The One That Go Away

2 Capítulo 2 - Lá se vai nossa garrafa de licor!


Notas iniciais
Como, prometido, um capítulo maior. Meus capítulos são sempre desse tamanho mais ou menos, o outro só saiu menor porque é como se fosse um prólogo.

- Ei, psiu. – sussurrei no ouvido dele. – Psiu.

- Katy. – Jack sussurrou, abrindo os olhos. – Acordou cedo por quê?

- Porque jajá seu pai vai entrar por aquela porta para saber o que estamos fazendo no seu quarto até agora. – eu ri, me levantando. – Já são 2 da tarde, Jack.

- Merda. – ele cobriu o rosto com o travesseiro.

- Quer um bom motivo para levantar? – sussurrei em seu ouvido, fazendo-o se arrepiar.

- Quero. – ele provocou.

- Olha só o que tenho em mãos. – eu disse. E, como eu já esperava, a curiosidade ganhou da teimosia e da preguiça, ele não resistiu uma olhadinha ao arrancar o travesseiro da cara.

- Hum. – ele sorriu. – Está indo para o mal caminho, Katy.

- Ah, então você não quer o licor? – chacoalhei a garrafa, fazendo biquinho.

Ele se levantou em um salto.

- Tenho um lugar especial para tomar esse. – disse ele em meu ouvido.

- Certo. – assenti.

Ele agarrou em meu pulso e explodiu a porta da sacada para fora.

- Sacada? – franzi o cenho.

Quando fui olhar para ele que eu percebi que ele estava com os joelhos pouco flexionados e com os dedos entrelaçados.

- Pézinho. – ele sorriu.

- Eu não vou subir lá, Jack! – olhei-o e encarei o telhado. – Eu vou cair!

- Eu não vou deixar. – sorriu.

- Jack...

- Está com medo, Katherine Saw?

Fechei a cara.

- Você vai ver quem está com medo, Jackson de Newton.

- Então vai. – desafiou.

Após colocar o licor no chão, apoiei meu pé em suas mãos e fiz impulso para poder agarrar a calha de alumínio. Claro que depois agarrei em algo mais firme, não sabia se era telha ou a laje. Só fiz uma força para conseguir subir no telhado. Virei-me.

- Quem está com medo, Newton? – levantei a sobrancelha.

- Pega logo o licor, medrosa. – ele esticou a garrafa para mim, eu agarrei e fiquei segurando.

- Quero só ver como você vai subir. – empinei o queixo.

Mas antes que eu pudesse fazer alguma outra coisa ele se agarrou nas trepadeiras das paredes e escalou até onde eu estava.

- Como dizia, Katy? – ele perguntou, abrindo o licor. – Só tive que por a mão na massa já que não tenho um namorado lindo e maravilhoso como o que você tem.

- Vai lá agarrar uma jogadora de futebol então. – revirei os olhos.

- Eu até iria. – disse ele. – Mas acontece que eu já em entreguei meu coração para alguém. E ela é especial de mais. E eu a amo demais para trocá-la.

- Bom saber, — roubei a garrafa para eu beber primeiro. – Senhor Newton.

- Futura senhora Newton. – ele cumprimentou antes de me pegar a garrafa de volta.

- Bobão. – gargalhei. – Já marcamos a data o casamento?

- Não podemos marcar se não organizarmos o que iremos querer primeiro. – disse ele.

- Quero algo bastante simples. – falei.

- Um salão pequeno, apenas os mais íntimos.

- É, nada de tio chato que fica apertando bochecha. – fechei a cara.

- Ainda apertam suas bochechas, Katy? – ele zombou.

- É sim. – dei de ombros.

- Mas também... – ele bebeu um gole. – Quem resiste a essas maçãs brancas do seu rosto?

- Maçãs não são brancas, Newton. – zombei de volta.

- Você entendeu o que eu quis dizer, cavala. – ele gargalhou.

- Idiota.

- Bobona.

- Feio.

- Linda. – ele me beijou.

- Não dá pra discutir a sério com você. – fiz uma falsa indignação, colocando a mão na cintura.

- Então, Katy. O que vai querer no nosso casamento? – perguntou. – Com quem você vai ver o seu vestido?

- Ninguém. Eu já tenho meu vestido. – tomei um gole.

- O que?! Não está achando que vai casar de balonê vermelho e all star, está?

- Eu tenho um vestido novo, sabia? – me indignei novamente. – Apesar de que agora não é tão novo assim. – falei pensativa. – Sabe, alguém me atirou no lago do Central Park ontem.

- Posso bater nele?

- Em quem?

- No cara que te jogou.

- Você bateria em si mesmo? – perguntei.

- Se isso te fazer feliz.

- Te ver machucado não me faria feliz.

- Ainda bem. – ele fez graça, dei um tapa no ombro dele. – Mas... Tem certeza? Aquele vestido?

- Simples, bonito e com recordações pra dar. – ri. – Claro que sim.

- Eu não esperava outra coisa de você... Hum... Sua pele é branca e me lembra leite. – disse. – Vamos ter copos-de-leite no casamento.

- Bolo de morango. – molhei os lábios. – Com certeza.

- Vai ter petisco?

- Lanche natural, mas na nossa mesa eu quero batata frita e hambúrguer.

- Hambúrguer no casamento? – gargalhou.

- É, X-burguer. – empinei o queixo. – São gostosos e me acalmam.

- Quer dizer que vai ficar nervosa?

- Muito. – admiti. – Jack...

- Que?

- Como vai ser depois?

- Depois do que?

- Do casamento.

- Bem... – começou. – Não sei. Seremos um lindo casalzinho feliz que gastará as 24 horas dos dias namorando no sofá e deixando o mundo girar da sua forma.

- Teremos um apartamento ou uma casa? – perguntei.

- Uma casa com uma sala, uma cozinha, dois banheiros e dois quartos. – disse. – E uma varanda.

- Eu quero um cachorro e um bebê. – cruzei os braços.

- Faremos isso logo-logo. Primeiro vamos completar nossos 20 e nos estabilizar. Quero um curso de artes.

- Eu sempre quis aprender a pintar, desenhar. – falei. – Mas não tenho paciência para escola.

- Eu te ensino quando eu aprender.

- Você vai ser meu professor para sempre? – sorri.

- Claro que sim, meu amor... – ele segurou meu rosto, e me deu um beijo tão longo e intenso que nos fez deitar no telhado.

CRACK.

Nos levantamos em um salto, assustados. Mas quando entendemos o que era, começamos a rir.

- JACKSON DE NEWTON, DESÇA JÁ DESSE TELHADO! – a voz enfurecida veio do quintal de frente com a mansão, paramos de rir imediatamente, mesmo que estivéssemos mordendo os lábios para não cair na gargalhada com a expressão de louco do meu querido sogro.

- Parece que o resto do licor ficou para a grama. – sussurrou ele no meu ouvido, enquanto observávamos a garrafa de vidro espatifada no gramado. – Acho que meu pai não vai se importar.

O senhor Newton batia o pé, berrando e praguejando que não tínhamos juízo algum e que isso iria nos matar mais cedo ou mais tarde.

Cá entre nós, ele não ia nem um pouquinho com a minha cara.

Jack deslizou até a calha, dando um jeito de não se arrebentar ao pousar na sacada do quarto dele.

- Principe, príncipe, dê pezinho para eu descer! – exclamei, dramaticamente, observando tudo de cima da calha.

- Rapunzel, Rapunzel, suas madeixas pretas foram cortadas. Apenas minhas mãos reais poderão fazê-la descer para que se salve da bruxa má!

É. Entramos dentro do nosso globo de contos-de-fadas, os berros irados do senhor Newton eram distantes.

- Oh, príncipe. Ela foi colher uma maçã para me envenenar com uma torta. O que farei?

- Confie em mim, ajudarei você a descer até aqui, estará a salvo nos meus braços. – ele esticou os braços.

- Devo mesmo ir contigo?

- A farei a mulher mais feliz do mundo. – jurou, sorrindo. – Se é que moça tão deslumbrante como tu olharia para mim, pobre infeliz desgraçado que não sabe o que é a verdadeira felicidade.

- Pois eu lhe ensinarei, sonho meu. – e me joguei.

Como bem sabia que Jack faria, ele me agarrou pela cintura, e me girou, enquanto sorríamos com a nossa brincadeira que se quebrou quando ouvimos novamente os gritos que vinham do gramado.

- JACKSON! – berrou novamente. – ESTÁ EXPULSO DESSA CASA, ENTENDEU? VOCÊ NÃO VAI MAIS ENTRAR NESSE LUGAR! ESQUEÇA QUALQUER LAÇO QUE VOCÊ VÁ QUERER CRIAR POR AQUI!

- Senhor Newton... – tentei começar a falar.

- CALE-SE, INFELIZ. – ele começou a ficar vermelho, mas sua voz ficou mais baixa e contida, porém ainda enfurecida – Cansei da vida de casal que vocês levam aqui, ouviram? CANSEI. Aguentei o que tinha que agüentar, mas cansei. Vocês tem trinta minutos para sair dessa casa agora!

- Jack... – sussurrei, sufocada.

- Não se preocupe, princesa. – ele beijou minha testa, como sempre fazia quando queria me passar confiança. – Vai ficar tudo bem, ouviu? Eu estou aqui e sempre estarei aqui. Ok?

Ele me puxou para fora daquele terreno, sorrindo como sempre. Correndo. Éramos aquele típico jovem casal que parecia fugir de alguma coisa, de forma divertida, como se tudo fosse uma aventura. E tudo é uma aventura, de qualquer forma. Tínhamos que viver cada segundo do jeito que achássemos melhor ou nada valeria a pena. Paramos de correr quando já estávamos há seis quarteirões da mansão do pai de Jack.

- Jack, tenho um dinheiro no banco e você pode ficar na minha casa. – falei. – Mas você podia ter trazido umas roupas em uma mochila, hein? – suspirei.

- Princesa, princesa. – ele sussurrou. – Está tudo bem, calma. Olhe, venha. Tenho uma surpresa para você.


Notas finais
Como, prometido, um capítulo maior. Meus capítulos são sempre desse tamanho mais ou menos, o outro só saiu menor porque é como se fosse um prólogo.