The Perfect Nanny
12 Capítulo 12
Notas iniciais

Não dê sua imaginação asas, Smoak!
— Me desculpe, Sr. Queen. — eu disse ignorando como minha barriga estava estranha e como minha respiração estava acelerada. Ele continuava ali. Imóvel. Há um palmo de distância de mim. Meu coração estava trovejando dentro de meu peito. — Eu falei demais.
Ele estava tão quente. E tão perto. Deus.
O que eu estou pensando? Ele é meu chefe!
— Deus... — eu sussurrei e dei um passo para trás.
O calor estava ficando insuportável. Ele pareceu perceber o quão perto estava também, mas não disse nada porque eu corri escada á cima, completamente desesperada. Eu estava tensa desde a hora em que desci a maldita escada para recepcionar os Bertinelli. Helena era uma chata, sua mãe ainda pior e o seu pai? Não me deixei começar a falar sobre este ou ficaremos aqui até amanhã.
Me tranquei em meu quarto e escorreguei até o chão respirando fundo. O que infernos tinha acabado de acontecer? Eu me recusava a acreditar que não estava atraída pelo sensual e brincalhão, Bruce Wayne, e sim pelo frio e distante, Oliver Queen. O pai de merda.
Eu tomei banho e coloquei uma roupa confortável. Ler um livro ou trabalhar no novo software de segurança especial que estava desenvolvendo para Mansão Queen não conseguiram me ocupar a mente, nada estava conseguindo. Encara o teto então? Nadinha. Já passava de uma da manhã e eu estava acordada ainda.
Espiei o corredor e estava tudo apagado. Suspirei. Área limpa. Saí de meu quarto disposta a achar alguma coisa que me botasse para dormir na cozinha e desci as escadas na pontinha do pé. E no final do corredor eu vi luzes. A piscina. A água deveria estar congelante ainda mais nessa hora da madrugada, mas eu ignorei este fato e peguei na dispensa uma toalha enorme e fofa.
Talvez fosse levar bronca da Sra. Lance, mas eu não me importava.
Caminhei até lá e uma brisa me atingiu.
Não estava frio, na verdade estava um clima fresco.
Tirei o short e regata do pijama, ficando apenas de lingerie. Não tinha ninguém por perto e eu não tinha biquini em meu quarto. Na hora de fazer as malas, não tinha parado para pensar que eles teriam uma piscina olímpica no quintal! Mergulhei na água e como eu havia pensado, estava gelada pra cacete, mas o atrito foi ótimo.
Quando voltei para superfície senti o choque térmico do meu corpo quente, da água gelada e da brisa do ar. Me encostei na parede e fechei os olhos aproveitando da sensação que a água gelada fazia no meu corpo. De pouquinho em pouquinho, eu me sentia finalmente relaxar. A água ondulava de acordo como eu movia os meus braços e era tão bom.
— Me desculpe. — disse uma voz e eu me arrepiei com o susto que levei.
Abri o olhos alarmada e vi o Sr. Queen do fundo da piscina, totalmente molhado e completamente e irresistível. Ele já estava aqui quando eu mergulhei? Sim, estava. Eu mencionei a piscina de tamanho olímpico, certo?
E ele estava sem camisa novamente.
— Está se desculpando pelo que? — perguntei.
— Eu sei que a culpa não é deles. — ele disse e eu assenti.
— Então, peça desculpas para eles e não para mim. — eu disse e foi a vez dele assentir.
Ficamos em silêncio. As memórias de cada encontro com ele passaram em minha mente com um filme mudo em cores. O jeito que ele dançou comigo na festa de Moira foi... Desconcertante. Ainda mais agora que ele era, oficialmente, noivo de Helena.
Comecei a ficar com frio e como ele não falou nada, eu mergulhei novamente e emergi com um sorriso. Melhorou. Ele ainda estava com aquela cara de pensativo e eu continuava nadando enquanto ele refletia consigo mesmo, ignorando aquela sensação estranha vinda da minha barriga. Eu sabia que não estava hiper-ventilando, porque isso não era possível na água... Ou era?
Por que fodidos infernos eu só ficava assim com ele?
Trocamos um olhar estranho e atmosfera mudou radicalmente. Eu fiquei arrepiada com a brisa do vento que ficou mais forte e decidi que era hora de dormir antes que as coisas ficassem ainda mais constrangedoras.
— Eu acho que vou...
— É, eu também...
Ficamos em silêncio novamente. Torci meu cabelo, pronta para sair da água, quando ouvi um barulho vindo das árvores. Parei na hora o que estava fazendo e olhei o pequeno bosque atrás da churrasqueira abandonada.
— Você ouviu isso? — perguntei antes de pegar no apoio de ferro da escada para sair, e ele negou atrás de mim. Mais um barulho. — E agora?
— Não.
Eu estou, oficialmente, ficando maluca?
Mais um barulho.
— Agora eu ouvi. — ele disse parando ao meu lado e franzindo os olhos como se tivesse visão noturna, enquanto encarava os arbustos. — Acho que é algum bicho.
Eu não gosto de bichos. Só faço exceção para as pestes e Lily. Apenas eles.
— Você quer que eu te acompanhe para dentro? — perguntou Sr. Queen e eu percebi que estava mais perto com ele e trêmula, não por causa do frio ou da água... Era medo mesmo.
Meu subconsciente revirou os olhos pra mim.
— Não. Eu vou ficar um pouco mais. — eu disse e sorri amarelo. Nunca iria admitir que estava com medo de algo que provavelmente tem visão notura, dentes afiados e garras longas para o meu chefe. Nunca mesmo. — Boa noite, Sr. Queen.
Ele pareceu dividido e apenas ficou aonde estava, olhando ao redor com falso ar de tranquilidade. Ouve mais barulhos e eu me assustava á cada vez, porque o bicho parecia estar se aproximando. Eu continuei recuando até que bati em seu braço.
Resisti fortemente para não olhar para ele ou seu peito nu ou mais para baixo.
— Srta. Smo...
— Eu sei! Eu sei! Eu só estou, você sabe... Só estou curtindo a água. — eu disse me afastando, não muito, e comecei a brincar com á água com os dedos. Sua mão quente escorregou pelo meu ombro e me fez olhar para ele. Merda. Muito perto. — Não estou com medo.
Ele ergueu uma sobrancelha e vamos ressaltar o quanto este movimento foi sexy?
Okay. O mundo girou. Eu sei que o planeta gira á todo instante, qual é quem não lembra daquela professora chata de ciências ensinando os movimentos de translação e rotação do planeta Terra que você sempre confundia na hora da prova. Mas eu sei que ou o planeta parou ou girou de cabeça para baixo. Ou talvez ambos.
Cala boca e sinta!
Sentir o que? Aquela sensação super estranha na barriga que intensificou dez vezes mais nos últimos dez segundos? Ou aquele arrepio sinistro que subiu por toda a minha coluna até os cabelinhos da nuca? Ou sentir os lábios do Sr. Queen, que mais pareciam dois travesseiros super macios, contra os meus?
EU ESTOU SENTINDO TUDO ISSO SUBCONSCIENTE!
A rajada de vento apenas me deixou ainda mais arrepiada, ou será que foi sentir as mãos dele em minha cintura? Eu realmente não sabia, mas sabia que estava gostando daquela coisa e não consegui segurar o suspiro que saiu da minha boca quando a ficha caiu e tudo isso realmente estava acontecendo.
Ele se retraiu levemente e fechei meus olhos, no mesmo instante em que seus lábios voltaram contra os meus. Desta vez de um jeito diferente. Era selvagem. Seus braços fecharam ainda mais ao redor de minha cintura e me apoiei em seus braços. Como um cavalheiro, ele pediu passagem com sua língua e eu cedi.
Eu me sentia em chamas.
Lá embaixo.
E aquela parte estava debaixo d'água!
A minha respiração era mais do que ofegante quando Oliver migrou seus beijos enlouquecedores para o meu pescoço, eu estava me sentindo completamente estranha e quente. Bem quente. Suas mãos viajaram até minhas pernas e me puxaram para cima. Eu encaixei elas ao redor de seu quadril e abracei seus ombros. O beijos nunca pararam, mas quando senti seus dedos subirem por minhas coste...
— Merda. — o xingo baixo e não muito distante funcionou como um choque de 30.000 woltz em meu corpo e eu me separei o máximo que pude do homem na minha frente e bati minhas costas com força contra a parede da piscina.
Ele também pareceu bem surpreso e olhou exatamente para onde o xingo havia vindo. Não era um esquilo. Ou um guaxinim. Era Slade. E ele parecia estar muito mais surpreso do que nós dois na água.
— Boa noite. — ele disse e depois foi para o outro lado da casa quase que correndo.
Deus. Qual foi a última vez que eu fui flagrada deste jeito? Ah! MIT. Cooper, meu namorado na época, e eu estávamos no maior amasso, rala e rola... Como você quiser chamar, quando Sidney, minha colega de quarto, chegou com o namorado dela dentro de um maior amasso ou rala e rola. E negativo, não rolou orgia depois disso. Mas eu sabia o que iria rolar depois disso aqui, no presente, eu ia fugir e ia ser demitida por assédio sexual.
Opa. Como é? Não foi a gente que começou!
Se bem que foi ele que me beijou, não o contrário. Bem pensado subconsciente.
Não olhei para trás enquanto andava.
Voltei a me vestir no corredor e enrolar a toalha na cabeça. Não me importei com o rastro de água que havia deixado desde a piscina até o hall de entrada. Assim que me tranquei dentro do quarto novamente, me deixei respirar fundo. Encarei a janela que tinha uma visão parcial da piscina e eu conseguia ver que o Sr. Queen ainda estava na água e Slade estava fora de visão.
Merda, Felicity. Você está começando a brincar seriamente com a sua sorte.
Eu, definitivamente, não iria dormir esta noite.
—-
— Lissy? Lissieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! — chamou Kay com sua voz impaciente.
— O que? Tudo bem? Se machucou? — eu perguntei saindo de minha divagação sobre ontem a noite.
Por que infernos eu ainda estava pensando sobre ontem?
Por que foi bom? Por que o seu chefe pode até ser um pai de merda, mas beija bem?
Suspirei e encarei a criança na minha frente que havia colocado um pingente na testa de Lily. Era uma bolinha azul. Não era um pingente, aquilo era uma lantejoula? Kay...
— A vovó Lance disse que preparou um lanche para as aulas de luta hoje. — ela disse e imitou dois movimentos de karatê como demonstração e eu sorri. — Kel já está lá embaixo.
— Por que você não leva Lily para brincar com ele? Eu vou chamar a Kiera. — eu disse e ela assentiu e saíu correndo e a fiel escudeira peludinha foi atrás.
Saí no corredor e suspirei mais uma vez ao olhar o final do corredor da sala oeste.
— Kiera? Está na hora, você já se arrumo... — eu comecei a falar enquanto entrava no quarto da filha do meio.
Kellan era mais velho por dois minutos e trinta e dois segundos.
Diferente do usual, Kiera não estava toda pronta e excitada para a aula. Não. Ela estava sentada em sua cama, ainda usando o uniforme da escola e segurava uma caixinha preta em suas mãos. Essa não era a parte assustadora, a parte assustadora era que a garota não tinha expressão alguma no rosto de angelical dela.
— Kiera? Tudo bem? — perguntei com a voz cautelosa e ela olhou para mim.
— Sim, eu vou me arrumar rapidinho. — ela disse e deixou a caixa de lado e saiu em disparada para o banheiro.
Curiosa como eu era, eu me aproximei da cama e vi que dentro da caixa preta pousava um colar. Simples. Bonito. E com certeza, valia mais que o prédio do Sr. Jackson inteirinho. Acho que valia mais até que o meu coração. E não era o coração o órgão humano mais caro que existia no mercado negro?
— Quem te deu isso? Um namoradinho? — perguntei assim que ela voltou usando suas roupas rotineiras de treino.
Kiera não seria Kiera se não revirasse os olhos para mim pelo menos uma vez no dia.
— Meu pai me deu de presente. — ela disse e eu me surpreendi. Nossa! — Mas eu sei que isso, os diamantes, são apenas para me comprar e não declarar guerra contra aquela vadia nojenta que ele chama de noiva.
Ah, sim. Agora fazia mais sentido. Kiera havia deixado bem claro no jantar com os Bertinelli que não aceitaria a união de seu pai com Helena, tanto quanto Moira. Uma coisa que os Queen não possuíam no material genético, era a sutileza. Não que eu também fosse sutil, claro que não. Acho que meu nível de sutileza era o mesmo nível de uma bola de demolição, mas mesmo assim.
— Vamos? — perguntou pegando sua bolsa e eu assenti.
Nós descemos juntas e eu vi Kellan e Kylie treinando Lily no hall de entrada. Tudo bem, eles não estava treinando, treinando a cachorrinha como o FBI faz com aquelas cachorros enormes farejadores de drogas. Estavam apenas jogando uma bolinha de silicone amarela para ela pegar. Kellan me entregou uma bolsa térmica e nós fomos para garagem. Desta vez, Lily ficaria em casa com a Sra. Lance até nós voltarmos do Instituto Al Ghul.
O caminho foi totalmente leve e engraçado, porque Kellan lembrou á todos na mini-van que ainda se sentia ressentido por termos ido ao Jolly Rogers sem ele. Na hora em que ele falou isso, Kiera olhou para mim e eu olhei para Kiera, mas nenhuma de nós teve coragem o suficiente para comentar sobre Alannah.
— Nós podemos fazer um passeio amanhã. Todo mundo têm a tarde livre. — eu disse quando parei em um farol vermelho.
— Na verdade, não pode ser sexta? — perguntou Kellan e todas nós olhamos para ele.
— Por que não pode ser amanhã?
— Tem algo melhor para fazer?
— Tem algum lugar para ir? — perguntamos todas ao mesmo tempo e Kellan pareceu ficar confuso ao mesmo tempo.
— Porque amanhã nós três temos consulta com Dig, e depois eu tenho um teste de direção na escola. — ele respondeu e Kiera suspirou.
— O que?
— Kiera não gosta do Tio Dig. — disse Kylie e eu apenas assenti.
Chegamos no Instituto Al Ghul e eu e Kylie ficamos na recepção jogando Mysteris juntas ou apenas assistindo a TV que estava em canal cultural que mostrava todas as novidades de Starling City. A fome bateu e eu ataquei a bolsa térmica, achando um bilhete entre as caixas de isopor.
"Não quero que fique fugindo da dieta das crianças todo o dia, Srta. Smoak. Portanto, para diminuir a rigor, eu envio lanches saudáveis para o acompanhamento do treino de lutas deles. Moira Queen."
Intrigada, eu abri as caixas de isopor.
Eram lanches naturais, algumas frutas e para minha surpresa bolo de chocolate. Não aquele bolo de cenoura horrível que Zoey estava tentando ensinar no outro dia, porque este definitivamente tinha bastante glúten devido á cobertura de chocolate ali. Estava morninha ainda. Hm. Delícia. Kylie atacou sem cerimônia e adorou o bolo, deixando bem claro o quanto gostou dele, o que me lembrou de algo.
— Kay... Por que você não gosta de falar? — perguntei de boca cheia fazendo ela rir.
— Eu não sei. Ninguém me escuta, Lissy. — ela respondeu depois de tomar seu suco de maçã. — Não faz diferença se eu falar ou não.
Ela deu ombros brincando com o canudo colorido.
— Nem a Vovó Dinah ou a Tia Thea? — perguntei depois de roubar um ou dois goles do suco dela. Ela apenas negou com a cabeça e balançou os pés no banco. — Por que você fala comigo e com seus irmãos, então?
— Porque vocês me escutam. Duh. — ela disse como se fosse uma coisa óbvia e eu ri.
Kylie voltou a jogar em seu tablet, que era o notebook que eu havia dado para ela de aniversário e eu fiquei folheando uma revista perdida que tinha por ali. Carrie entrou e acenou para nós, ela tinha cortado o cabelo e tinha ficado lindo. Acho que estou desenvolvendo uma paixonite pela recepcionista. Nós conversamos um pouco até que Kiera saiu do ginásio com aquele impassividade de mais cedo.
— O que foi? — eu perguntei e ela deu ombros. — Kiera?
— Ele está lá dentro lutando com Kellan. — ela disse e cruzou os braços. O Sr. Queen estava aqui? Me desesperei, mas ao ver a careta de Kiera me forcei á me acalmar na hora. Ela não parecia com ciúmes ou inveja, parecia estar fula da vida. — Se ele acha que ao mendigar essa atençãozinha ele vai fazer que nós aceitemos aquela piranha em casa, ele está muito enganado.
Com isso dito, ela saiu em passos duros até a saída. Kylie que estava alheia a tudo, levantou o olhar da tela do tablet á tempo de ver sua irmã batendo a porta da frente do instituto com força.
— Ela quebrou a unha de novo? — perguntou abraçando o tablet no peito.
Antes de ir atrás de Kiera, eu caminhei até o corredor e espiei entre os ringues de luta. Sr. Queen estava realmente ali, e lutando com Kellan, mas hoje decidiu usar uma camisa. Eles conversavam em voz baixa entre si no meio de uma troca de golpes muito complicada, para o meu desgosto, o Sr. Queen era muito bom e Kellan só conseguiu acertar um bom golpe no pai que eu desconfiava ter deixado ele fazer isso.
Por mais que a visão fosse bonita e eu quisesse isso, sabia muito bem o que Kiera quis dizer com migalhas de afeto. Então, eu soltei um suspiro e voltei para a recepção.
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Ninguém abriu o pio na hora de voltar para casa. Nem Kellan. Enquanto Kiera parecia fula da vida, ele parecia pensativo demais. Kylie havia dormido no colo da irmã no banco de trás e eu não sabia o que falar e nem sabia se deveria falar alguma coisa sobre o comportamento do Sr. Queen. Ele era mais confuso do que minha mãe tentando consertar o secador de cabelo dela sozinha.
Assim que chegamos em casa, cada um foi para um canto e o clima despencou. Se alguém além de mim notou isso, não comentou. Eu acompanhei Lily para fazer suas necessidades e quando estava dando a hora do jantar, Moira e Walter apareceram com sorrisos enormes.
Eu tenho razão suficiente para ficar com medo, não tenho?
Sim.
Obrigada, subconsciente.
De nada.
— Felicity, por favor, pergunte as crianças se elas querem nos acompanhar em um jantar fora. — ela disse e parecia feliz.
Mais razões para eu ficar com medo, não é?
Claro que sim.
Okay.
Eu assenti e subi para o segundo andar da casa, Kiera recusou o convite e disse que tinha que praticar se quisesse ganhar o papel de Odette em Lago dos Cisnes, Kellan estava trabalhando no robô que estava tomando forma, e sobrou para Kylie. Eu não poderia descer e dizer para Sra. Queen que todos os netos dela recusaram o convite.
Kylie aceitou com a condição de levar Lily. Moira aceitou a condição de Kylie.
Não vou mentir que fiquei aliviada/temerosa quando vi o casal sair com a caçula dos Queen pela porta da frente em direção do Bentley com assentos de couros novinhos de Walter. Lily iria amar aquele carro. Moira me dispensou dizendo que não precisava de mim pelo resto da noite e isso me causou reações contrárias. Estava aliviada por não ter que acompanhar ambos no jantar em que eu, provavelmente, ficaria boiando em qualquer assunto, mas também temerosa porque Kylie estava indo junto.
Para passar o tempo, decidi explorar a casa.
Tinha uma sala de vídeo games enorme! Xbox One. PS4. Nitendo Wii. Todos os Playstations e até mesmo um Atari, por mais que o último estivesse dentro de uma caixa de vidro. O quarto inteiro tinha tudo de última geração e eu já estava começando a planejar uma noite gamer no futuro próximo, mas o que me chamou a atenção foi a sala de cinema. Assim como cada cômodo desta casa, era bem grande. Tinha cerca de nove poltronas largas o bastante para duas pessoas sentarem confortavelmente e uma tela de cinema 3D em tamanho real. Sem falar das duas paredes forradas de DVD's esperando por mim.
Hmm.
A casa estava meio vazia. Kiera e Kellan ocupados. Moira estava fora...
Por que não?
Servi o jantar para Kellan e Kiera no estúdio de dança e no quarto. Tomei um banho longo e coloquei meu pijama de frio mais confortável. Calcei minhas pantufas e fui até a cozinha preparar meu arsenal para os filmes. Fiz bastante pipoca, surrupiei duas latinhas de Coca-Cola do frigobar de Joe e mesmo que fosse diet e amargo, duas barras de chocolate.
Fui com tudo isso para a sala de cinema e examinei a coleção de DVD's. Tinha filmes, documentários, musicais, shows, séries... Tudo. Ah meu Deus! Star Wars! Peguei o primeiro filme e coloquei para rodar no projetor no fundo da sala. Luke Skywalker foi a minha primeira paixão. Depois é claro de eu descobrir que seu pai, o verdadeiro pai, era muito melhor.
— Ta na na, na na nammmmmm! — cantarolei com a boca cheia de pipoca a musiquinha de entrada.
— Eu estou começando a ficar com medo de você. — disse Kiera me assustando e me fazendo derrubar um pouco de pipoca no chão.
— Eu que deveria estar com medo de você. — eu disse apontando para a máscara facial roxa que ela estava usando.
— O que você está assistindo? — perguntou ao se rastejar até o meu lado.
— Filme de nerd. — eu disse e ela sentou e roubou uma das latinhas de Coca-Cola e um punhado de pipoca.
Ela soltou um "Hm" e o filme começou.
Eu não consegui me concentrar nenhum pouquinho em Luke, porque eu não conseguia parar de olhar para a loira do meu lado de rabo de olho. Ela se sentiu sozinha e veio me fazer companhia foi isso? Possivelmente era isso. Revirei os olhos e foquei minha atenção na tela. O filme passou como um vento e Kiera fez algumas perguntas do tipo "Por que o Yoda é verde?" ou "Por que essa Léia é chata?". E eu ri.
— TA NAM! — gritou uma voz atrás de nós quando o Darth Vader fez sua primeira aparição. Eu e Kiera gritamos a pipoca voou para o ar, enquanto Kellan morria de rir atrás de nós.
— Babaca idiota. — xingou Kiera limpando o refrigerante de sua blusa com a manga do roupão rosa fofinho que estava usando. — Você não tem mais o que fazer?
— Não, mas você deveria lavar essa coisa roxa da sua cara... É gosma? — perguntou ele esticando o indicador para tocar no rosto da irmã que quase arrancou o dedo com os dentes.
— Gosma é essa coisa ridícula que você tem na cabeça e chama de cabelo. — ela disse apontando para o cabelo melado de Kellan. De modo bem elegante, eu tirei as pipocas que caíram dentro do decote da minha regata e Kellan, bem folgado sentou do meu outro lado, me deixando entre os dois.
Eu não fiquei apertada, muito menos Kiera, mas o que estava começando a me irritar era Kellan ficar jogando pipoca em Kiera para ver se grudava no rosto dela. Era engraçado, mas tente assistir um filme com pipocas voando na sua frente ou ficando presas em seus cabelo para vocês verem como é super legal.
— Kellan, eu juro por Deus, se você não parar com isso eu falo para o Instrutor Turner que você quer aquela maldita habilitação para atropelar criancinhas e fazer sacrifícios satânicos delas. — ameaçou Kiera tirando duas pipocas que ficaram grudadas em seu rosto.
— Manda ver, maninha. — ele disse e eu suspirei. Sabia onde tudo isso ia dar.
— Oh, você quer guerra? — perguntou Kiera tirando duas pipocas de seu nariz. Ela estava irritada. Kellan apenas sorriu e tacou um punhado de pipocas na cara da irmã que ficou mais roxa que a máscara que cobria seu rosto.
Adeus, Noite de Cinema.
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