The One That Go Away
2 Passado
E sim, ele tinha nome. Era Nicholas Jerry Jonas, o meu primeiro amor, que conseguiu me ferir de uma maneira tão grande que dói até hoje.
Era o ano de 2005, estávamos nas últimas semanas de aula e eu como novata ainda estava correndo pelos corredores do colégio, quando sujei minha blusa com tinta na aula de arte e sai correndo para lavar a minha camiseta nova.
- Ah, qual é? Eu tinha que sujar bem a minha blusa nova? Minha mãe vai me matar! – eu dizia a mim mesma enquanto corria.
Chegando ao banheiro feminino o servente estava limpando, concluindo: ele não me deixou entrar. Olhei para os lados e não tinha ninguém no corredor, acabei entrando no banheiro masculino.
Por sorte não tinha ninguém lá dentro. Fiz de tudo para lavar, mas a mancha não saia e quanto mais eu esfregava, pior ficava... Eu estava tão frita! Minha mãe iria tirar o meu couro! Poderiam já começar a preparar meu funeral. Estava prestes a chorar, quando alguém entrou no banheiro, mal fui capaz de me esconder. Fiquei totalmente paralisada.
O garoto que entrou era um pouco mais alto, com cabelos castanhos e cacheados, ele tomou o maior susto a me ver, percebi isso, pois ele meio que pulou para trás quando me viu. E eu sei que não sou nenhuma miss, mas também, não precisava se assustar.
Ele não gritou, só deu alguns passos para trás, abriu a porta do banheiro, olhou a plaquinha do lado de fora e disse:
- Aqui é o banheiro masculino.
Ah vá! Sério? Nem tinha reparado! Não disse isso, mas vontade não me faltou. Ao ouvi-lo respondi:
- Eu sei, é que eu sujei minha blusa como você pode ver – apontei para minha camiseta – E o banheiro feminino está interditado.
- Ah! – enfim ele entrou e ficou me olhando – Acho que só ta piorando.
Imediatamente eu olhei furiosa para esse ser que só estava me fazendo ficar mais nervosa.
- Não está ajudando. – ficamos alguns segundos em silêncio quando ele disse:
- Eu to com duas camisas, se quiser te empresto uma. – ele foi
logo desabotoando a sua camiseta xadrez.
- Ei, ei!- tampei os olhos. – Eu não quero ver ninguém pelado não.
Até que ouvi uma risada muito gostosa, droga era dele.
- Tudo bem.. Eu to com outra por baixo.
Nem preciso dizer que me senti a pateta mor. O garoto sem nome me entregou a camiseta xadrez dele, entrei na cabine sanitária –
que estava um nojo só – tentei não encostar em nada, e me troquei.
Assim que abri a porta indaguei:
- Ei, qual é seu nome?
- Nicholas – ele respondeu – E o seu?
- Miley – estiquei a mão para cumprimentá-lo e ele fez o mesmo.\\
- Acho que não temos aulas juntos – ele continuava a
segurar minha mão
- Verdade.. Nunca o tinha visto por aqui antes.. – e se
tivesse visto com certeza teria reparado, ele era muito bonitinho.
- Acredita em destino? – ele riu e soltou a minha mão.
- Talvez... – murmurei vendo-o dar passos para trás e sair.
Quando a porta bateu eu corri e gritei no corredor:
- Ei, como faço pra te devolver? – claro que eu tinha que bancar a certinha.
- Sei lá.. A gente dá um jeito. – e eu o vi caminhar pelo corredor. Foi uma visão muito bonita.
- Ok.. – murmurei atordoada. E foi a partir daí que a minha vida mudou radicalmente.
De repente eu tinha um melhor amigo, um amigo menino! Isso
era diferente pra mim... Nós curtimos o verão juntos, íamos no Mustang
dele para todas as festas que éramos convidados, para a praia, para todos os lugares. Em pouco tempo nos tornamos carne e unha.
E ter um amigo me fazia pensar em outras coisas, ter visões do ponto masculino sobre alguns assuntos, era bem mais divertido. Nick me dava conselhos sobre garotos e eu tentava não morrer de ciúmes a cada namorada nova. Aqueles foram tempos difíceis.
Uma vez ou outra roubávamos licor do pai dele, acampávamos na praia, fazíamos uma fogueira e todos do colégio iam. Como em um passe de mágica todos me conheciam, me chamavam pelo meu nome de verdade, não mais me zoando, ou criando apelidos estúpidos.
Além disso, por meus pais trabalharem o dia todo praticamente e viajarem sempre a negócios, Nick se tornou meu protetor. Ele adquiriu o carinho da minha mãe e o respeito do meu pai. Por isso tudo ficou mais fácil.
Lembro-me de uma vez que ficamos até tarde no telhado da minha casa, conversando sobre mil e uma coisas... Nossas conversas tinham os
mais diferentes assuntos e tudo fluía tão bem que eu não conseguia abrir meu coração tanto para alguém como eu fazia com ele.
Éramos duas metades perfeitas de algo maravilhoso.
Eu me imaginava casando, constituindo uma família ao lado do meu melhor amigo. Sonhos bobos de uma adolescente mais boba ainda que mal sabia como sua vida poderia mudar.
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