes gigantes então.

— Ela não vai ser gigante, olhe bem para as irmãs dela... São lindas. — ele disse me olhando como se eu tivesse três cabeças.

— Por essa lógica, ela vai atrair muito meninos do mesmo jeito que Kiera está fazendo... — alfinetei e ele abriu o guarda-sol me deixando completamente na sombra. Eu agradeci. Eu nunca conseguia ficar bronzeada, apenas vermelha igual uma sirene de ambulância. — Nate que se cuide com ela.

Oliver havia fechado a cara completamente.

— Qual é... Elas não ficar com dezessete para sempre. Ou você está pensando que vão? — perguntei me virando para ele completamente. Observei ele por cima das lentes dos óculos escuros e o vi franzindo os lábios. — Você é adorável quando quer, Sr. Queen.

Ele me dirigiu um olhar cínico e eu ri alto.

— Oi, pessoal! — cumprimentou Tommy chegando dentro de uma boia de patinho amarelo inflável bem infantil e bem... Tommy. Ele pulou dentro da piscina fazendo água espirrar em mim e em Oliver e depois levou Kylie para dar uma volta na boia.

— Então, eu tive uma ideia. — declarou Kiera chegando de repente em seguida vestindo um maiô vermelho e com um chapéu enorme. — Eu quero fazer uma seção cinema hoje com a família inteira.

— O que assistiremos? — perguntou Oliver e eu tomei um pouco de limonada.

— Filmes caseiros da mamãe. — respondeu ela e o copo quase caiu da minha mão.

Oh.

— Depois daquela surpresa na festa, fiquei curiosa sobre os vídeos que vocês usaram na homenagem e a vovó Dinah me deu um caixa cheia deles. — exclamou animada e eu forcei um sorriso convincente.

— Adorei a ideia. — disse e terminei a limonada com um gole só. — Vamos fazer isso.

— Yeah! Kellan não quer assistir, mas isso não importa. — ela adicionou fazendo um gesto de descaso. — Agora ele só quer ficar lambendo aquele carro.

— Do mesmo jeito que você fica lambendo o seu álbum de fotos da festa? — perguntei me levantando.

Kiera mostrou sua língua e eu fui em direção á garagem da casa. Precisava me preparar para uma seção recheada de memórias de Sara Lance-Queen. Uau.

Ela está morta, mas ainda está em todo lugar.

Ciúmes?

Não, porque não há como eu competir com ela, subconsciente. Mesmo se eu quisesse.

Consegui ver Kellan antes mesmo de chegar ao batente da porta. Ele estava no chão, usando camiseta e bermuda, enquanto arrumava uma das rodinhas da bicicleta de Kylie.

— Hey...

— Hey, estranha. — cumprimentou-me com um sorriso adorável.

Bem menino. Esse era o sorriso Felicity. O meu sorriso. Exclusivamente meu.

— Ouvi falar que não está muito interessado na seção memórias... — comentei e ele negou testando o pedal e sorrindo com o resultado. Acho que estava tudo certo por ali. — Por que?

— Porque Sara está morta. — ele disse levantando e encostando a bicicleta roxa com vários frufrus coloridos perto de outras bicicletas maiores. — E a minha mãe está bem aqui.

Ele beijou minha testa e passou por mim. Ele me chamou de mãe?

Não é a primeira vez...

Sim, não é. A primeira vez foi no hospital, mas o leve desespero e tristeza de perder alguém fazem uma pessoa falar várias coisas por impulso. Parece que o adjetivo "mãe" não fazia parte deste vocabulário impulsivo de Kellan.

Voltei para área da piscina com o maior sorriso da minha vida inteira no rosto.

—-

Eu dei uma desculpa para escapar da seção cinema de memórias e fiquei com Kellan em seu quarto, porque ele queria me mostrar algo em que estava trabalhando recentemente. Lembro que ele comentou isso quando estava no hospital comigo.

— Está pronta? — perguntou dentro do seu closet e eu ri, sentando em sua cama.

— Sim.

— Aqui vai...

Ele abriu a porta e no começo só vi Kellan ali com um controle remoto nas mãos e logo depois algo bem pequeno saiu de trás dele, e era...

— Oh meu Deus! — eu gritei e Kellan gargalhou

Era um robô! Uma réplica perfeita do Wall-E!

— Isso é tão legal! — eu gritei novamente deixando a garotinha nerd de 13 anos aflorar dentro de mim. Saí da cama e me ajoelhei no chão enquanto Kellan fazia o robô se aproximar de mim. — Ficou tão perfeito! Estou orgulhosa você!

— Enquanto estava no hospital, eu fiquei aqui no quarto trabalhando nele. E seu namorado me ajudou um pouco. — ele disse e fez Wall-E piscar igual ao do filme e fechar as mãozinhas de ferro.

— Que namorado?

— Bruce Wayne.

— Ele não é meu namorado. — eu disse rindo e olhando os detalhes da pintura de Wall-E. Ele tinha usado um cobre bem bonito e que reluzia que nem sucata polida.

— Não?

— A gente se pegou, mas nada sério.

Kellan assentiu e fez o robô ficar em pé para mim.

— Então quer dizer que meu pai finalmente tomou uma atitude com você? — ele perguntou erguendo uma sobrancelha loira.

Eu fiquei e não fiquei surpresa. Fiquei surpresa por ele falar isso em voz alta. E não fiquei surpresa, porque Kellan era mais observador que a própria Moira Queen. Se ele sabia de Bruce que nunca tinha vindo na Mansão por minha causa, era fácil deduzir que eu tinha um certo rolo com Oliver. Eu acho.

— Eu quero te contar uma coisa, mas não pode contar para ninguém. Ninguém mesmo, Kel. — eu disse e ele parou os comandos no controle e me encarou, preocupado.

— Okay. Você está com câncer ou algo assim?

Eu ri levemente de seu tom temeroso.

— Não. Estou grávida. — eu disse bem baixinho.

Kellan arregalou os olhos.

O controle se espatifou no chão. E eu fiquei com medo.

— Do meu pai...?

Ah! Ele reagiu mais rápido que Oliver! Olha só!

— Yep.

Kellan sentou ao meu lado e respirou fundo.

— Eu vou ter outro irmão ou irmã? — perguntou começando a estralar os dedos. Eu fazia a mesma coisa quando estava nervosa. — E você vai ser a mãe dele?

— Ou dela. — completei e ele assentiu. — Mas... Hey, de acordo com você, eu também sou sua mãe agora.

Baguncei seu cabelo e ele sorriu fracamente.

— Vou ser irmão mais velho mais uma vez. — afirmou parecendo bobo e eu ri.

— Sim, você vai. — eu respondi e ele abriu um sorriso enorme antes de me engolir em um abraço apertado.

Notas finais
Reescrever esse capítulo deixou meu coração tão quentinho! Olha até onde viemos! Adoro reler o crescimento e desenvolvimento de meus personagens, espero que vocês também! E sim, nossa babá vai ficar e vai ser aquele pacote de dois por um hahaha Oliver que se cuide! ♥ Em relação á Coaching Daddy, eu me dei um prazo de até o final do mês vencer a falta de criatividade e atualizar a fic, eu não abandonei ela! Podem ficar tranquilos, queridos leitores de CD que estão por aqui também! Comentem! Indiquem! Recomendem! Favoritem! https://fanfiction.com.br/historia/779525/Coaching_Daddy/ L.W PS: Venham conversar comigo no Twitter! Meu nome por lá é @jubs_schild! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics por lá também! PS²: Vamos bater #430 comentários? Ou mais uma recomendação?