Notas iniciais
A loira de olhos azul-gelo ergueu o olhar e viu uma morena extremamente parecida com ela, mas sua felicidade não durou mais que dois segundos ao constatar o olhar infeliz da outra sobre alguma coisa atrás de si. A loira virou-se e encontrou a estátua de gelo que um dia fora sua irmã.
– Anna. Não! – A loira se levantou e abraçou a estátua, chorando sem parar.
De cabeça baixa para que a loira não pudesse ver suas lágrimas e sentir-se ainda mais culpada, a mais velha foi até Anna e colocou sua mão sobre a que a ruiva estendera para parar a espada do príncipe que tentara matar a loira, fechando os olhos em seguida.
Nenhuma das duas sequer percebeu quando a ruiva começou a descongelar até que ela estivesse completamente livre do gelo.
– Anna? – A loira não perdeu tempo em abraçar a ruiva, que rapidamente retribuiu o abraço.
A morena sorriu com a cena e afagou as cabeças de ambas as irmãs, que a fitaram com uma pergunta clara nos olhos.
– Não fui eu. – A mais velha assegurou sem deixar de sorrir.
Logo a loira se virou novamente para a ruiva sorridente a sua frente.
– Você se sacrificou por mim? – Perguntou, sorrindo.
– Eu te amo. – Foi tudo o que Anna respondeu, mas o suficiente para fazer a irmã ficar radiante.
– Um ato de verdadeiro amor pode descongelar um coração congelado. – O boneco de neve animado ali explicou com entusiasmo.
– Amor... Vai descongelar... – A loira começou a pensar, com uma das mãos segurando a mão de Anna e com a outra segurando a de Elena. – Amor... É claro! – Elsa sorriu e soltou as mãos das duas.
– Elsa? – As duas perguntaram.
– Amor. – Elsa respondeu e tudo a volta delas começou a descongelar.
Todo o gelo transformou-se novamente em água e eles se viram no navio que havia ali, olhando para todos os lados enquanto todo o reino novamente retomava o verão.
–
Todos no reino estavam reunidos no mesmo salão onde ocorrera a coroação de Elsa algum tempo antes. Porém, dessa vez o motivo era outro: Um casamento. O casamento de Anna e Kristoff, o loiro que a ajudara a encontrar a irmã. O vendedor de gelo finalmente havia tido coragem para pedir a ruiva em casamento e esta prontamente aceitara, tendo também a aprovação de ambas as irmãs mais velhas.
Kristoff estava parado inquieto no altar enquanto esperava que Elsa e Elena trouxessem Anna. Andersen, o príncipe de cabelos pretos e olhos verde-floresta que se tornara um grande amigo da família desde que ajudara Anna a trazer as irmãs de volta ao reino, estava posicionado perto do noivo e seria padrinho juntamente com Olaf, Elsa e Elena. O boneco de neve parecia mais animado do que nunca.
Enquanto isso, no quarto de Anna, Elsa e Elena terminavam de arrumar a ruiva para seu casamento.
– Esse é o dia mais feliz da minha vida! – Era a quinta vez que Anna dizia aquilo.
Elsa e Elena soltaram um riso baixo e continuaram a arrumar a ruiva.
– Pelo menos você conhece o Kristoff a mais tempo do que apenas um dia. – Elena comentou baixinho, arrancando mais um risinho de Elsa.
Anna franziu o cenho, mas logo revirou os olhos.
– Vocês duas nunca vão me deixar esquecer aquilo, não é? – A ruiva questionou.
– Não. – A loira e a morena responderam juntas.
Anna suspirou, mas sorriu. Logo as outras duas terminaram de arrumá-la e saíram com ela do quarto. Guiaram a ruiva eufórica até o salão e um dos soldados anunciou a chegada delas. A música iniciou e os convidados se calaram, olhando para as portas e esperando pela noiva.
Anna entrou com seu belo vestido branco, acompanhada de Elsa e Elena, uma de cada lado. A loira estava vestida com seu antigo vestido de gelo, seu favorito, o mesmo que fizera no castelo de gelo que construíra. A morena também vestia seu vestido vermelho fogo com detalhes preto como cinzas, uma vez que este era o que mais gostava.
Andaram a passos lentos, acompanhando a música, e logo chegaram até onde Kristoff esperava ansioso. Elena deu a mão de Anna ao loiro e trocou um olhar com Elsa.
– Se magoar ela, você já sabe... – As duas disseram juntas.
Como se para provar o argumento, na mão de Elsa surgiu um raio de gelo e na de Elena, uma bola de fogo. Kristoff engoliu em seco, mas logo depois sorriu e virou-se juntamente com uma Anna animada para o padre. Elsa se posicionou com Olaf ao lado de Anna e Elena fez o mesmo com Andersen, ficando ao lado de Kristoff. Os demais amigos do casal e das irmãs da noiva, que eram Mirana, Alice, Jack, Jacky, Merida, Soluço e Rapunzel, também estavam próximos.
Depois de muito falar, o padre finalmente disse as palavras que importavam:
– Você, Kristoff, aceita a Rainha Anna de Arendelle como sua legítima esposa?
– Aceito. – Kristoff parecia que ia explodir de animação.
– Você, Rainha Anna de Arendelle, aceita Kristoff como seu legítimo esposo?
– Aceito. – A ruiva parecia que estava prestes a chorar.
– Então pelo poder em mim investido pelas três Rainhas de Arendelle, Anna, Elsa e Elena, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Anna e Kristoff se aproximaram e se beijariam, mas o barulho das enormes portas do salão sendo abertas chamou a atenção de todos para uma figura de pele cinzenta, que era alta, magra e de cabelos e olhos pretos que estava entrando no lugar.
– Desculpem o atraso. – O homem recém-chegado disse, sorrindo e andando até o centro do salão, onde estavam os noivos e os padrinhos.
Alguns guardas do castelo tentaram impedi-lo, mas foram arremessados para trás por uma onda de areia negra criada pelo recém-chegado.
– É o Rei dos Pesadelos. Corram! – Alguém por entre os convidados gritou.
– Ele não é mais rei. – Elsa fez uma bola de gelo em sua mão. – Hoje ele não passa de um... – Pareceu pensar por um segundo. – Bicho-Papão.
– Não, não, não. – Elena se aproximou da loira. – Não se rebaixe ao nível dele. – Pediu e se virou para o homem. – Está gastando seu tempo, você já perdeu. E não vou deixar que estrague esse casamento.
– Eu não vim aqui para estragar nada. – Ele sorriu. – Pelo contrário, querida. – Disse a última palavra com sarcasmo. – Eu vim aqui para dar um presente. Mais especificamente para as madrinhas da noiva, se me permite dizer.
– Nós não queremos nada de você! – Elsa quase gritou.
– Mas deveriam querer. – O homem retrucou. – Meu presente para vocês é esse dia muito, muito feliz. – Declarou, andando um pouco pelo lugar, mas sem tirar os olhos de Elsa e Elena. – Mas amanhã o meu verdadeiro trabalho começa. Aqui, a irmã de vocês fez votos, mas agora EU vou fazer os meus. Em breve, tudo o que vocês amam, tudo o que vocês todos amam será arrancado de vocês. – Gesticulou para todo o salão. – Para sempre. Do seu sofrimento, virá a minha vitória. – Parou e olhou para Elsa e Elena, que jamais tiraram os olhos dele. – Eu vou destruir sua felicidade. Nem que seja a última coisa que eu faça.
Disse isso e se virou, logo caminhando para a saída.
– Você! – Elena gritou e ergueu a mão para ele, de onde saiu uma bola de fogo em direção ao homem.
Porém, o homem desapareceu numa nuvem de areia negra antes de ser atingido. Anna abraçou seu então marido, enquanto Elsa e Elena se entreolharam, preocupadas.
– OUAT -
Nas ruas da cidade de Boston, uma ruiva magra, não muito alta e de olhos azul-água com aparentemente dezoito anos caminhou rapidamente até um táxi que estava parado no estacionamento. Ela logo deu algumas batidas no vidro, chamando a atenção do motorista, que baixou a janela.
– Aceita cartão de crédito? – Ela arqueou uma sobrancelha.
– Onde você mandar. – O taxista colocou o cinto e deu a partida no carro.
A ruiva sorriu e adentrou no veículo, animada.
–
– Podem levar. – Uma loira alta, magra, pálida e de olhos azul-gelo com aparentemente vinte e um anos declarou para alguns policiais que observavam o carro na qual havia um homem desacordado lá dentro.
Não tardou para que os policiais levassem o homem e apreendessem o carro. Agradeceram à loira, que foi embora logo depois.
Ela pegou seu próprio carro e dirigiu até um prédio, mas antes passando em uma padaria. Estacionou sua Mercedes azul-escura e entrou no prédio, logo se dirigindo ao andar em que ficava seu apartamento.
Entrou no apartamento e logo largou os saltos pretos no chão. Andou até a bancada da cozinha e retirou de uma sacola, um pequenino bolo que havia comprado na padaria antes de ir para casa. Pegou uma caixa de fósforos e acendeu uma vela que colocara no bolinho.
– Mais um ótimo ano. – Sussurrou.
Fechou os olhos com força e fez seu pedido, logo soprando a vela e apagando-a. Em seguida, ouviu a campainha tocando e alternou olhares entre a vela e a porta.
Andou a passos rápidos até a porta e a abriu, vendo em sua frente a última pessoa que esperava encontrar em sua vida.
– Você é Elsa Snow? – A ruiva que tocara a campainha perguntou.
– Sim. – Elsa respondeu, ainda parecendo não acreditar em quem estava vendo.
– Meu nome é Annabelle. – A ruiva se apresentou e sorriu. – Sou sua irmã.
A loira ficou paralisada por alguns segundos e logo a ruiva foi entrando em sua casa, olhando em volta. Elsa ainda parecia não acreditar no que estava acontecendo e seguiu a garota pela casa.
– Garota. Garota. – Chamou e a ruiva se virou para ela. – Eu não tenho irmã. Sou filha única.
– Quem te disse isso? – Annabelle arqueou uma sobrancelha. – Seus pais? Há quanto tempo? Talvez vinte e oito anos atrás?
Elsa respirou fundo.
– Me dê um minuto. – Pediu e praticamente correu até o banheiro, fechando a porta ao entrar.
Lá, ela respirou fundo mais uma vez, ainda tentando absorver o que estava acontecendo. Ela se lembra. Esse era o único pensamento que assolava sua cabeça. Mas por que disse que seu nome é Annabelle? Este outro pensamento invadiu sua mente.
– Você tem suco? – Ouviu a voz da ruiva. – Não importa. Eu já achei.
Depois de quase cinco minutos, Elsa saiu novamente do banheiro. Andou lentamente até a bancada onde a ruiva estava encostada com uma garrafa de suco de laranja.
– É melhor irmos embora. – Annabelle declarou.
– Para onde? – Elsa arqueou uma sobrancelha.
– Quero que você venha comigo. – A ruiva respondeu.
Elsa suspirou, querendo voltar à realidade e colocar em sua cabeça que nada daquilo estava realmente acontecendo.
– Eu vou chamar a polícia. – A loira disse e foi andando até o banheiro.
– Posso dizer que você me sequestrou. – Annabelle falou, olhando desafiadora para ela.
– E vão acreditar porque eu sou sua irmã. – Elsa revirou os olhos.
– Sim, você é. – A ruiva respondeu.
– Você faria isso? – A loira semicerrou os olhos, desafiando.
– Experimente. – Annabelle sorriu.
– Você é boa. – Elsa sorriu de canto. – Mas tem um detalhe. Eu não sou boa em muitas coisas, mas eu tenho uma habilidade. Pode até chamar de superpoder se quiser. Eu sei quando alguém está mentindo e você, garota, está. – A loira começou a discar o número no telefone.
– Espere. – Annabelle se rendeu. – Não chame a polícia. Por favor, venha para casa comigo.
– Onde fica sua casa? – A loira perguntou agora verdadeiramente interessada.
– Storybrooke, Maine. – A ruiva respondeu.
– Storybrooke? – Elsa franziu o cenho, nunca em sua vida tendo ouvido falar daquela cidade. – Você tem certeza? – Annabelle fez que sim com a cabeça e a loira deu de ombros. – Tudo bem. Então eu te levo para Storybrooke.
– OUAT –
Em um dos inúmeros quartos do castelo do Reino de Arendelle, Elsa estava desanimada, encostada numa parede e olhando para o céu pela sacada.
– Qual é o problema? – Um albino, Jack Frost, se aproximou dela.
– Nada. – Ela balançou a cabeça e tentou sorrir.
– Pensando de novo no que o Breu disse. – Jack suspirou, já tendo em mente o que preocupava a loira. – Elsa, por favor, eu não posso mais ter essa conversa. Você tem que esquecer isso. Em pouco tempo nós iremos nos casar.
– Não tenho sossego desde o casamento da Anna. – Ela disse, andando para dentro do quarto.
– É isso que ele quer. – Jack a seguiu. – Mas foram apenas palavras. Ele não pode nos prejudicar.
– Ele me amaldiçoou com o pior sentimento do mundo porque eu e a Elena impedimos sua preciosa Idade das Trevas. – Elsa virou-se para ele. – Você já lutou contra ele. Devia saber do que ele é capaz.
Os dois ficaram em silêncio pelo que lhes pareceu um longo tempo até que Jack suspirou pesadamente.
– O que posso fazer para tranquilizar você? – Perguntou.
– Me deixe falar com ele. – Elsa respondeu, olhando nos olhos azuis do albino.
– Ele? – Jack arqueou uma sobrancelha, já sabendo do que se tratava. – Está falando do... – Se interrompeu quando viu a intenção clara nos olhos de Elsa. – Não. É muito perigoso.
– Ele vê o futuro... – Elsa tentou argumentar, mas ele a interrompeu.
– Ele não está trancado à toa. – Ele lembrou.
– E você pode prometer que nossa família e nossos amigos estarão seguros? Você pode garantir? – A loira desafiou. – Porque ele pode.
Jack pareceu contrariado, mas logo suspirou novamente, vencido.
– Tudo bem. – Jack concordou. – Mas eles vão também.
– OUAT –
Já no carro, Elsa dirigia pelas ruas de Boston, seguindo o caminho que Annabelle lhe indicara anteriormente com a ruiva sentada no banco do carona.
– Estou com fome. – A ruiva declarou. – Podemos parar?
– Isso não é um passeio. – A loira respondeu, parecendo ansiosa. – Não vamos parar para o lanche.
– Por que não? – Annabelle arqueou uma sobrancelha.
– Pare de reclamar, garota. – Elsa suspirou. – Eu ainda posso te colocar num ônibus.
– Eu tenho um nome. – A ruiva pareceu se irritar. – É Annabelle. Ou só Belle.
– Anna fica melhor. – Elsa sorriu de canto, mas a outra não viu.
A ruiva ficou calada, então a loira olhou para ela e a viu com um grosso livro marrom com letras douradas escritas.
– O que é isso? – Perguntou, voltando a olhar para a estrada.
– Não sei se você está preparada. – Annabelle respondeu, sorrindo de canto.
– Você gosta de Contos de Fadas? – A loira questionou, tendo visto o nome ‘Once Upon A Time’ escrito na capa do livro, mas estava verdadeiramente interessada.
– Não são Contos de Fadas. – A ruiva declarou, olhando para a outra. – São de verdade. Todas as histórias nesse livro aconteceram.
Elsa quase freou o carro bruscamente e parou ali mesmo, mas contentou-se em apenas apertar tanto o volante que os nós dos dedos protestaram.
– Claro. – Disse, passando a impressão de que não dava muita importância, o que não era verdade.
– Use seu superpoder e veja se eu estou mentindo. – Annabelle sugeriu.
Elsa ficou calada por alguns segundos, analisando a situação, mas logo suspirou pesadamente.
– Só porque acredita em alguma coisa não quer dizer que é verdade. – Respondeu depois de ficar calada por alguns segundos.
– É assim que se torna verdade. – A ruiva respondeu, fazendo a loira novamente reprimir o impulso de frear o carro com a conhecida frase. – Você devia saber melhor que ninguém.
Milhares de perguntas passaram pela cabeça de Elsa, mas a loira contentou-se em fazer uma a qual já sabia a resposta:
– Por quê?
– Porque você está nesse livro. – Annabelle respondeu, sorrindo.
Elsa apertou ainda mais o volante. Havia várias coisas que queria dizer e fazer naquele momento, mas decidiu-se por dar a mesma resposta que uma pessoa normal daria:
– Ah, garota. Você deve ter problemas.
– É. – Annabelle concordou, ainda sorrindo. – E você vai resolver.
A loira olhou novamente para a garota pelo canto do olho, mas logo voltou a se concentrar na estrada.
– OUAT –
– A qualquer custo, fiquem longe da luz e o que quer que façam, não o deixem saber seu nome. – O guarda declarou ao guiar os dez por um túnel antigo de rocha. – Se ele souber quem são, terá poder sobre vocês. – Declarou e virou-se para a cela que havia no final do caminho. – O’Lantern. O’Lantern. – Chamou novamente. – Tenho uma pergunta para você. – Disse quando todos pararam de andar.
A cela estava aparentemente vazia, mas assim que o guarda terminou de falar, um homem apareceu, iluminado apenas pela escassa luz que vinha de uma tocha presa à parede. E ele não tinha cabeça.
– Não, você não tem. – O homem dentro da cela declarou. – Eles têm. Os famosos Dez, entre os quais está minha filhinha. – Falou em um tom divertido que deixou óbvio que estaria sorrindo se pudesse. – Vocês me insultam. Andem para a luz e tirem essas capas ridículas.
Todos, com a exceção do guarda, deram um passo à frente e retiraram os capuzes que cobriam suas cabeças. Ao se revelarem, todos traziam expressões variadas. Mirana com surpresa, Jacky com puro ódio, Merida com desconfiança, Soluço com incredulidade, Rapunzel impressionada, Alice com preocupação, Elsa com desgosto, Jack com raiva, Anna com nervosismo e Elena com ceticismo.
– Viemos lhe perguntar sobre... – Mirana começou, mas foi interrompida.
– Sim, sim. Eu sei por que estão aqui. – O’Lantern declarou bruscamente. – Vocês querem saber sobre a ameaça do Rei dos Pesadelos.
– Diga-nos o que sabe! – Merida exigiu.
– Que nervosa. – O’Lantern alegou em um tom maníaco. – Não temam. Eu posso tranquilizar suas mentes. Mas... – Parou por um segundo antes de prosseguir. – Vai custar algo a vocês.
– Não. – Jack interviu e se virou para os amigos. – Isso é perda de tempo.
– O que você quer? – Elsa deu mais um passo em direção à cela.
– Ah. – O’Lantern pareceu satisfeito. – Uma simples decisão.
– Como assim? – Anna arqueou uma sobrancelha.
– Assim que ouvirem o que eu tenho a dizer, serão obrigados a tomarem uma decisão. – Ele explicou. – Quero ser eu a tomá-la.
– De jeito nenhum! – Anna, Alice, Jack, Jacky, Mirana, Alice, Soluço e Rapunzel disseram ao mesmo tempo.
– Fechado! – Elsa e Elena falaram logo em seguida.
– Diga-nos o que sabe. – Elena pediu, ainda olhando friamente para o homem trancado na cela.
– Ah. – Ele pareceu querer sorrir mais uma vez. – Breu criou uma poderosa maldição e ela está vindo. Logo, todos vocês estarão presos, assim como eu, só que pior. Sua prisão, todas as nossas prisões, serão o tempo.
– E o que podemos fazer? – Soluço perguntou preocupado.
– Não podemos fazer nada. – Jack O’Lantern respondeu, ainda parecendo satisfeito.
– Você pode. – Merida declarou, semicerrando os olhos.
– Apenas elas podem. – Ele apontou para Elsa e Elena, que ficaram perplexas à sua frente. – Vocês são nossa única esperança. – Virou-se para as duas. – Uma de vocês deve ser protegida da maldição e então... – Pareceu se concentrar. – Depois de vinte e oito anos, irá retornar, as duas irão se encontrar. – Falou mais uma vez como um maníaco. – E a Batalha Final iniciará!
– Já chega. – Jacky disse com repulsa. – Vamos.
Começaram a se afastar com o guarda até a saída, mas O’Lantern se alarmou.
– Ei! Ei! – Chamou a atenção deles. – Nós fizemos um acordo. Eu quero escolher. Nós fizemos um acordo. Eu preciso escolher qual das duas. Eu preciso!
– Você não está em condição mental de escolher qualquer coisa. – Jack se virou para ele, antes de novamente voltar a andar para a saída.
– Meninas. Meninas. – O’Lantern apelou para Elsa e Elena, que haviam parado de andar. – Vocês sabem que precisam da minha ajuda. E então?
– Qual de nós? – Elena perguntou sem se virar para ele, embora não quisesse realmente ouvir a resposta.
– Elsa. – O’Lantern respondeu. – Será a Elsa.
– OUAT –
Depois de bastante tempo dirigindo, Elsa finalmente passou por seu carro pela placa onde havia escrito “Welcome to Storybrooke”.
A loira foi dirigindo pela cidade, que estava completamente vazia. Não havia uma única pessoa na rua, o que dava um toque a mais na impressão de Elsa de que aquele lugar continuava amaldiçoado.
– Então, ‘Anna’, que tal um endereço? – Elsa pediu.
– Rua Não Digo o Nome, Número 44. – Annabelle sorriu.
Elsa franziu o cenho e freou o carro, parando no meio da rua. Saiu do veículo e bateu a porta com força. Anna também saiu.
– Olha. Tem sido uma longa noite e são quase... – A loira olhou para o relógio que havia acima da biblioteca e franziu o cenho. – Oito e quinze?
– Eu nunca vi aquele relógio funcionar. – A ruiva explicou. – O tempo por aqui parou.
– Como é? – Elsa arqueou uma sobrancelha.
– Foi o Rei dos Pesadelos com sua Magia Negra. – Annabelle se aproximou dela. – Ele mandou todos da Floresta Encantada para cá.
– Espere aí. – A loira franziu o cenho e cruzou os braços. – O Rei dos Pesadelos mandou personagens dos Contos de Fadas para cá?
– É. – Annabelle concordou. – E agora eles estão presos.
– Presos em Storybrooke, Maine? – Elsa ainda parecia confusa. Não se lembrava de nada na maldição que dissesse que todos ficariam presos numa cidade monótona, mas tentou agir como uma pessoa normal faria. – Então essa é a sua história?
– É verdade. – A ruiva insistiu.
– Então, por que eles não saem? – A loira arqueou uma sobrancelha verdadeiramente interessada, mas não demonstrando isso.
– Eles não podem. – Annabelle explicou – Se tentam, coisas ruins acontecem.
A resposta fez Elsa ficar ainda mais preocupada. Anna havia sido amaldiçoada, mas tinha saído da cidade para procurá-la, então como a ruiva ainda estava bem ali?
As duas ficaram quietas pelo que lhes pareceu um longo tempo até que uma voz se fez ouvir, quebrando o silêncio:
– Annabelle! – Ouviram a voz de um rapaz de cabelos castanhos e olhos verdes que se aproximava dali. Ele era alto, mas bastante magro e tinha uns vinte e um anos. – Annabelle. – Se aproximou. – O que você está fazendo? Está tudo bem?
– Estou bem. – A ruiva assegurou.
– Quem é essa? – Ele se virou para a loira.
Elsa arregalou os olhos ao notar quem era, mas respondeu à pergunta antes que a ruiva pudesse fazê-lo:
– Alguém tentando levá-la para casa. – Sorriu sem graça.
– Ela é minha irmã, Simon. – Annabelle respondeu.
O recém-chegado, Simon, passou os olhos rapidamente por Elsa e pareceu surpreso com o que viu.
– Realmente ela é uma figura loira da Mylena. – Simon sorriu.
– Você sabe onde ela mora? – Elsa perguntou, tentando ignorar o fato de que estava falando com um antigo amigo e que a pessoa que ele mencionara talvez fosse sua irmã.
– Claro. – Simon concordou e apontou na direção certa. – É na Rua Mifflin. O Prefeito tem a maior casa do quarteirão.
– Ah. – Elsa olhou para a ruiva. – Você é filha do Prefeito?
– Talvez. – Annabelle se encolheu.
– Annabelle, onde você esteve? – Simon se olhou para a ruiva. – Faltou na sua sessão hoje.
– Esqueci-me de avisar. – A ruiva sorriu. – Saí para uma viagem para o campo.
– Belle, você não mente bem. – Simon riu baixo. – Se você foi procurá-la. – Apontou para Elsa. – Está tudo bem. Eu não tenho nada a ver com isso.
– Tudo bem. – Elsa interrompeu. – Mas agora eu preciso levá-la para casa.
Simon sorriu para as duas e fez que sim com a cabeça.
– Certo. – Concordou. – Tenham uma boa noite e – Virou-se para Annabelle. – Seja boazinha, Belle.
Logo, Simon saiu dali, deixando a loira e a ruiva sozinhas. Assim que perdeu o castanho de vista, Elsa virou-se para Annabelle.
– Ele é seu psicólogo? – Arqueou uma sobrancelha.
– Eu não sou louca. – A ruiva se defendeu.
– Eu não disse isso. – Elsa respondeu, sorrindo. Sem dúvida, Anna já havia descoberto bastante coisa sozinha. – É que ele não me parece amaldiçoado. – Parece sim. Sua mente gritava. – Ele só tenta te ajudar. – Como sempre fez com todo mundo. Lembrou.
– Ele é que precisa de ajuda. – Annabelle retrucou. – Porque ele não sabe...
– Que ele é personagem de Contos de Fadas? – A loira completou.
– Nenhum deles sabe. – A ruiva explicou. – Eles não lembram quem são.
Elsa franziu o cenho com preocupação, mas decidiu ignorar aquilo por hora e brincou:
– Que conveniente. – Disse, abrindo a porta do carro para entrar novamente. – Quem ele seria?
– Soluço da história ‘Como Treinar o Seu Dragão’. – Annabelle respondeu, dando a volta no carro e indo até a porta do carona.
– Claro. – Elsa sorriu, não mostrando o quanto estava impressionada. – O lance de querer ajudar os outros. Isso significa que você é o dragão que ele treina?
– Eu não sou o Banguela. – A ruiva respondeu de mau humor, já dentro do carro.
– Claro que não. – Elsa revirou os olhos. – Porque isso seria ridículo.
– OUAT –
Todos estavam sentados a uma grande mesa redonda. Parecia um conselho de guerra.
– Vamos lutar! – Jack exclamou, levantando-se de sua cadeira e batendo na mesa com o punho fechado.
– Lutar não é a melhor opção. – Soluço interviu, ainda sentado em seu lugar com o cenho franzido. – Temos que primeiro acalmar as pessoas. Ajudá-las. Estão todos muito assustados com a ameaça que o Breu fez.
– Não vai servir de nada se não o detivermos. – Jack retrucou. – Temos que acabar com o Breu antes que ele lance a maldição.
– Podemos confiar em Jack O’Lantern? – Rapunzel arqueou uma sobrancelha. Por mais que gostasse de confiar nas pessoas, já não era mais tão ingênua como foi um dia.
– Eu mandei alguns guardas do meu reino à floresta. – Merida se pronunciou, não tendo falado nada até aquele momento. – Está tudo muito agitado com o plano do Breu. Isso vai acontecer se não fizermos alguma coisa.
– Não vai adiantar. – Elsa respondeu ainda sentada em seu lugar, tristonha. – O futuro está escrito.
– Não. – Anna balançou a cabeça em negação. – Eu me recuso a acreditar nisso. O bem não pode perder.
– Talvez possa. – Dessa vez foi Elena quem falou.
– Não. – Mirana declarou otimista como sempre, alternando olhares entre a loira e a morena. – Não enquanto estivermos todos unidos. Se vocês acreditam nele quanto à maldição, devem acreditar em si mesmas. Vocês serão as salvadoras. – Disse com um sorriso esperançoso.
Todos se surpreenderam com o alto barulho das portas se abrindo. De lá entrou Andersen e atrás dele, soldados traziam um médio tronco de árvore.
– Mas o que é isso? – Alice perguntou, levantando-se de sua cadeira.
– Nossa única chance de proteger as salvadoras. – Andersen olhou para as duas e seu olhar parou em Elena com um sorriso que logo se desfez numa expressão séria.
– Uma árvore? – Jacky arqueou uma sobrancelha, incrédula. – Nosso destino depende de uma árvore? – Virou-se para os outros. – Vamos voltar a falar da luta.
– Conversei com algumas fadas. – Andersen explicou, alternando olhares entre todos os presentes. – Essa árvore é encantada. Quando transformada em um invólucro, espanta qualquer maldição. Soluço. – Virou-se para o castanho. – Você é bom com construções. Pode construir algo assim?
– Claro que sim. – Soluço respondeu, passando a mão pela cabeça de Banguela, que estava ao seu lado.
– Isso vai funcionar. – Andersen sorriu. – Nós todos devemos ter fé.
Todos ali pareceram mais esperançosos com as palavras dele, porém o rapaz logo suspirou pesadamente, desanimado.
– No entanto, há um “porém”. – Declarou e todos voltaram a olhar para ele. – O encanto é poderoso, mas o poder é limitado. – Suspirou mais uma vez. – E essa árvore só pode proteger uma pessoa.
Toda a felicidade de alguns segundos atrás se esvaiu com essas palavras e todos na mesa ficaram em silêncio. Elsa e Elena se entreolharam desanimadamente, sabendo exatamente o que aquilo significaria.
– OUAT –
Elsa parou o carro em frente a uma magnífica mansão branca. Logo a loira saiu do carro e Annabelle fez o mesmo, seguindo para a porta da casa.
– Não me leve de volta. – A ruiva pediu.
– Eu preciso te levar. – Elsa suspirou, ainda seguindo para a porta da mansão. – Sua família deve estar preocupada.
– Não tenho uma família. – Annabelle respondeu. – Tenho um pai e uma irmã mais velha. Minha irmã não se importa e meu pai é mau.
– Mau? – Elsa parou de andar virou-se para a ruiva, arqueando uma sobrancelha. – Você não está exagerando?
– Mas ele não me ama. Os dois só fingem. – A ruiva disse, abaixando a cabeça.
– Garota. – A loira colocou a mão no ombro da outra. – Isso não é verdade.
O momento foi interrompido quando a porta da mansão foi aberta e de lá saiu uma morena idêntica a Elsa que correu até as duas.
– Belle. – A morena chamou e abraçou a ruiva quando chegou até ela. – Você está bem? – Se afastou o suficiente para olhar a irmã nos olhos, mas continuou segurando seus ombros. Os olhos da morena recém-chegada denunciavam uma preocupação escondida que só quem a conhecesse bem poderia notar. – Onde você esteve?
– Encontrei minha irmã. – Annabelle respondeu e correu para dentro da casa.
A morena suspirou, ainda não tendo visto a loira parada ali. Pareceu surpresa ao olhar para Elsa e perceber a semelhança entre as duas, mas logo depois tudo sumiu, deixando apenas os olhos apáticos e desinteressados, diferentes do que Elsa lembrava. Mylena balançou levemente a cabeça, livrando-se daquela impressão e virou-se para a loira atônita com um sorriso de canto que parecia forçado, como se estivesse ali por mera cordialidade e não porque ela realmente queria.
– Até que somos realmente parecidas. – Brincou, mas a loira podia ver em seus olhos que ela realmente não se importava.
– Oi... – Elsa cumprimentou, mas não sabendo ao certo como devia chamá-la.
– Black. Mylena Black. – A morena se apresentou. – Enfim, vamos lá para dentro. Está frio aqui. Quer beber alguma coisa? – Sugeriu.
– O que você tem de mais forte? – Elsa perguntou com uma voz meio trêmula que a morena não notou.
Mylena sorriu sem vontade e guiou a loira para dentro. Levou Elsa até a biblioteca onde lhe estendeu um copo com cidra de maçã, que a loira pegou.
– Lamento muito o transtorno. – Mylena se desculpou, sentando-se numa das poltronas da sala com seu próprio copo em mãos. – Não sei o que deu nela.
– Adolescentes em crise. – Elsa deu a melhor resposta que conseguiu pensar, ainda tentando processar a ideia de quem estava ali e querendo mais do que tudo ir embora daquela cidade. – Acontece sempre.
– Você tem que entender que desde que papai virou prefeito, ficou difícil para ele equilibrar as coisas. – Mylena manteve o sorriso no rosto enquanto falava, mas Elsa conseguia notar muito bem que não era nem um pouco verdadeiro. – Ele é pai solteiro e trabalha muito, então eu tenho que manter a ordem aqui em casa. Sou rigorosa? Acho que sim. Mas faço isso para o bem dela. Quero que a Belle se dê bem na vida. Assim como o papai também. Você acha que isso o torna mal? – Arqueou uma sobrancelha, realmente querendo saber a resposta da loira.
Elsa não estava realmente concentrada no que ela dizia, mas ouviu bem a última frase e respondeu da melhor maneira que conseguiu:
– Tenho certeza que ela só está dizendo isso por causa dos Contos de Fadas. – Sorriu forçadamente e tomou um gole da cidra, sem jamais tirar os olhos de Mylena.
– Que Contos de Fadas? – A morena arqueou uma sobrancelha, apesar de não estar verdadeiramente curiosa. A pessoa à frente da loira parecia mais desinteressada e passiva do que qualquer outra coisa.
– Você sabe o livro. – Elsa respondeu. – Ela acha que todo mundo é um personagem do livro. O psicólogo dela é o Soluço de ‘Como Treinar o Seu Dragão’.
Mylena franziu o cenho e desviou o olhar, mas logo voltou a olhar para a loira.
– Eu realmente não sei do que está falando. – Disse, ainda com o cenho franzido.
Elsa estranhou, mas não comentou nada a respeito. Apenas se levantou da poltrona passou a mão pelos cabelos loiro-esbranquiçados.
– Sabe de uma coisa? – Questionou nervosa. – Não é da minha conta. Ela é sua irmã. – Não demonstrou, mas doeu nela usar o pronome ‘sua’ e não ‘nossa’. – E eu preciso ir embora. – Decidiu-se, querendo mais do que tudo sair daquela cidade.
– Claro. – Mylena concordou e levou Elsa até a porta.
Elsa saiu da casa e na metade do caminho para o carro, virou-se para a mansão branca onde sua família agora estava morando. Nenhuma das duas realmente se lembrava dela. Anna apenas acreditava no que havia visto em um livro. Não há nada para eu fazer aqui. Pensou.
Seu olhar parou em uma das janelas do andar de cima, onde viu que Annabelle a observava. A loira balançou a cabeça e voltou a andar até seu carro. Entrou em sua Mercedes e dirigiu para fora da cidade.
– Desculpem-me. – Elsa sussurrou, desviando o olhar rapidamente para o banco do carona e se surpreendeu ao notar o livro marrom de letras douradas de Anna. – Garota espertinha. – Sorriu.
Voltou a olhar para a estrada e viu um Coelho Branco bem à sua frente. Rapidamente virou o volante, tentando desviar do animal. Devido à chuva e o modo brusco da virada, o carro derrapou e bateu na placa da cidade. Com o impacto, Elsa bateu a cabeça no volante e ficou desacordada.
– OUAT –
Numa das torres do castelo de Arendelle, Soluço estava construindo o guarda-roupa com a ajuda de Jack, Mirana, Alice, Anna, Jacky, Merida e Rapunzel. As únicas que não estavam presentes ali eram Elsa e Elena, que estavam no quarto da mais nova.
– Eu não quero fazer isso. – Elsa declarou com algumas lágrimas nos olhos.
– Tem que ser você. – Elena suspirou e esfregou os olhos com a ponta dos dedos.
– Eu não vou deixar você. – Elsa se aproximou e abraçou a irmã. – Nenhum de vocês.
Elena olhou em volta e percebeu as paredes do quarto começando a congelar.
– É o único jeito. – A morena lembrou, se afastou o suficiente para olhar a irmã nos olhos e colocou ambas as mãos nos ombros da loira. – Você vai estar lá. Salva da maldição.
– Ele disse que seria daqui a vinte e oito anos. – Elsa deixou as lágrimas escorrerem livremente por seu rosto enquanto o gelo no quarto ficava mais grosso.
– Elsa, nós somos irmãs. – Elena sorriu de forma encorajadora. – Isso nenhuma maldição irá mudar. – Suspirou e fechou os olhos. – Eu tenho fé. Você vai salvar a todos nós assim como salvamos você.
– Você vai me ajudar, não é? – A loira perguntou.
– Claro que sim. – Elena alargou o sorriso. – E nós vamos conseguir. Somos as Salvadoras. – Riu baixo com a palavra.
Elsa também riu um pouco e abraçou a irmã. O gelo que se espalhava pelo quarto pareceu diminuir ligeiramente.
– Quer que eu te coloque para dormir como fazíamos antes? – A morena sugeriu.
– Claro. – Elsa concordou.
Logo Elena deitou na cama e colocou a cabeça no travesseiro, ficando ali e olhando para o teto. Não se surpreendeu quando Elsa se deitou ao seu lado e agarrou seu braço como uma criança segura um ursinho de pelúcia quando está assustada.
A mais velha sorriu e cantarolou baixinho:
– Standing Frozen in the life I’ve chosen. You won’t find me. The past is so behind me. Berried in the Snow. Let It Go. Let It Go. Can’t hold it back anymore…
Sorriu ainda mais ao notar a respiração tranquila de Elsa ao seu lado. A loira já estava adormecida.
– OUAT –
Elsa abriu os belos olhos azuis e se levantou sentindo uma enorme dor de cabeça. Ao olhar em volta, percebeu que estava numa cela na delegacia. Parou seu olhar sobre um rapaz na cela ao lado que ela sem dúvida conhecia.
– Está olhando o quê? – Ele arqueou uma sobrancelha, desinteressado.
– Ei, Eugene. – Simon, que estava ali sentando no sofá, falou. – Tenha modos. Temos visita. Então a Belle acha que você é irmã dela? – Olhou para Elsa. – Que bom que ela vai ter mais uma companhia na vida dela.
– Na verdade, eu só vim deixá-la aqui. – Elsa esfregou os olhos com a ponta dos dedos, tentando aliviar a dor que sentia na cabeça.
– Eu te entendo. – Eugene respondeu. – Família só serve para dar trabalho. Quem precisa de uma?
– Eu daria tudo para ter. – Simon interveio. – Tenho estado sozinho por mais tempo do que me lembro.
Elsa ficou calada, observando o comportamento não usual que o castanho apresentava e franziu o cenho. Olhou em outra direção quando viu Mylena entrando no lugar com algumas chaves na mão.
– Eugene, eu vou te soltar, mas você vai ter que se comportar. – A morena falou enquanto abria a porta da cela. – Então sorria e fique longe de encrencas.
Eugene forçou um sorriso sarcástico e saiu dali com Simon.
– Isso é sério? – Elsa suspirou, encostando-se às grades da cela.
– Eu realmente sinto muito por isso. – Mylena virou-se para ela. – As bebidas lá de casa são mais fortes do que as pessoas julgam.
– Eu não estava bêbada. – Elsa respondeu. – Tinha um Coelho Branco parado no meio da estrada.
– Um Coelho? – A morena arqueou uma sobrancelha e sorriu sem acreditar. – Sei...
– Mylena! – Ouviram uma voz masculina se aproximando.
O homem que entrou era alto e magro. Tinha cabelos pretos caídos e olhos também pretos. Sua pele era extremamente clara e ele vestia um terno de cor escura. Elsa franziu o cenho ao vê-lo. Ele era extremamente familiar, mas ela não o estava reconhecendo.
– Mylena, sua irmã fugiu de novo. – Ele falou, mas logo seu olhar parou sobre Elsa. – O que ela está fazendo aqui?
– Se conhecem? – Mylena arqueou uma sobrancelha, alternando olhares entre o recém-chegado e Elsa.
– Não, claro que não. – Ele respondeu rapidamente. – Quem é você?
– Essa é Elsa Snow. Elsa, esse é meu pai, Pitch Black. Elsa trouxe a Annabelle para casa ontem. – Mylena respondeu e se virou para a loira. – Você sabe onde ela está?
– Eu não a vejo desde que saí da sua casa. – Elsa sorriu com sarcasmo. – E eu tenho um ótimo álibi.
– Mas ela não estava no quarto de manhã. – Pitch falou.
– Tentou os amigos dela? – Elsa perguntou preocupada.
– Ela não tem amigos. – Pitch respondeu levemente irritado.
– É, ela é meio solitária. – Mylena concordou cabisbaixa.
– Todo adolescente tem amigos. – Elsa franziu o cenho, mas logo virou-se novamente para os outros dois. – Viu o computador dela? Os amigos costumam mandar emails.
– E como você sabe disso? – Pitch arqueou uma sobrancelha.
– Achar pessoas é o que eu faço. – Elsa respondeu. – Eu tenho uma proposta. Que tal me deixarem sair e eu ajudo a encontrá-la?
–
Na casa dos Black, Elsa estava sentada enquanto vasculhava o computador que havia no quarto de Anna.
– Garota esperta. – Declarou. – Limpou a caixa de entrada, mas eu também sou esperta. Gosto de usar esse restaurador de HD. – Plugou-o no computador.
– Tem gente que acha que técnicas como procurar pelas calçadas e bater nas portas são mais convencionais. – Mylena sorriu enquanto observava o trabalho da loira.
– Policiais ganham para isso. – Elsa respondeu sem tirar os olhos da tela. – Eu sou paga pela entrega...
– Não pode se dar ao luxo de bater perna. – Mylena completou, sorrindo sem entusiasmo algum.
Elsa a olhou surpresa por um segundo antes de se virar novamente para o computador.
– Achei um recibo para um site de busca. Conseguiria achar qualquer pessoa do planeta aqui. – Disse impressionada, já sabendo como a ruiva a encontrara. – É caro. Ela tem cartão de crédito?
– Ela tem dezoito anos, porém eu não dei um a ela. – Pitch respondeu.
– Mas ela usou um. Vamos ver o registro. – Declarou e abriu a página. – Miranda Scarlet White. Quem é essa?
– Professora de Literatura dela. – Pitch respondeu, semicerrando os olhos com uma raiva contida.
–
– Lembrem-se. – Uma mulher falou. Ela tinha cabelos negros, olhos também pretos e era pálida. Tinha talvez uns vinte e um anos e falava com uma turma de alunos de dezoito. – Quero os resumos de ‘Alice no País das Maravilhas’ e ‘Alice Através do Espelho’ de Lewis Carroll para semana que vem. – Declarou. Alguns alunos sorriram animados enquanto outros soltaram suspiros cansados. — Mas agora vamos terminar de trabalhar ‘A Rainha da Neve’ de Hans Christian Andersen...
Ela foi interrompida quando o sinal tocou. Os alunos despediram-se dela e foram saindo da sala, porém três pessoas foram entrando ao mesmo tempo.
– Onde é que está minha filha? – Pitch perguntou.
– Achei que tivesse ficado em casa, doente... – Miranda respondeu, mas foi interrompida.
– Acha que eu estaria aqui se ela estivesse? – Pitch arqueou uma sobrancelha. – Você deu seu cartão de crédito para ela achá-la? – Apontou para Elsa, que estava parada na porta, incrédula.
– Não sabia que Mylena tinha uma irmã gêmea. – Miranda falou, parecendo surpresa e olhando de Mylena para Elsa.
– Não tenho. – Mylena respondeu, dando de ombros.
– Então...? – Miranda ficou alternando olhares entre a morena e a loira.
– Não interessa. – Pitch interrompeu.
Miranda suspirou e pegou sua bolsa. Logo tirou sua carteira de lá e franziu o cenho, mostrando a todos o lugar vazio onde o cartão de crédito deveria estar.
– Garota esperta. – Miranda sorriu. – Eu não devia ter dado aquele livro para ela.
– Afinal, que livro é esse que vocês falam tanto? – Mylena perguntou antes que o pai pudesse fazê-lo certamente de uma forma mais grosseira.
– De Histórias Antigas que eu dei para ela. – Miranda respondeu. – Como você e seu pai devem saber, Annabelle é uma garota especial. Muito inteligente. Muito criativa. E como podem perceber solitária. – Suspirou. – Ela precisava disso.
– Ela precisa de uma boa dose de realidade. – Pitch sorriu sarcasticamente. – Isso é perda de tempo.
Saiu dali e derrubou alguns livros pelo caminho. Quando passou por Elsa, falou:
– Tenha uma boa viagem de volta para casa.
Miranda logo se abaixou e começou a recolher os livros. Mylena e Elsa fizeram o mesmo.
– Desculpe te incomodar. – Elsa falou, olhando para Miranda e ainda parecendo não acreditar em quem estava vendo.
– Não, tudo bem. – Miranda sorriu. – Acho que parte disso é culpa minha.
– Como um livro deveria ajudar? – Mylena e Elsa perguntaram ao mesmo tempo e se entreolharam antes de virarem-se novamente para a professora.
– Para que vocês acham que servem as histórias? – Miranda perguntou enquanto colocava os livros recolhidos de volta na mesa. – Essas histórias, os clássicos. Existe uma razão para conhecermos elas. – Falou enquanto as três andavam pelos corredores da escola. – Elas servem para lidarmos com o mundo. Um mundo que nem sempre faz sentido. Annabelle não tem uma vida muito fácil.
– Você sabe que eu me esforço, Miranda. – Mylena suspirou cansada.
– Não é por sua causa. – Miranda interveio. – É mais por causa do pai de vocês. Eu só não sei por quê.
– Ele é durão. – Elsa sugeriu.
– Acho que sim. – Miranda suspirou e parou de andar. As outras duas fizeram o mesmo e se viraram para ela. – Olha. Eu dei o livro para ela porque eu queria que ela tivesse a coisa mais importante que alguém pode ter na vida: Esperança. Afinal, acreditar na possibilidade de um final feliz é algo muito poderoso.
– Você sabe onde ela está, não é? – Mylena supôs com um sorriso de canto.
– Podem procurar no castelo dela. – Miranda sorriu.
– OUAT –
Passou o que pareceram ser algumas horas ali e Elena estava quase adormecendo quando Jack entrou abruptamente no quarto.
– Venham. – O albino sorriu entusiasmado. – Está pronto.
– Está? – Elena perguntou esperançosa e se virou para Elsa.
Cutucou a loira, mas ela não acordou. O estresse e o cansaço dos últimos dias a haviam deixado completamente apagada.
– Ela não está acordando. – Se alarmou e Jack correu até as duas.
– Elsa. – Chamou, mas a loira continuou desacordada. – Elsa, por favor, acorde. Elsa. – Remexeu-a bruscamente, mas ela continuou dormindo.
Elena e Jack se assustaram ao ouvirem gritos e barulhos de espadas, mas Elsa continuou naquele estado.
– Ela não acorda. – Jack ficou cabisbaixo. – Nosso plano deu errado.
– Não. – Elena soltou delicadamente o braço de Elsa do seu. – Temos que levá-la. Vamos levá-la ao armário.
– Você ficou louca? – Jack olhou para ela como se achasse que ela realmente estava maluca. – Você não sabe o que está dizendo.
– Não, eu sei. – Elena balançou a cabeça. – Nós temos que acreditar que ela voltará por nós. – Ficou alguns segundos calada e respirou fundo antes de falar. – Temos que dar a ela a sua melhor chance.
Relutantemente Jack assentiu e pegou Elsa nos braços. Logo, saiu dali com Elena pelo corredor, que por sorte estava vazio.
– OUAT –
Como sabia que Annabelle provavelmente não iria querer ir com ela, Mylena deixou que Elsa fosse sozinha atrás da ruiva. A loira a encontrou sentada num pequeno castelo de madeira na praia.
– Você deixou isso no meu carro. – Entregou a ruiva o livro enquanto se sentava ao seu lado. Dali era possível ter uma vista de parte da cidade, inclusive da torre do relógio, que ainda marcava 8h15min. – O Relógio continua parado. – Falou com um desanimo imperceptível.
– Eu esperava que quando trouxesse você de volta e fizesse com que se encontrasse com Mylena, as coisas iam mudar por aqui. – Annabelle respondeu, também olhando para o relógio. – Que a Batalha Final começaria.
– Não estou lutando nenhuma batalha. – Elsa balançou a cabeça, inexpressiva.
– Está sim. – A ruiva olhou para ela. – Está aqui porque é seu destino. Você vai trazer de volta os Finais Felizes.
– Você quer parar com essa besteira? – Elsa retornou seu olhar, irritada com a ideia, uma vez que quando ela pensara que aconteceria, tudo deu errado.
– Você não precisa ser hostil. – Annabelle sorriu levemente. – Eu sei que você gosta de mim. Eu noto. Eu sei que você tenta me afastar porque eu lhe trago memórias. Memórias que te deixam triste e que você quer esquecer.
– Como sabe disso? – Elsa desviou o olhar, voltando a fitar a cidade.
– É como se eu a conhecesse. – A ruiva declarou, seguindo o olhar da loira até a cidade. – Como se cada gesto seu e sentimento que passa por seus olhos me fosse familiar.
– E não sente o mesmo por Mylena? – Elsa arqueou uma sobrancelha, voltando a fitar a garota ao seu lado.
– Eu sei que até poderia. – Annabelle respondeu. – Mas não há nada lá. É só um vazio.
Elsa assentiu silenciosamente e abaixou a cabeça, respirando fundo por um momento antes de se virar novamente para Annabelle e dizer:
– Vamos. – Levantou-se e começou a se distanciar dali.
– Por favor, não me leve de volta. – Annabelle começou a segui-la. – Fique só uma semana comigo. Só isso eu te peço: Uma semana para você ver que eu não sou louca.
– Eu tenho que te entregar para a sua irmã. – Elsa virou-se para ela e ambas pararam de andar.
– Você não sabe como é com ela. – A ruiva retrucou. – Ela não se importa!
– Quer saber o que é não se importar? – Elsa questionou sarcástica. – Minha irmã me colocou para dormir e me abandonou numa floresta. Ela nem se deu ao trabalho de me dizer adeus! Eu passei mais tempo do que posso contar viajando, nunca me sentindo à vontade em qualquer lugar e nunca consegui uma família ou um amigo de verdade! – Respirou fundo, acalmando-se. – Olhe. – Suspirou. – Sua irmã está fazendo de tudo. – Olhou para a ruiva com os olhos cheios de água, mas sem deixar cair uma lágrima sequer. – Eu sei que é difícil e às vezes você pode até achar que ela não te ama, mas pelo menos ela te quer por perto. – Deixou uma lágrima solitária cair e enxugou os olhos com as costas da mão.
– Sua irmã não te abandonou numa floresta. – Annabelle argumentou. – Foi lá que você chegou.
– O que? – Elsa arqueou uma sobrancelha.
– O Guarda-Roupa. – A ruiva explicou. – Quando você entrou nele, você apareceu na floresta. E Elena só estava tentando te salvar da Maldição.
A menção do nome ‘Elena’ fez uma onda de tristeza e um sentimento de traição atingirem Elsa, porém a loira não deixou que a ruiva visse isso.
– É claro que estava. – Deu um sorriso desanimado. – Vamos, Anna.
– OUAT –
– Afinal, o que aconteceu com ela? – Jack questionou.
– Ao que parece, os acontecimentos dos últimos dias cobraram seu preço. – Elena suspirou ainda correndo com Jack pelo corredor. – Ela desmaiou. Mas nós iremos levá-la ao armário.
– Elena. – Jack chamou. – Se ela acordar em qualquer mundo que não aqui, ela vai te odiar. Vai pensar que você a abandonou lá. Vocês duas nem sequer vão se despedir.
– É o melhor para ela. – A morena falou decidida.
Os dois entraram no quarto onde estava o guarda-roupa, que naquele momento estava completamente vazio. Alguns guardas do castelo de Breu conseguiram segui-los até lá e Jack começou a duelar com eles, impedindo-os de prosseguir e logo os derrotando. Elena abriu as portas do armário e Jack colocou Elsa lá dentro. Cada um ainda deu um beijo na testa da loira antes que Elena falasse:
– Encontre-nos. – Deixou uma lágrima solitária cair.
Jack fechou as portas do armário e ele e Elena se viraram para a porta em tempo de ver mais dois guardas entrando. Jack os congelou com seu cajado enquanto Elena abria novamente as portas do armário, não encontrando mais ninguém lá dentro e deixou uma lágrima solitária escorreu por sua face.
Elena passou o que julgou ser um longo tempo ali, com Jack fitando-a com tristeza, até que Breu adentrou no quarto, andando a passos largos e lentos.
– Não se preocupem, queridos. – Sorriu ao ver as lágrimas no rosto de Elena. – Em segundos vocês nem irão se lembrar de quem conheciam. Muito menos de quem amavam.
– Por que fez isso? – Ela perguntou, olhando-o apenas com desolação.
– Porque esse é o meu final feliz. – Breu respondeu, abaixando-se um pouco e dando um sorriso furioso. Foram interrompidos por um dos guardas que chegou ali. – E quanto à Elsa?
– Desapareceu. – O guarda respondeu. – Estava no guarda-roupa e então sumiu. Não conseguimos achá-la.
– Onde ela está? – Breu virou-se para a morena.
– Ela escapou. – Elena sorriu. – Você vai perder. O Bem sempre ganha.
– Mesmo ela tendo saído pelo armário, não irá envelhecer até a maldição ser quebrada. – Breu sorriu. – Eu irei reconhecê-la e irei acabar com ela. Então veremos o quanto essa sua frase é verdadeira.
Naquele momento as paredes do castelo começaram a se quebrar e um vento forte adentrou no local.
– Para onde estamos indo? – Foi Jack quem perguntou.
– Para um lugar horrível. – Breu respondeu, sorrindo ao olhar em volta. – Absolutamente horrível. Um lugar onde o único final feliz será o meu.
Em segundos, todos ali foram cobertos pela fumaça da maldição.
– OUAT –
Já à frente da Mansão Black, a porta foi aberta e Mylena saiu da casa. Annabelle correu diretamente para dentro, sem parar para falar com a irmã. A morena foi andando alguns passos até se aproximar da loira.
– Obrigada. – Disse embora seus olhos só tivessem uma sombra de gratidão por entre o nada que havia ali. – Vejo que ela simpatizou com você.
– Sabe o que é mais engraçado? – Elsa questionou com um sorriso de canto meio forçado. – Ontem foi o dia do meu aniversário e quando eu assoprei a vela do bolo, eu fiz um pedido: Que eu não ficasse sozinha no meu aniversário. Então a Anna apareceu...
– Espero que não haja um mal entendido aqui. – Mylena declarou.
– Como é? – Elsa perguntou com confusão.
– Não pense que isso é um convite para você entrar na vida dela. – Mylena suspirou pesadamente. – Ela não a conhece e eu não confio em você. Eu sugiro que entre no seu carro e saia dessa cidade. Porque se não sair, eu vou te destruir nem que seja a última coisa que eu faça. – Olhou a loira nos olhos. Azul no Azul.
Elsa pôde ver em seus olhos que ela estava mentindo. O habitual vazio com que ela se acostumara desde que chegara a Storybrooke parecia substituído por um sentimento de culpa que estava presente lá no fundo.
– Adeus, Senhorita Snow. – Mylena virou-se e começou a caminhar para dentro de casa.
– Você a ama? – Elsa questionou, fazendo com que a morena se virasse para fitá-la.
– Como é? – Mylena arqueou uma sobrancelha.
– Anna. – A loira especificou. – Você a ama?
– É claro que eu amo. – Mylena respondeu e entrou na casa, fechando a porta atrás de si.
Um sorriso verdadeiro surgiu nos lábios de Elsa enquanto ela olhava para a porta branca recém-fechada à sua frente. Não era mentira o que a morena havia dito, então talvez ainda houvesse alguma esperança.
–
Elsa saiu por entre as árvores que levavam à entrada do que parecia ser a única pousada da cidade, a qual o nome era ‘Quartos e Café da Manhã da Vovó’. Não tardou para que ela entrasse e ouvisse vozes discutindo por ali.
– Você passou a noite toda fora e vai sair outra vez? – Uma mulher morena e mais velha desceu as escadas atrás de uma ruiva de cabelos cacheados bagunçados que Elsa conhecia bem.
– Eu deveria ter mudado para Boston. – A ruiva se queixou.
– Me desculpe se eu sou “careta” por não deixar você subir naquela moto e atrapalhar seus planos de destruir a Costa Leste inteira! – A mais velha exclamou.
– Por favor. – Elsa interrompeu a discussão e as duas a olharam. – Eu quero um quarto.
– Jura? – A morena questionou quase não acreditando, mas logo sorriu e foi para trás do balcão que havia ali. – Quer com vista para a floresta ou para a praça? Geralmente a vista para a praça é mais cara, mas como o aluguel está vencido, eu não vou cobrar.
– Eu prefiro para a praça. – Elsa sorriu.
– Seu nome? – A mulher questionou, abrindo um livro e com uma caneta na mão.
– Snow. – A loira respondeu. – Elsa Snow.
– Elsa? – Uma voz masculina foi ouvida de trás de si e a loira se virou, encontrando um homem de lisos e arrumados cabelos pretos, olhos negros, pele branca, usando um terno completamente preto. – Que nome adorável.
– Obrigada. – A loira agradeceu. O rosto não lhe era familiar, mas a voz também não lhe era estranha.
– Está tudo aqui. – A mulher entregou ao homem um monte de notas.
– Acredito que sim. Obrigado. – O homem agradeceu e se dirigiu à porta, mas antes, virou-se para a loira. – Aproveite a estadia... Elsa. – Disse isso e saiu dali.
– Quem é ele? – Elsa questionou verdadeiramente querendo saber.
– Esse é John Gold. – A ruiva respondeu, olhando pela janela. – Ele é o dono.
– Da pousada? – A loira arqueou uma sobrancelha.
– Não. – Foi a morena quem respondeu. – Da cidade. – Elsa virou-se para ela com uma expressão um tanto confusa. A mulher logo mudou de assunto. – Então quanto tempo pretende ficar conosco?
– Uma semana. – Elsa sorriu levemente. – Só uma semana.
– Ótimo. – A morena sorriu e entregou uma chave prateada à loira. – Bem-vinda a Storybrooke.
–
Annabelle estava encostada à janela de seu quarto. Dali era possível ver toda a cidade, mas o olhar da ruiva estava centrado na torre do relógio.
Um sorriso nasceu em seus lábios quando viu o ponteiro do relógio descer e mudar para 8h16min.
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