Notas iniciais
Eu vou, eu vou, chorar agora eu vou. Parara timbum, parara timbum. Eu vou, eu vou... Sim, gente, esse é o último capítulo. Também tô super triste ;-; Já tinha me apegado à essa fic e principalmente à vocês... Mas é assim, né. Tudo um dia acaba. Queria dizer ~Primeiramente~ que amo vocês forever. E ~Segundamente e.e~ que esse capítulo ficou meio bosta, mas foi o que deu pra fazer depois do computador desligar de uma vez TRÊS vezes e eu perder T-U-D-O o que tinha escrito. Espero que o capítulo tenha ficado à altura do esperado.Se não, só lamento (:v) Beijinho e até lá em baixo ^^

A primavera estava quente e muitíssimo ensolarada este ano. Quer dizer, pelo menos era o que o primeiro dia na estação das flores pretendia ser. Ainda havia orvalho na grama, e a terra, molhada da última chuva de inverno que parara há pouco, parecia lama. Mas nem isso me fez levantar dela. O cheiro de inverno ainda parava em minhas narinas, e eu estava bastante disposta a receber uma boa dose de vitamina D em minha pele pálida como eu não recebia há muito tempo.

As flores desabrochavam-se aos poucos, salpicando os canteiros com suas cores vivas. O lago ao longe descongelava com o tempo, apenas uma fina película de gelo cobrindo-o. Palácio cheio de vida, arco-íris no céu... As coisas pareciam estar bem, afinal.

– Ah, eu não aguento mais isso. Olha para mim! Estou assanhada, meus pés doem e Kyle não parece estar nem aí. Veja! Ele não para quieto! Ainda bem que Carter está cuidando dele agora porque, céus, estou morta. — Queixou-se Marlee, sentando-se ao meu lado na grama e se recostando ao tronco da árvore. Eu ri, mas seu olhar fuzilante era tão fatal que eu logo me calei. Todos diziam que filhos homens eram mais difíceis de se educar do que filhas mulheres e agora, vendo o exemplo do primogênito de Marlee, Kyle, eu tremia dos pés à cabeça de medo que a criaturinha que crescia dentro de mim se tornasse exatamente como ele.

– Marlee, acalme-se. — Pedi, tentando penteá-la com os dedos. Respirei fundo e pedi que ela me imitasse — Kyle ainda é muito pequeno. Tenho certeza que as coisas vão melhorar...

Ela me olhou com descrença, mas não contestou.

Enquanto todo o jardim parecia estar em paz, Kyle corria em suas pernas gorduchas de criança para lá e para cá, Carter logo atrás, certificando-se de que ele não ia cair. Ele era realmente imparável, uma criança mais do que ativa para sua idade. Corria tão rápido que era apenas um borrão de fofura. Marlee jogou a cabeça para trás, gemendo de exaustão quando Kyle a avistou e começou a correr para ela. Carter o interceptou no meio do caminho e o colocou em seus ombros. As gargalhadas de Kyle era um som tão gostoso de se ouvir que nem Marlee, no auge de sua impaciência, se conteve a sorrir.

– Onde está Eadlyn? — Ela perguntou.

– Adivinha.

Marlee riu com a obviedade. É claro que Eadlyn estava logo atrás de Kyle, pegando em sua mão e correndo com ele pelos jardins. Os dois jamais se desgrudavam, ao ponto em que não existia mais Kyle ou Eadlyn. Um era a mesma coisa do outro. Onde um estivesse, o outro com certeza estaria. Me alegrava saber que Eadlyn cresceria ao lado de outra criança, que sempre teria um amigo com quem contar, ao contrário de mim em minha infância. Só eu sabia como fora terrível não ter alguém da mesma idade para reconhecer como amigo. Estava feliz por Eadlyn não passar pelo mesmo. Já Maxon não podia dizer o mesmo.

Meu marido estava se tornando o típico pai ciumento que quer que a filha tenha o primeiro namorado depois dos trinta, e, céus, a proximidade de Eadlyn à Kyle o incomodava exageradamente. Quer dizer, nada demais agora; eles eram apenas crianças. Mas futuramente, Maxon enxergava Kyle como quem tiraria sua princesinha dele, o que ao meu ver era ridículo de sua parte. Ainda tínhamos muitos anos pela frente para aproveitar; não precisávamos nos preocupar com isso agora.

– America! — Ouvi uma voz conhecida gritar e, antes que eu pudesse me pôr de pé, Kenna já estava de cócaras na grama, apertando-me com uma força sufocante — Que saudades!

– Também estava. — Respondi, sorridente, e Kenna foi cumprimentar Marlee.

Mamãe veio logo depois, enterrando seus saltos na terra que mais parecia areia movediça, e então May e Gerard. Pessoas para acariciar minha barriga de quatro meses não faltaram esta tarde. Mamãe chorou novamente, sua felicidade transbordando em lágrimas.

– Estou tão feliz, America. T-Tão feliz... — Gaguejou, assoando o nariz em um lencinho branco.

Em geral, ver minha mãe chorar me apavorava. Talvez fosse porque ela nunca chorava, a não ser em casos extremos. Mas, agora, seus olhos brilhavam tanto — E não é de lágrimas que estou falando — que eu sentia um prazer imenso em dar tamanha felicidade à minha mãe, a ponto da inflexível e durona dona Magda desabar em choro.

Eu não lembrava de viver em tempos tão felizes como os de agora. As coisas estavam voltando aos seus eixos, se reorganizando com o passar do tempo. Aos poucos, Mamãe se acostumava com a chegada de mais dois netos; May crescia, mas sem perder a meiguice de sempre; Gerard abandonava os sonhos de criança para pensar realmente em seu futuro. As coisas estavam mudando, mas era para melhor. E toda mudança para melhor era muito bem-vinda.

Eu é que precisava me acostumar com todas essas mudanças repentinas.

Mãe novamente, tia novamente, esposa "novamente"... Por mais que já tivesse se passado um longo ano desde que meu cérebro recuperara completamente os parafusos que faltavam, a readaptação acontecia de forma bastante lenta. Haviam momentos em que eu pensava que ia explodir com tantas novidades para assimilar e outros em que eu acreditava que nada havia mudado. Mas é claro que havia mudado. Todos ao meu redor amadureceram muito nesse ligeiramente curto espaço de tempo, principalmente eu. Eu não me sentia mais a mesma, e, ainda assim, me sentia exatamente igual à garota mais improvável da seleção ou à recém-casada que eu fora.

– Hey, estou morrendo de fome. Tenham pena de uma pobre grávida. — Reclamou Nicoletta, andando meio desengonçada com uma tipoia imobilizadora na perna. Nicoletta também estava grávida, a diferença é que, a qualquer momento, Bridgitte poderia resolver nascer.

– Estávamos só esperando-a para atacarmos. — Brinquei, abraçando-a sem que nossas barrigas se chocassem — Céus, você vai explodir! Sua barriga está gigantesca!

– Eu sei. — Suspirou, acariciando a protuberância — Imagine só o peso disso aqui. E ainda me perguntam como diabos torci a perna.

Essa era uma das enumeras coisas que mais me agradavam em Nicoletta: ela nunca se abalava, sempre dava um jeito de tirar vantagem sobre péssimas situações. Mesmo grávida, não cedia ao mau humor, muito pelo contrário; estava sempre pregando peças na gente como "AH! A BOLSA ESTOUROU! O BEBÊ VAI NASCER!". Lembro-me da confusão que ficou a casa de mamãe. Todos correndo para todos os lados, Kota desesperado e Gerard ligeiramente verde enquanto Nick se embolava no sofá, dando gargalhadas agudas.

Todos nos dirigimos à mesa nos jardins que nos aguardava. Eadlyn, sentada como uma dama ao meu lado, não parecia ter apenas pouco mais de um ano. Ela era muito mais parecida com Maxon do que comigo. Muito bem educada, fina, civilizada... Uma verdadeira princesa. É claro que, como toda criança, adorava rolar no chão, brincar com terra e tudo o mais, mas ela sempre tinha um porte à lá Amberly em tudo o que fazia, até mesmo derramando suco de goiaba na cara. Ela definitivamente se parecia mais com o pai.

E falando em meu marido...

– Onde está Maxon? — Perguntei, procurando por seu rosto dentre os vários outros à mesa.

– Estou aqui. — Respondeu às minhas costas, terminando de abotoar seu paletó. — Desculpem-me. Tive alguns problemas para resolver.

Ele beijou meus lábios em vez da minha testa, como era de seu feitio quando estávamos em público.

– Algo realmente sério? — Perguntei, preocupada, mas logo essa preocupação se dissipou com seu sorriso.

– Nada que possa preocupar vocês dois. — Respondeu, acariciando a elevação em minha barriga. O bebê deu cambalhotas dentro de mim, me arrancando um arfado agudo e estranho.

E então, aos poucos, tudo voltava a ser como era antes. May tagarelando sobre tudo e todos, mamãe ensinando a Nicoletta como trocar fraudas, Maxon e eu nos revesando para podermos comer e, ao mesmo tempo, manter os olhos pregados em Eadlyn. Depois de tudo o que havíamos passado, nós finalmente parecíamos ter alcançado a paz. E não havia mais guerra, nem memória defeituosa que pudesse abalar isso. E, como há muito eu não fazia, pude enfim respirar aliviada, apenas desfrutando da sensação recém descoberta que era o sossego.

– Oh, meu Deus! — Nicoletta gritou, derrubando os talheres de repente no prato de porcelana, causando um ruído estridente. É, talvez não tivéssemos tanta paz assim... — A-Acho que minha bolsa estourou! O-O bebê vai nascer!

May revirou os olhos para o alarde de Nicoletta e voltou a comer como se nada tivesse acontecido. Eu também faria isso se não houvesse uma certa urgência no olhar de Nick.

– Ora, mocinha, não cairemos mais nessa. — Minha mãe resmungou, irritada.

– M-Mas estou falando sério. É isso ou eu fiz xixi nas calças e, ah! — Uivou, segurando a barriga com força enquanto se contorcia na cadeira. Ela não estava mentindo dessa vez. Era tudo verdade.

Observei o tumulto e o desespero tomar conta da família. Mamãe e May correram para socorrer Nicoletta. Gerard começou a gritar, igual a Nick, assustado. Kenna balançou os ombros de um Kota que mudava de púrpura para verde constantemente, tentando trazê-lo de volta à realidade. Estavam todos eufóricos, correndo e gritando, chorando e se descabelando, como em um desses filmes de comédia.

Percebi, então, enquanto entrávamos no carro, a caminho do hospital mais próximo, que nunca estaríamos em plena paz, e que era justamente isso que fazia com que nossas vidas fossem tão incríveis. Nenhuma família estava mais feliz no mundo do que a minha neste momento, e isso por si só já compensava toda a agitação. Não era de paz que precisávamos. Precisávamos de mais momentos como estes.

– Vai ficar tudo bem. — Ouvi Kota murmurar para Nicoletta enquanto o chofer pisava fundo no acelerador.

***

Mamãe estava uma pilha de nervos. Ou melhor, todos nós estávamos. Nicoletta já estava há mais de uma hora na sala de parto, Kota acompanhando-a, e nós não tínhamos nenhuma notícia dela ou do bebê. May por duas vezes já fora importunar as recepcionistas, mas elas não sabiam de nada. Só quem poderia nos explicar o motivo para tamanha demora era o médico e, até agora, não tínhamos visto nem sua sombra.

– May, conseguiu falar com a rainha Araminna? Disse que Nick estava em trabalho de parto? — Perguntei, enxugando as palmas suadas de minhas mãos no vestido.

– Consegui. Ela tem o sotaque engraçado... — Riu e eu a calei com um olhar de repreensão. May suspirou — Ela disse que ia pegar o primeiro avião para Illéa que visse pela frente, mas eu acho muito difícil que ela chegue antes do horário de visitas acabar.

– Ela é a rainha da Itália. Ela pode qualquer coisa. — Respondi e May deu de ombros.

Eu estava tensa. Quase tão tensa quanto mamãe. Talvez fosse o "trauma" do parto de Eadlyn, ou apenas por causa dessa demora gigantesca. Só sei que estava com a testa pregada à janela, olhando para o parquinho onde Kyle, Eadlyn, Astra e Gerard brincavam, supervisionado por Kenna e James. Sentia todos os meus músculos contraídos doerem sob a pressão em meu psicológico, e só percebi que Maxon estava logo atrás de mim quando ele apertou de leve a curva entre meu pescoço e ombros.

– Ei, relaxe. Tenho certeza de que está tudo bem. — Acalmou-me. Sim, com certeza estava. Tinha que estar.

– Eu sei, mas... Meu Deus, essa demora está me matando! — Exasperei. A recepcionista me censurou, levando o dedo indicador aos lábios em sinal de silêncio. Argh! Hospitais nunca foram meus locais favoritos para se estar...

– Shii... O médico logo, logo virá.

Concordei com a cabeça e o abracei. Dali a alguns meses, seria eu nessa sala de parto tendo o meu bebê. Esperava realmente ter lembranças melhores das que eu tinha do parto de Eadlyn. E, por Deus, esperava não ter um lapso de memória.

– São a família da Srta. Nicoletta Singer? — Uma voz grave falou às minhas costas, me fazendo pular de susto. Enfim um médico.

– Somos. Como é que ela está? — Minha mãe perguntou com ansiedade.

O médico deu uma risada que mais parecia uma tossida para o nervosismo de minha mãe e fez movimentos com as mãos para baixo.

– Calma... Ah... Sra. Singer, estou certo? — Mamãe assentiu — Está tudo bem com ela e com o bebê, que a propósito é muito saudável.

Levei a mão ao peito, tentando regular meus batimentos cardíacos.

– Ah, graças à Deus. — Disse, arfante — E nós podemos visitá-la?

– Visitá-la? Então ela já teve o bebê? — Kenna indagou, chegando à sala de espera, tentando controlar as crianças.

– Ah, bem, podem. Mas só duas pessoas. — O médico informou.

– De duas em duas? — Perguntou mamãe.

– Não exatamente. Só duas pessoas por dia, para não estressar a mãe e a criança.

May atirou a cabeça para trás e bufou.

– Ah, qual é. — Reclamou — Tem que deixar-nos entrar. Somos uma família.

– Eu sinto muito mocinha.

– Por favor. — Apelei.

Ele pareceu relutante à princípio, mas, depois de alguns segundos em silêncio, suspirou, dando-se por vencido. Com uma reverência, ele disse:

– Nunca negaria nada à Vossa Majestade. — Sorri. Tsc, tsc... Maxon sempre dizia que não era certo tirarmos vantagem de nossa posição no governo para fins pessoais, mas ele não parecia ligar para isso agora — Eu os levarei ao quarto da srta. Singer.

Todos acompanhamos o médico pelo extenso corredor branco e deserto em silêncio. Até mesmo Kyle e Eadlyn pareciam se comportar. O doutor parou em frente ao último quarto do corredor e abriu a porta devagar.

Nicoletta, suada e descabelada, segurava uma Bridgitte enrolada até quase à face em um tecido rosa. O som no quarto ao ver a criança mais de perto foi unânime. Todos estávamos encantados pela bebê nos braços de Nick, que sorria tanto e tão largamente contemplando sua filha quanto Kota. Eu podia ver a felicidade estampada nos olhos deles e isso me fez feliz também. E pensar que um dia Kota era o babaca da família e Nicoletta a adolescente maluca e sem um pingo de juízo.

– Ah, meu Deus, como ela é fofinha. — May sussurrou para não acordar a pequena — Eu posso pegar?

Nicoletta riu baixinho.

– Ela ainda é muito molinha, mas prometo que qualquer dia desses deixo você segurá-la. — Explicou.

Quem diria que Nick iria se apaixonar por Kota e endireitar meu irmão? E quem diria que um dia eles teriam um bebê?! As coisas difinitivamente estavam mudando, nossa família estava vivendo uma nova fase. E o que melhor do que uma criança, símbolo do renascimento, para representar isso? Tudo iria recomeçar. Bagunça de criança, gritos, choro, risadas... Essa era a nossa instável e maravilhosa vida, onde a paz e o sossego significavam mais para nós do que para outras pessoas.

Peguei Eadlyn nos braços, beijei o topo de sua cabeça e apoiei a minha no ombro de Maxon. Depois de todo esse tempo, eu ainda me sentia a garotinha teimosa e birrenta, que imaginava a seleção como um bicho de sete cabeças. Só que, diferentemente daquela época, eu tinha mais agora. Eu tinha uma vida, uma família, amigos e uma série de pessoas que me amavam e que eu amava. Isso compensava qualquer coisa, qualquer obstáculo que viesse a cair de paraquedas à minha frente.

E enquanto um silêncio mágico nos envolvia, tudo o que pude fazer foi olhar bem nos olhos de todos que faziam da minha vida a coisa extraordinária que ela era. E sorrir.

Notas finais
Estou destruída com o término dessa fic. Sempre fico assim quando uma história minha chega ao fim, mas essa foi de longe a que mais me deixou triste. Sei lá, acho que essa foi a que mais me envolveu, de uma forma que eu não escrevia (Como fiz muitas vezes com as outras) por obrigação de não deixar os leitores na mão, e sim porque gostava. Mas acabou ;-; Já podem chorar, se quiserem ;-------; Queria agradecer muito à vocês, do tipo, pra caralho. Sem seus comentários e recomendações motivadoras eu não teria chegado ao fim dessa fic. Agradeço especialmente à Levy Heartfilia e à VivaLaVida por serem tão amorzinhos comigo :3 ^^ Agradeço à minha vó, por fazer o melhor bolo de laranja do mundo, e à minha mãe por ter me incentivado a escrever essa fic. Amo vocês :* Não queria dizer tchau, gente, sério. Poderia escrever essa notas aqui para sempre, mas não posso... Então tudo o que posso dizer é que foi uma honra "conviver" com vocês por uns bons três, quatro meses e dizer que, por mais que não saibam como, vocês me ajudaram bastante em muitas coisas sem relação alguma com a fanfiction. Mamãe ama vocês *-----------* :* *O*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!