The One Who Hold My Heart
1 capítulo único
Notas iniciais
Se ela estiver uma droga, peço mil perdões. Nem eu sei o que se passa na minha cabeça as vezes. -.-
Boa leitura.
Lá estava eu, Antonio, um espanhol amante de mulheres e música (mas principalmente tomates), sentado entre meus amigos, Francis e Gilbert, esperando o inicio de mais uma reunião. Mas havia uma coisa, ou melhor, várias coisas estranhas acontecendo.
Primeiramente, por motivos totalmente incompreensíveis, o Lovi se sentara do lado oposto da mesa. O que foi que eu fiz desta vez?!... Segundo, por motivos também totalmente incompreensíveis, o único assunto discutido na sala era a repentina decisão de Maria, a Portugal, de comparecer, sendo que não viera uma única vez sequer, isso porque, geralmente, quem vinha era seu irmão mais velho, Manoel.
Maria era uma jovem portuguesa de cabelos castanhos que não via pessoalmente desde a infância. Costumávamos morar sobre o mesmo teto e ela servia à minha casa desde que nasceu. Sua atitude sempre foi gentil e educada com todos, menos no que dizia respeito a mim, a quem ela insistia em tratar de forma especial. Perdi a noção de quantas vezes ela me havia feito perder a paciência e começar a gritar de ódio. Fazer-me isso, sendo que sempre fui calmo e despreocupado em relação a tudo, era uma tarefa mais que difícil.
Depois de alguns anos, convenci meus chefes a mandá-la embora sobre o pretexto de torná-la um país governado por alguns familiares ou alguma coisa assim. Não me importava o que seria feito dela, só a queria longe de mim.
Mesmo depois de Portugal ser fundado, ela ainda adorava me confrontar e provocar. Não gosto nem de lembrar os problemas que ela me causou na América com aquele Tratado de Tortilhas, ou qualquer coisa assim... — mais uma vez, eu só queria me livrar dela.
E então, depois de tantos anos, ela, de repente, pensava que podia aparecer do nada?
– ...Quem ela pensa que é?... – eu disse, sem perceber que não pensara antes de falar.
– Afinal, por que te incomoda tanto assim que ela venha? Quero dizer, tecnicamente, era pra ela vir sempre, já que Maria é um país assim como nós, ou melhor, como vocês... – disse calmamente o prussiano ao meu lado.
– Bem... Não é que incomoda... – dei uma breve pausa, ao que suspirei – Gil, você sabe o que é ser menosprezado por uma garota ao ponto de deixar de vê-la como uma?
Gilbert, em um movimento um tanto que repentino, virou a cabeça à janela, onde se encontravam, conversando alegremente, Elizaveta e Roderich.
– Acho que te entendo melhor que ninguém neste mundo... – diz, com uma cara meio frustrada, bebendo uma garrafa de cerveja que tirou do casaco.
– Alegrem-se! Não fiquem assim! Antonio querido, vai ver você é tão apaixonado por Maria quanto Gil é por Eliza!
O prussiano, de susto, cuspiu toda a cerveja, soltando abafadas gargalhadas.
– O quê? – dizemos juntos em um tom relativamente alto, ou pelo menos o suficiente para fazer com que os outros na sala direcionassem as atenções para nós.
– Francis, nunca mais diga isso. Isso não teve graça alguma! – digo bravo, mas o francês apenas dá de ombros e revira os olhos.
Gilbert, que aparentemente não fora afetado pelas palavras do francês, voltara a encarar o austríaco e a húngara.
Estávamos todos na sala, menos Maria. Já que seria a primeira vez dela comparecendo, o alemão, que aparentemente se tornara algum tipo de líder ou coisa similar, decidiu aguardá-la por mais um tempo.
– Vamos começar logo, Ludwig. Não vejo porque temos que esperá-la. Se fosse comigo, nunca que seria desse jeito... – eu disse, um tanto revoltado. Novamente falei sem pensar, o que faz com que o alemão me encarasse de maneira assustadora e virasse o rosto com desprezo logo a seguir.
Olhei de relance para o sul italiano, procurando algum consolo. Ele ignorava o irmão que tentava conversar com ele e ao notar meus olhos o observando virou o rosto apressadamente. Mas o que afinal eu fiz?!
– Desculpem-me. Não era minha intenção me atrasar. Acontece que minha ex-colônia estava com problemas que tive que ir resolver, e acabou por denorar um pouco mais do que me era previsto.
Toda a atenção foi direcionada para a jovem de cabelos castanhos compridos que aparecera subitamente na porta. Era muito bonita, com olhos azuis esverdeados e a pele muito branca. Estava vestida com um vestido vermelho, o qual realçava ainda mais a sua beleza. Não preciso nem dizer que meu coração deu um salto ao vê-la. Seria aquela a menina portuguesa que brincava comigo nos meus tempos de infância? Mas era tão linda... Maria nunca chegaria àquele ponto... E tampouco faria meu coração bater acelerado daquele jeito.
Ela se encontrava parada ainda à porta, paralisada pelo número de pessoas que a observavam. Até que, de trás dela, saiu Arthur, segurando sua mão e trazendo-a para dentro da sala enquanto dizia:
– Vamos, Maria. Não seja tímida, afinal, estávamos todos à sua espera.
– Ei! Seu inglês safado! Não vai nos apresentar à sua amiga, não? – disse Alfred, rindo, enquanto comia alegremente seu hambúrguer.
O inglês fica corado, virando o rosto. Não pude deixar de notar o quanto as palavras do americano o afetaram. Parecia-me levemente chateado... Ah. Mas devia ser só impressão minha, afinal, porque ele haveria de se chatear?
– Não é nada disso, Alfred. Sou apenas um amigo antigo de Maria. – diz Arthur, o tom de voz sério e decepcionado.
– Ainda bem que chegou, senhorita. – interrompe o alemão, cumprimentando a recém-chegada antes que o americano pudesse dar alguma resposta ao inglês – Agora, todos quietos e em seus lugares. Está iniciada a reunião.
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Depois de duas horas de baboseiras e discussões inúteis, a reunião havia sido formalmente encerrada. Alguns países, como o suíço e a irmã, já haviam se retirado, enquanto outros continuavam na sala, envoltos em acaloradas conversas, ou, simplesmente, para matar o tempo.
Apesar de todos os esforços de Maria de ir embora para sua casa, ela se viu obrigada a permanecer na sala, afinal, todos tinham muitas perguntas a fazer-lhe.
– Que tipo de comida você gosta, hein Maria? – dizia um italiano muito sorridente que estava ao lado de Ludwig, o alemão, e de Lovino, o irmão mais velho que ainda evitava cruzar olhares comigo...
– A, bem... Deixe-me ver... Eu gosto de bacalhau... E doces, principalmente os feitos a base de ovos! – disse, sorridente e envergonhada, a portuguesa.
– Senhorita Maria, é verdade sobre você já ter morado com o senhor Espanha quando jovem? – disse, em tom monótono, um pequeno japonês.
Ao ouvir meu nome ser mencionado, eu cometi o infeliz erro de virar o rosto em direção da portuguesa, deparando-me com um Lovino atento e uma Maria pálida. Ela parecia até que acabara de ver um fantasma.
– Sim, é verdade... – ela olhava o chão – Tive o azar de ter sido parte do território espanhol no passado... – ela continuava branca e notava-se que aquele não era um assunto muito confortável a ela.
Não consegui me conter. Quando percebi levantara e me aproximava do grupo que enchia Maria de perguntas. O italiano mais velho não pode deixar de notar minha súbita aproximação.
– E qual o problema disso? Não era eu quem te tratava mal! Eu ainda te tornei um país e essa é a sua gratidão por mim?
– Calado! – ela estava estranha, havia se levantado e seus olhos estavam bem vermelhos – Você sabe muito bem que o que você fez pra mim no passado não tem perdão, e ainda por cima depois me descartou como se eu fosse nada!
Maria saíra correndo da sala em direção à varanda. Não acho que ela pensara antes de correr, aparentemente só queria se ver longe de mim, o que me deixou meio arrependido. Eu realmente fiz coisas imperdoáveis a ela no passado, ela tinha todos os direitos de me odiar.
Lovino levantou-se lentamente e se aproximou. Deu um forte tapa em minha cabeça.
– Se te incomoda tanto ela ter ficado daquele jeito vai logo ver como ela está, cazzo... – disse, mas seus olhos não iam de encontro aos meus, e acabei notando as feições magoadas que ele tinha na face. Devo ter ficado com uma expressão curiosa no rosto, pois Lovino me bateu uma segunda vez. – Vai logo, idiota!
Vi-me obrigado a ir vê-la, afinal, aparentemente, não havia ninguém que me defendesse, nem mesmo meus amigos. Notava-se isso só de ver as expressões de decepção na cara de todos.
Sai da sala e abri a porta da sacada onde se encontrava a portuguesa. Estava um vento gelado e a noite estava escura. Ela estava em um canto mais sombrio e afastado da porta.
– Ai, ai, Maria, desculpa... Eu não queria te magoar. Ok? Para com esse drama e vamos logo voltar lá pra dentro... – foi quando notei seus olhos. Ela chorava. E muito. – Você... está chorando?
Ela virou-se repentinamente para mim.
– Sai daqui! – gritou.
Aquilo me surpreendeu, mas não recuei (afinal, a gritos já estava muito bem acostumado...).
– Você me mandou embora depois de tudo que eu fiz por você!
– Você sabe muito bem que você só implicava comigo. – tentei manter-me firme, porque sabia que, se eu vacilasse um pouquinho seque, eu estaria em grandes apuros...
– Não se faça de idiota! Você sabia muito bem os sentimentos que eu tinha por você!
Não consegui me segurar. Meu rosto ficou extremamente vermelho e, lamentavelmente, apesar da pouca luz, ela percebeu, pois também ficou vermelha. Seu rosto era ainda mais belo corado, não conseguia tirar meus olhos dela. Ao notar que eu a encarava virou o rosto rapidamente.
– Saia daqui... por favor... Eu não quero falar com você.
– Maria...
– Antonio me deixa em paz, por favor...
Soltei um longo suspiro.
– Você realmente não lembra, né?
– E o que exatamente você quer que eu lembre? – ela parecia séria e continuava firme em suas palavras, do jeitinho que sempre foi desde pequena.
Suspirei novamente.
– Da nossa promessa... – sentia-me cabisbaixo.
Ela olhou-me curiosa. Aparentemente não se recordava do que eu falava. Senti que se não fosse direto ao ponto ela não entenderia. Realmente, não via outra solução a não ser ir direto ao ponto.
– Maria, por que você acha que fiz de você um país?
Meus olhos estavam, finalmente, acostumados àquela escuridão. Tentei me aproximar da garota, que como resposta apenas se afastou o máximo que lhe era possível. Segurei-lhe a mão, entrelaçando nossos dedos.
– Por que... Você não me aguentava mais, afinal, tudo que eu fiz para você foi, no mínimo, crueldade de minha parte... – ela disse, apesar de não me olhar diretamente nos olhos.
– Realmente. Fazer-me andar pela floresta à noite para procurar um gato imaginário foi uma experiência bem desagradável... – eu disse, rindo, mas ela reagiu ficando com o rosto extremamente escarlate.
– Te mandei embora porque não aguentava mais ficar perto de você. Não queria mais que fossemos amigos. – eu disse, ainda sorrindo.
Ela arregalou os olhos e pude ver lágrimas começarem a se formar nos cantos dos mesmos. Puxei-a pela mão que ainda segurava, abraçando-a.
– Antonio!
Sua voz soava um misto de surpresa e constrangimento.
– Eu nunca te vi como uma amiga e por isso pedi sua mão quando éramos pequenos. Mas você disse que não poderia, por ser nada perto de mim... Disse que seria uma desonra de minha parte ficar ao lado de algo tão insignificante como você.
Minha voz tornou-se séria, mas ao mesmo tempo suave. Como ela podia ter se esquecido de algo como isso? Um silêncio desconfortável formou-se entre nós.
Senti os seus braços me envolverem. Ela escondeu o rosto em minha camisa.
– ...
– O que foi?
– Eu ainda assim não posso me casar com você.
Afastei-a, pois me era necessário ver que expressão ela possuía no rosto. Ela, apesar de corada, tinha os olhos firmes.
Soltei-a e me afastei um pouco.
– Desculpe...
– Pelo que?
Ficamos em silêncio novamente. Ela mexia os lábios de uma maneira curiosa, como que formulando suas próximas palavras.
– Tonio, você foi o meu primeiro amor... – ela disse finalmente.
– E você o meu.
Olhei-a nos olhos, atentamente. Aproximei nossos rostos, colando-os em um tênue e rápido beijo, afinal, eu sempre tive a curiosidade de saber o gosto que os seus lábios tinham.
Nós trocamos sorrisos. Encostei-me a parede ao lado dela. Não nos olhávamos, mas também não era preciso.
– Por quem você me trocou afinal?
O seu rosto foi dominado por um vermelho intenso, virando-se para mim subitamente.
– Por ninguém, oras!
Revirei os olhos, rindo.
– Sei, sei... – deixei um tímido riso escapar.
– Não ria, idiota! – o rosto da garota assumia um tom cada vez mais escarlate.
– O Luci tem muita sorte por ter você por perto. – completei, um sorriso tranquilo nos lábios.
– ...Eu não disse que era aquele brasileiro safado. – desviou os olhos para o chão.
– Safado? Desde quando você fala assim? – soltei uma breve gargalhada.
Ela corou mais.
– Alguém tem passado muito tempo lá pelo Brasil... – brinquei, provocando-a.
– O Luciano é minha ex-colônia, seria normal eu me preocupar com ele! — ela começou a inferir golpes na lateral do meu corpo, o que me fez rir. Eu sempre pensei que ela era bem mais forte que isso. Ainda bem que ela é uma garota, se fosse o Lovi quem estava me batendo poderia realmente doer. Estranho... Porque o Lovi veio na minha mente de repente?...
Segurei-a pela mão, impedindo-a de continuar a me bater, e apontei em direção à porta da sala de reuniões, onde a luz ainda estava ligada e algumas vozes ainda podiam ser ouvidas. , inclusive a do sul italiano. Ele parecia bravo... Será que ele está bem?
– Vamos entrar? Está ficando um pouco frio e sinto que vou acabar pegando um resfriado. Estou até sentindo meu rosto um pouco quente...
– Você realmente está com a cara toda vermelha... – ela se pões a rir.
– Relaxa que não é por sua causa, Mari. Não vou atrapalhar seus planos com o Luci!
Ela abriu um tímido sorriso.
– Você também não parece que precisa de mim... Você por acaso estava pensando em alguém? Esse vermelho ai não é de febre não que eu sei. – ela abriu um sorriso um tanto provocador.
Vir-me-ei a ela, exibindo um constrangido sorriso. O que fora aquela pergunta?
– Você ama alguém também, não é...?
– Ah?... – meu rosto volta a se esquentar – Eu não sei... se... é amor... – falo, constrangido, às pausas.
– Nossa! Logo você, o tão autoproclamado País da Paixão, não sabe se está amando? – ela provocou-me novamente, rindo de meu embaraço.
Fiquei em silêncio. Não sabia nem mesmo o que dizer, afinal, eu realmente era o País da Paixão! Como posso me dar ao luxo de não ser um expert nesse assunto?
– Olha que ninguém espera para sempre, viu? – ela disse ainda em tom provocador, começando a caminhar de volta à sala, acompanhada por mim. Apenas fiquei em silêncio, pensativo.
Entramos na sala. Era bom sentir como lá estava mais quente. Despedi-me de Maria, que disse ter realmente de ir embora. Meus olhos logo voltaram a decair no jovem sul italiano, movimento acompanhado por um forte aperto no peito. Suspirei alto. O que havia comigo?
Agarrei Lovino pelo pulso e puxei-o para fora da sala, apesar das perguntas, tapas e reclamações que ele me lançava, mesmo que nem mesmo eu entendesse ao certo porque eu desejava tão intensamente a sua companhia.
-O que você pensa que tá fazendo, cazzo?! Seu bastardo, me solta!
-Feli, vou levar o Lovi pra minha casa hoje! – sorri para o norte italiano que assistia a situação junto do alemão com certo estranhamento e curiosidade. – Buenas noches!
-Ciao, mano Espanha! – acenou-me alegremente o outro italiano que ainda permanecia estático na sala.
Já andávamos pela rua escura, em direção ao lugar onde eu havia parado meu carro pela manhã. Vir-me-ei para o menor, que tentava libertar o pulso.
– Espanhol bastardo! Eu juro que te mato!
– Mata nada... – lancei um sorriso a ele, não um falso que mostrava todo meu lado hipócrita que Romano tanto reclamava, mas sim um natural, um cheio de alegria e felicidade.
Lovino virou o rosto rapidamente, mesmo assim eu não pude deixar de notar o vermelho em seu rosto. Apenas sorri e senti meu rosto esquentar-se novamente.
-Tá doendo... O meu pulso... Você tá machucando ele... – disse às pausas, com a voz em um tom envergonhado.
-Ah! Desculpa. – soltei-o, mas, diferente do que pensei, ele não fugiu nem me bateu como normalmente faria, ele continuou caminhando ao meu lado, calado. Fomos para casa em um estranho silêncio — o único som que eu ouvia eram as compassadas e aceleradas batidas em meu peito.
Eu ainda me pergunto o que era aquilo que eu sentia. Porque ficar com Romano deixava sempre meu peito tão leve? Talvez fosse mesmo amor...
Notas finais
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Tem algum palpite a dar? Deixe um review.
Você quer que minha fic se exploda? Deixe um review.
Você está irritado por eu ficar repetindo pra deixar um review? Deixe um review!
Lerei tudo que vocês tem a dizer e responderei.
E desculpa. Sou chata mesmo, fazer o que... .-.
BJJS ^^
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