The New Selection - Interativa
1 Capítulo 1 - A Decisão
Notas iniciais
Sabe quando o dia se mostra tão tedioso que você quer apenas deitar e olhar para as formas e ondas do teto e não fazer exatamente mais nada? Bem, é nesse estado que me encontro nesse exato momento. Trancado em meu escritório com pilhas e mais pilhas de relatórios que chegaram nesta manhã de cada um dos movimentos governamentais de cada uma das províncias de Illéa, nos quais tenho que ler um por um, examinar e verificar se bate com os gastos desta semana, e acima de tudo, arranjar uma solução para alguns dos problemas de saneamento básico que alguns cidadães de casta mais baixa estão enfrentando nesses últimos tempos.
Sei bem que assuntos como esse não deveriam me entediar desta maneira, porque sei que futuramente terei que assumir todas as responsabilidades de meu pai, o Rei Maxon, que incluem todas as responsabilidades do governo e futuro de Illéa, terei que ser o Rei que todos esperem e desejam que eu seja. Parece uma tarefa difícil, tendo em conta que a presença dos rebeldes anda sendo constante, mas não de maneira preocupante, já que tivemos poucos ataques no decorrer deste ano. Eu quero muito ser merecedor deste cargo, ser alguém que fique marcado na história pelos meus feitos assim como meu pai foi depois que assumiu o papel de seu pai. O único problema é o estresse constante que ando tendo, como por exemplo, a pressão das mídias de que eu preciso de uma noiva, ou os boatos que percorrem as manchetes de que eu ainda não estou pronto para assumir o reinado. Se isso me chateia? Confesso que um pouco, pois eu fui criado para ser um Rei, o que não inclui brincadeiras, namoradas, tempo livre, nem nada do gênero. Eu dediquei minha vida inteira para pessoas que jamais vou conhecer pessoalmente para ter que ler esse tipo de coisa em jornais e revistas.
Em parte também, eu concordo que eu deveria logo dar a iniciativa para assumir o cargo, porque já tenho lá meus 22 anos de idade. Sei bem que preciso de uma noiva mais do que rápido, só que esse é o grande porém da história. Não que eu não queira uma noiva, eu quero sim alguém em que eu possa dividir meus problemas, dividir tudo, e que talvez eu possa amar também, mas eu queria poder fazer isso mais para frente, não tenho cabeça e nem fôlego para suportar uma mulher me rodeando sendo que tenho problemas mais urgentes para resolver.
Mulheres. Elas nunca foram meu foco principal na vida. Sei que ouvir um homem dizer isso parece até mentira, mas é a mais pura verdade. Nunca abandonei meus compromissos por uma garota, muito menos dei atenção suficiente a uma, o que não significa que eu não tenha dormido com algumas, se é que me entendem. A princesa da França é uma das que gostaria muito que eu desse atenção a ela, segundo palavras de minha irmã. Sempre tive muito carinho por ela, e já fomos bem próximos, mas a distância e meus compromissos não prolongaram nosso relacionamento as escondidas. Já tive pequenos deslizes com algumas garotas de fora do castelo também, mas foram apenas coisas que aconteceu por acontecer mesmo, pois não passaram de uma noite. Já arranquei inclusive suspiros de muitas das amigas de minha mãe, mesmo sendo mais novo, claro, que não ouve intenção, foi apenas ao acaso. Juro que ainda tento entender o que de extraordinário elas vêm em mim, já que não me acho tão atraente assim com meus cabelos acobreados e minha estrutura nem tão atlética.
Pego outro relatório em mãos e olho a província. É Carolina, a província de onde minha mãe nasceu. É estranho pensar que minha mãe, America, nem sempre teve a vida que temos a atualmente, que ela já esteve no meio de toda aquelas pessoas que trabalham arduamente todos os dias para sobreviver, cada qual em sua casta, e das quais eu preciso pensar em um modo de melhorar a vida delas do modo mais rápido e eficaz possível. Isso me faz lembrar da Seleção de meu pai. Deve ter sido difícil para ele ter que escolher minha mãe entre mais trinta e quatro garotas, imagino a confusão na cabeça dele, porque ele tinha que escolher uma entre trinta e cinco, uma única garota a qual ele iria vê-la todas as manhãs de suas vidas, na qual ele teria que confiar mesmo sem a conhecê-la, que ele teria que amar, ter filhos, construir um reinado ao seu lado. Deve ter sido difícil, mas no final ele fez a escolha certa, porque não imagino meu pai sem minha mãe, e o mesmo dela. Eles parecem completar um ao outro, o que parece até meio estranho, pois não me vejo encontrando alguém da qual me complete.
Abaixo meus papéis quando ouço uma leve batida na porta, a qual se abre em seguida.
— Vossa alteza, a princesa Venus deseja falar com o senhor. — um dos guardas que fica do lado de fora, Jimmy, informa assim que adentra a sala.
Faço sinal de que a deixe entrar e ele se retira em seguida, adentrando segundos depois minha irmã. Ela traja um vestido rosa de rendas, que acentua suas curvas juvenis, e que mostra seus ombros de mais para meu gosto.
— Meu irmãozinho querido, espero não atrapalhar você e sua imensa leitura. — ela sorri e se encaminha para a sacada, abrindo as cortinas na intenção de deixar o ambiente mais claro.
Fecho o relatório em minhas mãos e deixo a pilha de lado, olhando em seus olhos azuis.
— Acho que tenho que conversar com a criada que costura seus vestidos, porque desse jeito você vai deixar os guardas sem jeito. — falo com um tom de reprovação, no qual ela apenas revira os olhos e sorri de lado, o que me faz rir um pouco.
— Pare de bancar o irmão mais velho, Isaac. — ela ri e senta em uma das poltronas. — Vim em missão confidencial da mamãe.
— E que tipo de missão seria essa? — estralo meus dedos e abro os botões dourados de meu colete, ficando mais a vontade em minha cadeira acolchoada.
— Ela quer que eu o conversa a dar a iniciativa a busca da noiva perfeita, e confesso que já tive uma ideias mirabolantes. — seu tom é divertido e sério ao mesmo tempo, o que me faz pensar em qual seria essas ideias dela, já que geralmente envolve coisas engraçadas.
— E qual seria seu grande plano mirabolante?
— Você poderia realizar sua própria Seleção, ou ainda melhor, casar com uma das princesas disponíveis, sabe aquela da Ásia? ...
Ela continuou falando, mas parei de prestar atenção assim que ela sugeriu a primeira opção.
Minha própria Seleção. Acho que nunca cogitei ter uma Seleção para mim, sempre tentei pensar o que meu pai sentiu durante a dele, mas uma Seleção para mim? Nunca me passou pela cabeça. Pensando por um lado positivo, seria uma boa ideia, considerando que seria uma atração e tanto para os cidadães de Illéa, sem contar que eu poderia deixar a mídia e as pessoas mais a par sobre o que meu futuro reinado aguarda para eles, e de que seria bom dar a pessoas uma rainha da qual venha do fruto das províncias, dar a esperança de que uma garota simples pode sim vir a ser uma peça importante para o reinado. Claro que essa ideia tem seus contras, mas é uma coisa iria fazer um bem e tanto para mim. E...
— Ei, você está me ouvindo?
Pisco rapidamente, olhando minha irmã, saindo de meu transe de ideias.
— Desculpe Vee, mas eu não prestei atenção em nada do que você falou. — ela revira os olhos e antes de começar a falar novamente, me levanto. — Mas você me deu uma ideia e tanto agora, e se você me der licença, eu tenho alguns compromissos agora, então vamos deixar essa conversa para mais tarde.
Visto meu paletó e abotou novamente os botões do colete, e saio do escritório o mais rápido que minhas pernas aguentam, me encaminhando para a sala de visitas do primeiro andar, deixando avisado para um dos guardas para que avise a nova apresentadora do Jornal Oficial para que vá até lá o quanto antes. Quero me preparar para o anúncio que darei hoje, o que será uma grande surpresa para Illéa, e principalmente, para meus pais. Que a minha Seleção começará em breve.
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