The New Guardian (HIATUS temporário)
7 Someone finally believed and perhaps a new friend
Capitulo 7 – Alguém finalmente acredita e um novo amigo
POV Jackie
Durante todo o caminho ninguém falou nada inclusive eu, todos pareciam esgotados mesmo não tendo gastado tanto das suas energias, aquela areia devia ter algo de especial, Sandy é o que está pior, fraco e cansado. Quando aterrissamos na “garagem” (?) da Fábrica os Yets vieram e guardaram o Trenó, eu e os Guardiões fomos para a sala que continha um Globo cheio de luzes douradas, a mesma sala de quando eu cheguei aqui.
–Ele levou tudo... De novo... – fala Fada parando de bater suas belas asas e se ajoelhando no chão, inconsolável. – Os dentes, as fadinhas...
Quando ela falou das fadinhas senti um movimento no bolso do meu moletom e um sonzinho de beija-flor, o som vinha do meu bolso e do bolso do Frost, depois de segundos uma fadinha saiu do bolso dele e um fadinho (?) do meu, os dois voaram até Fada.
–Ah! Meu Homem da Lua, vocês estão bem, pelo menos vocês escaparam. – ela falou abraçando os dois cuidadosamente.
–O que são? Quer dizer sei que uma é uma fadinha, mas o outro... – falei não conseguindo expressar em palavras a minha dúvida.
–São FairyBoys, estava precisando de mais ajuda no Palácio das Fadas com os dentes das crianças, então MIM os mandou para ajudar. – explicou Fada enquanto o FairyBoy saía do abraço dela e rondava ao meu redor, ele parou na minha frente me olhando com os olhinhos violetas, eu abri um sorriso com a fofura dele, ele deu algo parecido com um suspiro quando eu sorri e veio até meu ombro.
–Ele é fofo. – falei passando o dedo na cabeça dele.
–Ele gostou de você, assim como fadinha gostou de Jack na primeira vez quando ele a salvou. – Fada fala me surpreendendo.
–Ok... – absorvi um pouco a informação da minha tão parecida história com a do Frost. – Agora, alguém pode me explicar quem era aquele cara?
–Aquele cara era Breu, o Bicho Papão, foi ele que nós enfrentamos anos atrás. – responde Frost para mim.
–Não sabemos como ele ficou mais forte, Sandy saberia se ele estivesse perturbando as crianças á noite. – disse Norte colocando a mão no queixo e pensando. – Por que ele começaria pelo Palácio das Fadas de novo? Já não seria meio óbvio.
–Talvez ele está tentando fazer igual da última vez... – ponderou Fada, eu sinceramente estava confusa, o que pelo poder da Lua ele fez da última vez?
–Faltam dois meses pra Páscoa e esse paspalho vem atrapalhar minha caça aos ovos de novo, não dá pra impedir os cavalos dele, se ele os mandar a Páscoa já era, de novo. – Coelhão reclama e abaixa a cabeça, apertando um de seus bumerangues.
Olho para Sandy e ele começa a formar minha imagem com areia dos sonhos, depois a imagem dos Guardiões aparece e ele me coloca ao lado deles, os pequenos Guardiões e eu começamos a lutar com um pequeno Breu, depois de me mostrar isso ele faz uma interrogação.
–Eu não sei Sandy, eu não fui feita pra isso. – respondi abrindo um sorriso me desculpando.
–Como não!? – exclama Fada. – Se o MIM te escolheu você foi feita pra isso, é o seu destino.
–Eu não escolhi isso! Eu nunca pedi para ser uma Guardiã! Desde que eu sai daquele lago eu tento, tento de tudo para saber o porquê de o MIM ter me feito, mas não. A única coisa que eu sei, a única coisa que ele me contou... foi o meu nome. – falei sussurrando a última parte os encarando.
–Como não sabe o porquê de ele ter te trago ao mundo? Você não se lembra? – pergunta Frost para mim.
–Como assim não me lembro? Eu não tinha uma vida antes de ser Jacqueline Ice, a escuridão é a.... – começo a falar indignada.
–A primeira coisa que eu me lembro. – Frost me interrompe e fala... o que eu ia falar.
–Como você sabe disso? – exclamo perguntando a ele. Eu não estava ligando se os Guardiões estavam vendo nossa discussão, só queria saber como ele sabe sobre isso.
–Por que também era a primeira coisa que eu me lembrava, – ele me responde com uma calma irritante. – até eu ver minhas memórias e as ter de volta. Todos nós tínhamos vidas antes do Homem da Lua nos transformar no que somos.
–Inclusive você Jackie, eu tinha seus dentes, mas Breu os levou. – fala Fada vindo para perto de mim e colocando a mão no meu ombro compreensivamente.
–Como assim? –pergunto, o que os dentes em haver com isso? – Por que ele iria querer os dentes?
–Não são os dentes, — ela pega uma das caixinhas douradas que ela conseguiu trazer. – são as lembranças que estão neles, lembranças importantes da infância e quando alguém precisa lembra eu, as fadinhas e os FairyBoys ajudamos.
–Você vai nos ajudar? – pergunta Frost. – Se nos ajudar, conseguimos seus dentes de volta.
–Então é assim, chantagem para eu ajuda-los? – exclamo indignada.
–Não é bem assim.... – ele começa a falar mas eu o interrompo.
–Não, obrigada, esperei 350 anos para saber que eu tinha uma vida, que eu tinha uma família, posso esperar mais para saber quem eram, mas sem querer ofender, eu não sou uma Guardiã, não fui feita para isso eu sou só diversão e gosto de ver as pessoas unidas, e vocês são só trabalho e ralação.
–Eu também pensava assim, como eu já disse antes. – fala Frost perdendo a paciência e calma que tinha antes.
–E eu continuo com a mesma opinião, se depender de mim ajuda minha vocês não vão ter. E se o Homem da Lua me escolheu por que ele mesmo não falou?
Olhei para a Lua rapidamente e voltei meu olhar aos Guardiões, eles iam começar a falar alguma coisa mas antes que pudessem eu tomei impulso e sai da Fábrica pela janela onde podíamos ver a Lua.
–Vento! Me leva pra Burgess! – gritei para o vento.
Quando eu voo eu me sinto livre, o ar e o gelo são as coisas que basicamente me representam, o ar é onde eu posso ser quem sou e o gelo é o que eu posso mostrar o que eu sou, o único problema é que ninguém sabe disso. Chegando em Burgess, vejo as crianças juntas no parque conversando, desço até lá e vejo os pais delas sentados nos bancos da praça. Alcei voo novamente e fui para a parte menos movimentada da cidade, comecei a andar e observar as pessoas, algumas famílias em suas casas apreciando o calor da lareira ou até do aquecedor de ar, tomando chocolate quente, alguns adolescentes estudando com as janelas abertas, até alguns casais namorando nas ruas.
Passando na frente de um beco resolvo ficar por lá, é capaz do Frost vir atrás de mim, junto com os Guardiões, sentei e comecei a desenhar formas desconexas no chão e na parede, acabei escrevendo meu nome, encostei minha cabeça na parede e respirei fundo olhando pro céu. De repente eu escuto um barulho e vejo um garoto sendo arrastado pelo capuz do casaco por um outro garoto, este que estava acompanhado por dois armários. O que estava puxando o primeiro pelo casaco o jogou no chão ao meu lado.
–Então Nicolas, como vai ser? Vai dar nosso dinheiro agora ou vamos ter que tomar medidas drásticas? – pergunta estralando os dedos da mão que estavam fechados em punho.
–Eu já disse! Vocês já pegaram todo o dinheiro que eu tinha! Não tenho mais nada para dar a vocês. – grita o garoto jogado ao meu lado. Ele tinha cabelos negros e a voz estava rouca, não dava para ver a cor dos olhos, havia uma trilha de sangue escorrendo de um corte no canto de sua boca. – Me deixem em paz!
–Ah mas não mesmo, você não sabe o seu lugar e desrespeitou os superiores a você, então temos que te dar uma lição, não é rapazes? – fala o agressor 1, depois se virando para encarar os armários 1 e 2, os armários vieram para cima do garoto ao meu lado e eu fui pra cima deles alçando voo e rodeando eles trazendo neve e uma corrente de ar forte o bastante para desequilibrá-los, enquanto eles tentam se firmar no chão novamente eu congelo o chão pisando nele e eles escorregam levando junto o agressor 1. Os três olham ao redor amedrontados e saem correndo, mas não sem antes do agressor 1 abrir a boca. – Isso não vai ficar assim, vai ter volta, Nicolas.
Quando pousei no chão suspirei de alívio, não queria machuca-los, só assustá-los. Olhei para o garoto que teria o nome de Nicolas, fui até ele e agachei na sua frente, ele estava com os olhos arregalados e com a boca levemente aberta.
–Jack Frost? – ele murmura meio confuso olhando ao redor e pousando o olhar no meu nome escrito na parede. – Jacqueline Ice. – ele lê lentamente e fica com um semblante pensativo.
–É o meu nome, mas não adianta pensar aonde já o viu, ele não é conhecido por ninguém. – falei, mesmo que ele não me escutasse.
Nicolas olha na minha direção rapidamente e arregala os olhas de novo, mas dessa vez esboçando surpresa.
–Jacqueline Ice? – ele pergunta, eu sento no chão enquanto levo minhas mãos até minha boca e meus olhos se enchem de lágrimas.
–Você pode me ver. Você pode me ver! – exclamo me levantando e dando um pulo junto com um mortal para trás, a pedra do meu cajado brilhava mais forte do que nunca, no meu rosto havia um sorriso que poderia rasgar o meu rosto. – Oh meu Homem da Lua, você tá machucado e eu tô dando a louca.
–Que nada, estou acostumado, mas bem que você poderia ter aparecido desde mês passado. – ele tenta soltar uma gargalhada mas solta um gemido de dor, pego um braço dele e o levanto.
–Aonde você mora? – pergunto pegando meu cajado do chão e apoio Nicolas no meu ombro.
–A uma rua daqui. – ele responde fazendo uma careta.
Eu vou até a saída do beco e posso ver a neve tampando a visão da rua, vou o levando até uma casa abandonada aonde deixo a neve abaixar um pouco.
–Foi você que fez essa mini nevasca? – ele pergunta surpreso.
–Sim, qual sua casa? – pergunto novamente gesticulando a rua com poucas casas a minhas costas.
–Por aqui. – ele vai me guiando enquanto eu o apoio para não machuca-lo, paramos em frente a um sobrado simples com uma varanda.
–Que irônico, você é vizinho dos queridinhos dos Guardiões. – falo abrindo um sorriso sarcástico pegando uma chave no bolso do casaco dele e abrindo a porta, o levo para dentro e ele acende a luz, o coloco em um sofá e o encaro.
–Como assim, queridinhos dos Guardiões? – ele me questiona confuso.
–A família Bennet. Jamie e Sophie os ajudaram a vencer uma guerra algo parecido, não sei os detalhes, os dois nunca deixaram de acreditar, se casaram, tiveram filhos e esses filhos acreditaram até a adolescência onde deixaram de acreditar nos Guardiões, o filho de Sophie se casou e teve Sophie II, a filha de Jamie engravidou e o pai da criança os abandonou, ela teve Jamie II. Essa família desde aquela guerra se tornou especial para eles e em alguns casos para mim. – o respondi vendo ele digerir a história.
–Então quer dizer que mesmo sendo, se podemos dizer, injusto, eles tem seus favoritos. – ele afirma depois de um tempo.
–Isso. – afirmo. – Mas, vamos ver esse seu corte na boca. – continuo e me levanto, vou até um armário no canto do quarto onde era possível ver alguns itens de primeiro socorros, os peguei e me sentei ao lado de Nicolas, comecei a limpar o ferimento com gases, depois coloquei um curativo. – Pronto, não é muita coisa, mas é o que eu sei fazer.
–Tá tudo bem, você fez mais do que precisava. – ele falou abrindo um sorriso e revelando covinhas muito fofas. – Se não fosse por você eu com certeza estaria com um braço quebrado, ou na melhor das hipóteses com ele torcido.
–Apenas fiz o certo, mas me diz, — coloquei uma perna minha por debaixo da outra e o encarei com um sorrisinho. – por que aqueles idiotas estavam ou pelo menos iam te bater?
–Isso começou quando eu me mudei para Burgess. – ele fala suspirando e passando as mãos por seus cabelos negros os bagunçando mais do que já estavam. – Era, ou ainda é uma vida nova pra mim, nova casa, nova cidade, nova escola, e como não pode faltar os caras que ficam no pé do garoto esquisito. Eles estavam colocando um garoto do 1º ano em um lixo, eu tentei ajuda-lo, então eles começaram a me marcar, eu sempre sou zoado, tenho que dar meu dinheiro pra eles se não apanho, mas não adianta, eles me batem do mesmo jeito, só que se eu não der o dinheiro eu apanho mais e fica difícil esconder machucados bem visíveis dos meus pais. Então é isso, a vida de um Zé Ninguém, excluído e que não é aceito por ser ‘sombrio’.
Ele fala fazendo sinal de aspas com os dedos na parte do sombrio. É isso que eu não entendo, as pessoas desprezam os seus próximos, sendo que deveriam ficar unidas, não violentas e sem coração.
–Mas, mudando desse assunto triste, me fala de você, um outro espírito do inverno, eu achei que só existia o Jack Frost. – Ele fala empolgado.
Eu comecei a contar a minha história pra ele, do meu ‘nascimento’ até eu ser chamada para fazer parte dos Guardiões e a nossa mim-batalha contra Breu. Eu acho que eu tinha um novo amigo e finalmente alguém podia me ver, e eu em questão apenas precisei fazer meu trabalho, cuidar das pessoas.
–Sua história é meio triste, sem ofensas, é claro. – ele fala quando termino de contar. Gargalho com isso e ele me acompanha.
–Não tem problema, ela é sim meio triste, mas o que posso fazer? De algum jeito era pra ser assim. – suspiro pesadamente e olho para a Lua, que já estava brilhando no céu. – O Homem da Lua me escolheu, mas os Guardiões, ou o Frost na verdade, querem que lembre o meu passado da forma errada.
–Querem te forçar a fazer isso. – disse Nicolas completando minha fala. – Eu concordo com você, que eles estão fazendo isso de forma errada, quer dizer eles só te deram uma opção, se tornar Guardiã porque o Homem da Lua falou.
–Obrigada. – abri um sorriso que mostrava meus dentes.
–Pelo que?
–Por ser a primeira pessoa a acreditar em mim, por um mero nome escrito na parede de um beco. E também por me entender. – o respondi, ele logo retribuiu meu sorriso e continuamos a conversar.
Parece que alguém finalmente acredita e que eu ganhei um novo amigo, alguém que me entende.
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