The Only One

35 Capítulo 34


As coisas não iam bem para Bella.

Jacob não tinha dado noticias, e ela achou por bem não pressioná-lo. Amanda tinha voltado para Califórnia para resolver alguns assuntos. A loira voltaria a morar em Seattle, ia se dedicar inteiramente ao seu novo empreendimento, a boate, e é claro a Seth.

Se ainda fosse humana sua cabeça estaria latejando, a mente de Bella trabalhava sem parar desde a madrugada em que Jacob saiu do apartamento em direção a La Push.

Jovens lobos... E pelo jeito não era apenas um. Aqueles uivos... Eram distintos, ela pôde observar. Depois daquela noite, voltou algumas vezes ao apartamento de Jacob esperando encontrá-lo por lá, mas nada também.

Durante as duas noites que se seguiram ao fato, a vampira vagou pelas ruas de Seattle durante as madrugadas úmidas e frias de outono. Na noite anterior tinha topado com uma dupla de vampiros nômades, foi aí que ela se lembrou que tinha alguns assuntos inacabados, arestas para aparar.

Os lobos estavam fora da cidade, era a oportunidade certa, que dificilmente iria se repetir. Mesmo com toda a bagunça ela conseguiu se sentir, parcialmente satisfeita.

Naquele dia em especial, Bella tentou retomar sua rotina normal em vão. As pessoas, o movimento, aquele falatório, não saber o que estava acontecendo, não ter o controle das coisas... Aquilo a deixava profundamente irritada.

Permaneceu o dia todo dando respostas mecânicas a todos no escritório, sentia-se claustrofóbica. Precisava sair dali...

Bella teve que se controlar para não voar da janela da sua sala, assim que o relógio marcou 18h00min. Não se despediu de ninguém, era capaz de apostar que ninguém a tinha visto sair.

Assim que o sol se pôs ela atravessou a cidade... Já tinha vivido tempo suficiente para acreditar que algumas coisas não aconteciam por pura coincidência. O tempo também fez com que nunca fosse pega desprevenida, os acontecimentos se desenharam em sua mente avançada ao mesmo tempo em que ela tecia sua teia.

Permaneceu envolta às sombras nos fundos da enorme mansão de Simon Pierce até anoitecer. Fez um breve “mapeamento” de todos que estavam na casa: seis seguranças espalhados pelos jardins, mais três empregados dentro de casa principal, o jardineiro na casa aos fundos. Ela teria de ser rápida e colocá-los para dormir. Não queria testemunhas na sua conversa com Simon.

Assim que o homem chegou, Bella ficou imóvel observando os passos dele por toda casa. Aquele cheiro novamente...

A vampira se sentia nauseada, aquela estranha sensação outra vez. Bella sentia seus sentidos embaralhados, mesmo prendendo a respiração.

- Suas artimanhas não serão mais secretas por muito tempo, estúpido! – Bella sibilou entre dentes.

Alguns minutos depois, Simon dispensou os empregados e seguiu para um banho. Nesse momento a vampira fez tudo o que tinha de fazer.

Entrou na casa depois de colocar todos para dormir e revistou rapidamente todos os cômodos até chegar ao escritório do humano. Um notebook estava aberto sobre a escrivaninha o único ponto de iluminação em todo o cômodo era a tela do aparelho.

Bingo!

A vampira posicionou-se em duas das grandes janelas de estilo vitoriano. As cortinas dançavam ao redor dela por causa do vento. Bella sorriu de forma diabólica, ela tinha se tornado teatral nos últimos anos, e aquele ambiente... Parecia o cenário de um filme de terror.

Ouviu os passos do humano se aproximarem ao longo do corredor, assim que ele entrou no escritório, Bella apurou o olfato e se deu conta de que aquele estranho cheiro estava quase imperceptível. Uma das muitas artimanhas de Simon que seriam reveladas naquela noite.

Observou-o se acomodar na grande poltrona e suspirar de satisfação. Ele mexeu no computador enquanto abria uma das gavetas de sua mesa. Assim que ouviu o “clic” de uma trava se abrindo e o som de madeira deslizando sobre madeira, a vampira instintivamente travou a respiração... O cheiro.

Simon colocou dois pequenos frascos sobre a mesa, um com um liquido de cor verde escura, e outro num tom púrpura.

Bella trincou os dentes... Então era aquilo...

O humano encheu um copo com água e abriu as tampas, quando se preparava para misturar os dois líquidos...

- Eu não faria isso se fosse você, Simon Pierce. – Bella praticamente sussurrou.

A expressão do humano congelou, um arrepio transpassou sua coluna e um frio mortal de medo eriçou os pelos atrás de sua nuca.

Na escuridão ele conseguiu distinguir uma figura esguia, entre as cortinas das imensas janelas de seu escritório. Aquela voz... E depois dois pontos brilhantes, pareciam os olhos de um felino... Não eram vermelhos, mas ele sabia que pertenciam a uma vampira. Com as mãos tremulas tentou misturar as duas poções no copo de água a sua frente, mas tão rápido quanto seu pensamento, os dois frascos sumiram entre suas mãos e foram arremessados pela janela.

Um aperto tão frio como o gelo e firme como aço rodeou seu pescoço e ele foi prensado contra a parede.

- Quieto! – o hálito levemente adocicado banhou sua face – Precisamos ter uma conversinha...

Simon não conseguiu mais raciocinar, todos os seus instintos gritavam... Ele mesmo queria gritar, mas tinha algo na voz daquela vampira que o impedia de fazê-lo. Era diferente do que acontecia com Maria.

Maria usava um tom sedutor, praticamente hipnotizante, e ele simplesmente se sentia tentado a obedecê-la, mas aquela imortal a sua frente... Ela ordenava, não tinha o que discutir, ele não conseguia!

- Então aquela era a sua melhor estratégia contra vampiros, Simon? Dois míseros frasquinhos! – ela falou em tom de deboche.

- Quem é você? – o humano tentou manter um tom de voz normal, mas não conseguiu. O medo, o poder e o aperto da vampira travavam sua garganta.

- Aaaaah... Você ainda não sabe quem sou eu? Não me reconheceu Simon Vira-casaca?

Os dedos frios afrouxaram um pouco, e a vampira deixou que os pés do humano tocassem o chão. A primeira coisa que ele conseguiu focalizar foi a linha de dentes perfeita que era visível graças ao sorriso diabólico emoldurado na face branca.

Simon precisou piscar algumas vezes tentando focalizar o rosto em meio à penumbra, e quando conseguiu...

- Oh meu Deus! – os olhos dele se esbugalharam – A namorada de Jacob... Mentora de Lisa...

- Ooh... Com todo o seu conhecimento no que diz respeito ao mundo sobrenatural, você vai querer me convencer de que não sabia o que eu era Simon? – a vampira usava um tom de deboche.

- O que... Mas por quê?! – ele gaguejava e seu corpo começava a tremer.

- Sabe, agora aqui bem na minha frente... Você não parece tão corajoso. – o sorriso de satisfação não abandonava o rosto da vampira. Ela claramente se divertia – O que afinal de contas tinha na cabeça, hãn?

Em um movimento muito rápido para que o humano pudesse perceber, seu corpo foi jogado sobre a mesa.

Ele estava perdido.

Não podia negar que sua proximidade com o mundo dos vampiros lhe causava arrepios, mas as duas poções que ele manipulava, e que utilizava para fazer com que seu cheiro aparentasse ser repugnante aos sugadores de sangue, davam-lhe uma sensação confortável de segurança. No entanto, naquele momento, não tinha nada que pudesse ser feito. Simon chegava a duvidar que mesmo se tivesse tomado às poções aquela vampira a sua frente se afastaria.

Ele nunca tinha visto olhar e sorriso tão frios. Nunca tinha encontrado alguém como ela, Bella era uma criatura única!

Desde a formatura de Lisa, quando bateu os olhos em Isabella Swan ele soube que ela não era um simples professora de Literatura. Mesmo assim, não deu muita importância, pelo menos até Lisa dizer que ela estava em Seattle. Usando alguns de seus contatos ele conseguiu a “ficha” de Isabella Swan Cullen. Não ficou surpreso ao constatar que Bella era uma “senhora muito bem conservada” de 78 anos de idade.

- O que quer? – ele choramingou enquanto Bella apenas o olhava de forma especulativa.

- Sabe... Você até tem um cheiro bom, quando não está com aquela coisa... – a vampira farejou levemente o ar – Mas, você não faz o meu tipo! Mesmo sem as suas poções. – Bella aproximou o rosto do pescoço do humano – Você fede há algo podre.

A vampira apertou seu pulso, até se ouvir um “crac”. Simon abriu a boca, pronto para gritar o mais alto que podia, pela dor e para pedir ajuda, mas Bella o silenciou com uma das mãos sem qualquer dificuldade.

- Quieto! Odeio gritos! – agarrando-o pela camisa, jogou-o sobre a cadeira – E agora é a hora de acertarmos algumas coisas. – Bella cruzou os braços sobre o peito e sentou-se à mesa, de frente para Simon.

Aquilo podia ser muito divertido para a vampira. Aquele homem com uma postura imponente, alinhado, estava quase sujando as calças. Começava a chorar de dor e de medo.

- Não pretendo me alongar muito... Agora me diga o porquê trabalhar para os Volturi? Justo você, um descendente Quileute, conhecedor de todas as lendas. – Bella debruçou-se sobre ele – O que tem nessa maldita cabeça, Simon? Hã? Que tipo estúpido você é? Selecionando humanos e os mandando para a morte! Traindo os seus, sua família, seu sangue, seus antepassados... Fale, agora!

As expressões no rosto de Simon começavam a fazer Bella perder o controle. Em uma explosão de raiva ela arremessou o humano junto com a cadeira contra a parede. Ele caiu e se arrastou pelo chão, segurando a mão que Bella tinha quebrado.

Ela suspirou e tentou clarear as ideias, caso contrário, o mataria antes de obter suas repostas. Sem dificuldades ela o levantou do chão e colocou-o de volta na cadeira.

- Por favor... – Simon gemeu.

- Fale! – Bella repetiu baixo, seus olhos acinzentados crispavam de ira.

- Eu... Eu, não sou da mesma linhagem dos lobos. Sempre soube das histórias, das lendas e quando eu tive certeza e que eram reais, eu também tive certeza de que meu sonho de infância em me tornar um lobo nunca se concretizaria. Os homens são os responsáveis por transmitir os genes para os filhos, no meu caso, só minha mãe era Quileute.

- Blá blá blá! – Bella fez cara de tédio.

- Eu sempre fui fascinado pelas lendas, por tudo que envolvia meu povo. Quando descobri que lobos existiam e estavam mais perto do que eu imaginava, eu pesquisei. Fui atrás de toda informação relacionada os nossos antepassados, é daí que vêm aquelas duas poções. São extratos de flores silvestres crescidas apenas em um lugar muito especial, O Jardim dos Lobos Guerreiros.

Bella estreitou os olhos. – Como conseguiu isso?

- Existem algumas lendas que falam de plantas tóxicas aos vampiros. Segundo as nossas lendas, as flores crescidas no jardim têm um odor que causa repulsa aos frios. Foi aí que percebi que vampiros também poderiam de fato existir. Nessa época eu já estava fora da reserva, era um universitário e estagiário de uma empresa de exportação, foi numa transação que conheci Maria. Eu sabia coisas demais e logo percebi o que ela era. – Simon apertou o pulso e gemeu de dor, mas continuou – As coisas aconteceram... E eu nem percebi direito como, mas...

- Certo. Você não pôde ser lobo, mas viu a possibilidade de se tornar um vampiro, é isso? – Bella debochou – O poder, a beleza, a imortalidade, um sentido maior para uma vida insignificante... Conheço essa história, e quer saber... Eu... Não... Me... Importo! Não me importo nem um pouco com suas razões para virar um lacaio dos Volturi, cedo ou tarde você seria aniquilado por Aro e Cia. Mas, o seu erro Simon... Seu maior erro foi envolver Jacob e Seth nisso tudo! – a vampira trincou os dentes, e seus olhos brilharam como sempre acontecia quando ela estava com raiva – Por quê?

- Eu precisava de uma proteção há mais, mais do que as poções...

- E envolveu os dois lobos nisso? Dois únicos lobos contra a guarda Volturi e os inúmeros soldados talentosos que você mesmo enviou para Aro? – Bella teve que fechar os olhos e quebrar o contato visual que mantinha com o humano para se acalmar – Dois! Dois lobos, seu imbecil! Você não estaria seguro nem se tivesse uma alcateia toda ao seu lado! – Bella sibilou entre dentes.

- Mas em breve eu terei. – Simon sussurrou.

A vampira abriu os olhos e o encarou. O humano percebeu que tinha falado demais, mas afinal, não tinha como evitar. Estava bem claro que Bella tinha algum tipo de comando mental.

- O que mais você fez? – um rosnado saiu do fundo do peito de Bella, e o homem estremeceu, mesmo assim teve que falar.

- A nova alcateia que está prestes a se formar. Eu sei por que Jacob e Seth estão em La Push. As transformações começaram, e logo todos os jovens descendentes dos antigos guerreiros serão lobos.

- Como você sabe? Que plano idiota essa sua mente doentia armou, Simon? – Bella o levantou pela gola da camisa e o sacudiu algumas vezes, o suficiente para ele sentir que sua coluna se partiria.

- Eu nunca quis ser vampiro, por mais que você ache isso. Eu só queria ser alguém, subir na vida. Envolvi-me com os Volturi apenas por dinheiro, mas aí eu vi quantos sanguessugas vivem entre nós, e só... Só os lobos podem proteger a humanidade de vocês, parasitas imundos... – pela primeira vez, o medo no rosto do humano cedeu e deu lugar a um brilho no olhar que trazia ira e satisfação – Eu mais uma vez pesquisei, e soube que da ultima alcateia que tinha se formado sobravam apenas dois lobos, Jacob e Seth, ambos sem companheiras e sem descendentes.

- Meu Deus... Você é absurdo, é doente, Simon. – mesmo sem precisar de ar, Bella tinha a respiração pesada e se sentia estafada com tudo aquilo.

- Onde há absurdo em querer proteger os seus? – ele enfrentou a imortal.

- Onde? Onde seu merda? Quem você protegeu, hã? Estava pensando só no próprio traseiro podre, que já está ferrado desde o dia que você se envolveu com uma vampira. Entenda uma coisa, no que diz respeito ao mundo dos vampiros a ignorância dos humanos é o que os salva! Não saber que existimos é o melhor para eles. E você fala em seus... Quem seriam os seus? Aqueles pobres garotos que acabaram de se transformar? Tem ideia do fardo que caiu sobre as costas deles, meninos tragados pelo mundo sobrenatural e que terão de se afastar de pessoas que eles amam. – Bella mais uma vez perdeu o controle, levantou o humano pelo pescoço e o lançou contra a parede.

- Eles nasceram para isso, para serem protetores. – Simon gemeu de dor, sentindo alguns ossos de costela quebrados.

- E se eles não quiseram isso para o próprio futuro? Já pensou nisso, pensou que tirou a possibilidade deles de escolherem que rumo dar a própria vida. – não sabia por que, mas Bella ainda tentava argumentar com aquele verme.

- A esses garotos foi dado o mais poderoso e precioso dom... – Bella não deixou que ele concluísse, o levantou do chão em um safanão e jogou Simon sobre a mesa do escritório.

- É o que você acha, mas nunca viu um garoto se transformar em lobo. Nunca! – a vampira aproximou o rosto do homem quase o tocando – Eu vi. Eu presenciei a amargura de Leah ao ser trocada por Emily e depois se transformar! Eu vivi a dor, a angústia de Jacob quando ele se afastou de mim, acreditando que era o melhor para me proteger.

Bella não conseguia acreditar em tudo o que estava ouvindo, os absurdos que aquele humano tinha cometido em nome, de sei lá o que. Se antes existia alguma possibilidade de deixá-lo vivo, agora não mais.

- Como fez isso, hã? Fale! – ela segurou o pulso já quebrado do humano e o apertou mais, fazendo com lágrimas surgissem.

- Por terra seria impossível. Jacob e Seth mantiveram rondas durante todos esses anos, mas a reserva é cortada por vários riachos, além da costa. Maria disse que na água vocês são insuperáveis, e também o cheiro sumiria. Ela visitou La Push durante a última década, sempre por água, na praia, ou pelos riachos.

- Eu não tenho definição para o que fez Simon. – Bella respirou fundo e o encarou – Agora uma coisa eu garanto, Seth e Jacob não serão peões nesse seu joguinho. Aliás, seu jogo acabou! Não vai mais manipular aqueles que eu amo.

- Você... Amar alguém? – o humano sorriu sinicamente em meio a uma careta de dor.

- Acho que não está em condições de ser sarcástico. – Bella exibiu a linha de dentes brancos em um sorriso diabólico.

- Me chama de egoísta, Isabella... Mas pelo menos pense no que você mesma faz a Jacob. – a expressão da imortal se fechou – Você o prende. Impede que ele siga em frente, impede que ele tome para si uma companheira capaz de fazê-lo feliz por completo, capaz de dar-lhe herdeiros, de fazer com que a linhagem de alfas puros não se acabe.

- Claro! Herdeiros, poder... Agora vai me dizer que eu devo deixar Jacob para que a sua filha seja a companheira dele?

- Você vai deixá-lo, Bella. Cedo ou tarde, vai deixá-lo. – Simon tinha convicção na voz.

- Pode até ser! – Bella deu de ombros tentando disfarçar o quanto aquilo lhe incomodava – Mas, se por acaso Lisa for sua cúmplice nessa sujeira toda... – o sorriso diabólico voltou ao seu rosto – Ela vai ter o mesmo fim que o seu.

- Eles vão saber que você esteve aqui. Se me matar eles descobrirão... – o medo finalmente voltou ao rosto de Simon.

- Acha que sou tão estúpida assim, Simon? Estou sempre um passo a frente. Acha mesmo que eu sujaria minhas mãos te matando, ou provando esse seu sangue imundo de traidor... Tsc tsc! – Bella rodeou a mesa e parou às costas de Simon – Agora só precisamos aguardar Lisa chegar. Tenho algumas perguntas para ela.

- Não faça mal a minha filha, Isabella. Eu imploro, por favor... – o humano começava a tremer e chorar compulsivamente.

- Que mudança! Até segundos atrás era um humano maluco, mas se achando no direito de me afrontar. Onde está toda aquela coragem, Simon? Mostre que tem alguma dignidade e orgulho pelo sangue Quileute e pare de chorar feito um bebe, só falta sujar as calças agora. – Bella debochou.

- Deixe Lisa fora disso. – ele continuou implorando.

- Eu, não! Você deveria ter ficado fora disso, e se Lisa souber de algo, a culpa pelo fim dela será inteiramente sua. – a vampira deu de ombros – Estou comprovando o que já te disse, é mais seguro para os humanos não saber de nada sobre nós.

- Ela espera um filho de Jacob!

Bella sentiu o chão sumir debaixo dos pés, a sala deu uma cambalhota de 180°. Ela se sentiu sufocar, o que diabos Simon estava falando?

- Os dois se envolveram há algumas semanas. – o humano suspirou – Ou você acha que Jacob foi celibatário todas essas décadas, Isabella?

- Isso não quer dizer nada! – a vampira rosnou, sua visão escureceu... – Jacob jamais se descuidaria, ainda mais com alguém como sua filha, Simon! Ele despreza Lisa.

- Sabe que no calor o momento algumas coisas podem ser deixadas de lado, não sabe? – o humano ameaçou um sorriso, que foi logo substituído por uma careta de dor.

- Isso é mais um de seus joguinhos. Não vai adiantar Simon. – Bella sibilou.

- É o que veremos. Já faz algumas semanas, logo poderemos ter certeza. Apesar de que, dificilmente as coisas não deram certo.

- Você tramou tudo e Lisa foi sua cúmplice. – Bella mordeu o lábio inferior com força, se fosse humana teria machucado.

- A linhagem de alfas precisa ser mantida. Ninguém melhor do que Lisa, que tem sangue Quileute para dar um herdeiro à Jacob. – os olhos do humano cintilavam de satisfação.

Bella perdeu o controle, empurrou a cadeira atrás de si contra a parede, estraçalhando o móvel. Ela sabia muito bem o quanto um filho podia mudar a vida de uma mulher ou um homem. Sentia-se sufocar com tudo aquilo. Era óbvio que jamais poderia fazer mal a um filho de Jacob, ou à mãe dele. Por Deus, que nada disso fosse verdade!

- Desde quando Lisa sabe sobre mim? Sobre os lobos? Sobre a brilhante ideia de ter um filho do alfa? Fale estúpido! – ela estraçalhou a borda da mesa com um aperto de mão.

- Assim que ela voltou de Palo Alto. Desde que eu percebi o interesse dela por Jacob. – Simon afirmou olhando nos olhos de Bella, afinal ele não podia falar nada além da verdade.

- É bom que tenha consciência de que pode ter sentenciado sua filha à morte ao fazer isso, Simon. – a vampira sibilou e o humano estremeceu de medo.

- Mesmo se ela estiver grávida? – ele perguntou.

Bella tornou a voz mais branda e falou pausadamente.

– Eu escolhi me tornar vampira sem perceber o que a eternidade significava de fato e estou sofrendo as consequências. Mas, eu nunca impediria Jacob de seguir em frente se ele quisesse. Eu nunca me reaproximaria se ele hoje tivesse uma família e estivesse levando uma vida normal com uma casinha de cerca branca, um jardim florido, um balanço onde ele pudesse brincar com os filhos... Não atrapalharia, nem mesmo se a escolhida fosse a sua filha, Simon.

O humano por alguns instantes pôde ver a expressão fria da vampira se dissolver. Ela encarou um ponto qualquer fora da janela, os lábios bem desenhados curvaram-se no que deveria ser uma demonstração de dor. Isabella ainda tinha algo de humano dentro da carcaça quase indestrutível de vampira, e agora Simon percebia que Jacob era o responsável por isso.

- Agora, eu preciso saber de mais uma coisa... – a vampira falou mais para si, mas logo se virou e voltou a encarar o humano – Sam, o conselho, a antiga alcateia... O que eles sabem sobre esse seu plano estúpido? Eu os conheci, e sei que jamais concordariam com essas loucuras que você fez...

- Quando os primeiros sinais de que haveriam transformações começaram, eu fiz uma visita a La Push e procurei Samuel. Jacob e Seth já tinham contado que eu sabia de toda a verdade. Sam é um homem sábio, sensato e entendeu as minhas preocupações...

- Hã... – Bella o interrompeu com uma gargalhada sem humor – Suas preocupações. Que preocupações, imbecil? Você ferrou com a ordem natural das coisas. Vou repetir pela ultima vez – ela segurou o rosto do humano com as duas mãos, tentando conter o impulso de torcer-lhe o pescoço – Os lobos devem surgir quando a ameaça surge. Não havia ameaça nenhuma nos arredores de La Push até você resolver se meter. Você levou os vampiros até eles, você os colocou em perigo... E você vai morrer por isso. E quanto à cadela da sua filha, ela ainda vai ter uma opção, tudo dependerá da resposta que der a uma simples pergunta que eu farei.

- O que vai fazer?

- Agora responda, Sam e os outros sabiam dos seus planos? – era uma ordem.

- Não. Eles só concordaram com um ritual evocando os antigos espíritos para proteger a tribo e preparar mulheres para serem companheiras dos lobos. Sam sabe que Jacob ainda está preso a você de alguma forma inexplicável. Os lobos não devem viver para sempre, nunca se ouviu falar de algum que tenha mantido a transformação durante tantos anos quanto Jacob e Seth fizeram.

- Talvez eles pudessem ter parado, mas você também contribuiu para que isso não acontecesse, Simon. Durante todas essas décadas eu me mantive longe daqui, eu revi os lobos somente no funeral de Billy, nunca imaginei que Jacob manteria a transformação durante todas essas décadas – a vampira suspirou, estava cansada daquilo tudo – Não vou mais gastar meu latim com você, Simon. Afinal, mortos não contam histórias.

Um silêncio mortal se instalou naquele espaço. Bella jogou-se numa poltrona no canto de escritório e ali permaneceu olhando para o nada. Simon segurava a mão quebrada, as escoriações no rosto latejavam, o sangue tinha secado repuxando a pele, tentava respirar devagar para que as costelas não doessem tanto.

Passados alguns minutos, que para a vampira não pareceram nada, mas para o humano chegavam a ser uma eternidade, puderam ouvir o som de um motor de carro se aproximando. Simon prendeu a respiração na metade e Bella aguçou os sentidos.

- Vejo que terminaremos tudo esta noite, Simon. – a vampira falou sem olhá-lo.

- Não a machuque. Se ainda tem algo de bom em...

- Não venha me falar de bom ou ruim. Vocês sabem demais, fizeram coisas horríveis... Chantagem emocional não vai salvar o traseiro de vocês, pelo menos não comigo. Já disse que Lisa terá uma única oportunidade de se salvar, e assim será! Agora, vamos esperar que ela se junte a nós e veremos o que a “mãe do herdeiro” tem a dizer. – Bella voltou a usar o tom sarcástico.

_______________

Lisa estava em estado de graça. Tudo tinha saído exatamente como planejado. Mais alguns dias e iria ao médico. Aquela noite que tinha passado com Jacob tinha que ter valido a pena.

Um bebê era tudo o que precisava. De uma daquelas coisinhas enrugadinhas com cara de joelho, que choram e sujam as fraldas o tempo todo.

O que ela queria na verdade era se tornar a companheira de Jacob, mas por mais que tivesse pesquisado não encontrou nada que pudesse “induzir o imprinting”. Mas se contentava com um bebê.

Há anos quando seu pai falou sobre vampiros e lobos, ela achou tudo uma loucura. Mas com o passar dos tempos, acabou por aceitar que o mundo tem mais magia do que se pode imaginar, e ela mesma sendo quileute estava mais próxima do mundo sobrenatural.

Sua aceitação foi fator principal para que pudesse ser a “escolhida”, a mãe do herdeiro que daria continuidade a linhagem dos alfas. Tinha unido o útil ao agradável. Lisa tinha desejado profundamente Jacob desde que colocou os olhos sobre ele, mas depois sua rejeição...

Tudo era culpa de Isabella. A humana invejou a vampira no momento em que a conheceu em Stanford. Bella era simplesmente perfeita, as pessoas só faltavam se lançar ao chão e beijar-lhe os pés enquanto ela passava. Essa inveja a cegou, fez com que Lisa não se desse conta do que, sua mentora era na verdade... Uma vampira.

Mas o que não podia sequer imaginar era que Isabella era o grande amor de Jacob. Não seria possível que um lobo pudesse se apaixonar por uma vampira... No entanto, Jacob a amava desde que eram simples adolescentes.

Aquele amor era o que deixava Lisa ainda mais irritada. Durante as horas em que esteve com o lobo, era por Bella que ele chamava, era Bella que ele desejava que estivesse sob ele...

Mas aquilo ia acabar. Lisa sorria satisfeita ao ter certeza de que ela daria a Jacob algo que Bella nunca, nem em mil anos, poderia: um filho.

Ela nunca quis ser mãe, nem gostava de crianças. Pílula do dia seguinte era algo constante na vida da humana, já que vez ou outra passava da conta na bebida e acabava dormindo com homens sem se lembrar se tinha usado ou não preservativo.

Preferia não confiar mais cegamente em suas doses trimestrais de anticoncepcional, já que por duas vezes teve que recorrer a amigos médicos para resolver probleminhas indesejáveis.

Estacionou seu Sedan na garagem, ao desligar os faróis achou estranho metade da casa estar às escuras. Saiu do carro e testou o interruptor, nada. Ligou o celular para poder encontrar os degraus que a levariam até a casa.

Assim que entrou, viu que as luzes da cozinha estavam acesas, mas não tinha ninguém no cômodo. Resolveu subir direto para seu quarto, precisava de um banho antes de acertar alguns detalhes com seu pai.

Saiu de seu quarto e seguiu até o escritório, que era anexo ao quarto de Simon. A porta estava entreaberta, percebeu a pequena luminosidade provavelmente causada pela tela do computador. Mais uma coisa estranha naquela noite, Simon nunca trabalhava em frente ao notebook com as luzes do escritório apagadas.

- Pai... – Lisa chamou ao mesmo tempo em que abria a porta.

Entrou no escritório e Simon não estava sentado em sua mesa como de costume.

- Pai, podemos conversar?

Mais uma vez não obteve resposta. As janelas estavam abertas, um vento leve balançava as cortinas e a pouca claridade vinha da lua que se encontrava cheia no céu.

Lisa começou a achar aquilo tudo muito macabro.

- Pai?

Decidiu ir até o quarto de Simon. Caminhou até a extremidade do cômodo, mas ao passar pela mesa um som abafado fez com que ela paralisasse no mesmo lugar, parecia um gemido...

Mesmo temendo o que encontrar, Lisa se virou para o móvel. Assim que seus olhos conseguiram focalizar a imagem em meio à penumbra, a morena suprimiu um grito de horror levando as duas mãos à boca.

Simon estava amontoado debaixo da mesa, seu corpo tremia violentamente, parecia chorar e soluçar, mas o que saía de sua boca eram sons quase inaudíveis.

Assim que conseguiu se mover, Lisa ajoelhou-se em frente ao pai.

- Pai... Pai... Por Deus o que houve? O que fizeram com você? – a morena estava em pânico, histérica, chorava e parecia temer encostar-se ao próprio pai.

- Pai, por favor. Diga alguma coisa! Como eu posso ajudar? Eu vou ligar pra policia, não... Não. Pra emergência...

Lisa levantou-se rapidamente, e com as mãos tremendo procurou pelo telefone sobre a mesa, mas quando encontrou o aparelho uma mão extremamente fria o arrancou dela.

- Tsc, tsc. Sem testemunhas para a nossa conversa, Lisa!

A frase foi sussurrada ao pé de seu ouvido, e a morena congelou ao reconhecer quase que instantaneamente a voz.

Notas finais
N/A: Amores, tbm não me alongarei mto!
Só peço que não me abandonem e rezem para minha inspiração voltar, já que a fic precisa acabar e meus caps de reserva já estão acabando!! Kkkkkkk
Obrigada de coração pelo carinho e a compreensão de vcs! Em especial aquelas que me apoiaram nos momentos de estresse da semana passada! (mais explicações no um perfil - não vou dar ibope pra quem não merece)
Beijooos!
Ritinha
N/B: É Simon... A casa caiu kkkkk. Bem feito! A Bella pode até ser má, mas ela tem mais princípios que o Simon e a Lisa ( eu sei, eu sei, isso não faz sentido). Galera dessa vez não vou me alongar... Então leiam, comentem e deixem uma autora feliz.
Bjks, Katy Clearwater.