Notas iniciais
Oe gent *-----------* Assim, de vez em quando é bom né receber o capítulo no dia marcado? :p :p Hoje deu certo! Obrigadaço pelos comentários e tudo o mais, vocês são divos demais :3 :3 Espero que gostem do capítulo porque demorou MUITO pra eu terminar, então... Chega de falatório, podem ir direto para o capítulo! Beijinho e até lá em baixo ^^

Daphne continuou a falar pelo longo caminho que se seguia até o segundo andar, mas eu já não prestava mais atenção. Tudo no que eu pensava era em como eu queria encontrar logo Maxon, queria me desculpar por ter desconfiado dele. Eu precisava do seu perdão, surtaria se não o tivesse.

– Está com fome? — Perguntei, quebrando um adorável silêncio que acabara de se formar.

– Um pouco. Acha que o jantar já acabou?

– Provavelmente — Respondi — , mas, se desejar, posso pedir para entregarem um jantar para você no quarto.

– Tudo bem. — Concordou sem pestanejar.

– Tem certeza de que não quer ajuda com Jeremy e sua mãe? — Insisti mais uma vez, disposta a me redimir com ela de alguma forma.

– Já disse, America, você já ajudaria muito desfazendo esse mal entendido com Maxon.

E com isso, me dei por vencida.

Pensei, então, em como eu me sentia perdida esta manhã, em como eu estava excluída de um assunto, odiando Daphne e receosa quanto à Maxon. Fui burra? Fui. Mas o que eu podia imaginar? Certamente não toda aquela história de Daphne e Jeremy, isso seria demais para uma pobre cabecinha-America inventar.

– Daphne?

– Hum?

– E aquele livro que você estava lendo hoje no Salão das Mulheres? É o mesmo de Jeremy? — Indaguei, curiosa.

Ela passou um tempo pensando no assunto até se situar no que eu falava.

– Ah, sim, é o mesmo livro, mas não o mesmo exemplar. — Explicou — Ele me deu aquele livro de presente. Ele está coberto de anotações nas margens, coisas divertidas, poesias, notas sobre o assunto e, principalmente, declarações românticas. Às vezes. eu me pego lendo para relembrar de quando... de quando... de quando ele me amava!

E caiu no choro, tampando o rosto com as mãos e parando de andar no meio da escadaria. Dois guardas — Entre eles Woodwork — correram até nós para se certificar de que estávamos bem, mas eu logo os dispensei.

– Sabe o que eu acho?

Ela ergueu os olhos para mim, se prontificando a absorver todo e qualquer conselho que eu tivesse para dar.

– Eu acho que já está mais que na hora de, ou vocês dois porem uma pedra nessa relação de vez, ou enfrentar seus pais como dois adultos. — Confessei.

– Mas o que eu poderia fazer? — Perguntou mais para si mesma do que para mim.

– Conversar com ele, primeiramente. Depois, dependendo de como as coisas se ajeitarem entre vocês dois, vocês conversam com seus pais civilizadamente, pondo à situação às claras.

– Mas é aí que está o problema; Jeremy tem medo de enfrentar o pai, até mesmo para conversar comigo. E minha mãe, bem, você já viu como ela fica quando está furiosa...

– Então você vai ter que repensar o seu conceito sobre ele. — Enxuguei ternamente as lagrimas que ainda escorriam por suas bochechas e segurei sua mão, da mesma forma que Maxon fazia quando queria me convencer do correto — Se ele te amar de verdade, se você for a coisa mais importante da vida dele, ele enfrentará quem quer que seja para ficar com você porque é isso que o amor faz com as pessoas: Ele dá forças, dá coragem para seguir em frente mesmo com todos dizendo que é errado. Não há prova de amor maior do que enfrentar os seus medos por alguém que você ama.

Foi inevitável não pensar em Maxon sendo açoitado por mim, para que cicatrizes como as dele não se enraizassem no meu corpo. Tudo o que falei para Daphne era verdade; Maxon me amava, e, por amar demais, tomou as minhas dores para ele, enfrentou o seu pai — O rei — e nunca me abandonou. Talvez fosse clichê dizer que ele era meu príncipe encantado, mas não importa. Ele realmente era.

– Obrigado, America. Você é muito mais do que um povo poderia sonhar como rainha. — Ela disse quando a deixei na porta do seu quarto no segundo andar. O corredor estava vazio, o que nos dava mais privacidade para se abrir. Eu a abracei e mudei o rumo da conversa.

– Não chore mais, por favor.

Ela riu e eu vi como nossa situação era hilariante. Ali estávamos nós, uma rainha e uma princesa, as coroas tortas na cabeça, os sapatos pendendo nas mãos e o vestidos ensopados de água de uma tubulação quebrada. E, por incrível que pareça, eu me sentia feliz com aquilo. Me sentia feliz em ter podido perder a compostura real por pelo menos algumas horas.

Comecei a me afastar dela e, quando já estava para alcançar o fim do corredor, ela gritou:

– Hey! Faça as pazes com Maxon. — Eu acenei, mas ela correu para mim para completar um pouco mais baixo em meu ouvido — À melhor maneira.

– Como assim?

– Você me entendeu.

Ela correu para o quarto e fechou a porta, pingando água pelo corredor a cada passo. Sim, eu sabia o que ela queria dizer e, mesmo estando sozinha, fui incapaz de não corar violentamente. Tentei, à todo custo, deixar minha aparência mais "formal", mas era impossível já que eu pingava água no corredor inteiro. Se eu tivesse sorte, Maxon ainda estaria com os reis e eu teria um tempinho para trocar a roupa encharcada e tomar um banho.

Allye, minha criada, passou por mim enquanto eu subia as escadas. Me lembrei, então de que Daphne estava com fome e pedi para que ela providenciasse um jantar no quarto para a princesa.

Cheguei ao terceiro andar mais rápido do que imaginava e, como previsto, estava só. Corri para o banheiro, já tirando o vestido no meio do caminho e tratei logo de me ensaboar porque, meu Deus, eu já tinha água no meu corpo o suficiente para isso. Ao terminar de me enxugar, vesti a primeira camisola que vi — Mentira, peguei a mais sensual, escolhida à dedo! — e fui para a sacada. A brisa noturna fazia todos os meus pelos se arrepiarem e, a medida que os espirros ganhavam presença em mim, fui obrigada a deixar a sacada e fechar as cortinas. Eu provavelmente estava resfriada e aquilo estava me matando.

Espirros e mais espirros se sucederam até eu ouvir passos leves no corredor. Teria sido cômica se não tivesse sido trágica a minha queda no chão na tentativa de pular imediatamente para a cama. Agora, eu estava espirrando, arrepiada, dolorida e morta, morta de sono. Quando Maxon entrou no quarto eu tinha acabado de espirrar uma última vez — Com uma careta ridícula. Para ele, ainda estávamos meio brigados, mas isso não o impediu de me dar um beijo.

– O que foi toda aquela confusão hoje? — Perguntou antes mesmo de eu começar a me desculpar.

Eu não sabia o que dizer e muito menos por onde começar. Era certo que Maxon sabia de toda a intriga entre Itália e França, mas será mesmo que eu deveria contar tudo, tim-tim por tim-tim? Até mesmo o episódio em que Daphne e eu ficamos conversando no banheiro das criadas, sentadas no piso molhado? Sim, eu deveria.

– É uma longa história. — Confessei, me sentando na cama. Ele se sentou ao meu lado.

– Por favor, não resuma.

E com isso eu dei início ao grande falatório. Desde quando as monarquias chegaram, de como pensei que Daphne estava interessada em Maxon, do meu julgamento antecipado aos dois, do meu ciúmes bobo, de Nicoletta dizendo que eu deveria falar com a própria Daphne, da confusão do Salão das Mulheres, em como a Rainha Annelysiah parecia hostil e assassina, na minha procura por Daphne e na nossa amistosa conversa que esclareceu tudo o que estava escuro para mim.

– Maxon, me desculpe. — Emendei, atirando meus braços em seu pescoço — Fui idiota, desconfiei de você. Por favor, meu amor, me perdoe. Mesmo com todos dizendo que eu era única para você, que eu não tinha porquê ter medo, eu confiei apenas no meu ciúmes imbecil. Eu te amo, eu te amo muito e não consigo viver brigada com você. Será que você pode perdoar a sua mulherzinha que morre de medo de te perder?

Eu não poderia ter escolhido palavras melhores. Ele cedeu, é claro, bem quando eu desabei em lágrimas. Eu não queria me soltar de Maxon, não quando parecia que um tsunami estava prestes a nos engolfar. E, a cada abraço mais apertado que ele me dava, eu tinha a certeza de que jamais alguém havia amado como eu o amava. Mas, quando conduzi sua mão à alça da minha camisola, minha cabeça a ponto de gritar para que ele a tirasse logo, ele riu. Tal como na primeira vez em que tentei isso, ainda na Seleção, ele riu. E, da mesma forma, senti que o tsunami havia, enfim, nos engolido.

– A Rainha Annelysie está uma fera com você. — Desconversou.

– Dane-se ela. Ela queria bater em Nicoletta, eu nunca deixaria isso acontecer em minha casa.

– Eu sei. — E me beijou mais uma vez — É por isso que eu te amo.

– Então... você me perdoou? — Indaguei, deixando um sorriso escapar dos meus lábios.

– E como poderia fazer o contrário? — Pegou minhas mãos e beijou o dorso de cada uma — Sou seu, America, você sabe disso, e você pode estilhaçar-me como quiser. Mas, por favor, não duvide da intensidade do meu amor por você.

– Nunca mais, nunca nunquinha.

Eu já estava pronta para me jogar em cima dele de novo, de tomar a iniciativa, mas ele se levantou da cama mais de pressa, andando roboticamente para o banheiro, trocando de roupa e se deitando ao meu lado. Parecia uma tonta esperando que algo acontecesse. Ele me deu um beijo novamente — Nos lábios e na testa — e se virou para o meu lado, me envolvendo em uma conchinha.

– Isso é vingança, não é? — Questionei, a raiva me subindo à cabeça.

Ele apenas riu com a boca próxima ao meu ouvido, me arrepiando mais ainda. Me apertou mais contra si e, por mais rejeitada que eu me sentisse, um pouco de contentamento tomou conta de mim.

– Boa noite, America.

E então eu apaguei a luz, o desejando uma boa noite de volta, pensando em como era ruim tomar gosto do próprio veneno.

A manhã trouxe despedidas. A Rainha Annelysie evitou ao máximo olhar para mim e para Nicoletta, todos notaram isso. Daphne, que parecia muito mais alegre do que nos últimos dias, havia se sentado ao lado de Jeremy e algo na expressão dele me dizia que, finalmente, eles haviam reatado — Ainda que em segredo. Maxon e eu éramos o casal mais apaixonado do café da manhã; de vez em quando ele punha sua mão sobre a minha, acariciando ela, às vezes beijando, arrancando suspiros de Naomi e Orabella. A Duquesa Munike parecia extasiada enquanto tentava conversar com todos ao mesmo tempo. Estava perfeito, o melhor — E mais barulhento — café da manhã em dias!

Bem quando serviram as frutas, Daphne deixou o garfo cair, causando um ruído estridente. Criadas não faltaram para pegar o garfo do chão, mas a francesa parou todas no ato, recolhendo ela mesma do chão. A dor chegou logo depois de eu ser espetada, um sobressalto me escapando dos lábios. Olhei para o chão, para uma Daphne que chamava minha atenção a todo custo.

– Desculpe. — Começou — Preciso falar com você.

– Seu quarto, depois do café. — Concordei.

Assim que as pessoas começaram a se dispersar, eu fui para o segundo andar. Daphne já estava me esperando à porta, roendo as unhas e comendo as cutículas até sangrar. Quando despontei no corredor, ela começou a acenar para que eu fosse logo. Eu o fiz.

– O que você tem? — Foi a primeira coisa que perguntei enquanto entrava no quarto, Daphne trancando a porta.

– Mamãe pegou uma implicância terrível com você. É capaz de ela me matar se souber que viramos amigas. — Confessou se sentando na beira da cama e dando leves batidinhas no canto ao seu lado.

– Nós somos?

– E não somos?

– Claro que sim. — Não excitei — Mas, afinal, o quê de tão importante você quer me falar?

Ela pareceu pensar um pouco, fazendo nós nos cabelos apenas para desfazê-los depois. Ela estava nervosa e eu a entendia; ao mesmo tempo que ela queria gritar para o mundo inteiro, ela tinha medo de dizer — O quê, eu não sei.

– Conversei com Jeremy ontem. — Cochichou como se as paredes pudessem contar a alguém depois — Depois que você me deixou aqui, eu troquei de roupa e fui direto no quarto dele.

– E então? — Eu estava tão entusiasmada por ela.

– E então que, meu Deus, eu havia me esquecido de como ele era lindo debaixo de todos aqueles panos.

Meus olhos saltaram da caixa no mesmo momento em que minha boca se escancarou. Ela não tinha feito, eles não tinham...

– Está me dizendo que vocês...?

– O que? Ah, não, America, não! — Gritou — É que, quando bati à sua porta ele estava apenas de calças.

Não sei por quê, mas eu suspirei de alívio. Nem sei por que eu reagi assim? A vida é dela, ela faz o que ela bem quer.

– E...? Continue, Daphne, você está me matando.

Ela se jogou na cama e virou de costas, de barriga na colchão. Seus cabelos lhe cobriam quase todo o rosto, mas, ainda assim, eu podia enxergar a vermelhidão em suas bochechas. Ela balançou ritmicamente as pernas, para baixo e para cima, enquanto eu desfalecia por dentro, a curiosidade me fazendo roer as unhas.

– Reatamos, America, reatamos! Nunca achei que poderia ser tão feliz! — Ela gritou, excitada, de repente se pondo de pé e pulando na cama como uma criança que ganha doces antes do jantar. Seus cabelos subiam e desciam enquanto eu me punha de pé também, segurando suas mãos, gritando como ela, e pulando. Éramos quase retardadas fazendo aquilo.

– Mas me conte tudo desde o começo. O que vocês resolveram? Como resolveram? — insisti.

– O.k., o.k., eu vou contar tudo desde o início.

Até a hora do almoço, eu já estava ciente de tudo, desde quando a deixei em seu quarto até quando eles dormiram de conchinha — Sério, essa parte ela podeira muito bem ter pulado. Quando Daphne já tinha acabado de se trocar, correu para o quarto de Jeremy numa "coragem insana", como ela mesma disse. Eles passaram horas conversando e, entre pedidos de perdão, lágrimas e muitos — Muitos mesmo — beijos, os dois reataram, decidindo enfrentar os pais na hora da partida da Família Real Francesa. Ela estava radiante e todos que passavam por ela também ficavam contagiados pela luz que emanava dela.

Após o almoço, Daphne concordou em falar com Nicoletta. Insisti para que elas fizessem as pazes já que estavam com ódio mortal uma da outra. No caminho para o Salão das Mulheres, Daphne tentava me convencer a não levá-la para o encontro com Nick, ora puxando meu braço, ora apenas parando de repente e se encostando na parede, os braços cruzados no peito.

– Ah, qual é, Daph? — Questionei pela milésima vez àquela tarde — Vocês não podem ir embora sem conversarem direito, como duas adultas, pondo todas as cartas na mesa.

– America, amada, já disse que até telegramas estão sobre a mesa! Ela mentiu e mente até hoje. Imagine só, inventar que minha mãe a embebedou para arrancar-lhe a verdade. A Rainha Annelysie que eu conheço nunca se baixaria à isso.

– E a Nick que eu conheço nunca inventaria uma mentira assim. — Repliquei — Annelysie pode ser sua mãe, mas não é nenhuma santa. Ela quase bateu em Nick ontem, você sabe dos rumores.

Ela pareceu sem jeito.

– Ela tem o temperamento bastante explosivo. — Justificou.

– Tendo um temperamento explosivo ou não, você vai falar com Nicoletta.

Bufando alto, ela foi. À contra gosto, mas foi.

Nick já estava no Salão das Mulheres quando chegamos. Ela fingia ler uma revista de fofoca, mal nos olhando quando adentramos o Salão. Eu falei com ela como sempre, mas ela apenas concordava com a cabeça e dizia sim ou não.

– Veio para pedir desculpas, certamente, não é, Daphne? — Indagou Nick sem olhar para nós. Eu me larguei no grande sofá, com as costas curvas e os ombros caídos, já farta de tamanha infantilidade da parte das duas.

– America queria que conversássemos sobre os motivos de estarmos agora nesta situação. — Daphne insistiu, falando como havíamos ensaiado antes.

– Acho que os motivos estão todos bem claros: Eu esclareço uma questão e você me acusa de mentirosa. É simples, nunca entraremos em um consenso.

– Juro que tranco vocês duas aqui dentro e engulo a chave! — Ameacei — E só vomito ela quando vocês deixarem essa briguinha besta de lado.

Ambas concordaram em ser mais "convidativas" uma com a outra. Aos poucos, elas começam a conversar civilizadamente, sem brigas e gritos, tapas ou ameaças. Apenas paz. Era disso que eu precisava enquanto lia minha revistinha... paz. Pode parecer estranho, mas eu evitava ler revistas. Elas me lembravam de Celeste, a diva, fotogênica e, no fundo, insegura. Prometi a mim mesma que, enquanto eu fosse a rainha e as coisas acontecessem do meu jeito no governo — Ou do de Maxon, tanto faz — , ninguém mais seria vítima da injustiça rebelde. Lembro-me do enterro de Celeste e de como os Newsome estavam arrasados. Eu também estava. E, pouco tempo depois, veio o casamento. Era estranho uma celebração real de porte altíssimo acontecendo após tantas tragédias. Mas é a vida. Ela vai e volta como a maré que banha as areias da praia.

Estive tão absorta em pensamentos que nem sequer notei quando Nick e Daph já estavam dando gargalhadas altas sobre histórias que elas haviam presenciado. Sim, agora a paz era definitiva.

– Então vocês são novas melhores amigas de infância? — Perguntei sem evitar erguer as sobrancelhas de surpresa.

Elas se entreolharam, sorrindo. Era quase uma miragem as duas mulheres mais bonitas que eu conhecia juntas.

– Talvez. — Nick deu de ombros.

– É, talvez. — Daphne concordou.

Deixamos o Salão das Mulheres conversando, enfim, abertamente. Nossos risos ecoavam nos corredores pavorosamente vazios do palácio enquanto os saltos ruidavam no mármore branco. De repente, como num piscar de olhos, já estávamos no Grande Salão, um local amontoado de gente indo e vindo, levando malas e mais malas para as carruagens. Eu já havia me esquecido da partida dos franceses.

– Daphne, e Jeremy? Como vão ficar vocês dois, cada um em seu país? — Indaguei, de repente preocupada.

– Daremos um jeito. — Afirmou.

Beijinhos de despedidas foram trocados incansavelmente nos vinte e cinco minutos que se sucederam. Os reis, quase tão amistosos como a nova amizade de Nick e Daphne, se cumprimentaram durante um longo tempo. Finalmente chegou a minha vez de falar com todos.

– É um belo palácio. — Elogiou a Rainha Annelysie — Quase tão familiar quanto minha casa.

– Foi uma honra recebê-los, Majestade. — Disse, embora minha expressão dissesse o contrário. Ela apenas assentiu e se dispersou para junto do marido.

E ali estava eu, estática, sozinha, no meio do salão. Quase que as tropeços corri para junto de Maxon, enlacei meu braço no seu e o ajudei a se despedir do rei da França.

– Tens o mundo à seus pés, Maxon, és um rei justo e sábio também. — Ele disse quando os dois se cumprimentaram uma última vez com um aperto de mão — E, a propósito, tens uma bela esposa.

Maxon murmurou um fraco "obrigada" e sorriu, embora seus olhos estivessem opacos. Ciúmes. Era maravilhoso saber que eu não era a única a sentir isso e que mesmo um simples elogio de um velho rei poderia mexer descontroladamente com a cabeça de Maxon. Enlaçando meu braço num aperto mais forçado, eu lancei a ele um sorriso, ao que ele respondeu com um meneio negativo de cabeça.

Enfim chegou a hora da partida. Naomi se despediu de Munike à beira das lágrimas enquanto Orabella não queria soltá-la. Tentei localizar Daphne e Jeremy em meio a tantas pessoas e não precisei procurar por muito tempo, pois, a poucos metros de onde eu estava, a Rainha Annelysie começava uma guerra contra a filha.

– Isso é um absurdo, Daphne! Como pode ser tão burra? — Gritou a rainha, perdendo completamente a compostura.

– Eu o amo, mãe, e nada que a senhora diga me fará mudar de ideia. — Replicou Daphne com uma calma absurda.

– Jeremy, não posso acreditar! Depois de tudo o que aconteceu...? — A Rainha Araminna intercedeu.

E então a confusão estava armada.

Todos estavam divididos em dois grupos: os à favor das rainhas e os à favor do casal. Orabella e Naomi estavam se decidindo para onde ir e, quando finalmente se dispersaram, uma para cada grupo, Maxon e eu ficamos no meio de tudo. As rainhas discutiam entre si enquanto os reis tentavam acalmá-las. Munike tentava fazer a cabeça de Daphne enquanto Jeremy permanecia firme em sua palavra de que não abandonaria Daphne até que ela pedisse por isso. Maxon, que estava assustado, me puxava para trás dele como se estivéssemos prestes a presenciar uma guerra, mas eu não podia ficar para trás, não quando Daphne precisava de ajuda. Não quando eu lhe devia algo.

Eu já havia passado por aquilo, sabia como era amar alguém e não poder viver com ele por causa das outras pessoas. O Rei Clarkson era totalmente contra o meu casamento com Maxon, mas nós vencemos. Vencemos porque nos amamos e nada no mundo poderia ser mais forte que esse sentimento. Eu precisei de ajuda, mas eu não a tive, mas eu estou do outro lado do jogo agora, assistindo tudo. Eu tenho a chance de cooperar, de ajudar para que as coisas não se repitam com Daphne e Jeremy como aconteceram comigo.

– Chega! — Gritei, me sobrepondo à confusão — Será que vocês não poderiam deixar seu egoísmo de lado para pensar um pouco nos filhos de vocês? Eles se amam, são jovens, têm toda uma vida pela frente... Eles são felizes um com o outro, mas vocês estão estragando isso. — Sentia o nó na minha garganta se desfazer aos poucos enquanto eu perdia a vergonha de falar — Podem parar de pensar um pouco no interesse de vocês para pensarem neles, nas pessoas que vocês mais amam?

Eu era a única a falar, não precisava mais gritar, então fui baixando a voz aos poucos.

– Não deixem que uma intriga ridícula atrapalhe a vida dos filhos de vocês. Eles não têm culpa de vocês serem inimigas-de-sangue e não irão pagar pelos erros do passado que eles não cometeram. Eles têm o meu total apoio e, se mesmo depois de tudo o que eu disse, as senhoras continuarem a insistir nisso e seus filhos estiverem seguros de sua decisão de ficarem juntos, as portas do palácio de Illéa sempre estarão abertas para os dois. É insustentável viver sob o mesmo teto que duas pessoas que se odeiam, então, se for o caso, ambos poderão permanecer no palácio pelo tempo que precisarem.

Havia apenas o silêncio. Eu tinha exagerado? Sido dura demais? Não importa, não importava mais se perderíamos aliados, não importava mais se criaríamos vínculos inimigos. Eu estava certa, e elas, erradas. Eu não tinha o que temer. Eu estava no mesmo patamar que elas, uma Um, realeza, rainha.

– Srta. Schreave tem total razão. Eu lamento ter prestado um, um... um... — A Rainha Araminna procurou uma palavra que se enquadrasse

– Papelão? — Insistiu Nicoletta.

Araminna bufou.

– Sim, um papelão desses. — Tomou as mãos de Daphne tão ternamente que, se não as conhecesse, diria serem mãe e filha — Mil perdões, minha cara. Tudo o que quero é ver meu filho feliz e, se você é a causa da felicidade dele, então têm meu apoio. O palácio da Itália estará à sua espera.

Annelysie permaneceu imóvel, as narinas infladas e as orelhas vermelhas. Soprou para longe dos seus olho um fio de cabelo loiro e se pôs a perguntar:

– Daphne? Você vem comigo, com a sua família, ou se juntará à Itália?

Daph estava à beira das lágrimas. Era difícil para ela, afinal, decidir o que pesava mais em seu coração: Sua mãe, a pessoa que, por mais que fosse uma víbora, a havia criado; ou Jeremy, o amor da sua vida.

– Eu não me juntarei à um país, mamãe. Eu me juntarei à Jeremy.

– Ótimo. — Ela se aproximou de Daphne, os olhos faiscando e murmurou — E a propósito, fui eu da primeira vez, e não a outra.

Mesmo essas poucas palavras fizeram todos abrirem a boca de espanto. Havia realmente sido Annelysie a arrancar a verdade de Nicoletta da forma mais tosca possível.

E, sem mais nenhum olhar a filha, a rainha abandonou o palácio, ordenando que os guardas abrissem os portões. O último vislumbre que todos pudemos ter dela foram seus cabelos esvoaçantes na brisa de outono. O rei se despediu da filha, houveram trocas de lágrimas e conselhos paternos nos quais eu sentia falta. Munike, com seu jeito descontraído de sempre, abençoou a sobrinha e fez uma breve piada interna — À qual eu era a única a não estar enquadrada. Depois de algumas horas, após a Família Real Francesa ter ido embora, Daphne e Jeremy arrumaram suas bagagens para a Itália, o palácio à sua espera.

– Será como uma lua-de-mel adiantada. — Afirmou Daphne quando perguntei a ela se era o que ela realmente o que ela queria. Não pude evitar erguer uma sobrancelha desafiadora. Ela corou — Obrigada, America, você salvou o meu dia.

Eu a abracei fortemente.

– Eu ainda lhe devia uma. — Confessei — Você merece ser feliz.

– Você também. — Desejou, pegando sua bolsa de mão enquanto os criados passavam de lá para cá levando as outras malas.

– Ah, eu já sou.

– Mas falta algo, você sabe.

Eu suspirei audivelmente. Filhos. Ela queria dizer isso.

Maxon e eu e o restante da monarquia francesa fomos nos despedir mais aos portões. Dentre muitas lágrimas, a Rainha Araminna abençoou o filho e a mais nova nora. Todos estavam felizes — Bom, pelo menos todos que importavam. Quando Nicoletta finalmente soltou o irmão, veio a surpresa: Jeremy veio falar comigo.

– Obrigado, Majestade. Illéa tem sorte em ter uma rainha assim.

– Apenas a faça feliz. — Eu disse, lisonjeada.

– E que vocês tenham muitos filhos! — Gritou Daphne de dentro da carruagem italiana.

Eu ri e todos nós acenamos para o novo casal. Maxon me puxou pela cintura para mais perto e sussurrou melodiosamente em meu ouvido:

– Muitos, muitos.

Fingi não ouvir.

Notas finais
Ficou razoável? Abaixo das expectativas? Acima das expectativas? Comentem o que vocês acharam, adoro ficar respondendo comentários :3 :3 O próximo capítulo vai ser postado no mais tardar sexta-feira (É que estou em época de provas, aí fica complicado escrever...) Enfim, beijã1 e até o próximo capítulo :* :* P.S.: Alguém aqui já leu O Doador de Memórias? Meus feels estão em reconstrução com aquele final... P.S.2: Meu aniversário tá chegando (tuts tuts B| ) e eu já tô aceitando presentes, viu :3 ^^ :p