The Only Hope For Me Is You
1 Capítulo 1
Notas iniciais
X – x 1994 x – X
Lá estava eu, fazendo minhas malas com a ajuda de meu irmão, Erick. Eu dobrava as roupas e lhe entregava para que colocasse em minha mala.
Eu derramava algumas lágrimas enquanto fazia meus movimentos lentamente, ir embora não estava sendo algo com o que eu lidaria bem.
– Lisa, não fique assim... – disse Erick, tentando me consolar.
– Eu estou bem... – menti.
Não tinha como eu estar bem. Estavam obrigando-me a ir embora, obrigando-me a ficar longe da pessoa que eu mais amava na minha vida. Gerard.
– Eu só... não entendo o porquê de eu não poder... ficar com ele! – esbravejei, jogando uma de minhas blusas com raiva sobre a cama.
– É a vontade do papai... Você precisa respeitar – ele disse, visivelmente sem argumentos. – Você só tem dezessete anos, no futuro vai ver que isso é o melhor para você.
– Eu tenho o direito de decidir com que devo ficar – choraminguei, enterrando meu rosto entre minhas mãos e me entregando às lágrimas.
Erick aproximou-se de mim e me abraçou com força, tentando confortar-me.
A questão era que assim que meu pai soube que eu estava com Gerard ligou para minha mãe – que morava no Brasil há cinco anos – e disse que eu iria passar uns tempos com ela. A verdade, é claro, era que eu não voltaria tão cedo, já havia até encontrado uma nova escola para que eu estudasse no Brasil.
Depois de preparar minha mala descemos as escadas, indo até a sala onde nosso pai nos esperava.
Estranhei ao vê-lo já com as chaves do carro, pelo o que eu sabia iríamos mais tarde.
– Vamos? – ele perguntou, sorridente.
Meu pai era Claus, um homem de cinquenta e dois anos, já grisalho. Ele sempre fora muito protetor e nunca me deixara chegar perto de outros garotos, justamente por isso que eu omitira meu relacionamento com Gerard por seis meses.
Gerard... bem... ele era incrível. Olhos verdes que me deixavam hipnotizada, cabelos negros, pele perfeita, e uma voz incrível. Ele tinha a mesma idade que eu, estudávamos na mesma escola e iríamos esperar até o baile de formatura para revelar a todos que estávamos namorando.
– Não iríamos mais tarde? – perguntei, confusa.
– Não, eu consegui um voo para o Brasil daqui a duas horas para você – meu pai respondeu, ainda com um sorriso no rosto que me parecia extremamente forçado.
– Mas... Eu preciso dizer adeus a Gerard – contestei, nervosa de imediato.
– Erick irá avisá-lo amanhã na escola – ele respondeu, perdendo o sorriso e deixando transparecer toda sua frieza.
Eu sabia que isso era mentira. Erick não estudava mais na mesma escola que eu e Gerard, ele era três anos mais velho e fazia faculdade de Direito. E eu sabia que meu pai não mandaria Erick até minha escola apenas para falar com Gerard.
– Mentira! – gritei, voltando a chorar, desesperada. – Eu quero vê-lo! Eu tenho o direito de vê-lo!
– Não ouse gritar comigo, garota! – repreendeu-me meu pai, irritado.
– Eu amo ele, pai! Por favor! – eu implorei, torcendo para um milagre acontecer naquele exato momento.
– Não – ele disse por fim, com a voz dura e fria.
Erick abraçou-me levemente enquanto meu pai levava minhas malas até o carro.
– Eu não posso viver sem ele, Erick... – falei, entre lágrimas.
– Você não vai ficar sem ele... – ele respondeu, afagando meus cabelos. – Eu prometo fazer algo para que vocês se vejam um dia... Eu sei que isso não é justo com você, pequena. Você não vai ficar sem Gerard.
*
Passei o caminho todo até o aeroporto em silêncio, ouvindo Sunday Bloody Sunday do U2 que tocava no rádio do carro, olhando a paisagem de chuvosa de Setembro.
Morávamos em Belleville, mas como aqui não tínhamos aeroportos internacionais fomos até Newark, cidade vizinha, onde se localizava o Aeroporto Internacional de Newark, nos limites de Newark e de sua cidade vizinha, Elizabeth.
Eu pegaria um voo da empresa United Airlines direto para São Paulo. Meu pai provavelmente se assegurara de que não teria conexões em nenhum outro país para que eu não tivesse chances de fugir.
Eu não contive as lágrimas novamente na hora de embarcar. Meu irmão parecia segurar-se para não chorar, meu pai permanecia frio como antes.
– Eu te amo, Lisa – disse Erick, abraçando-me uma última vez antes que eu entrasse para a sala de embarque.
– Eu te amo – respondi, chorando.
Meu pai apenas me deu um abraço rápido, mas nada disse.
Fui obrigada a entrar pelo corredor que levaria-me até a sala de embarque. Fiquei lá por cerca de dez minutos até o instante em que devíamos embarcar no avião.
Meu coração estava apertado, eu queria avisar Gerard de alguma maneira, procurei por meus bolsos alguma moeda que pudesse usar o telefone dali, assim que achei corri até o grande telefone e disquei os números do telefone da casa de Gerard. Depois de tocar algumas vezes Donna atendeu.
– Donna, eu preciso falar com Gerard! – eu disse rápido.
– Ele está dormindo, quer que o chame?
– Sim, por favor – pedi.
Enquanto ela ia chamar Gerard as pessoas que estavam ali se encaminhavam para o embarque, a sala estava se esvaziando e eu sabia que precisava entrar naquele avião se ainda quisesse ter alguma chance de ver Gerard um dia, pois se eu não obedecesse meu pai ele me mandaria para algum lugar ainda mais longe dali.
Em instantes eu já era a última ali, todos sobiam as escadas até o avião e nada de Gerard pegar o telefone, contei até cinco lentamente.
– 1... 2...
Atende, Gerard!, eu pensava.
– ...3...4...
Gerard!, eu gritava mentalmente.
– ...5!
Suspirei pesadamente e desliguei o telefone, pegando minha mala de mão e correndo até o avião, sendo a última a entrar.
Procurei por minha poltrona, eu sentaria sozinha para meu alívio, poderia chorar sem me incomodar com alguém ao meu lado me observando.
Assim que o avião decolou eu senti como se parte de mim estivesse morrendo, eu não sabia quando voltaria, não sabia quando veria Erick e meu pai novamente, muito menos quando eu veria Gerard. Essa, lamentavelmente, era a pior parte.
Notas finais
Beijos.
ps: As descrições de cada personagem serão ditos conforme a história correrá...
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