The Paths Of A Rain Woman
22 Soaked
Notas iniciais
Quando a primeira onda voou em sua direção, o albino pensou ter alguma chance de escapar. Restabelecendo o equilíbrio e ajustando a posição dos joelhos, ele desviou — aterrissando numa parede próxima, numa forte colisão que, provavelmente, fraturou seu ombro.
Trincando os dentes num rugido silencioso, ele intentou ficar de pé — apoiando a mão na parede e forçando suas pernas a reagirem. Antes que uma nova série de ondas pudesse atingi-lo, usou parte do impulso para se forçar para dentro de uma janela aberta.
E foi então que a parede despencou, o reboco recaindo sobre ele enquanto seu corpo, miseravelmente, se debatia no que pareceu o início de um movimento.
Por um instante, a figura esbelta da garota não se moveu. Os punhos cerrados foram envoltos num brilho azulado, e, conforme as sombras emergiam da terra para devorá-la, seus passos tornavam-se cada vez mais firmes.
Num movimento breve, ela ergueu a mão, mirando o monte de rochas.
Sem um segundo pensamento, atirou.
Três.
Quatro. Cinco. Seis. Sete. — A cada tiro, uma nova gargalhada, o corpo se meneando em inquietação e lágrimas negras escorrendo das orbes igualmente tingidas.
A marca registrada da insanidade.
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— Ei, otário!
Saori abriu a boca e esticou a língua, resmungando séries de xingamentos e palavrões a cada nova investida . Sem muita sorte, colidiu com um dos guardas, ainda tentando escapar do primeiro.
Se preparou para os socos e chutes que seguiriam — fechando os olhos quando a luz dourada a atingiu, novamente lançando-a contra a parede.
— Desgraçados... — amaldiçoou com o pouco de oxigênio restante, limpando o sangue dos lábios com a lateral da mão.
Ofegante, se pôs sobre os joelhos e esticou os braços paralelamente ao corpo, arfando a cada palavra murmurada. Fazendo uma rápida varredura com o olhar, deixou a energia fluir pelas veias, sentindo a ardência da fumaça consumir os pulmões — um círculo marrom, emoldurado por símbolos desconhecidos, se formando a partir da palma da mãos.
Estava do lado de fora do que — há poucos minutos atrás — foi o respeitável instituto algum-nome-estranho. Não apenas a mais respeitável instituição do lugar, como, de fato, a única.
Suspeito — muito suspeito.
Como se não bastasse ter sido encarregada do que, em sua não tão humilde opinião, foi a pior das tarefas, um grupo de seguranças armados com lanças, espadas e armas que quase tinha medo de saber o nome, aguardavam na saída — como verdadeiros cavalheiros.
Saori odiava cavalheiros.
Com seus sorrisos galanteadores; buquês de flores; gestos calculadamente teatrais e palavras excessivamente açucaradas, não faziam mais que irritá-la.
Cavalheiros meu traseiro. — ela pensou, abrindo um sorriso um tanto sádico quanto nada discreto, destacando os dentes amarelados na boca ensanguentada.
Sem mais palavras, recostou as costas sobre as ruínas e observou a onda de rochas varrer o caminho.
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Depois de ficar, pelo que pareceu uma eternidade, sentados de frente à uma fogueira ambulante, Aron e Yano finalmente mudaram a tática.
Seu novo plano envolvia vagar sem rumo ou discrição através do cobertor de fumaça, acolhendo a escuridão e a neblina que se unia à ela — na esperança de encontrar algo interessante, torcendo para não serem encontrados antes.
E aquele era, obviamente, um plano ruim.
O moreno bufou, cobrindo a boca e se curvando para tossir violentamente.
Quando estava prestes a se pronunciar, agarrar o braço do ruivo e arrastá-lo para fora dali, uma silhueta distante, abalada pelo bamboleio das chamas, chamou sua atenção.
Estreitando os olhos e ajustando a visão, percebeu o traje incomum do que, agora, era claramente uma garota. A julgar pelas botas arranhadas, pelos acessórios em seu braço e pelas roupas um dia luxuosas — era ela.
A súbita percepção teve efeito quase imediato e antes mesmo que Aron pudesse protestar, ou estar ciente do que acontecia, ela já havia partido — atravessando o pátio incendiado e tropeçando inúmeras vezes, os músculos se retesando numa corrida feroz, a boca se abrindo e fechando enquanto a voz tentava alcançá-la.
— Juviaaaaaaaaaa!
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Arrastando os pés sobre os cacos de vidro, reboco e restos da construção demolida, Juvia ergueu a cabeça, parando momentaneamente quando o grito atravessou a arena em chamas e encontrou o caminho por sua consciência.
Aquele era um nome estranho.
Na verdade, tudo parecia estranho. Não se lembrava do que deveria fazer, nem mesmo da razão por estar ali — tudo o que sabia era que quando abriu os olhos, foi afagada por um instinto sufocante.
Um instinto que não saberia descrever, mesmo se tentasse — apoderando-se de seu corpo e a impulsionando sempre à frente, marchando em direção ao caos.
Por isso, quando o garoto ofegante, que pouco antes gritava o nome estranho, se pôs diante dela, tentando alcançá-la quase que em desespero, a reação não foi das melhores.
Uma esfera de energia negra brotou de sua mão e poucos segundos depois o estranho estava deitado, trincando os dentes e soltando sussurros abafados que foi incapaz de compreender.
A simples visão de Yano, caído no chão, completamente indefeso e vulnerável, acendeu algo dentro dela.
Com um brilho perigoso adornando o olhar, ergueu as mãos e separou os pés, dissipando a névoa ao seu redor com um menos que um movimento.
A voz que emergiu da garganta, soou tanto grossa quanto exaltada. — uma voz que, Yano sabia, não pertencia à ela.
— Vamos brincar.
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"Juviaaaaaaaaaa"
Olhos se arregalaram e as pequenas mãos soltaram a caneca natalina que ela segurava. A porcelana se espatifou no chão e o líquido quente e marrom — que certos pirralhos se recusavam a chamar de chá— voou de encontro aos pés descalços.
Masaya Panginoon não se moveu. Os cacos agrupados ao redor dos dedos não pareceram notáveis; e nem mesmo a bebida quente queimando-lhe a pele pareceu fazer efeito.
— Não! — ela estremeceu, saltando sobre a poça e correndo em direção à escrivaninha em frente à parede oposta do quarto. — Não! Não! Não!
Fechou os olhos e quase se arrependeu por não ter ido com eles, caindo de joelhos no tapete felpudo. E, respirando pausadamente , ergueu a esfera — aquela que trouxera a mensagem— na altura do olhar.
Descansou a testa no objeto e rezou por comunicação, nem que apenas por alguns segundos.
Sabia que deveria ter ido.
Não era sua responsabilidade; não era seu dever auxiliar ainda mais. Realmente, Masaya não precisava estar lá. Já havia feito o suficiente durante os últimos meses; não era sua obrigação ajudar— nunca havia sido.
Mas, por outro lado, tudo aquilo não passava de desculpas.
Não era sua obrigação — verdade.
Mas ela queria que fosse.
Com a respiração ofegante e o coração prestes a saltar do peito, ainda de joelhos, concentrou sua magia nas mãos e puxou o livro de feitiços na beirada da mesinha.
Hora de ajudar seus pirralhos.
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Quando o vazio do miúdo e oco comunicador foi substituído pela luz tremeluzente renascendo em seu centro, Rin sentiu o estômago revirar.
Sem qualquer palavra, esticou o braço trêmulo e esperou até que Liz o aceitasse.
A voz de Masaya soou como música para seus ouvidos.
— Escutem, pirallhos. A comunicação não vai durar muito tempo, então façam como vou dizer.
— Faremos, mestra! — Weizy imitou um grito da melhor forma que pôde, em voz baixa.
Remexendo as pernas e projetando a coluna para frente, Liz ouviu atentamente, segurando o comunicador no meio deles para que todos pudesse escutar.
—Mas antes... o que aconteceu com os outros? — eles a ouviram suspiram — Só consegui encontrar vocês.
— Não sabemos — a morena assumiu com uma hesitação não característica — Saori deveria explodir o prédio e sair; Yano deveria estar do lado de fora, não muito longe, esperando. Juvia deveria ir pra lá também... — ela disse, a voz soando agitada — Nós deveríamos nos encontrar com todos logo depois de cuidar dos fios, mas fomos emboscados.
— Quanto à Juvia...
Liz se inclinou um pouco mais.
— Sim... mestra?
Weisy e Rin seguiram seus movimentos.
— Tenho um mal pressentimento, por isso... tomem cuidado.
O trio se remexeu, parecendo subitamente cientes uns dos outros. Houve uma ligeira troca de olhares antes da pergunta decisiva ser feita.
— O que aconteceu, mestra?
E a resposta foi ainda mais chocante.
— Inner Monster.
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