The Only One
4 Cap. IV — I Was Born To Love You
Notas iniciais
Ok, meu momento desabafo acabando... Queria pedir desculpas pela demora, realmente eu estava ocupada estudando e revendo algumas coisas para a prova e não deu tempo para escrever. Maaaaaaaaaas, lembrando a vocês que a fic é desse jeito, por isso eu não faço ideia de quando o capítulo após esse estará pronto, então keep it cool boys
Para este capítulo, então, eu trouxe uma música do Queen, que dá nome ao capítulo, I Was Born To Love You, e aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=3AxUoE2k-IQ
Espero que gostem!
Rachel acordou exasperada. Ofegando, ela tentou tirar o cobertor desesperadamente de cima dela até perceber que não era uma pessoa. Ela sentou na cama, engolindo em seco e pensando no sonho que acabara de ter.
Estava com Quinn no auditório. Todo aquele ar de pessoa forte e independente da garota havia sumido com Rachel por perto. Quinn, a morena conseguia ver agora, estava morta por dentro. Não conseguia enxergar sofrimento em seus olhos por que o corpo inteiro já era de dor. Uma dor constante, que só sumia quando Rachel se aproximava.
Quinn a pegara pela cintura e dera-lhe um beijo. Não horrivelmente molhado como o de Finn, e sim mais macio e intenso. Idêntico ao que a Quinn de verdade lhe dera após cantar Fix You no auditório. E Rachel não conseguia entender por que sonhara com o beijo por uma semana seguida. Não imaginava por que o correspondera com tanta paixão.
No entanto, ela não encontrou Quinn depois da cena do auditório. Sua curiosidade formigava de saber por onde a garota punk estava, mas ela se mantinha na defensiva. Tentava se distrair ajudando Mr. Schue e os alunos do Glee a recrutar novos membros para o coral.
Tinha medo, admitiu Rachel para si, ainda respirando com dificuldade. Estava terrivelmente assustada com a possibilidade de encontrar Quinn mais uma vez; não estava pronta para olhar naqueles olhos amendoados e pedir desculpa por ter fugido após o beijo. Definitivamente, aquele era o único confronto em que ela estava horrorizada por enfrentar.
A garota esperou o relógio despertar para poder se arrumar e ir para a escola. Os dias haviam passado lentamente desde os trágicos primeiros dias de aula. As Skanks tinham desaparecido do mapa, o que reforçava a idéia na cabeça de Rachel de que elas tinham entrado no Hell House para nunca mais sair. Não que se ligasse com Mack, Sheila ou Ronnie, apenas Quinn que importava; Quinn era sua responsabilidade desde que Sam fora embora e ela havia quebrado a promessa.
— Oi, Rachel — cumprimentou Finn quando a morena entrou na sua camionete surrada. — Beleza?
— Tudo bem — respondeu Rachel distraída, se desviando da boca do garoto indo de encontro da sua. — Vamos?
Finn crispou os lábios com raiva, ligando o carro e partindo direto para a escola. Desde que fora beijada por Quinn, Rachel simplesmente não conseguia olhar para o garoto da mesma forma. Não conseguia sequer beijá-lo na bochecha, o que, claro, causara grandes furos no relacionamento dos dois. Rachel não podia evitar: inconscientemente, sua boca agora só queria a de Quinn. Quinn e seus lábios macios... Quinn e sua agressividade contida... Quinn e seus maravilhosos olhos verdes... Tudo agora em Finn parecia um tanto ultrapassado.
Ao chegar à McKinley High, tentou dar um sumiço no garoto, escapando logo dele e rumando rapidamente para a primeira aula do dia, de Literatura Inglesa. Procurando se afastar de Finn o mais rápido possível, ficou escondida no fundo da sala esperando o professor, mal notando quem estava ao lado dela.
— E aí, Rachel. — A voz rouca e sexy de Quinn invadiu os ouvidos de Rachel, e ela logo olhou para os lados, procurando-a. — Faz um tempo em que não nos vemos.
Quinn deu um sorriso selvagem. Rachel a encarou assustada, e a garota punk ficou feliz com isso. Mesmo após aquele beijo romântico no auditório ela ainda causava em Rachel calafrios.
— Onde estava? — indagou a morena em voz baixa, fingindo copiar o que a professora escrevia no quadro.
— Achei que não se importasse por onde eu andasse — sussurrou Quinn, não se preocupando com a matéria e colocando os pés em cima da carteira.
— Eu me importo — retrucou Rachel, tão baixo que Quinn teve de se virar para ler os lábios da garota.
Fora um erro. Rachel inconscientemente ergueu os olhos também, obrigando Quinn a ficar encarando o castanho daqueles olhos pelo que lhe pareceram horas. Os músculos do corpo dela relaxaram e a garota tentou resistir fortemente ao impulso de beijá-la.
— Srta. Fabray! — a professora chamou a atenção, fazendo as duas meninas se sobressaltarem. — Tire os pés da mesa, por favor.
Quinn sabia muito bem que não foi seus pés que fizeram a Sra. Chuckles gritar com ela. Seu rosto estava tão próximo de Rachel que o ar dos pulmões começara a se esvair, pronta para colar seus lábios nos dela. A garota revirou os olhos e voltou sua atenção para o quadro, ignorando Rachel completamente.
Ela mordeu o lábio, confusa. Desde quando percebera que gostava de Rachel e tentava se afastar de tudo para entender o que estava acontecendo, Quinn sonhava com aquele beijo. Sonhara com o maravilhoso momento em que seus lábios tocariam suavemente os de Rachel. Sonhara com uma Rachel apaixonada acordando todos os dias ao seu lado. Poderia negar mortalmente o que sentia pela morena quando estava acordada, porém seu inconsciente jamais ignorou o quanto queria Rachel Berry para si.
E agora que experimentara o agradável sabor dos lábios de Rachel, queria mais. Aquela morena baixinha e irritante era deliciosamente viciante. Se ela não tivesse fugido do auditório, Quinn tinha certeza que não teria controle sobre seu corpo e que acabaria por fazer algo não muito limpo em cima daquele piano.
Riu alto com o pensamento, o que fez a Sra. Chuckles a olhar, irritada. Quinn deu de ombros, sorrindo arrogantemente. Uma semana depois de voltar ao McKinley High, ela ainda achava divertido provocar e arranjar briga com qualquer pessoa que encontrava pela frente. Ganhara algumas detenções, das quais nunca comparecia. Acumulara três ou quatro dias sem entrar numa sala de aula, indo para o colégio apenas para se atracar com Mack no banheiro feminino e fumar atrás das arquibancadas enquanto observava com desejo as Cheerios e suas minúsculas saias.
O barulho do sinal foi ouvido em toda a escola. Quinn levantou e se espreguiçou, olhando com divertimento para os alunos apressados. Seus olhos seguiram os cabelos negros de Rachel, avançando por entre os garotos maiores com extrema rapidez. A garota riu, bagunçando seus cabelos róseos. Rachel provavelmente estaria morrendo de medo, imaginou com um sorriso tolo no rosto. Mas ela sabia que duraria pouco: Rachel Berry era muito intrometida para ficar sem saber o que havia acontecido com Quinn.
— Cara, o que estava fazendo? — perguntou Mack quando Quinn se uniu às Skanks, minutos depois de ela ter saído da sala da Sra. Chuckles.
— Aula de Literatura — Quinn respondeu dando de ombros, tirando um cigarro da cartela que Ronnie segurava e o colocando na boca.
— Fabray, você é a única vagabunda que conheço que se preocupa em ir à aula — revelou Mack rindo, tragando um cigarro.
— Eu não pretendo ser uma vagabunda de Lima para sempre. Tenho planos maiores — disse a outra, dando uma espiada no campo de futebol para ver se o treino das Cheerios já havia começado. — Vou sair dessa cidade. Virar vagabunda em lugares melhores.
Ela sorriu de maneira insolente. Quinn tinha em mente Nova York. Sabia que esses eram os planos de Rachel para quando terminasse o ensino médio e, se as coisas funcionassem para ela pelo menos uma vez, queria segui-la até a Broadway. Seria uma prova de amor, algo que Finn nunca conseguiria fazer.
— Sua paixonite por aquela garota enjoada do Glee está começando a irritar — resmungou Sheila entediada.
A garota parou o cigarro a caminho da boca, assustada com o que a Skank acabara de falar. Quinn jamais contara para ninguém sua atração inexplicável por Rachel. Suspeitava que Sam e seu instinto de melhor amigo desconfiavam disso, simplesmente pelo modo que ele a tratara após a ligação de Rachel na semana anterior. Afora Rachel e o melhor amigo, Quinn imaginava que conseguia esconder muito bem o que sentia.
— Sheila tem razão, relaxe um pouco, Fabray — aconselhou Mack, sorrindo indulgente. — Aquele Godzilla do Hudson possivelmente já deve ter casado com ela em segredo.
Quinn riu amargamente junto com as outras Skanks, sem achar nenhuma graça no que Mack acabara de falar. Finn Hudson era um idiota que estava no seu caminho para conquistar Rachel. A garota sabia que, entre o conforto de já estar acostumada com Finn e o novo que Quinn poderia oferecer, Rachel sempre escolheria a primeira opção, e ela precisava mudar isso.
— Vamos ao Hell House hoje — disse Ronnie, mudando de assunto. Ela tirou uma garrafa pequena da bolsa, provavelmente cheia de vodka, e a virou na boca. — Você vem Fabray, ou prefere ficar comendo com olhar a anã?
— Muito engraçado — retorquiu Quinn, dando uma última tragada no cigarro e o jogando no chão, pisando em cima depois. — Eu vou ao bar com vocês. Não ando bebendo muito por esses dias.
Aquela desculpa nunca funcionava em casa, mas para as Skanks sempre dava certo. De fato, após a ligação de Sam e o beijo de Rachel, Quinn havia evitado os uísques escondidos debaixo da cama e as vodkas do Hell House. Sua aparência agressiva estava voltando aos poucos e ela sentia que precisava de um pouco de bebida para melhorá-la.
— Perfeito — comemorou Mack com um sorriso feroz.
— Sam! — exclamou Quinn ao telefone, um pouco antes de pular a janela de casa para ir ao Hell House. — Como anda o Kansas?
— Tedioso — respondeu o garoto. — Entrei para o time de futebol da escola, mas não é a mesma coisa sem o Finn rezando para um pedaço de queijo quente para tomar minha posição.
Os dois riram. Quinn não falava com Sam desde o maravilhoso dia em que beijara Rachel Berry. Não estava muito animada em contar a novidade para ele, no entanto. Ele daria suporte para tudo que ela fosse fazer, porém contá-lo que fizera algo que habitava apenas no mais profundo do seu pensamento era particularmente estranho.
— E Lima? Como vai a vida de bêbada por aí?
Sam parecia ter aceitado muito bem a transformação maluca de Quinn durante o verão. Pela sua voz, a garota percebia um tom calmo e despreocupado, como se ele realmente esperasse que aquela mudança fizesse bem para ela. Sam era a primeira pessoa que a entendia e ela estava extremamente grata por isso.
— Não ando bebendo tanto. — Sam fez um muxoxo descrente do outro lado da linha, fazendo Quinn soltar uma gargalhada. — É sério! Desde que você ligou e conversei com a Rachel, eu...
Ela parou de falar, sentindo o rosto começar a ficar quente. Sam deu uma risada alta. Quinn coçou os cabelos róseos, tendo certeza do que o garoto loiro acabar de pensar.
— Você a beijou, não foi? — perguntou ele descaradamente, adivinhando o que Quinn não queria contar.
— Foi — admitiu Quinn num sussurro, de repente envergonhada do que fizera.
— Como ela reagiu?
— Bom, ela correspondeu no começo... — falou Quinn franzindo a testa e sorrindo tolamente ao lembrar-se do gosto dos lábios de Rachel nos dela — mas quando o beijo parou, ela fugiu.
— Normal. — Quinn sabia que Sam havia dado de ombros com indiferença. — Rachel jamais foi beijada por uma garota, e você é algo que ela preza muito. Não vamos dizer que ela estava com medo, mas sim...
— Chocada — completou a garota. — Bem, fico grata por ter sido eu a primeira garota a beijá-la.
Sam riu da ironia de Quinn.
— Eu tenho que ir — disse ele após um tempo, onde Quinn contemplava as luzes se acendendo no início da noite em Lima. — Meus irmãos querem que eu assista TV com eles.
— Você é mesmo o melhor irmão do mundo — afirmou Quinn, sorrindo, mesmo sabendo que Sam não veria. Em algum lugar de Kansas City, ela também sabia que o garoto estava enrubescido.
— Obrigado — disse ele. — Daqui uns dias eu ligo, prometo. Não deixe de fazer o que quer, entendeu?
E mais uma vez Sam desligou o telefone, deixando Quinn sem resposta.
O Chevrolet Nova 1962 herdado do avô desceu a rua onde localizava a mansão Fabray rapidamente. Quinn realmente esperava que a mãe não desse falta do antigo carro estacionado na garagem delas há anos. Simplesmente não queria ir ao Hell House à pé e pegar a Mercedes de Judy estava fora de cogitação. Chegar ao bar com aquele carro também seria questão de status e melhoraria a sua já grande moral com Jack.
Ao virar a esquina na rua de sua casa, no entanto, Quinn se deparou com uma figura pequena andando pela calçada furtivamente, como se fosse errado estar por aquelas redondezas àquela hora da noite. A garota riu e procurou logo encostar o carro perto do meio-fio, seguindo furtivamente a outra.
— Ei, Rachel. — Quinn passou a língua pelos lábios, do mesmo jeito que fazia quando via a garota na escola. A morena deu um pulo, arfando terrivelmente de susto. Quinn encostou-se na janela do carro e olhou para Rachel. — O que anda fazendo por essas regiões a essa hora da noite?
— Vim ver como você estava — a morena murmurou, desviando os olhos e parecendo vivamente interessada nas suas sandálias. — Não te encontrei depois na escola.
— Estava tirando um tempo com as Skanks.
O olhar de Quinn acidentalmente encontrou o de Rachel e ela mais uma vez se perdeu naqueles olhos cor de chocolate. Pigarreou, então, tentando se distrair, e colocou a cabeça para dentro do carro, sussurrando sensualmente:
— Estou ótima, como pode ver. — Quinn ligou o motor do Chevrolet. — Vou ao Hell House, tchau Rachel.
Quinn arrancou o carro e avançou lentamente ao virar a esquina. Ela riu sozinha da provocação que fazia. Rachel iria com ela, tinha certeza. A morena estava focada demais em fazer a promessa de Sam real, jamais deixaria Quinn prosseguir sozinha com o carro até o bar no fim da cidade.
— Quinn, espere! — gritou Rachel quando a garota punk ameaçou acelerar outra vez. Quinn riu mais alto. — Eu não vou deixar você ir àquele bar. É perigoso.
— Então, entre aí.
Rachel parou de chofre durante sua raivosa caminhada em direção ao Chevrolet de Quinn. Parecia considerar a idéia de acompanhá-la, e a garota deu um sorriso escárnio, passando novamente a língua pelos lábios.
Após cinco minutos de briga interna, Rachel deu a volta no Chevrolet Nova e entrou nele, emburrada. Quinn continuava sorrindo de forma ameaçadora. A morena parecia extremamente desconfortável no banco do passageiro quando Quinn finalmente avançou para o Hell House.
Voltar àquele local ainda dava a Rachel calafrios. O Hell House era uma espécie de santuário para Quinn, sentia como se estivesse invadindo-o. Ela não sabia direito o que estava pensando ao fugir do encontro romântico que Finn havia armado no Breadstix para matar a curiosidade do que Quinn estava fazendo.
Rachel temia pela fúria do namorado na manhã seguinte, porém nem isso a impediu de curtir a pequena viagem ao Hell House com Quinn, regada a rocks antigos, distribuídos pelos vários cassetes escondidos no porta-luvas do carro, e o resto do Johnny Walker que Quinn carregava na bolsa.
— Há quanto tempo não bebe Rachel? — Quinn perguntou, lançando um olhar de esguelha à morena.
— Perdi a conta — falou Rachel dando de ombros. — Depois daquela experiência com Blaine, resolvi deixar de lado.
Quinn riu e ofereceu a garrafa de uísque à garota.
— A regra do Hell House é chegar com um pouco de álcool no sangue. — Quinn estacionou em frente ao bar, encarando Rachel com um olhar divertido. — Vamos. Tome.
Rachel mordeu o lábio, franzindo a testa. Quinn era muito tentadora. Havia alguma coisa naqueles olhos e nos cabelos róseos que prendia Rachel. Algo que Finn não conseguia fazer a muito tempo. Pensando nisso, ela pegou a garrafa da mão de Quinn e brindou silenciosamente, tomando um bom gole do uísque.
— Uau, isso arde! — exclamou ela, sentindo o fogo da bebida descer por sua garganta violentamente.
Quinn riu, tirando seu precioso Johnny Walker das mãos de Rachel.
— Acostume-se — disse, abrindo a porta do Chevrolet. — No Hell House, há coisas bem piores.
Rachel desceu do carro, em notável pânico. Estava ali para proteger Quinn, não poderia dar às costas a ela e simplesmente ir embora. Tinha se arrependido do que fizera no verão e iria de compensar de qualquer maneira. Além disso, as possibilidades de que Quinn pudesse lhe beijar em um ambiente mais confortável eram muito maiores.
Arregalou os olhos para o próprio reflexo na janela do carro, chocada com o que acabara de passar por sua mente. Não. Estava com Finn. Seu primeiro amor. Seu primeiro beijo. A grande reviravolta de toda sua vida. Não poderia deixá-lo. Não agora.
— Ei — chamou Quinn atrás dela, observando-a pelo reflexo do vidro —, nós temos algumas vodkas para tomar, esqueceu?
Quinn virou Rachel para ela de supetão. O coração da morena acelerou e a respiração dela se perdeu. O rosto de Quinn estava mais uma vez tão próximo quanto naquele dia no auditório. No entanto, a garota, em vez de beijá-la, apenas sorriu desconcertada e tirou a touca que usava, colocando-a em Rachel.
— Vai precisar disso — falou, ajeitando a touca nos cabelos negros da garota. — Você e esse seu vestido não são muito bem vindos aqui. Chamativos demais.
Rachel queria dizer que Quinn também estava chamativa com aquela camisa de flanela enorme e os cabelos rosados, porém aquilo combinava com o Hell House. Era uma forma de se misturar ali, e ela sentiu-se mais por fora do que realmente estava.
— Beleza — agradeceu Rachel, sorrindo a Quinn. Ela pegou a garrafa de uísque da mão da garota e tomou outro gole. Dessa vez, a bebida não ardeu tanto. — Estou pronta para entrar oficialmente.
Rachel soltou um grito ensurdecedor. Quinn a encarou, espantada, enquanto ela tornava outro copo de uísque na boca. A morena começou a balançar a cabeça, dançando loucamente ao lado das Skanks. Mack suspirou, lançando um olhar de desprezo a ela.
— Vem Quinn, vamos dançar! — exclamou Rachel passando os braços pelo pescoço de Quinn, fazendo a garota se arrepiar dos pés à cabeça.
— Mas Rachel, não tem música — retrucou a outra, um tanto exasperada.
Somente um rock antigo tocava. Quinn não tinha certeza que banda era, mas definitivamente não era uma música para se dançar da forma que Rachel estava dançando. Metade do bar observava a morena como se ela fosse louca.
O relógio do celular de Quinn marcou uma e meia da manhã. Na primeira hora, ela conseguiu manter uma conversa com Rachel, já que a morena apenas falava alto e tentava seduzir qualquer bêbado que passava pela mesa delas. Depois da meia-noite, contudo, Rachel parecia ter levado a sério o fato de que precisava se soltar mais, começando a atacar as Skanks e a dançar estranhamente ao redor delas.
Quinn estava preocupada. Ela definitivamente bebera mais que a morena, porém sua sanidade com certeza estava melhor que a da outra. Como levaria Rachel para casa naquelas condições? Sam falara que era Quinn que precisava de cuidados, mas agora era Rachel que estava em apuros. Os papéis tinham se invertido e ela sequer percebera.
As mãos de Rachel passaram lentamente pelos cabelos de Quinn durante uma melodia lenta de uma canção dos Beatles. A garota gemeu inconscientemente, notando só segundos depois que as Skanks a encaravam com expressões risonhas no rosto. Pigarreou, se ajeitando na cadeira e tomando um gole da sua vodka.
— Talvez eu deva jogar água gelada nela — sussurrou corando.
— E deixe-a por lá, por favor — completou Mack com azedume.
Quinn sabia que o tom ingrato de Mack naquela noite era por causa dela. Justamente por que passara o verão inteiro dizendo que não queria nada, não significaria que, com o voltar das aulas, suas opiniões mudariam. Estava apaixonada por Rachel, deixara explícito algumas vezes. Mack também era conhecida por ser a garota mais promíscua do submundo existente em Lima, Quinn não deveria ser nada para ela.
Ela engoliu em seco e levantou-se, puxando Rachel para perto de si, empurrando-a grotescamente para longe da mesa das Skanks.
— Mas Quinn! — tentou argumentar Rachel, soluçando e rindo após. — Eu nem comecei a dançar!
— Ainda bem! — exclamou Quinn, com os braços em torno da cintura da morena, tentando ignorar ao máximo os arrepios involuntários que percorriam seu corpo.
— Quinn... — voltou a chamar Rachel, mexendo-se magicamente no aperto da garota e ficando de frente com ela.
A ex-Cheerio encarou aqueles olhos castanhos perigosamente perto e suspirou, misturando seu ar de vodka com o de uísque de Rachel. Alguém deu uma risada escandalosa e Quinn voltou à realidade, encontrando o olhar mortal de Mack em sua direção.
— Vamos, Rachel — disse Quinn, pigarreando e empurrando, com muito custo, a morena em direção ao banheiro do Hell House.
— Uau, nós estamos no banheiro — disse Rachel, rindo tolamente. Ela se agarrava à camisa de Quinn como se sua vida dependesse disso, a touca que ela pegara emprestada enviesada em sua cabeça.
— Bem observado, Rachel — retrucou a outra, dando um sorriso à bebedeira da companheira.
Com uma facilidade incrível, ela levantou Rachel e a colocou sentada na bancada da pia. A morena parecia achar tudo engraçado, ficando abraçada a Quinn com firmeza, quase não deixando jogar-lhe água fria que vinha de uma das pias horrivelmente sujas do Hell House. Após vários minutos sem sucesso, Quinn suspirou exasperada, se afastando de Rachel bruscamente.
— Quinn... — chiou Rachel, cruzando os braços contra o peito, parecendo uma criança que ganhara roupa no Natal.
— Caralho Rachel, por que tinha que ser tão fraca pra bebida? — perguntou Quinn retoricamente, andando em círculos, muito irritada. — Droga!
— Eu quero! — exclamou Rachel animada. — Quinn, eu quero drogas!
Quinn bufou, passando a mão pelos cabelos curtos. Em outra oportunidade, provavelmente riria daquela Rachel bêbada, dez vezes mais irritante que o normal. Porém, a morena estava por sua responsabilidade ali. Não poderia entregá-la naquele estado para Hiram e Leroy. Teria que arranjar uma forma de controlar os ânimos da garota, mas não conseguia pensar em nada que surtisse um efeito rápido.
— Fabray! — Rachel voltou a chamar, dessa vez mais insistente. — Cadê minha maconha?!
— Berry! — retrucou Quinn, avançando rapidamente para a morena, parando apenas quando seus rostos estavam bem próximos. O hálito bêbado da garota a deixou sem ar. — Porra! Fica quieta um instante! Preciso pensar numa forma de...
Quinn não terminou a frase, pois Rachel a puxou pela nuca e chapou-lhe um beijo na boca. O choque pelo que a morena acabara de fazer, contudo, não a deixou aproveitá-lo. Ela queria que o segundo beijo fosse tão romântico quanto o primeiro, não no banheiro imundo do Hell House e com uma delas bêbada.
— Uau, isso foi bom — elogiou Rachel ao soltar Quinn, rindo bobamente. — Muito bom.
Ela se inclinou para beijar Quinn novamente, que dessa vez não hesitou e correspondeu. Rachel era viciante, Quinn não poderia simplesmente deixá-la curti-lo sozinha. Ela não poderia se perder de novo da dúvida. Rachel era o que mais queria; nada mais importava.
A porta se abriu num estrondo, trazendo Quinn de volta à realidade com o barulho vindo do lado de fora. Ela se desgrudou de Rachel velozmente, que continuou fazendo bico e esperando mais um beijo, e fingiu lavar as mãos na pia. Nunca pensara que ficaria aterrorizada em ser pega beijando alguém.
— Caramba Fabray, pegando o hobbit?
Quinn virou-se como um trovão em direção à porta para descobrir quem lhe dirigia a palavra, corando até as orelhas. Ao ver que era apenas Sheila, seu coração voltou a bater normalmente.
— Mack não vai gostar nada disso — comentou a Skank, rindo.
— Mack?
Rachel, que antes brincava com as mechas de seu cabelo distraidamente, levantou os olhos. Quinn respirou fundo, esperando pela explosão da garota.
— Aquela Mack? A líder de vocês? O que você quer dizer com “ela não vai gostar”?
Quinn estava definitivamente começando a ficar apavorada. Sheila riu e entrou em um dos boxes sem responder, o que aumentou ainda mais a tensão no local. Quinn sabia que Rachel a encarava, pedindo uma explicação, porém não teve coragem suficiente para devolver o olhar.
Quando Sheila saiu do box com um sorriso zombeteiro no rosto, Quinn pedia silenciosamente para que ela não falasse nada sobre as várias noites durante o verão em que ela e Mack se pegaram naquele mesmo banheiro. A Skank riu alto com a súplica de Quinn.
— Tem sorte que eu gosto de você, Fabray — disse Sheila. Quinn soltou todo o ar dos pulmões, aliviada. — Melhor levá-la para casa. E pela porta dos fundos.
Quinn agradeceu com a cabeça enquanto Sheila lhe virava as costas e saía do banheiro. Agora, pensou um tanto medrosa, teria apenas Rachel para enfrentar. Lentamente, voltou sua atenção à garota, engolindo em seco ao vê-la emburrada.
— Quinn Fabray — ela disse, levantando a sobrancelha de modo questionador —, o que você fez?
— Nada Rachel — respondeu Quinn, puxando a morena para que ela saísse de cima da bancada, praticamente carregando-a no colo. — Vamos embora.
— Quinn... — chamou Rachel, deitada no banco de trás do Chevrolet.
— O que, Rachel? — retrucou a outra, um tanto irritada.
Rachel se esforçou para se levantar com o carro em movimento. A touca de Quinn girava entre seus dedos, os cabelos negros bagunçados. Ela encostou-se ao ombro da garota que dirigia, provavelmente pensando que não atrapalharia em nada o senso de atenção dela.
— Muda de rádio — pediu ela numa voz suave, fazendo o coração de Quinn derreter-se todo. Ela não teve outra saída senão trocar a estação.
Uma música antiga tocava. Quinn se recordava de tê-la ouvido alguma vez na infância, por isso aumentou um pouco mais o som. Logo, reconheceu a voz de Freddy Mercury. O sorriso aumentou. Adorava Queen. Se havia uma coisa que tinha aprendido com Mr. Schue era ouvir o quarteto. Ela começou a prestar atenção na letra enquanto Rachel caía no banco de trás, dormindo profundamente.
I was born to love you
With every single beat of my heart
Yes; I was born to take care of you
Every single day of my life
You are the one for me
I am the man for you
You were made for me
You're my ecstasy
If I was given every opportunity
I'd kill for your love
A verdade da música pareceu socar seu rosto. Tantos anos fingindo odiar Rachel Berry para que a simples ida de seu melhor amigo a fizesse perceber que na verdade a amava. Quinn Fabray havia nascido para amar e proteger Rachel Berry acima de qualquer circunstância. Freddy Mercury era mesmo um gênio, pensou.
So take a chance with me
Let me romance with you
I'm caught in a dream
And my dreams come true
It’s so hard to believe
This is happening to me
An amazing feelin' comin' through
I was born to love you
With every single beat of my heart
Yes; I was born to take care of you, honey
Every single day of my life
Seus lábios se contraíram e ela foi obrigada a parar o Chevrolet para que as lágrimas não atrapalhassem a dirigir. Rachel continuava a dormir pacificamente, o que fez Quinn se desesperar ainda mais.
I wanna love you
I love every little thing about you
I wanna love you, love you, love you
Rachel nunca saberia disso. Jamais perceberia o quanto a amava, o quanto fizera por ela, o quanto se arrependia das coisas que não tinha feito. Sempre veria Quinn como um inimigo silencioso, uma promessa a ser cumprida.
(Born) To love you
(Born) To love you
Yes, I was born to love you
(Born) To love you
(Born) To love you
Every single day, day, day, day, day, day
Day of my life
An amazing feelin' comin' through
I was born to love you
With every single beat of my heart
Yes, I was born to take care of you
Every single day of my life
— Maldita Rachel Berry! — exclamou, tentando controlar a raiva socando o volante do carro. Rachel soltou um muxoxo e remexeu-se no banco. — Por que eu tinha que nascer para te amar?!
Yes, I was born to love you
Every single day... of my life
Go, I love you babe
(Born to love you)
Yes, I was born to love you, hey
I wanna love you, love you, love you
I wanna love you, hey yeah
Its magic (What's?)
I get so lonely, lonely, lonely, lonely, yeah
I wanna love you
It's magic
Love you, love you
Yeah, give it to me
Quinn ofegava. As lágrimas saíam descontroladamente, embaçando sua visão. Quando o locutor da rádio anunciou que faltavam dez minutos para as cinco da manhã, Quinn saiu de seu transe e ligou o carro novamente.
Rachel não acordara durante um minuto da canção, e Quinn quase desejou que continuasse dessa forma. Mesmo bêbada Rachel ainda era irritante e ainda fazia milhões de perguntas. Sua máscara de garota forte e inquebrável iria por água abaixo se fosse pega chorando. Suspirando, ela acelerou o Chevrolet Nova e partiu para casa.
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