Notas iniciais
Agora que o Nyah! voltou, eu posso finalmente postar. Não me culpem pela demora! O que houve com vocês leitores? No primeiro capítulo eu tive oito comentários e no segundo apenas quatro. Eu fiz algo errado? Enfim, espero que gostem e boa leitura!

Elena, em seus dezessete anos, estava dormindo tranquilamente em sua cama até que acordou em um sobressalto ao ouvir um grito vindo de um lugar próximo. Ao abrir os olhos, imediatamente se levantou de sua cama e correu até a porta branca com flocos de neve pintados que era do quarto ao lado do seu. Abriu a porta do quarto de Elsa, tendo reconhecido o grito como sendo da irmã e a avistou deitada encolhida em sua cama, tremendo. A loira de sete anos estava com o rosto vermelho e os olhos inchados, em conjunto com as lágrimas, denunciava que estivera chorando.

Preocupada, a morena imediatamente caminhou hesitante até cama e colocou a mão no ombro de Elsa.

– Qual é o problema? – Elena questionou, franzindo o cenho com preocupação. É claro, não eram poucas as vezes em que Elsa acordava gritando por um pesadelo, mas era bastante raro que ela chorasse por isso.

– P-pesadelo. – Elsa respondeu com uma voz embargada enquanto limpava as lágrimas no rosto com as costas da mão trêmula.

– Quer me contar? – A mais velha sorriu fracamente. – Talvez ajude.

Elsa assentiu e Elena se sentou na cama dela e fez um gesto para que a loira sentasse em seu colo. A mais nova logo obedeceu, ainda limpando suas lágrimas.

– E-eu estava sobre u-um lugar con-congelado. T-tinha uma tempestade d-de neve. – Elsa gaguejava, ainda soluçando um pouco. – N-não dava para ver n-nada até q-que ac-acabou. E... – Não continuou.

– E? – Elena encorajou, expressando preocupação.

Elsa recomeçou a chorar incessantemente. Elena abraçou a irmã, afagando suas costas, tentando acalmá-la.

– Todos vocês estavam congelados. – Elsa falou de uma vez enquanto as paredes do quarto começavam a ficar cobertas de gelo. – Papai, mamãe, você e Anna.

Em segundos, o quarto inteiro estava coberto de gelo.

– Elsa. – Elena chamou, querendo fazer a loira parar de chorar, mas a mais nova não a olhou. – Elsa. – Chamou mais uma vez e desta vez a loira lhe fitou. – Não era real. Está tudo bem. Nada daquilo era real.

– Mas pode ser. – Elsa respondeu com a voz embargada e limpando as lágrimas mais uma vez.

– Não, não pode. – Elena sorriu de forma encorajadora. – Eu acredito em você e sei que você nunca machucaria nenhum de nós.

– Mas... – A loira tentou falar, mas a morena a interrompeu.

– Elsa, você não é um monstro. – Elena olhou a loira nos olhos. – E se todos nós podemos ver, por que você não consegue?

Elsa não disse nada, apenas abraçou a irmã mais velha, que imediatamente retribuiu o abraço.

– Obrigada. – Elsa falou, já parecendo mais calma.

– Sempre que precisar. – Elena assegurou.

As duas ficaram daquele jeito até que ouviram a aproximação de mais alguém. As duas olharam para a porta e perceberam que eram seus pais e Anna.

– Algum problema? – A mãe questionou com preocupação, alternando olhares entre ambas as filhas.

– Acho que não. – Elena respondeu e olhou para Elsa, que assentiu. – Então acho que já vou para o meu quarto... – Andou um passo até a porta, mas sentiu que a loira segurou seu braço.

– Não vá. – Elsa pediu, ainda estando com medo de que se ficasse sozinha, os pesadelos retornariam.

– Deixe sua irmã ir, Elsa. – O pai das meninas pediu com um sorriso gentil no rosto. – Nós podemos ficar com você. – Gesticulou para si mesmo e para a esposa.

Elsa balançou a cabeça em negação e aumentou ainda mais o aperto que mantinha no braço da irmã mais velha, que se virou para os pais.

– Eu fico. – Assegurou e os dois assentiram, saindo dali com Anna, que parecia curiosa com a situação.

Elena se deitou ao lado de Elsa na cama e a loira agarrou seu braço como uma criança faz com um urso de pelúcia quando está assustada.

Standing Frozen in the life I’ve Chosen. – A morena cantarolou baixinho na intenção de fazer a loira dormir. – You won’t find me. The past is so behind me. Buried in the Snow. Let It Go. Let It Go. Can’t hold it back anymore...

Elena sorriu ao notar a respiração tranquila da irmã mais nova, o que denunciava que ela já havia adormecido. Não tardou para que a morena adormecesse também.

– OUAT –

Mylena e Annabelle estavam sentadas em uma mesa na Lanchonete da Vovó, à noite. A ruiva parecia contente, mas a morena parecia entediada e desinteressada, trazendo apenas um sorriso fraco que a mais nova não sabia ser falso.

– Tem visto a Elsa? – Annabelle questionou, sorrindo para Mylena.

– A última vez que a vi foi ontem, assim como você. – Mylena deu de ombros, mas tentou fingir estar animada. Decidiu-se por mudar de assunto. – Fiquei sabendo que a sua turma vai passar no Abrigo de Animais amanhã.

– É sim. – A ruiva concordou. – Você aparece lá?

– Se eu tiver tempo. – A morena concordou, sorrindo torto e até minimamente animada.

– Obrigada. – Annabelle retribuiu o sorriso.

– Sempre que precisar. – Mylena assegurou.

As duas ficaram em silêncio por algum tempo até que Mylena suspirou audivelmente.

– Anna, eu preciso ir. – A morena falou sem graça e não era mentira. Ainda tinha um turno da delegacia. – Tenho que trabalhar. Aqui. – Entregou o dinheiro necessário para que a ruiva pagasse a conta.

– Tudo bem. – Anna assentiu. – Marina! – Chamou a ruiva de cabelos cacheados rebeldes, Marina Scott, que era garçonete na Lanchonete. – A conta. – Annabelle se levantou e foi até a ruiva. As duas estudavam juntas e eram amigas, então foram conversar.

– Te encontro depois. – Mylena disse e saiu da Lanchonete.

A morena foi andando pelas ruas de Storybrooke segurando seu casaco preto. Estava frio, mas ela nunca se incomodara com isso, usando apenas uma blusa vermelha de mangas até os cotovelos, calças pretas e suas inseparáveis botas pretas.

Acabou por ver a Mercedes azul-marinho de Elsa estacionada perto de seu próprio carro, um antigo modelo Célica preto da Toyota. Notando uma movimentação dentro do carro azul, ela se aproximou.

– Você está bem? – Mylena perguntou ao ver Elsa inquieta dormindo sentada no banco do carro.

A loira acordou com um sobressalto e suando frio, mas logo balançou a cabeça e forçou um sorriso para a preocupada morena.

– Ah. – Elsa assegurou. – Está tudo bem. Foi só um pesadelo.

– Fora que não parece estar muito confortável aí. – Mylena declarou com preocupação.

– Eu já estive em tantos lugares apertados que ter que dormir no meu carro nem é tão ruim. – A loira respondeu.

– Está dormindo aqui? – A morena franziu o cenho.

– Até eu encontrar um lugar. – Elsa deu de ombros.

– É verdade. – Mylena sorriu de canto. – Você decidiu ficar.

– É. – Elsa concordou e abriu a porta do carro, saindo. – Essa cidade não parece ter muitas vagas. Nenhuma, na verdade. Isso é normal?

– Deve ser a Maldição.

Elsa olhou para ela com choque, mas logo depois relaxou e pareceu até um pouco desapontada ao notar que a morena estava brincando.

– O que faz aqui há essa hora? – A loira perguntou ao se recuperar da aparente paralisia.

– Eu sou xerife. – Mylena deu de ombros. – Jantei com a Anna na Lanchonete da Vovó e agora tenho que ir à delegacia.

– Você precisa dormir. – Elsa discordou, percebendo as olheiras que emolduravam os belíssimos olhos azul-gelo da morena.

– Eu estou bem. – Mylena garantiu, sorrindo torto e com um pouco de animo. – Sabe... – Decidiu-se por mudar de assunto. – Se as coisas ficarem complicadas, eu estou morando em um apartamento que comprei há pouco tempo já que saí de casa e lá tem um quarto vazio.

– Ah, obrigada. – Elsa falou sem graça. – Mas eu acho melhor não. – Ela realmente gostaria bastante de passar mais tempo com a irmã, mas magoava-lhe o fato de a morena não se lembrar dela. – Dividir apartamento não é comigo. Eu fico melhor sozinha.

– Não, tudo bem. – Mylena sorriu de canto, embora por dentro estivesse realmente desapontada mesmo sem entender bem o motivo. – De qualquer forma, eu tenho que ir. Boa noite e boa sorte com a Anna. – Disse isso e foi até seu próprio carro, entrando e dirigindo para longe dali.

Elsa ficou observando-a partir até que uma sensação estranha atingiu seu braço direito. Ela dobrou a manga até o cotovelo, de modo que pudesse ver o que lhe incomodava, e não acreditou no que viu.

Na manhã seguinte, Anna estava com a turma do último ano visitando o Abrigo de Animais. Miranda era a professora que os estava acompanhando, tendo se oferecido para o trabalho.

– Alicia, Belle e Marina, chamem o supervisor, tudo bem? – Miranda pediu com um sorriso gentil no rosto e as três concordaram.

Annabelle, Alicia e Marina foram até o escritório do supervisor, a qual havia uma placa com o nome Andrew Storm na porta. Anna abriu a porta lentamente, encontrando um rapaz de cabelos pretos, olhos verde-floresta e pele pálida, vestindo calças pretas, sapatos pretos, camiseta social branca e gravata preta meio frouxa, sentado atrás de uma mesa, utilizando o computador. Atrás dele estava um rapaz de cabelos castanhos e olhos de mesma cor, usando um moletom branco fechado, calças jeans azuis e tênis azuis.

– Oi. – O de olhos verdes cumprimentou, trazendo um sorriso gentil no rosto.

– Qual de vocês é o supervisor? – Alicia perguntou, alternando olhares entre os dois.

– Eu. – O de olhos verdes se levantou e se aproximou das meninas. – Sou Andrew Storm. Aquele – Apontou para o rapaz que permanecia parado e sorridente ao lado da mesa. – É Jake Winter. – Virou-se novamente para as três. – Em que posso ajudar?

– A visita do colégio. – Marina deu de ombros.

– Ah, claro. – Andrew concordou e acompanhou as meninas juntamente com Jake.

– Você não vai acreditar em quem eu encontrei. – Anna sorriu ao se sentar ao lado de Elsa no castelo de madeira que havia na praia depois da aula.

– Quem? – Elsa arqueou uma sobrancelha, curiosa.

– Príncipe Andersen de Weselton e o Guardião da Neve e da Diversão Jack Frost. – Annabelle sorriu, mostrando seu livro numa página onde se podia ver o desenho dos dois rapazes. – Os dois trabalham no Abrigo de Animais. O nome do Andersen aqui é Andrew Storm e o do Jack é Jake Winter.

– Anna... – Elsa sorriu verdadeiramente feliz, afinal já fazia um bom tempo que não via seu noivo ou seu futuro cunhado.

– Mas o Jack parece estranho aqui. – A ruiva declarou e mostrou uma das primeiras páginas do livro, a qual retratava Jack Frost quando ele ainda era humano. – Está assim.

– Então como o reconheceu? – Elsa arqueou uma sobrancelha, mas Annabelle apenas deu de ombros, sem saber o que responder.

Um outro pensamento que estivera lhe incomodando voltou à mente de Elsa e ela suspirou pesadamente.

– Não vai adiantar muita coisa saber quem eles são se não quebrarmos a Maldição. – A loira declarou. – E para isso, temos que fazer a Elena acreditar.

– Não vai ser fácil. – Annabelle respondeu, mas não pareceu desanimada.

– Você tem alguma sugestão? – Elsa perguntou, parecendo cansada.

A ruiva pareceu pensar por alguns minutos antes de um sorriso esperançoso aparecer em seus lábios. Ela abriu o livro em uma página onde havia a imagem de Elsa e Elena.

– O livro diz que vocês sempre estavam juntas. – Annabelle falou. – Sempre faziam tudo juntas e se conheciam melhor do que qualquer outra pessoa. Assim, você podia tentar se aproximar da Mylena e talvez fazendo algumas coisas que a lembre de tudo o que vocês passaram...

– Ela pode começar a acreditar e assim quebraremos a Maldição. – Elsa completou com um sorriso.

– Exatamente. – Anna assentiu.

– Onde ela está? – Elsa perguntou com um sorriso empolgado.

– Ela saiu da Delegacia esta manhã e quando me visitou no Abrigo, disse que ia para casa. – Annabelle respondeu. – Talvez ainda esteja lá.

– Onde é? – A loira questionou.

Elsa dirigiu sua Mercedes até o endereço que Anna lhe dera. Era um prédio com aparência antiga, mas muito bonito e bem cuidado. Entrou e se dirigiu às escadas, indo até o andar em que a ruiva lhe dissera para ir. A única porta daquele andar estava entreaberta e a loira entrou hesitante, olhando em volta para o belíssimo apartamento.

Tinha paredes brancas e piso de carvalho. Algumas pinturas tinham lugar nas paredes e os móveis pareciam em perfeita harmonia com o lugar. Porém, o olhar de Elsa se centrou o olhar na pessoa que estava sentada tocando um piano que havia ali.

I Know You. I Walked With You Once Upon A Dream. – Mylena cantou, tocando também. – I Know You. That Look in Your Eyes is So Familiar a Gleam. Yet I know it’s true that Visions are seldom all they seem. And If I Know You, I know what you’ll do. You Love me at Once. The Way You Did Once Upon a Dream…

– Ficou ótimo. – Elsa se aproximou, assustando um pouco a morena, que sorriu ao notar a presença da loira. – Eu não sabia que você tocava piano. – É claro que eu sabia. Sua mente lhe corrigiu.

– Piano e violão. – Mylena respondeu. – Eu gosto muito de música.

– Eu também. – Elsa falou. – Você compôs essa?

– Sim. – Mylena assentiu. – Se chama ‘Once Upon A Dream’.

– Toque mais uma. – A loira pediu.

– Essa eu só compus a melodia. – Mylena disse e começou a dedilhar as teclas do piano.

Foi tocando com perfeita naturalidade, mas a melodia parecia ligeiramente triste, assim como o semblante da morena também denunciava. Elsa ficou calada, esperando que ela terminasse e também aproveitando cada segundo, uma vez que fazia tempo que não escutava sua irmã tocar para ela.

– O que acha? – Mylena perguntou assim que acabou de tocar.

– Ficou muito boa. – Elsa respondeu. – Como se chama?

– ‘Unhappy Endings’. – A morena declarou.

Acho que combina. Elsa pensou, afinal aquilo que estavam vivendo não era o que se chama de final feliz.

– Anna me emprestou isso. – Elsa falou depois de alguns minutos em silêncio, mostrando o livro ‘Once Upon A Time’ a Mylena. – Ela disse que talvez você fosse gostar de ler.

– Claro que achou. – Mylena riu e se levantou, gesticulando para o sofá que havia na sala. – O que vamos ler?

– Você decide. – Elsa respondeu.

As duas foram até o móvel e se sentaram nele. Elena pegou o livro das mãos de Elsa e o abriu na parte da história da ‘Rainha da Neve’ e as duas começaram a ler.

– OUAT –

Elena corria por Arendelle com Elsa agarrada às suas costas, ambas sorrindo como nunca. Ninguém fazia a loira ficar tão feliz quanto a irmã mais velha.

A morena levou a irmã a uma floresta que havia próxima ao castelo, a qual se dirigiu a uma clareira onde havia também um pequeno lago.

– Que bonito. – Elsa sorriu, olhando em volta.

– Eu gosto muito de vir aqui. – Elena respondeu e se sentou à sombra de uma árvore à beira do lago, gesticulando para que a loira também sentasse.

Elsa obedeceu à irmã mais velha, sentando-se ao lado dela.

– Como vão as coisas com a Anna? – Elena questionou, olhando a loira.

– Vão bem. – Elsa alargou o sorriso. – Acho que nós nunca fomos tão unidas. Quase toda noite ela vai ao meu quarto e nós brincamos no salão.

– Isso é bom, mas eu gostaria que você me avisasse quando fosse fazer isso. Eu gostaria bastante de ir junto. – A mais velha ficou feliz.

– Tudo bem. – Elsa bufou, dando de ombros. – Eu prometo que só vou fazer isso se você der permissão e nos acompanhar.

– Eu te disse que não haveria nenhum problema. – Elena riu com divertimento.

– Eu sei que você me avisou. – Elsa revirou os olhos. – E obrigada por isso.

– Não há de quê. – Elena disse e olhou para cima, observando as nuvens.

Elsa seguiu seu olhar e as duas ficaram fitando o céu pelo que lhes pareceu um longo tempo. O silêncio ali não era incomodo como seria com qualquer outra pessoa. As duas se conheciam o suficiente para saberem que não era preciso encher cada segundo que passavam juntas com palavras.

As duas só foram interrompidas por um baque surdo, que as fez se virar e ver um pequenino pássaro caído no chão. Elena e Elsa se levantaram e foram até o pequenino animal, a qual Elena o pegou nas mãos.

– O que será que aconteceu com ele? – Elsa perguntou, olhando o pequenino com preocupação.

– Deve ter caído da árvore. – Elena disse, observando o pássaro com uma atenção meticulosa, como se o estivesse examinando. – Mas não acho que tenha quebrado alguma coisa. Vamos ver.

Elena levantou os braços e abriu as mãos, dando espaço para que o pequenino pássaro voasse livre pelos céus. As duas irmãs sorriram felizes enquanto obsevavam o pequeno se distanciar.

– É algo lindo, não é? – Elena perguntou, ainda olhando o pássaro.

– O que? – Elsa a fitou com confusão.

– A liberdade. – A mais velha respondeu. – É algo lindo.

– Acho que sim. – A loira deu de ombros.

Elena suspirou e se ajoelhou, de modo que ficasse da altura de Elsa e segurou os ombros da irmã mais nova, que lhe olhava atentamente.

– E é uma coisa da qual eu espero que você nunca desista. – A morena sorriu. – Seja livre, Elsa. Sempre. Você nunca vai abrir mão da sua liberdade, me promete?

– Sim. – Elsa não entendia muito bem, mas concordou, recebendo um sorriso da irmã mais velha logo em seguida.

– Nunca fique sozinha. – Elena pediu. – Porque estar sozinha é a pior Maldição que se pode imaginar.

A loira assentiu e subiu novamente nas costas da morena, que recomeçou a andar de volta para Arendelle. Um vento frio passou pelas duas e a mais velha sorriu, começando a cantar:

Up here in the cold thin air I finally can breathe. – Cantou com um sorriso no rosto. — I know I left a life behind. But I'm too relieved to grieve.

– OUAT –

Assim que as duas terminaram de ler uma parte da história, Elsa fechou o livro e olhou a morena, que estava com um sorriso pensativo no rosto.

– O que foi? – A loira questionou, arqueando uma sobrancelha.

– Eu sempre gostei muito dessa história. – Mylena respondeu, ainda parecendo pensativa. – Mas eu sempre lia e estranhava o fato de a Rainha da Neve ser uma vilã. Eu gostava de pensar nela como uma pessoa mal compreendida e não má. Acho que a versão desse livro combina mais comigo. – Sorriu.

Elsa não conseguia descrever o quanto ficara feliz ao ouvir aquilo, mas permaneceu calada, apenas com um sorriso radiante no rosto.

– Por que está sorrindo? – Mylena perguntou, embora também estivesse com um sorriso nos lábios.

– Nada. – Elsa balançou a cabeça e se levantou do sofá. – Eu tenho que ir agora.

– Tudo bem. – Mylena assentiu e acompanhou Elsa até a porta. – Posso ficar com isso? – Apontou para o livro marrom nas mãos da loira.

– Claro. – Ela concordou verdadeiramente animada e entregou o livro à morena.

As duas se despediram e a loira foi embora. Assim que Elsa saiu, Mylena voltou ao sofá e recomeçou a ler de onde ela e Elsa haviam parado.

– OUAT –

Um Ano Depois...

Já era noite e todos no castelo se encontravam dormindo em suas camas, exceto uma a pequena Anna, já em seus cinco anos. Ela foi andando sorrateiramente até uma porta branca com flocos de neve e a abriu, entrando no quarto.

Dormindo na única cama do cômodo, estava uma tranquila Elsa de oito anos.

– Elsa. – A mais nova chamou, subindo na cama. – Acorde, acorde, acorde. – Ela pediu.

– Anna, volte a dormir. – Elsa pediu, abrindo minimamente um dos belos olhos azuis.

Anna se deitou por cima da irmã e colocou um dos braços por cima da testa, como em uma cena dramática.

– Eu simplesmente não posso. – Falou. – O céu despertou, por isso estou acordada, por isso temos que brincar. – Disse, abrindo completamente os braços.

– Vá brincar sozinha. – Elsa respondeu, empurrando Anna da cama e fazendo a mais nova cair no chão.

Anna caiu sentada no chão e fez uma cara pensativa, mas que logo em seguida se desfez em uma expressão de compreensão. Feliz com sua ideia, a mais nova subiu novamente na cama da irmã para mais uma tentativa.

– Você quer brincar na neve? – Perguntou, abrindo um dos olhos de Elsa.

A loira sorriu com entusiasmo, mas logo se lembrou de um pequeno detalhe.

– Perguntou a ela? – Elsa questionou.

Quando viu a mais nova franzir o cenho, logo soube a resposta. Levantou-se, ficando sentada na cama de frente para Anna.

– Eu Prometi que nós só faríamos isso se ela desse permissão e nos acompanhasse. – Elsa lembrou.

– Eu sei, mas agora ela está dormindo. – Anna cruzou os braços e fez bico. – Não vai deixar.

– Se realmente quer brincar, temos que ir perguntar. – Elsa sugeriu.

Anna sorriu para a irmã e logo as duas correram até o quarto ao lado do de Elsa. Abriram lentamente a porta e lá encontram uma já adormecida Elena que já tinha dezoito anos. Elsa se aproximou com Anna logo atrás e cutucou o braço da mais velha.

– Elena. – Elsa chamou.

– Vocês deveriam estar dormindo. – Elena falou sem abrir os olhos.

– Mas queremos brincar. – Anna interveio.

– Vão dormir. – A mais velha pediu.

– Nós não estamos cansadas. – Elsa falou.

– Mas eu estou. – Elena respondeu, virando-se de costas para as meninas.

Anna subiu na cama e começou a pular em cima de Elena. Elsa soltou um risinho baixo com a cena e ficou parada observando.

– Por favor, por favor, por favor. – Anna insistiu.

Elena soltou um suspiro e tirou Anna de cima de si, levantando-se em seguida.

– O que eu não faço pelas minhas irmãzinhas? – Ela perguntou, revirando os olhos.

Anna deu alguns pulinhos de alegria e logo em seguida começou a puxar Elsa e Elena para fora do quarto.

– Vamos lá, vamos lá, vamos lá. – Anna apressou enquanto as outras duas faziam sinal para que ela ficasse em silêncio.

Logo as três entraram em um enorme salão e pararam em seu centro.

– Faça a magia, faça a magia. – Anna pediu, dirigindo-se a Elsa.

Elena observou de perto Anna se aproximar da irmã e Elsa criar uma pequena bola de neve.

– Pronta? – Elsa perguntou e Anna balançou a cabeça em sinal de concordância.

Elsa jogou a bola de neve para cima e ela se desfez em dezenas de flocos que caíram pela sala formando uma bela visão.

– Isso é incrível! – Anna gritou, pulando de um lado para o outro.

Elsa e Elena soltaram um riso baixo e se entreolharam.

– Ela tem razão. – Elena falou. – É realmente incrível.

– Já sei o que você quer dizer. – Elsa riu baixo e revirou os olhos. – Fale logo.

– Tudo bem. – Elena riu. – Eu te disse.

Elsa sorriu para a irmã mais velha e chamou Anna. A mais nova se aproximou da loira.

– Veja isto. – Elsa falou para a ruiva.

Batendo seu pé, o chão congelou, formando uma pista de patinação, a qual Anna começou a escorregar. Elena segurou a irmã mais nova e a guiou patinando pelo salão com Elsa, que sabia patinar perfeitamente, seguindo as duas.

Logo depois, Elsa fez um pouco de neve e ali as três criaram um boneco de neve. Elsa e Anna deram algumas gargalhadas com a cabeça meio torta que Elena fez. Ao terminar de dar os toques finais, Elsa virou o boneco para Anna, que estava sentada no colo de Elena, e segurou os gravetos que formavam os braços do boneco, mexendo-os.

– Olá, eu sou Olaf. – Elsa falou, fazendo uma voz diferente como se fosse o boneco. – Eu gosto de abraços quentinhos.

– Eu te amo, Olaf. – Anna falou, correndo até onde a irmã estava e abraçando o boneco.

Elena também se aproximou das duas e passou a mão carinhosamente na cabeça de cada uma e sorrindo quando as duas olharam para ela.

– Eu tenho uma ideia. – Elena falou e começou a puxar as duas irmãs e o boneco para a pista de gelo.

A mais velha contou as irmãs a brincadeira e logo Anna estava agarrada ao boneco de neve com Elsa logo atrás usando seus poderes para empurrá-los pelo salão enquanto Elena observava as irmãs se divertirem encostada à parede.

Durante a noite, as três fizeram várias coisas. Anna e Elsa brincaram em um escorrego de neve criado pela loira e no impulso, Anna caíra em cima de Elena que estava sentada em monte de neve à frente do escorrego.

A morena apenas riu enquanto a ruiva começava a pular em montes de gelo criados pela loira. Mas em algum momento, Elsa escorregou e na tentativa de salvar a irmã de uma queda, acertou-a acidentalmente com seus poderes. Elena, ao ver que Anna se machucaria seriamente se caísse no chão daquela altura, correu até a mais nova, que estava inconsciente, e a segurou antes que caísse no chão, mas acabou caindo deitada no processo.

Elsa correu até as duas e se ajoelhou ao lado de onde Elena ainda estava deitada com uma desmaiada Anna, a qual uma mecha de seus cabelos começava a ficar branca, nos braços. Em meio ao desespero, Elsa perdeu o controle de seus poderes e a partir de onde estava o chão começou a congelar e não tarda até o gelo atingir Elena.

Uma camada fina de gelo percorreu o corpo da morena, mas curiosamente não chegou à cabeça ou até onde ela segurava Anna.

– Elena! Anna! – Elsa gritou. – Mamãe! Papai! – Ela chamou os pais logo em seguida.

– Está tudo bem. Está tudo bem. – Elena falou com a voz rouca por causa da súbita fraqueza provocada pelo gelo, tentando acalmar a irmã. – Vai ficar tudo bem.

Logo, foi ouvido o barulho da porta se abrindo e os pais das garotas correram até onde as três estavam.

– Elsa, o que você fez? – O pai perguntou ao ver o estado do salão e das meninas. – Isso está ficando fora de controle.

– Foi um acidente. – Elena defendeu a irmã mais nova.

A mãe delas pegou Anna dos braços da filha mais velha e o pai ajudou Elena a se levantar, mas apoiou-a em si, vendo que ela estava fraca demais para ficar em pé sozinha.

– Estão muito geladas. – A mãe falou ao encostar-se à pele das duas filhas.

– Eu sei onde temos que ir. – O pai falou, ainda segurando Elena.

Depois de pegar em um dos livros um mapa, todos partiram a cavalo. O pai levava Elena e Elsa e a mãe levava Anna. Os cavalos corriam a toda velocidade e o que Elsa se encontrava deixava para trás uma trilha de gelo por onde passava. Não tardou para chegarem a um lugar cheio de pedras.

– Por favor, socorro! – O pai falou. – Minhas filhas.

As pedras do lugar remexeram-se um pouco e logo começaram a rolar até onde a família estava, transformando-se em trolls ao chegar até eles.

– É o rei. – Um deles falou.

Todos abriram espaço e um troll se aproximou de onde estavam o rei, a rainha e as três filhas.

– Vossa majestade. – O pequeno ser falou, pegando a mão de Elsa em seguida. – Nascida com poderes ou amaldiçoada?

– Nascida. – O rei respondeu, abaixando-se cuidadosamente ainda segurando Elena. – E estão ficando mais fortes.

O troll fez sinal para que o rei aproximasse Elena para ser examinada.

– Não. – A mais velha recusou. – Primeiro a Anna.

O pai e a mãe assentiram e logo em seguida a rainha se abaixou para que o troll pudesse examinar a filha mais nova. O troll colocou a mão de pedra sobre a testa de Anna e falou:

– Tem sorte que não foi no coração dela. – Disse, tirando a mão da testa da ruiva. – O coração não é tão fácil de ser mudado, mas a cabeça pode ser persuadida.

– Faça o que deve. – O rei pediu, olhando com preocupação de uma filha para outra.

– Eu recomendo removermos toda a magia. – Ele falou, puxando imagens da cabeça de Anna para todos verem e alterando-as. – Mesmo as lembranças de magias seguras, mas não se preocupe, eu vou deixar a diversão.

Assim, ele juntou todas as imagens alteradas em sua mão e a colocou na cabeça de Anna.

– Ela vai ficar bem. – Declarou.

– Mas ela não vai lembrar que eu tenho poderes? – Elsa perguntou.

– Vai ser melhor. – O rei respondeu antes do troll.

– Ouça-me, Elsa. — O troll começou. – Seu poder só vai crescer. – Ele começou a mostrar algumas imagens. – Há beleza nele, mas também há grande perigo. Deve aprender a controlá-lo. O medo vai ser seu inimigo.

As imagens assustaram a loira e ela correu até onde os pais estavam.

– Não. – O rei declarou. – Nós vamos protegê-la. Ela pode aprender a controlá-lo, eu tenho certeza. Nós só...

Ele foi interrompido por um mínimo gemido vindo da filha mais velha.

– Elena! – Ele chamou, mas a garota já havia fechado os olhos.

Ele a colocou no chão para que o troll a examinasse. Como feito antes com Anna, o troll colocou a mão na cabeça de Elena para examiná-la, mas retirou-a em seguida, trazendo em seu rosto de pedra uma expressão infeliz.

– Ela é uma garota forte. Especial, devo dizer. – O troll começou. – Pelo que vi, os poderes de Elsa deveriam tê-la congelado por completo e ainda assim não o fez e o gelo ainda é mais fino do que deveria.

– Então, ela vai ficar bem? – A rainha perguntou.

– Apesar de não estar tão forte quanto deveria, o poder de Elsa ainda fez muito efeito. – O troll começou, evitando olhar para o rei e a rainha que o fitavam preocupados. – Receio que já seja tarde.

– Ela... Ela não... – A rainha tentou, mas não conseguiu dizer e inúmeras lágrimas começam a cair de seus olhos.

– Sim. – O troll falou. – Ela morreu.

Elsa se agarrou ao corpo já sem vida da irmã mais velha e as lágrimas inundaram seu rosto, molhando também as roupas de Elena. O rei e a rainha se abraçaram, ainda com Anna entre eles, ambos também chorando.

– Eu sinto muito. – O troll falou.

Elsa aumentou mais ainda o aperto do abraço.

– É minha culpa. – Ela disse. – Eu sinto muito, Elena.

– OUAT –

Já estava anoitecendo e Elsa, que havia acabado de sair da casa de Mylena, andava em rumo pelas ruas de Storybrooke. Distraiu-se olhando para o céu enquanto andava e esbarrou em alguém, caindo no chão.

– Me desculpe. – A pessoa com quem havia esbarrado pediu e estendeu a mão para ajudá-la a levantar.

Elsa levantou o olhar e viu que era um rapaz de cabelos e olhos castanhos, vestindo um moletom branco, calças jeans azuis e tênis azuis. Um turbilhão de emoções ganhou lugar dentro de si assim que ela o reconheceu.

– Tudo bem. – Disse assim que conseguiu falar novamente e segurou a mão que ele lhe estendia, levantando-se.

– Eu estava distraído. – Ele falou sem graça. – Mas onde estão os meus modos? Não fomos formalmente apresentados. Meu nome é Jake. Jake Winter.

– Elsa Snow. – A loira sorriu para ele.

– Já ouvi falar de você. – Ele respondeu com um sorriso espontâneo que ela conhecia bem. – Não temos muitos turistas em Storybrooke, então é fácil saber quando alguém não é daqui. Mas é sempre bom ter visitas.

– Acho que sim. – Ela concordou. – E a cidade é maravilhosa.

– É pequena, mas bem agradável. – Ele concordou e sem que percebessem, os dois já estavam caminhando pelas ruas de Storybrooke.

– É sim. – Elsa assentiu. – Eu pretendo ficar por um tempo. Sabe se tem vaga em algum lugar?

– Acho que o único lugar assim é o Quartos e Café da Manhã da Vovó. – Jake respondeu, dando de ombros.

– Não é uma opção. – Elsa suspirou com cansaço.

– Então acho que não posso te ajudar. – Ele pareceu insatisfeito ao dizer isso.

– É uma pena. – A loira respirou fundo. – Talvez eu alugue um apartamento.

– Sozinha? – Ele arqueou uma sobrancelha.

– É. – Ela fez que sim com a cabeça.

– Não é uma boa ideia. – Ele respondeu, olhando a loira. – Em minha opinião, ficar sozinho é a pior Maldição que se pode imaginar.

Assim que ele terminou de falar, Elsa imediatamente parou de andar. “Nunca fique sozinha. – Elena pediu. – Porque estar sozinha é a pior Maldição que se pode imaginar.” A frase martelou na mente da loira, que imediatamente se sentiu culpada por não ter cumprido o que havia prometido à morena.

– Eu disse alguma coisa errada? – Jake a tirou de seus pensamentos e quando ela o olhou, percebeu que ele parecia preocupado.

– Não. – Ela balançou a cabeça em negação. – Foi só um pensamento que me veio à cabeça.

– Seria grosseria minha perguntar qual? – Ele brincou e Elsa até estranharia o fato de ele estar falando tão formalmente, mas logo se lembrou de que ele estava amaldiçoado e não estava em seu comportamento normal.

– Minha irmã. – Elsa respondeu e os dois recomeçaram a andar.

– Mylena? – Jake arqueou uma sobrancelha e Elsa o olhou com incredulidade. – Todo mundo fala que a Annabelle diz que vocês são irmãs. E realmente se parecem muito.

– O nome da minha irmã é Elena. – Elsa explicou, fugindo da pergunta, e ele assentiu silenciosamente.

– E onde ela está? – Jake questionou com curiosidade.

– Na verdade, eu a estou procurando. – Elsa respondeu e não era mentira. Ela estava tentando achar pelo menos uma parte de Elena em sua versão amaldiçoada, Mylena.

– Espero que consiga achá-la. – Ele disse e ela sorriu para ele.

– Eu também espero. – Ela falou e os dois voltaram a olhar para frente. Um pensamento ocorreu na mente de Elsa e ela se virou para Jake. – Posso te pedir um conselho?

– Fique à vontade. – Ele respondeu.

– Mylena me convidou para morar com ela. – A loira explicou. – Você acha que eu deveria aceitar?

– Quer mesmo minha opinião? – Ele arqueou uma sobrancelha e ela assentiu com a cabeça. – Eu acho que ela é uma pessoa solitária. Não a conheço muito bem, mas sempre que a vejo, ela está sozinha. Mesmo a Annabelle só a acompanha raramente. Ela vive naquela delegacia e pelas olheiras que vi nela hoje de manhã, acho que não dorme há muito tempo por causa desse trabalho. Faria bem para ela ter alguém com quem conversar e conviver.

– Isso é um sim? – Elsa questionou, embora ainda processasse as palavras que ele havia dito.

– É sim. – Jake sorriu.

– Obrigada. – Elsa deu um beijo na bochecha dele, fazendo-o ficar vermelho, e correu pelo caminho por onde havia vindo, voltando o mais rápido que conseguia ao apartamento da morena.

– OUAT –

O troll acabara por convencer o rei e a rainha a levarem Elsa, que se agarrara com todas as forças que tinha ao corpo da irmã mais velha. Os governantes de Arendelle levaram a loira e a ruiva, mas deixaram a morena por pedido do pequeno ser que os ajudara, com a condição de que depois poderiam voltar e dar um enterro digno à Princesa de Arendelle.

Assim que os quatro estavam longe o suficiente, o troll tocou novamente a testa da morena e ela acordou com um sobressalto, respirando rapidamente. A cor voltou ao seu rosto e a pele já não estava gelada como a de alguém que realmente estivesse morto.

– O que aconteceu? – Elena perguntou, virando-se para o troll, assustada.

O troll não respondendo, permanecendo absolutamente parado em seu lugar com um semblante infeliz. O lugar ficou completamente escuro e os outros trolls se afastaram dali, voltando às suas formas de pedra.

A morena ficou parada, atônita, olhando em volta. O Rei dos Trolls se aproximou dela, parecendo culpado.

– Sinto muito. – Ele disse e também se retirou, virando novamente uma pedra.

Elena ia perguntar, mas um vento forte invadiu a clareira de pedras e ao lado dela, um homem de armadura medieval preta e cabeça de abóbora apareceu.

– Lembra-se de mim? – O recém-chegado brincou e o entalhe que representava sua boca assumiu a forma de um sorriso macabro, fazendo Elena tremer.

– Claro. — A morena concordou, parecendo temerosa.

– Então acho que sabe por que eu estou aqui. – Ele declarou.

– Sim. – Elena se levantou rígida. – Mas não esperava vê-lo tão cedo, Jack.

– Cedo? – Ele riu e um barulho alto que parecia a mistura de um grito agoniado e metal se partindo ecoou pela clareira. – Já faz anos que fizemos esse acordo.

– E como posso ver, você ainda não desistiu dele. – Elena suspirou pesadamente. – Você planejou tudo isso? Encenou minha morte e colocou os trolls nos planos dessa sua mente doentia?

– Sim. – Jack concordou, não se importando nenhum pouco com o tom de desagrado da morena. – Agora que sua família pensa que você está morta, não será muito difícil cumprir com sua parte do trato.

– Mas você não cumpriu a sua. – Elena levantou o tom de voz algumas oitavas. – Você magoou a Elsa. Lembra que foi exatamente isso que combinou não deixar acontecer?

– Eu falei que nada iria feri-la. – Jack corrigiu com um sorriso vitorioso. – E acho que ela continua ilesa, depois de tudo. Mesmo com Breu atrás de vocês duas. Se a loirinha ainda está viva e bem, significa que eu cumpri com minha palavra, você não concorda?

Elena pareceu pensar por alguns segundos e então falou:

– Você brinca com as palavras como brinca com as pessoas. – Ela falou, parecendo irritada e Jack reviraria os olhos se isso fosse possível naquela sua face de abóbora.

– De qualquer forma, você ainda me deve. – Ele declarou. – E creio que saiba o que acontece com quem quebra acordos comigo.

– De fato. – Ela concordou. – Sua reputação lhe precede.

– Tenho certeza que sim. – Jack concordou e em segundos o sorriso entalhado na face de abóbora sumiu. – Ainda lembra-se dos termos do nosso contrato?

– Como eu esqueceria?

– Então já sabe: Você tem vinte e quatro horas para desaparecer. – Jogou um pequeno saco de cor púrpura, que a morena pegou se dificuldade. – Use isto.

Elena abriu o saco e olhou o que havia lá dentro, sorrindo sem humor logo em seguida.

– Por que eu não estou surpresa? – Disse com ironia.

– Não quero vê-la aqui amanhã. – Jack advertiu, dando um tom mais ameaçador à sua voz. – Você acha que sabe do que eu sou capaz, mas passa bem longe disso. – Dito isso, simplesmente sumiu.

– Acredito que sim, O’Lantern. – Elena falou cabisbaixa e começou a andar a passos lentos até o castelo.

– OUAT –

Mylena passara a se concentrar mais naquela parte da história. Por nenhum motivo aparente, o que estava escrito ali e as imagens que se formavam à medida que lia lhe pareciam extremamente familiares.

Decidindo-se por ignorar aquilo, ela fechou o livro e o largo no sofá. Levantou-se e balançou a cabeça, tentando se livrar das memórias do que havia lido e foi até a cozinha, pegando um copo de café que seria suficiente para lhe manter acordada até o dia seguinte, uma vez que ela precisaria fazer mais uma ronda na cidade aquela noite.

Como ainda faltava algum tempo para que ela fosse trabalhar, dirigiu-se ao piano, onde pegou o violão preto que estava ao lado dele. Sentou-se na poltrona que havia ali perto e pôs-se a pensar, procurando em sua mente algo que pudesse tocar.

Como se por impulso, começou tocar e as palavras saíram de sua boca sem que ela desse permissão:

Up here in the cold thin air I finally can breathe. – Cantou com um sorriso estranho e atípico no rosto. — I know I left a life behind. But I'm too relieved to grieve…

Assim que se deu conta que estava cantando a mesma música que havia lido que a personagem Elena cantara no livro, deixou o violão de lado e se levantou, respirando fundo e procurando se livrar as malucas ideias que lhe ocorreram.

Estou ficando louca. Seu lado mais racional gritava em sua cabeça. Mas pode ser que não. O pensamento lhe veio e ela balançou a cabeça, começando a caminhar nervosamente pelo apartamento.

Andando de um lado para o outro no apartamento, ela quase não ouviu as batidas insistentes na porta. Assim que ouviu o barulho, correu até a porta e pôs a mão na maçaneta, pronta para abrir a porta.

– OUAT –

O sol já estava nascendo e Elena observava o castelo de Arendelle por entre as árvores. Seu olhar estava centrado na janela do quarto de Elsa, por onde conseguia ver a loira chorando.

Um barulho e um vulto aparecendo por entre a floresta lhe chamou a atenção e ela se virou em tempo de ver um albino de olhos azuis, usando um casaco azul, calças castanhas e descalço se aproximando, segurando um cajado.

– Você veio. – Elena disse, voltando a olhar para a janela.

– Surpresa? – Ele sorriu e seguiu o olhar da morena. – A Elsa cresceu bastante. Já faz algum tempo, não é?

– É sim. – Ela concordou. – Ela agora tem oito anos.

– Mas por que você me chamou aqui? – Ele arqueou uma sobrancelha, curioso e confuso.

– Porque você me deve um favor. – Ela suspirou, parecendo cansada e olhou para o albino. – E eu vou cobrá-lo agora.

– O que precisa? – Ele questionou preocupado.

– Quero que cuide da Elsa para mim. – Ela respondeu, segurando-se para não desabar a chorar na frente do amigo.

– O que? – Ele quase não acreditou. – Por quê?

– Não posso te explicar agora, Jack. – Ela deixou uma lágrima solitária escorrer por seu rosto. – Mas eu estou indo embora. Eu não posso ficar aqui, mas também não posso deixar a Elsa desprotegida com o Breu atrás dela.

– Elena, o que está acontecendo? – Jack perguntou com preocupação. – Você sempre me falou da Elsa e do jeito que dizia, parecia que nunca a deixaria sozinha e agora está indo embora? É isso? Eu não entendo.

– O’Lantern. – Ela respondeu. – Fiz um acordo com ele e agora ele está cobrando. Eu tenho que ir embora.

Jack Frost ficou calado por um momento, olhando para ela com incredulidade.

– Elena, o que você fez?! – Ele exclamou exasperado. – Jacky disse para você não fazer isso. Ela disse para você do que ele era capaz.

– Eu fiz esse acordo antes de conhecer vocês dois. – Ela explicou e mais algumas lágrimas escaparam de seus olhos. – E eu não posso fugir dele. Você conhece a reputação dele.

– Conheço sim. – Ele suspirou com infelicidade. – Pode deixar. Eu cuido da Elsa. Para onde você está indo?

Elena não respondeu. Começou a caminhar, adentrando na floresta e Jack a viu erguer um pequeno saquinho e retirar um Feijão Mágico de dentro dele. Então, a morena jogou o Feijão no chão e este abriu um portal verde, a qual ela entrou nele, desaparecendo.

– OUAT –

– Oi. – Mylena cumprimentou ao abrir a porta e dar de cara com uma Elsa constrangida olhando-a.

– Oi. – A loira retribuiu o cumprimento e respirou fundo antes de falar. – Então... – Pareceu sem graça. – Aquele quarto ainda está disponível?

Mylena sorriu radiante e gesticulou para que Elsa entrasse no apartamento e assim a loira o fez com um sorriso aliviado nos lábios.

Notas finais
O que acharam? Quem conseguiu perceber a relação do flashback com o tempo atual?