The New Continent
2 Capítulo 1 - Lembranças de um Passado.
Notas iniciais
Will
30 Janeiro,2200, 00:30.
A perseverança vai muito além da conquista, apesar das noites quentes e abafadas que iam se transcorrendo durante quase todo o mês. Tudo aquilo proporcionado era visto como uma paisagem milagrosa, a nevasca vista do lado exterior era contemplada por muitas famílias debruçadas sobre as janelas que assim as apreciava em uma expressão de extremo entusiasmo.
Após alguns minutos todos os carros e objetos peculiares existentes na cidade estavam cobertos por uma camada incandescente de pequenos flocos congelados em uma forma unitária, sem a presença se quer de qualquer algo vívido perambulando pelas ruas empilhadas de neve. A ansiedade assim como o sangue corria através do interior das veias tomando domínio de meus sentidos, fazendo com que o sono escapasse do meu corpo de maneira evasiva e me concentrasse apenas no resultado de aprovação da Companhia CAIG que transformaria meu futuro e o de muitos jovens em um sonho.
Esparramado sobre a cama fitava o teto em seus míseros detalhes, pensando somente no dia seguinte, armando planos para o futuro aparentemente bem próximo, não querendo se quer perder nem um segundo de como tudo aquilo iria acontecer. A mudança seria radical, porém estou preparado para largar a mesmice do dia a dia e encarar o mundo do meu jeito, este era o slogan da propaganda do CAIG que se espalhou por todo o mundo por mudar a vida de muitos jovens com suas viagens memoráveis que lhes trazia reconhecimento e fortuna. O Centro Americano de Intercambio Geral era algo ideal a qualquer adolescente que quisesse conhecer os pequenos até os grandes lugares do mundo, viver experiências incríveis e ainda sim ir atrás de uma carreira profissional desejada.
Uma isca perfeita para atrair os seus objetivos e a chance que estivera de que sua localidade fosse em minha cidade entre tantos lugares da Austrália ajudou ainda mais. Isso explica toda a minha animação em contar os segundos do relógio suspenso à parede. Decorada por minhas estantes com troféus esportivos de diversas categorias, somente à espera do sol renascer.
A madruga se alastrou assim como meus pensamentos vagantes dando inicio ao amanhecer esplendoroso. Com os feixes luminosos atravessando a janela, representando a iniciação de um novo dia que prometia ser algo inesquecível. Tratei logo de me aprontar, fui até o armário e peguei uma muda de roupas limpas que já havia separado no dia anterior e coloquei as sobre a cama entrelaçada por lençóis. Sai do meu quarto, em relação de segundos percorrendo toda a casa até chegar à cozinha, onde coloquei duas torradas para esquentar e pus o pó e água do café para coar. Subi novamente ao segundo andar para tomar banho, todas as ações feitas em tremenda rapidez.
Após enxuto e com as novas roupas sobre o corpo, passei pelo quarto de minha avó e bati duas vezes na porta como um sinal para que ela despertasse. Meus pais trabalham durante a semana toda, acredito que nenhum deles gostaria de ser acordado em um dos seus únicos dias de folga para algo que não tivesse uma tremenda importância. Sendo assim voltei ao meu quarto para pegar a mochila sob a janela, então retornei a cozinha, pus as torradas em um prato e o café em uma pequena xícara e sentei á mesa, onde por um momento durante a refeição não estava agitado. No último gole cafeinado minha avó aparece em meu campo de visão dizendo:
— Bom Dia! – disse a em um sorriso que ia de ponta a ponta de seus lábios enrijecidos. – Como vai esse pequeno coraçãozinho?
— Quase pulando para fora. – Respondi em um tom esporádico. – Sente-se e junte-se a mim para Comer. — Disse apontando para uma cadeira ao lado.
— Não estou com fome. – ela pronunciou em um tom sereno – pelo seu estado de animação está muito ansioso para partir, eu posso comer na volta para casa. Vamos?
Olhei para o relógio digital acima de alguns armários que marcavam sete horas em ponto, tinha uma hora para chegar ao local do resultado. Juntamos os trapos e fomos andando até a estação de metrô mais próxima. Durante o caminho as ruas estavam cheias de poças d’água feitas pelo derretimento da neve que iam abrindo passagem para que chegássemos á estação logo. Já próximo ao local desejado, descemos uma serie de escadas passando por alguns corredores amontoados de pessoas e nos dirigimos até bilheteria para comprar as passagens.
Após tudo resolvido andamos até o veiculo metálico gigantesco que nos levaria até o destino final. Minutos se tornavam séculos diante daquela paisagem cotidiana e sem graça, envolvido por uma multidão inteiramente preocupada com seus problemas individuais, e penetradas em suas tecnologias móveis que as cercavam, fazendo com que estivessem desligadas no quesito vida. O momento de angustia não passava, até que as palavras emitidas pelo alto-falante reconfortaram minhas emoções e me deu um pouco mais de alivio.
— Próxima estação Companhia CAIG. – Disse a voz monótona e robótica.
Olhei novamente, agora o relógio de pulso, para verificar o horário, tinha apenas dez minutos. Ajudei minha avó a sair do metrô e subimos uma escadaria semelhante aquela anterior. Já em pé sobre a calçada dava para se avistar o enorme prédio feito de arranha-céus do outro lado da rua, esperamos que o sinal fechasse e finalmente chegamos ao local esperado. Na entrada já havia uma pequena fila considerável de jovens aparentemente da minha idade esperando tal resultado que mudaria nossas vidas para sempre.
Gradativamente a fila foi sucedendo-se criando espaço a cada selecionado que em pouco tempo retornavam com olhares tristonhos. Isso fizera com que me sentisse ainda mais aflito e por um instante perdesse totalmente a esperança. A cada pessoa que seguia em direção ao enorme portão, um medo consumia a mente junto a cada passo dado para frente, através disso o inevitável aconteceu:
— William Hendson! – As palavras soaram de uma voz feminina vinda do interior do prédio.
Aproximamo-nos da entrada e quando pude perceber a voz vinha de uma mulher com a pele clara de porte atlético, alta com um tom capilar de fios dourados e olhos dos mais intensos azuis.
— William Hendson? – indagou a mulher com um olhar fixo aos meus. Fiz um simples gesto de concordância com a cabeça, e então ela prosseguiu. – Por favor, se dirija até aquela bancada – ela disse enquanto apontava para o local.
Quando demos o primeiro passo a frente à mulher nos interrompeu com um olhar de indignação:
— Desculpe Sra. Hendson, mas seu neto já completou maior idade. Não será necessário que a senhora o siga – Ela pronunciou as palavras com uma ilustre frieza no olhar.
Então minha avó voltou-se para o ambiente exterior sem ao menos relutar, enquanto prosseguia para o local indicado. Um senhor com um terno elegante com uma aparência fina viera em minha direção e pediu para que o seguisse até uma sala ao lado. Ao entrarmos, a sala continha uma mesa de madeira rústica com cadeiras feitas do mesmo material acolchoadas por almofadas. Preso as paredes havia cortinas vermelhas que iam do teto ao chão e por fim um tapete persa sobre nossos pés. Ele me indicou uma cadeira em frente à mesa empilhada de papeis de diversas cores, ele se sentou na poltrona atrás da mesa e eu o segui sentando também.
Antes de qualquer coisa ele simplesmente foi até o arquivo com a letra W folheando toda a papelada e dali tirou uma pasta com o meu nome, deduzi então que seriam meus dados cadastrais. Ele folheou cada pagina com cautela analisando cada palavra escrita reproduzindo sons que não ajudava em nada sobre a previsão de sua decisão. Depois de longos e intermináveis minutos sem nenhum dialogo ocorrido ele finalmente olha para mim e diz:
— Somente uma pergunta, porque gostaria de ser aprovado? – As palavras saem de maneira ríspida sem a menor importância com a minha resposta.
— Bom, eu espero por este momento á meses e vou fazer o possível e o impossível para conseguir, dedicando todas as minhas forças a isto, não deixarei que nada me atrapalhe. – As palavras escorreram sobre minha garganta sem o menor esforço com um tom de firmeza.
A expressão em seu rosto me causou surpresa, junto a seu semblante de espanto por minhas palavras ditas. As mãos suavam frias esperando por uma resposta.
— William Hendson, então quer dizer que o senhorio faria absolutamente qualquer ''coisa'' – Perguntou instigante.
— Sim, é uma oportunidade fantástica que pretendo conseguir alcançá-la.
— Meus parabéns Hendson, você agora faz parte de nossa companhia, prepare-se que iremos viajar imediatamente. — Disse desprezando qualquer tipo suspense. — Normalmente as pessoas que encontro por aqui se perdem no meio dessa simples pergunta e você de certa forma alcançou êxito.
Não fazia a menor ideia do que fazer ou responder era muitas informações importantes bombardeando minha mente pequena.
— M-Mas... eu preciso fazer as malas e falar com os meus pais. – Disse meio atordoado.
— Não me desculpe, ou viaja agora ou acabou sua chance, no caso das malas compraremos roupas novas toda à semana e caso queira se despedir pode usar o telefone a secretaria está à disposição. A decisão só depende exclusivamente de você. – falou com um olhar descrente – Você não disse que faria de tudo para entra esta é a sua chance!
— Tudo bem eu vou, mas ao menos posso me despedir da minha avó que está me aguardando lá fora? – estabeleci uma condição.
— Tudo bem vá, mas antes de ir assine o contrato – afirmou o senhor.
Ele me entregou uma papelada com isso fiz varias sequências de rubricas e me retirei do local seguindo em direção a saída apressado e com um sorriso esboçado no rosto. Minha avó esperava-me ao final do corredor. Meu olhar já dizia todas as palavras que ela gostaria de saber, com isso me abraçou e me desejo os parabéns, mas antes que sua felicidade chegasse ao auge tiver de dizer:
— Vó eu passei, porém terei de viajar agora e sem despedidas. – Falei em um tom cabisbaixo sendo o mais direto possível. – Não se preocupe vai dar tudo certo.
— O quê? – Ela respondeu em um tom de desaprovação – Está ficando louco. Precisa contar isso aos seus pais! Viajar assim de repente onde já se viu.
— Falarei com eles pelo telefone! – exclamei em um tom pacifico.
— Seria como você estivesse dando um abraço por alguém. Isso é um absurdo, não diga mais nada, vamos embora desse lugar! – suas palavras vieram como a finalização de uma conversa.
— Você não escutou o que eu disse, eu fui aprovado. Não posso desistir assim do nada, talvez isso seja um gesto de lealdade a empresa eu não sei...
— Preste bem atenção no que você está dizendo. Isso é loucura, você não pode agir assim sem antes pensar sobre tudo isso. Lamento, mas acho que não deve ir.
— Eu vou sim, já tenho dezoito anos e sei muito bem de minhas atitudes – disse em um tom autoritário. — Eu sei que tudo parece confuso, mas essa é a minha chance. Não deixarei que ninguém estrague meus planos.
— Tudo bem vá em frente, lembre-se você escolheu isso, mas não conte com meu apoio. – Disse ela se virando e se perdendo em meio à multidão.
Às vezes temos de atravessar obstáculos difíceis para poder seguir em frente. Minha paranóia já estava ficando fora de controle, precisava ir a algum lugar que pudesse relaxar e descarregar toda a sobrecarga de acontecimentos que atormentavam minha mente. Joguei-me no primeiro assento a vista, jogando o corpo sobre o encosto, fechei os olhos e comecei a refletir sobre a atitude tomada. Um suspiro de alivio foi se desenrolando a cada saída de ar nos pulmões.
Depois de uma noite sem dormir o sono vinha assim como uma melodia delicada entranhando pelos ouvidos sensíveis. Quando já iria me transporta de meu consciente para viver uma aventura em um sonho qualquer, uma mão estranha foi posta sobre os ombros fazendo com que despertasse de um transe e voltasse novamente á vida. Ao abrir os olhos assustados e cheios de olheiras pude enxergar o senhor de minha aprovação seus lábios se moviam me dizendo alguma coisa:
— Acorde! Já ligou para os seus pais, está quase na hora de partir – disse ele berrando em meus ouvidos.
Levantei em um pulo e cambaleie até a bancada onde havia um telefone. Disquei o número necessário e fiquei a espera que alguém ao outro lado da linha pudesse atender. Já que ninguém se propôs a atender e precisava correr contra o tempo resolvi deixar um recado na caixa postal, medindo cada palavra tentando os confortar com meus argumentos inúteis.
Coloquei novamente ao gancho e segui o senhor que houvera me despertado, apressadamente por todo o corredor virando à esquerda e a direita até que ele parou em uma das portas, entrou no cômodo e a fechou. Aproximei-me e fiz o mesmo, porém ao abrir a primeira brecha da porta uma luz muito forte atingiu meus olhos e uma pressão recaiu sobre minha cabeça e toda a paisagem branca foi se escurecendo até que estabilizasse em um breu total.
As pálpebras cansadas iam se abrindo lentamente até que se acostumasse com o ambiente que ia se revelando cada vez mais do visual embaçado. Transformando-se em uma imagem do céu límpido no seu mais perfeito tom de azul. Os membros eram sentido em extremo estado de cansaço junto à dormência corporal.
Ainda desnorteado com a cabeça latejando e o suor transpirando através de meus poros, comecei a me levantar fazendo um esforço enorme para me manter em equilíbrio, logo que fiz o reconhecimento do local, aquilo me causara um pânico avassalador. Fitava todos os cantos possíveis a minha visão. O peito começara a acelerar junto ao coração com batidas frenéticas e a respiração ficara ainda mais ofegante. Dei os primeiros passos para frente mais o corpo começou a fraquejar e cai sentado novamente a areia.
A angustia estava consumindo todo meu corpo, já sentia que estava começando a surtar e assim me beliscar várias vezes com a força que ainda me mantinha acordado na esperança de ser apenas um pesadelo, mas tudo aquilo era real e aquele pedaço de terra flutuante era minha prisão.
Uma luz vinda do relógio de pulso vermelho, substituído pelo meu anterior começou a piscar, quando me pus a observar o motivo haviam três botões, um de cor verde outro amarelo e o outro de uma tonalidade avermelhada. Pressionei o Butão verde e um holograma se ascendeu tomando a forma do senhor elegante que ainda se quer não soubera seu nome.
— Ola Will seja bem vindo à Alfalumia, seu novo lar – Disse o em um sorriso estridente – Está gostando do local?
— O quê? – Disse em um tom de indignação – Onde estou? Que lugar é esse? O que eu estou fazendo aqui?
— Você foi selecionado, não lembra – Disse ele em um tom sarcástico – Ai se concentra o novo continente que esta sendo criado e você e a nossa base de pesquisa para sobreviver neste local asqueroso. Meus parabéns.
— Vocês só podem estar de brincadeira, isto aqui é algum tipo de teste. – pronuncie as palavras apreensivas – Eu não me escrevi para nada disso.
— Não existe teste nenhum, melhor se acostumar com o paraíso – suas risadas me davam calafrios – Afinal você está ai por causa de sua impaciência, uma dica não assine nada sem antes ler, lamento em dizer, mas Centro de Analise Internacional Geográfica não pratica intercambio.
— Centro de Analise Internacional Geográfica? – Indaguei — M-Mas vocês então vivem de uma propaganda enganosa?
— Não jamais faríamos isto, porém você acha que o dinheiro das viagens nascem em árvores? – Suas palavras medonhas me deixaram irritado, mas não podia parar, precisava de mais informações. — Nosso centro de pesquisa que gera todo o lucro que garante a viagem de pessoas escolhidas a dedo por nós. – Um período de silêncio se estendeu. — Já falei demais, mais alguma pergunta?
— Por quanto tempo ficarei aqui? – Perguntei temendo a resposta.
— Sinto muito em dizer, mas você pode ficar ai para sempre – Ele afirmou em um tom agora sério. – Mas não se preocupe faremos contato assim que pudermos, tenho que ir divirta-se.
01 Fevereiro 2200 ao meio dia, esta foi à data mais assombrosa de toda a minha vida.
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