The Only One

41 Capítulo 39


... – Eu os matei!

Três simples palavras ganharam eco após o súbito silencio que se formou assim que foram pronunciadas.

Jacob e Seth prenderam suas respirações por um breve momento. Os dois mantinham os olhos nas expressões dos membros do conselho. Olhos esbugalhados, dentes rangendo, mãos cerradas em punho...

O alfa praguejou mentalmente: “Porque Bella tinha que ter aberto a boca?”

A vampira manteve a expressão vazia, o olhar opaco perdido vagando pela floresta à sua frente. Provavelmente esperando...

Esperando que a nova alcatéia surgisse por entre as árvores e executasse a sentença diante de sua confissão. Mas nada foi dito, então ela continuou.

- O incidente no porto chamou a atenção demais da imprensa, era só uma questão de tempo até os Volturi resolverem descartar Simon. Esse serviço certamente seria feito pelo próprio Aro, o líder. Ele precisaria saber de todos os detalhes dos negócios com Simon. Aí sim, ele teria que tocá-lo, e então saberia de tudo.

- Você causou o acidente? – Leah foi a única a falar.

- Não exatamente. O acidente foi forjado para que a morte dos dois parecesse natural, tanto para os humanos quanto para os vampiros. Simon e Lisa morreram antes do acidente e depois de eu tê-los interrogado e confirmado todas as minhas suspeitas. Um casal de vampiros nômades os matou sob o meu comando.

- E você certamente deixou seus amigos irem também! – Quil mais rosnou do que falou.

- Não! O casal de nômades está morto. Assim como outros dois vampiros que os acompanhavam sem que eu soubesse. Seth e Jacob podem confirmar isso.

- Então você se tornou líder de um novo clã, Isabella? – Sam parecia mais satisfeito do que incomodado com a confissão de Bella.

- Não. Eu não tenho um clã, nem pretendo ter um.

- Então como explica o que acabou de dizer? Dois vampiros mataram Simon e Lisa sob o seu comando. – o líder do conselho continuou pressionando.

- Meu escudo assume uma função ofensiva se eu quiser. Ele se molda aos pensamentos e as vontades de quem eu desejar, com isso posso controlá-los. Posso excluir memórias, criar novas, dar ordens... – não tinha mais necessidade de mentir, então continuou – Foi assim que pude fazer com que Jane e seu parceiro voltassem para Volterra e não se lembrassem de mim. Foi assim que Maria me contou parte dos planos de Simon e eu fiz com que ela se esquecesse de tudo e fosse para o sul. Foi assim que o próprio Simon me contou tudo em detalhes, e foi assim que Lisa confessou ser tão culpada quanto o pai.

- Então você pode estar nos manipulando nesse exato momento! – Paul rosnou.

- Se eu tivesse a intenção de manipulá-los, sequer teria vindo aqui. Não precisaria me expor, nem expor cada um de vocês a minha presença. Além do mais, meu dom funciona melhor assim que eu me alimento.

A mera menção ao assunto alimento fez Jacob e Seth retesarem os ombros, mentalmente eles imploravam para que Bella parasse com sua enxurrada de confissões. Mais poucas palavras e tudo sairia totalmente do controle.

A vampira pareceu partilhar do mesmo pensamento dos lobos, no entanto, esperava por mais um questionamento de Sam. O líder do conselho parecia empenhado em fazer Bella revelar a sua face assassina a todos.

E a pergunta: “E do que você se alimenta?” pairou sobre todos, mas não foi dita. Então, a vampira percebeu que não deveria respondê-la.

Todos se entreolharam, mas poucos se sentiam confortáveis para comentar algo. Paul era o mais nervoso entre os presentes, aquilo não era nenhuma novidade. Ele se preparava para mais uma rodada de gritos e agressões verbais contra Bella, mas foi interrompido por Leah.

A loba não estava feliz em topar com Bella depois de décadas, ela também era impulsiva, intempestiva, mas possuía um senso de justiça e proteção invejável.

- Por favor... – seu tom de voz era baixo e sombrio – Diga-me que eles tiveram uma morte lenta e dolorosa? – a morena encarava Bella com os olhos estreitos.

No primeiro momento a vampira se surpreendeu com a pergunta. Mas assim que analisou melhor a postura e o olhar de Leah soube que ali, entre todos, a loba era a única que a compreendia.

Apesar de todos terem descendentes, Leah e Bella eram as únicas mães. As duas finalmente tinham algo em comum, algum tipo de laço que apenas duas progenitoras poderiam entender.

Não conseguindo conter sua satisfação, a vampira balançou a cabeça afirmativamente, ao mesmo tempo em que o sorriso de contentamento de Leah de ampliava e refletia o da própria Bella.

- Eu não acredito que você pode concordar e ficar feliz com isso, Leah! – Quil a recriminou.

- Só Deus sabe o quanto sinto por esses dois infelizes serem parentes da Kim. Jared... Eu realmente lamento, mas por vocês. Não pela morte daqueles vermes! – a loba voltou a encarar Bella e depois os demais – Se ela não tivesse feito, eu mesma me encarregaria do serviço. Nunca quis essa droga de transformação para mim, não consigo suportar a idéia de ver o meu filho lidar com tudo isso também.

- Acha mesmo que o seu filho está salvo agora sua estúpida? Se não percebeu, você mesma está defendendo uma parasita nojenta. – Paul gritou a plenos pulmões – Não tente colocar a máscara de supermãe agora para justificar a sua vontade de mudar de lado!

A paciência da loba acabou. Em um piscar de olhos ela lançou-se sobre o seu antigo companheiro de alcatéia. Embry tentou pegá-la, assim como Seth e Jacob, mas foi Bella quem chegou a tempo de se colocar entre o punho de Leah e rosto Paul.

O som pareceu o de rocha se partindo. A vampira tirou o antigo lobo do caminho e recebeu o golpe. Após o soco, o silencio tomou conta da clareira.

Todos assistiram Bella dar vários passos para trás, quase alcançando a outra extremidade do circulo de pessoas. Mas ela não caiu, apoiou uma das mãos no chão e voltou a sua postura ereta.

Passou a mão pelo rosto, onde o punho de Leah a acertara em cheiro. Não pôde deixar de sorrir, em outras ocasiões, há anos atrás, teria adorado um ataque daquele direcionado a ela mesma. Adoraria medir suas forças com a loba.

Mas agora os tempos eram outros, assim como as circunstancias. No entanto, um afundamento no rosto era sempre um saco.

- Auch! – Bella abriu e fechou a boca – Continua em forma, loba! Esse negócio vai levar um tempinho pra curar.

Todos encaravam a vampira, alguns encantados, outros assustados ao ver o veneno percorrer as fissuras criadas pelo punho de Leah. O liquido corria por onde, muitos anos antes Bella tivera veias e aos poucos fazia com que a “carcaça marmórea” da vampira voltasse ao normal.

- Eu poderia ter arrancado a sua cabeça! – a loba falou exasperada.

- Ainda seria melhor do que ter arrancado a cabeça de um antigo irmão de alcateia, não acha? – Bella apontou para Paul que recebia o apoio de Sam e Jared para se levantar.

- Perdeu o juízo, Leah? – Sam a fuzilou com os olhos.

- Foi Paul quem perdeu o juízo, como sempre! – Embry defendeu a mulher – É melhor pensar muito bem antes de dizer qualquer coisa, Paul! Ninguém fala desse jeito com a minha mulher!

- Chega! – Jacob usou o tom de alfa, que ainda afetava seu antigo bando.

Todos se calaram, Seth foi o único que se moveu, seguindo em direção à Bella para oferecer ajuda.

- Estou ótima! – ela deu um sorriso fraco para seu amigo.

Jacob a encarava apreensivo do outro lado do circulo.

- Me desculpe Bella, mas acho que esse negócio aí não parece muito bem! – Seth franziu o cenho enquanto a encarava.

- Mas vai ficar, logo, logo. Só mais algum tempinho. – a vampira sabia que levaria um pouco mais que um tempinho. Fazia dias que não se alimentava!

- Não convoquei essa reunião para criar mais confusão. O motivo era esclarecer como as transformações aconteceram. E isso já foi feito. Não permitirei qualquer tipo de agressão ou ameaça, partindo de quem for! – Jacob falou alto encarando cada um dos presentes.

- E como você espera que a gente engula a presença dela aqui? – Paul já de pé retrucou apontando o dedo indicador na direção de Bella.

- Foi à presença dela que fez com que a sua cabeça ainda permaneça sobre seu pescoço, idiota! – Leah cuspiu as palavras.

- Eu disse chega! – Jacob elevou a voz um tom há mais.

- Eu voltei à Forks apenas com a intenção de ajudar a explicar tudo o que envolvia as novas transformações. Não vim aqui para iniciar uma nova guerra, Paul. – de volta ao seu lugar, Bella mais uma vez tentou explicar ao lobo as suas intenções.

- Até onde eu entendi essa guerra já começou! – Quil falou em um tom sombrio.

- Vocês não ouviram nada do que os três falaram?! – Leah esbravejou mais uma vez – Simon queria uma guerra, ou melhor, ele queria proteger o próprio rabo imundo. Por isso expôs os nossos garotos a presença de uma sanguessuga durante anos. A guerra certamente aconteceria se ele ainda estivesse vivo, porque cedo ou tarde o infeliz faria os olhos dos italianos recaírem sobre Seattle e mais tarde Forks e La Push.

- Eu digo foda-se! – Brady jogou as mãos para o alto – Se os italianos ainda não sabem sobre nós, esse é o nosso trunfo. Pegamos eles de surpresa!

E o pandemônio teve inicio. Ânimos exaltados, gritos, socos no ar, dedos na cara...

Bella assistia a tudo ao lado de Seth. Seu rosto estava quase curado, mas sua paciência estava por um fio. Não esperava que as coisas fossem fáceis, mas esperava um pouco mais de sensatez e inteligência dos conselheiros.

Respirou fundo e encarou Seth a sua esquerda e depois Jacob ao lado dele. O alfa parecia exausto, era visível sua irritação.

A vampira fazia um esforço enorme para se manter no mesmo lugar e não correr até o lobo e tirá-lo dali. Vê-lo naquele estado a deixava a beira de um ataque de nervos.

- Não sejam estúpidos! – sem conseguir se conter, Bella acabou xingando a todos – Acham mesmo que uma alcatéia recém formada por garotos vai dar conta de um exercito de vampiros experientes e talentosos?! Por favor... Querem condenar todos à morte?!

- Está nos insultando, sanguessuga? – Brady esbravejou.

- Aro não teme nada, a não ser a própria espécie. Humanos são gado, transmorfos ou lobisomens podem se tornar peças de coleção.

- Somos guerreiros, protetores da vida humana! – Paul gritou de volta.

- E prestes a sacrificarem seus descendentes e talvez toda a linhagem dos lobos, a troco de quê? Han? – a vampira retrucou, conseguindo assim diminuir a discussão – Os Volturi estão muito bem acomodados em seu trono vampírico na Itália. E isso é mais do que suficiente para manter todo o mundo humano ou sobrenatural em equilíbrio.

- Não haverá equilíbrio enquanto vocês, parasitas caminharem sobre a terra. – Paul cuspiu as palavras.

- Olá, gênio! E como pretende exterminar TODOS os vampiros da face da terra, han? – Leah provocou.

- Escutem... Eu não faço a menor ideia se os Volturi são realmente os primeiros vampiros da terra, eu não faço idéia de como, ou por que os vampiros apareceram sobre a face da terra. O que eu sei é que quem os mantém sobre controle são Aro e Cia. Ele não faz a menor questão de governar o mundo, escravizar humanos e submetê-los a sua vontade. Aro só se importa com poder. Ele sabe que está acima de qualquer ser do planeta, apenas outro clã de vampiros seria capaz de destroná-lo. Outro clã com mais talentos. Por isso a fixação dele em identificar e transformar humanos com habilidades extras.

- Então você acha isso perfeitamente normal? Que os italianos continuem caçando pessoas pelo mundo? – Sam questionou com um tom ácido.

- Sam... Humanos caçam humanos pelo mundo. Para usá-los como escravos, para vender seus órgãos no mercado negro... E o que você pode fazer a respeito disso? Em décadas de vida, você ainda não se deu conta de que o mundo não é justo? De que não são somente os vampiros os monstros que caminham sobre a terra?

Por aquilo ninguém esperava, o falatório diminuiu e todos se encararam.

- Poderia ficar dias aqui argumentando... Vocês sempre encontrariam uma forma de retrucar, e nunca chegaríamos a um consenso. Mas o fato é que: não há motivo algum fará iniciar uma guerra. Aro só quer se manter no poder do mundo dos vampiros. Só isso. Agora, se vocês realmente acham que partir para a Itália pretendendo atacar os Volturi e livrar o mundo dos sanguessugas, imundos, vermes parasitas, que desequilibram a ordem natural das coisas, é a grande missão dos seus descendentes, vão em frente.

A vampira caprichou no sarcasmo, estava exausta, de saco cheio daquela discussão inútil.

- Mas eu só espero que estejam preparados, por que SE os Volturi caírem, aí sim, vocês terão que enfrentar a verdadeira guerra... Já que todos os vampiros do mundo se levantarão para reivindicar o poder. Ou o pior, a maioria deles cairá sobre os humanos, sem medo de represália... Será uma carnificina! – a vampira terminou encarando cada um dos membros do conselho – Não vou mais submeter vocês a minha presença. Tudo o que eu tinha para dizer já foi dito.

Antes de sair, Bella encarou Leah e Embry que estavam há alguns passos a sua direita, depois virou-se para Seth se despedindo com um breve aceno de cabeça seguido de um sorriso fraco. Mesmo hesitante, ela olhou além, Jacob parado com os braços cruzados sobre o peito. O lobo sabia que Bella o observava, assim como os demais naquele circulo... Ele não devolveu o olhar, continuou com os olhos focados na floresta a sua frente, mas soube exatamente quando ela se foi.

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Bella retornou a casa já de madrugada. Seth tinha saído para a ronda e Amanda ressonava tranqüila no andar de cima.

Forks estava silenciosa. Dirigiu-se até o banheiro, precisava tentar se livrar daquele cheiro... Não conseguia mais se alimentar de animais. Era fato. O cheiro do alce em sua roupa, em seu corpo fazia com que ela lembrasse o gosto da textura do sangue do animal, mesmo não parecendo possível, sentia náuseas com isso.

Abriu apenas o registro da água quente, e se não fosse vampira ganharia queimaduras de 2º e 3º graus. Em poucos segundos o banheiro tornou-se uma sauna, pegou o vidro de xampu, despejou uma boa quantidade na palma da mão e passou a esfregar os cabelos com força, assim que a espuma se formava e escorria pela pele, ela passou a esfregar também o corpo. Aos poucos Bella sentiu qualquer resquício do cheiro do animal evaporar com a água e sair pela pequena janela.

Fechou o registro, apenas se enfiou no roupão e saiu porta afora ainda envolta em uma fumaça que cheirava ao seu antigo e companheiro xampu de morangos. Parecia anestesiada, até passar pela porta do quarto de Amanda que estava entreaberta.

Uma rajada de vento pôde ser ouvida na rua e passou pela fresta da porta. A janela do quarto estava aberta e junto veio o cheiro inconfundível dos da sua espécie.

Sua reação foi instantânea, numa fração de segundo Bella estava dentro do quarto de Amanda segurando o “invasor” pelo pescoço. Não conseguiu ver o rosto, antes que pudesse imobilizá-lo foi jogada contra a parede.

O barulho fez a humana dar um salto da cama e gritar de susto. Seus olhos não conseguiam focar nada. Amanda só viu duas sombras voarem através na janela em direção a rua.

Bella aproveitou o breve momento de distração que sua amiga causara ao vampiro para arremessá-lo pela janela preso em seu aperto de aço.

No chão, finalmente imobilizado com os braços presos sob as pernas de Bella, o intruso não teria escapatória.

A vampira segurou a cabeça entre as mãos pronta apenas para ver quem era e poder decapitá-lo. Mas, assim que viu o rosto de seu visitante, todos os seus movimentos congelaram.

– Você? – foi a única palavra que saiu da boca de Bella...

Notas finais
N/A: Antes tarde do que nunca meu povo!
Mesmo a prestação o cap saiu!
Beijos aos que se mantem firmes e fortes por aki! kkkkk
Ritinha
N/B: Que tal uns comentários para incentivar as autora a escrever logo... Mas tipo um logo, bem logo! Pq se eu não souber quem é esse vamp agora vou ter uma sincope kkkkkkkkkkkkkk. Vamos lá galera, incentivo é a alma do negocio kkkkkkkk
Bjks, Katy Clearwate