The New Royalty
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Alguém bateu à porta e Anastasia correu para ver quem era. Não conseguia ver de onde estava, mas, pela hora, devia ser alguém avisando que o pessoal da organização havia chegado. Anastasia agradeceu à pessoa e fechou a porta, se voltando para mim e se prontificando para arrumar meu cabelo.
– Eles chegaram, Majestade. — Ela disse, se apressando em meu penteado.
– Ótimo.
Enquanto ela finalizava meu cabelo em minutos, Allye reclamava algo sobre eu ter roído todas as minhas unhas. Mary entrou no quarto de supetão, nos dando o maior susto. Desculpando-se, ela me apresentou ao meu vestido. Era de um tecido fino, nada brilhante ou cintilante já que as monarquias chegariam para o chá da tarde. Azul turquesa, longo, mas sem ser sofisticado demais; esvoaçante, mas na medida certa. Em outras palavras, ele era simplesmente perfeito.
– Meu Deus, Mary, você está de parabéns! — Elogiei, pasma com o belíssimo vestido — Mas é azul.
Conversara com as meninas no dia anterior sobre como a decoração e as vestimentas não poderiam ser verdes e nem azuis, mas, com certeza Mary não se atentara a isso. O.k., sem problema, eu usaria um dos meus mesmo.
– Não completamente, Majestade. — Ela respondeu, radiante, mexendo no vestido que, sob a claridade do sol que entrava pela sacada, se mostrou furta-cor, ora azul turquesa, ora verde esmeralda.
– Mary, você é incrível! — Disse, arfando. Peguei seu rosto e beijei suas bochechas.
– Ah, que é isso. É o mínimo que Vossa Majestade deveria usar.
Vesti o vestido, eufórica, e, a medida que o forro do tecido deslizava pelo meu corpo, eu sentia a sua leveza. Allye calçou meus sapatos e Mary retocou a pouca maquiagem que eu usava. Deixei escapar um sorriso quando me vi no espelho. O decote era respeito como compensação pelas costas quase nuas, cobertas apenas por uma renda, também azul, grossa. Os botões do vestido nas costas eram como pérolas, assim como os detalhes no cinto. Humildemente falando, se eu já não fosse uma, diria que estava parecendo uma rainha!
– Obrigada, meninas. — Disse, as abraçando.
– Oh, por favor, demorou um tempão para fazer seu cabelo — Reclamou Anastasia — , não o desarrume.
– Pode deixar.
Mary ajeitou minha franja e eu topo do meu coque; Anastasia fizera uma espécie de mágica com meus cabelos: ela os trançou e depois os embutiu em um coque frouxo e com alguns fios soltos. Eu agradeci novamente a elas e sai, então, do quarto, respirando fundo, pronta para pelo menos uma hora estressante na decoração.
O Grande Salão estava apinhado de gente. As pessoas, todas uniformizadas com calças e blusas pretas e um crachá com seus nomes, perambulavam de um lado para o outro, acertando detalhes e mais detalhes. Houve um breve momento entre o reverenciamento e a multidão me soterrando com perguntas, momento este que usei para respirar por uma última vez um pouco de paz.
– Majestade, onde devemos pôr as rosas?
– Permita-me dizer que está magnífica hoje, Majestade.
– E as mesas? E as bebidas? E os petiscos?
– Majestade...
Tentei manter a calma diante de tamanha confusão, como a Rainha Amberly faria, e apenas sorri ternamente para eles como muitas vezes já a tinha visto fazer em meio a euforia. Depois de algumas perguntas retóricas, eles finalmente esperaram minhas respostas em silêncio.
– O mínimo possível de informação no Grande Salão. As rosas brancas e vermelhas devem ficar em todos os jarros sobre todos os pedestais do palácio, por tanto, é bom começarem logo. Quero que armem as tendas nos jardins para o chá da tarde e que também podem as flores de lá. Os tronos reais devem ser levados para debaixo da tenda principal e as mesas devem ficar espalhadas sob as outras tendas. A mesa de petiscos e bebidas já está lá fora, ou seja, tudo o que precisam fazer é cobri-la com o tecido branco com fios dourados. Sejam o mais ágeis possíveis. Podem ir agora.
Eles correram de um lado para o outro quando pronunciei a última frase, ao passo que eu fugi do Grande Salão sem ser vista. Caminhei lentamente até a cozinha, pensando no que uma mal recepção poderia causar a todos os envolvidos. Earlyn estava nervosa, gritando ordens para todos os lados. Os diversos aromas na cozinha faziam meu estômago se revirar de fome e só então percebi que ainda estava em jejum. Vapor sobia para todos os lados, mergulhando a cozinha em uma névoa densa e claustrofóbica.
– Earlyn, Earlyn! — Eu chamei várias vezes até ela me ouvir. Exclamando um gritinho de surpresa e assustando a todos com isso, ela me reverenciou, seguida pelos outros cozinheiros.
– Pois não, Majestade. — Respondeu com entusiasmo, seu rosto rechonchudo iluminado em um grande sorriso.
– Tudo pronto para o chá? — Questionei, apertando minhas mãos de apreensão.
– É claro, Majestade. O jantar está sendo encaminhado também. Tudo dará certo. — Assegurou ela, satisfeita consigo mesma.
– Sei que dará. A medida que os pratos forem ficando prontos, vocês já podem mandar as criadas levar. Direi para elas esperarem à porta.
– Sim, Vossa Majestade.
Com uma última reverência, ela se voltou para os outros, lançando mais e mais ordens. Logo ao sair da cozinha, me deparei com a fila de criadas atrás de mim, me poupando do trabalho de procurá-las uma a uma por todo o palácio.
– O.k., vocês vão levar os pratos para a maior mesa, aquela sob a árvore. Sejam cuidadosas com as travessas, por favor. — Disse, e todas assentiram com a cabeça.
Reparei, então, em seus uniformes . Havia ficado exatamente como imaginara; o avental que, se não fosse amarrado por duas tirinhas nas costas eu diria ser um vestido, era todo branco com o bolso do peito vermelho. A barra é de um azul bem clarinho que, ao sol, virava verde. Minhas criadas tiveram a preocupação de não deixarem a barra do avental com os mesmos tons do meu vestido, o que era incrível pelo fato de elas pensarem em tantas coisas ao mesmo tempo.
– Como estão os quartos dos hóspedes? — Perguntei com um quê de nervosismo.
– Tudo pronto, Majestade. Os quartos italianos estão repletos de coisas de sua cultura, assim como o quarto dos franceses. — Respondeu Adallia, uma das criadas.
– Quantos foram os quartos utilizados?
– Bom: Um para o rei e a rainha da Itália, mais um para a princesa e para suas primas, um para o príncipe e um para a guarda real. Um para o rei e a rainha da França, outro para a princesa, mais um para a duquesa e outro para a guarda real. Então, oito quartos foram usados. — Ela contou nos dedos com total entusiasmo.
– Ótimo.
As criadas me ofereceram sua reverência e eu voei para os jardins. Quase como num passe de mágica, os jardins se transformaram completamente. As mesas e cadeiras, todas sob tendas sofisticadas, continham em seu centro jarros de flores vermelhas e brancas. Resolvi não demarcar os assentos dos convidados e fazê-los sentar-se onde bem quiserem. Ainda haviam pessoas da organização penduradas nas poucas árvores, envolvendo elas de luzes para a noite. As criadas começavam a passar por mim feito furacões, depositando as bebidas e comidas nas mesas principais.
Me sobressaltei quando senti alguém falar tão perto do meu ouvido. Maxon caiu na gargalhada com minha cara de espanto e eu dei dois socos em seu ombro — O que o faz rir mais ainda. Mas então ele parou para me observar, atentado a cada pequeno detalhe em mim. Seus olhos percorrendo todo o meu corpo me fizeram corar e os arrepios vieram instantaneamente. Um sorriso torto — E, meu Deus, incrivelmente sexy — apareceu em seus lábios e era quase impossível não desviar o olhar de vergonha.
– Você está deslumbrante — Ele tomou minha mão e beijou seu dorso — , Majestade.
– Sério que você precisa usar essas medalhinhas? — Brinquei, desviando a atenção de mim.
– Fazer o quê, não é.
Alguns minutos depois, os jardins estavam prontos. Devia dizer que estava impressionada com a rapidez do pessoal da organização, mas, é claro, era eu quem recebia todos os elogios. Anastasia desceu às pressas a escadaria de mármore e, quando me encontrou, vi uma gota de suor escorrer da sua testa.
– Meu Deus, Anastasia, para que tanta correria? — Eu perguntei.
– Eles chegaram, Majestade, eles chegaram!
Ela nos reverenciou e, sem mais palavras, voltou pelas escadas novamente.
Minhas mãos tremularam e minha testa começou a suar. Eu não estava nervosa mais cedo, quer dizer, eu estava, mas tentava omitir isso de mim mesma. Mas agora eu percebia o quão ansiosa eu estava. Ansiosa para eles chegarem logo para poderem sair logo também. Minha responsabilidade ali é imensa, e, sinceramente, não me sentia tão capacitada para isso.
– Acalme-se, querida — Pediu Maxon — Vai ficar tudo bem.
Eu apenas assenti com a cabeça.
Os grandes portões foram abertos e só agora eu consegui ver as carruagens que traziam nossos visitantes. Primeiro, chegaram as quatro carruagens italianas, o brasão da Família Real, em dourado, cintilando ao sol da tarde. Então eu vi a entrada dos franceses; quatro carruagens, ligeiramente maiores que as italianas, com o brasão em bronze reluzindo nas laterais.
– O que devo fazer? — Eu murmurei para Maxon.
– Seja você mesma.
Ah, maravilhoso! Ótimo conselho, Maxon! Tudo bem, tudo bem... Tudo o que precisava fazer era me acalmar, afinal, tudo iria dar certo. Não é? O.k., o que a Rainha Amberly faria? O que ela fez durante a estadia dos italianos? Ela sorria, conversava, acenava... Era uma dama. Mas ela conhecia todo mundo, ela já era acostumada a tudo isso.
Mas eu conhecia alguém. Eu conhecia Nicoletta.
As carruagens foram manobradas e logo suas portas, abertas, revelando a realeza dentro dela. Fixei meu olhar nas carruagens italianas, procurando saber de qual delas Nicoletta sairia. Ela estava na carruagem principal, juntamente com o rei e a rainha. O seu desfilar gracioso até mim me faz parecer uma pata andando.
– Ah, America! — Ela cumprimentou.
Se tornou engraçado o momento em que eu estendi minha mão para ela e, ao invés de apertar, ela me abraçou fortemente.
– Como vão as coisas? Sua vida de casada, hein? Me conte tudo!
– Ah... — Como eu poderia definir a minha vida? — Estamos bem. Muito bem.
Ela revirou os olhos e foi cumprimentar Maxon. Acompanhei com os olhos a descida do restante da realeza da carruagem; Nicoletta era a réplica quase perfeita de sua mãe, a Rainha Araminna. Os cabelos loiros, a pele azeitonada e os olhos verdes faziam você acreditar que, se existia um lugar onde as mulheres perfeitas viviam, este lugar era a Itália.
Mas era com a visão da Família Real francesa que eu me preocupava mais.
O rei, um homem de meia idade com a barba por fazer e alguns fios grisalhos em seu emaranhado castanho, andava de braços dados com uma mulher bonita — E bem mais nova — , mas de aparência hostil. A outra mulher — Que imaginei imediatamente ser a Duquesa de Champoudrye, irmã do rei — tinha um semblante muito mais alegre e convidativo. Assim como o rei, a duquesa tinha os cabelos castanhos um tanto cacheados, mas, com certeza, muito mais bem tratados do que os do irmão. Já a garota que vinha atrás era a incrível mistura da perfeição. Com sua altura excedente ao de uma mulher, a princesa Daphne deslizava graciosamente pela grama verde bem aparada. Os cabelos, tão loiros que chegavam a ser brancos ao sol, reluziam em um coque incrivelmente uniforme. O vestido lilás de caimento até os joelhos dava uma visão perfeita das suas curvas um tanto quanto "avantajadas".
– Olá, Maxon! — Ela cumprimentou, correndo tão sofisticadamente que chegava a ser um privilégio olhá-la.
Mas eu não pude ver como foi a recepção de Maxon já que, segundos depois, Orabella e Naomi se jogaram em cima de mim e me abraçaram com toda a força. Era quase sufocante ter os braços de Orabella em meu pescoço, mas, antes mesmo de eu clamar por ar, elas me soltaram e começaram a me fazer perguntas do tipo "Como está?"
– Ah, bem, muito bem.
Elas não se deram por satisfeitas, mas eu prometi a elas que conversaríamos mais depois e com isso me dirigi para Maxon e Daphne, que conversavam entusiasmadamente a um canto no jardim.
– Há quanto tempo, hum? — Ouvi ela dizer quando já estava mais próxima dos dois — Confesso que estava morrendo de saudades!
Pigarreei para chamar a atenção dos dois, pois só assim eles me ouviriam. Maxon abriu um grande sorriso ao me ver, o que, é claro, desfez todo o meu mau humor em ter alguém como Daphne em minha casa, tão perto de Maxon.
– Daphne, esta é America Schreave, minha esposa. — Ele disse e eu senti uma enorme sensação de poder ao ouvi-lo me chamar de sua esposa.
– Ah, eu sei quem ela é, afinal, quem não sabe, hum? — Daphne se inclinou para a frente e nós nos cumprimentamos com beijinhos em cada bochecha — É um enorme prazer conhecê-la.
Ah, o que é isso? Algo sarcástico? Mas, por mais que eu tentasse, não conseguia encontrar nenhum vestígio de deboche em sua voz. Eu devia estar ficando maluca, era muita tensão.
– O prazer é todo meu, Princesa Daphne. — Eu respondi, um sorriso gigantesco no rosto enquanto voltava para junto de Maxon, enlaçando meu braço ao redor de suas costas e colando nossos quadris.
– Não, por favor, me chame apenas de Daphne.
Houve mais uma troca de sorrisos e então ela se dispersou para junto dos pais. Agarrei com mais força Maxon quando ele nos conduziu até o restante da realeza francesa. As rivalidades entre França e Itália eram tão notáveis que as monarquias estavam dividas em dois grupos, cada uma de um lado.
Maxon me apresentou como sua esposa aos franceses, e depois aos italianos e então eu pedi que eles se sentissem em casa, como muitas vezes já havia ensaiado. As monarquias se dispersaram, alguns se sentaram em grupinhos sob tendas e outros, como Maxon e os outros reis, se reuniram, de pé mesmo, sob uma árvore, os guardas e soldados sempre por perto.
Nicoletta estava rindo à beça com Orabella e Noami e me senti meio sem graça de me intrometer em sua conversa, então fui para o único lugar no qual eu não queria ir: Para a tenda que abrigava a rainha e a princesa da França.
– Fazia tempo que não visitávamos Illéa. — Disse Daphne pouco antes de eu me aproximar.
– E você sabe mui bem porque, imagino eu.
Daphne revirou os olhos, dando fim à conversa. Essa me parecia uma boa hora para me aproximar.
– Olá, posso me sentar aqui com as senhoras? — Perguntei no tom mais formal que consegui.
A rainha me olhou de cima a baixo, as sobrancelhas levemente arqueadas. Alguma coisa em seu semblante me fazia pensar que ela me odiava.
– O palácio é seu, não? — Replicou, indiferente.
O.k., America, você consegue ser educada. Você precisa ser.
Me sentei ao lado de Daphne, incapaz de ficar a meros centímetros perto da rainha. Entretanto, Daphne não desviou o olhar nem um segundo para mim. Segui seus olhos para encontrar o que ela tanto olhava e, céus, como eu gostaria de não ter feito isso. Daphne olhava fixamente Maxon. Para Maxon! Foi quase instintivo fuzilá-la depois disso e eu nem sequer me intimidei quando ela percebeu que eu a olhava.
– Algo errado, Majestade? — Ela perguntou. Nada de deboche em sua voz. Argh, eu queria ter motivos para odiá-la mais ainda.
– Não, Alteza.
Por fim, Daphne e sua mãe retomaram a conversa — Algo sobre como seria bom para a França se reatassem com a Itália — como se eu nem estivesse presente. Eu já estava disposta a sair dali se elas trocassem mais uma palavrinha sequer sobre política quando a rainha se levantou delicadamente da sua cadeira e foi buscar uma bebida na mesa principal — Mas não sem antes, como a entojada que era, reclamar do calor e do sol de Illéa.
– Perdoe minha mãe. — Pediu Daphne quando a rainha já estava suficientemente longe — Às vezes ela pode parecer terrível, mas ela não é tão ruim assim.
Eu apenas assenti.
– Então, como está indo sua vida de casada? — Perguntou, puxando conversa.
Ah, então ela queria saber mais sobre minha vida de casada? Sobre como eu ia ao lado do homem que, aparentemente, ela nunca deixou de gostar? Maravilhoso. Não poderia haver pergunta melhor.
– É tudo maravilhoso. Maxon é o melhor marido que alguém poderia ter e nós nos amamos muito. — Soco na cara da princesinha! Ponto para America.
– Fico muito feliz.
E a conversa se encerrou, tipo, morreu o assunto!
Depois de um tempo, resolvi procurar Nicoletta. Eu, ela e suas primas conversamos bastante e eu até me esqueci de que estávamos todos sob ameaças de guerra a cada gargalhada que eu dava. Era indiscreto da minha parte agir assim, tão informal, mas aquela eu e não mudaria apenas por ser rainha. Naomi, Orabella, Nicoletta e eu já havíamos nos tornado "amigas de infância" quando a Duquesa de Champoudrye se aproximou inesperadamente de nós. Diferentemente da rainha, a duquesa — Que insistiu para que a chamássemos apenas de Munike — era agradável e brincalhona, com certeza a única da realeza francesa a se misturar com os italianos. Foi quase decepcionante quando Maxon anunciou que os criados levariam as monarquias aos seus devidos quartos, devido a hora e a proximidade do jantar. A tarde fora tão divertida que eu nem sequer reparara que já eram cinco da tarde. O jantar seria servido às sete e meia, mas, é claro, as monarquias estavam exaustas da viagem e mereciam um tempo de descanso.
Nicoletta me beijou nas bochechas e disse que nos veríamos mais tarde. Orabella e Noami já foram menos formais, me abraçando. Aos poucos, todos se dispersaram para acompanhar as criadas que iam indicando seus aposentos. Logo, Maxon e eu éramos os últimos no jardim.
– Correu tudo bem? — Perguntei antes mesmo de ele falar algo.
– Não poderia ter sido melhor. Os reis estão mais do que dispostos a reatarem com um acordo de paz, mas ainda será preciso pelo menos uma reunião com eles já que o rei da França é meio, digamos, difícil de persuadir. — Ele explicou, gesticulando com as mãos. Ele esticou o braço até a mesa e pegou alguns canapés, jogando eles na boca logo depois — Estive tão ocupado que não consegui comer nada. Mas, bem, e você? Se tornou amiga da rainha da França?
– Você só pode estar de brincadeira! — Esbravejei, descrente de suas palavras — Ela é terrível.
Ele apenas riu e nós entramos no palácio.
Maxon se arrumou rapidamente e, ao sair do quarto, estalou um beijo em minha testa, dizendo que logo me buscaria para o jantar. Desde então passei para um processo lento de: Banho, roupas, unhas, maquiagens, sapatos... Mary fez questão de me deixar maravilhosa para o jantar — Será que ela notou algo em Daphne também?
Pontualmente às sete e vinte, Maxon bateu à porta. Com um último retoque em minha maquiagem, Allye me deu um tchauzinho discreto e eu abri a porta do quarto. Maxon reagiu exatamente como mais cedo, os olhos cravados em todas as partes do meu corpo. Mas, em vez de me mostrar envergonhada, tasquei um beijo demorado em seus lábios. Frustração; essa foi a palavra que perpassou minha mente quando nossos lábios se desgrudaram, mas não havia problema. Tínhamos toda uma vida para isso.
Caminhamos de mãos dadas, descemos as escadarias, cumprimentei guardas que conhecia e, finalmente, chegamos a sala de jantar. Todos já estavam lá, é claro, e com isso fomos recebidos por inúmeros pares de olhos cravados em nós. Mas minha concentração só foi direcionada a um deles: Daphne. Ela não parecia absurdamente atenta a Maxon como esteve mais cedo, mas seu sorrisinho forçado meu deu gastura.
Nos sentamos e Maxon deu início ao jantar. Criadas surgiram de todos os lados, depositando pratos atrás de pratos para cada um. Confesso que achei meio estranho o gosto das comidas, mas, aparentemente, todos estavam mais que satisfeitos. Eu não estava habituada a culinária de países como França e Itália, mesmo assim concordava com a cabeça a cada elogio lançado pelas monarquias. Nosso prato principal — Risoto de camarão com aspargos — era um tanto quanto apimentado, mas a sobremesa... Meu Deus, o que era aquilo? O crêpe suzette — Acho que foi assim que a duquesa chamou a sobremesa — era um crepe com muita manteiga, açúcar e flambado com licor francês. Juro, nunca comi algo tão delicioso, com exceção das tortas de morango do palácio.
– O que sua irmã diria se estivesse aqui neste momento? — Cochichou Maxon em meu ouvido depois de ver minha expressão ao comer o crêpe.
– Hum... Ela choraria?
– Acho que você e eu concordamos que o choro da May não é confiável. — Ele respondeu.
Isso já havia virado uma piada interna entre nós há algum tempo, ou seja, todos ficaram sem entender quando eu ri. A rainha da França me olhou como se eu fosse maluca. Dei de ombros para mim mesma.
Mesmo depois de o jantar ter acabado, permanecemos à mesa, conversando e bebericando vinho francês, quer dizer, eles bebericaram, eu, não. Nunca gostei de vinho e, sinceramente, com o francês não foi diferente, embora todos elogiassem a qualidade dele.
– Maxon — Daphne chamou depois de um tempo em silêncio. O nome de Maxon sendo falado na voz de Daphne era incrivelmente sedutor, e só eu sabia como aquilo me irritava — Pode me acompanhar por uns instantes?
Então eu derrubei ruidosamente os talheres no qual brincava com os dedos no prato de porcelana. Esperava que todos me olhassem com repreensão, mas, aparentemente, Daphne tinha se tornado a atração principal da noite. Afinal, o que ela tinha em mente? O que ela queria com Maxon? Fiquei me fazendo essas perguntas por alguns segundos antes do improvável — Para mim — acontecer: Maxon concordou com a cabeça, pediu desculpas por não ficar por mais tempo, me lançou uma piscadela e saiu.
E então eu estava sozinha em meio a um bando de estranhos, odiando Daphne. Odiando todos a minha volta. Odiando a mim mesma.
Odiando Maxon.
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