The Perfect BTS
3 A Esperança (do meu trabalho)
Notas iniciais
— Deixa eu ver se eu entendi... — Hoseok passou as mãos pelos cabelos castanhos e me encarou mais uma vez. Deus, como ele podia ser tão lindo assim? — Você quer filmar a minha dança pelos próximos 6 meses para um curta-metragem?
— Bom, seria por três meses, os outros três eu teria que editar e tal...
— Eu não quero ser... deselegante, eu estou realmente lisonjeado, mas... por que eu?
— Sua dança é a melhor que eu já vi e você não tem problemas em dançar em público.
Ele franziu as sobrancelhas e me encarou mais uma vez. — Eu acho que é melhor não. Obrigado pelo convite.
— Pense sobre, Hoseok, por favor. Só... pense.
Ele pareceu ponderar e por fim assentiu com a cabeça, acredito que só para não me dar mais um não. Ele seguiu seu caminho pelo pátio e eu voltei lentamente para a sala de aula, me lembrando de mais cedo:
— Para finalizar esse semestre, quero um trabalho individual. — começou a professora, escrevendo alguma coisa com caneta vermelha na lousa branca da enorme sala da faculdade. — Cada um de vocês vai fazer um curta de 15 minutos com o tema "Expressão e Arte nas ruas.", no estilo documentário e o desafio é não deixar ser os 15 minutos mais entediantes da minha vida. Capturem a emoção, o esforço, o trabalho magnífico de artistas muitas vezes subestimados por sua arte não ser convencional. É a nota do semestre, não me decepcionem.
Meu coração deu um pulo, era o trabalho perfeito para uma abordagem perfeita em alguém perfeito demais para existir. Eu anotei tudo que podia da lousa antes de sair da sala de aula, tramando todas as estratégias possíveis para abordar O HOMEM MAIS LINDO QUE EU JÁ VI NA VIDA.
Como vocês viram, não foi a melhor abordagem do mundo, mas eu não ia desistir assim.
POV Hoseok
Confesso que fiquei vermelho quando aquela garota me parou no meio do corredor para dizer que precisava que eu dançasse para o trabalho dela. Quero dizer, tantos caras muito melhores e muito mais bonitos do que eu para fazer isso, porque ela veio pedir para mim? "eu gostei da sua dança", isso me fez ficar mais vermelho ainda. Ela me observava?
— Hey, o que foi? — perguntou Jimin, me vendo olhar o nada por muito tempo.
— Fui abordado por uma garota no meio do corredor hoje.
— E o que ela queria?
— Que eu fizesse parte de um projeto dela... — eu me calei. Ia mesmo contar isso ao cara mais exibido da face da terra?
— Oh, e que projeto?
Eu respirei fundo. — Ela é estudante de cinema, quer que eu participe de um trabalho de semestre chamado "expressão e arte nas ruas". Quer que eu faça um curta-metragem com ela.
Jimin pulou alto do sofá da sala. — É o que?? Meu melhor amigo nas telonas? Qual é, quero um autógrafo enquanto você ainda não é famoso, vai valer uma fortuna.
Não era a reação que eu esperava dele.
— E a parte de "ela devia vir falar comigo, eu sou mais gostoso que você"? Era você que devia ser chamado, não eu.
Jimin riu e eu acabei rindo com ele, eu não tinha psicológico para ouvir o Chim-Chim rir e não fazer isso junto.
— Qual é, você dança muito melhor que eu!
— Que mentira! — eu quase gritei.
— Ok, olha... — ele se sentou do meu lado. — Provavelmente ela não me chamou porque já me viu dançando e já viu que eu não sou o que ela precisa. Se ela chamou você é porque é o que ela precisa. Não pode ficar com vergonha a vida toda, Hobi.
— Devo falar com ela?
— Deve. — ele sorriu. — Quem é, a propósito?
— S/N, terceiro ano de cinema.
— Wow... ela é gostosa.
— Ela é linda... talvez por isso eu recusei. Não sei, parecia surreal demais.
Levei um tapa estralado do Jimin.
— Para de ser fresco, Hobi. Amanhã você vai lá na sala dela e vai dizer que topa fazer. Conversa com a garota, vai que rola uns beijos nessa filmagem.
Eu coloquei as duas mãos no rosto. — Nem vou comentar, Chim-Chim.
POV VOCÊ
Era hora do almoço, eu juntei as minhas coisas e saí da sala, dei dois passos e trombei com alguma coisa alta, forte e muito cheirosa. Deus, era o Hoseok.
— Boa tarde. — ele me disse, aquele sorriso lindo estampado no rosto me fazia perder o ar.
— B-- Boa tarde.
— Eu quero te pedir desculpas por ontem. Almoça comigo?
Não era um sonho, certo? — É claro!
Nós fomos até a lanchonete e pedimos um X-bacon cada um, sentamos em uma das mesas brancas e eu observei o rapaz que parecia bem nervoso.
— Me desculpe por ontem... você me pegou muito de surpresa, eu fiquei sem reação. O que eu quero dizer é que eu aceito que você filme minha dança pro seu trabalho, é uma honra pra mim.
— Sério? — eu quase pulei da cadeira. — Hoseok, isso é demais! Eu agradeço muito, muito, muito!
— É, mas se eu fosse você não ficava feliz assim, não. — ele riu. — Você disse que eu não tenho problemas em dançar em público porque eu estou sempre perto de alguém que eu conheço e confio. Você vai ter problemas pra me gravar sozinho.
— Não chega a ser um problema. — eu sorri para ele. — Se você topou, o resto nós damos um jeito.
— Eu gosto da sua confiança. — ele riu antes de receber nossos lanches.
Passamos o almoço inteiro conversando; ele dança desde muito pequeno e sempre quis fazer isso profissionalmente, estava prestes a conseguir. Dividia apartamento com Jimin – outro pedacinho de mal caminho bonito demais pra ser real.
— Seu trabalho é sobre expressão e arte nas ruas, certo?
— Sim.
— Eu não danço nas ruas. — e,e se levantou e nós fomos andando até a minha sala.
— Mas a sua dança vem das ruas de Nova York. Quando a professora diz "nas ruas", significa o "não-clássico". É claro que alguém vai defender que o balé pode ser dançado nas ruas, mas isso exige mais.
— Balé exige alguma coisa mais lisa do que um asfalto ou uma calçada. O hip-hop você dança em qualquer lugar sem problema nenhum.
— Pegou o espírito da coisa.
— Você precisa mostrar exatamente o que com isso?
— Tenho que captar a emoção da dança e o trabalho de artistas que podem ser subestimados pelo estilo da arte não ser convencional, as dificuldades e blablablá não ouvi mais nada depois disso.
— Cinema tem trabalhos tão difíceis assim? — ele levantou as sobrancelhas. — Ainda bem que eu escolhi Expressão Corporal, não chega a ser difícil assim.
— Relaxa que piora.
Eu parei na frente da sala de aula e estava pronta para me despedir quando vi Hoseok pegar o celular.
— Me passa o seu número, vamos combinar melhor o que temos que fazer.
Eu passei e ele se despediu com um abraço rápido, indo para a sua aula. Dez minutos depois meu celular vibrou.
"Obrigado pelo almoço. Hobi."
"Foi um prazer. Esse é o seu apelido?"— eu enviei de volta.
"Haha. Sim."
Eu sorri feito boba o resto da semana!
**
Eu precisava de um roteiro, mas estava cada vez mais complicado. Eu conversava com Hoseok todos os dias, tentando achar uma luz no final do túnel, mas estava cada vez mais escuro. Isso me preocupava, mas pelo lado positivo das coisas eu tinha contato direto com Hobi. Conversávamos muito por mensagens e – quando ele podia — passávamos as tardes na biblioteca da faculdade procurando alguma coisa.
Quase um mês havia se passado, estávamos tão confortáveis um com o outro que parecíamos amigos de infância. Infelizmente era desse jeito que ele me via, como uma amiga. Tentei não pensar muito nisso, afinal, aquele dia ele tinha me mandado uma mensagem urgente.
"Encontrei alguma coisa. Te espero na biblioteca depois das 14h. H."
Ele chegou correndo, atrasado cinco minutos, um papel timbrado da faculdade nas mãos. Hobi se jogou na cadeira para descansar e passou o papel para mim.
— TRABALHO DE CONCLUSÃO DE SEMESTRE. Cada aluno separadamente deve criar uma coreografia no estilo que mais lhe agradar, resguardando o tema listado a baixo. O processo deverá ser registrado e apresentado em foto e/ou vídeo e toda a colaboração deverá ser citada nos devidos créditos. — eu li, entendendo aos poucos o que estava acontecendo.
— Eu não devia ter zoado seu curso. Não devia mesmo.
— Expressão corporal tem trabalhos difíceis assim? Ainda bem que eu escolhi Cinema.
— Engraçadinha. Viu o tema?
— Passagem? – era o que estava grifado de marca-texto.
— É. — ele jogou os braços na mesa e deitou a cabeça nela. — Agora sou eu que não sei nem por onde começar.
— Começa pela música, Hobi.
— Aí é que está o problema. Eu não tenho ideia de que música.
Eu acariciei os cabelos dele, tão macios que deslizavam sob meu toque.
— Vamos fazer assim: vamos encontrar uma música, vamos procurar referências e vamos montar essa coreografia, eu vou gravar tudo, editar, fotografar e você entrega o meu material como registro enquanto eu entrego o seu como meu trabalho de semestre. Todo mundo ganha.
— Faria isso? — ele levantou para me olhar.
— É claro, e ainda poupa meu trabalho de achar um tema.
Ele puxou as minhas mãos e deu um beijo em cada uma delas, me tirando o ar.
— Eu vou te agradecer pelo resto da vida.
— Não precisa, Hobi... uma mão lava a outra, certo?
Ele entrelaçou nossos dedos e apertou um pouco.
— Certo.
Ah eu ia derreter com aquele sorriso.
* UMA SEMANA DEPOIS*
POV HOSEOK
— Hoseok, este é o cara que eu te falei, o Namjoon, também conhecido como Rap Monster. — me apresentou Jimin.
— Hoseok, as suas letras de Rap são incríveis, eu tenho que te elogiar por isso.
— Obrigado, mas como...
— Saiu uma matéria numa revista que a BigHit estava recrutando e que o Rap Monster estava procurando pessoas para trabalhar com ele nas letras, no vocal. — explicou Jimin. — Eu enviei algumas letras suas e ele adorou Baepsae. Junto com um vídeo meu.
— E ele agora é oficialmente o seu parceiro de dança, se você aceitar. Precisamos de você, Hoseok. Daremos tempo para que você termine sua faculdade e tudo o mais, não se preocupe. Vocês dois foram o achado do ano, queremos muito que se juntem a nós.
— Eu... eu aceito, é lógico!
Namjoon e Jimin comemoraram muito. Deus eu não estava acreditando nisso.
— Você é escritor, Namjoon? De Rap?
— Sim.
Expliquei a minha atual situação para ele, a dificuldade em achar uma música e o tema do maldito trabalho, sobre a S/N que estava me ajudando. Ele ouviu tudo atentamente, sentado de frente para mim.
— Acho que você não poderia ter mais sorte, Hobi. — ele riu. – Estou finalizando uma musica com alguns colaboradores, ainda não sabemos direito como vamos usar e se vamos usar a canção, mas ela diz o que você precisa e vai precisar de uma coreografia.
— Explique.
E ele explicou; um adolescente entrando na fase adulta, descobrindo o mundo do amor e das mentiras, da felicidade e da dor, os dois lados de se amar alguém.
— Vamos finalizar essa semana, mas... você não pode divulgá-la.
— Posso conseguir uma apresentação fechada.
— Se você puder levar seus avaliadores até uma sala dos estúdios da BigHit, pode usar nossa música à vontade, sua amiga pode apresentar o trabalho dela desde que seja nas mesmas condições.
— Vou preparar tudo isso, Rap Monster.
A baixinha ia morrer com isso.
* *
— VOCÊ O QUEEEEEEEEEEEEEEEE?????? — ela se levantou de um pulo da cadeira de uma das salas de leitura fechadas da faculdade.
— Sim... BigHit, música exclusiva, Rap Monster, tudo isso aí. — eu andava de um lado para o outro, sem conseguir achar um lugar confortável para ficar dentro da pequena sala, eu não conseguia acreditar em tudo aquilo ainda, estava em choque.
— Meu Deus, Hobi, que incrível!
Ela pulou sobre mim e eu a abracei com força, girando a baixinha duas vezes.
— Eu estou tão orgulhosa de você! — ela disse contra meu peito.
Eu só a abracei mais forte, porque eu sabia que era verdade; durante todo esse tempo ela se mostrou uma pessoa incrível, completamente disposta a ajudar e querer o meu bem e meu sucesso acima de qualquer coisa. Era uma boa amiga, mas ultimamente estava se tornando para mim um pouco mais que isso; eu dormia e acordava pensando nela, contava as horas para vê-la e não queria que ela fosse embora. Quando ela me abraçava, o mundo parava um segundo e não existia mais nada do que eu e ela; o seu sorriso era o sol que iluminava meu dia e eu me pegava sorrindo junto sem querer. É, eu estava apaixonado.
O problema é que eu não sabia como dizer isso. "Só diz pra ela." Foi o que Jimin disse. Para ele era muito fácil. "Se você não consegue dizer, mostre.". Ok, isso era mais fácil do que dizer.
— Sua apresentação não vai poder ser aberta.
— Isso não é um problema. Vamos começar a trabalhar nisso agora!
Eu amava isso nela.
POV VOCÊ
Orgulho, era essa a palavra. Eu estava tão orgulhosa de Hobi que tudo que eu queria era fazer o meu melhor para ele ter guardado em vídeo toda essa trajetória de início de carreira. Nós começamos indo até o escritório da BigHit — e assinando um termo de confidência — para ouvir a música com Namjoon. Boy Meets Evil era simplesmente PERFEITA. Gravei nosso primeiro contato com a música e Hobi estava em êxtase.
Depois de assinar mais dois termos para a BigHit, nós dois saímos de lá com o MP3 da música e com a missão de fazer uma coreografia que chegasse ao nível da canção. Era mais difícil do que parecia.
Enquanto andávamos pelas ruas, notei como Hobi começou a ficar estranho, mais carinhoso comigo; sempre que podia me abraçava, segurava minha mão, andava na rua com o braço sobre meus ombros. Achando ruim? NUNCA! Eu estava amando tudo aquilo.
— Como você se sente com esse projeto? – eu apontei a câmera para ele enquanto voltávamos para a casa dele.
— É a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Eu vou trabalhar duro para corresponder todas as expectativas que estão sobre mim.
— É, estamos vendo isso. — eu ri e ele me acompanhou.
Ajudei em tudo que podia; fui até a sala de dança com ele, gravei e ajudei a apontar os pequenos erros junto com Jimin, até arrisquei alguns palpites de passos que ele podia fazer. Quando a coreografia estava quase 100% montada, ele me pediu para assistir e, eu tenho que dizer, eu fiquei com muito calor vendo aquilo.
— Tá pronta! — Eu pulei nele, ignorando que estava completamente suado.
— Só preciso decorar a sequência de tudo isso que eu fiz picado. Obrigado.
Ele sorriu e segurou meu rosto com as mão, dando um beijo em minha testa.
— O trabalho foi todo seu, Hobi.
— Sem você eu não teria conseguido, ponto.
Eu o abracei mais uma vez, bem no momento que Jimin e Rap Monster entraram na sala.
— Ah, desculpa. Não queríamos atrapalhar o casal.
Eu me limitei a rir, eles já tinham pegado tantos momentos assim que não adiantava mais negar; só que não tínhamos nada. Ainda. Juntei todo o material que eu precisava e passei os últimos dois meses editando no notebook enquanto via Hobi dar o melhor de si na coreografia. As coisas só se acalmaram dois dias antes da apresentação, quando vi que Hoseok estava realmente cansado, mais desanimado que o normal.
— Que foi, Hobi?
— Eu não aguento mais o Jimin tentando me ajudar. Quero dizer, ele está sendo o máximo, trabalhou duro e eu agradeço isso, mas... EU NÃO CONSIGO DESCANSAR!!!!!!!! Faltam dois dias, eu acerto a sequência até sem a música e ele não me deixa descansar.
Eu gargalhei, não devia mas o desespero dele era tão fofo que eu não me contive.
— Ele quer que você seja perfeito, tem muito carinho e torce muito por você.
— Eu sei, não é uma reclamação, só que... EU VOU MORRER SE EU NÃO DESCANSAR!
— Ok, senhor Exagero, vem pra minha casa hoje depois da aula, a gente faz alguma coisa pra comer ou pede pizza, você descansa e depois volta pro hiperativo do Jimin.
— Ah, eu não quero atrapalhar, baixinha, sua família e tal, som muito alto.
Ah é, eu não tinha contado para ele. Nesse tempo eu tinha ido inúmeras vezes até a casa que ele dividia com Jimin, tanto que o Chim-Chim tentou me dar uma cópia da chave. Eu recusei, adorava ver ele abrir a porta com aquela cara de “eu não acredito que eu tô abrindo a porta pra você pela quinta vez hoje”. Quando ele atendia sem camisa era melhor.
— Eu não te disse, né... eu moro sozinha num condomínio fechado perto daqui. Não tem ninguém pra você incomodar lá.
Ele riu da informação, mas concordou em ir. Quando chegamos, eu mostrei a casa e recebi elogios de como ela era bem organizada – e como o Jimin era bagunceiro. Fizemos um lanche, eu liguei a TV e me sentei no sofá.
— A casa é sua, Hobi, fica à vontade.
Ele se jogou no sofá ao meu lado e deitou a cabeça no meu colo, rindo.
— Não devia ter oferecido.
— Só descansa, ok, você parece esgotado. — eu fiz cafuné nele e vi o rapaz sorrir e fechar os olhos.
Eu peguei um livro que já estava começado e me concentrei nele para ignorar a perfeição personificada que estava no meu colo. Ele dormiu profundamente por duas horas e vinte minutos, dos quais eu passei quase o tempo todo brincando com seus cabelos; quando o livro não me pareceu mais interessante, eu o deixei de lado e fiquei observando os traços de Hobi enquanto ele não podia me deixar com vergonha. Quis beijar a sua boca, mas não era o certo a fazer, mesmo que ele já tivesse dado todos os sinais do mundo, ele estava dormindo. Estava mesmo? Sua respiração não estava mais tão fraca, eu já podia ver seu peito subir e descer devagar novamente.
Era agora ou nunca. Eu prendi meus cabelos com as mãos e depositei um selinho em Hobi.
— Por que você esperou eu estar dormindo pra fazer isso? — ele disse, ainda de olhos fechados.
— Você não estava dormindo. — eu me defendi.
— Continuo me sentindo roubado. — ele riu e se levantou, sentando-se ao meu lado. — Quero de volta.
Ele segurou a minha nuca com suavidade e me trouxe para perto, passou o nariz pelo meu antes de selar minha boca com a sua. O beijo suave durou pouco, logo ele pediu passagem com a ponta da língua e eu senti um arrepio descer pela coluna; puxei os cabelos dele por reflexo e senti Hobi sorrir.
— Não faça isso...
— O que, isso? – eu puxei novamente e ele jogou a cabeça para trás, os lábios vermelhos entreabertos e os olhos fechados; Hoseok esticou o braço e eu pude ver o arrepio causado por mim. Eu comecei a rir.
— Ah, você está rindo?
Ah eu conhecia aquela expressão... ele juntou as mãos na minha barriga e começou a fazer cócegas, ele sabia que eu sentia muita cócega. Eu comecei a rir desesperadamente e, na tentativa frustrada de conseguir me livrar dele – o que foi desastroso porque Hobi conseguia me prender com uma mão só – eu deitei e me encolhi no sofá. Não deu certo. Ele apoiou um dos joelhos sobre o sofá e se inclinou sobre mim, fazendo mais cócegas ainda.
— Hoseok para, pelo amor de Deus! – eu consegui dizer, meio aos gritos, entre as risadas.
Eu não tinha força nem para me levantar, percebi tardiamente que o motivo de estar sentindo tanto era que as mãos de Hobi estavam sob a minha blusa. Ele riu e me puxou para ele, segurando firme minha cintura, tive que abraça-lo pelo pescoço para não cair; Hobi me beijou novamente, mais intenso, mais quente e as suas mãos acariciando e apertando minhas costas não ajudava em nada a manter meu juízo no lugar.
— Hobi... – eu disse entre o beijo. – você não disse... que tinha que descansar?
— Eu vou. Mais tarde. A não ser que você queira me expulsar agora. – ele mordeu o meu lábio inferior e o puxou de leve, passando a língua por ele. Como, COMO eu iria expulsá-lo se eu não queria que ele fosse embora?
— Eu não vou expulsar você.
— Tem certeza? Se não me expulsar eu não vou parar, pensa bem. – ele subiu as mãos pelas laterais da cintura, levando a blusa com ele e eu levantei os braços, permitindo que ele a tirasse.
— Tenho certeza sim.
Então ele sorriu, aquele sorriso que parava o meu mundo inteiro, trilhou beijos da minha boca até a minha orelha e sussurrou baixinho.
— Eu amo você.
***
CENA BÔNUS (POV VOCÊ)
O telefone de Hoseok tocava estridente no criado mudo pela quinta vez; eu tinha que atender, podia ser importante.
— Oi... – respondi com voz sonolenta.
“Hoseok seu filho de uma vadia, eu estou te ligando desde ontem à noite. Aonde você se meteu?”
— É a S/N, Chim-Chim.
“Ah... espera, esse não é o...”
Ouvi a ficha de Jimin cair.
— Precisa de alguma coisa? – eu perguntei, ainda muito sonolenta.
“Dá um soco nesse inútil incompetente que eu chamo de Hobi e diz pra ele avisar aonde está antes que eu arranque os meus cabelos de preocupação.”
— Me desculpa, Jiminnie, eu devia ter avisado; pelo menos eu, né.
— Quem está ligando essa hora da manhã? – perguntou Hobi, coçando o olho e me abraçando.
— Jimin. Fala com ele.
— Oi. – ele respondeu e logo depois afastou o telefone do rosto. – Qual é, Jimin, eu acabei de acordar, dá um tempo... Ok, guarda a entrevista e os seus pensamentos impróprios pro almoço. Até mais.
Hobi desligou o telefone e me abraçou, sua respiração fazendo cócegas nas minhas costas descobertas.
**
Eles assistiram ao vídeo em silêncio. Completo silêncio. Meus examinadores e os examinadores de Hoseok, na sala da BigHit junto com um produtor, Rap Monster, Jimin, Hoseok e eu.
— Pode nos mostrar o resultado final? – perguntou um dos examinadores dele.
— É claro.
Hoseok estava animado, confiante e feliz, acima de tudo. Ele tinha feito um excelente trabalho e agora só tinha que mostrar isso. Vestindo uma calça preta com rasgos nos joelhos e uma camisa branca folgada, ele foi até o meio da sala, se ajoelhou no chão e respirou fundo duas vezes. Então ele olhou para o Rap Monster que deu o Ok, olhou para Jimin que sorriu e depois para mim; pisquei para ele e então a música começou.
“Muito ruim
Mas é tão doce
É tão doce, é tão doce
Muito ruim
É muita maldade
É muita maldade
É muita maldade
Sim, é muita maldade”
Um minuto. Um minuto inteiro de silêncio antes de alguém ter alguma reação. O produtor – que não tinha visto nada até então – se levantou e começou a bater palmas. Pouco depois notei que ele estava chorando. Os avaliadores se levantaram um por um, alguns secando lágrimas, outros sorrindo com encanto.
— Falaremos diretamente com a reitoria para que eles aceitem seu trabalho como Conclusão de Curso. – disse um dos avaliadores. – Nunca vimos tamanha emoção. Você é o melhor dançarino que já passou por nós.
— A sua dança... – começou a outra avaliadora. – traz... esperança. Que seremos melhores, que conseguiremos mais, ir além de nós. Encantada, muito encantada.
— E qual vai ser o seu nome artístico, rapaz? – perguntou um dos meus avaliadores.
— J-Hope. – respondeu Rap Monster, sem hesitar.
— Veremos falar muito de você, J-Hope. Parabéns.
E depois de tudo, ele caiu novamente de joelhos no chão, agradecido. Todo esforço valeu a pena.
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