The Original Diaries O Mistério de Caroline Forbes
4 Baile Mikaelson
Notas iniciais
A charrete não era nada confortável perante aos buracos na rua que deixava meu corpo totalmente dolorido, afinal, eu me encontrava na lateral e o chacoalho era intenso. Eu não sabia o real motivo de toda a família estar indo quando o convite fora exclusivo para Katerina, que por fim me pediu para vir consigo. Sammy estava quieto, como sempre, apenas olhava a paisagem pela “janela”, meu pai tinha uma expressão suave, como se estivesse satisfeito de todos irem juntos, já minha mãe, ou a megera, tinha aquela mesma carranca, não se podia esperar outra coisa que não fosse isso. Katerina era a única que radiava emoção e alegria, adorava bailes, eu entendia perfeitamente se tivesse o mesmo gosto que ela tinha. Seus olhos castanho-médios brilhavam de expectativa, e eu podia ver o quão ansiosa ela estava, sua respiração estava descompassada e a cada minuto ela soltava um forte suspiro, mais parecia que iria se casar, nunca a tinha visto tão bela!
– Acalme-se, Katerina, vai ter um ataque. – brinquei, tentando acalmá-la. Ela sorriu e assentiu.
A viagem era longa demais para que o sono não viesse, e com ele, senti minhas pálpebras começar a ficarem pesadas, como se eu carregasse pedras nos olhos.
– Veja, Caroline! – abri os olhos ao ouvir uma exclamação animada de meu pai e confusa o fitei. – Olhe, veja o castelo! – eu e Katerina nos esprememos no canto e colocamos um pouco da cabeça pra fora, mas não havia nada além de escuridão.
– Eu não vejo nada. – comentei.
– Como não? É tão... belo! – Katerina disse com o semblante jovial em surpresa. – Não estás vendo, pequena Caroline?
– Não. Me avisem quando chegarmos, enquanto isso tentarei descansar um pouco. – aconcheguei-me no banco e suspirei.
– Mal chegamos e já estamos passando vergonha, tenha modos, Caroline. – Elizabeth disse em repreensão. Fechei os olhos ignorando-a e cochilei.
Um calafrio tomou conta da minha coluna, deixando-me um tanto agoniada, não era um calafrio de frio, e sim de medo, era como se eu estivesse temendo alguma coisa. Abri os olhos e enruguei ao ver uma mulher caída no chão, seu vestido era longo, branco e escorrido, mas havia algo errado, tinha algo que manchava o impecável vestido, andei até a menina, perguntando-me se ela estava bem e agachei-me.
– Senhorita, tudo bem? – virei-a delicadamente e arfei, caindo pra trás ao ver quem era a menina e o estado em que ela estava. Era eu! Seu vestido estava ensanguentado, mas não havia nenhum corte ou algo que comprovasse o porquê de tanto sangue em seu vestido. Mas como...? Como era aquilo?
– Caroline, chegamos. – senti um sacolejo e abri os olhos rapidamente, olhando para os lados, em desespero. – O que foi? – Katerina perguntou preocupada, com as sobrancelhas enrugadas.
– Nada, eu estou bem. – engoli em seco, acalmando meu coração acelerado.
– Veja como é lindo. – olhei pela janela e arregalei os olhos ao ver a grandiosidade do império à minha frente. Sem sombra de dúvidas era o castelo mais invejado de toda a Inglaterra.
– O castelo de Arundel? – perguntei impressionada. – É maravilhoso!
– Não ouse nos fazer passar vergonha. – lembrou minha mãe. Suspirei baixinho e junto com Katerina desci da charrete.
Era magnifico, gigante e imponente, com altos muros e altas torres que luxuriavam o belo local rodeado por um belo jardim e por uma bela floresta aos arredores.
Juntei meu braço ao de Katerina e nos direcionamos as escadas, não sem antes esperar que minha família fosse na frente. Enquanto subíamos os largos degraus, percebi o nervosismo dela. Entreguei o leque, tentando ajuda-la e recebi um sorriso em troca.
– Estou tão nervosa, Caroline! – disse rindo, abanando-se furiosamente. Revirei os olhos e entramos no salão, percebendo o quão glamoroso era. Haviam bastantes convidados ali, conversavam e comiam animadamente ao som de harpas contagiantes.
Mal nos estabelecemos no canto da parede e fomos barradas por Trevor, amigo de Katerina e seu admirador.
– Que bom que veio! – sorriu para ela. – Desculpe, lady Caroline, mas tem alguém muito interessado em conhecer Katerina.
– Tudo bem. – Toda vez que Katerina estava por perto, Trevor se esquecia que haviam pessoas ao seu redor, e com essa atitude, ele a tirou de perto de mim, deixando-me sozinha.
Ao longe e distraidamente vi o homem que tanto queria conhece-la, era bonito, moreno e alto, com postura de nobre, ele sorriu e a cumprimentou demoradamente, sem tirar os olhos dela nem por um segundo e mordi o lábio divertida, logo percebendo. Ambos conversaram por longos minutos, até que o vi estender um braço para uma certa direção, e me virando, vi um homem sair dum corredor de escadas. Era muito bonito, pele clara, cabelos na altura do pescoço e loiro-médios e encaracolados, mas tinha algo estranho nele. Talvez fosse pelo seu jeito de andar, ou pela reverencia que as pessoas faziam quando ele se aproximava. Estava claro que ele era o dono de toda aquela riqueza. E misteriosamente ele parou em frente ao casal que parara de falar, e cumprimentou Katerina, que parecia encantada por ele, como se visse um príncipe encantado e então eles saíram.
O moreno varreu os olhos pelo local e parou em mim, sorrindo reservadamente em seguida vindo em minha direção. E para minha infelicidade, ele se aproximou. Só Deus sabia o quanto eu odiava conversar com o sexo oposto que não fosse de minha família, ou do meu círculo de amizade, isso se eu tivesse algum.
– Olá. Lady Caroline, estou certo? – assenti com um sorriso forçado. Ele pegou minha mão e beijou a mesma, e com parte de educação e hierarquia, fiz uma reverência. – Sou lorde Elijah.
– Prazer. – ele soltou minha mão e se posicionou ao meu lado.
– Espero que esteja tendo uma noite agradável, não recebemos muitas visitas em nossa casa, quase me esqueço como agir perante à isso. – disse modestamente.
– Não se preocupe, pensei que fosse algo mais agitado. – repreendi-me. – Desculpe, eu não deveria ter dito isso, mas tem uma bela casa.
– Obrigado. Sua amiga, Katerina?
– Sim?
– Ela mora contigo?
– Bem... Ela é minha governanta, mas a considero como uma amiga. Sim, ela mora comigo desde os 16 anos.
– Ela é muito bonita.
– Sim, ela é, e tem um bom coração. – elogiei, perdida em pensamentos.
– Com licença, lorde Elijah, Caroline, venha comigo. – Olhei pro lado e vi minha mãe, numa expressão não muito agradável.
– Problemas. – sussurrei comigo mesma, arrancando um sorriso do lorde e segui minha mãe, que foi pra fora do castelo.
– O que pensa que está fazendo? Era pra você estar com lorde Niklaus, não sua governanta! – exclamou.
– Qual o problema? Katerina tem todo o direito de conversar com quem quiser. – corrigi tentando não aprofundar naquele assunto altamente desagradável.
– Qual o problema? Ela é uma governanta, não era para estar aqui! Você deveria servir ao menos para arranjar um pretendente! Ao invés disso parece um animal com medo!
– Se está tão preocupada com isso, porque não sai com o tal Niklaus? – trinquei os dentes ao sentir uma forte bofetada em meu rosto e a encarei, com raiva.
– Deveria me respeitar, sou sua mãe!
– O que papai diria se soubesse que andas a se deitar com o lorde Robert?
– O que? – encolhi-me, praguejando por ter soltado algo que eu nem ao menos tomava ciência. Eu tomaria outro tabefe. – Você não ousaria! – a encarei incrédula, era verdade! Como eu sabia disso?
– Experimente me bater novamente e conto tudo o que sei ao papai. – ameacei e entrei pra dentro, sentindo um ligeiro desconforto no estômago.
Eu precisava aprender a controlar minha língua.
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