The Perfect Nanny
19 Capítulo 19
Notas iniciais

Eu empurrava Kylie no carrinho, enquanto a Sra. Lance ia adicionando alguns itens de sua lista ali dentro. Ela havia tido uma epifania pela manhã e disse querer ter um almoço diferenciado. Então teríamos nhoque ao molho branco com alguns acompanhamentos que ela deixou em segredo.
Eu me joguei na primeira oportunidade de sair da Mansão assim que ela mencionou a necessidade de ir ao mercado. Não saberia como olhar nos olhos de Oliver depois da noite que tivemos. E eu não falo apenas sobre o sexo, mas sim pela vulnerabilidade de tudo. Sim, eu não nego que havia jogado o bom senso e até mesmo alguns princípios pelo ar ontem assim que entrei no quarto dele de livre e espontânea vontade, e que tudo que tivemos fora sempre consentido. Eu sabia mais do que bem isso, mas também não era tola em achar que não teria consequências.
Oliver também sabia disso.
Uma noite não alterava a realidade que ele estava noivo de Helena e eu estava aberta a um relacionamento que tinha grandes chances de dar certo com Bruce. Nós só tínhamos que seguir em frente e aceitar, apenas isso.
— Está tudo bem com você, Felicity?
Me virei para o lado e encontrei a Sra. Lance me encarando com uma expressão preocupada. Eu assenti levemente e parei o carrinho. Kylie estava absorta demais em uma partida de Misterys para notar qualquer coisa fora do normal e nem se incomodar de estar sentada em cima de um pacote de farinha.
— Parece mais pensativa do que o normal hoje, querida.
— Apenas um pouco preocupada. Sai com Thea e uma amiga ontem, eu sei que ela chegou bem em casa, mas ainda não deu sinal de vida... — eu disse e abanei o celular.
— Oh, sim. Thea mencionou que saiu com algumas amigas ontem. Eu sempre me despreocupo quando ela sai para se divertir com você, Felicity. — ela disse e colocou um caixa de creme de leite pasteurizado ao lado das pernas de Kylie.
— Por que? — perguntei rindo.
— Você toma conta mais do que bem de todos os Queen. Até mesmo Moira. — ela pontuou colocando um galão de leite em seguida dentro do carrinho. — Depois daquela noite em que você e Thea chegaram levemente embriagadas, a menina Queen nunca mais exagerou tanto.
— Apenas faço o que alguém decente faria, e Thea precisava se divertir um pouco ontem e ela nem bebeu como costuma beber... — pontuei em favor de Thea e a Sra. Lance assentiu como se concordasse em busca de algo nas geladeiras do super mercado.
Continuamos seguindo e ela ia colocando uma variedade de queijos e outras coisas da seção pasteurizada para dentro do carrinho. A gente realmente precisava de creme de abacate para fazer nhoque?
— Quando Sara ainda era viva, Thea estava no colégio ainda. Elas eram bem próximas. Depois que minha filha morreu, Thea se tornou reclusa por um longo tempo. Aí entrou para faculdade e descobriu a bebida, festas e todo o resto. — Sra. Lance disse gesticulando com sua mão e deixando claro que o “todo resto” era conteúdo impróprio para menores de sete anos presentes no recinto.
— Eu continuo ouvindo histórias sobre a sua filha, eu gostaria de ter conhecido ela. Teríamos muito assunto, com certeza. — eu disse e a Sra. Lance sorriu levemente. — Acha que nos daríamos bem?
— Não.
— O que? Como não? Eu sou um amor!
— Sim, você é, mas também é cabeça dura e teimosa quase do mesmo jeito que Sara era. Vocês iriam brigar demais, não sei se teria espaço para amizade. — disse ela rindo levemente entregando um pacote de ursinhos de goma para Kylie que aceitou, mas ainda sim não desgrudou os olhos da tela.
Continuamos conversando levemente e assim que o carrinho estava cheio suficiente, fomos para o caixa. Sra. Lance pagou as compras e eu e Kylie levamos tudo para o carro. Quer dizer, eu levei quatro sacolas e Kylie apenas uma. A que estava com o doce que havia ganhado da avó. Com o carro carregado, Sra. Lance então nos dispensou para casa dizendo que tinha alguns compromissos a atender ainda.
Quando assumi o volante e caí no trânsito da cidade, me vi sem alternativa além de refletir sobre o que tinha acontecido. A verdade nua e crua era que eu tinha ido para cama com o meu chefe, de novo, e que esse chefe em questão estava noivo. De uma mulher impossivelmente irritante? Com certeza, mas ainda sim noivo.
Com uma olhada rápida no retrovisor vi que Kylie havia pegado no sono abraçada com seu doce e o tablet agora deixado de lado e esquecido no banco ao seu lado. Sorri levemente. Ela tinha um sono rápido e pesado demais para uma criança tão pequena.
Diferente de Oliver que tinha sono leve. Não sei porque havia pensado que conseguiria repetir a proeza de sair do quarto antes que ele acordasse pela segunda vez, porque isso não aconteceu. Eu havia acordado cedo, bem cedo, graças ao relógio biológico do meu organismo e assim que abri os olhos vi o rosto dele bem perto do meu. Não acordamos abraçados e nem nada disso, eu tendia a chutar muito em meu sono e eu acho que Oliver sabia disso.
Assim que me ergui levemente atrás do meus óculos, ele acordou.
Não ficamos dentro de uma torta enorme de climão como eu havia pensado que ficaríamos caso isso acontecesse. Eu apenas calcei os óculos e voltei a me jogar nos travesseiros esperando que ele dissesse algo, mas ele ficou quieto. Então, eu também fiquei.
Suspirei e acelerei levemente quando o farol abriu. Andei uns cem metros para parar novamente por causa do trânsito. Encarei minhas mãos em meu colo e estralei os dedos para passar o tempo.
O modo como ele havia me observado por quase meia hora era inquietante. Eu não conseguia ler Oliver quando ele se empenhava para ficar o mais impassível possível. Havíamos começado uma guerra de olhares, ele venceu no final, porque eu me virei para o teto do quarto dele e vi que ele tinha um lustre estranho. Ele apenas riu em resposta.
Ele tinha um lindo sorriso. Não aquele que ele forçava para todo mundo ao redor, porque era o esperado dele, não. O sorriso genuíno de Oliver fazia algumas linhas de seu rosto se tornarem um pouco mais evidentes e fazia seu queixo parecer pontudo.
Ele havia me beijado nem um minuto depois disso.
Uma buzina me tirou dessas lembranças e eu voltei a movimentar o carro.
Nós fizemos sexo pela manhã e eu não havia me dado o luxo de realmente me sentir culpada até agora. Suspirei e continuei fazendo o trajeto até que a estrada de asfalto se tornou a de cascalho e o portão de ferro surgiu no final da estrada.
É claro que depois da manhã com Oliver não poderia fechar os olhos para as minhas obrigações, muito menos ele. Então, quando ele levantou da cama para ir no banheiro, eu decidi que era a melhor hora para ir embora. Sem despedidas, sem clima estranho, sem nada de nada de nada.
Os portões se abriram e eu buzinei levemente para Richard, o segurança que ficava na guarita um pouco atrás do portão. Estacionei na minha vaga de sempre em meio aos carros caros e coloridos da família e decidi descarregar as compras primeiro e depois pegar Kylie.
Abracei as quatro sacolas de papel pardo como se fossem um ursinho de pelúcia enorme e com muita sorte eu não bati ou tropecei em nada até a cozinha. Joe me cumprimentou e disse que guardaria tudo no lugar e que já sabia dos planos da Sra. Lance para o jantar.
Voltei para garagem e peguei Kylie no colo junto com a minha bolsa e as coisas dela. Surpreendentemente, ela era mais leve que as compras feitas com a Sra. Lance mais cedo. Com uma leve fungada, decidi deixar Kylie tomar banho depois do jantar.
Lily nos esperava no topo das escadas com seu rabinho abanando e as orelhinhas balançando. Ela ainda não tinha perdido o medo de descer as escadas, mas já conseguia subir sozinha. Demorava um pouquinhos por causa do seu tamaninho, mas conseguia. Eu tinha vários vídeos dela e suas pequenas conquistas. Ela me seguiu até o quarto de Kylie e assim que eu deitei Kylie em sua cama, eu pensei que Lily tentaria acordá-la para brincar, mas não. Ela apenas cheirou Kylie e deitou ao lado dela. Cubri as duas levemente e coloquei o tablet para carregar ao lado dos ursinhos de goma.
Até que estávamos tendo um domingo tranquilo. Conferi Kellan e Kylie e ambos estavam fazendo o que sempre faziam, dançando e construindo. Não os incomodei, fui para o meu quarto e me joguei na cama. Esta que tinha apenas o meu cheiro hoje.
Não era tola a ponto de fechar os olhos para tudo isso que estava acontecendo entre mim e Oliver. Era complicado demais, e por mais que eu gostasse de resolver enigmas, este em particular esta se provando ser bem exaustivo por mais que eu estivesse perto da resposta certa, da resposta final.
As palavras de mamãe, as leves insinuações de Moira, as gafes de Tommy e até mesmo atitudes do próprio Oliver me levavam a acreditar que ele sentia algo por mim, que ia além do carnal. Eu também sentia algo por ele, não poderia chamar de amor porque não era isso ainda, era apenas um sentimento muito forte.
Então eu me via em um impasse. Estava exausta demais para continuar tentando entender o que se passava na cabeça daquele homem, mas estava exausta demais para ignorar a química que existia entre nós, mas novamente nada anulava o fato dele estar noivo de outra mulher. Ela não merecia ser traída, por mais que fosse pior que a Bruxa Má do Oeste. Ninguém merecia.
Grunhi e quis gritar em um travesseiro.
Estava frustrada. Parecia que estava andando em círculos.
Talvez, eu estivesse fazendo exatamente isso.
Estava na hora de deixar ele ir.
—-
— Ele, simplesmente, apareceu no meu apartamento de madrugada e me acordou... Eu não entendi nada de começo, mas aí lembrei que ele tinha a chave e perguntei se ele estava bêbado. — contou Thea e eu ri levemente.
Estávamos sentadas na beira da piscina com os pés na água enquanto ela contava como ela e Roy haviam reatado e estavam noivos agora.
— Eu teria gritado e provavelmente socado ele. Reflexos involuntários... — eu disse e ela riu também e observou seu anel de noivado pelo que parecia ser a milésima vez nos últimos cinco minutos.
Era lindo, singelo, brilhante e simples. Herança de família de Roy e Thea havia adorado.
— Ele começou a andar de um lado para o outro e dizer o que tinha pensado quando tudo aconteceu, de como ele soube que eu havia ido atrás dele, mas ele tinha ido até Central City para esfriar a cabeça. — ela disse dando ombros levemente. — Pediu desculpas por não ter acreditado em mim de primeira, por não tido fé que eu havia melhorado e mudado alguns hábitos. E do nada estava se ajoelhando na minha frente e me pedindo para casar com ele.
— E você?
— Eu aceitei, oras! E Felicity? Sexo de reconciliação é o melhor tipo de sexo do mundo! — ela disse com um ar conspiratório que me fez gargalhar. Balancei minhas pernas na água e me permiti aproveitar essa leveza que pairava sobre nós duas. — E Bruce? Alguma notícia?
— Ele me convidou para jantar novamente, mas teve que viajar. Algo relacionado o projeto que está tendo com seu irmão e Tommy precisava da atenção dele. Os outros dois também viajaram, então eu acho que deve ser grave. Ele não elaborou muito e eu não perguntei. — respondi sincera. — Remarcamos para quando ele voltasse.
— Eu te entendo. Eu também esperaria, você já viu a bunda dele? — perguntou Thea e eu gargalhei de novo.
Ela era impossível.
—-
— Fica quietinha para ela tirar as suas medidas... — eu disse para Kylie, enquanto mamãe estava tirando todas as medidas possíveis de Kay e Kiera.
Ela havia voltado para cidade e estava 100% envolvida com a festa de noivado e a cerimônia de casamento de Helena e Oliver. Algo me dizia que a margem de lucro dela iria aumentar consideravelmente se Helena fizesse tanta questão de ser o foco central de mamãe.
Estávamos em uma das salas de jantar privado que havia virado uma ateliê de mamãe pelo atual momento. Muitos tecidos, paletas, flores e retalhos para todo o lado, mas mamãe se achava no meio de tudo isso.
Moira e Helena estavam no fundo do quarto olhando o que parecia ser um catálogo de flores juntas. Essa não era a parte mais estranha. A parte mais estranha era que Helena não tinha a menor intenção de incluir sua madrasta, Dianna, em nadinha de nada mesmo, porque a mulher estava no outro canto extremo do salão de Helena com um copo de uísque em mãos. E não eram nem onze horas da manhã ainda.
O que era no mínimo uma fatia de torta de climão.
Kylie ficou quietinha enquanto mamãe tirava a medida de seu busto, quadril, braços e ombros para o vestido de dama de honra. Kiera seria a florista junto com a afilhada de Frank Bertinelli, uma tal de Sophia. Assim como Kylie receberia uma parceira, Kiera, também, outra menina chamada Nicole. Ninguém conhecia elas, nem mesmo Helena, mas as garotas eram lindas e só iriam ajudar na estrutura estética do casamento na hora das fotos. Normalmente eu só entendia "blá blá blá" disso tudo, mas me esforcei um pouco pelas meninas e apenas por elas.
As pestes finalmente me contaram o misterioso acordo que fizeram com Moira para aturar o circo dentro de casa e ainda serem a atração principal junto com Helena e Oliver. Kellan iria ganhar um carro assim que fizesse dezessete anos. Eu pensei que Kiera gostaria da mesma coisa, mas ela parecia mais do que confortável tendo alguém para dirigir por ela. Ela teria sua festa organizada exclusivamente por ela mesma. Kylie foi liberada para frequentar as aulas de luta.
Para mim ainda era muito pouco por tudo que estava por vir, mas...
— Tem um bistrô de comida francesa atravessando a rua, que tal almoçarmos lá? — sugeriu Moira e as meninas assentiram sorrindo um pouquinho.
Isso também mudou. Moira parecia muito mais próxima das pestes, principalmente Kiera. Eu achei que elas estavam fundando um clubinho anti-Helena, mas não era bem o caso. A matriarca da família estava realmente tentando ser mais presente, tanto que passava horas no estúdio com Kiera dando opiniões, sugestões e elogios para a neta. Moira entendia muito de bem de ballet clássico e ópera, ela e Kiera começaram a criar elos a partir daí. Kylie também havia se soltado um pouquinho mais com a avó, mas ainda se recusava a falar com ela. Moira recebia vários desenhos coloridos dela, no entanto, e os pendurava no mural em uma das paredes de seu escritório com esmero. O mesmo valia para Kellan, mas eu já não tinha tantos detalhes assim. Eles sorriam um para o outro e eu acho que isso já era um avanço, certo?
Mamãe recusou o convite e disse que iria trabalhar no vestido das meninas, já que Helena ainda não havia escolhido qual dos desenhos iria usar na festa de noivado ainda e depois na cerimônia. Donna Smoak também deixou bem claro que eu teria um vestido para este evento também e me dirigiu um olhar que dizia: "Eu sei que você fez alguma coisa, só estou esperando você vir confessar".
Assim que chegamos na calçada, eu já conseguia ver a cabeleira loira de Kellan no final do quarteirão. Ele não estava sozinho. Oliver e Tommy vinham com ele, os três pareciam estar conversando levemente. Ah é, as crianças também estavam se soltando aos poucos com Oliver também. Kylie já estava acostumada em tomar café com ele e receber um beijo de boa noite, já os gêmeos... Ainda não confiavam inteiramente nele, mas não o afastavam também. Outro pequeno avanço, eu acho.
— Lissy, eu não quero sentar perto dela... — disse Kylie quando eu a peguei no colo para atravessar a rua.
Isso havia se tornado uma coisa entre nós duas. Eu a pegava no colo para atravessar a rua, ela vinha dormir comigo quando chovia ou quando tinha um pesadelo e eu assistia Mako Mermaids com ela e ela assistia Star Wars e Cavaleiros do Zodíaco comigo. A gente alternava. Não passou despercebido para ninguém que quanto mais Helena se infiltrava na mansão, mais Kylie grudava em mim.
Me sentia muito mais apegada á ela de uns dias para cá. E era recíproco.
Nós nos encontramos com eles na porta e eu recebi um olhar estranho de Oliver antes dele tirar Kylie de meu colo e a colocar no dele. A pequena não reclamou, e eu não fiquei chateada. Fomos para uma mesa afastada e cada um dia pediu o que queria, eu fiquei com uma salada leve e suco.
Kellan estava me mandando olhares estranhos de tempos em tempos enquanto conversava com o pai e com Tommy. Eu não estava entendendo nada, mas ele ainda continuava olhando estranho. Kiera também havia percebido, mas não parecia entender mesmo quando eu ergui uma sobrancelha para ela, sua resposta para mim foi balançar os ombros levemente.
— Vamos no banheiro antes que a comida chegue... — eu disse para Kylie que assentiu. Nos levantamos e fomos até o banheiro. Ela fez xixi e se limpou sozinha, depois eu apenas a ergui alto suficiente para ela alcançar o gabinete da pia. — O que foi?
Ela não respondeu, parecia estar focada demais em lavar o espaço entre os dedos para fazer isso.
— Kylie?
— Eu ouvi a Helena falando com aquela mulher feia. — ela disse e enxaguou as mãos.
Isso era completamente normal vindo de Kylie. Ela sabia de tudo que acontecia na mansão. E este fato era atribuído á ela, apenas por causa do seu tamanho que era o tamanho perfeito para andar pelos tubos de ventilação da casa.
Novamente, Kylie sabia de tudo.
— O que você ouviu?
— Elas estavam falando em colocar outra babá no seu lugar... — ela disse e eu a coloquei no chão. Ela secou as mãos nas toalhinhas descartáveis e depois olhou para os pés. — Você vai embora, Lissy?
— Não! — exclamei sem hesitar e ela olhou para mim. — Para eu ir embora daquela casa o seu pai ou a sua avó tem que dizerem para eu ir. Helena ainda não pode fazer nada. O casamento não aconteceu ainda.
Ela não parecia convencida.
— Hey... Eu amo você e só vou embora se você não me quiser como amiga sereia. — eu disse e ela piscou mais atenta para mim.
— Promete?
— Prometo. — eu disse e entrelacei meu dedinho com o dela.
— Então você não vai ficar brava quando se eu contar que Helena comeu o coco da Lily ontem? — perguntou e eu arregalei os olhos.
— O que?
— Nada. — respondeu e correu para a saída do banheiro.
Oh meu Deus.
O humor de Kylie melhorou bastante quando chegamos na mesa novamente. O almoço correu bem e Kiera parecia estar no paraíso quando falava de sua futura festa. Seria "O" evento. Seria o maior evento de 2020. Seri o mai... Vocês entenderam.
Nós comemos e quando todos estavam partindo para sobremesa que era sorvete com waffles, eu vi o rosto de Kiera se retorcer em desgosto e Kellan fazer uma careta. Pegando a última parte da conversa, eu vi que o assunto era maternidade.
De Helena. Com Oliver. Um bebê. De Helena e Oliver?
NEM POR CIMA DO MEU CADÁV...
Shut up.
NÃO MESMO! ELA NÃ...
Zip.
— Só por cima do meu gostoso, rico e muito bem vestido cadáver. — disse Kiera e Kellan sorriu levemente gostando do que isso iria se tornar. Eu também adoraria ver Kiera voltar a alfinetar Helena, mas não estávamos em casa e sim em um restaurante.
Bem público.
— Kiera. — eu disse calmamente e ela se recostou na cadeira contrariada, mas ficou quieta.
Tommy dissipou o clima tenso com suas piadas de mal gosto e provocações com Oliver, que estava pouco se importando, porque ele estava ajudando Kylie a cortar quadradinhos de waffles em seu prato.
Moira estava terrivelmente quieta na mesa, só falava quando era para falar. Ela estava realmente parecendo a Medusa hoje, mas seu olhar congelante era dirigido para Oliver. Oh Deus. Eles brigaram de novo? Que eu saiba, a mobília da casa inteira ainda estava intacta.
Kellan passou a digitar algo em seu celular. Alannah. Eles estavam juntos. Eu acho. Só sei que na maioria dos dias das semana, Kellan ia para casa dela e de vez em nunca ela aparecia na Mansão. Uma vez ela até nos acompanhou durante o treino no Instituto com a desculpa que queria ocupar seu tempo, e Kellan havia falado sobre as artes marciais.
Eu achei que seria bem estranho, porque Alannah era a melhor amiga de Kiera, mas até que todos ficaram bem confortáveis com a situação, porque Kiera estava saindo com Nate. Irmão mais velho de Alannah e melhor amigo de Kellan. Sim, irmãos Turner ficavam com os irmãos Queen que eram uns melhores amigos dos outros.
Mas sem álcool envolvido desta vez, eu me garanti disso.
Meu celular vibrou em meu bolso e com uma rápida olhada vi que era uma ligação perdida de um número desconhecido. A mesa parecia ocupada suficiente então de modo bem rápido, porém eficiente eu localizei o endereço de IP deste número junto com o dono e o endereço do dono. Cooper Sheldon? Como infernos ele tinha o meu número? Eu tinha tomado providências para ele nunca conseguir meu número de novo e ainda tinha deixado bem claro que não queria ver ele nem pintado de ouro na minha frente. Não depois dele ter roubado meu algorítimo para rackear o sistema do MIT para melhorar suas notas e quitar suas dividas com a escola. Ah é, e me trair com a minha colega de quarto e ex-melhor amiga.
Mas você sabe, sem mágoas ou ressentimentos guardados. Claro que não.
Ele voltou a me ligar e eu ignorei a ligação com um toque mais forte do que o necessário, e voltei meu olhar para mesa e encontrei Tommy e Kellan olhando para mim curiosamente.
— O que? — perguntei timidamente.
— Você é linda. — disse Tommy galante e eu corei.
— Thomas Merlyn...
— E sexy demais. — adicionou ele e eu virei um tomate, aposto.
— São os óculos. — incentivou Kellan piscando para mim e eu revirei os olhos.
— Quer casar comigo? — perguntou Tommy e desta vez eu ri. — O que? Se Ollie está casando, eu também tenho que casar! Nossos bebê serão lindos e terão olhos azuis, tenho certeza que Kiera não irá se opor á eles.
Kiera soltou uma risadinha baixa. Deus. Pode ser mais constrangedor que isso?
— Pense só... Você ser uma Merlyn e depois a gente sequestra a Kylie. — ele disse em tom conspiratório e desta vez Kellan também riu.
— Eu acho a ideia do casamento superestimada demais, apenas uma desculpa para esbanjar status e gastar dinheiro com outras pessoas. — respondi baixinho para que não chegasse nos ouvidos de Helena ou Dianna. — E no momento, Kellan é o único homem que eu quero em minha vida. Deus-sabe que ele já ocupa o meu tempo o suficiente.
— Desculpe, Tio Tommy. São os meus olhos. — Kellan disse e bateu os cílios fazendo todos rirem.
— É o seu cabelo! Depois que tirou aquele rato da cabeça, ta chovendo na sua horta, não é mesmo? — rebateu Tommy e eu fiquei feliz com o foco de atenção foi mudado de mim para Kellan.
Ficamos na mesa por mais um tempinho apenas conversando. Tommy pagou a conta mesmo recebendo um olhar reprovador de Oliver e Moira. Na verdade, ele parecia ser o único que não tinha medo dos Queen e eu admirava muito isso. Era necessário um belo par de bolas para peitar Oliver e Moira.
Juntos.
Fomos até uma loja de smokings para os meninos em seguida, era vez deles agora. Tudo precisava passar pela aprovação de Helena e Moira. A cor, o tecido, a gravata e os sapatos. Tudinho mesmo. Só a ideia de passar por todo esse processo me fazia bocejar.
Enquanto olhávamos as gravatas para Kellan, Kiera e eu fofocamos um pouco e ela disse que Thea negou o pedido de ser a florista de Helena sem cerimônias, por isso iriam chamar a tal Sophia e Nicole para o casamento. Elas chegariam de avião uma semana antes do casamento diretamente da Itália. Suas medidas já até foram mandadas para mamãe por e-mail.
— Desculpe interromper, mas vocês estão acompanhando a família Queen-Bertinelli, não estão? — perguntou um cara baixinho com um terno vermelho bem cortado. Eu assenti lentamente. — A fachada da loja está forrada de paparazzis.
Kiera suspirou dramaticamente e revirou os olhos, olhou para Oliver que já estava olhando para nós. Ele se aproximou em passos largos colocando uma distância considerável entre ele e Helena que foi para o lado de Moira em seguida.
— O que está acontecendo?
— Sr. Queen... — gaguejou o cara do terninho vermelho e explicou o problema.
Oliver assentiu e se afastou sacando o celular. Provavelmente ligaria para Slade.
Eu apenas sentei em um puff ali perto e esperei. Kylie sentou no meu colo e adormeceu. Deveria ser a barriga cheia do almoço. Eu sempre ficava levemente sonolenta depois de encher o tanque. Fiquei jogando "Misterys" em meu celular, enquanto via um homem tirar as medidas de Kellan e Tommy. Essa era a única parte de um casamento que mamãe não se envolvia. Ela dizia que tudo que tem testículos ou rodas dão problema e ela já tem problemas demais.
— Estou morta. — disse Kiera depois de se sentar ao meu lado. Nós tínhamos vindo diretamente da escola, a Queen ainda até estava usando seu uniforme de líder de torcida. — Será que vamos demorar ainda?
— Kiera, entre nós duas, você é a que mais entende de roupa. — eu assinalei e ela riu e encostou a cabeça em meu ombro e depois bocejou. — Você não ia se encontrar com Nate hoje?
— Sim, mas eu cancelei. Realmente preciso descansar do treino e depois eu tenho que estudar para uma prova de francês. — ela disse sonolenta e eu ri.
Já havia me acostumado com isso também. As pestes viam sorrateiramente e usavam e abusavam da minha boa vontade de servir como almofada humana, mas é claro que eu nunca acordava eles.
— Você está parecendo o Ken. Tira essa gravata. — eu disse olhando para Kellan que fitava a gravata borboleta rosa pálido em seu pescoço.
— Eu até gosto de rosa, salmão e vinho nas minhas roupas, mas isso aqui não está me dando nenhum tesão... — disse Tommy olhando para sua gravata rosa pálido com um olhar entojado.
Eu ri levemente.
— Podemos ficar com o bom e velho preto, Helena? — perguntou Tommy com toda a educação que ele recebeu durante os anos. Helena mordeu os lábios, contrariada, mas assentiu.
Quando ela virou de costas, duas gravatas borboletas voaram em sua direção.
Errando o alvo por questão de centímetros.
Kellan sentou ao nosso lado quando o alfaiate terminou com ele e nós observamos o cara tirar as medidas de Tommy e Oliver com nenhum animação, enquanto Moira e Helena pareciam se divertir e muito com isso.
Cada um tem seu gosto, eu acho.
—-
— Kellan! Acorda! — eu disse balançando meus ombros levemente. — Kiera!
Os dois acordaram de má vontade e resmungaram em conjunto. Já estava acostumada com isso também. A única que ainda dormia era Kylie, mas em comparação á os gêmeos, ela podia dormir, porque eu aguentaria levar ela até o carro. Eles levantaram e Kylie foi para o colo de Oliver. Ela nem acordou, só abraçou o pescoço do pai com um pequeno suspiro infantil e inconsciente.
— Vamos em dois carros. Slade está esperando lá fora com Damien. Eles irão afastar os fotógrafos. — instruiu Oliver e todos assentimos. — Mãe, Tommy e Helena e eu vamos com Damien. Felicity, Kiera e Kellan com Slade.
Kiera bateu continência quando Oliver não estava olhando e eu ri baixinho porque não consegui disfarçar. Assim como Tommy, mas isso chamou a atenção de Oliver e ele encarou nós três com um olhar desafiador. Okay. Parece que alguém não tem senso de humor por aqui.
Nós saímos do ateliê e foi uma confusão só.
Vários fotógrafos vieram em cima, mas Slade e Damien conseguiram afastar eles suficiente para passarmos em fila única. Mais seguranças estavam perto dos carros. Parecia ser uma missão iper mega ultra power impossível chegar até eles.
Tinha o caminho livre pela rua, Kellan foi por ele e se enfiou no banco de trás do carro, Kiera me puxou pelo braço e fomos pelo mesmo caminho. Um rápida olhada para trás, eu vi que Oliver e os outros nos seguiam. Kylie havia acordado e enfiado o rosto no pescoço do pai, provavelmente com medo.
Um fotógrafo começou a berrar perguntas na minha orelha e quando eu me virei para mandá-lo se foder, vi Kiera tropeçar com a linha da calçada e cair em plena rua junto com dois caras com câmeras gigantes que estavam atacando ela com flashes. Eu não pensei muito, pois vi um caminhão vindo em direção á ela, apenas agachei e a puxei pelo braço e para cima. O mundo girou quando dois fotógrafos esbarram na gente e caímos juntas no chão.
Eu não estava conseguindo ver nada por causa das minhas lentes rachadas, mas eu consegui ver as lanternas do caminhão. E depois um estrondo. Meu peito se apertou por inteiro e fiquei com dificuldade para respirar.
Deus... Que dor de cabeça.
Sirenes abafadas.
E depois...
Nada.
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