The One That Go Away
4 Capítulo 4 - Um mês depois.
Notas iniciais
Eu acordei com uma música nostálgica. Não porque era velha, mas porque me trazia uma lembrança muito feliz.
The other night, dear, as I lay sleeping
I dreamed I held you in my arms
When I awoke, dear, I was mistaken
So I hung my head and cried
É, há alguns meses atrás estávamos tendo nosso primeiro beijo quando a música a começou a tocar.
You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are grey
You'll never know, dear, how much i love you
Please don't take my sunshine away
Virei minha cabeça para o lado e lá estava o amor da minha vida me observando com um sorriso no rosto.
- Adoro te ver dormindo. – disse.
- Você é meu raio de sol, meu único raio de sol. – cantarolei baixinho, só para ele.
- Acordou toda romântica hoje, hein?
-Olha quem fala. – revirei os olhos, rindo. – O cara que colocou “You’re my Sunshine” para me acordar. Você quase quer ser o Johnny Cash.
- É, você é minha June*. – sussurrou ele. – A minha salvação, meu raio de sol.
(N/A — June* = June foi a segunda esposa do cantor Johnny Cash. Esteve com ele, apoiando-o na luta contra vícios ruins que ele tinha)
- Ei, ei. Não decidimos quando vai ser nosso casamento. – sorri.
- Que tal daqui um mês?
- Jaaack...! Precisamos de preparo emocional antes de um casamento.
- Porque? É loucura casar comigo?
- Amar é uma loucura em si. – gargalhei. – Mas... sério, ficamos noivos não faz nem três dias, ok? Precisamos estar preparados.
- Tudo que preciso no casamento é você, o padre e o licor. Fim.
- Ah, que bom saber que você pensa assim, Jackson. – ironizei. – Esqueceu da bíblia.
- É, e a bíblia. – ele revirou os olhos. – Então. Um mês ou não?
- Preciso mesmo responder?
- Porque não precisaria?
- Porque você sabe muito bem que eu não consigo resistir quando você faz essa cara, seu idiota.
- Que cara?
- Essa. – e o imitei, fazendo o maior bico só para exagerar.
- Hum, então eu ou irresistível? É isso?
- É!
- Ei, psiu. Sabe que dia é hoje? – perguntou.
- Dia de dormir até 13horas da tarde.
- É seu aniversário, bobona – ele gargalhou. – Feliz aniversário, princesa.
Arregalei os olhos.
- Eu ou maior de idade, Jack!
Me levantei e sai correndo para fora.
- Yeah! Haha!
Fiquei rodando no gramado como uma criança. Até que fiquei muito tonta e bati a cara na terra.
- Céus, vou fingir que não te conheço! – Jack veio correndo me ajudar. – Parece uma doida. Dançando de calcinha e sutiã no meio do jardim...
- Sou uma doida feliz – falei, o abraçando. – Jack, hoje é dia vinte e três. Sabe o que significa? — nem esperei ele tentar responder. – Amanhã é nosso casamentoooooooooooooo
Bati palmas.
- Ok, ok. Agora eu tenho que me arrumar. Tenho meu aniversário e um casamento.
Eufórica entrei correndo dentro de casa e me explodi para dentro do nosso quarto.
Logo ouvi batidas na porta e eu gargalhei.
- Não vai entrar! – gritei, fazendo graça. – Tenho que me arrumar para a festa, bestão.
- Mas minhas roupas estão ai! – ele reclamou.
- Dane-se. A aniversariante é mais importante. Você se arruma em meia hora. – e fechei a janela também.
- Certo, certo. – ouvi ele bufar.
Entrei no banheiro e enchi a banheira, relaxando na água morna sem lavar o cabelo. Sai pingando e me sequei.
Fiquei diante do espelho, colocando o vestido.
Eu havia decidido fazer uma surpresa. No casamento eu não usaria o vestido do dia em que fiquei noiva. Eu o usaria agora, aproveitando que ele está longo. Então, no casamento eu faria algo diferente: Eu faria minha grinalda com o vestido. Simplesmente cortaria ele até deixá-lo um pouquinho abaixo do joelho. Arrancaria as flores da cintura e colocaria na tiara que eu faria com o corpete do vestido. Para o casamento, ele estaria lindo, leve e excêntrico para uma noiva. E isso me agradava.
Ajeitei a saia rodada e as alças finas que se enrolavam no meu pescoço. Sorri, olhando para o meu cabelo. Negros e soltos.
Um lápis preto, rímel e um batom da cor dos lábios. Algo bem natural e bonito.
- Está fazendo 18 hoje pra se casar amanhã, Katy. – eu sorrindo para mim mesma. – E você está linda.
Calcei uma sandália e sai do quarto.
- Finalmente, princesa.
- Não gostei do tom irônico, Jack. – bufei.
- Certo, certo. — entrou no quarto, trancando a porta.
(...)
Chegamos a pé no salão da festa. Logo os olhos se dirigiram para mim e eu me encolhi mais para perto de Jack.
- Pensei que queria chamar a atenção.
- Não pensei que iria ser tanta.
- Relaxa, Katy. Você está parecendo um pimentão. Amanhã todo mundo vai olhar para você também.
Preferi não comentar que eu provavelmente desmaiaria no meio da cerimônia, tamanho nervosismo.
Suspirei e levantei o queixo. Nem era tanta gente assim. Só a família e alguns amigos... Não tinha mais do que 50 convidados.
Certo, a culpa não era minha. Eu avisei a vovó que eu queria coisa pequena, mas ela parece uma adolescente.
- Não precisava tanto. – falei para ela.
- Venha, pequena. Você tem que falar com os convidados.
Era por esse e outros motivos que vovó não organizaria o casamento, eu o fiz pessoalmente. Menos de vinte convidados, nada grande.
- Venha, Jack. — o puxei.
- Jackson, você fica. – disse minha avó.
- Ele vem. – eu disse.
- Tenho certeza que ele vai entender que você precisa cumprimentar seus convidados.
- Certo. – Jack sussurrou. – Tudo bem, Katy. Vamos ter o resto do dia para nós.
- Tem certeza?
- Vai lá. – e saiu, indo para a mesa de Buffet.
Acho que cumprimentei tanta gente que nem pareciam apenas 50 convidados.
Uma tal de tia Oscarlina, tia Beth, tio Arthur, vovô Alonso, primo não-sei-lá-das-quantas.
- Esse é o João, querida. Primo de segundo grau por parte da sua mãe. Ele é filho da sua tia-avó Oscarlina.
- Claro. – sorri falso, tentando encontrar Jack no salão.
- Olá, pessoal.
Virei meu olhar e ofeguei. Não, não.
- O que ele está fazendo aqui? – perguntei, baixo e ameaçadora.
- Veio para sua festa de 18 anos, querida. – ela deu um sorriso de orelha-a-orelha que me fez bufar.
- Realmente não era necessário, vovó. Vá embora, Pedro, você não é bem vindo aqui. E sabe disso.
- Somos amigos, Katherine. Era minha obrigação aparecer aqui.
- Não, não era. Não somos amigos. Vá embora, Pedro.
- Algum problema aqui? – a voz rouca atrás de mim me fez arrepiar.
- Está tudo bem. Ele já está de saída, Jack. – falei, instintivamente entrelaçando meus dedos com aos do meu noivo.
- Vou fingir que acredito, Katy. – ele bufou. – Vá embora, Pedro.
Pedro sorriu, malicioso e, antes que qualquer um de nós pudesse fazer algo ele se atirou em mim e me beijou.
De todas as burrices que ele podia ter feito ali, essa foi a pior. Jack não hesitou em pular em cima dele socá-lo.
Os dois já estavam rolando no chão, troando socos e chutes, até que Jack se pôs por cima e começou um belo “set” de espancamento. Os olhos de Pedro estavam débeis, revirando alucinados. Vermelhos. O nariz e a boca sangrando.
- PARA, JACK! – gritei. – NÃO SE REBAIXE!
Eu notei exasperada e indignada que todos os convidados pararam para assistir a briga, mas nenhum movimentou um único dedo para separar. Certo, se as damas tem que fazer isso, que seja.
Me coloquei entre os dois, segurando o peitoral do Jack, tentando tirá-lo de cima de Pedro.
Mas veja, bem na hora que entrei entre eles Jackson deu um soco. Que me acertou em cheio no estômago.
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