The Only One
5 Capítulo 4
Chegou ensopada vestindo as mesmas roupas rasgadas do dia anterior. Escalou a sacada de seu quarto, não estava com humor para perguntas e olhares de repreensão.
Encontrou o quarto vazio, foi logo em direção ao chuveiro. Demorou um longo tempo deixando a água quente escorrer-lhe sobre a pele, mas então sentiu o cheiro de seu marido.
Edward estava parado na soleira da porta do banheiro olhando fixamente para Bella. Seus olhares ficaram presos por algum tempo, mas logo ela desligou o registro e pegou a toalha em cima do Box enrolando-se.
Passou pelo marido sem olhá-lo e seguiu em direção ao closet. Jogou um vestido qualquer sobre o corpo, amassou os cabelos com a toalha retirando o excesso de água. Ao voltar para o quarto Edward estava sentado na cama deles, a mesma da lua de mel.
Então Bella vacilou. Sabia que Edward tinha errado, mas ele não merecia que ela o fizesse sofrer. É claro que ela não pediria desculpas, mas o faria ver que errara.
- Você não estava com Nessie. – ele afirmou com a cabeça ainda baixa.
- Fui conhecer a região. Algumas ilhas ainda são inexploradas – falou simplesmente, mas com a voz mais tranqüila.
- Bella... O que houve ontem... – Edward tropeçava nas palavras, coisa rara de acontecer.
Bella aproximou-se alguns passos do marido e ele se levantou colocando-se a frente dela.
- Tem coisas que eu gosto de fazer Edward. E descobri que lutar com os garotos é uma delas. Eu extravaso a energia acumulada, eu me divirto provocando Emm... – ela suspirou – Não vou deixar de fazê-las por causa desse seu instinto protetor excessivo em relação a mim. – ela foi firme.
- Perdoe-me meu amor. Não queria magoá-la, eu apenas me preocupo com você. É algo mais forte do que eu... – Edward tentava se desculpar com a esposa.
- Não preciso mais que se preocupe comigo Edward. Não sou mais frágil e quebrável. Sou mais forte que você... E preciso de algo que me distraia. – Bella jogou as mãos ao lado do corpo e encarou o marido com um olhar doce. – Eu realmente gosto de lutar, mesmo que seja apenas em treinamento... É algo divertido! Preferia fazer com você... – mentiu – Mas você não quer...
Com o tempo ela aprendera também a manipular o marido, sabia como dobrá-lo, e se perguntava quantas e quantas vezes Edward usará dessa ferramenta de persuasão com ela quando ainda era uma humana estúpida.
- Emmett não tem controle Bella, ele poderia ter te machucado... – ele tentava argumentar enquanto ela acariciava-lhe os cabelos e a nuca.
- Você sabe muito bem que eu não me machuco facilmente e também descobri que sou tão forte quanto Emm, ele levou uns bons chutes – Bella falou mordendo-lhe o lábio inferior, sabia que era só uma questão de tempo até o marido baixar a guarda.
– Nós vamos caçar no continente. Você vem? – Edward falou distribuindo beijos pelo pescoço de Bella.
- Não. Estou satisfeita ainda – Edward a empurrou até a porta da sacada fazendo barulho – Ssshh, estamos em uma casa cheia de vampiros, lembra? – Bella sorriu.
- Precisamos viajar. Visitar uma parte do mundo inexplorada, uma viagem a dois. – Edward falou a abraçando.
- Vemos isso outra hora. – Bella falou rolando os olhos. Era sempre assim, eles discutiam e o marido propunha uma viagem ou lhe dava um presente caro e raro. – Agora você precisa caçar com os outros – falou encerrando o beijo.
- Tem certeza que não quer vir... Você só caçou quando chegamos aqui e isso faz quase um mês. – Edward acariciava seu rosto e ela se odiava por não conseguir mais corresponder a todo aquele sentimento que ele ainda tinha por ela.
- Estou bem. De verdade, a última caçada foi mais que suficiente. Posso ficar mais alguns dias sem sentir sede – tratou de tranqüilizá-lo e numa tentativa inútil de resgatar aquele sentimento de tempos atrás, Bella beijou o marido com avidez.
Sentiu-o apertar as mãos em sua cintura quando ela sugou-lhe o lábio inferior. Empurrou seu corpo contra a varanda do quarto deles, mas parou ao ouvir o ranger da madeira.
- Acho melhor você ir... Se não teremos mais uma sacada para concertar – Bella falou mordendo o lábio.
- Mais uma sacada quebrada e Esme ficará seriamente irritada... Já bastam Emmett e Rosalie – Edward falou dando o típico sorriso de lado.
O casal saiu abraçado até o píer, onde já estavam os outros. Bella despediu-se de todos e assistiu a lancha perder-se na imensidão do mar.
Sentou-se no assoalho de madeira e ali permaneceu observando a paisagem quase em estado de hibernação. Nuvens grossas encobriam o céu, Alice previra que toda a semana seria assim, sem sol. Uma ironia quando se trata de Brasil, mesmo assim sentiu-se aliviada por o tempo colaborar e permitir que ela pudesse caminhar pela linda ilha durante o dia.
Em um movimento desnecessário encheu os pulmões de ar procurando absorver toda a atmosfera que a cercava, todos os cheiros... Só havia natureza ali. Nessie estava em uma ilha há alguns quilômetros de barco, mas não iria incomodar sua filha que estava em lua de mel.
Aos poucos foi desligando a parte racional e procurou esvaziar a mente...
Adquiriu essa habilidade com o tempo, limpava sua mente e permanecia em silêncio. Poderia ficar dias assim. Quem olhasse de longe poderia achar que a vampira, na verdade, era uma escultura de mármore.
As horas passaram e ela só foi despertar quando a luz do dia já não existia mais. Em momentos assim ela acreditava que podia dormir, mas é claro que não, ela não tinha sonhos...
Sacudiu a cabeça sorrindo, suas teorias eram sempre estúpidas... Puxou o ar mais uma vez e apurou os sentidos, não havia nenhum sinal de vida humana por perto.
Retirou o vestido e decidiu nadar. Lançou-se ao mar em um salto que causaria inveja aos grandes atletas. Sem direção ela nadou, à medida que avançava percebia que todos os animais sumiam, era o instinto deles... Não que ela quisesse provar sangue de peixe... urgh.
Depois de um mergulho profundo e longo, Bella emergiu sorrindo parecendo criança quando ganha uma aposta de apnéia. Foi aí que tudo saiu do lugar... Bella sentiu o cheiro doce e irresistível chegar-lhe as narinas, o veneno escorreu em sua boca e a garganta queimou... Sangue humano.
Instintivamente ela nadou em direção ao cheiro. Foi quando todos os seus sentidos pareciam mais aguçados, ouviu o som de dois corações acelerados, respirações ofegantes e o cheiro de luxuria misturado ao de sangue.
Não conseguiu se controlar, quando se deu conta já estava ao lado do barco ancorado em alto mar no meio do nada.
Um pequeno insight pareceu querer freá-la... Lembrou-se dos Cullen, de sua filha... Mas o instinto predatório falou mais alto, ela sabia exatamente o que fazer, mesmo sem nunca ter caçado humanos ela sabia a atração que exercia sobre aquelas criaturas frágeis e ingênuas.
Inspirou novamente, encheu seus pulmões com o cheiro irresistível que vinha de dentro do barco... Percebeu que os batimentos do casal tinham aumentado, Bella sorriu quase conseguindo visualizar o que eles faziam e sua sede falou mais alto...
Repousou o corpo sobre a água para que boiasse, e levemente bateu no barco provocando um barulho... Ouviu quando os dois humanos se aproximaram da beirada do barco, permaneceu imóvel.
- Oh meu Deus... Tem uma mulher na água – ouviu a voz masculina dizer.
- Ela está morta... Oh Deus, vamos pedir ajuda... Ela esta branca, deve estar há horas na água... Meu Deus... – a voz descontrolada da mulher chegava a doer os ouvidos de Bella.
Bella abriu os olhos lentamente, fingiu assustar-se e afundou. Logo o homem pulou na água e a tomou nos braços levando-a até o barco. Por um momento ela sentiu-se quente, o rapaz era moreno, tinha braços fortes... Seus devaneios sumiram quando ela ouviu a voz dele, totalmente diferente...
- Moça... Moça, você está bem? – ele olhava arregalado para ela enquanto sua companheira estava sentada ali próxima, também a olhando assustada.
- Eu estava nadando e me perdi do meu barco... Tive câimbras, só consegui boiar... Por favor, me ajudem – a vampira fingiu e nem sabia como fizera aquilo tão bem.
- Ssssh, acalme-se, nós vamos levá-la até o continente – o rapaz falava acariciando-lhe os cabelos enquanto ela agarrava-se a ele enterrando o rosto na curvatura de seu pescoço.
Roçou o nariz ali sentindo melhor o cheiro, a temperatura e até ouvindo o correr do sangue pelas veias. Bella sentiu o veneno escorrer em sua boca, mas sem saber como, conseguiu contê-lo.
Percebeu o humano se arrepiar quando ela beijou-lhe o pescoço, seu peito subia a descia rapidamente e logo depois um gemido foi ouvido atrás dela... A mulher estava há poucos metros deles, assistindo a tudo enrolada em um roupão... Olhando em seus olhos Bella fez um chamado mental que a desconhecida atendeu.
Bella sorriu de satisfação quando se viu entre o casal, ambos se oferecendo a ela, mordeu os lábios e decidiu brincar um pouco antes...
Ajoelhou-se frente à mulher e afastou-lhe o roupão expondo a jugular, passou o dedo sobre o contorno da linha azul exposta... Sorriu de satisfação ao ouvir os batimentos cardíacos da bela morena acelerar.
Empregou um pouco de força com os dedos e viu suas unhas perfurarem a pele bronzeada... Uma linha escarlate escorreu, fazendo tudo a sua volta ganhar cor... Um frenesi tomou conta do corpo da vampira e ela podia jurar que o som dos corações batendo incluía o seu.
Aproximou seus lábios do pescoço da mulher e sorveu o líquido... Aquilo era maravilhoso, muito melhor do que podia imaginar, seu corpo gélido parecia ganhar vida...
Esperou pelos gritos de dor e horror dos humanos, mas não vieram... Estava tão concentrada que não percebera que o homem a tocava e a mulher a sua frente gemia de prazer. Como seria possível isso?
Por alguns segundos lembrou o fogo queimando-lhe as entranhas com a mordida de James e depois com a transformação. Mas aquela cena da qual ela participava agora era excitante, erótica e prazerosa aos três.
Aos poucos sentiu sua ânsia aumentar e precisou cravar os dentes no pescoço de sua presa. Novamente esperou pelo grito de dor, mas o que ouviu foi um gemido alto, então, ela sugou-lhe o líquido vital até sentir os batimentos da garota cessaram. O corpo da mulher esmoreceu e caiu sobre o assoalho do barco, branco e sem vida.
Por alguns instantes, Bella olhou aquela cena e permaneceu imóvel. O que ela estava fazendo?
Interrompendo seu momento de reflexão, sentiu mãos rodearem a sua cintura e uma respiração quente em sua nuca. Lambeu os lábios saboreando o resto de sangue da garota, era doce, quente, limpo...
Deixou seu corpo ser virado pelo homem, mas antes que ele viesse por cima dela, ela o empurrou contra o chão. Sem aviso ela perfurou sua jugular e sugou.
Ele gemia de prazer, provavelmente também pelos movimentos que a vampira fazia sobre seu corpo seminu. Bella continuou, até sentir o coração do garoto parar de bater.
Lentamente a vampira levantou-se e por instantes olhou ao seu redor. Dois corpos sem vida a rodeavam. Teria se sentido culpada, se não fosse a sensação maravilhosa que parecia dar vida e calor ao seu corpo gélido.
Seguiu até a janela da cabine do barco onde podia ver seu reflexo. Passou os dedos sobre o pouco de sangue que ainda tinha ali. Sua pele ainda era branca, mas parecia ter ganhado um tom mais vivo, seus olhos nunca foram dourados e agora pareciam ter um tom acinzentado. Aparentemente nada mudara apenas a sensação quente que agora percorria seu corpo.
Voltou sua atenção aos dois cadáveres, precisava se livrar deles.
Entrou na cabine e levou a lancha o mais longe possível da costa. Desligou os motores, procurou por algo que pudesse prender os dois corpos e encontrou uma corda no canto do barco. Amarrou em volta dos corpos e mergulhou com eles.
Chegou até a hélice do motor e ali os prendeu. Usando sua força sobre-humana fez alguns furos no casco e esperou até que a lancha afundasse totalmente.
Por alguns instantes viu-se como uma assassina, escondendo os vestígios de seu crime. A culpa pareceu dominar-lhe por alguns instantes e a consciência voltou. O que ela acabara de fazer?
Nadou ao redor de si mesma confusa. Alice a essa altura já teria visto o que ela fez. Os Cullens poderiam até perdoar seu passo em falso, o próprio Edward já se alimentara de sangue humano uma vez, e mesmo assim, Carlisle e Esme o aceitaram de volta quando ele se arrependeu. Mas o problema é Bella não estava arrependida, estava mais preocupada com a reação deles. O que faria? Fugir parecia o certo a fazer.
Então, uma onda quente tocou-lhe a pele. E ela pareceu se acalmar e vir todas as respostas a sua frente. Ela voltaria e agiria como se nada tivesse acontecido. Naquela noite ela agira por instinto, e é assim que a natureza deveria ser. Ela sentia sede, então caçava e tomava para si o que queria. Ninguém poderia impedir.
Com uma estranha sensação de tranqüilidade, foi o que ela fez. A partir daquele momento ela nunca mais seria a mesma.
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