The Only One

11 Epílogo — Smile


Notas iniciais
Oi gente, como vocês estão? Bem, como prometido está aqui o epílogo da fic, que acho que prometi há um bom tempo.
Queria me desculpar por ser, hum, pequeno, mas acho que ele resume bem o sentimento das duas e a felicidade delas. Ah, e sugiro que escutem Smile, da Avril Lavigne, para acompanhar o capítulo. Ela foi minha maior base e eu queria fazer um capítulo com essa música há tempos.
Espero que gostem!

— Eu ainda acho que deveríamos ter escrito originais — disse Quinn emburrada. Ela mexia nas novas mechas verdes de seu cabelo, agora tão grande quanto na época em que estavam em Nova York, pouco mais de um ano antes. — Isso é bobagem.

— Não, não é! — exclamou Rachel num tom animado. Ela sentava no colo de Quinn e tentava deixar a namorada alegre para as Nacionais. — Nós vamos ganhar com isso, tenho certeza.

— O hobbit tem razão — reclamou Santana sem rodeios. — Fique quieta e aproveite. Você tá gostosa demais... O quê? — Pois Brittany e Rachel lhe encaravam perplexas. — Estou mentindo?

— Não — respondeu Rachel a contragosto, puxando o corpo de Quinn para mais próximo do seu.

— Perdoe minha namorada, ela pode ser muito ciumenta às vezes.

Quinn deu um selinho em Rachel enquanto Santana fazia cara de nojo. O biquinho de Rachel não resistiu muito aos lábios pedintes da namorada, e teriam aprofundado o beijo se Mr. Schuester não tivesse entrado no camarim para anunciar que faltavam poucos minutos para a apresentação.

O corpo de Rachel estremeceu de excitação. Haviam chegado às Nacionais com glória depois da vitória e empate com os Warblers nas Regionais com a homenagem ao Michael Jackson. O grande desafio, porém, ainda era Sunshine e o Vocal Adrenaline, mas naquele ano, Rachel sentia que eles ganhariam. Não haveria nenhum beijo e nenhuma Nova York para atrapalhá-los.

A ideia da música que deveriam cantar veio de Quinn como uma brincadeira na sala de coral há algumas semanas, porém Mr. Schue e, principalmente, Rachel levaram a sério. Na mente de Rachel, tudo se encaixava. Como o professor liberara alegando que traria uma nova face ao grupo e aos jurados, além de tirá-los da má reputação do ano anterior, tudo o que Quinn e Rachel fez nas últimas semanas foi o duro ensaio para que estivesse perfeito para a apresentação.

Os garotos do Glee bateram palmas e gritou em aprovação, correndo para chegar à porta o quanto antes. Rachel pulou do colo de Quinn, dando pulinhos nervosos para aliviar a tensão.

Observou o tanto que Quinn havia crescido de alguns meses para cá. Claro, sua pose de mandona e chefe de tudo ainda estava lá — e era uma das cartas curingas para o número —, mas praticamente tudo em volta dela se tornava mais generoso e delicado. Aos poucos, Quinn foi retornando ao seu estilo de antes, embora não abandonasse os jeans ou as camisetas xadrez por nada nesse mundo. Ela mantinha contato com as Skanks e ocasionalmente saía com elas para o Hell House (onde não era permitida a entrada de Rachel mais).

Rachel ouvira de Quinn que Mack, que tinha lhe causado tantos problemas antes e levando o agora adorável Finn para o mau caminho, estava se dando bem em Kansas City. Mudara totalmente seu estilo e começara a sair com uma garota que, para Rachel, tinha muita coragem.

As coisas entre elas não poderiam estar melhores. Leroy, Hiram e Judy inclusive haviam se encontrado uma ou duas vezes para os que Rachel chamava de “jantar super bizarro em família”, pois os três se davam muito melhor que as duas. Ela conseguira a esperada bolsa para estudar no NYADA junto com Kurt, e Quinn passara com honra para NYU. Mesmo se não ganhassem as Nacionais, elas tinham todo um futuro pela frente em Nova York. Rachel não podia estar mais feliz.

— Ei — sussurrou Quinn no ouvido da morena, abraçando-a por trás e dando-lhe um beijo na nuca, fazendo os pelos de Rachel eriçar. — Quebre a perna.

— Estou acostumada a isso — respondeu Rachel num tom falsamente arrogante, soltando uma risadinha. — Você que vai precisar. Esse é seu segundo solo numa competição.

— Como você não se lembra de Control? — Quinn cochichou sexy; Rachel bufou de frustração. Era difícil demais ter que se lembrar do que iria cantar com Quinn suspirando em seu pescoço. — Que péssima namorada você é.

Quinn desenroscou-se da cintura de Rachel, começando a andar até a porta com o nariz empinado. Rachel revirou os olhos da manha da garota e a puxou novamente para si, dando-lhe um beijo apaixonado em seguida.

— É claro que eu lembro — respondeu Rachel ao abraçar Quinn novamente. — Eu só...

— Rachel! — exclamou uma voz surpresa.

O coração de Rachel parou por um segundo. Ela empurrou Quinn sem delicadeza para longe dela e encontrou parado à porta uma das únicas pessoas que haviam acreditado nela desde o começo, que a traíra por causa do quarto campeonato nacional de corais e que tinha ido com ela no Junior Prom, pouco mais de um ano antes.

Jesse St. James.

Como sempre, o sorriso cafajeste estava em seu rosto. Encostado ao portal como se fosse o rei daquela competição, Jesse possuía um charme que nunca deixara de fazer efeito em Rachel, fosse ele um idiota que havia lhe tacado ovos um dia ou o maravilhoso garoto que quase reconquistara seu coração no ano anterior.

— Vejo que conseguiu superar Finn, isso é ótimo — disse ele se aproximando das duas; Quinn puxou Rachel para mais perto dela num aperto forte. — Acho que vocês sabem que eu sou o novo diretor do Vocal Adrenaline e mesmo sabendo que meu time irá bater o seu daqui a pouco, quero desejar a vocês boa sorte.

— Parece justo — comentou Quinn sarcástica, apertando tanto a cintura de Rachel que começava a doer. — Veio dar em cima da Rachel também?

— Quinn! — gritou Rachel indignada, seu rosto corando furiosamente. — Menos, por favor.

Rachel percebeu que quando mais lhe atormentavam, mais Quinn ficava furiosa e seu espírito maligno saía. Às vezes ficava grata por isso (como quando Jacob Ben Israel tentou pegar em suas pernas durante a Educação Física, ficando escondido no vestiário das meninas), mas na maioria do tempo isso lhe assustava bastante. Era algo que nem Quinn e nem Rachel conseguiam controlar.

— Não — respondeu Jesse dando uma risada grave. Ele balançou a cabeça em negação, talvez para confirmar o que havia falado. Quinn afrouxou o aperto ao redor da cintura de Rachel, que respirou aliviada. — Eu estou namorando também.

Rachel e Quinn arregalaram os olhos. Jesse riu outra vez.

— Eu sei, depois de Rachel nunca pensei que encontraria alguém tão perfeito quanto ela. — As bochechas da morena coraram quando o olhar de Jesse caiu sobre ela. — Mas as Regionais tinham acabado e eu fui obviamente fazer minha visita clássica aos outros concorrentes e... Acabei encontrando Sebastian.

As garotas se entreolharam, mais chocadas que antes. Naquelas Nacionais, era o New Directions contra o Vocal Adrenaline e os Warblers. Mais dois ou três grupos das outras partes dos Estados Unidos, mas o mundo dos clubes de coral era pequeno demais para haver mais de dois Sebastian.

— Smythe? — indagou Quinn engasgando na palavra. — Aquele Sebastian? Não é crime ou algo do tipo?

— Ele tem dezoito anos — sussurrou Rachel no ouvido da garota.

Jesse deu de ombros, suspirando de forma apaixonada. Embora achasse aquela relação bizarra e surgida do nada, Rachel estava de certa forma feliz pelo garoto. Se ele não fosse mais um obstáculo na complicada relação entre ela e Quinn, ótimo. Se ele estava feliz namorando um garoto psicopata que tinha levado Blaine ao hospital, não seria ela a negar a decisão dele.

— Vadias! — O grito de Santana Lopez no corredor assustou aos três. Ela entrou no camarim espumando de raiva, sequer notando a presença de Jesse. — Vamos logo ou senão perdemos as Nacionais!

Quinn e Rachel se apressaram a concordar, empurrando uma à outra para a porta em total desespero. Jesse as acompanhou, com seu costumeiro sorriso esnobe, seguindo, na saída do camarim, para a porta que dava acesso à platéia.


— Eu não estou pronta pra isso — confessou Quinn de última hora, a guitarra encaixada em seu ombro perfeitamente enquanto olhava para Rachel desesperadamente. — É sério, Rachel, você deveria ter pedido a alguém com mais experiência que eu.

— Deixa de ser boba, Quinn — Rachel retrucou tranquilamente, dando tapinhas na bochecha da namorada. — Nós vamos conseguir e nós vamos passar e comemorar mais tarde, ok?

Não completamente convencida, Quinn meneou a cabeça. Ela deu uma olhada pela cortina do palco na platéia e suspirou, pois as cadeiras estavam todas lotadas. Identificou Jesse sentado ao lado de Sebastian e do batalhão que eram os garotos da Dalton Academy. Mais ao longe, viu sua mãe à direita dos senhores Berry, conversando animadamente.

Respirou fundo. Uma, duas, três vezes. A sua última vez naquele palco causara muitos danos a si, incluindo a percepção de que gostava um pouquinho a mais de Rachel do que deveria e ouvir da boca enorme de Sam que ele poderia sair de Lima. Nacionais não eram o forte dela, e dali a alguns minutos, Quinn esperava poder contornar isso.

Do outro lado do palco, Rachel deu um aceno positivo em sua direção. Atrás dela, metade do Glee se posicionava, Sam à frente deles. Um pensamento triste voou pela cabeça de Quinn ao perceber que não o teria mais. Ele conseguira uma bolsa pelo futebol e ia junto com Finn para a melhor faculdade de Ohio. Quinn ficara feliz por ele, admitia, mas em poucas semanas ela iria com Rachel a Nova York e era possível que só o veria no próximo verão. Sentiria falta de seu melhor amigo.

— E agora, direto da McKinley High, Ohio, os New Directions! — gritou o locutor do campeonato. Mr. Schue apertou o ombro de Quinn numa demonstração de apoio. Ela fez uma careta que deveria ter sido um sorriso.

Ah, foda-se, pensou. Não chegara tão longe para se acovardar no último minuto. Ela faria aquilo. Não só por Rachel, mas por todo o Glee e sua honra. Era a hora que pegar aquele troféu enorme das Nacionais e colocá-lo na prateleira da sala do coral. Uma pequena lembrança para os futuros membros do Glee, uma forma de ela ser lembrada pela escola por um bom tempo.

Ela começou os acordes da sua guitarra antes de entrar no palco. O baterista ao seu lado a acompanhou e Quinn invadiu o tablado, um sorriso agora verdadeiro formando-se em seu rosto. Quinn continuou tocando enquanto chegava perto do microfone posto no meio do palco para finalmente começara a cantar.


You know that I'm a crazy bitch

I do what I want when I feel like it

All I wanna do is lose control

But you don't really give a shit

Ya go with it, you go with, you go with it

'Cause you're fucking crazy Rock 'n' Roll


Rachel entrou no palco pelo outro lado, os olhos dela brilhando de felicidade. Hiram e Leroy pularam de alegria e bateram palmas, Quinn observou sua mãe, relativamente menos entusiasmada, gritar e apoiá-la de longe. Ela largou o braço da guitarra e seus acordes perfeitos por um instante para apontar para Rachel e dar a deixa para que ela continuasse a música.


Yeah you said hey

What’s your name?

It took one look

And now I'm not the same

Yeah, you said hey

And since that day

You stole my heart

And you're the one to blame (yeah)


Quinn queria perguntar a Rachel se ela falava sério aquele refrão, mas esqueceu-se de tudo quando a namorada passou por trás dela e arranhou seu pescoço, causando-lhe calafrios. Ela sorriu envergonhada enquanto Rachel lhe dava uma piscadela e a convidava para cantar o refrão.


And that's why I smile

It's been a while

Since everyday and everything has felt this right

And now

You turn it all around

And suddenly

You're all I need, the reason, why

I smile


Ao término do refrão, os outros alunos do New Directions subiram ao palco, cantando e dançando como loucos. Ela se esqueceu da platéia por uns segundos e riu enquanto cantava. Mesmo em Nova York, com Rachel e seus sonhos realizados, ela sentiria falta deles, de todos eles. Aquela era a última apresentação de todos juntos, e ali, naquela parte, ela já sabia que eles tinham vencido.


Last night I blacked out, I think

What did you, what did you put in my drink?

I remember making out and then, oh, oh

I woke up with a new tattoo

Your name was on me and my name was on you

I would do it all over again


Quinn recordou-se dos momentos no Hell House durante o solo de Rachel. A primeira vez que havia ido lá, quando encontrara Rachel após seu maravilhoso solo de Joan Jett, ainda sem saber o que estava sentindo por ela; quando usara todo seu charme para seduzir Rachel e levá-la lá pela segunda vez, onde acabaram tendo seu segundo beijo que tivera catastróficas resoluções no dia seguinte; e ainda presente na sua mente, a festa de aniversário dela. A maioria das lembranças doía de alguma forma, mas Quinn estava feliz por tê-las. Elas mostravam o crescimento de seu relacionamento com Rachel.


Yeah you said hey

What’s your name?

It took one look

And now I'm not the same

Yeah, you said hey

And since that day

You stole my heart

And you're the one to blame (yeah)


Quinn deixou a guitarra para um ajudante de palco misterioso e tirou o microfone do pedestal, perseguindo Rachel pelo palco. As duas cantavam e dançavam sem coreografia nenhuma, assim como seus companheiros de Glee. Mr. Schue queria algo organizado, mas Rachel dissera que a música não pedia isso, e sim espontaneidade. Quinn só não entendia por que tinha que se vestir como Avril Lavigne no clipe.


And that's why I smile

It's been a while

Since everyday and everything has felt this right

And now

You turn it all around

And suddenly

You're all I need, the reason, why

I smile


Quinn terminou a música ofegante. Como se fossem uma só, as pessoas da platéia se levantaram e aplaudiram calorosamente. Ela e Rachel deram as mãos, sorrindo uma à outra. Sam pegou Quinn num abraço de quebrar os ossos enquanto Finn fazia o mesmo com Rachel.

Em algum lugar da platéia em êxtase, Jesse aclamava orgulhoso, como se já soubesse de sua derrota, Sebastian ao lado dele emburrado. Os Warblers aplaudiam de pé. Quinn demorou a enxergar novamente sua mãe e os pais de Rachel no meio da multidão, mas quando os viu, encontrou-os gritando “São as nossas filhas! Aquelas são nossas garotas!”, e sinceramente desejou não tê-los encontrado.

Mesmo assim, ela nunca havia se sentido tão feliz na sua vida.

Notas finais
Espero reviews de vocês, agradeço mesmo por ter acompanhado essa fic meio complicada, e vejo vocês em Running Away From Hell!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!