The Perfect Nanny
24 Capítulo 24
Notas iniciais
— Eu só estou dizendo que ela já ficou muito tempo por lá... — comentou Thea enquanto comíamos nosso café da manhã na mesa.
Todos estavam com a cara amassada e de pijamas.
— Ela disse que vai voltar para a minha festa. Estou satisfeita com isso. Qual é gente, Felicity também precisava de uma folguinha... Não somos a família mais fácil de lidar. — argumentou Kiera comendo um tira de bacon com as mãos, fazendo o olho esquerdo de mamãe tremer. — Nós não somos anjos e a nossa família não é uma das mais perfeitas também.
Suspirei discretamente e observei a vista na minha lateral. Depois das festas de fim de ano, mamãe propôs uma viagem em família. Como nos velhos tempos. Todos ficaram excitados com isso, menos Kellan e Kylie. Eles estavam com saudade de Felicity que tirou suas merecidas férias e foi para sua cidade natal, Gotham, com Donna e Cooper. Eu ainda não sabia porquê disso, mas o clima tem estado desconfortável desde então.
— Olha só quem acordou...
A voz de Thea interrompeu o fluxo dos meus pensamentos e eu olhei para a porta da sala a tempo de ver Kellan e Kylie se sentarem á mesa com caras de sono e usando pijamas ainda. Estávamos em Monte Carlo, sul da França. Todos vieram conosco. E ninguém ficou na Mansão, tirando uma pequena equipe de segurança.
Slade e Shado compravam bugigangas novas todo dia. Thea e Kiera aproveitavam cada raio de Sol na praia. Roy e Tommy tiravam fotos á cada segundo. Mamãe, Dinah e Joe mergulhavam dentro da magia da culinária francesa. Laurel, Iris e Edward faziam turismo pelas pequenas vilas de Monte Carlo. Kellan e Kylie estavam aproveitando o mar e a viagem, porém bem menos dos que os demais. Eu sabia exatamente o porquê disso, talvez fosse a mesma razão pela minha falta de ânimo com Monte Carlo, quando gostaria de estar na chuvosa Gotham. Com Felicity.
Tivemos um ótimo Natal, trocamos presentes e eu tive a satisfação de ver a surpresa em cada um dos rostos que estavam lá. Kiera gritou quando viu os diamantes que tanto queria. Kellan apenas agradeceu enquanto corria para os fundos da casa, conferir seu primeiro carro. Slade e Shado ficaram sem palavras. Mamãe chorou com o álbum, assim como Donna e Dinah. Laurel pareceu gostar do presente. Tommy não deixou ninguém tocar em seu taco de beisebol autografado.
E Kylie... Bem, essa foi a melhor parte de todo o meu Natal. Todos nós fomos para os fundos e encontramos Kellan fazendo carinho na pintura de sua Audi R8, mas depois encontramos o presente de Kylie. Uma casa na árvore enorme. Um pequeno refúgio para ela. Ela amou tanto que dormiu lá com Lily e Felicity naquela mesma noite, mesmo com toda a neve. Joe agradeceu os tacos. Iris e Edward ficaram extasiados. Esta primeira que chorou e ele não parou de me agradecer pelo casamento.
— Vamos para a praia! — gritou Tommy fazendo todo mundo gritar em coro de volta.
Eu fui o último a me levantar da mesa, ainda imerso nas últimas memórias do ano passado. Felicity estava linda de vermelho. Era a cor dela. Eu havia dado dois presentes para ela. De Natal e de aniversário atrasado. Uma camiseta do Blue Jays, descobri que ela gostava de beisebol tanto quanto eu, que fez Tommy ficar com inveja e um colar. Uma peça feita sob encomenda. Era mais para um medalhão que quando era aberto, revelava a foto dos três com ela. Ela chorou e agradeceu. Mesmo naquela noite recheada de fortes emoções, eu percebi que ela havia se distanciado de mim. Mesmo depois de nossa noite na sala de estar, ela havia se distanciado. Eu fiquei confuso para dizer o mínimo, e toda vez que ia abordá-la sobre isso, ela fugia cada vez mais.
Tentei não ficar surpreso quando ela disse que passaria o Ano Novo com Donna e o Wayne em Gotham, de quebra levando seu ex-namorado com câncer junto. E ela deixou bem claro que queria um pouco de distância não só de mim, mas de qualquer pessoa que carregasse o nome "Queen". Kylie bateu o pé e fez bico, mas nem isso fez Felicity reconsiderar. Mamãe então propôs que nós viajássemos também. Em uma votação completamente roubada, Monte Carlo foi escolhido como nosso destino.
— Hey! Curtindo o clima francês?
Me virei para área dos quiosques de palmeiras e vi Laurel sentada ali com um livro e com um coquetel em mãos. Ela parecia bem mais relaxada do que quando chegou em Starling depois do acidente. Parecia mais com a Laurel que eu havia conhecido na faculdade.
— Tentando. — eu disse indo sentar ao seu lado. — Dinah Laurel Lance, só você trás o Código Penal Norte-Americano para as férias.
— Poupe-me, Oliver Jonas Queen. Você realmente quer me fazer acreditar que também não trouxe nenhum pouco de trabalho com você? — perguntou me olhando por cima de seus óculos de Sol com o mesmo tom de voz que eu havia usado.
Eu levantei minhas mão em sinal de rendição e ela riu. Eu havia trazido todo o trabalho para as férias. Frank Bertinelli não gostou nada do fim do noivado entre mim e Helena, até ameaçou expor tudo isso á mídia. Acho que ele reconsiderou depois que viu que sua família seria a mais prejudicada com este cenário. Mesmo sendo um homem rancoroso e difícil, ele vendeu sua empresa para mim e aos poucos eu estava consertando sua merda deixada para trás.
Tommy estava me ajudando e até mesmo o Wayne.
Bufei discretamente.
Este último deveria estar adorando a presença de Felicity neste exato momento.
— Okay. O que está acontecendo com você? — perguntou Laurel fechando o livro e tirando os óculos escuros.
— Como é?
— Você claramente está incomodado com algo. Agora eu não sei se é porquê Felicity não veio conosco, ou se é porquê Roy veio conosco ou se é algo que aconteceu na empresa... Me ilumine. — disse ela bebendo seu coquetel. — Antes que você me mande cuidar da minha vida, saiba que eu cuido muito bem da minha vida, mas eu também presto atenção no que acontece ao meu redor.
Uma das coisas que eu admirava em Laurel era como ela conseguia ser observadora, mas aí eu lembrava que depois da observação, vinha a crítica. Então esta qualidade perdia um pouco de brilho.
— Parece que você finalmente aprendeu o nome dela... — alfinetei e ela revirou os olhos.
— Eu vou falar algumas verdades para você, e você vai ouvir e só depois que eu terminar, vai comentar. — ela disse e sorriu ao ver Kiera derrubando Kellan na água, enquanto Kylie construía um pequeno castelo na beira do mar aos pés de mamãe e Dinah que estavam conversando.
Suspirei. Estava demorando para crítica vir.
— Desde que Sara morreu, você se trancou naquele escritório. Deu as costas para a família e mergulhou no trabalho. Eu não te julgo e nem posso julgar, eu fiz a mesma coisa. — ela disse e eu assenti levemente. — Naquele momento era o melhor jeito de lidar com a morte de Sara.
Fiquei calado. Enquanto Laurel falava, várias memória inundaram a minha mente. As noites intermináveis no escritório. O sexo casual. As ligações recusadas de mamãe e Thea... A bebedeira. Muita coisa havia acontecido depois da morte de Sara.
— Eu perdi contato com a minha mãe e com o resto da família. Assim como você. Eu e você não somos tão diferentes assim, Ollie. Por isso sempre critiquei o seu relacionamento com Sara. Se fossemos tão parecidos assim, sabia que você iria magoar a minha irmã eventualmente. Mas isso nunca aconteceu. — ela disse e devolveu o copo para a mesa.
— Aonde quer chegar?
— Eu quero chegar na parte em que você admite para si mesmo que está completamente e absurdamente apaixonado por Felicity Smoak. E quando você ama uma pessoa tanto assim, você também sofre dez tipos diferentes de dor e tudo por sua causa porque perde tempo pensando em cenários hipotéticos e tudo que pode acabar dando errado. O que é desnecessário. — ela disse e eu ergui uma sobrancelha. — Você é a pessoa mais decidida no mundo dos negócios, mas quando falamos do seu mundo pessoal... A indecisão domina.
— O que quer dizer?
— Sei que você rompeu seu noivado com Helena por causa de Felicity, mas não fez ou disse nada para Felicity. — ela disse limpando as lentes de seus óculos com a barra da blusa. — Ações falam mais que palavras, mas as vezes palavras precisam ser ditas também. Você parece reticente.
— Você acha que eu estou com medo? — perguntei lendo entre as letras miúdas.
— Eu acho que vocês aterrorizado e mijando nas suas calças de medo. Ela pode te fazer o homem mais feliz deste mundo, e você sabe que esta é a coisa mais aterrorizante do universo, porque podem tirar isso de você. Assim como tiraram Sara.
Fechei os olhos e xinguei todas as gerações Lance.
— Pessoas que te mostram o paraíso, também podem mostrar o inferno. — eu disse por fim apertando a ponta do meu nariz depois de empurrar o óculos escuros que usava mais pra cima.
— Oh, mas você faz isso tão bem sozinho, Ollie. — rebateu Laurel colocando os óculos em cima da cabeça. — Sara morreu. Isso não quer dizer que ela foi esquecida.
— Eu sei. — afirmei. — Vocês parecem achar que não, mas eu já superei a morte dela há bastante tempo.
— Então o que infernos você está fazendo parado e não com Felicity? — perguntou ela me encarando. Seus olhos azuis meio verdes me fitavam atentamente. — Você está com medo que as crianças não aprovem? Que sua mãe não aprove? Se for isso, pode relaxar e ficar tranquilo. Seu relacionamento com Felicity seria o sétimo e o oitavo céu na vida de Moira mesmo ela não sendo uma das garotas de elite que sempre vão aos eventos dela. E as crianças... Eu preciso falar?
— Eu simplesmente não sei o que aconteceu. Nós estávamos bem. E ela se distanciou de repente. — eu confessei tirando os óculos e vendo Kellan tirando uma foto de Kiera na beira do mar. Tommy, Roy, Thea e Iris estavam jogando uma partida de vôlei não muito longe dali.
— Descubra então. Tenho certeza que Bruce Wayne não perde tanto tempo pensando e remoendo como você faz. — ela disse e eu encarei ela. — É verdade. Quando voltarmos para Starling City, você vai conversar com Felicity mesmo que ela não queira de uma vez por todas, mas por hora... Aproveite esta viagem com sua família. Tenho a mais absoluta certeza que nós dois merecemos isso.
Eu assenti e ela se levantou indo até Kylie. As duas tinham virado amigas, mas Kylie ainda não se sentia completamente confortável para falar com sua tia, como estava falando com o resto da família, mas Laurel era paciente e se contentava com o pouco que recebia. Acabei por me levantar da cadeira também e caminhei até Tommy e os outros, sentindo a areia morna debaixo dos meus pés.
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— Kiera... Relaxa. A festa só está começando. Todos irão vir. — disse Alannah, namorada de Kellan, quando viu que ninguém estava conseguindo acalmar Kiera.
O horário da festa já havia começado e apenas alguns convidados das centenas que Kiera convidou haviam chegado. Minha filha cruzou os braços e encarou a entrada da mansão com um olhar determinado como se fossem brotar pessoas dali á qualquer instante.
— Querida, você tem que recepcionar seus convidados que já chegaram... — disse mamãe e Kiera foi levada por ela para o salão por mamãe.
No momento em que Kiera entrou no salão, um grande grupo de meninas com vestidos bufantes e coloridos saíram de uma SUV que parou em frente á porta. Thea sufocou um gritinho de medo e eu ri. As garotas nos cumprimentaram rapidamente e entraram para o salão indo em direção á Kiera. Elas deram um abraço grupal e começaram a pular juntas.
— Eu não fazia isso com as minhas amigas... — observou Thea.
— Nem eu. — emendou Laurel e eu ri.
Outros convidados chegaram e nós o recepcionamos até certa hora. Tommy e Thea precisavam desesperadamente de uma bebida, e querendo ou não, eu também. Então nós fomos até o bar. Garçons começaram a rodar pelo salão servindo pequenos aperitivos e eu vi Kylie aparecer. Estava com um vestido branco similar ao que Kiera estava usando agora e com os olhos levemente caídos.
— Hey... Onde está Lily? — perguntei sentando em uma mesa com ela.
— Lá fora. — disse baixinho e comeu um quiche de alho e depois um mini hambúrguer.
— Não se preocupe. Ela vai vir. — eu disse e beijei sua testa.
— Promete?
— Prometo. — eu disse apertando seu dedo mindinho junto ao meu. — Por que você não vai brincar naquele pula-pula? Kiera escolheu ele para você não ficar entediada aqui...
Ela assentiu sorrindo, terminou seu copo de suco com bastante rapidez, correu até o pula-pula e pareceu estar mais animada. Acho que até fez uma nova amiguinha na fila do brinquedo.
— É natural de você, não é?
Me virei e vi Shado ali com uma taça de suco de laranja. Seu vestido era verde e deixava sua barriga saliente o suficiente para saberem que ela estava grávida do meu afilhado.
— O que?
— Ser um pai. Por favor, comece a passar mais tempo com Slade para ele aprender isso. — disse sorrindo e eu ri. — Ele está pirando e não estamos nem na metade da gravidez ainda!
— Ele só está tentando se preparar...
— Diga para ele que isso não é possível então! — ela rebateu risonha e nós rimos juntas. — Você não deveria estar se preparando para a dança do pai e da filha?
— Kiera já foi trocar de vestido? — perguntei olhando ao redor, procurando minha filha, mas não encontrando-a.
— Ela e mais vinte garotas juntas. — disse Shado afagando sua barriga levemente.
Shado foi procurar Slade que deveria estar em algum lugar sendo o chefe da segurança mesmo quando era sua folga, e eu me juntei ao pequeno círculo onde estava Tommy, Laurel, Thea, Roy e... Bruce Wayne. Imediatamente olhei ao redor procurando por Felicity, mas não a encontrei. Ela não estava em Gotham? Ou melhor, ela não estava em Gotham com ele?
— Ollie! O que você comprou para Kiera de aniversário? — perguntou Tommy esfregando as mãos.
— Por que?
— Estamos tentando ver quem deu o melhor presente. — explicou Roy. — Eu dei uma maleta de maquiagem completa para ela.
— Eu dei uma pulseira exclusiva da Tiffany's com pingentes que ela mesma desenhou. — disse Thea.
— Kiera pareceu gostar bastante da nossa viagem e tirou várias fotos, então comprei o arsenal completo da Canon para ela. — vangloriou-se Laurel.
Ela também estava no meio disso?
— Bruce deu um anel de milhares quilates com a pedra do aniversário dela e Tommy comprou uma spa inteirinho para ela. E você? — perguntou Speedy morta de curiosidade.
— Um urso de pelúcia. — eu respondi pegando uma taça de champagne com um dos garçons.
— O que?
— Quando ela era pequena, ela tinha um urso panda de pelúcia chamado Nicky. Ela o perdeu na primeira viagem que a família fez para Rússia. Demorou um pouco, mas eu achei um igual o que ela tinha e comprei. — contei brevemente e dei ombros.
— O meu presente é melhor. — disse mamãe chegando.
— Até a senhora? — perguntei e ela sorriu.
— Okay Titia, qual foi o presente? — perguntou Tommy.
— Além de uma viagem para Paris a tempo de estar na primeira fileira do Fashion Week para ela e duas amigas mais próximas... — mamãe respondeu e no final fez um gesto abrangendo a entrada no salão.
Felicity.
— Sem chance...
— Eu iria ter que trazê-la pelos cabelos se não fosse pela ajuda de Bruce. — disse mamãe e Bruce riu junto com Thea. Eu acho.
Felicity estava ali.
Felicity estava ali completamente deslumbrante. Não sei se era aquele vestido branco que a deixa com um ar angelical, ou talvez o cabelo que estava preso e deixando sua pele mais exposta do que o normal, ou quem sabe a falta dos óculos que a deixavam com um ar mais confiante... Não. Era o seu sorriso. Ela estava olhando o salão inteiro e sua decoração com um sorriso orgulhoso, como se soubesse que Kiera havia feito tudo aquilo sozinha.
Kellan foi o primeiro á alcançá-la e a prendeu em um abraço apertado e longo. Nem ela e nem ela pareciam querer soltar um ao outro, mas soltaram quando Kylie abraçou o quadril dos dois. Felicity se abaixou e seu vestido se espalhou no chão, enquanto ela beijava o rosto de Kylie e depois a abraçava com força. Donna apareceu também. Estava usando um vestido roxo quase tão bonito quanto o de Felicity.
— Senhoras e senhores, peço á vocês que recebam a nossa debutante para o começo da cerimônia... Kiera Queen. — anunciou o mestre de cerimônia.
As portas laterais do salão abriram tirando minha atenção de Felicity, e várias meninas com vestidos coloridos entraram e formaram um corredor para então, Kiera passar por ele usando um vestido bufante e rodado que era de um rosa bem claro. Ela parecia uma princesa. O mestre de cerimônias então começou o cronograma da festa. A dança de todas as amigas com Kiera, a dança de Kiera com Nathan, e agora a dança dela com Kellan. Tudo isso fez os convidados se aproximarem da pista de dança formando um mar de rostos o que dificultou a minha procura por Felicity.
— Papai?
Me virei para direção de onde a voz de Kylie vinha e vi ela se aproximar justamente com Felicity. Kylie veio para o meu colo em questão de instantes e eu observei o rosto da loira com mais atenção. Seus olhos estavam brilhando, sua pele estava um pouco mais pálida do que o normal, talvez pela falta de luz solar em Gotham e seu rosto... Tinha algo diferente nele. Tinha algo diferente nela. Eu não sabia o que exatamente, mas algo estava diferente. Vi de relance Kellan rodopiar Kiera pelo espaço enquanto riam juntos e torci para os fotógrafos guardarem este momento.
— Você está bem? — não resisti em perguntar e ela assentiu pressionando os lábios com firmeza. Era um tique dela. E ela só fazia isso quando estava nervosa ou mentindo. Minhas mãos coçaram para tocá-la.
— Você está pronto para a dança com Kiera? — perguntou de volta.
Céus. Como senti falta daquela voz.
— Sim. Dois para esquerda e dois para direita, não é? — ela riu assentindo.
A dança de Kiera e Kellan terminou e eu coloquei Kylie no chão que logo pegou na mão de Felicity. Vi Kiera me procurando entre os rostos e assim que me achou e viu que Felicity havia, finalmente, chegado, ela sorriu. E em questão de segundos seus olhos marejaram.
Caminhei até ela assim que a valsa começou a tocar. Ela me abraçou forte ignorando a introdução da música, e eu beijei o topo de sua cabeça com um sorriso. Minha garotinha estava crescendo rápido demais. Peguei uma de suas mãos e segurei sua cintura com a outra. Começamos a valsar e Kiera estava fazendo de tudo para segurar as lágrimas.
— Sua mãe estaria muito orgulhosa de você, Kiera. Assim como eu estou. — eu disse e ela assentiu piscando diversas vezes tentando impedir as lágrimas. Aproveitei o momento com ela. — Está parecendo uma verdadeira princesa hoje.
— Pare de tentar me fazer chorar! — ela exclamou assim que eu rodopiei ela e eu ri.
— Só estou tentando falar que mesmo que não pareça, você pode contar comigo para tudo o que precisar. Eu sempre vou te ajudar. Eu sempre vou cuidar de você. — eu disse e continuei dançando com ela. — Eu sinto muito pelos anos que fui ausente com você e seus irmãos.
— Nós já te perdoamos por isso, papai. — ela me cortou gentilmente e eu vi uma lágrima escorrer por seu rosto.
— Espero que saiba que eu sempre vou querer o melhor para você. E também espero que saiba que eu nunca vou gostar de nenhum dos seus namorados... — eu disse olhando para Nate que estava ao lado de Alannah e Kellan nos observando.
Kiera riu e deixou outra lágrima escorrer. A música já estava acabando.
— E por último, espero que saiba que sempre será a minha garotinha. — eu disse rodopiando ela pela última vez em sincronia com os acordes finais da música. Kiera não se curvou como nós ensaiamos, ela apenas fechou seus braços ao meu redor novamente e começou a chorar. — Eu te amo, princesa.
— Eu te amo, papai. — ela respondeu com a voz abafada.
Uma salva de palmas bem animada preencheu o salão e eu tentei limpar o máximo do estrago que as lágrimas fizeram na maquiagem de Kiera. Uma de suas amigas veio ao meu socorro com um lenço, mas Kiera ignorou nós dois e correu para os braços de Felicity.
Me aproximei lentamente, tentando dar um pouco de espaço á elas, desatei o nó da gravata e abri o paletó do terno tentando ficar mais confortável e relaxado o possível para o que viria em seguida. E quando cheguei próximo o bastante, ouvi a voz de Felicity. Ela estava brava?
— Nunca mais pense isso! Eu sempre estarei aqui! Se precisar, quando precisar... Eu não vou embora ao menos que você me expulse para fora com seu babyliss. — ela disse e eu ouvi a risada de Kiera. — Eu não vou.
O olhar dela cruzou com o meu e eu senti que Felicity queria me dizer algo, mas não sabia como. Era essa a razão de seu nervosismo? Ela estava querendo me dizer que iria ficar, mas não iria ficar comigo?
— Kiera Anne Queen! Temos mais uma coisa para você! Um presente da sua família e de seus melhores amigos... — disse o mestre de cerimônia. Algumas meninas arrastaram Kiera para o meio da pista de dança e a homenagem que todos nós fizemos para ela começou a rodar.
— Posso falar com você? Em particular? — perguntou Felicity e eu assenti.
Ela marchou em direção á saída do salão e eu a segui. Vi Laurel ao lado de Tommy e Bruce e ela veio até mim rapidamente.
— Você está ferrado. Ela consegue ser mais indecisa que você, então... — disse Laurel.
— Tome uma fodida atitude logo. — completou Bruce e eu ergui uma sobrancelha em sua direção. — Você não tem ideia de como foi este último mês para ela.
— Se apresse. — disse Laurel me empurrando na direção do corredor.
Passei por ele e entrei no hall. A festa já esquecida atrás de mim. E Felicity observando o lustre em cima de nossas cabeças com o melhor olhar sonhador que teve no dia em que a coloquei para dormir bêbada. Sorri com a memória e ela notou minha presença.
— Então... Como foi Monte Carlo? — perguntou colocando as mãos para trás do corpo.
— Ensolarada demais. Gotham?
— Chuvosa demais. — respondeu com um pequeno sorriso. — Então, Iris e Eddie me disseram que já marcaram a data do casamento. Dinah vai para National City com Laurel...
— Sim. Ela está tirando suas férias mais do que merecidas. Thea e Roy vão para Opal City também. Mamãe vai para o sul da Itália conhecer vinhedos novos com Walter. — eu contei e ela assentiu e deu um passo á minha frente. — Você vai ficar mesmo ou só disse aquilo para Kiera não chorar?
— Não chorar ainda mais, você quer dizer certo? — perguntou com um sorriso pequeno. Eu assenti em concordância e ela riu e começou a estralar os dedos. Outro tique dela. — É meio estranho estar de volta.
— Felicity?
— Você achou que eu também iria embora? — perguntou me encarando.
Encolhi os ombros como um garoto e suspirei discretamente.
— Sem chance.
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