The Only One

6 Cap. VI — Welcome To My Life


Notas iniciais
Então galera, como estão? Minha vida anda um tanto corrida com o fim de ano e final das aulas e provas de vestibular. Eu tinha planos de postar esse capítulo antes, contudo o gay do Nyah resolveu não me deixar postar nada, então me desculpem o atraso.
Aguardem o próximo capítulo por que terá muita coisa boa (não que nesse não tenha, é que eu estou mais animada pelo outro) e vejo vocês lá!

O primeiro sentimento que veio em Quinn foi a raiva. Ela não sabia por que, mas uma raiva arrebatadora tomou seu corpo — como na verdade vinha acontecendo nos últimos dias. Raiva especialmente de Sam. Ele a abandonara. Deixara Quinn sozinha naquela cidade infernal sabendo de seus sentimentos e dores. E por isso ela queria avançar em Sam e espancá-lo até aquele sorriso tolo cheio de dentes se tornasse nada além de uma grande boca de neném.

Depois, veio o arrependimento. Tinha mentido para Sam o verão inteiro, como conseguia reunir coragem para ficar puto com ele? Quinn era quem deveria se desculpar, arrastar-se de joelhos para junto do garoto e pedir perdão por ter sido tão idiota.

Por último, então, a felicidade veio. Um jorro de alegria passou pelo corpo de Quinn como não passava há muito tempo. Sam estava de volta. Sam estava bem ali, na sua frente, pronto para um abraço apertado. Não existiam problemas que ele não conseguisse resolver. Ele era Sam Evans, seu melhor amigo, seu protetor, e estava a dois metros de distância.

— Sam! — exclamou Quinn, dando um pulo do banquinho do piano e correndo na direção do garoto, abraçando-o fortemente. — Você voltou! Eu...

As palavras se perderam assim que Quinn encarou os olhos verdes de Sam. Ela apenas enfiou a cabeça mais uma vez no peito do garoto, sentindo as lágrimas de saudade cair. Puxou-o para si com toda a energia que tinha. Não o deixara ir embora, pensou Quinn. Jamais. Sam era precioso demais para se perder, ainda mais duas vezes.

— Ei, ei, ei — chamou Sam, sorrindo abobado com a reação de Quinn. — O que foi? Parece que não me vê há séculos.

Ele riu do próprio comentário, o que fez a garota rir também.

— Engraçadinho — murmurou Quinn, enxugando as lágrimas. Ela se separou de Sam e o fitou. — O que te trás aqui, Sam?

Sam afagou os cabelos róseos de Quinn e sorriu mais uma vez. Pegou a mão dela e a chamou para sentar numa das cadeiras do auditório. Uma vez acomodados, ele começou a explicar.

— Lembra-se de eu ter dito que o emprego do meu pai era de uma multinacional? Eles estavam contratando no país inteiro. Meu pai apenas pediu transferência para cá.

— Só isso? — indagou Quinn levantando a sobrancelha. Em poucos minutos, imaginara um Sam correndo pelos desertos do Kansas para vê-la, carregando seus irmãos menores nas costas e trabalhando forçado para ter dinheiro e terminar a viagem de ônibus.

Agora que notara, no entanto, Sam parecia mais velho e feliz. Usava uma gravata vermelha e camisa social branca, com uma jaqueta de couro por cima. Kurt o mataria se o encontrasse. Tinha, também, cortado o cabelo. O suco de limão de tanto tempo atrás havia finalmente saído por completo. Quinn deu um meio sorriso ao observar o loiro do garoto, de repente sentindo falta do seu cabelo de antes do verão.

— Acho que sim. — Ele deu de ombros. — E você? O que anda fazendo? Não falo com você tem quase duas semanas.

Quinn sorriu fracamente, tentando encontrar uma forma de explicar para Sam o quão confusa sua vida estava. Acabou por enfiar mais uma vez seu rosto no peito dele, fungando terrivelmente. A respiração calma de Sam nos cabelos róseos de Quinn foi o que a fez ficar tranqüila o suficiente para arriscar formular uma frase com sentido.

— Eu não sei... — começou Quinn, soluçando — É que... Ah, sei lá, fiquei um mês sem vir para a escola e a primeira coisa que eu vejo ao chegar aqui é o Finn beijando a Rachel... — Ela deu mais uma pausa, se perguntando se Sam estava conseguindo entender seus chiados — É... Tá só difícil.

— Primeiro, você realmente precisa aprender a falar enquanto chora, entendeu? — Sam fez Quinn sair do seu estado vegetativo para encará-la. Ela deu um sorriso mínimo. — Segundo, Rachel se importa com você, quando vai entender isso, Quinn?

Quinn crispou os lábios, revirando os olhos. Odiava ver que Sam estava certo e que Rachel, depois dele, era a única pessoa que verdadeiramente se importava com ela. O orgulho Fabray não se permitia precisar de alguém como precisara de Rachel durante o verão e bem pouco mês antes.

— Acho que nunca — murmurou Quinn, desviando os olhos.

— Agora que estou de volta oficialmente — disse Sam, ignorando o que Quinn acabara de falar —, tem uma pequena coisa que você precisa fazer por mim.

A garota assentiu com a cabeça. Sam provavelmente pediria para que pedisse desculpas a Rachel por tê-la tratado mal e que comprasse uma tinta loira para seu cabelo, que já começava a perder a cor do rosa. Coisas que Quinn teria que lutar muito internamente para fazer.

— Volte para o Glee Club.

Quinn riu abertamente, esperando que Sam a acompanhasse. Quando viu que o garoto falava sério, mudou sua expressão rapidamente para uma mais controlada, transformando sua risada num forte acesso de tosse.

— Você só pode tá brincando.

— Não! — exclamou Sam, parecendo sinceramente ofendido. — Olha Quinn, esse seu cabelo é legal, suas roupas tiram o fôlego de qualquer um e seu vício para a bebida pode te ajudar a distrair os problemas. Mas somente no Glee é que você é inteiramente você. É só lá no Glee que você consegue realmente expressar quem é.

— Sam, eu não quero passar o resto do ano vendo ao vivo os beijos do amor da minha vida e seu namorado! — gritou Quinn, a raiva antes contida pela presença de Sam voltando à tona.

— E quem disse que vai?

A pergunta de Sam fez a fúria de Quinn parar de correr por suas veias. Ela murchou diante do garoto, se jogando na cadeira do auditório e levantando as sobrancelhas, indagando silenciosamente o que aquilo significava.

— Eu não vou deixar Rachel ficar com Finn vendo que você é bem melhor para ela — respondeu Sam ao olhar de Quinn. — Convenhamos, ele é um idiota. Não merece a estrela Rachel Berry. Vocês nasceram para ficarem juntas.

Sam tinha um sorriso triunfante no rosto, lembrando à garota uma criança que conseguira formular um plano perfeito para roubar biscoitos. Quinn revirou os olhos, mas terminou rindo da expressão do garoto. Ela estendeu a mão para ele, fechando um acordo silencioso que eles tinham acabado de formar entre olhares.

— Quinn Fabray — disse ele, apertando a mão da garota —, seus momentos de total tristeza já eram.


— Não mesmo! — exclamou Finn. — Eu não vou deixar que essa Skank entre para o Glee novamente! Mr. Schue, ela nos abandonou!

— Ei, Finndiota! — retorquiu Santana, se levantando e tentando avançar no garoto, porém Brittany a impediu. — Ela merece uma segunda chance, entendeu?! Ela teve a coragem de voltar aqui e pedir para que a gente a ajudasse, então fica quieto, babaca!

Quinn agradeceu com a cabeça a Cheerio. Dois dias depois da chegada de Sam e da conversa deles no auditório, Quinn finalmente tomara coragem para dar às caras na sala do coral durante a reunião dos garotos e pedir para que fosse readmitida no clube. Mr. Schue dissera que precisava da aprovação de mais de metade do Glee para voltar e o único que ainda batia o pé era Finn.

Rachel sequer tinha pronunciado contra ou a favor da garota, o que Quinn já pensava ser um começo. A morena sentava-se ao lado do namorado, fingindo prestar atenção em seus sapatos de couro lavado. Algumas vezes, no entanto, ela se traía e lançava olhares à Quinn. Quando estes eram retribuídos, Rachel rapidamente desviava os olhos e ficava vermelha.

— Galera, menos! — Mr. Schue chamou a atenção de todos. Demorou vários minutos para que os alunos se acalmassem por completo. — Quinn e as Skanks não fizeram nada contra nós, não entendo por que não podemos aceitá-la de volta.

Santana aplaudiu o que o professor dissera, olhando Finn com desprezo. Quinn olhou agradecidamente para Will, enquanto Finn buscava por mais insultos ou algo que ele pudesse usar contra a garota.

— Vamos votar — decidiu Mr. Schuester. — Quem é a favor de deixar Quinn entrar de volta ao clube?

O sorriso de Quinn aumentou quanto mais de sete (inclusive a do garoto novo vindo da Irlanda) mãos se erguiam no ar. No entanto, sua explosão de felicidade foi quando Rachel se juntou ao grupo de apoio, trêmula, olhando Finn de esguelha. O garoto encarou a namorada, espantado, e se afundou ainda mais na cadeira, aborrecido.

— Decidido. Quinn, bem-vinda de volta.

Santana e Brittany lideraram a salva de palmas para a garota. Quinn corou, lançando um sorriso diretamente para Rachel. Ela ficou vermelha e escondeu o rosto nas mãos.

— Mr. Schue, se me permite, gostaria de convidar mais um membro para o clube... — Quinn apontou para a porta, dando a deixa para que Sam entrasse.

O Glee entrou em total êxtase. Todos se levantaram — inclusive o mal-humorado Finn — para dar um abraço de boas-vindas no garoto. Quinn mordeu o lábio, dando um pequeno sorriso ao olhar Rachel, que, ao passar para cumprimentar Sam, ignorou-a completamente. De alguma forma (e ela odiava ter que admitir isso), Sam estava certo. O Glee Club realmente lhe fazia melhor. Na verdade, Rachel a fazia melhor.

— Agora não tem como negar a volta de Quinn — comentou Mercedes. — Ela trouxe o melhor cantor do Glee junto!

Sam e Quinn riram. Finn voltou para o seu lugar, aparentando mais irritação que antes. Rachel, por outro lado, parecia estar se soltando mais diante da presença da garota de cabelos róseos e não conseguia parar de sorrir.

— Mr. Schue, novamente eu queria lhe pedir algo — disse Quinn, ainda de pé, sendo encorajada pelo olhar de Sam, já sentado. O professor concordou com a cabeça. — Eu quero cantar. Sei que faz meses que não apareço por aqui, mas há um bar que vou com as Skanks onde canto sempre. Só queria deixar a par todo mundo dos meus problemas.

Rachel estacou. Quinn percebeu aquilo e piscou para a morena, tentando acalmá-la sem que o namorado percebesse. Como Finn ainda estava em sua crise de diva, ele sequer notou a intensidade na troca de olhares das duas.

Santana riu alto. Quinn se virou para ela.

— O que foi? — perguntou ela, arqueando a sobrancelha.

— Nada — a latina respondeu. Mas ela continuou rindo, seu olhar indo agora para Rachel. Brittany lhe chamou a atenção. Santana tentou manter a expressão séria. — Pode dar início a sua canção de revolta.

Ela ainda ria baixinho quando Quinn chamou Sam para lhe seguir na guitarra. Ela até chamaria Finn para lhe acompanhar na bateria se ele não estivesse com o braço em volta de Rachel e não fosse um idiota. Quinn também pegou uma guitarra, para assombro dos membros do Glee, afinando-a para logo começar a cantar.


Do you ever feel like breaking down?

Do you ever feel out of place?

Like somehow you just don't belong

And no one understands you


Ela não queria cantar aquela música para ninguém em especial. Apenas queria que, verdadeiramente, todos os membros do Glee (com quem irritantemente se importava mesmo após a junção com as Skanks, em principal uma morena baixinha e inoportuna) soubessem um pouco da confusão mental que passava.


Do you ever wanna runaway?

Do you lock yourself in your room?

With the radio on turned up so loud

That no one hears you screaming


E como Quinn já havia feito aquilo. Era o que mais fazia por aqueles dias, ligar seu pequeno rádio portátil até abafar todos os barulhos de Judy arrumando a cozinha ou o quarto e gritar. Gritar enquanto suas cordas vocais durassem. Depois de ter largado o cigarro e a bebida, essa era a melhor forma de aliviar a tensão.


No you don't know what it's like

When nothing feels all right

You don't know what it's like

To be like me

To be hurt, to feel lost

To be left out in the dark

To be kicked when you're down

To like feel you've been pushed around


Quinn inconscientemente olhou para Rachel durante o último verso. De fato, a morena não sabia o que ela estava sentindo, ninguém tinha idéia do que passava naquela mente assassina. Ela virou-se para Sam enquanto cantava. Ele sabia, pensou. Sam sabia de tudo que acontecia na sua vida, mesmo jamais contanto para ele algumas coisas. Quinn não duvidava nada que ele também tinha suas suspeita de quando estava mentindo para ele durante o verão, apesar de ele negar veementemente o assunto.


To be on the edge of breaking down

And no one's there to save you

No you don't know what it's like

Welcome to my life


Finn encarava Quinn com espanto, provavelmente assustado com a mudança de comportamento da garota em tão pouco tempo. Ela riu, imaginando o que estava passando na cabeça dos membros do Glee, já que era a primeira vez que se abria para tantas pessoas ao mesmo tempo, ainda mais com uma canção.


Do you wanna be somebody else?

Are you sick of feeling so left out?

Are you desperate to find something more?

Before your life is over


Sim, Quinn estava desesperada para achar algo a mais, que valesse por toda a desgraça que andara passando. O único problema era que o que queria estava bem à sua frente, assistindo sua apresentação com a boca aberta, pasma. Ela suspirou, balançando a cabeça e executando os solos na guitarra quase que monotonamente.


Are you stuck inside a world you hate?

Are you sick of everyone around?

With their big fake smiles and stupid lies

While deep inside you're bleeding


Sam sorriu, encorajando-a. Quinn piscou para ele como resposta, notando que Santana agora assumia uma expressão séria, embora seus olhos estivessem divertidos. A única explicação para Quinn sobre aquele comportamento da latina era por que ela descobrira sua intensa paixão por Rachel. Não havia outra escolha, ou Santana não estaria rindo tanto.

Quinn cantou novamente o refrão, colocando um pouco mais de agressividade na música. Todos estavam prestando atenção em sua dor, e ela realmente não esperava aquilo. O que desejava era que as pessoas se importassem com ela, tal como Sam e (ela tinha que insistentemente se lembrar, um tanto irritada) Rachel...


No one ever lied straight to your face

And no one ever stabbed you in the back

You might think I'm happy

But I'm not gonna be okay


Uma pequena lágrima caíra do olho de Rachel. Ao notar isso, Quinn quis largar a guitarra e a música apenas para jogar Finn longe da morena e abraçá-la. Parecia que todo seu mês na reabilitação contra Rachel Berry dentro de casa não tinha funcionado muito bem, por que aquela garota ainda lhe causava calafrios.


Everybody always gave you what you wanted

You never had to work it was always there

You don't know what it's like

What it's like


Tá certo que esse verso também se aplicava em seu caso, Quinn pensou. Tivera tudo o que sempre quisera na vida, e talvez tenha sido aquilo que a fizera ficar louca, transando com Puck e tendo Beth. Odiando Rachel mesmo sabendo que a amava. Saindo com as Skanks apenas para se livrar dessas dores.


To be hurt, to feel lost

To be left out in the dark

To be kicked when you're down

To like feel you've been pushed around


To be on the edge of breaking down

And no one's there to save you

No you don't know what it's like

Welcome to my life


Ao finalmente terminar a canção, Finn Hudson foi o único aluno que não correu para abraçar Quinn. Ela sorriu para os colegas de coral, agradecida, notando que Rachel era a primeira que chegara até ela e lhe abraçava fortemente, parecendo não querer soltá-la jamais.

E mesmo depois de todos já terem ir sentado, Rachel ainda continuava lá, se agarrando a Quinn como se aquilo fosse lhe custar sua vida.


Rachel não poderia dizer o que sentiu ao ver Quinn Fabray entrar na sala do Glee naquela terça-feira chuvosa. Ela esperava que após um mês, Quinn a olharia com desprezo e rancor. Mas ver a garota sorrindo especialmente para ela reacendeu uma chama no peito de Rachel há muito tempo apagada.

Ela queria sentir-se culpada por não ter ido buscar Quinn em sua casa (onde ela tinha passado o tempo todo, Rachel logo percebeu ao notar as roupas punks limpas), mas a garota tinha dito que jamais voltaria; que não queria vê-la mais. Rachel apenas cumpriu o desejo dela, querendo por tudo não fazê-lo.

E assim Rachel passou o mês. Procurava apoio em qualquer pessoa que encontrava pela frente. Para sua tristeza, Finn não desgrudava mais dela. A morena tentava fugir, ia se encontrar com Kurt e Blaine no Breadstix; saía com Mercedes; e até arriscou um início de amizade com Rory, o garoto irlandês. Seu desespero para se distrair era enorme.

No entanto, aos poucos, Finn foi tomando o espaço que havia perdido nas férias e para Quinn no início das aulas. Rachel voltou a achar o abraço dele reconfortante e seus beijos gostosos. Passou a andar com ele nos corredores e a cantar duetos apaixonados novamente.

Então Quinn Fabray passou pela porta da sala do coral e o coração de Rachel retornou à confusão de antes.

— O que está acontecendo entre você e Quinn? — perguntou Finn subitamente, antes de abrir a porta da camionete para Rachel.

A morena piscou. Mal se recordava de ter saído do colégio e percorrido aquela distância no carro de Finn. Encontrar Quinn a fez sentir calafrios e borboletas no estômago. Não conseguia se enxergar com Finn, não com a garota punk estando próxima mais uma vez.

— O quê? — Rachel devolveu a pergunta, exasperada.

— Você foi a primeira a abraçá-la quando ela terminou a cantar. — Finn suspirou, cansado. — Eu não sou burro, sabia.

“Pois parece”, pensou Rachel. Contudo, disse:

— Não há nada entre Quinn e eu. Só estava cumprindo a promessa que fiz a Sam de protegê-la.

— Ele está de volta — disse o garoto amargamente. — Não vai precisar fazer isso mais.

Finn continuou a fitar a namorada, desconfiado. Os minutos passavam, mas Rachel não sabia se deveria pedir para Finn destrancar a camionete. O garoto estava colérico, como ela nunca tinha visto antes.

— Mais tarde eu passo aqui — ele falou. A morena identificou um prazer estranho na voz dele, entretanto, não prestou atenção. Apenas concordou e desceu do carro, parando para pensar nas intenções de Finn somente quando já estava em seu quarto.


— Q! — exclamou Santana, acenando para a garota no corredor no fim da aula. — Preciso falar com você.

— O que foi? — indagou Quinn, parando em seu armário. Após tanto tempo fora do colégio, ela sequer sabia o que estava ali dentro. Ficou surpresa ao encontrar uma caixa de cigarros e pequenas garrafas contendo vodka.

Santana se aproximou da garota o bastante para que notasse as sardas em seu rosto. Quinn se assustou e deu um passo para trás, corando. O que a garota queria com aquilo?

— Aquela apresentação — ela disse interessada. — Foi por acaso uma forma de sair do armário sem que as pessoas notassem?

A pergunta pegou Quinn de surpresa. Ela se sentiu muito tentada em pegar um dos cigarros para que pudesse relaxar diante da situação. A garota ocupou-se em tirar alguns livros do armário, corando furiosamente. Quando percebeu que Santana não iria embora sem uma resposta convincente, ela suspirou e disse:

— Não completamente — murmurou Quinn, observando com interesse seus tênis All Star. — Eu realmente me sinto daquela forma.

— Para de desviar o assunto, garota-punk. Fale logo.

Quinn revirou os olhos. Santana era mesmo insistente.

— Eu não quero falar sobre isso, ok? Nem sei o que você está fazendo aqui, pra começo de conversa — disse a garota, reassumindo sua postura agressiva.

— Tudo bem, você precisa realmente voltar às Cheerios para melhorar seus insultos — a latina disse, fitando Quinn com aquele olhar de desprezo característico dela. — Segundo, tinha que ser justo a Berry, Q? Eu só quero saber por quê.

Quinn riu asperamente. Ela não fazia idéia de como Santana descobrira seu amor por Rachel. Tinha meses que não se falavam, e agora a latina estava ali, lhe insultando como se tivessem acabado de sair de um treino das Cheerios, como se nada tivesse acontecido para abalar a amizade das duas.

— Incrível como ela tem o poder de seduzir todos... — a garota comentou, sorrindo maliciosamente.

— Cala a boca, Santana — reagiu Quinn, dando um soco nada amigável no ombro da garota. — O que você quer?

— Ouvi Puck e Finn conversando sobre sexo. — Santana suspirou, parecendo indignada. — O Godzilla queria esclarecer suas dúvidas para “ir à casa de Rachel hoje à noite”.

Os lábios de Quinn crisparam de raiva. Seu coração deu um pulo, dividido entre parar completamente e levá-la a um infarto. Não... Finn não poderia estar pensando em tirar a virgindade de Rachel. Ele era um idiota, a morena não poderia estar considerando a idéia.

— Eu não acredito... — murmurou Quinn, seus punhos se fechando de fúria. — Eu não acredito...

— Ficar falando isso para si não vai mudar o fato de que aquela batata suada vai comprar o V-card da anã — disse Santana, indiferente. — Q, Sam pode estar de volta e tudo mais, mas você precisa é daquele hobbit, não deixe o palhaço gordo tirá-la de você.

E dizendo isso, Santana fechou a porta do armário violentamente, deixando Quinn sozinha no corredor vazio.


— Meu Deus, meu Deus — sussurrava Rachel, dando voltas e mais voltas no quarto em total desespero.

O sol já estava se pondo, o que significava que Finn logo estaria estacionando sua carroça velha na calçada da casa de Rachel... E ela não estava nem um pouco animada para isso acontecer. Desde que o namorado havia lhe deixado, ela tentava pensar numa maneira de fugir dali, de escapar do que estava prestes a acontecer.

Não, ela não queria transar. Bom, pelo menos não com Finn. Não queria encostar-se ao corpo do garoto, não queria nenhuma intimidade com ele. Não fazia idéia de como conseguira fazer aquilo durante o mês. Agora, simplesmente não podia. Não. Era errado. Ela não queria fazer aquilo, e duvidava que Finn entendesse como Jesse tinha entendido há quase dois anos.

— Meu Deus — Rachel repetiu, cansada de dar voltas pelo quarto e caindo na cama de qualquer jeito, batendo as costas nos livros que ela sequer havia arrumado ao chegar do colégio, devido a seu grande nervosismo.

Ela ficou parada na mesma posição por longos minutos, refletindo sobre o que deveria fazer. Estava desesperada. Pensou em contatar Puck ou qualquer garoto do Glee para lhe proteger, porém Finn deveria ter sido mais rápido e perguntado a eles sobre sexo.

Rachel soltou um grito, irritada. No entanto, sua frustração foi ignorada pelo toque alto de mensagem do celular. Ela levantou-se, sem a menor intenção de fazer aquilo, e ficou surpresa ao constatar que era Quinn que lhe enviara. Abriu a mensagem logo.


Não me diga que vai transar com o Hudson, Rachel. Estou decepcionada com você. — Q


Uma expressão indignada surgiu no rosto de Rachel. Desde quando Quinn Fabray tinha o direito de ficar ou não magoada por suas escolhas? Foi com uma raiva desconhecida que ela digitou de volta:


Não te devo satisfações, Quinn. Finn me parece o garoto certo. Ele me ama. Estamos prontos e vamos fazer, não há problema nenhum. — R


Rachel se jogou novamente na cama, empurrando os livros sem cerimônia para o chão. Teria tempo para catar aquele lixo todo mais tarde, depois que Finn e ela... A idéia passou pela cabeça da garota e quase a fez vomitar. Ainda bem que escutou o celular novamente em seu ouvido, distraindo-a.


Ah, é? E você, Rachel? Ainda ama ele? — Q


A morena ficou quieta por um instante. Mais uma vez, Quinn Fabray a deixava sem palavras. Poderia ser apenas uma pequena mensagem, mas Rachel conseguiu identificar o veneno de Quinn, o tom sarcástico que ela estaria usando se estivessem se vendo, talvez com um cigarro entre os dedos e rindo maldosamente. Suas mãos tremiam ao responder o SMS da garota.


Amo... E é por isso que vou fazer isso com ele. — R


Rachel sentia a falsidade naquelas palavras escritas. Ela mentira descaradamente daquela vez, como jamais fosse capaz de mentir na vida. Parecia que ela estava tentando provar a Quinn alguma coisa — provar a si mesma alguma coisa. Que se importava com Finn, que não ligava para as mudanças de Quinn, que nunca fora capaz de...

A mente de Rachel se iluminou. Ela amava Quinn Fabray. Amava como nunca havia amado alguém antes. Por isso tinha se preocupado com sua falha para com Sam. Por isso tinha ficado em estado vegetativo até perceber que ela não voltaria mais. Por isso a chama em seu coração reacendeu quando viu Quinn entrar na sala do coral mais cedo.

Rachel Berry não amava mais Finn Hudson. Ela estava apaixonada por Quinn Fabray. A ex-Cheerio Quinn Fabray, a burra que engravidou Quinn Fabray, a garota que perdera a Coroa para o amigo gay Quinn Fabray, e agora a punk Quinn Fabray... E Rachel sempre arranjava um jeito de estar perto dela, de protegê-la. Como fora tão burra a ponto de não reparar nisso?

Mas antes que a morena pudesse ter mais conclusões óbvias sobre seu interesse pela ex-Cheerio, o celular vibrou novamente. Rachel o buscou loucamente pela cama para ver a resposta de Quinn.


Não, Rachel, você não o ama! Deus, quando você vai entender que ele não é o certo para você?! Eu que sou!


Quinn não tinha se dado ao trabalho de colocar sua inicial no final da mensagem, então Rachel pôde presumir o tanto que a garota estava nervosa ao fazer uma declaração daquelas. Ela respirou fundo e leu várias vezes a mensagem, pensando se responderia ou não.

Decidiu por uma coisa melhor. Ignorando os presságios de um Finn irracionalmente colérico da manhã seguinte, ela pegou seu celular e desceu as escadas de casa rapidamente. Deu graças por seus pais terem ido viajar e pegou as chaves do carro deles, rumando para a garagem. Já dentro do carro, então, deixou que seus instintos comandassem tudo para ir à casa de Quinn Fabray.


Notas finais
A música que Quinn canta é Welcome To My Life do Simple Plan. Me desculpem por não postar o link, mas eu tava com muita preguiça mesmo k Enfim, espero que tenham gostado.
Ah, e eu estou escrevendo uma one shot sobre o episódio Born This Way, aquele que tem muito Faberry e tudo mais, onde elas cantam I Feel Pretty/Unpretty e pretendo postar logo, então aguardem :D