The New Stylist
12 Sobre Macciatos, Histórias do passado e... Namoros midiáticos?
Notas iniciais
Sinto um cheiro adentrar minhas narinas, passando por meus pulmões fazendo o caminho de volta e retornando num ciclo vicioso, todavia reconfortante. Um equilíbrio perfeito entre o doce e floral com um fundo amadeirado agradável.
Pisco e tento levantar todavia sou impedida por braços, prendendo-me como se fossem desmoronar com a minha saída. A luz do sol é forte e incomoda então fecho e abro os olhos lentamente até conseguir focar a visão. Não era meu quarto, e, onde quer que eu esteja, não é minha cama.
— Como eu vim parar aqui? — Murmuro um tanto desnorteada ao notar que eu estou no hotel.
O maknae dorme enquanto me prende num abraço de urso protetor e eu não entendo como infernos eu fui parar ali, apenas sei que minhas pernas estão começando a adormecer e eu preciso sair dali antes que eu as perca por inteiro. Até os flashs da noite passada me atingirem feito soco me desestabilizando por alguns minutos.
Sinto minha respiração torna-se rarefeita e por um punhado de segundos sinto todos os meus órgãos internos e externos pararem de funcionar.
— Noona... Está melhor? — O garoto a minha frente abre as pestanas paulatinamente, como se tentasse focalizar a visão em mim. Assinto enquanto mordo os lábios um tanto nervosa.
— Sim... Estou bem. Desculpe por sabe... Ter gritado. — Digo ainda prendendo o lábio inferior entre os dentes soltando apenas quando sinto um gosto levemente metálico, sangue.
— Sua voz e o sangue no canto da sua boca dizem contam outra história. — Argumenta em um estado de semi despertar acoplado ao inglês falho e pausado, dito numa voz meio rouca e ressecada pelo sono.
— Ah eu... Sempre faço isso. — Replico e tento erguer me, mas bambeio sobre as ankeel boots com salto embutido, eram confortáveis e tudo, andaria um quilômetro as usando, todavia eram saltos e ainda havia a dormência, de qual quer modo, fui amparada por um desconhecido.
— Wooooooow Noona! A noite foi boa? — Quando consigo equilíbrio e me viro para agradecer quem quer tenha me impedido de cair de bunda no chão, sou recebida com uma pergunta dessas.
— Francamente, Jung Hoseok! — Reviro os olhos e, num ato muito maturo, exponho a língua para o garoto a frente. — Tenha noção do ridículo! Mal amanheceu e...
— Mas foi boa ou não? — Sim, a pergunta tinha lá sua duplicidade, mas, fitando o moreno erguer-se e coçar os olhos de um jeito quase que infantil, percebi a pergunta não dita implícita.
"Você está bem?"
Não. Nem um tantinho. Estou péssima. Quebrada e machucada de todos os jeitinhos possíveis e impossíveis.
— Não. — Nem dei conta quando a resposta escapou por entre meus lábios ou o suspiro sôfrego que também me permiti soltar. Os dois garotos incrivelmente adoráveis estavam frente a mim, com as cabeças inclinadas como o olhar de cachorrinhos curiosos e preocupados.
— A culpa não é de vocês ou algo assim. Eu só... tive uma noite ruim, causada por alguém ruim. E não, esse alguém não foi o hyung de vocês, pelo contrário, Jin foi o irmão mais velho que eu nunca tive. — "Até por que o que eu tenho é um inutil'' completo mentalmente, ao passo que dito a última frase assim que eles abrem minimamente a boca para comentar algo mas calam-se, com certo alivio nos rostos logo que termino. — Eu só... preciso de um tempo pra... pra por a cabeça no lugar.
Focalizo os sapatos, eles soam muito interessantes. Negros com cadarços caramelo certificando de deixa-los bem justos e fixos aos tornozelos.
— Entendo. Mas a noona não pode sair assim. Kookie, pegue alguma camiseta sua, uma pequena, e traga. Vem noona, vou fazer café. — Hope termina com um sorriso.
— Café? Sem fogão? — Digo e o outro apenas revira os olhos, apontando para uma cafeteira posta sobre o balcão, cafeteira que não estava ali pelo que me lembro.
— Compramos ontem. — Diz como se soubesse tudo a respeito de meus pensamentos. — Namjoon exigiu café ao ponto de fazer a Joy comprar uma. — Diz balançando os ombros, a caminho da cozinha. Algo errado.
O observo lavando xícaras e ajustando a cafeteira, estaria num silêncio completo se não fosse a melodia alegre do assobio que o garoto produzia. Vestia um blusa manga curta de malha negra e bem fina pelo que pude notar, junto a bermudas cinzentas e tênis brancos. Sim, havia algo realmente errado ali.
A roupa era neutra e cheia de seriedade, vendo-o de costas parecia algum tipo de homem de negócios nos seus dias de folga. Esse claramente não era o Hope.
— Hope... — Ele murmura um " Sim" em resposta ligando a máquina. — Somos amigos certo?
O garoto ergue o supercílio esquerdo enquanto põe duas xícaras vazias sobre o balcão e senta frente a mim.
— Onde quer chegar Noona?
— Somos ou não? — Retruco.
Ouço um "Bip" ao fundo e Hope se levanta carregando as xícaras consigo.
— Ye. Somos. — Diz devolvendo as xícaras agora preenchidas com um leve aroma de baunilha misturado ao cheiro de café e caramelo. — Macciato. Prove.
Aproximo a xícara e deixo o cheiro me enebriar um tanto antes de levar ao lábios e constatar que Jin não era o único bom cozinheiro do grupo.
— Está ótimo, obrigada.
— Você é engraçada Noona. — Ergo o olhar fitando-o por cima da xícara. — Sempre que vai comer algo você come com todos os sentidos. — Ele deposita a xícara sobre a mesa e atira uns fios para longe da cara, usando o mindinho. — Primeiro olha todos os detalhes, depois sente o cheiro e, dependendo do que for, tateia para só então comer. E além desse ritual todo você ainda come devagar como se quisesse provar todas as nuances da comida. — Enquanto diz ele gesticula as falas, representando-as e as tornando cômicas. — É engraçado. —Finaliza enquanto sacode os ombros.
— Bem eu cresci vendo Ratattoille. — Digo e repito seus gestos arrancando uma de suas risadas escandalosas. — Brincadeiras a parte, eu quero fazer uma pergunta. — Termino depositando o recipiente metade cheio (pois de vazias já me bastam a carteira e estante de livros) sobre a mesa enquanto o fito.
— Diga, desde que não seja sobre os MVs, juro que não sei o que estava na cabeça desses diretores.
— Vontade de ferrar com o fandom. — Dou de ombros e ele ri concordando. — Mas... Você está bem? Digo, não lhe conheço pessoalmente há muito mas bem, sou Army e de certo modo aprendi a ler os sete. — Ele soa um tanto espantado e eu apenas viro os olhos. — Qual é, toda Army já se aprendeu a fazer isso, vocês são muito transparentes! Enfim, indo ao ponto, você não soa bem, não quer contar algo? Juro que sou boa com isso de conselhos!
Ele parece pesar a proposta verificando se valeria a pena se abrir com uma pseudo-desconhecida.
— Está bem, mas com uma condição. Você me conta o que houve com você, e nada de algo neutro e resumido, sua história com detalhes pela minha com detalhes. Okay?
Agora sou eu que avalio a proposta, optando por contar. Creio que uma hora, com a convivência, eles descobririam. Então suspiro longamente, abro a torneirinha do sentimentalismo e deixo-a jorrar largamente.
Durante toda a historia o coreano a minha frente me deixou falar, me interrompendo apenas para falar o quão idiota o tal Murilo era e eu provavelmente estava bem melhor sozinha do que com um, nas palavras dele, "babo". Além disso ele também manteve uma expressão totalmente neutra, sem julgar ou algo do gênero, apenas sustentando um sorriso ladino, sorriso de quem entende bem demais a situação.
Quando termino, Hobi abre e fecha a boca uma porção de vezes, passando os dedos pela boca da xícara quase que intocada, provavelmente analisando a melhor forma de começar, ou talvez descobrindo por onde começar.
— Você deve saber, eu entrei aqui muito novo, tinha 16, quase 17 anos de idade. Fiz o teste pra JYP e parei na BigHit uma filial pequena no centro de Seul. — Ele faz um pausa tomando um gole do café e eu o acompanho — Só não era menor que a minha cidade, Gwangju, mas era minuscula — Ele mostra um espaço minimo entre seus dedos — comparada a minha teimosia. Ainda menor se comparar ao meu medo. — Ele solta um riso anasalado. Levo minha xícara aos lábios bebericando e ele resolve fazer o mesmo. — Sabe noona, eu estava como um gatinho escaldado, andando meio perdido, sozinho tentando encontrar o rumo certo até a empresa aí Joy-noona apareceu. — Seus olhos exibem certo brilho tão encantador que chega a cegar, mas ele desvia o foco dos olhos para a xícara, praticamente vazia, enquanto brinca com a mesma fazendo-a rodopiar no balcão. — Foi um daquelas situações idiotas que a gente só vê em filme: eu trombei com ela, ela caiu no chão, gritou comigo por ser tão desatento me xingou de coisas que eu nem sabia serem xingamentos como... "Cabeça de papel higiênico usado" — não puder conter uma risada ao ouvir o "xingamento" e ele me acompanhou soltando um pequena riso anasalado embebido em nostalgia — E teria continuado — ele bebe um gole do café antes de continuar. —Se não tivesse notado a mala e perguntado se eu era o novo trainee. Quando eu disse que sim, ela fez uma dancinha que muito provavelmente inspirou OMGT do MadTown, e se apresentou como coordenadora.
Ele faz uma pausa e olha a janela, como se juntasse coragem pra terminar, fez isso por uns, não tão longos, minutos, e eu soube antes mesmo dele me devolver o olhar, antes mesmo dele abrir a boca para terminar.
— Foi ali mesmo que eu me encantei por ela. Seria um pena se ela me visse como uma criança que ela tem de ficar vigiando. — Diz mexendo na taça, totalmente alheio, ou tentando demonstrar isso. — E o pior que isso não foi embora. Encanto que virou respeito, que virou afeto, que virou amizade, que virou paixão e paixão que virou amor. Amor unilateral mas ainda amor.
Sorrio, tomo o ultimo gole da minha xícara e tomo a vazia dele indo em direção a pia depositando-as lá. Depois sigo para a geladeira, pego uma caixinha de leite e uma barra de chocolate, ponho o leite para ferver na cafeteira (sim é possível) lavo as xícaras e ponho pedaços de chocolate lá dentro.
— Você sabe o melhor jeito de descobrir uma solução para um problema do coração? — Ele sacode a cabeça lentamente como se pensasse onde infernos eu queria chegar. Despejo o leite fervendo na xícara, e ponho uma colherzinha em cada. — Esse. Sabe, minha mãe faz isso quando os problemas parecem ser maiores que a gente. Ela dizia que enquanto o chocolate derrete, leva junto nossos bloqueios e medos, fazendo a gente enxergar melhor.
Ele dá um sorriso pequeno e vira os olhos.
— Yah, você reclama e tudo, mas realmente é uma noona.
Sorrio e fito meu chocolate começando a derreter. Eu realmente espero que o que eu disse faça efeito, isso de os problemas derreterem, se não quem desmancha sou eu.
Focalizo o olhar no chocolate e Hope resolve fazer o mesmo; achar uma solução.
— Você... — Sinto seu olhar sobre mim. — Já tentou falar pra ela?
— Annyo Noona. Nem adiantaria.
Santa estupidez. Homens.
— Hora da história! — Digo e Tae entra pinotando na cozinha enquanto berra coisas como "QUERO OUVIR!" — Okay pode ouvir mas sossega o facho aí. — O recém aloirado assente sentando ao do outro. — Essa é uma história de uma garota. A tal garota tinha muitos amigos, mas um em especial chamava atenção. — Sorrio com as memorias. Já não dói mais. — Ele era uma porção de centímetros mais alto, tinha olhos de uma cor tão unica que até hoje ela não sabe a cor, usava uma barba ridícula que a garota cansou de pedir pra ele tirar mas ele se negava. E aconteceu. Ela se encantou, eles se conheciam desde criança mas foi só quando ele começou a passar a cabeça dela, que ela se deu conta.
— E o que ela fez? — V perguntou visivelmente envolvido.
— Jogou os sentimentos no fundo do baú oras! Quem disse que o medo a deixou falar? Não, escondeu. Melhor tê-lo como amigo que não tê-lo! — Fitei Hope nessa hora, ele se encolheu. Ótimo, estava entendendo. — Então ela se manteve, as amigas notaram, ele não. Bem que dizem que homem é bicho cego! — Ouvi risinhos do dos dois e mais gente entrando. — Mas era difícil, ele estava sempre perto, com os braços em torno dela como imã. E tinha o cheiro de baunilha e chocolate amargo que ela amava por serem os favoritos dela, além da mania de fazê-la ficar envergonhada e vermelha. Deixa eu dizer um segredo: ela raramente assumia essa cor, mas um par de palavras dele conseguiam fazer ela imitar um tomate.
— Então... Por que ela não disse o que sentia? — Jin perguntou me tomando um sorriso ladino.
— Medo como eu disse. O fato é: ela deixou os sentimentos entocados e um belo dia ela viu. Ele fazia o mesmo que fazia com outra, uma garota com cabelo castanho de pontas rosas, tinha mais curvas e parecia mais adulta, e ela só teve tempo de notar isso antes deles se beijarem.
— E aí? — Jimin berrou.
— Ela tirou uma foto e mais tarde, quando ele foi pra casa dela, pois era lei filmes aos sábados, ela mostrou e perguntou o motivo de não ser avisada. Ele disse que ia contar, tinha pedido a garota de cabelo cor de rosa em namoro naquele momento e já planejava contar. A partir daí foi uma confusão. Ela começou a berrar e ele também os dois brigavam e, em meio a tanto caos, o bichinho que ela deixou preso saiu e mostrou as garras, aquele bicho chamado "sentir" que ela manteve enjaulado em um quarto escuro. Daí ele soube tudo que ela sentiu por ele. — Fiz um pausa apenas para encarar as bocas abertas deles, estavam os sete ali, junto com Joy e Evellyn que me encarava surpresa por eu estar falando aquilo, ao mesmo tempo que parecia feliz.
— E aí!? — V volta a se empolgar.
— Ele disse o obvio, que o medo dela não a permitiu ver. — Fiz uma pausa apenas para notar a tensão impregnada no ar. J-Hope volta e meia olhava Joy de esguelha, esta mordia os lábios e parecia bem pensativa quanto a história, Lynn sentou-se ao meu lado e prendeu seus dedos aos meus, V e Jimin pareciam empolgados com a narrativa, Jin e Namjoon riam da cara da maknae line, provavelmente pensando com haviam se empolgado tanto com uma simples história. Antes fosse. — "Eu gostava de você. Mas você não parecia sentir o mesmo. Num dia ruim a Marcela apareceu e ganhou espaço aos poucos. Sinto muito"
— O que houve com ela ? — Dessa vez quem pergunta é Suga. Acho que ele já entendeu.
— Bom, eles se afastaram um pouco. Sabe até tentaram manter a amizade e tudo mas, bem, era difícil. Então barreiras cresceram entre eles sem que percebessem. Ela chorou e muito. — Sinto Lynn apertar minha mão sutilmente como que para dizer que estava ali. — Então um belo dia a irmã mais nova dela a chutou para fora das cobertas e las duas saíram, e nesse dia que a vida dela mudou. Elas ajudaram num estrangeiro que, olhe só, era um dos reitores da faculdade dos sonhos dela! Então ela conseguiu a bolsa foi pra fora do pais, e passou a gostar de menta com chocolate e calda de caramelo. — "Caramelo pois lembravam os olhos do homem que ela conheceu nesse intercâmbio." Jin sorria, junto a Suga, eles já haviam entendido tudo.
— Eu acho que tem um fundo de verdade nessa "história". — Jin se pronuncia e tem o apoio de Suga.
— Aigoo. Como ela foi idiota! E se fosse a Soulmate dela? — Namjoon se pronuncia pela primeira vez no dia. Sorrio.
— Tenho que concordar. A minha eu de 16 anos era bem idiota.
— Aish noona. Omma Jin diz que mentir é feio. — O maknae diz escorado na porta.
— Yah, por que eu mentira sobre isso? — Replico. — O fato é: não escondam o que sentem. Okay? Dá merda. Experiencia própria.
— Pera... Então essa história toda, não foi inventada? — Jimin pergunta e há um revirar de olhas coletivo.
— Sim Minnie nada inventado.
— Nesse caso... A noona tem muito o que contar. — Suga diz e o restante concorda, então eu apenas assinto e começo a explicar por que diabos eu estava chorando feito bezerro desmamado na noite anterior.
***
— Okay. Más noticias. Todo mundo pra sala. Estrella, Kookie tem haver com vocês. — Joy desliga a ligação e aponta em direção a sala então, um a um, calmamente todos vão pra sala.
Fala sério, quem cai nessa? Saiu todo mundo feito boiada estourada, uma zona só.
De qual quer modo, tudo havia sido explicado e minha idiotice perdoada, também havíamos tomado café da manhã — no meu caso minha terceira xícara, o que fez Lynn me mandar um olhar torto pela quantidade mas... Quem liga? — e até pouco antes de Joy avisar que algo estava errado, estávamos debatendo loucamente qual o melhor anime. Pra você ver o nível.
— O que houve noona? — V verbaliza a pergunta que ecoa na mente de todos.
— Espera. — Diz e quase que automaticamente a tela da Tv se liga com o Bang PD-nim nela. Tudo que eu penso é "Ferrou". Troco um olhar com maknae, ele parece dividir as mesmas preocupações que eu, mas lança um olhar reconfortante. De certa forma isso me acalma. — Pode falar PD-nim.
— Annyong. Acho que precisamos ter uma bela conversa certo? — Começa a falar num inglês bem polido, como se esperasse minha presença ali, tanto é que quando seu olhar me alcança ele apenas assente me fazendo retribuir o gesto.
— PD-nim, — Nam começa também em inglês — você nos conhece muito bem, não faríamos nada que prejudicasse nossa imagem e...
— Eu sei. — o PD o interrompe, mas quem disse que alguém para o Rap Monster quando ele se empolga?
— Estrella não tem culpa e...
— Eu sei.
— Kookie também não...
— Eu sei... — o homem parece já estar no automático e bastante enfadado eu diria.
— E a gente merece um apê maior! — V interrompe.
— Eu sei. — Viu? automático.
— E você vai pagar pra a gente! — Tae continua e sim, Mon ainda nos defende.
— Eu sei... Espera que? — Só nessa hora que Namjoon para, e é só pra soltar um "Não tá ajudando" em coreano (créditos da tradução a Joy) — Olha Namjoon, aquieta sim? E V... — ele suspira — Disso a gente cuida outra hora okay? O assunto agora está nos trendic topics do Twitter: StarKook.
— Star o que? — Kookie e eu perguntamos ao mesmo tempo o que nos faz trocar um olhar de "Sério isso?"
— Own que bonitinhos! Acho que não é tão mentira assim... — antes que eu abrisse a boca pra continuar o PD retoma a fala. — O fato é: Deus sabe como descobriram quem você é Estrella. Acho que perceberam que parecia a nova estilista linkaram a situação toda e Boom! — Ele simula com as mãos algo parecido com uma explosão — Criaram um shipp! Bem bonitinho por sinal...
— PD-nim eu realmente sinto muito, eu nunca que ia imaginar que fotografariam eu saindo da van e muito menos criarem essa história toda, até por que eu entrei no hotel antes do maknae e eu.... — Faço uma pausa para respirar já que havia soltado isso tudo de um fôlego só. — Sinto muito. De verdade.
— Wow... Calma. Eu não estou com raiva, já que isso fez com que o Bangtan conseguisse um pouco mais de foco no Brasil. E se você é uma army, como Joy disse ser, devia estar mais atenta as FanBases. A maioria está bem feliz, decepcionadas por Vkook e Jikook não serem reais, mas felizes por — ele põe uns óculos retangulares, pequenos e sem aros na ponte do nariz e parece ler algo — "O maknae estar crescendo e tirando o BV." — Contenho um riso pois realmente é algo que o fandom diria.
— Yah! — Ele se ergue num pulo — Não é como se eu nunca tivesse beijado! — Todos, e isso inclui o PD, o fitam com cara de "Sério?"
— JungKook, — Começo depois de conter os risos — você perdeu com quantos anos então? 12? — Digo e ele vira a cara emburrado, se sentando em seguida, causando uma onda de risos geral.
— Noona babo. — O ouço dizer em coreano bem baixinho.
— Yah, cadê o respeito? Hã?
— Desde quando você entende coreano? — Ele ergue o supercílio em puro deboche. Sabe de nada inocente.
— Entendo uma coisa ou outra. Babo dongsaeng!
— Você é mais nova que eu!
— Alguns dias Maknae, alguns dias.
— Então não chamo mais de Noona!
— Nem eu de Oppa!
— Você nunca me chamou de oppa!
— Não na sua frente. — Evellyn completa e fazemos um high-five.
E o bate boca ia continuar se não fosse a risada vindo da tela.
— Okay, okay parece que vai dar certo então.
— Que mal pergunte PD mas o que? — Pergunto, e eu juro, que vi uma sombra de maldade no olha daquele homem.
— É o seguinte Estrella, das duas uma: ou a gente desmente tudo e você sai do emprego físico e passa a assisti-los via vídeo conferencia, como a que estamos fazendo agora.
— Parece bom para mim. — Dou de ombros e ouço protestos dos outros sete, logo calados por Joy usando o bendito apito.
— Wow, quero um desses Joy.
— A melhor coisa que a Estrella fez foi me dar essa belezura aqui! — Joy responde e guarda o apito no bolso do colete jeans que ela usava por cima de uma regata listrada. O PD fala algo em coreano que eu simplesmente não entendo e tenho que aturar o olhar de " vai lá sabichona" do maknae quando ele nota minha duvida. Maldito seja.
— É uma boa opção, mas até esquecerem isso vai levar uns bons meses e nesse período vão fazer o inferno com você, repórteres na porta da sua casa, talvez na sua loja também. Ameaças de Sasanges são bem prováveis também. — Termina e eu engulo em seco. Não parece bom mesmo.
— E a segunda opção? — Jungkook pergunta subitamente sério, lógico é a carreira dele.
— Vocês assumem o namoro.
Juro, se eu estivesse bebendo algo eu teria cuspido tudo ou morrido engasgada.
A partir daí a sala virou um caos. Jin e Namjoon riam de nervoso, V, Hope e Jimin gritavam coisas como "Shippei!" Suga e Joy tentavam a acalmar a maknae line, Lynn ria mas era da minha provável cara de bunda, enquanto eu e o maknae tentávamos dizer que era uma péssima ideia, e no meio dessa zona toda, o PD sorria calmamente.
Resumindo: ou ele pôs botox e não pode mexer a cara ou ele é um dementador disfarçado de gente se alimentando da desgraça alheia. — isso explicaria o friozinho que eu senti, mesmo vivendo em Fortaleza com nada agradáveis 37° Celsius. Na sombra.
— Yah! Respirem! Deus... — O homem na tela revira os olhos. — Se pararem pra pensar vai ser melhor, a imprensa adora casaizinhos se assumindo e enche o saco quando a gente nega. Então a gente dá a eles o que eles querem e — ele enfatiza a ultima letra. — ainda faz as Armys felizes! Imagina só: "Se a Estrella, uma Army e brasileira conseguiu o maknae por que eu não conseguiria meu bias?" Os fanmeetings e high touch's vão esgotar em segundos!
— Como se isso já não ocorresse! — Rebato e bufo sentindo minha cabeça latejar. — Olha PD, a ideia é boa, eu, falando como Army amei e tudo, mas você esquece que a maioria esmagadora é Jungkook biased! — Replico.
— As Armys de verdade vão estar a favor de vocês! — Joy se pronuncia enquanto se senta no sofá, massageando as têmporas, e eu vejo ali o mesmo brilho tristonho presente nos olhos de Hobi horas mais cedo.
Nota mental: falar com ela mais tarde.
— Isso é verdade mas...
— O que foi? Eu sou nojento assim? — Diz transpassando os dedos pelos fios, o tom na sua voz é de escarnio. Oh merda.
— Não é só... — repito o gesto de Joy, cansada daquela confusão. — Eu só tenho medo okay? Não por mim, mas por você! — Afundo o dedo no seu ombro. — Você, muito provavelmente, não viu mas há um tempo atras rolou uma tag chamada "Cut for Kook". Sabe por que? — Ele nega. seu maxilar está travado e ele parece tão irritado quanto eu. — Surgiu um boato de que você havia arrumado uma namorada e centenas de garotas fizeram cortes por você. A culpa não é sua, claro mas... eu não quero que se repita. Não quero que várias garotas sofram, ainda mais ser culpada nisso. — Suspiro e jogo o pescoço para trás, apoiando a cabeça no sofá apertando os olhos com força, pondo o cérebro de ponta cabeça, procurando solução. Não há jeito. Só tem duas opções. E as duas tem lados igualmente ruins. É aí que sinto dedos presos aos meus.
— Yah, noona. Tudo bem. Eu topo se você topar.
Desvio minha atenção pra ele. Ele soa tão... verdadeiro. Dizendo implicitamente "Qual quer decisão vem de ambas as partes." Posso arcar com isso. Tenho lá meus traumas e flash do dia anterior se repetem na minha mente, mas acho que posso lidar com isso.
Avisto as roupas que eu deveria ter vestido tempos atras e as pego. Se é pra fazer, façamos direito.
— Pronto pra lidar com as sasanges? — Pergunto sacudindo as roupas
— Pronta pra se tornar a garota mais desejada de todas? — Gargalho.
— E por que eu me tornaria?
— Está comigo oras! — reviro os olhos e dou-lhe um peteleco.
— Abaixa a bola garotão.
— Que bom que todo mundo se resolveu! — Jimin anuncia jogando-se ao meu lado, ao passo que usa as mãos de travesseiro para a cabeça. — Assim não me sinto culpado pela foto que acabei de tuitar.
— Você o que? — Jungkook pergunta e eu não faço ideia de que foto seja.
Antes que eu verbalizasse minhas duvidas meus celular vibra no bolso dos shorts. Notificação do Twitter, resolvo abrir.
Oh. Meu. Deus.
— Park Jimin. — Ele volta os olhos pra mim
— Você é um homem morto. — Ele parece tão assustado que arregala os olhos tanto que eu nem pensei que ele pudesse ter olhos de um tamanho normal, e então corre. Nós corremos atras dele sedentos por seu sangue em uma taça e a cabeça numa bandeja, acompanhados de talheres de outro fino ao melhor estilo Hannibal, que nem noto os gritos de "Não corram!" vindos de Jin, os berros de "OMMA!" de Jimin, os risos do resto, e isso inclui o PD que também comentou algo sobre "desencalhar o resto do grupo", muito menos percebo o celular, deixado desbloqueado sobre o sofá aberto numa foto minha e do maknae, cuja a existência me era desconhecida, dormindo no mesmo sofá onde o aparelho fora abandonado.
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