Notas iniciais
Então, nem demorei dessa vez ^^
Boa Leitura

Algumas horas se passaram e Stefan continuava tentando me animar. Dera resultado, pois eu não derramei mais lágrimas até chegarmos ao Brasil.

Um frio na barriga me invadiu assim que o alerta de “apertar os cintos” ligou. Eu não queria sair daquele avião. Queria apenas que ele explodisse e eu acordasse vendo que tudo fora apenas um pesadelo.

Mas isso não aconteceu, infelizmente. Fui obrigada a sair dali, junto de Stefan e os demais passageiros.

Fizemos o check out e fomos buscar nossas malas na esteira. Assim que peguei a minha, avistei cabelos ruivos conhecidos há alguns metros de mim.

Minha mãe sorria gigantescamente, seus olhos estavam brilhando e ela segurava uma caixa de presentes colorida.

Sorri levemente para ela, olhando logo para Stefan.

— Obrigada por me acompanhar na viajem – falei para ele.

— Foi um prazer fazer você sorrir – ele disse, dando um largo sorriso.

Stefan era bonito. Seu sorriso dava-me vontade de apertar suas bochechas e guardá-lo no meu bolso.

— Bem, nos vemos qualquer dia – ele disse por fim. – Tenho seu telefone, e com certeza irei usá-lo.

— Okay, é bom já conhecer alguém aqui – respondi.

Despedimo-nos rapidamente e ele se foi, ainda sorrindo.

Fui então até a minha mãe, tentando não demonstrar o quanto estar ali era desagradável para mim.

— Filha! – ela quase gritou, em português.

Eu entedia poucas palavras nesse idioma. Seria um enorme desafio aprender a falar português. Sempre pensei que minha mãe podia ter escolhido um país que pelo menos falasse o mesmo idioma que o nosso para ir morar com seu marido, Kim.

O jeito era continuar falando em inglês para ela perceber que eu teria de ter aulas.

— Por favor, inglês, mãe – falei, sem graça.

— Ah, desculpe – ela riu, voltando a falar em meu idioma. – Eu esqueço que você não mora aqui.

— Nossa, eu realmente não faço falta então – brinquei, mas claro que havia um pouco de verdade em minhas palavras.

— Boba – ela revirou os olhos. – Kim está no carro com Grace. Eles estão ansiosos para vê-la.

— Ah, vai ser bom revê-los – disse apenas.

Grace era minha meia-irmã. Ela tinha apenas onze anos, mas tinha um jeito um pouco irritante de agir como se quisesse mandar em todos. Isso era o pivô de muitas brigas entre mim e minha mãe, já que eu não suportava a pequena demoníaca que ela e Kim geraram.

Eles tinham grande parte de culpa por ela ser assim, afinal, criaram ela como filha única, dando tudo o que queria no momento em que queria.

Embora Kim fosse um cara legal, nós não éramos muito íntimos. Ele era um homem alto e musculoso, pele bronzeada e cabelos escuros. O típico cara que você vê posando para uma revista de cuecas.

Grace, ao contrário de Kim e de minha mãe, era magricela. Então, todos eram gordos na visão dela. Eu não me espantaria se daqui alguns anos ela fosse processada por algum colega de turma por humilhação.

Chegamos ao carro e Grace estava ocupando espaçosamente o banco traseiro. Empurrei-a para o canto para poder sentar.

— Olá, Lisa – sorriu Kim, em português.

— Oi – respondi timidamente, odiando ter que falar neste idioma.

— Você engordou – comentou Grace, em inglês, olhando-me dos pés à cabeça.

— Você continua a mesma de sempre – sorri para ela. – Infelizmente.

Eu não sabia que aquela pirralha falava inglês. Mas conhecendo-a como eu conhecia, não era de se duvidar que teria ensaiado essa fala durante semanas para quando me visse.

Eu pelo menos não teria que dividir o quarto com ela, para minha felicidade. Minha mãe preparara um quarto para mim há alguns meses para quando eu quisesse vir passar as férias.

*

São Paulo era movimentada, embora eu gostasse de cidades assim, ainda preferia Nova Jérsei. Era lá que eu devia estar.

Quando chegamos à casa de minha mãe, Kim levou minhas malas até meu quarto. Grace ficou na sala, assistindo algum programa que eu provavelmente não iria gostar, levando em conta nossos gostos diferentes.

— Preparamos tudo para que você se sinta o mais à vontade possível – disse minha mãe, mostrando a decoração de meu novo quarto.

Ele era razoavelmente grande, tinha paredes claras – em um tom caramelo que eu não soube distinguir – e uma cama de casal com lençóis roxos.

— Qual é sua cor preferida, filha? – perguntou minha mãe.

— Eu não sei – respondi, sentando-me na cama. – Acho que vermelho.

— Vermelho é uma cor bonita – ela sorriu.

Concordei com a cabeça rapidamente, soltando um longo suspiro.

— Vou deixar você se ajeitar aqui, descansar... Pode trancar a porta se quiser. Vou tentar manter Grace afastada dessa porta – ela riu.

— Obrigada – sorri, agora com grande sinceridade. Era bom saber que alguém ali iria me ajudar a manter a pequena demoníaca longe de minhas coisas.

*

Gerard’s P.O.V.

— Gerard, eu sou o de cima ou o de baixo? – Mikey perguntou-me enquanto jogávamos um jogo de corrida de carros no vídeo game.

— O de baixo – menti.

— Acho que o controle está com problemas, eu aperto um botão e o carro segue na direção oposta – ele comentou, olhando sério para o controle em suas mãos.

— Essas coisas acontecem – falei, batendo o meu carro de propósito para Mikey pensar que havia perdido.

— Não quero mais jogar – ele bufou. – Me chame quando tiver um controle bom.

Ele era tão ingênuo. Minha mãe dizia para não enganá-lo, mas papai dizia que devíamos sempre aproveitar das oportunidades que nos eram dadas, e a oportunidade de enganar Mikey era a que mais frequentemente aparecia para mim.

Já que não havia mais com quem jogar, resolvi tentar novamente ligar para a casa de Lisa. Eram quase três horas da tarde e ela não me ligara de volta como eu pensei que faria.

— Alô? – atendeu uma voz masculina, para minha sorte era Erick, irmão de Lisa.

— Erick, aqui é Gerard – falei, um tanto aliviado por não ter sido seu pai quem atendera. – Lisa está aí? Quero falar com ela.

— Ah, Gerard – ele disse, não parecendo realmente surpreso. – Lisa não está, e eu preciso falar com você.

— Diga – respondi, desconfiado. Erick poucas vezes falara comigo, o que teria para me dizer?

— Não posso falar agora, nem por telefone. Encontre-me daqui uma hora naquele café onde Lisa encontra com você.

Antes que eu pudesse responder, Erick desligou.

Notas finais
Reviews? :3
Espero que estejam gostando, coisas fofas ^.^
Beijos