The Originals
8 Isso não estava no plano
P.O.V. Carslile.
Eu reconheci o cheiro de longe.
—Ta sentindo esse cheiro?
—Sim.
—Que cheiro?
—Escória Volturi.
Todos saíram curiosos bem a tempo de ver a guarda chegar. A formação impecável com certeza impressionou a família Original.
P.O.V. Elijah.
Eu nunca tinha visto nada como aquilo. A formação se abriu como um leque de cartas, eles se moviam com tamanha graça que pareciam flutuar.
—Não se engane querido, por fora bela viola, por dentro pão bolorento.
Quando eles finalmente pararam eu pude vê-los melhor. Eles eram exatamente iguais a Carslile, a pele branca quase translúcida, sem uma única imperfeição, usavam longas capas negras. A única diferença eram os olhos, vermelhos como o fogo do inferno.
O homem de cabelos escuros na altura dos ombros parecia estar no comando.
—Mas, que bela criança.
Disse o homem olhando com os olhos vermelhos cheios de cobiça para a minha pequena filha.
—Eu tenho uma pergunta. Já ouviu falar da Besta de Gevaudan?
—Sim.
—Você o trouxe de volta? Você o mandou?
—De volta?
—Não foi você. Bom, ao menos isso.
—Eu gostaria de conhecê-la.
—Aro, essa é a minha filha Sophia. Sophia, Aro.
—E a outra criança?
—Ela não tem nada com isso.
—Por favor, aproxime-se.
Ela respirou fundo e espirou dando um passo para frente. Eu a acompanhei e continuamos caminhando até estarmos mais perto deles do que dos nossos.
—Ela é dotada?
—Ainda é cedo pra dizer, mas posso dizer com certeza de que magia ela tem.
—Magia?
—Magia.
Renesmee acendeu os dedos.
—E o que ela come?
—Sangue e leite em pó.
—Sabe falar?
—Ainda não. Mas, é uma boa observadora. Sophia é empata.
Então ela começou a chorar e o tempo começou a virar.
—Ei! Ta tudo bem baby girl.
Por mais que Renesmee a balançasse e a acalentasse ela não parava de chorar, sua crise de choro começou a gerar raios.
—Eu sei, ser empata pode ser uma porcaria. Shh.
—Ela está fazendo isso?
—O que muitas bruxas só aprendem a fazer depois de anos, a minha filha está fazendo por instinto. É necessário muito treino para criar uma tempestade e ainda mais dessa magnitude.
—Essa criatura insignificante está fazendo essa tempestade?
—Como é que é?!
A loira mirrada começou a apertar a cabeça e a gritar. Eu sabia muito bem o que estava se passando.
—Jane?
—A única criatura insignificante que eu vejo aqui é você.
—Dói não é?
—O que foi isso?
—Isso fui eu, te dando um aneurisma. As veias do seu cérebro estouram, mas como você se cura rápido eu faço de novo, de novo e de novo.
—Magnifico.
—Posso te mostrar o quanto é magnífico. Ta afim?
—Acho que vou recusar a sua oferta.
—Parece-me que esta criança cresce a um ritmo humano.
—Aparentemente.
Sophia finalmente parou de chorar e fez a tempestade ceder.
—Impressionante.
—Ela parece cansada.
Minha filha deitou a cabecinha no vão do pescoço da mãe.
—Ela está.
—Gostaríamos que sua filha fosse passar um tempo conosco.
—Pra que? Por mais que eu adore a ideia de ver você trocando fraldas sujas eu tenho quase certeza de que vou fazer isso sozinha.
—Para testar as habilidades dela.
—Habilidades? Ela aprendeu a escalar o berço ontem. Se isso conta como uma habilidade... Olha só, eu não vou levar o meu bebê empata para o Castelo de São Marcus, aquele lugar é amaldiçoado, está todinho manchado com o sangue dos inocentes. Se espera que eu vá levar a minha filha pra lá, sugiro que arranje uma cadeira beem confortável.
A vampira baixinha e loira pediu:
—Por favor, posso segurá-la?
—Tente alguma coisa... e eu te torro.
Renesmee passou a nossa filha para os braços da vampira.
—Como... como conseguiu um filho? Vampiros não podem procriar.
—Mas, híbridos podem.
Sophia estava estranhamente calma.
—Eu nunca tinha segurado uma criança antes.
—Tinha sim, só que ai você a matou. E eu não te culpo, culpo á aqueles que conseguem ser perversos o suficiente para condenar uma criança á ser uma besta chupadora de sangue. Além do mais, a transformação já é dolorosa para alguém mais velho, mas para as crianças deve ser ainda mais difícil.
—Eu imagino que seja.
Ness estendeu os braços, mas a vampira estava tão absorta que teve que ser chamada.
—Jane?
—O que?
—Esse bebê é meu.
—Oh! É claro.
A vampira devolveu Sophia para Renesmee com relutância.
—Você podia tentar adotar. É incrível a resiliência das crianças. Elas aceitam o mundo como lhes é apresentado, adota um bebê. E seja melhor para ele do que... do que os seus mestres foram pra você.
—Ela dorme?
—Dorme. Bem menos que uma criança humana, mas sim ela dorme.
—Pode sair no sol?
—Sim. Ela pode sair no sol sem ser detectada.
P.O.V. Jane.
Eu não queria devolver a criança, eu queria ficar com ela pra mim.
—Vamos pra casa docinho? Já ta quase na hora de nanar.
Jamais me imaginei sendo mãe, mas quando eu vi a conexão entre a mãe e a filha eu queria aquilo pra mim.
—Jane, ser mãe não é tarefa fácil. Trocar fraldas sujas de cocô, xixi, quando eles ficam doentes a gente sofre junto e um bebê uma vez... adquirido, não tem devolução. Tchau pra vocês.
Ela e o parceiro saíram primeiro com a filha.
—Me carrega?
—Claro.
—Tchau. Vampiros estranhos de olhos vermelhos.
Depois foram a morena e o homem loiro. Ele era com certeza mais veloz que qualquer vampiro que eu já vi.
—Você está bem Jane?
—Estou. Só estava pensando, pensando seriamente.
—Sobre o que?
—Adotar uma criança Alec. Adotar um bebê humano, ser a mãe dele e quando ele chegar a idade... transformamos.
—Você não pode estar falando sério Jane!
—Estou. Muito sério.

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