Notas iniciais
Pessoa, sei que não atingi a meta, mas por pedido de Pim e também em comemoração a Season Premiere da Quarta Temporada de Once Upon A Time, aqui está o capítulo novo! Espero que gostem e boa leitura!

Na Lanchonete da Vovó, Marina brincava distraidamente com um medalhão em forma de urso em seu pescoço, mas rapidamente a voz estridente de sua mãe tirou-a de seus devaneios.

– Marina! – Selina Scott chamava estridente e exigente, enquanto anotava alguns pedidos de clientes nas mesas.

Marina bufou e se levantou de seu lugar, indo rapidamente até onde sua mãe estava, praguejando baixo. Demorara, de modo que Selina já bufava de raiva. Revirou os olhos com a atitude impaciente da mãe.

Era sempre assim. Ela demorava, Selina se irritava e ralhava com ela até que as duas começassem a discutir fervorosamente e Marina subisse para seu quarto na tentativa de ficar longe da mãe.

– OUAT –

Acontecera mais uma vez. Elinor e Merida haviam discutido novamente, mas desta vez por um motivo completamente novo. A Rainha de Highland anunciara que em breve a Princesa teria de se casar com um dos filhos dos Lordes dos outros clãs do reino para manter a aliança entre todos. E, quando a ruiva se envolveu na competição que decidiria quem se casaria com a princesa, foi a gota d’água para a morena.

– Foi demais! – Elinor gritou irada para a ruiva de cabelos indomáveis assim que passou pela porta do quarto da mais nova, tendo arrastando-a pelo braço até ali. – Você passou dos limites, mocinha! – A Rainha de Highland exclamou.

– Mas foi você quem quis...! – Merida começou a rebater o que a mãe dissera, mas a própria Rainha a interrompeu.

– Você os envergonhou! Você envergonhou a mim! – Elinor exclamou irritada.

– Eu obedeci às regras! – Merida respondeu em um tom mais alto do que o que a mãe usava, igualmente irritada.

– Você não sabe o que fez. – Elinor disse num tom mais controlado enquanto fechava a porta que até então havia permanecido aberta, na tentativa de que ninguém pudesse escutar a discussão entre as duas.

– O que você...! – A ruiva começou a gritar, mas mais uma vez foi interrompida.

– Eles vão começar uma guerra se isso não for resolvido. – Elinor declarou ainda irada com a filha, mas mantendo-se controlada com a educação da rainha que era.

– Me escute! – Merida gritou para ela de forma quase suplicante.

– Eu sou a Rainha! – Elinor perdeu novamente a cabeça, recomeçando a gritar. – Você. Escuta. A. Mim. – Ela disse lentamente em um tom um pouco mais baixo do que o usado anteriormente, semicerrando os olhos.

– Isso é muito injusto. – Merida disse, batendo com os punhos numa das mesas que havia no quarto, insatisfeita.

– Injusto? – A Rainha repetiu incrédula.

– Você não se importa comigo. – A Princesa a ignorou, frustrada. – Essa história de casamento é o que você quer. – Ela disse virando-se de um lado para o outro no quarto. – Você já pensou em perguntar o que eu quero? – Perguntou, mas não esperou uma resposta. – Não! – Pegou a espada que havia em cima da mesa e começou a golpear o ar com a mesma. – Você sai por aí me dizendo o que fazer, tentando me fazer ser como você, mas eu não vou ser como você. – Afirmou.

– Você está agindo como uma criança. – Elinor pôs as mãos na cintura, fitando um ponto qualquer do quarto, evitando olhar para a filha.

– E você é um... – Merida pareceu escolher uma palavra enquanto se aproximava irada da tapeçaria em seu quarto, na qual estava retratada sua família, e apontava a espada para a mesma. – Monstro! – Exclamou. – Isso é o que você é! – Afundou a ponta da espada no tecido.

– Merida! – Elinor se alarmou.

– Eu nunca serei como você. – Merida torceu a espada no pano, sem dar atenção ao que sua mãe lhe dizia.

– Não! – Elinor gritou. – Pare com isso! – Ordenou.

– Eu prefiro morrer a ser como você! – Merida gritou em um tom mais alto do que o usado pela mãe, retirando a espada da tapeçaria e golpeando-a com a mesma, de modo que a figura de Elinor ficou separada do restante da família no exato ponto em que sua mão segurava a de Merida.

Elinor ficou chocada ao ver o rasgo que a separava da filha e do restante da família na tapeçaria, mas Merida a olhou com pura irritação, não dando qualquer importância ao modo como a mãe ficou depois do que havia feito.

Por fim, Elinor perdeu completamente a paciência e avançou para Merida, tirando-lhe bruscamente o arco que a ruiva sempre levava consigo e jogando a espada que ela segurava no chão, do outro lado do quarto.

– Merida, você é uma princesa e eu quero que aja como tal. – Elinor disse com uma voz cortante enquanto se dirigia à lareira acesa no quarto, jogando o arco da filha lá.

Ao olhar novamente para a ruiva, Elinor percebeu as lágrimas presentes nos olhos azul-céu da filha, que em seguida saiu em disparada do quarto, deixando a porta aberta ao passar.

– Merida! – Elinor gritou ainda irritada, na esperança de que ela voltasse, mas o crepitar alto do fogo lhe chamou a atenção para o arco que queimava ali, fazendo-a perceber o que havia feito. – Ah não! – Ela pegou um pedaço de ferro que estava ali e puxou o arco da filha, tirando-o do fogo.

O arco, porém, já estava semicarbonizado e a corda já não existia. Estava destruído.

– O que foi que eu fiz? – Elinor se perguntou, olhando para o objeto que a filha tanto valorizava e que ela destruíra.

Já do lado de fora do castelo, Merida estava montada em seu cavalo, Angus, partindo em direção à floresta, agarrada ao animal enquanto as lágrimas desciam insistentes por seus olhos, sem que ela se desse conta até mesmo de para onde estava indo.

– OUAT –

– O que você quer, afinal? – Marina perguntou ao se aproximar da mãe, cruzando os braços, insatisfeita.

– Eu quero que você comece a trabalhar nas noites de sábado. – Selina foi rápida e direta, sem jamais tirar os olhos da papelada à sua frente enquanto ajeitava os óculos no rosto, que usava apenas para a leitura.

– Mamãe, nós temos um acordo para as noites de sábado. – Marina respondeu alarmada. Sua mãe não poderia obriga-la àquilo também.

– Eu vou te ensinar a fazer a contabilidade e os pedidos. – Selina prosseguiu falando como se Marina não lhe tivesse dito nada, ignorando-a. – O negócio está crescendo e, com o dinheiro, vem a burocracia. – Suspirou com cansaço.

Marina, por fim, bufou irritada. Descruzou os braços e encarou a mãe com seriedade e ironia, logo falando:

– É, nada disso parece bom. – Concluiu.

– Precisa ser feito. – Selina finalmente pareceu lhe dar atenção, virando-se para a filha, ajeitando os óculos que insistiam em escorregar pelo nariz.

– Isso é um castigo por todas as vezes que eu demorei a fazer o que você pediu? – Maria perguntou indignada, apontando para o lugar onde antes estivera sentada brincando com seu medalhão de urso.

Selina bufou com impaciência e largou os papéis de qualquer jeito no balcão, abandonando também os óculos, fitando a filha com seriedade.

– Se eu quisesse te castigar, eu teria motivos melhores. – A morena respondeu à pergunta da filha. – Para começar, você chegou atrasada. – Suspirou com cansaço. – Marina, você é uma mulher adulta. Não pode continuar agindo como uma criança. – Finalizou.

Marina revirou os olhos e bufou com impaciência, não tardando em rebater o que a mãe dissera:

– Você quer que eu aja como você até virar você. – A ruiva declarou irritada. – Mas eu não sou você, mamãe. – Semicerrou os olhos. – Eu prefiro morrer a ser como você. – Cuspiu as palavras.

– Enquanto trabalhar aqui, você vai me obedecer. – Selina disse, não mostrando o quanto as palavras anteriores da filha a haviam magoado, começando andar por detrás do balcão, distanciando-se de Marina, que a seguiu.

– Eu não pedi para trabalhar aqui. – Marina respondeu, acompanhando sem dificuldade o passo da mãe, indignada.

– E o que está te segurando? – Selina questionou sem olhar para ela, fingindo não lhe dar atenção.

– Nada! – Marina gritou, chamando a atenção de todos na Lanchonete para si, mas não se importando nem um pouco. – Eu me demito! – Exclamou, deixando o avental no balcão e saindo do estabelecimento, fechando a porta com força atrás de si.

– OUAT –

Depois de ter saído do castelo com Angus, Merida ainda seguia sem rumo pela floresta que rodeava o castelo. Para sua surpresa, as árvores foram ficando menos frequentes e logo ela se encontrava com seu cavalo numa clareira, onde havia várias grandes pedras parecendo estar arrumadas num formato circular.

Angus se assustou com algo e acabou por derrubar Merida, sem entrar no meio das pedras. A ruiva se levantou e adentrou no conjunto de rochas, olhando em volta.

Qual não foi sua surpresa ao ver um homem de armadura medieval negra e com cabeça de abóbora parado ali olhando-a com um sorrisinho irônico esculpido no que devia ser a boca.

– Q-Quem é você? – A ruiva gaguejou, recuando alguns passos, temerosa com o desconhecido, que permanecia sorrindo para ela.

– Onde estão meus modos? Ainda não fomos apresentados. – Ele continuou olhando-a com um sorriso irônico, mas logo se curvou exageradamente ao falar seu nome. – Sou Jack O’Lantern. – Se apresentou.

Merida assentiu e recuou mais um passo. Não era como se saber o nome do desconhecido fosse contribuir para aplacar seu temor para com ele. A Princesa Valente de Highland, pela primeira vez em muito tempo, estava realmente com medo, medo este que a deixava paralisada, incapaz de proferir qualquer palavra ou sequer tentar fugir do homem à sua frente.

– Você é a Princesa Merida de Highland, estou correto? – Jack disse ao ficar ereto, pronunciando as palavras com certo divertimento.

Merida não conseguiu fazer mais do que assentir com um gesto curto da cabeça, o que fez Jack rir. O som a fazia sentir como se pregos estivessem sendo fincados em seus ouvidos, forçando-a a levar as mãos aos mesmos na tentativa de abafar o barulho, que se assemelhava a um grito agoniado em conjunto com ferro se partindo.

– Excelente. – Ele falou assim que finalmente parou de rir, permitindo que Merida tirasse as mãos dos ouvidos.

– O que você quer comigo? – A ruiva finalmente conseguiu falar, engolindo o medo e tentando parecer firme, mas vacilando um pouco.

– A questão é: O que você quer comigo? – Ele rebateu com um sorriso divertido, andando alguns passos até a ruiva, que recuava à medida que ele se aproximava.

– Por que eu iria querer alguma coisa com você? – Merida perguntou, mas sua voz saiu trêmula demais para o seu gosto. Ela não podia se dar ao luxo de sentir medo, não ali, não diante de um estranho com cabeça de abóbora que podia mata-la sem que ela tivesse meios de se defender, afinal deixara sua espada no castelo e sua mãe queimara seu arco. A lembrança do que Elinor havia feito fez o estômago da garota se contorcer, mas ela decidiu-se por ignorar aquilo por hora. Tinha assuntos mais importantes, como por exemplo, manter-se viva. – O que você poderia fazer por mim? – Perguntou finalmente.

– O que você pedir. – Ele alargou o sorriso esculpido e, em um segundo não estava mais de frente para Merida. – É só me dizer o que quer. – A voz surgiu bem detrás da ruiva, fazendo-a pular com o susto e se afastar do homem, que aparecera subitamente atrás dela.

Ele parecia bastante excêntrico, mas, até então não lhe oferecera ameaça. Pelo contrário, oferecera-lhe ajuda, por mais que não pudesse saber do que se tratava o problema de Merida, ou assim ela pensava.

– Eu preciso de um feitiço. – A ruiva finalmente se pronunciou, tendo se acalmado ao ponto de conseguir manter sua voz firme.

Jack sorriu.

– Será um prazer lhe ajudar. – Ele respondeu sem parecer nem um pouco inclinado a retirar o sorriso do rosto de abóbora. – Mas, toda magia vem com um preço. – Ele declarou.

– O que você quer? – Merida deu um passo à frente, decidida. Não havia abandonado completamente o medo, mas agora conseguia ignorá-lo de modo que mantinha a voz firme ao falar com O’Lantern.

– Isto. – Jack apontou para o colar no pescoço da menina, o que continha o brasão de seu clã, o clã Dunbrooch.

Merida pegou o colar e o examinou um pouco, não vendo o porquê de aquilo ter algum valor para o desconhecido, mas não fez objeção. Retirou-o do pescoço e o estendeu para o homem à sua frente, que o pegou e soltou um riso baixo, que provocou um formigamento doloroso nos ouvidos de Merida, embora ela tenha reprimido o impulso de levar as mãos aos mesmos para protegê-los do barulho.

– E o que você quer, exatamente? – Jack perguntou, fazendo com que o colar desaparecesse bem diante dos olhos da ruiva.

– Eu quero um feitiço que mude a minha mãe, que mude o meu destino. – Ela explicou lentamente, como se quisesse ter certeza de que ele iria entendê-la.

Jack assentiu e se aproximou alguns passos, fazendo Merida reprimir o impulso de se afastar. Nada naquele homem à sua frente lhe inspirava confiança ou segurança, mas se ele pudesse fazer o que ela pedia, não iria recusar a ajuda dele.

– Fechado. – Já bem perto dela, Jack falou e alargou o sorriso de abóbora, tocando a testa de Merida com a ponta do dedo indicador da mão direita.

Imediatamente, a ruiva sentiu uma escuridão tomar conta de si e seu corpo desabar inerte no chão antes de perder completamente a consciência.

– OUAT –

Nas ruas de Storybrooke, Elsa e Mylena andavam tranquilas. O frio do inverno começava a se instalar na cidade e, em conjunto com o brilho do céu noturno, parecia dar ao lugar uma aura um tanto mágica. Ambas pareciam de bom humor, conversando banalidades entre si até que avistaram Marina no ponto de ônibus com algumas malas, logo correndo para onde a ruiva estava.

– Está tudo bem? – Elsa perguntou ao se aproximar da ruiva com Mylena em seu encalço.

– Sim. – Marina assentiu, abraçando o próprio corpo e esfregando freneticamente os braços. – Quando eu não puder lidar com um pouco de frio eu saio da cidade, que é esse o caso, eu acho. – Sorriu sem graça.

– Está indo embora? – Mylena finalmente se pronunciou, parecendo surpresa. Nunca havia ouvido de qualquer pessoa que havia se mudado de Storybrooke.

– Eu briguei com a mamãe, de novo, e pedi demissão. – Marina explicou rapidamente, dando a versão curta da história.

– Demissão? – Elsa repetiu, olhando incrédula para a ruiva. Se bem lembrava, Elinor e Merida haviam acertado suas diferenças há um bom tempo, mas naquela Maldição, tudo podia acontecer. – Para onde vai? – Decidiu-se por perguntar.

– Ah, eu não sei. – Marina respondeu sem graça, dando de ombros. – Eu vou embora. – Declarou.

– Não tem ônibus para fora da cidade e acho que você precisa saber para onde está indo. – Mylena disse, olhando com preocupação para a ruiva à sua frente, franzindo o cenho.

Analisando a situação, Elsa percebeu o que acontecia. Em primeiro lugar, Marina não podia sair da cidade, afinal, de acordo com Annabelle, coisas ruins acontecem com quem sai, embora a ruiva tivesse saído e nada tivesse lhe acontecido, algo que ainda deixava a loira-platina curiosa. Em segundo lugar, precisava da ajuda de Merida se quisesse quebrar a Maldição, além do fato de que não podia deixar sua amiga, que tanto a ajudara, daquele jeito.

Deu uma cotovelada no braço de Mylena, torcendo internamente para que a morena entendesse o que ela queria. Ao que parecia, entendera, pois logo em seguida a Black mais velha falou:

– Se precisar de um lugar para ficar, pode ir com a gente para casa. – A morena disse sem graça, enrolando uma mecha de seu cabelo escuro no dedo.

– É. – Elsa sorriu.

Marina pareceu ficar bem contente e assentiu, logo seguindo as duas para o apartamento que a loira-platina e a morena dividiam.

– OUAT –

Merida não sabia como havia ido parar ali e suas memórias do que ocorreu antes eram bastante escassas, mas quando abriu os olhos, estava em seu quarto e sua mãe segurava firmemente sua mão.

– Merida! – Elinor exclamou antes de puxar a ruiva para um abraço apertado, quase a esmagando ao fazê-lo.

Ainda no abraço, Merida estranhou bastante a atitude da mãe. Lembrava-se com clareza da briga das duas na qual Elinor jogara seu arco na lareira acesa, mas ali estava sua mãe, abraçando-a e demonstrando o quão preocupada estava com ela.

– O que aconteceu? – A ruiva perguntou assim que sua mãe a soltou, esfregando os olhos com as costas da mão para se livrar da sonolência que se abatia sobre ela desde que acordara.

– Fergus te encontrou desmaiada numa clareira no meio da floresta. – Elinor explicou nervosamente e Merida conseguiu ver desespero presente nos olhos castanhos da mãe, mas não disse nada a esse respeito e a Rainha de Highland também não parecia inclinada a explicar.

Merida apenas assentiu e bocejou, sentindo-se cansada, por mais que houvesse acabado de acordar.

– Descanse, querida. – Elinor pediu ao perceber a sonolência da filha, que, por incrível que pareça, a obedeceu e voltou a se deitar na cama, caindo no sono logo em seguida.

O que Elinor não contou a Merida foi o que acontecera quando a encontraram, pois não acharam exatamente a ruiva. Acharam um urso negro que atacou a todos assim que os viu, mas que, assim que deixado inconsciente, se transformou novamente na Princesa de Highland, deixando todos chocados.

O que quer que Merida tivesse feito naquela clareira, definitivamente havia alterado para sempre seu destino.

– OUAT –

Na delegacia de Storybrooke, Mylena e Elsa estavam na sala de interrogatório, sentadas à mesa no centro do lugar, de frente para Jennifer, que as olhava com os lábios meio curvados para cima num sorriso divertido e irônico.

– Vou perguntar uma última vez: Quem te mandou matar a Elsa? – Mylena questionou com impaciência, respirando fundo constantemente para se acalmar, visto que não era a primeira vez que fazia a pergunta à garota à sua frente.

– Você já tem minha resposta. – Jennifer, por outro lado, parecia completamente confortável com a situação instalada naquela sala, olhando com divertimento as duas pessoas à sua frente.

Mylena respirou fundo mais uma vez. Se havia uma coisa que ela não tinha era paciência e, vendo isso, Elsa imediatamente a tirou da sala, trancando Jennifer lá dentro para que pudessem continuar com o interrogatório apenas quando a morena estivesse mais calma.

– Afinal que tipo de trabalho você quer? – Annabelle perguntou impaciente, olhando para Marina, que estava sentada ao lado dela.

As duas estavam no escritório da delegacia, de frente para o computador, e a Black mais nova procurava nos anúncios da cidade um emprego para a Scott.

– Todos os que você sugeriu tinham arco e flecha e, não me leve a mal, eu não acho que sejam trabalhos. – Marina revirou os olhos e bufou, cruzando os braços e deixando suas costas se apoiarem no encosto da cadeira. O telefone tocou uma vez e uma luz acendeu nele, fazendo com que o barulho cessasse. – Por que os telefones ficam fazendo isso? – Perguntou, fitando o aparelho.

– Ligações que não são emergência vão para a secretária eletrônica quando a Elsa e a Mylena estão ocupadas. – Annabelle deu de ombros, voltando a mexer distraidamente no computador em busca de um emprego para a amiga, de preferência que envolvesse algo que pudesse fazê-la se lembrar de que era Merida Dunbrooch.

O telefone tocou mais uma vez e, sem nada para fazer, Marina o atendeu distraidamente.

– Escritório da Xerife, posso ajudar? – Perguntou ao atender ao telefone. – Tudo bem, eu peço para uma delas retornar. – Garantiu e desligou, não tardando em atender mais uma ligação quando o som do aparelho mais uma vez soou. – Escritório da Xerife, em que posso ajudar? – Repetiu o dito anteriormente. – Ah, olá, senhora Lockwood. – Cumprimentou. – Não, não é um ladrão, é o cachorro do Simon, o Banguela. – Explicou. – É só jogar alguma coisa para ele comer que ele se acalma. – Instruiu. – Ainda quer falar com a Mylena ou com a Elsa? – Perguntou e sorriu. – Ótimo. Fico feliz por ter sido útil. – Disse e desligou o telefone, colocando-o novamente no lugar.

– Como vocês duas estão indo? – Uma voz vinda de trás chamou a atenção das duas, que se viraram, percebendo que era Elsa quem falava e Mylena estava com ela.

– Bem, mas eu não sei fazer nada. – Marina explicou e deixou-se afundar na cadeira na qual estava sentada, desanimada.

– Não é verdade. – Mylena interveio, aproximando-se alguns passos de onde as duas ruivas estavam, fitando Marina com seriedade. – Eu a vi no telefone e foi muito bom. – Começou a se dirigir até sua sala.

– Aquilo não foi nada. – Marina deu de ombros.

– Não, nada disso. – Mylena retornou ao lugar onde estivera anteriormente, olhando para a ruiva mais velha com preocupação. Pareceu pensar por um minuto antes de falar. – Na verdade, tem um dinheiro sobrando no orçamento, caso você queria ajudar por aqui. – Concluiu com um suspiro cansado e um sorriso pequeno.

Elsa observou contente a atitude da morena, trazendo um sorriso nos lábios que, por estar de costas, a Black mais velha não viu. Marina, por outro lado, imediatamente se levantou de sua cadeira com um enorme sorriso no rosto.

– Sim, obrigada. Sim. – A Scott não tardou em responder entusiasmada. – Eu poderia atender aos telefones e ajudar. – Sugeriu. – O que mais quer que eu faça? Organizar os arquivos? Por favor, eu quero ser útil. – Disse por fim.

– Olha, nós – Mylena gesticulou para si mesma e para Elsa, que permaneceu quieta em seu lugar. – Estamos cheias de coisas da Jennifer Gold e, sinceramente, ela está acabando com a pouca paciência que eu tenho. – Suspirou com cansaço. – Então, se quiser pegar um almoço para nós, eu nunca recusaria um misto quente e um café. – Sorriu sem graça.

– Feito. – Marina concordou e imediatamente pegou sua bolsa, sorrindo entusiasmada. – Quer alguma coisa, Belle? – Perguntou à ruiva parada de frente para o computador.

– Dois cookies de chocolate, uma torta de maçã e um cachorro quente. – A ruiva respondeu com um sorriso enorme e brincalhão.

– Ela já comeu na escola. – Elsa avisou, balançando negativamente a cabeça, rindo.

– E você, Elsa? – A ruiva mais velha perguntou assim que chegou perto da loira-platina, que estava parada perto da porta, encostada à parede.

– Um chá gelado e um misto quente. – Elsa deu de ombros e rapidamente Marina deixou a delegacia em direção à Lanchonete da Vovó.

– OUAT –

O tempo foi se passando sem que Merida tivesse consciência do que se transformara. Elinor encontrara um mago a qual pagara para conseguir um medalhão que impedia a filha de se transformar em urso, algo que sempre acontecia quando a ruiva se irritava.

Porém, uma onda de assassinatos se desenvolvera no reino de Highland, se por obra de Mor’du ou de Merida, ninguém sabia dizer. Elinor até tinha suas suspeitas sobre a filha, pois ela não usava o colar com pingente de urso com a frequência que a morena gostaria e talvez estivesse matando inconscientemente as pessoas. A Rainha de Highland não culpava a filha, mas não podia negar que estava preocupada com ela, principalmente com o que poderia acontecer se Merida chegasse a descobrir a verdade.

Em um destes dias, Fergus entrou no quarto em que Elinor estava andando nervosamente de um lado para o outro. A mulher ainda varria sua mente em busca de soluções para o problema da filha, mas não via nenhuma saída.

– O que vamos fazer, Fergus? – A mulher perguntou assim que teve consciência da presença do marido no cômodo.

– Eu não sei, querida. – Fergus a abraçou, tentando passar um pouco de segurança à Rainha. – Mas vamos resolver isto. – Suspirou com cansaço. – Quanto aos assassinatos, acha que é ela? – Ele perguntou com seriedade, algo incomum para o sempre brincalhão homem.

– Não sei dizer. – Elinor respondeu, soltando-se de Fergus e indo até uma cadeira que havia ali, sentando-se nela. – Você sabe que eu paguei a um mago por aquele colar, mas ela não usa e, se for ela, parece que achou um jeito de sair do castelo. – Soltou um suspiro. – Eu não sei mais o que fazer, Fergus. – Declarou, massageando as têmporas com a ponta dos dedos.

Os dois interromperam a conversa quando ouviram o barulho da porta sendo aberta, percebendo ser Merida quem entrava no quarto.

– Algum problema, querida? – Elinor imediatamente se levantou e foi até a filha, olhando-a atentamente e percebendo que ela usava o colar com pingente de urso, para seu alívio.

– Harris, Hubert e Hamish querem que eu os leve para passear pelo reino. – A ruiva respondeu com um sorriso pequeno.

– Ah. – Elinor assentiu preocupada.

Nos últimos tempos, era raro que ela deixasse a filha sair do castelo, mesmo que acompanhada por guardas ou até por Fergus, mas ela estava usando o colar e parecia bastante calma e contente, portanto nada poderia dar errado, certo?

– Tudo bem. – Concordou por fim, mas temerosa por poder estar fazendo a escolha errada, ainda mais tendo a vida de seus filhos envolvida, além de não saber o que a descoberta de tudo faria com Merida.

A ruiva pareceu bastante feliz e abraçou a mãe com animação, não tardando em deixar o quarto, fazendo Elinor continuar a se questionar sobre a decisão que havia tomado e a Rainha apenas torcia para que fosse a certa.

– OUAT –

Ao finalmente chegar à Lanchonete da Vovó, Marina recebeu um olhar neutro de sua mãe, mas tentou ignorar enquanto se aproximava dela.

– Quero três mistos quentes, dois cafés e um chá gelado. – A ruiva pediu com um sorriso desafiador para sua mãe, que semicerrou os olhos, indicando que não estava gostando nada das atitudes da filha. – Agora trabalho na Delegacia, como uma assistente. – Disse antes que Selina tivesse a chance de lhe dizer qualquer coisa.

– Para mim parece a mesma coisa que você sempre fez. – Selina alfinetou, revirando os olhos para a ruiva à sua frente.

– É muito mais que isso. – Marina se irritou por dentro, mas se esforçou para não demonstrar. Não daria aquele gostinho a sua mãe. – Eu ajudo a resolver crimes. – Declarou com um sorriso convencido.

– Tenho certeza que sim. – Selina assentiu, indo até detrás do balcão sem olhar para a ruiva. – Espero que esteja encontrando o que procura. – A mulher acrescentou neutra.

– Eu estou. – Marina se apressou em responder, o que fez Selina revirar os olhos, embora fizesse um gesto em concordância com a cabeça.

As duas se entreolharam uma vez antes que a mais velha se distanciasse para ir atender aos outros clientes do estabelecimento enquanto que a ruiva ficou parada em seu lugar, aguardando seu pedido e torcendo para que saísse rapidamente para que pudesse sair dali.

– OUAT –

Já era noite e, passeando pelo Reino de Highland estavam Merida, Harris, Hubert e Hamish. Os trigêmeos aproveitavam cada parada que faziam pelo reino para aprontar pegadinhas e roubar doces, que acabavam por dividir com Merida quando a ruiva ameaçava contar à mãe dos quatro o que eles andavam fazendo.

– Soube dos assassinatos no Reino? – Hubert começou a falar, fingindo-se de assustador, tentando provocar temor nos irmãos, que apenas deram de ombros. – Será que é o Mor’du? – Fingiu medo, mas logo depois ele, Harris e Hamish caíram na risada.

– Meninos! – Merida repreendeu, embora também risse tanto quanto eles.

– O que? – Harris se fez de inocente, abafando a risada com as mãos. – Ora, vamos, Merida! – O pequeno ruivo deixou escapar uma risada. – Nós bem que podíamos pegar o Mor’du se quiséssemos. – Soltou mais uma risada. – Você tem seu arco. – Gesticulou para o arco de Merida, a qual Elinor havia se empenhado bastante em consertar, para a surpresa da ruiva. – E nós temos nossas espadas. – Desembainhou a pequena espada que tinha. – Podíamos acabar com ele facilmente. – Reafirmou.

– Não. – Merida respondeu em tom repreendedor que, nas poucas vezes que usava, a fazia soar como a mãe. Ela já havia visto Mor’du uma vez quando era criança e aquela era uma experiência que ela nunca mais gostaria de repetir.

– Ah, qual é, Merida? – Hamish sorriu irônico para ela. – Está com medo? – Desafiou.

Merida bufou de raiva. Não sabia o porquê de ter se irritado com simples palavras de seus irmãos mais novos, mas já estava ficando difícil controlar a raiva que crescia em si, fazendo-a tremer.

– Merida, você está bem? – Harris se aproximou alguns passos ao ver a forma trêmula de sua irmã.

A ruiva nada lhe respondeu. Naquele momento já não respondia mais por si, não tinha mais controle de seus atos. Não havia se transformado ainda, mas já era o urso.

Elinor andava nervosamente pelo castelo de Highland, procurando algo com a qual se distrair, afinal se encontrava extremamente preocupada com os filhos. Merida havia saído do castelo sozinha com Harris, Hamish e Hubert, sem qualquer soldado para ajuda-los caso algo desse errado. Mas nada poderia acontecer, certo? Ela estava usando o colar, certo?

A morena avistou a porta aberta do quarto de Merida e, sem qualquer obrigação para tomar-lhe o tempo, decidiu-se por entrar lá, dando de cara com o quarto desarrumado da filha, que, bufando, ela se pôs a arrumar.

Porém, parou o que estava fazendo quando avistou um brilho prateado em cima da mesa que havia ali e, dirigindo-se até lá, percebeu se tratar do medalhão de urso que impedia Merida de se transformar.

– Fergus! – A Rainha de Highland gritou desesperada, tomando o colar em mãos e saindo do quarto, percebendo que o marido já corria até ela.

– O que houve, querida? – O homem perguntou alarmado, procurando em volta o que poderia ter causado o desespero de sua esposa.

Elinor estendeu o colar com medalhão de urso para o que o marido pudesse ver, o que o fez arregalar os olhos.

– Merida... – Fergus sussurrou o nome da filha mais velha, compreendendo o temor da morena à sua frente.

– Ela está com os meninos. – Elinor respondeu tão aterrorizada quanto ele e os dois saíram correndo do castelo.

Precisavam achar a ruiva e precisavam ser rápidos. Tinham pouco tempo e só torciam para que nada pudesse irritar Merida antes que eles a encontrassem.

– Merida? – Hubert chamou pela irmã, aterrorizado, enquanto recuava às cegas com seus irmãos para longe do urso negro que surgira à sua frente onde outrora estivera sua irmã.

O urso não parecia reconhecer nenhum dos trigêmeos e avançava lentamente para ele, expondo os dentes longos e afiados e deixando um rosnado gutural escapar de sua garganta ao perceber que eles fugiam. Merida simplesmente não estava ali. Restara apenas o lado do feitiço que Jack lançara sobre a ruiva.

– Mais rápido, Fergus! Mais rápido! – Elinor apressava o marido enquanto ambos cavalgavam, cada um em seu cavalo, em direção ao reino, à procura de qualquer sinal de algum de seus quatro filhos.

Depois de um tempo que lhes parecera longo e doloroso demais, finalmente eles encontraram os filhos numa parte mais afastada do reino, mais próxima à floresta, porém, seus temores se concretizaram:

Merida, em forma de urso, avançava para Harris, Hubert e Hamish, que recuavam aterrorizados, querendo fugir da irmã.

– MERIDA! – Fergus, escandaloso como sempre, ainda mais estando preocupado, gritou a plenos pulmões, finalmente conseguindo chamar a atenção do urso preto que avançava para os filhos.

O urso mostrou os dentes e um som alto e feroz saiu de sua garganta enquanto este partia agressivamente para cima do Rei de Highland, expondo as longas e mortais garras para acertar Fergus, que, por sua vez, tendo experiência com ursos, desviou e se postou detrás da forma animalesca de sua filha, passando os braços pela figura não tão grande assim, afinal mesmo sendo um urso ainda era Merida, e segurando-o com dificuldade enquanto este se debatia na tentativa de se soltar.

– Elinor, rápido! – Fergus gritou ao perceber que não poderia conter sua filha mais velha por muito mais tempo.

Elinor rapidamente se aproximou do urso, recebendo um golpe no braço a qual deixou ali um corte feito e sangrento. Porém, ela não se importou e passou o cordão com o medalhão enfeitiçado em volta do pescoço do urso, que logo se acalmou e parou de se debater.

Fergus largou a filha, que imediatamente caiu no chão e começou a diminuir de tamanho, voltando a tomar a forma da Princesa de Highland.

– OUAT –

Depois de sair do estabelecimento onde um dia trabalhara, Marina dirigiu-se novamente à Delegacia, não encontrando mais ninguém lá além de Jennifer, que estava sentada em sua cela sem dar atenção à sua chegada. Olhou em volta, buscando a xerife ou mesmo a assistente, mas sem encontrar nenhuma das duas.

Foi então que seu celular tocou e ela não perdeu tempo em colocar o lanche que comprara em cima da mesa e pegar o aparelho no bolso, levando-o ao ouvido e atendendo-o.

– Alô? – Falou.

Marina? – Escutou a voz de Mylena vinda do outro lado da linha. – Desculpe ter saído assim sem avisar, mas houve uma briga no Rabbit Hole e tivemos que vir resolver.

Tudo bem. – A ruiva assentiu.

– Mas, tem uma coisa que quero te pedir. – Escutou a morena dizer.

– O que? – Perguntou ansiosa.

– Nós temos que dar um jeito no caso dessa tentativa de assassinato contra a Elsa e eu preciso que você interrogue a Jennifer para mim. – Ouviu-a explicar.

– O que?! Não! – Se apressou em negar. – Mylena, eu vou estragar tudo e, provavelmente, ela talvez até consiga fugir. Eu não vou fazer isso. – Finalizou nervosa.

Você pode interroga-la na cela, não interessa o que vai fazer. – A morena respondeu-a do outro lado da linha. – Mas o papai quer esse relatório ainda hoje e, pelo que eu estou vendo por aqui, eu não vou poder fazer isso tão cedo. – A ruiva ia retrucar, mas a outra se apressou em falar. – Marina, eu confio em você e sei do que você é capaz. Pode fazer isso? – A morena perguntou.

Marina ponderou por um momento. A morena estava dependendo dela e, depois de a Black tê-la ajudado tanto, não podia simplesmente negar o que ela estava lhe pedindo.

– Tudo bem. – Concordou.

Ótimo. – Ouviu a Black dizer do outro lado da linha. – Boa sorte. Tchau. – O telefone ficou mudo.

Guardou o aparelho novamente no bolso e se virou para Jennifer, que agora a olhava com um sorrisinho irônico, desafiando-a. Aproximou-se lentamente dela, sem jamais tirar os olhos da Gold mais nova, que lhe dava a mesma atenção. Puxou uma cadeira e postou-a à frente da cela da garota.

– Então é você quem vai me interrogar? – A garota perguntou em tom de zombaria, claramente subestimando a capacidade da ruiva de fazer isso.

– E você parece bem despreocupada. – Marina tentou se manter neutra, embora sua voz soasse nervosa até aos próprios ouvidos.

– Você mesma não acha que consegue fazer isso, então por que eu deveria pensar o contrário? – Jennifer respondeu com o mesmo sorriso zombeteiro e irônico de antes.

– Porque eu estou começando a pensar em bons motivos para conseguir. – A ruiva retrucou, começando a ficar irritada com o jeito com que a outra falava consigo. – Ela já te interrogou várias vezes, não é? – Questionou e, ao ver que a Gold não havia entendido, explicou. – Mylena.

– Ah, sim. – Jennifer afirmou, retomando o sorriso. – E, como você, ela não conseguiu nada. – Disse por fim.

– Eu ainda não fiz nada para você saber que eu não vou conseguir. – Marina retrucou, recostando-se à cadeira em que estava sentada e cruzando os braços. – Você é tão arrogante que chega a irritar, Jennifer. – Declarou.

– Eu não pedi sua opinião e o que eu faço ou deixo de fazer não lhe diz respeito. – A Gold respondeu-a, apagando o sorriso e semicerrando os olhos para a outra, irritada.

– Você tentou matar uma amiga minha, então eu acho que me diz respeito. – A ruiva retrucou no mesmo tom usado pela outra.

Sem mais qualquer resquício de paciência, Jennifer se aproximou repentinamente da cela e estendeu rapidamente o braço por entre as grades, segurando Marina pelo pescoço e apertando com força.

– Olha, já não me interessa quem venha me interrogar. – A Gold disse agressiva. – Sempre é a mesma coisa e, honestamente, eu já cansei. Se você quer saber, não fui matar a Elsa por conta própria, mas, se quer saber, eu faria de novo, porque ela seria só mais uma nas dezenas que eu já matei. – Largou-a rudemente.

Marina arfava, tanto por falta de ar quando pelo que a outra acabara de lhe dizer.

Horas mais tarde, já tendo explicado a situação tanto para Elsa quanto para Mylena, Marina ainda não se encontrava mais calma.

– Você está bem? – A loira-platina questionou preocupada com o estado da ruiva à sua frente.

– Eu não sei. – Foi o que a Scott respondeu, não olhando para ela, ainda fitando o chão em choque.

– Vai ficar tudo bem. – Elsa tentou confortá-la, passa-la alguma segurança. – Pelo menos já temos uma base para confirmar nossas suspeitas do que aconteceu. – Informou.

– Marina, você fez bem. – Mylena finalmente se pronunciou, chamando a atenção das outras duas para sua figura imóvel e de braços cruzados.

– Isso é fazer bem? – A ruiva perguntou, gesticulando com a cabeça para Jennifer, que agora dormia tranquilamente em sua cela como se nada houvesse acontecido.

– É. – Mylena confirmou, ainda de braços cruzados e aparentando indiferença, mas parecia estar sendo sincera. – Foi excelente. Eu não consegui fazê-la dizer nada em todo esse tempo e você conseguiu numa única vez. – Suspirou. – Não sei o que você pensa a esse respeito, mas o que eu penso é no quanto estou impressionada com você. – Finalizou.

– Não fique. – Marina sorriu ainda em choque. – Eu ainda estou muito assustada. – Confessou.

– Mas você conseguiu. – A Black mais velha disse com o melhor sorriso encorajador que podia transmitir.

– OUAT –

Assim que finalmente recobrou sua consciência, Merida se levantou do chão onde percebera estar deitada e olhou em volta, percebendo os olhares assustados de seus pais e seus irmãos sobre si.

– O que aconteceu? – Ela tentou se aproximar, mas Harris, Hamish e Hubert se esconderam atrás de Elinor e Fergus, assustados, deixando-a confusa, percebendo também o corte sangrento no braço de sua mãe.

Viu Elinor respirar fundo, como se se preparasse para dizer algo que não queria, e só percebeu que prendera a respiração quando deu por falta do ar, nervosa.

– Mor’du não é o único urso no reino. – Foi tudo o que a Rainha de Highland disse, demonstrando pesar, mas foi o suficiente para que a ruiva entendesse. – Eu não devia ter escondido de você. – Elinor disse, confirmando as suspeitas da filha.

Tudo pareceu se encaixar na mente de Merida. Os apagões que passara a ter com frequência desde o acordo feito com Jack O’Lantern, o cuidado redobrado de sua mãe para com ela desde esse dia, o medo com a qual seus irmãos a olhavam naquele momento, o machucado no braço da mãe...

– Eu? – Ela deixou algumas lágrimas escaparem de seus olhos azuis.

– Merida, nós precisamos voltar para casa. – Fergus disse, tentando se aproximar da filha, que recuou à medida que ele avançava.

– Não. – Merida sussurrou em um tom que seus pais quase não conseguiram ouvir, mas que acabaram por escutar. – Não, não.

– Merida, Merida. – Elinor se aproximou dela antes que a ruiva tivesse tempo de se afastar, sentindo-a ficar tensa quando a segurou pelos braços. – Minha filha, vai ficar tudo bem. Está vendo isso? – Segurou o medalhão de urso no pescoço da filha. – Isto a impede de se transformar. Enquanto usar, vai ficar tudo bem. – Tentou passar segurança à filha. – Merida, confie em mim. Nós vamos cuidar dos problemas e eu vou cuidar de você. – Assegurou.

Por fim, Merida assentiu e, ainda com os braços de sua mãe em volta de si, seguiu seu pai e seus irmãos de volta para o castelo.

– Mãe, você mudou. – A ruiva murmurou enquanto andava com Elinor abraçando-a, olhando a mãe pelo canto do olho.

– Ah, minha filha. – Elinor apertou os braços em torno dela, tentando passa-la algum conforto, alguma tranquilidade. – Eu acho que nós duas mudamos. – Afirmou com um sorriso pequeno.

Deste modo, as duas seguiram de volta para o castelo de Highland.

– OUAT –

Bastante calma e já sabendo o que teria de fazer, Marina adentrou na Lanchonete da Vovó, recebendo o olhar atento de sua mãe ao fazê-lo enquanto pendurava o casaco vermelho no cabideiro próximo à porta.

– A Xerife quer alguma coisa? – Selina questionou enquanto se fingia interessada em uma papelada no balcão.

– Não. – Marina negou com um sorriso pequeno enquanto se aproximava do local onde sua mãe estava.

Selina, por sua vez, fechou impacientemente uma gaveta e abafou um gemido de dor ao fazê-lo, massageando o braço dolorido.

– Seu braço vai bem? – Marina perguntou preocupada, olhando atentamente para o braço com cicatrizes em forma de garras de sua mãe.

– Sim, não é nada de mais. – Selina deu de ombros, embora ainda se mostrasse incomodada com a dor insistente no braço. – Mas e você? – Mudou de assunto. – O que faz aqui? Veio se gabar do novo emprego? – Perguntou.

– Eu quero voltar a trabalhar aqui. – Marina ignorou a pergunta dela e foi direto ao ponto, direta como sua mãe sempre fora em relação a algo que queria.

– Por quê? – Selina questionou sem fitar a filha, mantendo seu olhar nos pratos que agora lavava por detrás do balcão.

– Eu não estava brava. – Marina respondeu com um sorriso e, embora aquela fosse uma meia-verdade, estava tentando ser sincera com a mãe.

– Parecia que estava. – A morena retrucou enquanto abandonava os pratos e se virava para a ruiva, que permanecia fitando-a com um sorriso pequeno nos lábios.

– Eh, o que aconteceu foi o seguinte... – Marina começou a explicar, subitamente mais nervosa, agora recebendo total atenção por parte de sua mãe, o que não contribuía para deixa-la mais calma. – Você queria que eu fizesse várias coisas e eu... – Pareceu escolher as palavras. – Não tinha certeza. – Suspirou com cansaço. – Eu disse que você queria que eu me tornasse você, mas... – Respirou fundo antes de prosseguir. – O que eu quis dizer foi que eu não sei ser como você. – Sorriu ao perceber o olhar incrédulo de sua mãe sobre si. – Você é um exemplo difícil de seguir. – Explicou.

– Oh... – Selina deixou o canto de seus lábios se erguerem num curto sorriso com a explicação que a filha acabara de lhe dar.

– E você queria que eu tivesse todas as responsabilidades e eu acho que me assustei. – Marina continuou a falar, desviando o olhar para o chão.

– Não se assuste, afinal você não precisa ficar. – A verdade era que não era isso que Selina queria dizer, mas as palavras que soaram meio rudes até aos próprios ouvidos saíram de sua boca sem sua permissão.

– Mas eu estou. – A ruiva respondeu, alargando um pouco mais o sorriso que não havia abandonado desde que entrara no estabelecimento. – Mas tudo bem. Posso fazer mesmo assim. – Garantiu. – Eu percebi que eu posso ser mais do que eu mesma esperava. – Declarou, recebendo um olhar orgulhoso de sua mãe logo em seguida, o que só serviu para fazê-la sorrir ainda mais. – Eu descobri que podia fazer outras coisas e também que eu não quero. Por exemplo, eu não quero um emprego em que um dia bom é estragar uma vida. – Suspirou com cansaço. – Quero fazer alguma coisa que me faça feliz. – Disse. – Num lugar que eu ame. – Adicionou, passando a mão pelo balcão da Lanchonete.

– Olhe... – Selina chamou sua atenção mais uma vez e então a ruiva percebeu que ela estava de olhos fechados. – Só para você saber, eu queria que fizesse a contabilidade para assumir quando eu estiver velha e me aposentar. – Confessou com um sorriso pequeno. – Ser a dona do lugar. – Explicou e então abriu os olhos, dando de cara com a expressão incrédula de sua filha mais velha.

– Dona? – Marina repetiu sem acreditar, atônita.

– Claro. – Selina confirmou, segurando um riso pela expressão que a ruiva à sua frente fazia. – Quer dizer, para quem mais eu daria se não para alguém que eu ame? – Sorriu.

Marina, sorrindo também, não perdeu tempo em se aproximar de sua mãe e envolve-la num abraço apertado a qual ela logo retribuiu.

Subitamente, um choque percorreu o corpo da ruiva e ela abriu os olhos em surpresa, arfando com o que havia acabado de acontecer consigo. Soltou sua mãe confusa com seu gesto e lançou-lhe um sorriso antes de sair correndo dali, dirigindo-se à Delegacia e lá encontrando exatamente quem queria ver.

– Marina? – Elsa chamou seu nome, incrédula, afinal não esperava ver a ruiva ali. – O que faz aqui? – Perguntou preocupada.

– Só vim saber se a Rainha da Neve precisa de ajuda para quebrar a Maldição. – Marina sorriu como uma criança, recebendo um olhar chocado da loira-platina, que então compreendeu que ela havia recuperado a memória.

As duas rapidamente se abraçaram como as boas amigas que eram e, assim que se separaram, Elsa teve que perguntar:

– Mas como você conseguiu? – A loira-platina questionou com um sorriso enorme emoldurando os lábios.

– Minha mãe. – Foi tudo o que a ruiva respondeu, mas foi o suficiente para que Elsa entendesse.

Para Merida, não era um objeto que poderia trazê-la de volta, mas sim a volta de seu bom relacionamento com sua mãe, afinal, para a Princesa de Highland, a relação de mãe e filha entre ela e Elinor era o que ela tinha de mais precioso.

Notas finais
E aí? O que acharam? Próximo Capítulo: By the Other Side of the Door.